Refém da Paixão
10 Risco para Sanidade
Notas iniciais
Desci as escadas até o primeiro andar o mais rápido que consegui. Ainda não conseguia entender porque tinha dormido tanto e, consequentemente, perdido a hora.
Aquilo nunca tinha acontecido!
—Bom dia, Bella! – Senna me cumprimentou com o mesmo sorriso simpático de sempre.
—Bom dia. – refiz o laço que mantinha o robe de seda preso ao meu corpo.
—Edward está com Mel na área externa. O café está servido lá, o dia está lindo hoje...
Sorri para ela tentando ignorar as vibrações nervosas em meu estômago. Melissa havia chegado e por mais que ela fosse só uma criança, estava bastante temerosa.
E se ela não gostasse de mim? E se não me aceitasse como a namorada do pai dele?
Maneei a cabeça enquanto seguia Senna até a área externa dos fundos da casa de Edward. Havia dado um tour bem rápido por alguns cômodos, mas quanto mais andava por aquela casa, mais me surpreendia com o luxo.
Nós passamos pela cozinha de armários branquíssimos e eletrodomésticos industriais, e atravessamos as grandes portas de vidro. O jardim se estendeu a minha frente, a grama estava tão verde e o céu tão azul, e ao fundo o mar dava o toque perfeito.
A risada infantil atraiu minha atenção e foi impossível não sorrir ao ver a cena que acontecia a minha frente.
Edward estava sentado na cadeira e a sua frente Melissa rodopiava, ela estava de costas, e o tutu rosado ampliava seus movimentos.
Me aproximei aos poucos, Jéssica estava de pé, um pouco mais afastada, ergui a mão e acenei em sua direção rapidamente.
—E foi assim que eu aprendi hoje, papai. – a voz doce tintilou em meus ouvidos.
Edward sorriu grande para a filha e vi o amor brilhar em seus orbes.
—Você está cada vez melhor, princesa. – ele a puxou e beijou com vontade a bochecha redonda. —Bom dia! – desejou quando voltou sua atenção para mim.
—Bom dia!
Melissa se virou assim que ouviu minha voz, e ela era definitivamente a menina mais linda que eu já havia visto.
Me abaixei a sua frente tomando cuidado para não mostrar alguma parte do corpo que não queria.
—Oi, Melissa. – cumprimentei enquanto seus olhinhos curiosos me estudavam. —Tudo bem?
Ela mordeu o lábio inferior parecendo pensar no que me diria. Havia herdado a raridade dos olhos dos pais, um orbe era esverdeado e o outro azulado. A franja na testa era simetricamente cortada e a cor castanha de seu cabelo era reluzente.
—Uhum e você? – respondeu com certa timidez.
—Estou bem, obrigada. – ela sorriu e covinhas fofas apareceram em suas bochechas.
—Você vai morar aqui com a gente? – a pergunta direta me pegou de surpresa. Edward soltou um risinho, e sem saber o que dizer, o encarei.
—Bom...
—Vai sim, princesa. – Edward tomou a frente atraindo a atenção da filha. —A Bella é a namorada do papai. Quase igual o James a mamãe.
—Uh. – curvou os lábios em um biquinho pensativo. —Está bem. Você gosta dos PJ Masks, Bella?
Visivelmente mais a vontade ela se aproximou de mim, sua roupa de balé brilhava.
—Hm, acho que eu não conheço... O que é?
—É um desenho que ela gosta. – Edward proferiu após tomar um pouco do café em sua xícara.
—São os heróis de pijama. – vibrou ao contar. —Você já viu o meu quarto aqui? Tenho o QG deles, posso te mostrar.
—Ainda não vi, mas vou adorar conhecer.
Melissa sorriu grande exibindo os dentes branquíssimos e as covinhas fofas. Ela era uma criança muito educada e fofa, e enquanto tomávamos café da manhã juntos, fez questão de me contar mais sobre o desenho que ela tanto amava.
Em pouco menos de uma hora eu já sabia tudo sobre o Menino Gato, a Corujita e o Lagartixo.
