Regis Um Menino do Planeta Terra
8 Quero a minha família
Assim que Erick saiu do quarto, fiz o mesmo, indo até a cozinha comer alguma coisa.
Apanhei uma pequena embalagem de bolachas de maisena, abri-a e comecei a devorá-las com apetite, pois, desde o último jantar, ainda na Terra, não teria comido nada e estava tão faminto, que precisaria de uma tonelada daquele tipo de biscoitos para saciar tal apetite.
De repente, percebi que aquela cozinha tipo dispensa, embora não precisasse, possuía uma robusta porta, que poderia inclusive ser trancada, por uma também robusta fechadura, com fecho ainda mais complicado do que as chaves tetras da Terra.
Um pequeno sorriso brotou em minha face e o plano veio na hora. Sai imediatamente de tal cozinha, trancando-a por fora.
Poderia deixar que Erick descobrisse meu plano por si próprio, mas para isto, estaria me distanciando ainda mais da minha já saudosa morada; portanto, segui até à cabine, onde só estava Luecy, então, depois de esconder a chave, voltei ao nosso forçado aposento, onde Arthur continuava dormindo e Erick, também estava deitado.
— Erick! — Chamei-o, dizendo com sorriso irônico — Já que vamos jogar, apresento-lhe minhas cartas.
— Quê? — Se admirou ele, ainda deitado — Quem está jogando?
— Você e o senhor Frene! Jogando com a vida de minha família!
— Larga de ser bobo, Regis! Eu amo sua família!
— To vendo!
— Cara! Não complique! Chegando à Suster você convence o senhor Frene e volta imediatamente pra seu mundo!
— Não estou disposto a passar mais meio ano da vida de meus pais no espaço!
— Não posso fazer nada! — Negou ele se virando na cama.
— Por isso que eu digo que também quero dar cartas. Acabei de trancar a cozinha. Só se alimenta lá quem eu autorizar. Adivinha se você faz parte de minha lista!
Ele se levantou praticamente correndo e se dirigiu a tal ambiente, forçando a porta e percebendo que eu não estava brincando.
— Cadê a chave? — Perguntou aflito.
— Garanto que está em algum lugar desta nave — aleguei com sarcasmo.
— Onde?
— Vamos brincar de esconde-esconde! — Tornei a ironizar com certa satisfação — Só que ao invés de pessoas e robôs, usaremos peças metálicas pequenas!
— Me entregue a chave, Regis! — Ameaçou-me ele com certa ira — Ela está com você!
— Não seria tão infantil de guardá-la comigo!
— Com certeza está pendurada em seu pescoço!
Levantei a camiseta do pijama, apresentando-lhe apenas o tal aparelho tradutor de Arthur, que continuava comigo.
— Está com você! Deve estar dentro do short!
— Onde iria esconder a chave dentro do short?
— Está dentro do short! Deve estar amarrada!
— Se tá ficando biruta de vez! — Reclamei fazendo careta.
— Você está achando ruim é porque está! Ou você me entrega ou vou arrancar na marra!
— Eu não seria doido de amarrar a chave onde você tá pensando! Não sou tolo Erick! É claro que em mim, seria o primeiro lugar em que você procuraria!
— Saiba que faz muito tempo que não como nada!
— Ótimo! — Tornei a rir com malícia — Mais fácil de negociarmos.
— Me de a chave!
— Vire esta nave cento e oitenta graus e terá toda a comida da dispensa só pra você.
— Não posso fazer isso!
— Sinto muito! — Ri com satisfação — O esconde-esconde tá com você!
— Quer jogar? Tudo bem! Eu aguento ficar sem comer até chegarmos à Suster.
— Em torno de setenta dias? — Especulei — Veremos!
Já ia seguindo para o quarto, quando ainda provei:
— A propósito... — baixei o calção do pijama e ironizei. — não estou com a chave amarrada onde você imaginou.
