Refletida

2 Um Pouco Mais da Minha História


Notas iniciais
Bem, poucas pessoas - ninguém - comentaram o último capítulo, mas espero que mais pessoas vejam a fic e leiam e que não desistam dela, porque mesmo que pareça cansativa ou chata no começo, sei que vai valer a pena.

P.O.V Alexa

−Relaxem e não façam barulho. −me vejo dizendo. −Eles não necessariamente sabem que estamos aqui.

−Por que temos que ficar calados? −questiona Jude. “Porque se eles nos descobrirem estaremos mortos e nossos corpos serão abduzidos, ou sei lá o quê.”, tenho vontade de dizer, mas se eu disser isso, eles vão realmente acabar me deixando por aqui, para morrer ou ser abduzida como meu pai. −Hein, Alex? −ela incentiva. −O que estamos fazendo, por acaso, é errado?

−Não deveria ser, mas é. −digo por fim, colocando o resto das coisas dentro da bolsa com o máximo de cuidado.

Quando ponho a última coisa numa bolsa, um papel com um desenho de uma esfera levemente achatada, fecho o zíper das bolsas e entrego duas para Liam, uma para Jude e fico com uma. Olho em volta, o lugar parece tão triste sem nada. É assim que deve ser, então.

−Vão logo e em silêncio.

Liam me obedece de imediato, carregando duas sacolas cheias de coisas sem dificuldades. Jude espera um pouco, me encara, fulmina-me com os olhos, bufa e põe-se de joelhos e começa a engatinhar atrás de Liam. Eu fico olhando para aquele lugar. Segundo a carta, aquele era o lugar onde me pai ficava boa parte de seu tempo, aquele era seu lugar. Mas ele não estava mais ali, nem ali, nem em lugar nenhum lugar desse plano, esperava eu.

Quando estou saindo, vejo três caixinhas no chão idênticas a que ele havia me dado com a carta, abro uma delas e percebo que tem a mesma serventia, guardar lentes com círculos prateados. Guardo-os no bolso e sigo meus amigos.

Liam, Jude e eu passamos pela recepção, a recepcionista de olhos prateados olha desconfiada para as sacolas que carregamos. Faço um gesto para Liam e Jude irem andando, se for para algum de nós se ferrar, que seja única e exclusivamente eu, eles não tem nada com isso.

Aproximo-me do balcão e sorrio amavelmente para a recepcionista. Com a minha melhor cara de se dar pena, digo, como quem não quer nada:

−Meu pai está morto. −e algumas lágrimas transbordam pelo meu rosto. Agradeço ao curso de teatro que este mesmo pai pagou quando eu tinha 9 anos, mas quase tudo é verdadeiro, aquela coisa que eu não queria deixar sair. Encaro-a tristemente e pergunto: −Ele deixou alguma coisa antes de... −há um pequeno nó em minha garganta −falecer?

Ela me olha, compadecida, triste por mim, ou fingindo, claro, nunca se sabe quando se trata de alienígenas. “Será que estou pirando igual ao meu pai? Será que terei o mesmo fim que ele?”.

−Não, querida, que eu saiba não. Meus pêsames por seu pai, deve ser um baque enorme. −ela diz, amavelmente.

−Obrigada. −fungo e saio.

−O que foi aquilo? −pergunta Jude, de repente parecendo super entusiasmada.

−Eu fiz curso de teatro, esqueceu? −minto, com um sorriso pregado no rosto.

−Mas para quê tudo isso? −pergunta Liam.

−Para ela não reparar nas bolsas.

−Mas se é para ela não reparar nas bolsas quer dizer que fizemos algo ilegal? −ele pergunta.

−Não é ilegal, mas eles não precisam saber que estamos fazendo isso.

Liam e Jude me olham por longos minutos, desconfiados, e pela terceira vez no dia, em menos de uma hora, tenho a impressão de que eles estão pensando seriamente em me deixar no hospício.