—Tem também a Garota Lunar, ela é muito malvada! – fez questão de enfatizar o muito, as mãozinhas pequenas e delicadas seguravam o garfo com perfeição, e então ela pareceu se deliciar com o pedaço de morango.
Era impossível ficar diante dela e não sorrir, Melissa era encantadora.
—Com licença. – Jéssica pediu ao se aproximar da mesa. —Mel, sua professora de francês chegou... Está pronta para a aula?
—Ahh... – soltou desapontada. —Papai, não quero...
—Mel, nós já falamos sobre isso, não é? – sua voz saiu mais firme, contudo, carinhosa.
Melissa abaixou os olhinhos e refletiu consigo mesmo por um longo segundo. Me contive para não a apertar, era tão fofa!
—Tudo bem. – concordou por fim tirando o guardanapo do colo e o deixando sobre a mesa. —Vamos lá, tia Jéss.
—Hey, quero um beijo! – Edward pediu assim que ela se colocou de pé. Melissa sorriu antes de saltar no colo do pai e beijar seu rosto. —Acho que a Bella também vai querer um! – falou mais baixo como se contasse a filha um segredo.
Mel me estudou por alguns instantes e então se aproximou, um pouco tímida deixou um beijo em meu rosto.
—Bella, você pode me esperar? Quando acabar a aula, eu te mostro o meu quarto.
—Claro que te espero. – minha resposta a fez sorrir. —Estou ansiosa para ver o QG dos PJ.. PJ...
—PJ Masks. – completou com um risinho piscando graciosamente antes de se afastar com Jéssica.
Sempre gostei muito de crianças, e sempre quis muito ter um filho. Conhecer Melissa só fez por aumentar aquele desejo.
—Ela é linda, não é? – Edward perguntou assim que ficamos a sós.
Soltei um longo suspiro ao concordar com a cabeça.
—Muito. Tem seus olhos.
—Tem sim. – soltou um riso rápido. —Ela gostou de você, esteja preparada, ela não vai sair do seu pé.
—Não me importo. – dei de ombros. —Eu gosto de crianças.
—Pensava em ter filhos Mike, não é?
Estreitei os olhos diante sua pergunta. Porque ele tinha que ficar rodeando naquele assunto? Mike já era passado para mim.
—Pensava sim. Mas o que eu queria ou não queria com o Mike, já não interessa mais... Acabou. – fui firme esperando que ele entendesse.
Edward pegou a xícara e tomou um gole de café sem tirar os olhos de mim.
—Mas quer ter filhos?
—Quero. E você, quer ter mais?
Ele ponderou por alguns segundos e então concordou com a cabeça.
—Quero sim. Eu sempre gostei de ter irmãos, quero que Melissa tenha essa experiencia também.
É, eu sabia o quanto ele gostava dos irmãos, o quanto eles se davam bem, e o quanto ele temia pela segurança deles.
Prendi a respiração por alguns segundos ao me lembrar de que logo iria conhece-los. Pelo o que Emmet contara, Jasper era muito educado e simpático, eu não teria problemas com ele... Já Rosalie era o oposto.
—Com licença, Edward. – a voz de Senna rompeu minha bolha de preocupação. Mastigando o mirtilo doce a encarei. —Sua assistente chegou. Está a sua espera.
—Certo. – Edward limpou os lábios no guardanapo de linho, abandonou-o sobre a mesa e se colocou de pé. —Avise que já estou descendo.
Senna afirmou com a cabeça e se retirou rapidamente.
—Preciso ir, tenho uma reunião em dez... Cinco minutos. – corrigiu após olhar o relógio em seu pulso.
Rolei os olhos ao me levantar da cadeira. Edward e seus atrasos.
—Tudo bem. Vou tomar um banho e dormir um pouco...
Ele segurou em minha cintura e me puxou para mais perto, espalmei as mãos em seu peito ofegando pela surpresa.
—Sim, precisa descansar mesmo. – sorriu com o canto dos lábios. —Recupere suas energias para a gente gastar mais tarde!
—Bobo! – me esforcei para conter o sorriso, mas foi impossível. —Você... Vem almoçar em casa? – eu já tinha me acostumado a ficar com ele, seria estranho não tê-lo por perto.
