Refém da Paixão
20 A propósito, eu também te amo!
Notas iniciais
Estava cada vez mais difícil conseguir assimilar todas as informações recebidas. E chegaram muitas nas últimas horas. Quanto mais eu pensava sobre a história que Edward havia me contado, mais sentia minha cabeça fervilhar. Parecia surreal demais para ser verdade, mas a dor que brilhou em seus olhos passava longe de ser fingimento.
Aquele relato envolvendo Carlisle, o irmão e Esme, desestruturava ainda mais as coisas, e tive de assumir para mim mesma a real possibilidade do mandante de tudo aquilo estar entre os três. Eu precisava dar um jeito de investigar e saber mais sobre toda aquela confusão.
—O doutor Paul já está vindo. – Edward chamou minha atenção ao proferir baixo. Tomei um gole do café frio antes de olhá-lo.
Era incrível como ele conseguia ficar cada dia mais lindo.
—Não precisava chamar outro médico...
—Bella, ele é especialista. O melhor da região. – rolou os olhos com veemência. —Faço questão de ajudar sua mãe.
Foi impossível conter o sorriso, ergui a mão para tocar seu rosto e poder puxá-lo para deixar um beijinho rápido sobre sua boca. Soltei um longo suspiro ao recostar a cabeça em seu ombro forte.
Já tinha horas que estávamos ali, a espera de notícias, mas não aparecia um ser vivo para nos dar qualquer informação. Fora exatamente por isso que Edward decidida chamar o amigo da família. Eu já havia ouvido falar do doutor Paul, ele era conceituado e requisitado o suficiente para ser caro demais. Até tentei negar, mas Edward insistira e discutir com ele não era algo que eu queria fazer naquele momento.
—Onde a Mel está? – minha voz saiu baixa.
—Em casa com Jéssica. – beijou o alto da minha cabeça enquanto afagava meu braço. —Rodeada por seguranças.
Foi impossível não me incomodar com aquilo. Era muito injusto uma criança tão pequena correr risco constante de vida. A ânsia para encontrar o infeliz que estava por trás disso só cresceu.
Mesmo que estivéssemos sem pista nenhuma e praticamente andando em círculos, eu estava convicta que iríamos descobrir quem era o mandante e teria o prazer de socar sua cara bem forte. Várias vezes.
—Já trabalhou em algum caso como o meu? – sua pergunta me pegou de surpresa. Ergui os olhos até seu rosto e vi o quão curioso ele estava.
—Já. Meu primeiro trabalho com o Emmet foi proteger uma mulher que estava sendo constantemente ameaçada. Ela recebia telefonemas agressivos onde a pessoa gritava juras de morte. – aquilo já tinha muito tempo, mas ainda me lembrava com clareza dos dias de tensão, aflição e incerteza.
Sentimentos que estavam quadruplicados agora.
—Conseguiram descobrir quem era?
—Conseguimos, era a afilhada e única herdeira. Estava ansiosa para gastar a fortuna da tia e decidiu apressar as coisas. – soltei o ar pela boca relembrando a decepção da senhora Hill ao descobrir quem estava tentando matá-la.
Só esperava que Edward não passasse pelo mesmo.
—E os outros casos?
—Não me lembro de todos, mas na maioria o motivo foi o mesmo. – ergui o corpo e arrumei a postura na cadeira, Edward abaixou os olhos rapidamente e pude sentir o quão tenso ele estava. —Há sempre alguém que vai lucrar com a morte dos outros. Geralmente esse é o maior motivo.
—Então você acha que quem está tentando me matar vai lucrar em cima disso? – seus olhos voltaram a focar em mim e pude ver a apreensão neles.
—Vai, com toda certeza... – prendi o ar nos pulmões por alguns segundos antes de continuar. —Por isso suspeitei da Victória. A Melissa é sua única herdeira, se algo acontecer com você... – somente a hipótese embrulhava meu estômago.
—Não, a Melissa não é minha única herdeira. – maneou a cabeça em negação e correu a mão pelo cabelo. —Ela é a minha maior herdeira, mas não é a única. – ficou algum tempo em silêncio parecendo refletir sobre o que havia acabado de me contar. —Na verdade, toda a minha família lucraria com a minha morte.
