Reflection.
23 Descobrir toda a verdade.
Notas iniciais
Olheiras tinham se desenhado perfeitamente sob meus olhos cansados, e o meu cabelo comprido estava amarrado em desordem sobre minha cabeça. Meus lábios tremiam juntamente com as mãos. Lágrimas ameaçavam cair sobre minhas bochechas rosadas. Minhas feições delicadas foram absorvidas por uma expressão de medo de tristeza. E então, as lágrimas escorreram finalmente em gotas quando me virei para o espelho, e vi o meu reflexo, a minha imagem estava destorcida. O banheiro dos funcionários e empregados eram bem conservados, tal como foram outras ares públicas da instituição. Eles fizeram um trabalho decente em dar a impressão que este edifício era tratado tão bem como os pacientes. Mas por trás das portas fechadas, os horrores eram divulgados para aqueles corajosos o suficiente para os procurar.
E querendo ou não, eu tinha visto a verdade de Muller. Eu já tinha visto o que este lugar poderia fazer a uma pessoa e eu tinha visto o que ele tinha feito ao Cobra. O Sr. Gael tinha divido a sua pele com um chicote, o Henrique quase lhe levou duas pessoas que ele gostava. Eu devia ter ido imediatamente à policia devido ao Henrique, assim talvez ele e o Sr. Gael estivessem num posto da polícia sendo questionados, relutante devido ao medo. Medo de Henrique fazer um maior esforço para me matar do que tinha feito anteriormente, por descobrir que eu tinha ido à polícia. Ele iria se livrar de mim rapidamente, de modo e eu não poder contar mais o que tinha vivenciado. Mas eu já não queria mais saber. Ele precisava ser preso, em vez de ter tempo de apagar as pistas.
Amanhã. Gostaria de ir à policia amanhã depois do trabalho; Hoje não conseguiria. E quanto à Gael, eu não sabia o que fazer com ele. Se ele estivesse envolvido nos crimes de Henrique, isso faria dele um cúmplice. Mas se não estivesse, eu o queria preso mesmo assim. Nem tanto pelas próprias chicoteadas. Eu estava bem ciente que esta punição era usada em muitas instituições. Era o fato de ele ter feito isso com o Cobra. Porque de alguma forma, eu sabia que ele estava consciente da sua inocência. Ele sempre soube. Não era como se ele perdesse as coisas importantes. Mara era má como o seu filho. Cada movimento que fazia parecia ser executado de forma cínica e superior, como se quisesse prejudicar qualquer um menos ele. Era tão frio quanto os seus olhos gelados.
E agora que Cobra estava sofrendo sozinho com ele e a Bárbara. Não importava o quanto eu tentei me focar no que fazer a seguir, a memória das costas sangrentas de Cobra e dos gritos roucos aparecia sempre na minha mente. E essa foi apenas a primeira imagem do que lhe estava sendo feito. Eu não deveria tê-lo deixado levar a culpa pelo o que aconteceu. Eu devia ter sido inteligente e não ter o beijado, e, talvez não estaríamos agora nesta maldita confusão. Mas eu o beijei, e ele agora estava sendo chicoteado, crescendo-lhe marcas nas costas. O pensamento fez mal ao meu estomago.
Este termo nunca tinha sido tão literal assim que eu entrei pela porta mais próxima, vomitando no banheiro. Eu conseguia me lembrar de estar numa posição semelhante à algumas semanas. Trabalhar aqui estava me destruindo, eu sabia que estava. Eu precisava ir embora. Mas antes, precisava libertar o Cobra. Seria injusto não o libertar, deixando-o sofrer aqui para sempre. Eu era a única que conhecia a sua história, e era, provavelmente, a única no mundo que acreditava.