—Provavelmente não. – aquilo me desapontou, por mais que ele fosse chato e implicante, não queria ficar longe dele. —Mas volto antes das cinco, vamos jantar nos meus pais. Eles querem te conhecer.
Meu estômago virou uma pedra de gelo na mesma hora. Eu sabia que aquele momento chegaria, só não estava preparada para ele. Por mais que fosse tudo uma farsa temporária queria muito que todos gostassem de mim.
E quem é que não fica nervosa quando vai conhecer a sogra?
—Tudo bem.
Edward se inclinou e beijou minha boca rapidamente.
—Qualquer coisa você me liga. – me lançou uma piscadela e deixou mais um beijo em meus lábios.
Soltei um suspiro longo ao vê-lo se afastar. Aqueles selinhos rápidos só serviram para aumentar a vontade que eu sentia de voltar com ele para o quarto e me perder naquele corpo gostoso por horas e horas.
Voltei a me sentar na mesa perfeitamente posta para o desjejum, havia tanta comida que era até difícil saber o que comer primeiro. Servi um pouco do café na xícara e apreciei a paisagem paradisíaca enquanto comia um pedaço ou outro de panqueca.
—Bella? – Senna me chamou com a mesma cordialidade de sempre.
—Sim?
—Seu cabelereiro ligou e pediu para confirmar o horário das três e meia.
Prendi meu lábio inferior entre os dentes repassando suas palavras mentalmente. Então eu tinha cabelereiro, e provavelmente um maquiador também... Aquilo me deixou instantaneamente mais aliviada. Pelo menos eu não iria encontrar meus “sogros” de qualquer jeito.
—Tudo bem, Senna. Obrigada. – lhe agradeci com um sorriso o qual ela retribuiu prontamente.
—Ah, suas roupas que chegaram já foram passadas e colocadas no closet da suíte master. – aquela informação me pegou de surpresa mais uma vez.
—Ok. – minha voz saiu contida. —Obrigada de novo, Senna. Você é incrível.
E era mesmo, tomava conta de tudo que acontecia naquela casa com exímia perfeição. Emmet puxara a fixa dela e investigara toda sua vida, Senna era cristalina como a água, e de longe, a funcionária mais competente que Edward tinha.
Dentro daquele closet imenso que fora arrumado só para mim, me vi perdida entre tantas roupas, sapatos, bolsas e joias. Corri os dedos pelos casacos pendurados sentindo a diferença entre os tecidos, eles estavam arrumados por cor, assim como todas as outras peças.
Aquilo parecia coisa de cinema de tão perfeito. Nem nos meus melhores sonhos havia imaginado algo com aquela magnitude. Tudo ia muito além do meu armário de duas portas dentro do meu pequeno quarto, no meu apartamento de quatro cômodos.
Meu ex apartamento.
Me autocorrigi fazendo questão de lembrar do meu termino com Mike. Por mais que eu soubesse que a minha vida estava uma bagunça, e que, no momento eu não tinha nem onde morar, não quis ficar presa naqueles pensamentos.
Eu tinha que focar naquela missão, na missão de ser a designer de joias, a mulher sortuda que laçara Edward Cullen.
Tomar banho naquele box imenso não teve a mesma graça de quando Edward estava comigo, assim como dormir naquela cama fora mais difícil do que pensei. Felizmente depois de rolar de um lado para o outro, caí no sono e só acordei na hora do almoço.
—Bella, onde mando servir o jantar? – Senna perguntou assim que desci até a cozinha.
Eu não fazia a menor ideia. Nem sabia que dava para escolher onde iríamos almoçar.
—Bom... Não sei. – encolhi os ombros. —Edward não vem mesmo?
—Não, será apenas a senhorita e a Melissa. – enchi o copo com água pensando onde o almoço seria servido. —Se me permite um palpite, porque não almoçam no terraço? O dia está lindo!
