Regaining the love
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Ali estava eu, deitada na cama. Eu não tenho vontade de ir a lugar nenhum, mas é hora de ir para escola... Ah, a escola!
- Elizabeth, você vai se atrasar. – disse meu pai correndo pelos corredores... Provavelmente ele está fazendo panquecas, é só isso que ele faz depois que minha mãe morreu.
Levantei, tomei um banho, coloquei uma camiseta preta e uma blusa xadrez por cima, uma calça, e meu all star vermelho que já estava bem velhinho. Meu cabelo estava a mesma coisa de sempre: ruivo com uma pequena ondulação nas pontas... Eu não podia me esquecer do meus óculos de grau wayfare. Sim, eu não escondo em ser uma nerd. Peguei meus fones de ouvindo e desci, para tomar café da manhã... Não, eu estava muito atrasada para comer as repetitivas panquecas do meu pai.
- O café já está na mesa – disse meu pai com um pano de prato em seus ombros.
- Desculpe pai, hoje não vai dar – disse correndo em direção à porta. – Tchau! – peguei minha bicicleta e fui para a escola.
Cheguei, e avistei Caroline e Sam, meus melhores amigos... Os únicos na verdade. Fui em direção a eles.
- Atrasada como sempre né mocinha – disse Caroline cruzando os braços.
- Foi mal, mãe – respondi.
- Sem tempo para broncas agora, vamos entrar.
- Concordo – falou Sam abraçando nós duas, nos acompanhando. Por sorte éramos da mesma sala.
Chegamos à sala de aula. Ninguém era importante ali a não ser os garotos do futebol: Damon, Tyler e Stefan. Todo mundo só dava atenção a eles, e eles só dão atenção às garotas...
- Bom Dia turma! – disse o professor de História, Sr. Benner. – Tenho uma surpresinha para vocês hoje. – a sala toda murmurou. – O que foi? – disse ele colocando suas coisas na mesa. – Sei que não irão me desapontar. – Ele pegou o pincel e começou a escrever na lousa. – Quero um trabalho em duplas, mas eu irei escolher.
A sala murmurou novamente. Droga, eu não tenho afinidade com ninguém nesta sala a não ser com Sam e Caroline!
O professor pegou suas anotações e começou a falar o nome das duplas. Por fim ele falou:
- Elizabeth e Damon!
O que? Como assim, eu irei fazer dupla com o Damon? Olhei para ele e a cara dele era tipo "Quem é essa Elizabeth?" Então ele me achou e eu virei o rosto. Depois disto o professor passou algumas atividades dos trabalhos, tivemos mais duas aulas e depois fomos para o intervalo.
Estava saindo da sala quando Damon me interrompe.
- Ei, Elizabeth, não é? – disse ele me parando.
- Sim.
- Temos que conversar sobre o trabalho.
- Não precisa, irei fazer sozinha. – Eu estava indo, quando ele me para novamente.
- Não, de jeito nenhum irei deixar você fazer o trabalho todo sozinha.
- É que pensei que você não se importava muito com trabalhos de escola.
- Você pensou errado então. – Os meninos do futebol estavam chamando ele – Depois a gente conversa direitinho sobre o que iremos fazer ok?
- Tudo bem. – Enfim ele saiu e eu finalmente pude encontrar Sam e Caroline.
Tivemos mais duas aulas e fomos para a casa.
No caminho fui pensando em como o destino foi cruel comigo me colocando para fazer trabalho justamente com o Damon, sendo que existem tantas pessoas naquela sala com quem eu poderia fazer. Ele se acha tão popular a ponto de achar que não precisa fazer mais nada.
Cheguei em casa, almocei e descansei um pouco, depois a campainha tocou. Fui ver quem era.
- Damon? O que faz aqui?
- Vim fazer o trabalho – ele falou – posso entrar?
- Pode – dei espaço para ele passar.
- Legal sua casa – ele olhou em volta – seus pais estão aí?
- Meu pai está trabalhando. – fechei a porta.
- E sua mãe?
- Ela morreu.
- Ah, eu sinto muito... – ele começou a se desculpar – Nossa que mancada, me desculpa.
- Tudo bem. – falei. – Como você soube onde eu morava?
- Perguntei pro seu amigo.
- O Sam?
- Ele mesmo. – ele deu uma pausa e continuou – Então vamos fazer o trabalho ou não?
- Ah, claro. – subi as escadas até o meu quarto e ele me seguiu.