Quando ele se virou para me olhar pude ver o medo surgir em seus olhos, mas Edward se recompunha rápido. Ele era mestre em esconder suas emoções.
—Você acha que pode ser um deles? – sua pergunta saiu baixa e eu não tinha certeza se Edward queria ouvir a verdade ou algo que fosse lhe agradar.
—Pela minha experiência, sim... – comecei com cuidado. —Mas conhecendo sua família, acho que não.
Por mais que os pais de Edward tivessem entrado oficialmente na lista de suspeitos ainda era cedo demais para informa-lo daquilo. Era preciso ter algumas certezas antes de despejar todo aquele peso sobre seus ombros.
Edward soltou o ar pela boca e pareceu um pouco mais aliviado, felizmente o doutor Paul chegou em seguida e aquele assunto fora deixado de lado.
Paul foi educado ao pedir que esperássemos ele se inteirar do caso antes de nos dar qualquer parecer. Quando passou pelas portas duplas acreditei que levaria mais algumas horas até que voltasse, mas a verdade é que em menos de meia hora ele estava de volta.
—O caso da sua mãe é bem delicado. Houve um grande sangramento no cérebro e precisamos drená-lo. – explicou com calma e cuidado. —Mas aqui não há muitos recursos. Eu sugiro uma transferência para um hospital maior, mais preparado para esse tipo de caso. Se quiserem posso solicitar uma vaga no Graham Senor, que na minha opinião é o lugar mais indicado para esse tipo de caso, mas se preferirem outro hospital...
Eu sabia muito bem que a diária daquele hospital equivalia a praticamente ao meu salário do mês, isso sem contar os gastos na cirurgia. Não tinha a menor condição de pagar por tudo aquilo.
—Bom, eu acho que...
—Pode transferir, Paul. – Edward me interrompeu. —O mais rápido possível.
—Certo, vou cuidar de tudo.
Ainda boquiaberta, vi o médico se afastar. Me virei para encarar Edward que não parecia nem um pouco incerto de sua decisão.
—Porque fez isso? – ele se aproximou cerrando os olhos. —Porque mandou transferir par o hospital mais caro da cidade? Edward, você sabe que eu não sou uma designer de joias milionária, não é?
Ele rolou os olhos e bufou alto.
—É claro que eu sei. Se eu mandei transferir é porque vou cuidar de tudo.
—Ah, não quero...
—Não tem que querer. Vou ajudar e ponto. – bateu o pé decidido. —Você faz muito por mim, me deixe fazer por você também. – tocou meu queixo e ergueu minha cabeça para beijar minha testa.
Soltei um longo suspiro sem saber o que lhe responder. Ultimamente era sempre assim que eu ficava perto dele: sem palavras.
A transferência de Renée para o hospital Graham Senor fora rápida e eficiente. Paul nos deixou a par de tudo, inclusive que repetiriam os exames que foram feitos na pequena clínica de repouso e fariam alguns mais modernos, somente para ter certeza que a cirurgia era preciso.
Voltei para casa com Edward me sentindo um pouco mais leve, saber que Renée estava sendo bem assistida me deixava bastante aliviada.
—Porque não vai tomar um banho e descansar um pouco? – Edward sugeriu assim que entramos na grande suíte. Estar lá dentro de novo me deixou com o coração aquecido e uma sensação de estar em casa muito acolhedora.
—Vai que ligam...
—Se ligarem eu te aviso, mas Paul disse que iria demorar, esqueceu? – seus olhos estavam gentis e carinhosos, muito diferente de como eram no início.
Foi impossível recusar o banho. Eu precisava mesmo passar uns minutos debaixo da água quente enquanto pensava em absolutamente nada. A água me revigorava, e quando saí do banheiro encontrei uma situação inusitada e fofa sobre a cama.
Mel estava sentada atrás de uma enorme bandeja de prata toda organizada. Enquanto me aproximava pude identificar sushi, sashimi, molhos, e toda aquela variedade gostosa que havia na culinária oriental.