Tornei a me vestir e retornei ao quarto, onde ainda com sorriso estampado na face, deitei-me com os braços esticados, ao lado de Arthur, que tornou a virar na cama, continuando seu sono profundo.
A fome é assim algo interessante: geralmente, principalmente em uma viagem espacial, onde não se consome muita energia e o tempo é mais lento[1], as pessoas até passam muitos dias sem se alimentar, mas quando é lembrado de que aquilo é algo essencial e o pior (melhor para mim), sabendo que há certa restrição, a danada da fome aperta ainda mais, fazendo até o estômago reclamar, com roncos altos.
Assim, não se passou nem mesmo metade de uma hora e Erick tornou a entrar naquele quarto, dizendo:
— Regis, pare de brincadeira e me entregue a chave.
— Por que você também não para de brincadeira e me devolve à meus pais?
— Não estou com brincadeira!
— Também não! — Ironizei.
— Não vou fazer o que você quer! — Negou ele nervoso.
— Tudo bem! — Dei de ombros — Setenta dias de viagem sem se alimentar, passam logo!
— Você não faria isso! Sabe que eu morreria, se isto acontecesse.
— Que tal uma aposta? — Tornei a ironizar.
— O que quer que eu faça?
— Devolve a nossa felicidade, contrariando o senhor Frene, depois volte à Suster e enfrente-o. Você é homem!
Ele esfregou a mão direita, tentando limpar os olhos, forçou os lábios, balançou a cabeça e disse:
— Me devolva a chave e eu farei isto.
— Faça isso e eu lhe entrego a chave.
— Não confia em mim?
— Não!
Retirou-se para a cabine da nave.
Acompanhei-o.
Chegando à cabine, ele se sentou na poltrona perto da porta e eu na outra, enquanto Luecy permanecia de pé.
Erick pressionou o botão que faria a nave ser pilotada no manual para que pudesse fazê-la voltar cento e oitenta graus e assumir a rota anterior e ser novamente colocada no sistema automático. Mas... Tanto eu, como ele mesmo, teve uma pequena surpresa: a nave não aceitou seu comando.
— O que está acontecendo, Luecy? — Especulou o rapazinho.
— Você não tem privilégios para interferir nestes comandos — negou o robô.
— Como assim? Não tenho privilégios?!
— Esta nave só obedece à meus comandos — informou-lhe o robô.
— Muito bem então! — Resmungou Erick se levantando — Faça esta nave retornar à rota anterior.
— Negativo!
— Por que negativo?
— Esta nave não sairá de sua rota atual!
— Eu estou lhe ordenando! — Advertiu o rapazinho, nervoso — Você está programado pra me obedecer!
— Não mais!
— Como não mais?
— Só obedeço a ordens de Suster!
Ouvindo esta nova decepção, senti pavor, por saber que assim sendo, não conseguiria mesmo voltar para minha casa, portanto senti novamente as lágrimas e lhe perguntei:
— Mas Luecy, você era meu amigo! Lembra?!
— Robô não tem amigos! — Negou ele, com voz sem emoção — Só programação!
— Quer dizer que todo aquele tempo de nossa amizade, você esqueceu tudo? — Questionei-lhe com lágrimas.
— Não! Está tudo em uma memória eletrônica!
— E mesmo assim, não resta nenhum sentimento?
— Robô não tem sentimentos! Só programação!
— Nem sequer se lembra mais, ser Luecy?
— Luecy está na memória. É pseudônimo.
— É nome! — Insinuei convicto. — Eu o batizei assim!
— Mark Três é nome! Está registrado na memória não deletável.
— Em alguma época, já foi amigo falso também de Arthur?
— Arthur não está em minha memória eletrônica.
— Regis Primeiro! — Corrigiu Erick.
— Regis Primeiro, há registros! Estive programado para seguir suas ordens.
— Se você já esteve programado para seguir ordens do outro Regis, assim como de Erick e minhas, quer dizer que podemos restaurar isso — me animei.
— Só o computador central é capaz de alterar programações.
