A porta que levava ao Salão Principal encontrava-se aberta; Harry e os outros estavam prestes a seguir o grande número de alunos que se deslocavam naquela direção, quando uma voz os chamou:

– Potter! Weasley! Granger! Uma palavra, por favor. Se o senhor puder nos acompanhar também, professor Lupin, seria muito conveniente.

Harry não estava surpreso, mas chateado. As coisas pareciam estar ocorrendo extamente iguais às do passado. A Profa McGonagall, que ensinava Transfiguração e dirigia a casa da Grifinória, os chamava por cima da cabeça dos demais. Era uma bruxa de aspecto severo, que usava os cabelos presos em um coque apertado; seus olhos penetrantes eram emoldurados por óculos quadrados.

Eles abriram caminho até ela com certo esforço. Gina tinha um mal pressentimento: a professora tinha o condão de lhe fazer sentir que fizera alguma coisa errada.

– Pode ir andando sr. Weasley, o banquete será servido em breve.

Rony ficou olhando a professora se afastar, com os amigos, a irmã e o professor da aglomeração de alunos que falava incessantemente; os cinco atravessaram o saguão, subiram pela escada de mármore e desapareceram em um corredor vazio. O ruivo ficara muito enciumado, afinal por que era sempre ele aquele que ficava de fora? Teria de se contentar com a companhia de Neville.

Já na sala, um pequeno aposento com uma grande e acolhedora lareira, toda decorada com as cores da Grifinória, a professora fez um gesto para que se sentassem.

– O Prof. Lupin mandou à frente uma coruja dizendo que a senhorita Weasley, havia passado mal no trem. A carta também dizia algo curioso sobre o senhor Potter.

Antes que eles pudessem responder, ouviu-se uma leve batida na porta e Madame Pomfrey, a enfermeira, entrou esbaforida.

– Disseram-me que alguém passou mal no trem, professora! A senhora…

Gina corou.

– Eu estou bem – apressou-se em dizer, interrompendo a enfermeira – Não preciso de nada.

– Ah! Então foi você, querida?! – exclamou Madame Pomfrey, ignorando seu comentário e se aproximando para examiná-la melhor – Suponho que tenha se envolvido com diários desconhecidos novamente.

– Ora, Papoula, não seja desagradável! – repreendeu-a Minerva, apontando para Gina, que escondera o rosto no pescoço de Harry. – Foi um dementador.

As duas trocaram olhares misteriosos e a enfermeira soltou um muxoxo de desaprovação.

– Colocar dementadores em volta de uma escola – murmurou ela, tirando carinhosamente os fios ruivos de Gina de seu rosto – A menina não será a última a desmaiar. São terríveis os efeitos que produzem em pessoas que já são delicadas…

– Não sou delicada! – indignou-se a menina.

– Claro que não é. – concordou Madame Pomfrey, distraída.

– De que é que ela precisa? – perguntou profa McGonagall, decidida – Repouso? Quem sabe não fosse bom passar a noite na ala hospitalar?

Gina parecia irritada, mas não mais do que Harry, apesar de ninguém à não ser Remus ter reparado.

– Ela devia ao menos comer um chocolate. – respondeu Papoula, que tentava examinar os olhos da menina.

– Ela já comeu chocolate. – disse Harry, com uma frustração que passou despercebida pelos outros. – Tio Remus deu à ela no trem. Ele deu à todos nós.

A diretora da grifinória franziu a testa com o “Tio”.

– Deu, foi? – exclamou a enfermeira em tom de aprovação – Então finalmente conseguimos um professor de Defesa Contra a Arte das Trevas que sabe o que faz!

– Apenas fiz meu trabalho. – disse ele humildemente, corando.

– Você tem certeza que se sente bem, srta. Weasley? — perguntou Minerva bruscamente.

– Tenho, — confirmou Gina, irritada.

– Muito bem. Esperem lá fora enquanto eu converso com a Srta. Granger, depois podemos descer juntos para a festa, – ordenou a professora, aparentemente esquecendo de mencionar a parte curiosa de Harry na carta. – O senhor também pode ir, professor.

Eles saíram para o corredor e Madame Pomfrey seguiu resmungando sozinha, sobre como os alunos se envergonhavam ao serem tratados por ela, para a ala hospitalar.

Gina sussurou para Harry um obrigado, o garoto sorriu de canto.

