Notas iniciais
Desculpa gente, estava e estou em época de provas. Espero que nas férias eu poste com mais regularidade... Espero que gostem, foi um capítulo que eu particularmente gostei de escrever.

Harry alcançou sua varinha ao mesmo tempo que Lupin e ambos as acenderam com um feitiço de chamas-de-bolso silencioso.

– Fiquem onde estão. – comandou o mais jovem com uma expressão cautelosa.

Um ruído indicou que o trinco da maçaneta, anteriormente fechado, se abrira. Parado à porta, iluminado pelas chamas trêmulas na mão dos marotos, havia um vulto de capa que alcançava o teto. Seu rosto era completamente oculto por um capuz. Gina olhou para baixo e o que viu provocou-lhe náuseas. Uma mão viscosa, acinzentada, como a de cadáver que se decompusera na água saía da capa.

Mas a mão foi rapidamente ocultada nas dobras do tecido preto. Logo, a coisa encapusada inspirou longa e lentamente, uma inspiração ruidosa, como se tentasse inspirar mais do que o ar à sua volta.

A ruiva, assim como seu irmão, Hermione e Neville foram atingidos por um frio imenso. Contudo, a garota parecia a mais trantornada. Lentamente ela se afogava no rio, a última coisa que ouviu antes de fechar seus olhos foi um berro terrível, agoniado, suplicante de uma voz muito conhecida: a voz de seu namorado.

– Gina! Gi, meu amor!

Alguém acariciava seu rosto.

– Q…quê?

Ela abriu os olhos; havia lanternas no alto e o chão sacudia – o Expresso de Hogwarts recomeçara a andar e as luzes tinham voltado. Aparentemente ela continuava no colo de Harry. O professor e seu irmão estavam sentados ao seu lado enquanto Hermione e Neville, ainda de pé, à observavam preocupados.

– Você está bem? – perguntou Rony, nervoso.

– O que aconteceu? Onde está aquela… aquela coisa? Por que gritou, Harry?

– Eu não gritei, Gi. – respondeu ele olhando-a, aflito.

Um forte estalo a assustou. O professor Lupin partia em pedaços iguais uma barra de chocolate.

– Tome – ofereceu a Gina um pedaço particularmente avantajado – Vai fazê-la se sentir melhor.

– Mas eu te ouvi gritar Harry! – teimou ela, dando uma grande mordida no doce. – Que era aquela coisa?

– Um dementador. – respondeu ele – Um dos dementadores de Azkaban.

Todos o olharam espantados. Até mesmo o lobisomem, ainda que não pelo mesmo motivo. O homem se perguntava onde Harry tinha aprendido tanto e como parecia tão poderoso para sua idade.

Quando Gina desmaiou ele não se abalou, como qualquer namorado ou garoto de sua idade teria feito. Harry a segurou mais firmemente e junto com o professor de DCAT produziu, em um feitiço silencioso, um patrono corpóreo. Não era um veado, como no passado fora. Agora seu patrono apresentava um amendrontador tigre-branco, que rugiu, transformando o dementador em nada mais do que uma má lembrança.

Remus teria uma conversa séria com ele sobre isso mais tarde; contudo, ele se sentia muito orgulhoso de seu sobrinho-postiço. O dementador não só fugiu, mas desapareceu. Ninguém nunca havia matado um daqueles montros antes.

– Vou falar com o maquinista. – cochicou Remus para Harry, que assentiu.

Ele desapareceu no corredor.

– Não entendo o que aconteceu. – reclamou Gina, encolhendo-se mais contra o largo peitoral do namorado.

– Você desmaiou – respondeu Rony, conservando uma expressão de pavor no rosto. – Nós entramos em pânico, eu, Hermione e Neville, mas Harry e o novo professor não. Eles permanceram calmos. Harry continuou a te segurar no colo e alguma coisa prateada saiu em um raio de sua varinha, assim como da varinha do sr. Lupin. E então o dementador não estava mais lá.

– Foi horrível – disse Neville numa voz mais aguda do que de costume – Vocês sentiram como ficou frio quando ele entrou?