—Oi, titia! – ela me cumprimentou com um sorriso doce nos lábios. Seu cabelo estava solto e não havia um fio fora do lugar, o pijama que usava era da sua personagem favorita: a corujita.
—Oi, princesa! – sentei ao seu lado sem saber se olhava para ela ou para a comida que parecia muito apetitosa. —Onde está o seu...
Parei de falar no momento em que a porta do quarto se abriu e Edward apareceu. Ele me olhou e sorriu com o canto dos lábios, trazia nas mãos uma garrafa e parecia bastante relaxado.
—Papai, tomei conta de tudo. – Melissa soou orgulhosa de si mesma. Edward beijou o alto de sua cabeça antes se sentar ao meu lado.
—Você é maravilhosa, meu amor. – ele rompeu o lacre e puxou a rolha, o aroma que o vinho branco exalou ao ser posto na taça me deixou com água na boca. —Tome um pouco, é bom para relaxar. – me estendeu uma das taças e mesmo sabendo que eu não deveria beber, a aceitei.
—Tia Bella, você gosta de comida japonesa? – Mel perguntou visivelmente interessada.
—Eu gosto, e você? – ela assentiu com a cabeça rapidamente. —O que você mais gosta nisso tudo?
—Eu gosto do salmão.
Seu jeitinho meigo comandava todas suas ações e me encantava ainda mais. Peguei um dos rachis, e meio desajeitada puxei um pedaço do seu peixe favorito.
—Abre a boquinha. – pedi e ela rapidamente obedeceu. —Esta gostoso? – nem precisei que ela respondesse para saber que sim, sua carinha satisfeita entregava tudo.
—Obrigada, titia, você é muito fofinha! – se ajoelhou na cama e passou seus bracinhos por meu pescoço me abraçando com carinho.
Naquele instante ela roubou meu coração de uma vez por todas.
—Hey, eu também quero! – Edward chamou nosso atenção. Minha risada se mesclou com a de Mel.
—Acho que seu papai está com inveja. – lhe lancei uma piscadela fazendo-a rir com vontade.
—Não precisa, papai. – Mel se soltou de mim e pulou para o colo de Edward. —Você também é muito fofinho.
Era impossível não ficar ainda mais apaixonada ao vê-los juntos. Suspirei longamente com o peito cheio de amor.
—Eu não ganho salmão na boca, não?
Sua pergunta me fez rir alto. Com o rachi lhe entreguei um pedaço do peixe, ele me agradeceu com um beijo rápido.
Naquela noite eu senti uma coisa que não sentia a muito tempo: me senti parte de uma família. E aquela sensação era muito maravilhosa, não queria esquecê-la de novo. Nós comemos, bebemos e rimos tanto que minha barriga chegou a doer. O clima estava tão leve e agradável que até me esqueci de todos os problemas que nos cercavam do lado de fora.
—Paul acabou de me ligar. – Edward informou assim que voltou para o quarto, após levar Melissa para sua cama, ela havia adormecido no meu colo.
Meu coração pulou uma batida e prendi a respiração por alguns segundos. Não sabia se queria ouvir o que ele tinha para dizer.
—Ele operou sua mãe, ela está se recuperando na UTI.
Soltei o ar pela boca completamente aliviada. Por mais que Renée tivesse escolhido me deixar, que não fosse a mesma e tivesse certas limitações, não queria que nada de ruim acontecesse com ela. Ela jamais ia deixar de ser minha mãe.
Com ela se recuperando no melhor hospital de Miami, eu podia voltar a focar em Edward e em todas as dúvidas que surgiram em minha cabeça após aquela revelação bombástica.
Criei notas mentais importantíssimas para me lembrar de pesquisar sobre o pai biológico dele. Não seria difícil encontra-lo já que ele era membro da família. E também havia Carlisle e Esme.
É claro que eu não podia descarta-los, mas quando os conheci os achei tão incríveis que não passava pela minha cabeça a hipótese de ser um dos dois. Contudo, após saber de toda aquela confusão era minha obrigação coloca-los como suspeitos.