Puxei a descarga e fiquei na minha posição agachada, endireitando o meu uniforme. Agora o que eu tinha tido a minha pequena avaria, a questão era o que fazer a seguir. Eu já tinha tentado bater nas portas do escritório do Gael após os guardas me tirarem lá de dentro, mas isso não provava a Iná compostura e sanidade mental, por isso, desisti. A outra opção seria apenas ir para o escritório da Karina e agira como de costume; como se nada tivesse acontecido. Quer dizer, eu achava que era a única coisa que podia fazer. Depois de lavar a boca e o meu rosto com água, amarrei o cabelo num rabo de cavalo e saí do banheiro.
A caminhada até o escritório da enfermaria era muito longe e, com o tempo parecia se tornar em câmera lenta. Fui deixava apenas com os meus pensamentos. Claro, a maioria dos pensamentos no Cobra. Eu esperava que ele ficasse bem. Ele tinha sido tão corajoso em ter assumido a culpa pelo acontecimento. Porém, na realidade, a culpa tinha sido minha. Eu deveria ter sido mil vezes mais cuidadosa. Mas não fui, e agora aqui estava eu; arrastando os pés ao longo do chão frio, preocupada com o Cobra que estava sendo chicoteado enquanto eu não podia fazer nada.
Antes de entrar no escritório da Karina, eu fechei os olhos e imaginei eu e Cobra, em um domingo frio, saboreando um doce de frutas vermelhas que eu mesma fiz, onde a gente declarava um para o outro o quanto nos amávamos, assistindo filmes e mais filmes, e no fim iríamos passar a noite juntos.
Mas era só imaginação, a realidade era outra.
Entrei finalmente no escritório depois do que me apareceu uma eternidade. Karina estava sentada na sua posição habitual na sua mesa. Ela olhou para cima enquanto eu fechava a porta atrás de mim.
– Olá Jade. – Me cumprimentou com a adorável voz doce.
– Oi. – Respondi, caminhando e me sentando na beira de uma das camas hospitalares. – Uh, precisa de ajuda?
Ela apenas abanou a cabeça negativamente, enquanto continuava olhando por cima da papelada que estava à sua frente. Depois disso, o silêncio era sinistro, uma certa tensão estava presente no ar como se não houvessem palavras para serem ditas, nenhuma de nós as queria dizer.
– Está bem, Jade? – Karina perguntou, pousando seu lápis e focando seus olhos em mim.
– Sim, por quê? – Fiquei um pouco confusa com a pergunta, mas respondi.
– Oh não sei. Parece um pouco... Ausente.
Não era segredo que eu não estava nem um pouco bem.
– Estou bem. – Falei, colocando o meu melhor sorriso falso para evitar perguntas.
– Ok então. – Ela disse, parecendo não acreditar em mim. – Mas lembre-se que pode me contar qualquer coisa. Esse trabalho pode ter efeitos nas pessoas.
– Obrigada. – Eu sorri, dessa vez, sinceramente. – Lily?
– Sim?
– Hum, onde é que um paciente costuma ir... depois de ser chicoteado?
– Eles são geralmente trazidos para cá, para certificarmos se os cortes e o sangue estão limpos.
– Oh. – Foi a última coisa que eu disse.
O meu estômago caiu de medo. Eu queria ver desesperadamente o Cobra mas, não da maneira que vi à alguns minutos atrás. Eu preferia vê-lo mais cedo do que mais tarde.
De repente, a porta se abriu e tanto eu e como Lily pulamos das cadeiras que estávamos sentadas e ficamos de pé rapidamente. O Segurança de Cobra foi o primeiro a entrar e eu me preparei mentalmente, sabendo exatamente o que e quem estava atrás dele.
O guarda se afastou quando ele entrou. Mais uma vez, ele deixou o quarto mudo, recebendo cada olhar e atenção de todos. Nunca foi uma certa qualidade ou característica que cativou os olhares, mas toda a sua totalidade. O interesse e observação de cada pessoa estava focada nele e na sua beleza, cada parte de si estava inundada de charme e atração. Mas desta vez nós não olhamos devido à sua aparência sedutora ou à sua confiança suave. Desta vez, olhamos para o suor na sua teste. Olhamos devido ao seu corpo cansado e aos seus olhos quase fechando, que costumava estar brilhantes e vivos.