— Nem mesmo você? — Insisti franzindo os lábios.
— Negativo!
— Mesmo que eu lhe provocar um curto circuito? — Insisti bravo.
— Meus componentes são à prova de qualquer espécie de incidentes!
Não teria jeito. Só mesmo pedindo o sacrifício de meu sósia Arthur. Levantei-me e quando já iria sair, Erick tornou a insistir:
— Agora não é mais culpa minha, Regis! Dê-me a chave.
— Realmente não é mais — balancei os ombros. — Porém, no fundo, você nem liga!
— Não vai deixar me alimentar?
— Que tal continuarmos brincando de esconde-esconde?
— Regis! Tudo bem que você tenha razão: eu não me importo tanto. Mas não há porque de você fazer chantagens comigo. Não posso fazer nada.
— Será que não devo forçá-lo, a ajudar-me a chantagear o senhor Frene?
— Por favor, não! — Implorou o rapazinho.
— Tudo bem! Dê uma olhada na perna de Luecy!
Ele procurou imediatamente sobre as duas pernas metálicas do robô e encontrou, camuflada em pequeno orifício de sua perna esquerda, na junção do joelho, a pequena chave, que lhe concederia sua farta alimentação.
Retornei ao aposento, com ideia firme, de exigir que Arthur se sacrificasse por mim.
Ele continuava dormindo, de tal forma tranquila, que até sentia pena em acordá-lo, mas quanto mais tempo esperasse, mais longe de casa estava ficando, então resolvi me ajoelhar sobre a cama e chacoalhando-o, chamei:
— Arthur... Arthur... Acorde... Preciso falar com você.
Ele se virou na cama, se espreguiçou e perguntou forçando os braços:
— O que foi?
— Levante-se. Precisamos conversar.
— Me deixe dormir. Estou cansado.
— Acorde... Depois te deixo dormir de novo.
— O que você quer? — Sentou-se sobre a cama, esfregando as mãos nos olhos.
— Você gosta mesmo de mim?
— Nem venha com essa, Regis! — Pediu ele, fazendo careta — Sei o que você vai falar e a resposta é não!
— Como não? Ainda nem falei!
— Você vai pedir pra que eu aceite voltar pra Suster sozinho e você ficar na Terra. Não vou topar!
— Por que não? Você não é da Terra! Eu sou da Terra!
— Quero ficar com você! Onde você estiver! Já lhe disse isso, várias vezes!
— Você nem me conhece! Seu lugar é em seu planeta, ao lado de seu monte de irmãos!
— Não quero ficar lá! Não gosto de lá! Detesto aquele bando de bonecos!
Preocupei-me.
— Arthur! Fale uma coisa: O que aconteceu de tão grave com você em seu mundo, pra que você não queira ficar lá?
— Não aconteceu nada de tão grave! — Negou ele convicto — Só não quero ficar lá! Não quero viver em um lugar, onde sou considerado brinquedinho ornamental de poderosos!
— Eles mexem com você?
— Nããão! — Negou nervoso — Já lhe disse que não quero ficar lá, porque existem milhares de cópias minhas lá! Quero ter uma família de verdade! Quero ser único!
— Tenho certeza de que o senhor Frene, A Leandra, Senhor Rud e Tony... Todos te amam.
— Como se eu fosse um boneco frágil... Melindroso... Sensível. Não sou isto! Sensível são meus sentimentos! Sabe como os caras da televisão chamam a gente?
Fiz gesto negativo com a cabeça.
— Projeto Regis — ele estava emocionado. — Viu só! Não somos considerados humanos. Somos um projeto avançado, que deu resultados positivos. Regis, eu quero um pai e uma mãe! Pensa que sei quem é meu pai e minha mãe?
— Seus pais são três bilhões e quatrocentos milhões de susterianos.
— Meu pai é você!
— Vê lá! — Achei engraçado — Nunca poderei ter um filho!