Carlisle podia muito bem ter reproduzido em Edward a raiva que tinha do irmão. Já Esme fora vítima de estupro e Edward era o lembrete diário de tudo o que ela passara. Ainda tinha o fator financeiro, pelo o que ele me contara sua família tiraria proveito de sua morte, principalmente seus pais.
E se eles estivessem interessados no dinheiro? Mas eles eram tão ricos....
Mordi meu lábio inferior completamente confusa. A sensação era de estar correndo no escuro, estava sem direção, sem norte...
Maneei a cabeça e terminei de passar o batom nude em minha boca. Precisava deixar aquilo de lado por hora, por mais difícil que fosse me conseguir me concentrar em outra coisa.
Me afastei do espelho para poder me olhar por inteira e ter certeza de que tudo estava no lugar. O vestido verde de tecido nobre tinha corte tubo, alças finas e decote em coração. Era tão sensual que fora impossível não me apaixonar por ele.
As sandálias nude alongavam minhas pernas e por incrível por pareça, os saltos agulhas já não me incomodavam como antes.
Gael e suas ajudantes capricharam no meu cabelo aquela noite. As ondas largas eram lindas e davam ainda mais brilho para os meus fios. A maquiagem bem-feita como sempre realçava as maças do meu rosto, assim como as sombras, que formavam um degradê em verde maravilhoso, aumentava meus olhos.
Coloquei a pulseira de ouro em meu pulso e me surpreendi com o peso do colar. Dava até medo ficar usando coisas tão caras, tinha certeza que minhas economias não arcariam com o prejuízo se algo acontecesse com elas.
—Caramba, Edward! – soltei alto com o coração disparado. —Que susto! – não estava esperando vê-lo parado na porta do closet.
Ele sorriu com o canto dos lábios, seus olhos varreram todo o meu corpo enquanto se aproximava.
—Estava vendo você se arrumar. – deu de ombros. —Está linda! – elogiou ao parar a minha frente.
Lindo estava ele. Como sempre, é claro. O terno azul escuro o deixava ainda mais branco, e consequentemente seu cabelo ficava ainda mais dourado. Ele tinha feito a barba e o desenho estava perfeito. O cabelo estava arrumado e a pomada que ele usava para modelar os fios tinha um cheiro delicioso. Não como o seu perfume, claro!
—Você também está lindo. – ele esticou as mãos e me puxou pela cintura. Minhas mãos se espalmaram em seu peito automaticamente. —Acho que precisamos ir, ou vamos nos atrasar....
—Eu não me importo. – deu de ombros, seus olhos refletiam desejo e aquilo me deixou arfante. —Tenho certeza que dá tempo de te sentar na bancada e te foder rapidinho.
Entreabri os lábios diante sua fala. Metade me mim pedia que ele fizesse aquilo, a outra me alertava sobre o compromisso. A indecisão me queimou por dentro.
—Não dá. – tive de me esforçar para recusar. —Vai borrar minha maquiagem e Gael já foi embora... Não posso estar toda borrada ao seu lado.
—Não vai borrar... – abaixou a voz e se inclinou para distribuir beijinhos por meu pescoço. Fechei os olhos apreciando a onda de arrepio que correu por meu corpo.
Ele me ganhava muito fácil, muito fácil... Mas não podia ceder naquele momento. Iriamos nos atrasar ainda mais e não podia comprometer minha aparência, ela era uma peça chave para o meu trabalho.
Edward não escondeu a frustração que sentia, seus lábios mantiveram-se curvados em um bico fofo durante todo o caminho até o hotel Olimpo. Ele sempre ficava emburrado quando eu negava sexo e não vou negar, o achava uma gracinha quando estava chateadinho.
—Vai ficar emburrado a noite toda? – perguntei assim que saímos do carro.
Ele segurou minha mão e entrelaçou nossos dedos.
—Você é muito malvada, Isabella. – proferiu com os lábios contraídos. —Mas eu sou mais. – me lançou uma piscadela e sorriu perverso.