Harry resolveu que não contaria para eles que não sentira frio algum, já que parecia ter alguma coisa relacionada com o seu retorno ao passado, então apenas concordou.

– Eu me senti esquisito – disse Rony, sacudindo os ombros, desconfortável. – Como se nunca mais fosse ser feliz…

Gina deu um solucinho, ainda encolhida contra o peito de Harry; que passou os braços em volta de sua cintura para consolá-la.

– Mas nenhum de vocês desmaiou? – perguntou ela, murmurando baixinho.

Era de cortar o coração, vê-la daquela forma. Para Harry, sua namorada sempre fora um muro inquebrável, dura como pedra, quase nunca chorava. Além do mais, ele se lembrava como ficara sem graça quando tudo aquilo acontecera com ele.

– Não – disse Rony. – Mas Neville tremia feito louco…

Gina ainda não entendia. Por que ela fora a única que desmaiara? Sentia fortes arrepios, como se estivesse se curando de uma gripe. Todos os outros pareciam bem, apesar de perturbados. Já Harry, pelo menos aos seus olhos, parecia inabalável, com uma expressão dura; mesmo que seus olhos mostrassem carinho e conforto à namorada.

– Vamos chegar a Hogwarts dentro de 10 minutos, – informou Lupin, que acabara de entrar na cabine. – Melhor, Gina?

– Sim, – murmurou ela, não parecendo muito convincente. – Obrigada, professor.

O lobisomem sorriu. Ninguém falou muito durante o resto da viagem; exceto Harry e Lupin, que conversavam aos cochichos. O namorado fazia cafuné na ruiva, não permitindo que ela saísse de seu colo por nada, nem mesmo para colocar o uniforme escolar. Não que a mesma estivesse reclamando.

Por fim, o trem parou na estação de Hogsmeade e houve uma grande correria para desembarcar; corujas piavam, gatos miavam e o sapo de estimação de Neville coaxou alto debaixo do chapéu de seu dono. Estava frio demais na minúscula plataforma; a chuva decia em cortinas geladas. Harry fez questão que Gina fosse até a carruagem em suas costas.

– Alunos do primeiro ano por aqui! – Hagrid chamava os alunos do primeiro ano, aterrorizados, para a travessia do lago – Tudo bem com vocês? Ah! Olá Remus, novo professor hã?

Eles acenaram, mas não tiveram chance de lhe falar porque a massa de alunos em volta deles os empurrava na direção oposta.

O grupo caminhou até os coches, os quais impressionaram Rony e Gina, os únicos que ainda não haviam andado em um, já que parecia ser puxado por cavalos invisíveis. Harry, entretanto, podia ver os trestálios; diferentes porém dóceis, ele lembrou das palavras de sua velha amiga, Luna Lovegood.

Quando o coche foi se aproximando de uma magnífico portão de ferro forjado, ladeado por colunas de pedra com javalis alados no alto, Gina viu mais dois dementadores encapuzados montando guarda dos lados do portão. Ela sentiu mais uma onda de náuseas e frio.

Rony e Hermione a encaravam como se pudesse desmaiar novamente a qualquer momento. Os outros três eram bem mais gentis. Quando o balanço parou eles desembarcaram, Gina nas costas de Harry.

– Você desmaiou Weasleyzinha? – uma voz arrastada e satisfeita chegou aos seus ouvidos – Desmaiou mesmo, é?

– Cai fora, Malfoy. – rosnou Harry – Ou serei obrigado a te dar uma surra por ser mal-educado com a minha namorada.

Draco parecia ter levado um tapa na cara. Mas logo retomou a pose.

– O senhor não vai puni-lo, professor? – perguntou ele para Remus, que carregava no rosto uma expressão extremamente séria, ainda que por dentro, Harry sabia, o maroto gostaria de gargalhar descontroladamentre.

– Acredito que as medidas de Harry são defeituosas, mas ele está certo ao dizer que o senhor merece uma lição por ofender uma mocinha que claramente está indisposta. – ele levantou as sombrancelhas, deixando o loiro chocado – Detenção comigo na sexta, depois do jantar.

E o grupo entrou em Hogwarts sorridente, deixando para trás um Malfoy estupefato.