Refletida

1 A Filha do Maluco


Notas iniciais
Primeira fanfic que faço sozinha. Ansiosa para fazer as coisas do jeito que eu bem entender e postar quando bem entender e fazer tudo. #Ansiosa Espero que gostem.

P.O.V Alexa

Meu pai, Ícaro Ashburn, está, legalmente, morto. Segundo seu obituário, foi suicídio, mas eu duvido muito, meu pai pode ser muitas coisas, chato, irritante, maluco, legal, ausente, misterioso, mas não suicida. Além disso, duas semanas antes de tudo acontecer, ele me deu uma coisa quando fui lá. Uma caixinha e uma carta. Ele disse que era só para abri-las se algo o acontecesse, e se eu fosse uma pessoa normal que tinha vindo de uma família normal, acharia que aquilo era só mais uma prova de que era um suicídio, mas eu conheço bem demais o meu pai para saber que não é.

Na carta dizia o seguinte:

Cara Alexa,

Se está lendo isso, é porque algo me aconteceu, ou porque você é muito teimosa e desobediente e abriu antes da hora, mas tudo bem, eu vou entender se for a segunda opção, só venha falar comigo e não me julgue.

Se você for uma filha obediente e fez o que eu pedi, sinto em lhe informar que nosso planeta foi tomado por alienígenas chamados Almas. Eu sei, minha filha, que parece loucura, mas não é acredite em mim. Salve-se.

Nessa carta está anexado algumas informações importantes sobre essas Almas, como os planetas que elas já viveram, nomes comuns, como agir, como se livrar delas, como identificá-las, seus pontos fracos, tudo que pude reunir. Como eu consegui as informações? Primeiro ouvi algumas conversas entre algumas “pessoas” Torturei um deles até conseguir as respostas. Cuidado, uma vez que eles tomam o seu corpo, você já era. Fim de jogo.

As almas tem olhos com reflexo, ou seja, seus olhos tem uma espécie de círculo prateado em volta da pupila, e é assim que se identifica uma. Nessa caixinha que te dei há 10 lentes que dão aos olhos um reflexo, assim você poderá se misturar a elas e ser salva.

Cuidado, minha filha. Eu te amo.

Amor,

Papai.

P.S.: se você me vir com esses reflexos nos olhos, saiba que não sou eu.

Ele havia escrito isso para mim, para me proteger, e isso era triste. Fora provavelmente por isso que ele foi assassinado, e isso é tão ruim, tão triste.

Liam e as meninas estavam me dando apoio, mas isso não era o suficiente. Eu estava me afundando mais e mais em meu luto a cada dia, saindo e entrando em um incômodo torpor. Acordando de pesadelos horrendos, onde humanos com olhos prateados tentavam roubar a minha alma e me matar, e acordando gritando e murmurando “Meu pai não era louco. Meu pai não era louco.”

Mas talvez fosse. E eu também estivesse começando a ficar.

Mas ainda assim, as coisas que vinham nas cartas, desenhos, esboços, fatos, histórias, informações... meu pai tinha que estar muito louco mesmo para conseguir imaginar aquilo tudo e ainda passar pro papel com tamanha exatidão.

Logo depois de receber a carta, comecei a olhar com mais atenção para as pessoas e seus olhos e realmente comecei a perceber que algumas tinha um círculo prateado ao redor da pupila. Será?

Não queria acreditar em sua loucura, mas tampouco queria acreditar que a Terra havia sido invadida por aliens do mal.

Às vezes, saía no meio da aula, sem dar nenhuma explicação e ia para o banheiro. Entrava num dos reservados, me encostava na parede e escorregava até o chão e ficava chorando em posição fetal. Alguns minutos depois surgia alguém, Jude, Liam, Melissa, Lucy, o professor ou um coordenador qualquer, para se certificar que eu estava bem. Mas a verdade é que eu não estava. Nem física, nem emocional e eu tinha minhas dúvidas se mentalmente.

Mas estava tudo bem. Meu pai, minha única família, havia morrido. Eu estava perdoada. Minha tia, que havia cuidado de mim quando meu pai foi levado, havia morrido de câncer há três meses. Eu mal havia superado a morte dela e a morte de meu pai veio me devastar. Era como várias ondas vindo seguidas e quando você estava se reerguendo, outra vinha e lhe derrubava novamente, roubando o fôlegos de seus pulmões e toda sua esperança.

Não conseguia mais contar as vezes que eu havia dito que estava tudo bem quando na verdade eu só gostaria de morrer também.

