Rei Thranduil (Em reconstrução)

23 A única(capitulo da primeira versão)


Notas iniciais
Oi gente! Venho com um capítulo que acabou de sair do forno. :) Querem um recapitulando para lembrar do que aconteceu? Vamos lá! No ultimo capítulo: Annael foi levada em cativeiro por Asazel o líder dos orcs. Já sob os muros de Gundabad ela foi usada como barganha para a legião de Orcs fazendo com que a troca fosse o cativeiro do Rei que o levaria a morte. Mas, Legolas atingiu Asazel com uma de suas flechas. Enfurecido, Asazel arrastou a meio-elfa para o lado escuro das muralhas e lá Sauron se revelou e, após mostrar nitidamente a visão da primeira morte de Elen Aurë (Annael em segunda vida), ele a apunhalou com sua espada e desapareceu. Legolas matou Asazael, mas a Annael já caminhava para a sua morte. Boa leitura!

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Era prazerosa a paz que sentia, era como se tudo se distanciasse; memórias, a vida, meu corpo. Sentia-me leve como se flutuasse pelo vasto céu, vagando como uma leve pluma.

Eu lutava contra forças mágicas em forma de luz branca com a intenção de ficar na minha vidinha de plebeia ajudante de escritor, no entanto elas eram mais fortes do que a minha vontade. Mas, para o meu alivio ou para meu infortúnio uma dor pior do que dantes sentira invadiu o meu corpo e em resposta disso um grito ecoou do meu espírito que rasgou por minha garganta.

— Elen!

Thranduil com aflição gritava pelo nome do seu antigo amor. Eu sabia que mesmo não lembrando-me totalmente do que me passou em primeira vida sentia que a minha história não se iniciou com meu nascimento durante a guerra sob as ruinas de Valle, não depois de Sauron ter se revelado como um fantasma dos meus pesadelos de menina.

Abri os olhos e contemplei o rosto de Legolas preocupado e aliviado por ver-me com os olhos abertos novamente.

— Deu certo, por hora!

Olhei para o lado e lá estava Layla a loira forasteira que fazia companhia a Thaile no maldito dia em que ele me raptou floresta adentro.

Layla pressionava um pedaço de tecido ensanguentado contra o meu ferimento profundo enquanto a sua outra mão segurava um vidrinho escuro.

A dor dilacerava-me por dentro de tal forma que seria quase impossível de descrever. Apertei os olhos e gemi.

-Temos que tira-la daqui. – Disse Legolas elevando-me em seu colo.

— Te dou cobertura. – A loira armou seu arco após guardar o vidrinho em sua bolsa de lado.

Sem dificuldade alguma, Legolas saiu correndo carregando-me em seus braços enquanto a destemida guerreira se livrava de alguns Orcs que tentava nos impedir.

Gemi mais uma vez e pressionei a cabeça contra o peito dele.

­- Resista mãe, por mim. Viva!

Legolas falava comigo durante o trajeto até o alto da montanha, algumas vezes eu ouvia suas palavras, mas outras a dor consumia os meus raciocínios.

No alto da montanha ele me acomodou em um lugar seguro atrás de uma pedra baixa, por sorte os Orcs não nos perseguiam, talvez estivessem mais ocupados com o exército dourado do rei Thranduil ou estavam certos que eu morreria e a essência da minha vida passaria para Sauron como em mágica.

Enquanto Legolas conversava com a loira de cabelos cacheados e olhava aflito para o céu, tentei ver o que se passava no campo de batalha de Gundabad.

Ignorei o ferimento e levantei a cabeça por cima da pedra avistando Thranduil desmontado de seu mágico alce, ele já estava ao pé da montanha e batalhava com várias das criaturas que tanto odiava.

Um dos orcs esperou que ele se descuidasse para se armar a atingi-lo pelas costas.

Entrei em desespero. Não sei onde encontrei forças, mas impulsionei meu corpo e levantei-me do chão ignorando completamente a dor do ferimento e o sangue levemente estancado pela atadura de Layla, e em questão de instantes estiquei o braço e tomei o arco da bainha de Legolas, arranquei-lhe uma de suas flechas, mirei no orc e esperei Thranduil completar um de seus movimentos afim de não o atingir, só então soltei a linha do arco e a flecha atingiu bem na cabeça da asquerosa criatura. Então, entreguei meu corpo aos braços de Legolas que me segurou firme.

— A sua mãe não é normal, ou melhor, nenhum de vocês é. – Layla comentou atônita.

Legolas ignorou a bela moça loira enquanto analisava-me contorcendo de dor em seu peito.

Um canto fino vindo do céu chegou aos nossos ouvidos. Neste momento Thranduil surgiu no alto da montanha, sua armadura prata salpicada de sangue e com rosto empoeirado. Desesperado ele cambaleou até nós, ajoelhou-se sobre a terra e me tomou dos braços de Legolas. Em seu olhar mantinha o desespero e dor, porém moldou um sorriso preocupado em seus lábios.

— Ainda há vida em você. – Ele sussurrou e gentilmente beijou a minha testa.

Com as mãos tremulas levantei o meu braço no intuito de alcançar o seu rosto de um belo Valar, mas não consegui, então ele mesmo segurou a minha mão, inclinou sua cabeça e repousou a minha mão em seu rosto. Sorri levemente e forcei as palavras:

— Nossa história terminou mesmo antes de começar, não foi?

O belo elfo Sindar fechou os olhos e suspirou profundamente, quando voltou a abri-los havia lágrimas neles.

— Já tivemos um início, este é apenas a segunda glória de nossa história.

— Estou morrendo Thranduil. Não há glória na morte.