Eu teria concordado com qualquer coisa que ela sugerisse, mas quando cheguei até o terraço tive certeza de que não haveria lugar melhor para se fazer uma refeição. Ele ficava no ultimo andar da casa, o chão de madeira se estendia até encontrar a piscina de borda infinita. O céu estava lindo e as ondas do mar faziam o horizonte perfeito.
Aquela casa era o paraíso na terra, para onde é que se olhava, se perdia o fôlego!
—Ah, você está aí, Bella! – Melissa exclamou correndo em minha direção.
Foi impossível não sorrir ao vê-la, a roupa de balé havia sido trocada por uma jardineira jeans e uma blusinha florida, o cabelo estava solto e era mais longo e liso do que pensei. Alguns prendedores coloridos enfeitavam a lateral de sua cabeça deixando-a ainda mais delicada.
—Oi, Mel. Como foi a aula?
—Très bien, merci. – agradeceu me surpreendendo com sua dicção perfeita. —Estava te procurando para te levar ao meu quarto, mas a tia Senna disse que você estava descansando. – ela pareceu um pouco chateada ao sentar-se ao meu lado na mesa.
—É, eu estava tirando uma soneca. Você não tira sonecas?
—Só as vezes. – deu de ombros fazendo-me rir. —Você está gravida?
Quase engasguei com sua pergunta, me arrumei na cadeira enquanto pensava no que responder, ao fundo, Jéssica ria baixinho.
—Não. Não estou grávida. Porque?
—Minha titia está grávida, e disse que quem está gravida sente muito sono. – os dedinhos gordinhos tiraram os fios de cabelo que estavam eu seu rosto.
—Ah, entendi. – soltei ainda perplexa com a pergunta. Felizmente Senna interrompeu nossa conversa para servir o almoço. Melissa ficou em estase ao ver o purê de batatas com molho, segundo suas próprias palavras, aquela era a melhor comida do mundo, principalmente se tivesse frango grelhado.
Ela era muito esperta para sua idade, era até difícil acreditar que ela tinha cinco anos recém completados. Não parou de falar durante todo o almoço, e assim que terminamos de comer, ela fez questão de me arrastar até seu quarto para que eu pudesse em fim conhecer os personagens de seu desenho favorito.
O quarto dela era um sonho para qualquer menina, os tons de rosa se mesclavam ao branco e alguns motivos florais extremamente delicados. A cama grande estava perfeitamente arrumada e a cabeceira que ia do chão ao teto tinha o recorte de um castelo cheio de torres.
Me sentei no tapete felpudo para espera-la trazer o tão falado brinquedo, que era imenso. Devia ter mais de um metro de altura, com cinco níveis bem separados por rampas, elevadores, e até estacionamento.
—É aqui que eles se reúnem noite a dentro para o dia salvar! – saltitou enquanto arrumava os bonequinhos fantasiados.
—Ela é muito esperta, não é? – olhei para Jéssica assentindo com a cabeça.
—Demais. E linda. – corri os dedos por seu cabelo macio.
—Puxou ao pai... – Jéssica suspirou longamente. —Que sorte a sua, hein? – sua voz entonou certo grau de inveja.
Rolei os olhos me controlando para não lhe dar uma resposta tão amarga quanto o incomodo que se apossou de mim. Ouvir aqueles comentários sobre Edward estava começando a me irritar.
—Tia Bella, olha só. – Melissa atraiu minha atenção para mostrar o controle remoto que controlava as luzes e os sons do brinquedo.
Ela fez questão de me explicar quem eram os heróis, quem eram os vilões, falou sobre os automóveis de cada um, e deu mais um monte de informações sobre o QG.
Nós passamos boas horas brincando no chão de seu quarto, e quando tive de ir me arrumar, me senti extremamente leve. Acho que eu estava precisando daquela inocência e pureza que só as crianças tem.
—Você deve ser a Bella. – o homem alto e calvo cantarolar assim que passei pelas portas do quarto de hóspedes, que havia sido improvisado para que eles me arrumassem. —Eu sou o Gael. – suas mãos tomaram as minhas.
Ele era alto e bastante magro, o sorriso em seu rosto era largo. Fazia tempo que eu não conhecia alguém tão curioso e falante.