−Vamos logo, antes que vocês decidam me largar aqui. −digo, Jude chora de tanto rir e um sorriso de canto permanece em meu rosto até que chego em casa com as quatro bolsas pesadas.

Pago o táxi e adentro em casa. Tenho vontade de chorar, está tudo tão vazio. Sinto falta de Tia Lucy. Do modo como ela brincava com Lucy de que quando era mais jovem era ela exatamente igual a ela.

Sinto falta de Steven, meu primo, filho de Lucy, ele é quatro anos mais velho que eu. Nós não somos muito próximos, apesar de termos dividido o mesmo teto por mais de dois anos. Ele sempre ficava trancado no quarto, ou na rua, poucas vezes nós nos víamos. Ele nunca acompanhava Tia Lucy em nada, negava a todo custo qualquer festa de aniversário que Tia Lucy pudesse querer fazer para ele e nunca comparecia as minhas. Partiu o coração de Tia Lucy quando fugiu aos 18 anos.

Apesar de tudo, muitas coisa mudou quando ele apareceu para o velório de Tia Lucy, ele me falou coisas que me tocaram. Ele ficava no quarto, pois estava se recuperando das drogas que normalmente ficava ingerindo/injetando em si e não queria que a mãe o visse daquele jeito. Não saia com ela porque não queria que os traficantes o associassem a ela nem a mim e viessem se vingar em nós. Ele ficava triste por não poder ser mais meu amigo e ajudar sua mãe, mas queria nos proteger. E falou que fugiu aos 18 para evitar que um traficante o matasse por não pagar suas dívidas.

Isso é a versão dele e fico triste de Tia Lucy nunca ter sabido disso. Não sei se era verdade, mas não me importava, Steven me fazia companhia na casa vazia e quando ele se foi, fiquei sozinha novamente, mas ainda tinha meu pai. Agora eu não tinha ninguém.

Deixo as sacolas na sala e vou direto para cama. Sei que preciso de um banho, sei que está tarde, mas é o único modo de fugir de tudo isso.

Os dias vão se passando e cada vez mais eu sei coisas sobre esses supostos alienígenas chamados Almas.

No entanto, proporcional ao meu aprendizado sobre as “Almas”, as pessoas de olhos prateados começam a aparecer mais. São professores, pessoas na rua, alunos, amigos, todo tipo de pessoa. Até que um dia vou na casa de Melissa, uma de minhas melhores amigas, uma patricinha mimada, que, apesar de tudo é uma ótima amiga, e os olhos de seus pais estão da mesma cor que os da recepcionista do manicômio e decido dar um basta naquilo, Melissa não pode ser abduzida.

No dia seguinte, estamos todos lá na minha casa, eu os convoquei lá. Lucy, Melissa, Jude e Liam me encaram com expectativa. Eu havia lhes dito que tinha algo muito importante para contar-lhes, só espero que eles não achem que enlouqueci, que a barra da morte de meu pai e minha tia foi forte demais para mim e que não resisti e sucumbi a loucura.

−Vamos, Alex, fale logo! −diz Melissa com sua voz levemente irritante.

−Pois é, o suspense está nos matando! −diz Lucy, que é quase a cópia do jeito de Melissa, sendo um pouco mais matura e calada. Um pouco, Melissa fala muito, Lucy só fala menos que ela.

−Vocês prometem que não vão me julgar ou me chamar de louca? −pergunto.

−Ihh!! Daí não vem coisa boa! −diz Jude se levantando e indo pegar um copo de água. −Desembucha, morena.

−Prometem? −insisto.

−Prometemos. −dizem em uníssono, soando impacientes.

−Acho que alienígenas estão invadindo a Terra.

Quando quatro rosto surpresos se voltam para mim como se eu fosse uma insana – o que eu posso realmente ser − e Jude cospe a água que acabara de pôr na boca em toda a porta da geladeira, sei que estou perdida.

Notas finais
Espero ver comentários nesse capítulo ;)