Eu ia dizer pra ele ficar à vontade, mas assim que entramos, ele já foi logo se sentando na minha cama. Liguei o notebook, sentei ao seu lado e comecei a pesquisar.
Nós ficamos um bom tempo em silêncio. Isso já estava me irritando.
- Então... Elizabeth. Tem muito tempo que você estuda lá na nossa escola?
- Três anos.
- Nossa! Então por que eu nunca a vi por lá?
- Geralmente as pessoas não prestam atenção em mim, principalmente as “populares” que só olham para o próprio umbigo. Mas eu não ligo, prefiro assim.
- Isso foi uma indireta para mim?
- Se a carapuça serviu... – ri.
- Estou ofendido. – ele riu também.
Continuamos fazendo o trabalho, preferimos fazê-lo em slide.
- Quer fazer o slide? – perguntei.
- Eu sou horrível para essas coisas. – ele falou.
- Você é o melhor jogador do time da escola e está me dizendo que não sabe fazer um simples slide?
- Não posso ser bom em tudo. – sorriu. O sorriso dele era encantador, eu tinha que admitir, e ele também não era a pessoa horrível que eu imaginava ser. Ele pensou bem e falou – tudo bem, eu faço, mas você vai ter que me ajudar.
- Beleza. – entreguei o notebook para ele.
Ele não foi de todo ruim. Só fez umas coisas idiotas, mas eu concertei.
Ficamos fazendo o trabalho até a noite, quando meu pai chegou.
- Lizie! – ele chamou do primeiro andar.
- Estou no quarto. – gritei.
- É o seu pai? – Damon perguntou.
- Sim, por quê?
- Ele não vai se incomodar de eu estar sozinho aqui com você?
- Provavelmente não. – falei.
Meu pai apareceu na porta.
- Ah querida, você não disse que íamos ter visitas.
Nós nos levantamos e Damon foi até o meu pai.
- Pai, esse é Damon. Meu... – não sabia o que falar.
- Sou amigo da Lizie. – ele completou.
Olhei para ele com uma cara carrancuda. Só meu pai, a Caroline e o Sam me chamam assim.
- Olá Damon. – eles se cumprimentaram. – Muito prazer.
- Igualmente, senhor.
- Me chame de Alaric.
- Ok.
- Vou deixar vocês à vontade. Estarei lá na cozinha...
- Isso foi algum tipo de aviso? – Damon perguntou assim que meu pai desceu.
Eu ri.
- Acho que sim.
- Então é melhor tomarmos cuidado, Lizie. – ele me lançou um olhar e riu.
- Não me chame de Lizie.
- Por quê?
- Não somos íntimos para isso.
- Então tá.
Terminamos o trabalho e descemos. Damon ia embora.
- Tchau Li... Elizabeth. Até amanhã.
- Até.
- Tchau Alaric. – Damon falou mais alto para meu pai ouvir da cozinha.
- Até mais, Damon. – meu pai chegou na porta.
Damon foi embora.
Conseguimos fazer o trabalho inteiro, com algumas dificuldades, mas deu certo.
Já estava ficando tarde, tomei um longo banho, comi e deitei.
No outro dia levantei mais cedo que o normal. Tive um sonho com Damon. Que droga!
Desci e meu pai já estava terminando de fazer as panquecas.
- Bom dia, pai.
- Oi querida, levantou cedo...
- Não dormi muito bem.
Enquanto nós tomávamos o café da manhã meu pai falava comigo.
- Aquele seu amigo que veio aqui ontem parece ser um bom rapaz.
- Ele não é meu amigo. – falei.
- Como assim? – ele ficou desconfiado.
- O professor deu um trabalho e escolheu as duplas... Fomos obrigados a fazer juntos.
- Entendi.
Acabei meu café, subi, terminei de me arrumar e fui para a escola.
Cheguei e a escola estava quase vazia a não ser por um ou dois alunos que foram chegando.
Demorou um pouco, mas finalmente avistei Sam.
- Oi Lizie. – ele me abraçou.
- Ei Sammy.
- Como foi fazer o trabalho com Damon?
- Não foi tão horrível. Porque você contou a ele onde eu moro?
- Porque ele perguntou. E você não podia fazer todo o trabalho sozinha.
- Podia sim. Era isso que eu ia fazer.
- Já era. E além do mais, foi você mesma que disse que não foi tão ruim, então não reclame.
- Ok.
Caroline chegou e ficamos conversando até a aula começar.
