Reflection.
24 Tornar o desconhecido conhecido.
Notas iniciais
Eu tenho sido empregada em Muller Mental Hospital for the Criminally Insane à 4 meses e 26 dias. Trabalhava oito horas por dia, cinco dias por semana. 760 horas no total. Embora eu estivesse geralmente aborrecida e triste, nos minutos agitados que eu tinha passado em Muller, um sentimento que eu nunca havia sentido antes estava crescendo. E nunca pensei sentir isto; pelo menos, não com um paciente. Mas gostando ou não, isto era algo que eu e ele tínhamos realizado juntos e eu não poderia de forma alguma ignorar isso. Se eu deixasse este lugar, nunca iria me perdoar por ter deixando para trás, e inegavelmente algo entre nós. O meu estômago iria se virar assim que eu me separa-se dele. Então, eu tinha que ficar aqui até ele poder sair comigo.
Mas nesse momento no Muller enquanto eu tentava conhecer o Cobra, eu também tinha aprendido muitas coisas. Algumas não eram muito importantes, como aprender a curar e limpar cortes ou arranhões, ou ficar muito hábil em aplicação de pontos. E algumas coisas eram importantes, como por exemplo, saber como escapar de um assassino. E o mais importantes, saber que esse assassino era o Henrique. E que o Sr. Gael era seu pai.
Eu tinha aceitado o conhecido e tinha engolido os fatos intrigantes e horríveis. Mas o conhecido não era o que eu temia. O conhecido era algo que não poderíamos negar, mas por agora não nos perguntamos. O que parece nos assustar era o desconhecido, as possibilidades infinitas. Onde estaria Henrique e o que estaria escondendo? Ele não estava indo trabalhar e eu não tinha uma pista sequer sobre o que ele andava fazendo. Eu também não sabia o que tinha acontecido com o Alan, o seu paradeiro continuava uma charada impossível de decifrar. Eu não sabia que o Duca estava lentamente acordando de coma, e que ela estava sendo vigiado na parte de trás da sala de cirurgia. Eu não sabia que outros médicos e enfermeiros faziam parte desta ala, e não tinha certeza em quem podia confiar além de Vicki e Cobra.
Mais importante, eu não sabia como iria tirar o Cobra do Muller. E estas eram as coisas que me assustavam. Mas esse era o plano para hoje, tornar o desconhecido conhecido e tornar as minhas questões em respostas. Eu estava cansada de estar impotente e de observar a dor de Cobra nesta prisão, quando ele não merecia. Por isso, hoje era o dia que eu iria obter respostas. Eu fiz que estão de dormir bem esta noite para poder estar alerta e consciente hoje, querendo juntar o máximo de informação possível que eu podia. Normalmente, palavras importantes eram ditas e ações eram executadas, mas a minha sonolência ou distração deixavam-nas passar em branco. E com distração eu quero dizer; Cobra.
Mas devidos às ordens do Sr. Gael eu não estava autorizada a me aproximar dele, por isso, isso não era um problema mas sim o meu maior problema de hoje. Em vez de pensar no Cobra, uma imagem de Alan Menezes surgiu na minha cabeça assim que eu vi o Renê. Ele estava andando pelo grande corredor na ala médica, o qual que era um misto de mesas de operação, camas de hospital, sedativos e registros médicos em cada um dos quartos.
O meu turno não começaria tão cedo, por isso, decidi falar com ele. Ele era o meu melhor tiro parra descobrir esta história de Alan, considerando que era ele aquele que o tinha levado para a sala de cirurgia antes do seu estranho desaparecimento. Normalmente, eu costumava odiar falar com pessoas com quem não costumo lidar, mas Renê era uma exceção considerando as circunstâncias.
– Olá Renê. – Eu disse mesmo depois de cruzarmos caminho. Ele não disse nada em resposta, continuando apenas andando. – Renê! – Chamei mais severamente com a esperança de obter a sua atenção.
– O que você quer? – Ele perguntou rudemente.