— Se me deixar novamente me unirei a você no descanso dos élfos, mas não caminharei sobre os jardins e campos sem você ao meu lado, não mais. – As lágrimas escorreram pelo rosto do rei. — Inye Tye-méla.

Sem esconder suas lágrimas Thranduil mais uma vez disse que me amava, desta vez em sua linguagem nativa, o Sindarin. Não havia maldade, orgulho, nem preconceito com minha posição inferior, sua arrogância se dissipou, sua altivez se foi, e finalmente Thranduil era apenas o glorioso elfo Sindar que contemplei pela primeira vez caminhando com calma e graça pelos jardins do reino da floresta que com sua face serena contemplava o céu azul deixando-se levar pela simplicidade daquela manhã calma.

— Inye Tye-méla. — Sussurei

Meus olhos marejaram, estávamos correspondendo a dor do outro como duas almas inseparáveis. Não havia mais palavras em nossos lábios, conversávamos apenas com o nosso olhar em um jogo de declarações e despedidas, dor, tristeza, esperança da parte dele, e amor.

Legolas encostou a sua mão no ombro do pai. Mantendo a calma ele anunciou:

— Ada, as águias estão aqui, uma delas será a nossa fuga.

Mal Legolas terminou de anunciar e um forte vento soprou levantando estilhaços de areia por todo lado. Movi a cabeça levemente para o lado e vi uma grande águia que pousou ao nosso lado, nela havia uma cela e rédeas.

Thanduil me tomou nos braços e levantou-se.

— Deseja ir com ela? Posso ficar comandando o exército.

Thranduil mantinha os olhos em mim sem desviar um momento se quer, mas depois de instantes respondeu:

— Vá com sua mãe e a mantenha em Rivendell sob os cuidados de Elrond. Chame a senhora de Lórien, sua mãe precisará de toda magia possível do contrario...

O rei não prosseguiu com suas palavras. Vi de relance quando ele desviou seus olhos dolorosos da minha face, enterrada em seu peito, para Legolas que entendeu o que ele não conseguia proferir em palavras.

O príncipe élfico assentiu e caminhou até a águia, Thranduil fez o mesmo e me acomodou com cuidado entre os braços do filho.

Então com a audição de elfos ouvimos fortes passos em nossa direção. Por um momento pensei serem os Orcs, mas quando abri os olhos avistei a face amigável do belo e destemido Lobo negro.

— Thaile você está vivo. – Forcei a alegria em meio a dor.

Thaile em sua forma de lobo empurrou Thranduil com seu focinho na tentativa de se aproximar de mim, o elfo reagiu levando a sua mão a sua espada em sua bainha, ele olhava furioso para o lobo e estava pronto a enterrar sua espada nele, mas desistiu quando o lobo negro grunhiu e lágrimas emanaram de seus olhos encostando o seu focinho em minhas pernas.

Passei a minha mão pelos longos pelos de sua cabeça, mas a dor aumentou me fazendo gritar. Senti que seria o meu fim.

— Deixe-os ir criatura da Lua. – Ordenou Thranduil com autoridade de rei.

Talvez Thaile tenha obedecido mesmo esse não sendo de seu feitio, eu não vi, pois estava morrendo de dor com os olhos fechados, no entanto, depois da ordem de Thranduil, senti a águia alçar voo.

Eu via sob a névoa em meus olhos a aura de luz branca envolver Elrond enquanto ele tentava com sua sabedoria e magia manter-me com vida:

— Minha senhora, ouça a minha voz, venha para a luz.

Eu gritava em dor indescritível. Eu buscava a morte para que o meu suplício tivesse um fim, mas ela pareceu se afastar de mim quando a forasteira Layla me trouxe a vida utilizando um tecido umedecido com não sei o quê tinha naquele vidrinho.

— Deixe-me ir Elrond, deixe-me ir! – Gritava em prantos.

— Legolas, chame Arwen e os meus outros filhos. Busque quantos elfos puder e os traga aqui. Daremos a luz de nossa vida a sua mãe até que a senhora Galadriel chegue. Vá!

— Não, chame Thranduil! Tragam-me Thranduil. – Chorando implorei.

Senti a mão do meu príncipe se afastar da minha mão para o aumento do meu desespero.

Não demorou muito para ele retornar com vários elfos com aura de luz em sua volta, eles se puseram ao meu redor e estenderam sua mão direita em minha direção enquanto pronunciavam em uníssono e em uma só língua élfica palavras mágicas de vida. Vi quando aquela luz tomou o meu corpo deitado sobre a cama, sendo sugada pela escuridão que desejava levar a minha vida.

Nada era nítido em minha visão, apenas via luz e mais luz, até que ela me transportou para a sala de piano do rei Thranduil.

Observei o lugar que eu que eu amava por instantes. Estava vestida com um longo vestido branco de tecido leve, elevei a mão escorreguei os meus dedos sobre as pontas dos meus cabelos soltos, e depois observei o anel em meu dedo, um anel com uma pedra da Lua no centro. Eu me sentia viva.

Iniciou-se uma doce canção dedilhado nas teclas do Piano.

— Thranduil, é você? – Perguntei esperançosa.

Não obtive resposta. Confusa, caminhei em direção ao instrumento e avistei a elfa branca com seu sorriso sereno e seus olhos gentis.

— Senhora Galadriel?!

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Imagem inspiração: Thranduil ao avistar Annael sobre os braços de Legolas.

Notas finais
Sinto revelar que a o conto do rei Thranduil já caminha para os últimos capítulos. Mas ainda terá a cena hot. ;) No futuro publicarei a história de Elennya, a primeira vida de Annael quando ela conheceu Thranduil ainda um príncipe. Até o próximo! Bjs ♥