Rei Thranduil (Em reconstrução)
4 Capítulo 3: Legolas (Novo!)
Notas iniciais

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— Você está atrasada Annael.
Dália estava irritada e também ansiosa estragando o dia ensolarado qual era raro nos dias de inverno.
Eu tinha tido uma noite horrorosa com os pesadelos que insistiam em me atormentar de tempos em tempos. Eram sempre os mesmos: um grande salão e uma multidão que o preenchia; uma coroa de prata; um vestido branco sobre meu corpo; as mãos com anéis de ouro branco qual segurava gentilmente as minhas; o sangue que manchava o vestido e as mãos; a adaga cravada no coração da donzela e as lágrimas brilhantes que gotejavam sobre a poça de sangue no chão; o belo homem de pele clara como a neve, olhos dourados e manto negro, e alegremente sorria com a desgraça evidente; E o gelo que se formava sobre o manto acinzentado do segundo homem cujas mãos possuía os anéis e cujos rosto rolavam as lágrimas.
Eu não possuía o melhor do meu humor naquele dia, mas eu tentei ser o mais gentil possível a explicar.
— Perdoe-me, eu tive pesadelos e terminei perdendo a hora. – esbanjei um sorrisinho um pouco falso e ela pareceu acreditar ingenuamente antes de seguir à passos rápidos em direção a carruagem.
— Volto em breve, papai. Pedi a Serina, a filha do cuidador de cavalos, para vir cozinhar enquanto o senhor escreve. Dei algumas moedas pra ela, acho que será o suficiente até eu voltar.
— Tem certeza que deseja ir? Eu preferiria que você ficasse. – O braço do meu pai me comprimia cada vez mais sobre seu peito.
— Papai... o senhor está me sufocando.
— Ah, me desculpe. – Respirei fundo recuperando o ar que me faltava.
— Vou ficar bem, meu pai. Pelo menos Dália vai me deixar em paz quando o seu alvo aparecer. — Brinquei.
— A pobre moça tem a ilusão de que pode ter algum tipo de contato físico com o Thranduil. Afirmo que é uma esperança doce e ingênua, pois é possível que ela nem chegue perto dele, exceto se ele a desejar.
— Espera... o senhor conhece pessoalmente o rei élfico?
O suspiro profundo e o olhar castanho do meu pai o denunciaram mesmo antes dele começar a falar.
— Sim, o conheci. — Ele disse mudando de assunto sem me dar espaço para questionamentos. — Agora, vá! Dália já a espera na carruagem, impaciente pelo visto.
Virei-me em direção a carruagem e lá estava Dália acenando para mim. Abracei o meu pai mais uma vez fingindo ignorar a mudança de assunto, e depois caminhei em direção à carruagem.
Ao lado da carruagem, Tahile estava junto com os três elfos que nos recepcionaram com sorrisos e apresentação. Não foi surpresa a carruagem já que o príncipe estava pessoalmente ali mesmo que com o capuz escondendo sua identidade.
Uma parte de seus cabelos sobressaia do capuz, eram tão loiros que mais um pouco se tornariam brancos como o algodão, tentei ver seus olhos através da capa, mas não obtive sucesso, a penas percebi o leve sorriso em seus lábios quando cheguei perto.
Legolas não falou nada apenas estendeu a mão para ajudar Dália a adentrar a carruagem e depois a mim. Tahile entrou em silêncio com a cara nada amigável, em seguida o elfo acomodou-se à frente de minha senhora.
O silêncio que seguia durante a viagem era um incômodo. Pra tentar me concentrar em alguma coisa, abri a minha bolsa de mão e peguei um pequeno livro. Quando estava imersa na história Legolas começou a falar e eu me perdi.
— E a senhorita se chama Annael, certo? Lindo nome élfico.
— Perdão, o que disse? – Perguntei meio desconcertada.
— O seu nome... é um lindo nome. – O elfo repetiu com um gentil sorriso nos lábios.
— Obrigada, minha mãe quem escolheu.
Desgrudei do livro e tentei iniciar uma conversa com o elfo. Eu gostava da voz dele, era forte, gentil e agradável.
— Alguma vez visitaram Mirkwood?
— Nós nunca visitamos o reino da floresta negra. – Dália intrometeu-se.
— Significa que nunca viram o rei?
— Não, elas nunca viram a cara dos elfos e nenhum de vocês jamais se importou em visitar a cidade de Barahir, gostaria de saber o porquê do interesse agora.
Tahile era intrometido, mas aquilo foi rude demais.
Fiquei com vergonha diante da rispidez do meu amigo, senhor, noivo, seja lá o que Tahile agora se tornara para mim.
Legolas não pareceu se importar, ele mantinha um sorrisinho discreto meio que gostando daquilo tudo.
De certo modo Legolas me incomodava, talvez por não baixar aquele capuz miserável ou talvez pela cortesia inexplicável do dia anterior para com uma serva suja e suada.
O silêncio ensurdecedor se fez presente mais uma vez quando Legolas parou de falar e apenas nos encarávamos de forma que os olhos dele formava uma linha invisível e reta aos meus olhos.
Ao lado do elfo, Tahile puxou uma adaga e a encarou enquanto começou a acariciar com um lenço a lâmina afiada.
— Pelo visto a senhorita gosta de ler. – Legolas cortou o silêncio apontando para o livrinho em minha mão. – Você tem alguma habilidade? Algum dom?
— Começou a sessão de perguntas. – Balbuciou Tahile.
— E pelo visto gosta de falar pouco.
Sorri para o príncipe e para desagradar Tahile que estava sendo um idiota.
— Sim, meu senhor, meu senhor.
Lancei mais um sorrisinho em cortesia ao gracejo. Estava desconfortável com as perguntas e a atenção do elfo, atenção que ele devia a Dália e não a uma serva, mas disfarcei pelo desaforo e Tahile.
No meio da tarde estávamos entrando na floresta negra. A carruagem seguia pela trilha de pedra e tremia na passagem estreita. Mesmo ainda tendo luz do Sol os vastos e robustos galhos das velhas árvores tornavam dentro da floresta como noite o que nos ajudava a enxergar eram as lamparinas espelhadas pela carruagem.
De vez e outra sons ecoavam de algum lugar, sons que me causavam arrepios contínuos. Eu conseguia ouvir coisas grandes rastejarem nas folhas úmidas do chão enquanto as velhas árvores de caule largo e raízes aéreas permaneceram silenciosas, dormindo sob a espessa camada de musgos úmidos e escorregadio. O odor da seiva verde ardia em meu nariz.
Dentro da carruagem Dália se comprimia ao lado de Tahile que a abraçava. Legolas trocou de lugar com ela e se sentara ao meu lado despertando olhares ciumentos e ameaçadores de Tahile. Não saberia explicar o motivo de tanto ciúmes pois eu não tinha chance alguma a afeição de Legolas.
O meu coração aumentava seu ritmo à medida que nos aproximava do reino com som da música élfica se tornando cada vez mais clara e completamente alheia sobre o que nos esperava.
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