— Meu pai é uma gota de seu suor! Ou de sua saliva! Minha mãe é o útero infértil de uma mulher susteriana, que serviu de voluntária pra que eu ganhasse vida! Por que será que nem sequer me deixaram conhecê-la e dizer: te amo mamãe!
Acho que eu nem sabia o que ou como dizer.
— Você experimentou falar isso ao senhor Frene?
— Ele não quer que eu ame a uma mãe! — Negou o menino chorando — Ele quer que eu ame a ele!
— Ele poderia ter lhe oferecido seu amor de pai e lhe apresentado sua verdadeira mãe, como em uma família normal. Ele deveria ter se casado com sua mãe e vocês viveriam felizes para sempre!
— Eu sou um mero projeto! Como você já disse: tenho que acreditar ter três bilhões de pais, quando na verdade não tenho nenhum!
— E quanto a mim? — Especulei triste — Quer tirar o resto de tempo que tenho, de conviver com meus pais, antes que eles partam dessa vida? Quer que eu compactue de sua infelicidade e seja também infeliz?
— Não! Quero estar ao seu lado e compactuar também de sua felicidade.
— Minha família não é a sua família! Você pertence à Suster. Precisa voltar pra lá.
— Você acredita em Deus? — Questionou-me ele.
— Tem horas em que eu fico indeciso — dei de ombros. — Não acho o lugar dEle neste Universo.
— Eu penso que acredito — afirmou ele. — Mas se existe um Deus, Ele plantou em cada ser humano, uma alma. E eu? Experimento científico. Uma aberração humana, vagando no tempo sem áurea ou alma. Quando eu morrer! Isso vai acontecer um dia. Daqui cem anos... mil anos! Pra onde eu vou? Nem pro inferno posso ir! Não sou registrado no livro de Deus. Não nasci do milagre dEle.
— Arthur! É claro que você tem alma! A alma não é algo material, ou órgão do corpo, igual esse coração de músculo que a gente sente pulsar dentro do peito! A alma é algo sagrado que nos faz ter sentimentos e faz sim, este coração de músculo bater com uma dorzinha esquisita, parecendo que a alma está dentro dele. E está! Sentimento eu sei que você tem! E muito! Você, embora criado idêntico a mim, tem muito mais alma do que eu!
— Será que Deus permitiria ao homem, criar alguém à sua imagem e semelhança?
— Com certeza sim! — Insinuei — Tanto é que você foi criado! Deus deixou no homem, a inteligência pra fazer tudo aquilo que é bom! Seu mundo corre o risco de com o tempo entrar em extinção da raça humana. Com essa inteligência científica, isso não acontecerá mais! Você é a esperança do futuro de sua gente!
— O homem não pode brincar de ser deus — insistiu o menino, entre lágrimas.
— Não é brincar de ser deus! É usar o poder que Deus lhe concedeu, pra poder criar o que é bom e viver dignamente.
— Não me peça pra abandonar você — insistiu ele. — Não gosto de conviver com bonecos.
— Você disse que não convive com eles.
— Mas eles estão em todas as partes. Nem gosto de ir ao parque de diversões, onde me tropeço com dezenas deles e às vezes até me perco dentro de mim. Não sabendo na verdade, entre todos, quem sou eu.
— Isso não existe!
— Por que você não está lá! Sou apenas um boneco do senhor Frene, enquanto outro de mim é um boneco de outro poderoso... e outro... e outro...
— Quando você fala assim: dá a impressão de molestamento... Aliciamento infantil... Estas palavras são muito fortes!
— Não se preocupe, pois isto não acontece — negou ele, ainda emocionado. — Se alguém mexesse comigo nesse sentido, eu já teria me suicidado.
— E com os outros?
— Não acredito que aconteça — negou ele convicto. — Todos os susterianos nos consideram criancinhas frágeis demais, para que alguém faça tal mal, a qualquer um de nós.
— Então vamos falar com o senhor Frene. Vamos expor que você não é este menininho frágil que ele pensa. Afinal de contas, você é estudado... É culto... Você é um cientista!