Felizmente eu havia decorado cada virgula sobre aquela personagem que desenhava joias e era absurdamente rica. A verdade é que, depois de passar todos aqueles dias com Edward, já estava mais fácil fingir.
—Pronto, está maravilhosa! – Gael girou a cadeira e parou no instante em que meu reflexo apareceu no espelho.
Tentei não mostrar o quão surpresa fiquei, mas era praticamente impossível. Meu cabelo estava brilhoso, hidratado e extremamente macio. As ondas estavam perfeitas e davam um balanço a mais.
A maquiagem realçava meus olhos, deixava-os mais claros, mais vividos. O delineado estava perfeito, assim como o batom nude.
Quase não me reconhecia ali, mas gostava do que via, principalmente depois que coloquei o lindo vestido azul plissado de frente única.
—Nossa! – a voz rouca ecoou dentro do closet, sobressaltada, girei o corpo até encontrar Edward recostado no batente da porta. —Você está maravilhosa!
Recebi seu elogio sentindo o contentamento me preencher, mas a verdade é que nada era mais maravilhoso do que vê-lo arregaçando as mangas da camisa social, bagunçado o cabelo com os dedos e abrindo aquele lindo sorriso torto.
—Só não gostei muito desse decote...
Estreitei os olhos vendo-o se aproximar.
—O que há de errado com o decote? – abaixei os olhos até o vale entre meus seios.
O corte coração era discreto, mas bastante sensual, e valorizava muito meu busto.
—Está sexy demais. Vai chamar muita atenção. – parou a minha frente e colocou meu cabelo atrás da orelha. —Não gosto que fiquem cobiçando o que é meu.
Seus braços passaram por minha cintura e, possessivamente, me puxou para ele. Espalmei as mãos em seus ombros, seu perfume me inebriou e tentei ignorar o frio em meu estômago.
—E eu sou sua desde quando? – arqueei as sobrancelhas sentindo minha boca aguar de vontade de beijá-lo.
—Desde de sempre. – deu de ombros aumentando o sorriso. —Você não faz ideia da vontade que eu estou de tirar esse vestido de você e te foder aqui mesmo.
Tira! Tira! Tira!
Meu subconsciente implorou a medida que meu corpo se acendia pedindo pelo dele.
—Mas vou ter que me controlar, já estamos atrasados. – seu complemento me deixou completamente desapontada.
Será que não dava tempo nem para uma rapidinha?
Edward beijou minha boca e me deixou no chão, ainda tentada pelo tesão o vi se despir da camisa branca e a abandonar no chão.
Corri os olhos por suas costas largas totalmente marcadas por arranhões. Saber que eles foram feitos por mim me deixou um tanto quanto orgulhosa.
—Vou ir ver se a Melissa está pronta e já volto. – eu precisava me afastar um pouco antes que eu perdesse o controle e o agarrasse.
Não esperei por sua resposta saí do quarto com o coração acelerado e a boca seca. Porque meu corpo tinha que ser tão fraco? Porque aquela atração que eu sentia por ele tinha que ser tão absurda?
Maneei a cabeça e soltei o ar pela boca. Ele era um risco para minha sanidade e mo momento, não podia perdê-la.
—Ah, oi tia Bella! – Melissa me saldou com a voz doce assim que entrei em seu quarto.
Jessica terminava de arrumar seu longo cabelo castanho. Ela usava um vestido vermelho vivo, o qual a deixava ainda mais branca, e consequentemente, fazia os olhos reluzirem.
—Oi, Mel. Uau, você está linda! – ela sorriu diante o meu elogio exibindo aqueles lindos dentinhos brancos.
—O cabelo dela é tão fino, tão difícil de prender. – Jéssica parecia estar diante da missão mais difícil de sua vida, via até algumas gatinhas de suor aparecerem em sua testa enquanto ela prendia os fios castanhos em um rabo de cavalo. —Acho que a mãe dela me mata se eu arrebentar algum fio!
Não consegui conter o riso. Era visível o quão bem cuidado era o cabelo de Melissa, e provavelmente Jéssica teria problemas com Victória caso o danificasse.