Me perguntei mentalmente o que ele quis dizer com aquilo, e não tinha certeza se iria ou não gostar de saber.
—Estão atrasados. – Alice proferiu no instante em que nos encontramos no hall de entrada do hotel. A arquitetura era inspirada na Grécia antiga e preciso confessar que era digna de aplausos. —Emmet e Rosalie já chegaram.
Me esforcei para conter a careta ao ouvir o nome de Rosalie. Não a via desde que voltamos das Maldivas e a verdade é que eu não queria vê-la tão cedo. Infelizmente aquilo não era possível.
—Bella demorou para se arrumar. – Edward deu de ombros e eu o encarei abismada.
—O que? Eu demorei para me arrumar? Não seja mentiroso, Cullen! – ele soltou um risinho com minha fala.
Rolei os olhos enquanto Alice me emitia olhares cheios maliciosos.
O assunto morreu no instante em que o gerente do hotel nos recebeu. Ele foi educado, cortes e deu a típica bajulação que Edward sempre recebia quando estava para fazer negócios. Cumprimentou a mim com um beijo na mão e fez questão de dizer o quão linda estava.
Se tinha uma coisa que eu odiava era aquele tipo de cumprimento. E passei a odiar ainda mais quando ele simplesmente ignorou a presença de Alice. Já dava para perceber o tipo de pessoa que ele era.
Ele nos guiou até o salão onde o proprietário do hotel estava oferecendo o coquetel. O lugar era imenso, alto e havia uma piscina interna deslumbrante com iluminação em led. A música que tocava pelo salão era agradável, assim como o clima entre os convidados. Não haviam muitos, no máximo umas vinte pessoas.
—Vou avisar ao Emmet que chegaram. – Alice murmurou baixo para mim e concordei com um rápido aceno de cabeça.
Não demorei muito para encontrar os rapazes infiltrados entre os garçons. Só esperava que tudo corresse bem aquela noite.
—Edward, como é bom revê-lo. – um senhor se aproximou se sorrindo. Ele era baixinho e um tanto quanto gordinho. O cabelo era tão branco quanto um floco de neve, e seus olhos azuis eram surpreendentemente simpáticos. —Como vai?
—Ótimo, e você Bill? – Edward foi seco como sempre.
—Muito bem, obrigado. – pareceu não se abalar com a postura impessoal de Edward, então voltou sua atenção para mim. —E quem é essa linda senhorita que o acompanha?
—Isabella, minha namorada. – Edward respondeu e senti uma pontada de orgulho em sua voz. —Amor, esse é Bill, um dos donos do hotel. – ele apresentou, mas a verdade é que só consegui prestar atenção na palavra “amor”.
—Tudo bem, Bill? – ele sorriu ao apertar minha mão.
—Tudo perfeito. – cantarolou. —Quero que conheça minha filha, ela quem vai fazer negócio com você.
Erick parou ao nosso lado com a bandeja equilibrada na mão.
—Champanhe? – nos ofereceu intercalando os olhos entre Edward e eu, que concordamos juntos.
Erick estendeu a primeira taça a mim e rapidamente molhei os lábios com a bebida cara. Era realmente uma pena não poder tomar nada alcoólico.
—Ah, ali está ela! – Bill alargou o sorriso quando a viu a filha, girei a cabeça para a esquerda para poder olhar na mesma direção que ele olhava e engoli a seco. O corpo de Edward tensionou-se por inteiro e eu sabia que nada de bom poderia acontecer aquela noite.
A filha de Bill se aproximava de braço dado com Jacob. Os dois sorriram quando pararam ao nosso lado, ela era puro oferecimento e ele pura provocação.
—Já estava indo procurar vocês! – nem mesmo a fala de Bill interrompeu aquela troca de olhares e tensões. —Essa é a minha filha, Annabel. – apresentou com orgulho. —E Jacob, namorado dela.
Não estava nem um pouco preparada para aquele momento, mas Edward não pareceu tão surpreso quanto eu. Ele os cumprimentou secamente e soltou minha mão para abraçar minha cintura assim que percebeu o jeito com que Jacob me olhava.