– Sentem-no ali! – Karina disse, a sua voz estava frenética.
O Segurança pousou o Cobra na cama, colocando-o sentado direito, mas ele não falou. Os seus olhos continuavam encarando o chão, Ouvi Karina agradecer ao segurança por ter trazido Cobra enquanto ele saia da sala.
– Vamos cuidar dele, rápido,ele está perdendo muito sangue! – Karina me alertou rapidamente.
Karina puxou o uniforme de Cobra para poder colocar os resíduos. Assim que o tecido desceu eu me engasguei e cobri minha boca, a vista horrível fazia lágrimas crescer no meus olhos. Marcas de chicotadas cruéis estavam traçadas ao longo das suas costas, numerosas linhas de tortura e dor ao longo delas. Cortes de seco e fresco sangue estavam profundamente desenhadas na sua pele como a sua pele escura tivesse sido substituída por um profundo vermelho. Pareciam haver cerca de trinta marcas.
Eu tive que olhar para outro lugar, me desviando da imagem chocante. Assim que pisquei os olhos as lágrimas foram até às minhas bochechas, saindo livremente dos cantos dos meus olhos. À falta da minha assistência fez Karina virar em busca das minhas mãos ajudantes. Ela olhava entre mim e o Cobra com uma expressão pensativa, até finalmente falar.
– Jade, precisa sair? Eu posso fazer isso sozinha se quiser.
Abanei minha cabeça de imediato em discórdia, não querendo deixar Cobra por um segundo sozinho.
– Ok então... – Karina disse. – Pode pegar um copo de água para ele?
Imediatamente corri até o bebedouro e despojei água no copo e dei para Cobra.
Ele bebeu o conteúdo rapidamente.
Depois de muito tempo tentando segurar o sangue de Cobra, por fim deu certo.
– Acho que assim já está bom. – Disse Karina.
– Jade? – Karina perguntou assim que eu acabei de jogar fora os últimos lixos.
– Sim?
– Quer que eu te deixe dois minutos sozinha com ele?
Eu sorri. – Se não se importa...
Ela sorriu de volta depois de se levantar da sua cadeira, caminhando pela porta e saindo da divisão. Eu lhe agradeci e pisquei o olho para ela assim que ela saiu.
– AI MEU DEUS, COBRA! – Eu quase gritei.
– Jade... – Cobra riu, interrompendo o meu quase grito. – Jade, eu estou bem. – Ele me surpreendeu ao envolver os seus braços á volta da minha cintura me puxando para ele. – Quer dizer eu estou machucado mas eu estou bem.
– Ótimo. – Suspirei. – Eu não acho que você sabe o quanto é incrível. – Eu disse calmamente. – Cobra, o que você fez foi realmente incrível.
– Eu faria tudo novamente. – Ele sussurrou.
– O quê? Me beijar ou ser castigado por isso? – Perguntei com a minha voz igualmente silenciosa.
– Os dois. – Ele disse e me beijou novamente, nos beijamos por trinta segundos.
– Você é louco. – Eu sorri contra os seus lábios.
– Isso é o que todos dizem.
Um último beijo foi compartilhado entre nós antes de eu me afastar. De repente, um pensamento surgiu na minha mente, eu me afastei de Cobra parando o beijo.
– O que foi? – Cobra perguntou.
– Acabei de me lembrar que hoje é meu aniversário.
– Feliz aniversário baby. – Ele disse, beijando meu pescoço e depois me beijando na boca, passando a mão no meu cabelo. – Você é uma das melhores coisas que já aconteceu na minha vida.
Eu sorri, aquela frase foi o melhor presente do dia.
– Obrigada, você não parece um assassino Cobra. Eu vou te tirar daqui. – Eu disse, o beijando dessa vez.
Esta era a última vez que eu ia dizer aquilo, pois amanhã eu ia na polícia, eu iria perguntar sobre Alan e o seu desaparecimento até descobrir a verdade, eu iria fazer o mais importante; tira Cobra dessa casa de malucos.
Mas todas coisas eram mais fáceis dizer do que fazer.
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