De repente quem eu vejo? Damon. Eu nunca reparava nele, mas a questão é que ele estava com uma moto Shadow 750 preta, aquela moto combinou muito com ele, ele estava muito lindo, tenho que admitir. Ah claro, admitir também que ele é um galinha: tinha uma garota na garupa da moto dele.
O sinal bateu para entrarmos na sala de aula, eu não via a hora das férias de verão chegar logo eu não aguento mais olhar para essas pessoas.
Cheguei na sala e sentei no meu lugar de sempre: o fundo da sala. Apesar de me considerarem "nerd" eu adorava o fundo da sala, eu tinha a visão completa.
O professor de matemática começou a entregar as provas com as notas. Tirei um dez. Do meu lugar consegui ver Damon com uma cara animada quando recebeu a prova. Pelo visto a nota dele foi boa.
Tivemos as outras aulas e fui para a casa.
Descasei um pouco antes de ir na livraria. Sim, ler é minha paixão.
Quando era 15h resolvi finalmente sair de casa.
No shopping tem uma livraria maravilhosa, eu vou lá toda semana para admirar os livros, já que nem sempre tenho dinheiro para compra-los.
Cheguei lá e fui atendida por uma garota cujo nome era Sarah.
- Oi moça.
- Oi, tudo bem?
- Tudo bem e com você?
- Estou bem. Dessa vez eu vim com dinheiro – dei um sorriso. Nas últimas semanas eu vim aqui, mas sempre sem dinheiro.
Andei por toda a livraria. Encontrei uns livros bem interessantes, mas o que mais me chamou atenção foi “Hush Hush”. Parece ser muito bom. Vou levar a coleção inteira de uma vez. Saio mais no lucro.
- Vou levar esses – mostrei os quatro livros na minha mão.
- Ótima escolha. – ela me falou o preço e fui pagar no caixa.
Voltei para pegar meus novos livros.
- Aqui está. Você vai adorar.
- Você já leu?
- Já sim, são perfeitos. Pelo menos para mim. – ela riu e se aproximou de mim – Cá entre nós: o Patch é um gostoso.
- Que bom – ri.
- Qual é o seu nome?
- Elizabeth.
- Então, Elizabeth, leia e depois vem aqui para conversarmos mais.
- Tudo bem. Tchau.
- Tchau.
Cheguei em casa e liguei para Caroline.
- Oi Care, temos que acertar os últimos detalhes da festa do Sam.
- Verdade, dá para você vir aqui em casa agora?
- Claro, já vou sair. Tchau.
Saí e fui direto para a casa de Caroline. No caminho encontrei com o Sam.
- Ei Lizie, onde você vai?
- Na casa da Caroline.
- E nem me chamou?
- Tarde das garotas, Sammy, você não pode ir.
- Tudo bem, divirtam-se sem mim. O que é quase impossível. – ele deu uma risada.
- Convencido. – ri. – Vou indo, ela já está me esperando, tchau.
- Tchau. – nos abraçamos e eu fui.
Sam era muito alto para a idade dele, eu fico pequenininha perto dele. Todas as vezes que nós nos abraçamos eu tenho que ficar na ponta dos pés e ele tem que se curvar. Mas também tem as vantagens: o abraço de pessoas altas já é gostoso, o dele então... Melhor ainda.
Amanhã é o aniversário dele, Caroline e eu resolvemos fazer uma festa surpresa. Tem muitas pessoas envolvidas, espero que dê tudo certo.
Pelo o que a Caroline me contou, Damon mora perto da casa dela. Passei por um caminho um pouco mais longo para não correr o risco de esbarrar com ele.
Cheguei e começamos a acertar os preparativos para a festa.
- Quem vai sair com ele? – Caroline perguntou.
- Bom, você poderia chamar a gente para vir aqui, aí eu passo na casa dele e a gente vem.
- Que horas?
- Acho que até 20hs30min dá para arrumar tudo né?
- Dá sim.
Quando terminamos com os preparativos já era tarde.
- Care, eu tenho que ir.
- Tudo bem.
Ela me levou até a porta e eu fui embora.
A iluminação dessa cidade está horrível: o dessa cidade está horrível. não tem um poste de iluminação que presta. A rua estava um breu e eu passei perto de um bando de caras, pareciam bem mais velhos. Um deles mexeu comigo:
- E aí gatinha.
Não falei nada e continuei andando.
- Qual é amor, não vai responder?
Olhei para trás e parecia que eles estavam vindo.
Eu estava me preparando para correr quando, no mesmo instante, uma moto apareceu ao meu lado.
- Sobe.
- Damon?
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