– Uhm... Posso falar contigo por um segundo? Tenho que lhe perguntar uma coisa.
– O que é? – Ele suspirou, parando e olhando para baixo, para mim, como se eu fosse uma criança.
– O que aconteceu com o Alan? – Eu não estava certa de como formular a questão, por isso, disse apenas a primeira coisa que me veio à cabeça. O desempenho foi bastante convincente, como se ele parecesse confuso, mas eu fiz melhor. – Eu te vi levá-lo até à sala de cirurgia à umas semanas atrás. Você não pode querer simplesmente que eu acredite que não aconteceu nada.
– Garota, honestamente, eu não sei o que você quer dizer. Desculpe, eu não poso ajudá-la. – Ele disse apesar de não parecer arrependido, de qualquer maneira. – Agora se não se importa eu tenho trabalho a fazer.
Ele virou-se e começou a andar, mas eu ainda não tinha acabado.
– O que fizeram com ele lá dentro? Eles executaram os testes no cérebro dele ou algo assim?
Renê parou no meio do caminho. Por um momento, ficou ali de pé, mas depois me virou e me encarou.
– Como que sabe disso? – Ele questionou, a sua voz tinha ficado mais baixa.
– Então é verdade... – Eu disse, embora fosse mais uma pergunta do que uma afirmação.
Os seus olhos olharam de um lado para o outro, como se ele achasse que alguém estava olhando.
– Renê! O que você sabe? Você pode me dizer.
As suas feições eram fortes enquanto ele olhava para mim, lendo a minha expressão. Parecia que estava prestes a falar, mas em vez de sua voz surgiram o som de passos. Ele olhou para algo atrás de mim e eu me vi vendo a fonte do barulho. Era o Sr. Gael, caminhando até nós desde o fundo do corredor.
O medo me percorreu novamente com o que estaria por vir. Felizmente ele não estava à minha procura para me falar sobre Cobra, porque nenhuma dessas conversas eram exatamente apelativas.
Quando olhei novamente para Renê ele já tinha atravessado o corredor, a sua figura desaparecer assim que virou a esquina. Eu não me importava que ele fugisse porque eu já tinha o que queria dele. Não era exatamente a confissão mas era perto o suficiente para confirmar a teoria de Cobra. Muller era horrível e isto apenas provou ainda mais esse fato.
– Jade, tenho que falar contigo. – A voz do Sr. Gael disse atrás de mim, eu saltei e minha respiração ficou ofegante, eu não esperava que ele estivesse tão perto. Ele não tinha esperado pela minha resposta e continuou. – Assumindo que o Cobra te atacou ontem, você não irá mais estar perto dele.
Assenti, sabendo que isto era inevitável. Pelo menos ele tinha esquecido ou ignorado minha confissão dizendo que eu o tinha beijado ontem. O problema estava feito e eu não queria refazer a situação.
– E eu não preciso de mais problemas vindo de você Jade. Você está aqui por uma razão, e apenas uma razão, que é; fazer o seu trabalho. E se não fizer, não há razão para continuar trabalhando aqui. Estamos entendidos?
– Sim. – Assenti; Tentando me controlar para não o matar.
Ele saiu dali sem dizer mais nenhuma palavra e eu fui deixada sozinha nas grandes paredes do corredor.
COBRA POV;
Essas estúpidas e fodidas algemas estavam perfurando a minha pele com cada movimento que eu fazia, e as minhas costas continuavam ardendo como o inferno. O chão tinha acumulado uma cadama de poeira e eu já tinha matado 3 aranhas que tinha visto nas últimas duas horas.
Mas na noite passada eu tinha tido uma das melhores noites de sono que alguma vez tive desde que em Muller cheguei. Eu tinha os meus cigarros e tinha Jade, que era tudo o que eu precisava neste lugar horrível. Eu estava me tornando num bobo, eu sabia, como quando eu estava com a Bélgica. Estava começando a me sentir daquela forma novamente. Mas se ser um boba me ajudava a dormir bem, então gostaria de ser um bobo para sempre.