—O que está achou do nosso hotel? – Annabel perguntou olhando fixamente para Edward. Ela era bonita, alta, magra. O cabelo era liso e ia além de sua cintura fina.
—Gostei da arquitetura e funcionalidade. Só acho que está precisando de algumas reformas. – deu de ombros ao concluir a frase.
Annabel e o pai se entreolharam, eles pareciam não concordar com o ponto de Edward.
—Os sócios vão adorar ouvir isso, papai! – soou irônica antes de rir alto.
Tentava ignorar os olhares que Jacob me lançava, mas estava ficando difícil. Ele simplesmente não tirava os olhos de mim e Edward não deixou aquilo passar batido.
—Se me dão licença eu preciso encontrar minha irmã, ela quem reforma os hotéis que compro, quero ouvir o que ela tem a dizer sobre esse. – Edward proferiu com os dentes cerrados.
Não esperamos pela resposta deles para nos afastarmos e me senti reconfortada por me afastar daqueles olhos profundos de Jacob.
—Você sabia que ele ia estar aqui? – perguntei enquanto caminhávamos em busca de Emmet e Rosalie.
—Não. – Edward estava com o maxilar contraído. —Mas não me surpreende mais, não é a primeira vez que isso acontece.
Respirei fundo sem saber exatamente como agir. A ultima vez que Jacob participara de nossas vidas as coisas fugiram do controle e nós brigamos feio.
Sabia que era uma boa oportunidade para saber mais sobre ele e tudo o que havia acontecido entre os dois, mas também sabia que precisava manter uma distancia segura para não brigar mais uma vez com Edward.
Nós encontramos Emmet e Rosalie perto do bar. Mesmo com o ranço instalado, tinha que admitir que Rose estava linda. Seu cabelo dourado estava preso em um rabo alto e ela usava um terno preto de corte moderno e sensual.
—Vocês já viram quem está aqui? – Edward cuspiu as palavras estava bastante nervoso. —Esse idiota não perde a oportunidade para me provocar.
—Você não pode cair na pilha dele. Ignore-o que aí quem vai se estressar é ele. – Rosalie respondeu ao irmão soando com sensatez pela primeira vez desde que a conheci.
—Rose tem razão. Finja que ele não está aqui. – Emmet tentou aliviar o clima ao completar a frase da namorada.
Mas a verdade é que ignorar Jacob era quase impossível, ele não se permitia ser ignorado. Nos rodeou praticamente o tempo todo e no momento em que sentamos na grande mesa redonda para que o jantar fosse servido, ele fez questão de se sentar ao meu lado.
Edward olhou a disposição na mesa e vi seu rosto ficar vermelho. Toquei seu queixo e atraí a atenção dos seus olhos.
—Relaxa. – pedi olhando dentro de seus orbes peculiares.
Ele respirou fundo, segurou minha mão e beijou meus dedos, mas não pareceu nem um pouco mais calmo.
Bill papeava sem parar tentando a todo momento atrair a atenção total de Edward. Ele parecia muito interessado em vender sua parte do hotel, assim como sua filha.
—Te causei muitos problemas aquela noite? – Jacob perguntou baixo enquanto os garçons serviam o jantar tipicamente grego.
—Não. Edward e eu estamos bem. – garanti sem olhá-lo. —Ele só não gosta que eu fique perto de você.
De soslaio o vi sorrir satisfeito.
—Deve ter medo de que eu faça com ele o que fez comigo...
—Acho que só não gosta de você mesmo. – dei de ombros. —Ele sabe que eu o amo.
Automaticamente senti minha espinha e estomago gelarem. Era a primeira vez que externava aquilo em voz alta e Edward estava bem do meu lado. Não tive coragem de olhá-lo para saber se havia escutado.
Jacob soltou um risinho amargo, maneou a cabeça e ficou alguns segundos em um silêncio pensativo.
—Ele é um homem de sorte então. – soltou por fim com a voz calma e livre de provocações.
—Porque escolheu odiar ele? – não consegui conter a pergunta, Jacob me encarou fixamente, seus olhos eram ilegíveis. —Quero dizer, você perdoou a Victória... E ele...