Era cômico ver Jéssica como babá. Ela não era uma pessoa muito paciente ou delicada. Pelo contrário, era explosiva e bruta.
Contudo, a verdade é que todos nós havíamos saído de nossa zona de conforto. Eu mesma que vivia de jeans e tênis, agora estava calçando sandálias Chanel originais.
—Tia Bella será que eu posso levar a Corujita? – Melissa pediu me encarando com aqueles olhinhos peculiares e brilhantes.
Como eu poderia dizer não para ela? Era impossível!
Ela pegou a bonequinha de plástico e segurou minha mão para que fossemos ao encontro de seu pai.
Edward terminava de passar o perfume quando entramos no quarto. Ele se virou e sorriu quando nos olhou, terminou de abotoar a camisa jeans e arrumou o cinto no passador da calça branca.
Era incrível como ele só ficava mais gostoso!
—Você vai dirigir? – perguntei diante os sinais claros. Ele segurava as chaves do carro esportivo e Brady estava no SUV ligado.
—Sim, gosto de dirigir as vezes. – explicou ajudando Melissa a subir no carro, e pacientemente a prendeu na cadeirinha. —Não precisa se preocupar, Brady vai nos seguir de perto.
Sentei no banco e passei o cinto por meu corpo, não tinha certeza se aquela era uma boa ideia, mas não quis contestá-lo, afinal, seus pais moravam a dez minutos de sua casa.
—Foi tudo tranquilo na empresa hoje?
—Foi. Fiquei preso em reuniões o dia todo. Nem consegui me lembrar de que tem alguém tentando me matar. – sua atenção estava fixa nas ruas. Rolei os olhos vendo o sorriso aparecer em sua boca.
—Você não devia falar isso na frente da sua filha, ela pode... – a olhei pelo retrovisor e a cena refletida aqueceu meu coração. —Ela dormiu.
—Ela apaga toda vez que entre em um carro. Sempre foi assim, desde bebê.
Melissa dormia plenamente na cadeirinha, o semblante relaxado, a boquinha entreaberta... Tão linda!
—Ela é tão linda e tão esperta... Acredita que ela me perguntou se eu estou grávida?
Edward desviou os olhos da rua para poder me encarar visivelmente atônito.
—O que? Porque ela te perguntou isso?
—Porque eu dormi durante o dia, e ela me disse que a tia dela falou que mulheres grávidas tem muito sono.
Edward soltou um riso alto e parou no sinal vermelho, a mão correu pelo cabelo que permaneceu no penteado perfeito de sempre.
—Acho que ela gostou de você.
—Que bom. – suspirei verdadeiramente feliz. —Porque eu gostei muito dela.
Edward afagou minha perna antes de voltar a andar com o carro. Fizemos o retorno em uma avenida e passamos pelos portões do condomínio onde os pais dele moravam. As casas beira mar eram de tirar o fôlego, a maioria de arquitetura moderna, repleta de vidros e deques lindíssimos.
Edward seguiu até o fim da rua mais larga e muito bem iluminada, no alto de um paredão que acabava no oceano, ficava a mansão da família Cullen.
A construção de recortes quadrados era quase toda de vidro, havia poucas partes de madeira caramelo, que eram suficientes para dar o contraste perfeito.
Prendi o ar nos pulmões quando ele estacionou o carro em frente a casa imponente.
Eu sabia que aquele momento chegaria, mas não estava nem um pouco pronta para ele.
—Vamos? – Edward me chamou ao soltar seu cinto de segurança.
Soltei o ar pela boca e concordei com a cabeça.
Vai dar tudo certo!
Garanti a mim mesma saindo do conversível, Edward deu a volta no carro e estava pronto para pegar Melissa quando a voz feminina ecoou do nada.
—Edward!
Nós nos viramos juntos a tempo de ver a mulher loira saltitar para fora do conversível branco.
Ela se jogou nos braços de Edward e abraçou seu pescoço com força!
A reconheci na hora. O cabelo quase branco, a pele dourada, o corpo de uma Barbie... Oferecida e escandalosa.
Era Tanya. A prima e ex-amante de Edward.
Fale com o autor