Eu não tinha ideia de quanto tempo havia dormindo, mas 5 minutos depois de eu acordar meu segurança veio me dizer que era hora do almoço, por isso assumi que tinha sido um longo tempo.
Entramos no refeitório e eu sentei-me à mesa minha e a de Jade, mas ela não estava lá como costumava estar. Ela estava sentada no fundo da sala, o lugar onde eu tinha visto pela primeira vez quando entrei no Muller. Deus, ela estava tão linda. O seu cabelo estava solto, eu podia ajudar mas achava que o meu comentário de antes teve algum resultado. Até mesmo daqui eu conseguia ver a cor dos seus olhos castanhos brilhantes.
Os seus olhos encontraram os meus e ela me pegou olhando para ela. Lentamente, lambi os meus lábios, enquanto os meus olhos exploravam seu corpo. Eu estava fazendo de propósito para ela corar e fui recompensado quando ela o fez. Ela olhou em volta, e um sorriso envergonhado se formou com as suas bochechas coradas. Mas parece que a Jade tímida durou por pouco tempo, porque para me dar o troco ela pegou uma banana que estava em uma mesa do lado e começou a comê-la lentamente, e as vezes dava algumas lambidas e chupadas. OMG! Isso está me me deixando de barraca armada, meu queixo provavelmente caiu até os meus pés. Palavras não podiam ser ditas entre nós, mas nós não pareciamos precisar delas.
Mas em seguida, ambos percebos que um guarda estava vendo e paramos, não querendo correr riscos. Eu não queria ser chicoteado novamente; uma vez foi mais do que suficiente. Mas de alguma forma, eu sabia que o incidente não seria o último castigo que eu iria sofrer.
JADE POV;
Depois de deixar o almoço mais cedo, do Cobra ter me comido pelos olhos e eu ter chupado ele por uma fruta e de ele ter lambido seus lábios pelo menos umas cem vezes, eu fui até o escritório da Vicki. Eu tinha um minuto ou dois para matar e esperava que ela também tivesse. Eu sabia que estava quase veivendo com ela mas queria lhe falar mais cedo do que mais tarde, por isso achei que não faria mal falar já com ela.
Eu bati à porta e a ouvi gritar para que eu entrasse, por isso assumi que estivesse livre. Eu fechei a porta atrás de mim e encontrei-a na sua mesa.
– Oi! O que está fazendo? – Ela perguntou, provavelmente surpreendida por me ver.
Não perdi tempo em lhe contar sobre mim e Renê, desesperada que alguém além de mim soubesse para eu pode obter uma segunda opinião no que fazer. Mas em vez de me dar conselhos, ela me surpreendeu.
– Jade! Eu te disse para ficar fora disto! E se ele for contar ao Sr. Gael o que você perguntou? Quer dizer, eu sei que é horrivel o que eles estão fazendo mas...-
– Mas o quê? Eles estão executando teste nos cérebros e matando pessoas aqui! O que você quer que eu faça? Apenas acredite que Alan virou água, evaporou, foi pras nuvens e aqui em forma de chuva em algum canto do mundo?
Vicki suspirou derrotada sabendo que eu tinha razão.
– Eu não sei Jade. Eu não faço ideia o que é tudo isto mas não quero fazer parte. Eu costumo pensar que este tipo de coisa é apenas interessante nos livros, filmes e séries, na vida real não é algo em que eu gostaria de estar envolvida. Isso é realmente perigoso, e mais uma vez, você não tem provas. Quer dizer, isto apenas aconteceu com uma peessoa muito rapidamente e você nem teve uma confissão do Renê, certo? Por isso da próxima vez, seja mais cautelosa. Se andar por aí perguntando sobre Henrique e sobre o que quer que seja que aconteceu com o Henrique. O Sr. Gael vai te prejudicar, pode te matar, me matar, ou matar o Cobra. Pois ele sabe que são as pessoas mais importantes na sua vida nesse momento agora. Ele é capaz de muitas coisas, por isso, se quer mesmo brincar de detetive, faça isso em silêncio.