— Não vai adiantar. Ele nos quer frágil.
— Vamos fazer melhor! Exigir que nos deixe na Terra.
Segurei a mão direita de Arthur e praticamente o arrastei para a cabine da nave, onde, eu mesmo acionei a tecla do monitor esquerdo, que se ascendeu rapidamente e por sorte, o senhor Frene surgiu na tela distraidamente.
— Senhor Frene! — Chamei-o — Precisamos falar com o senhor!
— Olá Regis! — Cumprimentou-me ele, estando a trilhões de quilômetros dali, como outro milagre impossível da ciência e tecnologia avançada.
— O senhor ama a mim e ama a Arthur! Já passou da hora de provar de uma vez por todas esse amor e fazer este troço aqui dar a volta e nos devolver sadios e felizes pra minha casa!
— Primeiramente, quem é Arthur?
— Eu! — Se prontificou o outro menino.
— Oi filho — riu o homem. — Bacana! Deram-lhe outro nome. O que houve?
— Senhor Frene! Eu quero ficar na Terra, com meu irmão Regis — insistiu Arthur.
— Ele não é seu irmão — negou o homem. — Ele nasceu na Terra. Você é filho de Suster.
— Brinquedinhos iguais a mim, existem outros vinte e tantos mil aí senhor Frene — alegou o menino, com lágrimas. — Escolha outro pro senhor e me deixe ser feliz com Regis, na Terra.
— Regis... Filho... Você não é um brinquedinho. Você é um ser humano igual a mim. Eu te amo, por que você é meu filho e filho de nosso mundo. Você tem razão em dizer que existem tantos outros. Mas cada um é considerado único. Eu não trocaria você por qualquer outro, idêntico a você. E faço uma aposta contigo: Se um dia estivermos em certa convenção, com todos seus semelhantes juntos e você se infiltrar entre eles, mesmo estando vestido iguais, eu o reconhecerei entre todos. Por que eu te amo meu filho e pra mim você é único.
— Por favor — pediu o menino, chorando. — Me deixe ficar com Regis.
— Pra mim será um grande prazer. Ele ficará morando conosco.
— Não! — Gritei — Quero morar com meus pais!
— E eu quero morar com meus filhos! — Justificou o homem, nervoso.
— Eu não sou seu filho! — Neguei, com ranger de dentes — Meus pais estão ficando velhos e precisam de mim!
— Tudo bem! — Concordou ele — Eu te amo tanto, que permito que você fique na Terra. Mas quero meu filho comigo!
— Eu também não sou seu filho, senhor Frene — negou Arthur, calmamente. — Sou filho de uma incubadora. Ou sei lá como o senhor quer chamar.
— Vocês virão pra Suster. Aqui a gente conversa.
— Por favor! Não! — Pedi.
— Eu lhe devolvo à sua Terra, Regis — afirmou o senhor Frene. — É só Regis Primeiro concordar. Mas primeiro vocês deverão vir até aqui.
Para minha surpresa, Arthur, com a voz muito suave insinuou:
— Tudo bem senhor Frene. Concordo em ficar aí com o senhor. Pode virar esta nave e levar meu irmão Regis, pra sua casa.
— Não vou fazer isso — negou o homem, sério. — Não agora.
— Como não?! — Insisti nervoso — O senhor não ouviu?! Ele concorda em ficar, embora infeliz, com o senhor! Agora faça sua parte e me leve de volta pra meus pais!
— Quando vocês chegarem aqui, a gente conversa — decidiu ele, desligando sua comunicação conosco.
Nosso monitor se escureceu e com isto, comecei a chorar enfurecido.
Retornei correndo a nosso aposento, me deitando de bruços sobre a mesma cama em que Arthur dormira, onde, ainda chorando, comecei a planejar outra ideia perigosa.
[1] Para quem está fora da nave, setenta dias em uma viagem espacial, não significam nem dez, para quem está viajando.
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