Reescrevendo o Passado
3 Algumas coisas permanecem as mesmas
Notas iniciais
Nas duas semanas seguintes Harry e Sirius se divertiram como nunca haviam se divertido antes. Eles jogaram quadribol com os Weasley, fizeram compras no Beco Diagonal e o padrinho até mesmo ensinou o garoto à ser um legítimo maroto, não que ele precisasse ser ensinado.
Era um domingo ensolarado quando o animago resolveu que queria procurar por seu amigo Remus Lupin.
Algumas horas mais tarde, quando ele finalmente encontrou o endereço, Harry e Sirius aparataram para Hogsmeade.
– Quem…? – perguntou Lupin assustado ao ouvir um estalido de aparatação em sua humilde residência.
– ALUADO! – berraram Sirius e Harry animados. Fazia mais de 12 anos que Almofadinhas não via um de seus melhores amigos e Harry realimente sentia falta do seu antigo professor.
A reação do lobisomem foi realmente engraçada. Aparentemente, fazia um tempo que ele não lia o jornal e ainda acreditava que Sirius Black era um traidor. Entretanto, quando padrinho e afilhado finalmente terminaram de narrar sua história, Remus parecia radiante.
– Finalmente uma notícia boa! Minha vida tem se mostrado complicada desde que… Bem não importa! – ele disse rindo.
– Nós vamos morar aqui, certo Tio Sirius? – questionou o mais jovem.
O animago sorriu e concordou. Afinal, que lugar melhor para morar do que Hogsmeade? Ele poderia ficar perto do afilhado e do melhor amigo e os visitaria quando sentisse vontade. Começaria a busca por imóveis vagos assim que possível.
Na véspera do dia em que as crianças iriram para Hogwarts, a Toca estava uma confusão. Harry ria da cena e se lembrava das inúmeras vezes que passara por essa situação durante vários anos na casa de seu melhor amigo. Os Weasley e Harry combinaram, então, de se encontrar na estação, já que agora Sirius poderia levá-lo para o embarque.
O-menino-que-sobrevivieu apreciava essa nova vida. Ele pensou que poderia ter, finalmente, um ano normal em sua vida turbulenta. Mal sabia ele como estava enganado.
– Depressa Tio Sirius, são 10 para as 11! Vou perder o trem! Você também Tio Remito! – gritava ele em frustração. É claro que Harry era muito mais do que capaz de ir sozinho, mas ele estava gostando de reviver sua infância, sua dependência e sua inocência.
Quando os três marotos aparataram diretamente na estação, o relógio já maracava 5 para as 11.
– Tchau, tchau pontas júnior! – despediu-se Sirius, o abraçando – Não se preocupe, nos veremos mais do que imagina. Palavra!
– Até mais Almofadinhas! E você tem que parar de me chamar por esse apelido! – respondeu Harry e rindo entrou no trem, sendo seguido de perto pelo lobisomem.
O veículo começou a andar e Harry foi até a janela, acenando para o padrinho e para o sr. e a sra. Weasley.
– Harry, você prefere que eu encontre um compartimento só para mim ou…? – começou Remo, mas o menino logo o interrompeu.
– Claro que não, Tio! Pode ficar comigo e com meus amigos! Eles não mordem, prometo! – respondeu ele, animado com a ideia de ir novamente para Hogwarts.
Os dois saíram pelo corredor à procura de um compartimento vago, mas todos estavam cheios, exceto um bem no finalzinho do trem. Eles conversaram sobre coisas banais até que Rony, Gina e Hermione entraram na cabine.
– Harry! – a namorada pulou em cima dele, o jogando no banco.
– Oi Gi! Quem vê acha que não nos encontramos há sécuos! – riu ele, colocando os braços em sua cintura para que ela se acomodasse melhor em seu colo. – Esse é o melhor amigo de infância de Sirius e de meu pai e nosso novo professor de Defesa Contra Artes Das Trevas, Remus Lupin.
O homem mais velho ficou levemente ruborizado.
– Muito prazer, é bom conhecer a senhorita, sinto como se já conhecesse, entretanto, já que Harry não para de me contar sobre sua maravilhosa namorada! – disse ele fazendo o casal sorrir.
– Ei! Nós ainda estamos aqui! – Rony, como sempre, estragou o clima feliz.
– Ronald não seja grosso! – ralhou Hermione — Olá Harry e prazer em conhecê-lo professor Lupin.
Gina e Harry seguraram o riso, aqueles dois acabariam por se casar algum dia.
– Que barulho foi esse? – perguntou Rony de repente.
Uma espécie de apitinho fraco vinha de algum lugar.