Papai havia me mandado voltar no manicômio e ir em um lugar específico, onde, segundo ele, era seu laboratório, onde ele ficava recluso por horas, até que achar que estava bom de enlouquecer os enfermeiros ou até que um deles o achassem. Se eles o achavam, ele mudava de esconderijo o mais rápido que podia, para que toda sua “pesquisa” não fosse comprometida.

Ele disse que lá haveria mais lentes e provavelmente mais informações.

Liam e Jude insistiram em me acompanhar, apesar de eu ter dito que não era necessário. Não queria que eles soubessem que eu também estava enlouquecendo. Na verdade, não queria que ninguém soubesse.

Entramos no lugar e somos recebidos por uma onda de frio gostosa. O calor estava insuportável. A atendente que está por trás dos balcões nos sorri agradavelmente, mas o sorriso não parece verdadeiro. Seus olhos são prateados, percebo, o que me deixa alerta.

−Vamos logo. −sussurro para Liam e Jude.

Eles me olham estranho, mas me seguem.

Sigo as instruções de meu pai. E toda vez que vejo um enfermeiro ou enfermeira, meu olhar logo sobe para seus olhos. Cinco dos oito tinham o que meu pai falou que era a principal identificação das almas.

Subimos uma escada que acaba dando no telhado, mas ao invés de subir, tateio a parede até encontrar um barulho oco. Olho para Liam e Jude e acho que eles estão considerando em me deixar ali mesmo, no hospício. Mas quando abro um minúscula portinha, digna de Alice no País das Maravilhas e escorrego para dentro, suas expressões se suavizam, mas ele ficam muito surpresos.

Quando o choque passa, eles começam a caminhar de cócoras no corredor estreito e baixo, me seguindo. Poucos metros a frente, o caminho começa a aumentar, até que dá para caminhar de pé, mas logo em seguida uma escada surge e nós entramos em uma espécie de laboratório secreto, um pouco pequeno, mas não tanto.

−Isso é de... seu pai? −pergunta Liam, incrédulo.

Dou um sorriso de lado e começo a pegar a coisas e jogá-las na bolsa que eu trouxe, eu havia trazido mais três dentro dela, só para estufar, mas havia dado uma para cada um de meus colegas e colocado plástico dentro delas. A terceira ainda está dentro da minha.

Mando Jude e Liam abrirem suas sacolas e começo a jogar coisas nelas, quando a minha fica cheia. Logo as suas duas sacolas estão quase cheias e o local quase vazio. Um cobertor e um colchão num canto me levam a crer que papai passava algumas noites ali.

−Ele deveria realmente enlouquecer os enfermeiros. −murmuro.

−O que? −pergunta Liam.

−Essa não é a pergunta, Liam. A pergunta é: Por que nós estamos roubando o lixo de um defunto em um hospício?

−Primeiro: esse defunto é meu pai e eu sou sua única parente viva, então sou sua herdeira e nós não estamos roubando nada, porque, pela lei, tudo isso aqui é meu. E segundo: isso não é lixo, é seu trabalho e pesquisa.

−Não fuja do assunto. −ela pega um papel qualquer de sua bolsa. −O que “os olhos prateados das almas” tem a ver com sua pesquisa? E por que a gente tá pegando isso? Para quê você precisa disso? E como você descobriu como entrar aqui?

−Primeiro: −ergo um dedo. −Isso é pesquisa dele, não minha. −ergo outro dedo. −Segundo: Porque ele pediu. Ele me disse que era para pegar e estudar isso, porque iria me ajudar. E ele me disse como chegar até aqui.

−Pera aí. Para tudo. O cara da morto, Alex! Como ele pode ter te dito isso? Teve um sonho com ele? Desde quando você acredita nisso? Quem é você e o que fez com minha amiga? Os alienígenas do espaço te abduziram?

“Ainda não.”, penso amargamente.

−Não, Jude. Meu pai me deu uma carta uma semana antes dele morrer e mandou eu abrir só se algo acontecesse. Tinha um bocado de coisas escritas nessa carta. E eu preferi acreditar nelas.

−Mas Alex, o cara tava num manicômio, você não acha que tem um motivo para isso? −ela interroga.

−Galera. −diz Liam, olhando nervosamente para o pequeno corredor de onde viemos. −Acho melhor a gente se mandar.

Nesse exato momento ouço barulhos vindo do piso superior. E penso: “Game Over.”

Notas finais
E ai, gostaram? Espero que sim, estou com essa ideia guardada faz tempo. E a capa? A Ames e a Teresa não são divas? Se acharem algum erro, por favor, me digam, por mensagem ou nos comentários mesmo.