– Ainda vamos ter uma conversinha, viu pontas júnior? – disse o lobisomem, com um sorriso maroto.

– Ainda vou me livrar desse apelido, guarde minhas palavras Tio Aluado. – afirmou o mais jovem, fugindo do questionamento.

Em poucos minutos uma Mione sorridente, acompanhada pela professora, descia a escadaria de mármore para o salão principal.

Cada uma das compridas mesas das casas estava lotada de estudantes. O professor Flitwick atravessava as grandes portas de madeira com um banquinho de três pernas e um chapéu antigo.

– Ah – lamentou-se Hermione. – Perdemos a cerimônia da seleção!

Ambos os professors seguiram até a mesa principal para ocuparem seus lugares vazios. Harry, Gina e Hermione se esgueiraram o mais silenciosamente possível para seus lugares na mesa da Grifinória; sem successo, contudo. As pessoas cochichavam e apontavam. Gina começava a imaginar se era pelo fato de a notícia de seu desmaio ter se espalhado ou pelo fato de ela estar de mãos dadas com Harry Potter.

Os três sentaram-se próximos à Rony, que guardara seus lugares.

– O que ela queria? – questionou o ruivo, curioso.

O amigo começou a explicar-lhe aos cochichos, mas naquele momento o diretor se ergueu para falar e ele se calou.

O professor Dumbledore, apesar da idade avançada, sempre demonstrava muita energia. Ele tinha alguns palmos de cabelos e barba prateados e sempre usava seus característicos óclinhos de meia-lua sobre o nariz, que era levemente torto. Em geral descrito como maior bruxo da era atual, Harry costumava ter um grande respeito por ele. Sim, costumava, no passado.

Ele voltara no tempo a pedido de Dumbledore e nada melhor poderia ter acontecido na sua vida, seria para sempre grato. Porém, agora já com seus 17, quase 18 anos vividos, ele percebia que o professor era manipulativo e o havia tratado inúmeras vezes como um peão em seu jogo de tabuleiro.

Ao invés de deixá-lo com Remus ou mesmo com qualquer outra família bruxa ou trouxa, Dumbledore recorreu aos Dursley, os piores tipos de trouxas que o mundo já havia conhecido, contra a vontade de seus pais, dando a Harry a pior infância que uma criança poderia ter. Ele também não fizera o menor esforço para que Sirius recebesse um julgamento antes de ser jogado em Askaban. Fora ao fato que Harry simplesmente não podia ignorar: o diretor o ensinara tantas coisas para que depois ele morresse pelas mãos de Voldemort. O que teria acontecido se Harry não tivesse voltado no tempo?

Tornava-se cada vez mais difícil o perdoar.

Quando Harry finalmente parou para prestar atenção no discurso, Remus estava sendo apresentado. Apenas aqueles que estavam na cabine bateram palmas entusiasmadas e Harry até mesmo assobiou. O professor parecia particularmente malvestido ao lado dos outros professores que trajavam suas melhores vestes.

– Olha a cara do Snape! – sibilou Rony para Harry.

O olhar de Snape passou pela mesa dos professores e se deteve no lobisomem. A expressão com a qual ele encarava Aluado era mais do que raivosa, exalava desprezo.

Logo após a apresentação de Hagrid, como o novo professor de Trato das Criaturas Mágicas, houve o banquete; o salão ecoava com as conversas e o tilintar dos talheres.

Os quarto amigos ansiavam pela oportunidade de congratular o meio-gigante. Sabiam o quanto a nomeação significava para ele.

Depois de finalmente conversarem com o amigo, eles se reuniram com seus colegas que ocupavam a escada de mármore, e extremamente cansados caminharam por corredores e mais corredores até a entrada secreta da Torre da Grifinória. Uma grande pintura à óleo de uma mulher gorda vestida de rosa perguntou-lhes:

– A senha?

– Já estou indo! Já estou indo! – gritou Percy – A nova senha? Fortuna Major!

– Ah não! – exclamou Neville com tristeza, ele sempre tinha dificuldade para lembrar das senhas.

Após passarem pelo buraco do retrato e pela Sala Comunal, as garotas e os garotos tomaram escadas diferentes; e em meio ao dormitório redondo, com as mesmas camas em colunas que já conhecia, Harry finalmente se sentiu em casa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.