—Ele era meu amigo. – sussurrou com a voz dura. —Ele sabia que eu gostava dela.
—Não. – minha voz saiu quase inaudível. —Ele me disse que não sabia. Que só soube depois que já tinha se envolvido com ela.
Jacob abriu um sorriso irônico e eu arrumei a postura na cadeira. Aproveitei o momento para garantir que ninguém na mesa reparava em nós, e felizmente todos mantinham conversas entrosadas. Inclusive Edward.
—Pois ele mentiu para você. Ele sabia desde do começo. Sempre soube.
—Como pode ter tanta certeza? – ele me olhou com os lábios contraído antes de beber um grande gole de champanhe.
—Emmet me disse.
Entreabri os lábios verdadeiramente surpresa com sua resposta. Emmet? Porque Emmet iria dizer aquilo para Jacob? O que ele ganharia com aquela intriga?
Rapidamente a conversa que tive com Emmet sobre tudo aquilo voltara a minha cabeça.
Jacob a conheceu em uma festa e ficou doido por ela. Eles chegaram a sair umas vezes, mas tudo acabou quando descobriram que Victória e Victória estavam tendo um caso, obviamente pelas costas do Jacob.
O que ele havia me dito, do jeito que havia dito, fugia muito da história que Edward me contara nas Maldivas. Eu conseguia sentir até certa manipulação da parte da Emmet.
Engoli a seco sentindo minha espinha gelar e o ar faltar em meus pulmões.
—Eu vou... Ao toalete. – minha voz falhou quando me levantei e precisei da ajuda de um dos garçons para encontrar o banheiro.
Sentia minha cabeça dar voltas e me sentia mais perdida do que nunca. A confusão só aumentava conforme os dias se passavam e eu já não sabia o que pensar.
O que levaria Emmet a contar aquilo para Jacob?
Desviei os olhos do espelho assim que ouvi a porta do banheiro ser aberta. Lavei as mãos e as sequei na toalha, estava prestes a me virar quando o reflexo de Edward apareceu.
—O que está fazendo aqui? – perguntei olhando-o através do espelho.
—Vi o jeito que saiu da mesa. O que aconteceu? O que aquele idiota te disse?
Mantive meus olhos nos seus percebendo o quão estressado ele estava. Edward era uma pessoa boa demais para passar por tudo aquilo, ele não merecia tantos problemas em sua vida.
—Nada demais. – menti dando de ombros e abandonando a toalha sobre o mármore branco.
Edward se aproximou de vagar até encostar seu corpo no meu. Suas mãos pararam na minha cintura e mesmo com a barreira do pano pude sentir a quentura de seu toque.
—Eu ouvi o que disse para ele.
Sua boca roçou em minha orelha a cada palavra sussurrada. Um arrepio subiu por minha coluna, minha boceta já escorria.
—E gostei muito.
Sua voz rouca antecedeu a mordida que ele deixou em meu ombro. Fechei os olhos, suas mãos subiram por meu vestido até encontrarem o zíper. Me afastei da bancada de mármore e facilitei a saída da —única— peça que eu vestia. Sorri grandiosamente, ao ouvir a respiração de Edward ficar alterada.
Seu peito colou em minhas costas. Ele estava muito, muito duro, constatei quando senti seu pau pressionar a volta das minhas costas.
Porra, porra!
Suas mãos tocaram meus ombros, ele inclinou a cabeça, roçou a boca em meu pescoço ao mesmo tempo em que seus dedos desciam por meus braços. Lubrifiquei minha boca, fechando mais minhas pernas na busca de algum alivio para minha boceta. Ela pedia atenção, assim como meu clitóris. Quando as mãos de Edward tocaram as minhas, ele as arqueou para cima, logo eu entendi o que ele queria.
Apoiei as mãos na bancada minhas pernas estavam trêmulas sobre as sandálias de salto.
—Boa menina.
Murmurou beijando minha nuca. Empurrei meu quadril para trás deixando minha bunda colidir com seu pau. Ele gemeu baixo, eu sorri olhando-o através do espelho. Os olhos dele estavam perigosos. Eu sempre amei o perigo!
