Reflexos Oblíquos

29 29. Viagem (desilusão/existencial)


Quero tocar a luz,

rasgar o véu de luto que cobre meu rosto

pela minha vida que já morreu

e me deixou corpo sem alma,

virando as páginas dos dias

como um livro desinteressante.

Quero explodir em mim em mil fogos coloridos,

sobretudo colorir de tinta

o muro branco descascado que devia ser sujo de terra...

Quero...

A vontade bate em mim,

fere meu peito,

martelo no aço quente,

o sangue se faz faísca.

O som mudo me desconserta,

me prontifica,

mas tão logo jogo a espada na água fria,

as faíscas se apagam, o corpo anestesia.

E a vontade é apenas um sonho,

um tufo de grama na beirada da calçada,

pálida, esquálida...

Que logo é capinada pra não atrapalhar o caminho.

(12/05/2006)