– Vem de seu malão, Harry. Suponho que seja um bisbilhoscópio. – informou o lobisomem, retirando o objeto dentre as meias do menino. O bisbilhoscópio de bolso girava muito rápido na palma de sua mão e emitia um brilho intenso.
– Que interessante! – exclamou Hermione – Eu já li sobre eles.
– Claro que já leu, Mione. – resmungou o ruivo.
– Ponha-o de volta no malão porfavor, Tio. – pediu Harry com uma cara cansada – Acho que vou dormir um pouco.
– Pois não, pequeno pontas.
– Poderíamos mandar verificar esse bisbilhoscópio em Hogsmeade – disse Rony, sentando-se – Vendem essas coisas na Dervixes e Bangues, instrumentos mágicos e artigos sortidos. Foi o que Fred e Jorge me contaram.
– Vocês conhecem muitas coisas de Hogsmeade? – perguntou Hermione interessada – Li que é o único povoado inteiramente bruxo da Grã-Bretanha…
– Eu e Tio Remus conhecemos tudo de lá! Nós moramos na região! – respondeu Harry alegremente, na sua época ele nunca sabia mais do mundo bruxo do que os amigos.
– Certamente temos uma vizinhança muito agradável. – concordou o mais velho.
– Eu não poderei visitar a vila até o ano que vem! – reclamou a ruivinha, ainda no colo do moreno.
– Não se preocupe Foguinho, você conhecerá Hogsmeade mais cedo do que imagina! – sussurou Harry em seu ouvido fazendo com que ela se arrepiasse e atingisse um tom de vermelho.
– Só quero conhecer a Dedosdemel! – disse Rony com uma expressão sonhadora – É uma loja de doces que tem de tudo. Diabinhos de pimenta, que fazem a boca fumegar, e enormes Chocobolas recheadas de mousse de morango e creme cozido, e Canetas de açúcar realmente ótimas…
– Mas Hogsmeade é um lugar muito interessante, não é? – insistiu Hermione, pressurosa. – O livro…
A morena e o ruivo continuaram a discutir durante um bom tempo, acrescentando um novo tópico quando Bichento, gato de Hermione, apareceu e Rony ficou com raiva por não ter mais “Perebas” com ele. Enquanto isso, Harry e Gina dormiam abraçados em um dos bancos, assim como Remus, em outro.
A chuva engrossava a medida que o trem avançava para o norte; as janelas agora se tornavam um cinza sólido e tremeluzente, que gradualmente escureceu até que as lanternas se acendessem no corredor e em cima do bagageiro. O trem sacolejava, a chuva fustigava, o vento rugia, mas, ainda assim, os três continuavam adormecidos.
– Devemos estar quase chegando. – disse Rony, curvando-se para frente para olha a janela escura.
Nem bem as palavras saíram de sua boca, o trem começou a reduzir a velocidade.
– Legal! Estou morrendo de fome, vamos logo para o banquete e…
– Nós ainda não chegamos, Rony. – disse Hermione consultando o relógio
– Então por que estamos parando?
O trem foi rodando cada vez mais lentamente, o barulho do vento e da chuva paraceu aumentar.
Hermione levantou-se para espiar o corredor. Por todo o carro, cabeças, curiosas, surgiam à porta das cabines.
Quando o trem parou com um tranco, baques surdos indicaram que as malas despencavam de seus bagageiros. E logo, as luzes se apagaram e eles mergulharam na completa escuridão.
Harry acordou assustado. Não podiam ser os dementadores, afinal Sirius havia sido absolvido de todos os seus crimes. À menos que houvesse entre eles outro fugitivo. O garoto permaneceu atento, ainda segurando sua namorada fortemente contra si, enquanto Rony e Hermione se desesperavam.
– Silêncio! – ordenou Harry, acordando Remus e Gina, que não fizerm perguntas.
Ouviu-se um barulho de pano esfregando no vidro e Harry viu os contornos difusos de Rony desembaciando a janela para espiar.
– Tem algo se mexendo lá fora. Acho que estão embarcando no trem.
A porta da cabine se abriu e um menino de bochechas redondas caiu em cima de Hermione, a deixando envergonhada.
– Descupe! Vocês sabem… o que está acontecendo? – Neville Longbottom, questionou. E quando ninguém soube o responder, ele tratou logo de se sentar, mas ouviu um miado irritado: tentara se sentar em cima de Bichento.
Hermione queria perguntar ao maquinista o que estava acontecendo, mas sua ideia foi logo rejeitada por todos. Eles aguardaram em silêncio e quando a sensação horrível de frio e pavor se apoderou deles, Harry instantâneamente soube quem eram.
Talvez seu ano não fosse tão calmo quanto imaginara.
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