Tentei controlar minha respiração, mas o tapa que Edward deu em minha bunda, não ajudou muito. A ardência do local, se espalhou por todo meu corpo, engoli seco, se ele fizesse isso de novo, eu ia gozar.
—Não podemos fazer barulho, então preciso que fique quietinha. – seus dedos tiravam meus cabelos do meu pescoço. —Você entendeu?
—Entendi. – falei baixinho. Senti o sorriso de Edward crescer em minha pele, sua mão desceu por minha barriga parando sobre minha boceta.
Ele me acariciou por fora, seus dedos contornavam meus lábios maiores. Engoli seco, nada de barulho. Dois dedos adentraram em mim, mergulhando em toda minha excitação. Ele pressionou o indicador em meu clitóris e foi impossível prender o gemido.
Outro tapa estalou em minha bunda.
—Eu disse quieta. – ordenou sugando meu lóbulo.
Porra! Como ele queria que eu ficasse quieta?
Seu dedo massageou meu clitóris novamente, mordi minha boca com força remexendo o quadril.
Eu queria mais, muito mais.
Chupando meu pescoço, Edward deslizou um dedo para dentro de mim. Rolei os olhos contraindo os dedos do pé. Minhas unhas bateram contra o mármore.
Puxou o dedo, quase retirando-o de mim, para enfiá-lo novamente. Ofeguei, quase engasgando com a saliva.
—Delícia. – voltou a sussurrar em meu ouvido, o gemido parou na ponta da minha língua, a qual tive de morder fortemente. —Diz para mim o que você quer. – seu nariz roçou em meu ombro. —Diz.
—Eu quero... – comecei a dizer, contudo fui interrompida por outro dedo de Edward que deslizou para dentro de mim. —Caralho, Edward! – minha voz saiu mais alta do que eu queria, e eu recebi outro tapa. —Por favor.
Usei meu fio de voz para pedir. Eu queria seu pau dentro de mim, metendo com força, me fazendo delirar de prazer.
—Abra as pernas. – aquilo não foi um pedido, eu rapidamente obedeci. —Muito bem. – cerrei os dentes em uma frustração muda, quando ele tirou a mão da minha boceta. —Porra, você tem um gosto maravilhoso. – pelo espelho eu o vi chupar os de dedos. Aquilo foi a cena mais excitante que eu já havia visto. —Vou chupar você depois. – anunciou se afastando para abrir o cinto e a calça.
Como é que se respira mesmo?
A pergunta surgiu e sumiu em minha cabeça em um estalo de dedo, quando Edward colou seu corpo no meu novamente, ele já estava com o pau para fora. Ainda o olhando, eu o vi segurar a base do seu membro duro.
Eu o faria segurá-lo para eu poder chupá-lo, ah faria sim!
—Nada de barulho. – relembrou, sua mão livre puxou meu quadril e eu senti a cabeça do seu pau pressionar minha entrada.
Ele entrou de vagar em mim. Sua pele quente me abrindo aos poucos. Fecheis os olhos puxando o ar com força. Uma vez dentro de mim, ele se colou em meu corpo, sua cabeça infiltrada no vão do meu pescoço, as mãos sobre as minhas. Ele estocou de vagar no começou, me provocando, me fazendo contorcer a sua frente, contudo, assim que começou a meter com força eu fui abraçada pelo prazer. Edward alcançava lugares deliciosos, indo e vindo com um ritmo e força deliciosamente violentos, ele mordia meu pescoço para barrar os gemidos.
Muito esperto, ele abafava seus urros em minha pele, enquanto eu tinha de morder a boca, tentar respirar fundo e engolir os gritos que queriam sair de mim.
Quando o orgasmo chegou, o som gutural escapou por minha boca. Dessa vez, Edward também gemeu. Um zumbido tomou meus ouvidos, minha respiração se perdeu, meu coração estava a ponto de saltar para fora de mim e eu tremia. Tremia inteira.
Ele me virou e olhou dentro dos meus olhos.
—A propósito, eu também te amo!
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