Suspirei e assenti. Ela estava certa, estas coisas podiam fazer eu me dar muito mal se eu não fizesse tudo certo. Se eu pudesse provar o que eles estavam fazendo, isso mandaria este local todo abaixo. Mas eu não podia apenas acusá-los, sem ter a certeza, e tirar o Cobra daqui vinha primeiro.
E com o pensamento em Cobra, uma onde de pânico surgiu.
– Vicki, e se o Cobra for o próximo!?
– O que quer dizer? – Ela perguntou.
– E se ele for o próximo ir para a “cirurgia”? E se eles tentarem fazer testes nele e acabaram matando-o!?
– Jade, eles não vão fazer isso. O Cobra é muito famoso, um monte de pessoas fora do Muller já ouviram falar nele. Seria muito arriscado.
– Tem razão. Desculpa, é apenas muita coisa para eu lidar. – Eu expulsei uma grande quantidade de ar em alivio.
– Eu sei. – Ela concordou. – Mas honestamente, tentar arranjar provas de que eles estão fazendo testes é muito arriscado. Espere e vê se continua acontecendo. Além disso, você já está tentando tirar o Cobra daqui, por isso, se concentre nisso antes.
Ajudar ao Cobra estava em primeiro lugar na minha lista, e mandar o Henrique para a cadeia estava em segundo.
– Jade? – Vicki perguntou, me acordando dos meus pensamentos.
– Sim?
– Ok, eu não quero parecer como a sua mãe ou qualquer coisa, mas essa é outra coisa que eu quero te avisar. O Cobra é obviamente inocente e ir até à polícia e fazer queixa de Henrique é boa ideia mas, só porque o Cobra não matou aquelas mulheres não quer dizer que ele não seja perigoso.
– O que está querendo dizer?
As suas palavras pareciam estar apenas arranhado a superfície do que ela queria realmente falar.
– Nada, é só... eu não sei, pra mim, algo sobre ele continua ruim. Alguém que queima o próprio pai e que cresce numa instutição mental não pode ser normal.
– Como é que sabe que ele fez isso? – Eu perguntei.
– Eu tenho o seu ficheiro, e os seus documentos antigos. Naquela época, ele não era uma boa criança Jade.
– Você trabalhava aqui quando ele era paciente? Quer dizer, da primeira vez que ele esteve aqui?
– Não. – Ela respondeu. – Mas alguns dos pacientes se lembram dele.
– O que é que eles disseram sobre ele?
– Não muito, mas uma mulher disse que tem medo dele. Ela me contou que todo mundo tinha. Ela estava constantemente sendo sedada e causando problemas, aparentemente.
– Oh. – Foi tudo o que eu consegui dizer em resposta.
Esta nova informação não havia mudado a maneira de como eu me sentia em relação a ele. Não haviam dúvidas na minha mente de que ele tinha mudado.
– E olha. – Vicki continuou. – Eu sei que queimar o seu próprio pai devia te tornar automaticamente “psicopata” mas eu li num jornal que um rapaz fez o mesmo quando tinha 15 anos e ele foi para um Juvy não uma instituição mental. Algo sobre Cobra deve estar errado. Eu não estou dizendo que não deve tirá-lo daqui, mas, novamente, tome cuidado.
Assenti embora não precisasse das suas palavras. O Cobra era uma criança estressada e assustada, e ele não sabia o que estava fazendo. Nervos,d or e medo podiam ser causa da impressão “errada” que o Cobra aparentemente mostrava.
– Ok, obrigada Vicki. Vou voltar ao trabalho. – Eu disse atravessando as portas rapidamente.
– Tome cuidado Jade! O tribunal disse que ele era louco, então tem de haver uma razão. – Ouvi Vicki dizer mas eu simplesmente não liguei.
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