Reencontro

3 Misterioso - Helena


O dia estava ficando nublado, provavelmente pancada de chuva no final da tarde, graças a deus, senão com a quantidade de gringos na van, e o ar-condicionado da van quebrado alguém com certeza passaria mal. As janelas abertas bastariam por hora.

— Vamos descendo Helena? — pediu Lucas.

— Vamos sim, chama o seu Luis e a gente vai. — respondi.

Todas as pessoas já haviam voltado, o Cristo não estava lotado hoje então todos tiraram suas fotos, apreciaram a paisagem e voltaram rapidamente.

Depois de entrarem me senti estranha, alguém estava atrás de mim, com certeza era o Lucas com sua mania de ficar me assustando, continuei anotando a caderneta, ele não iria me pegar dessa vez.

— Nem adianta Lucas. — falei.

— Ah... me desculpa. — ouvi uma grave voz dizer em inglês, transmitindo uma estranha sensação por todo meu corpo. Eu olhei para trás e o vi, ele era indescritivelmente bonito, mas eu logo desviei meu olhar, sabia como esse tipo de homem, ainda mais vestido tão bem, procurava.

— Sim? — falei.

— Vocês ainda possuem lugares na van? Eu acabei me atrasando, perdi a minha.

Como assim perdeu a van? Nenhuma van subia com turistas e desciam sem eles, não era assim que funcionava. Mesmo assim eu cedi.

— Nós temos lugares vagos. — respondi.

Ele assentiu. Eu vislumbrei seus olhos, senti uma inquietação que me deixou ansiosa.

— Algum problema aqui? — perguntou Lucas.

— Ele vai descer com a gente. — falei.

— Lena, o seu Luís não gosta que façamos isso.

— Ai meu deus Lucas não vamos deixar o gringo desorientado, temos lugares de sobra.

— Tudo bem. — respondeu bufando.

Lucas cuidou do gringo misterioso, não sei qual era o problema dele de querer usar roupas sociais no Rio, ainda mais pra subir no Cristo, acho que ele fugiu do escritório.

Lucas subiu na parte da frente da van, com seu Luís, eu ia na parte da frente, caso alguém precisasse de ajuda.

O homem misterioso estava me observando, eu sentia, e também pudia ver pelo canto do olho. Mas não de uma forma vulgar, ele me olhava como se estivesse curioso, me estudando. Eu fiquei um pouco assustada, desviei o olhar rapidamente, mesmo assim ele não parava de olhar, estava começando a sentir que minhas pernas iriam se tornar gelatina de tão constrangida.

Paramos em frente ao Hostel, que deixou todos os turistas que também estavam hospedados.

Acho que o gringo não fazia mínima ideia de onde estava, então achei melhor ajudar.

— Olá, Senhor, você pode ir naquela rua ali, primeira a esquerda, tem um ponto de táxi, eles podem te levar para onde você preferir, onde você está hospedado, sei lá. — me dei uma tapa mental depois de falar, aquele olhar dele estava me deixando nervosa.

Antes que ele pudesse responder Lucas aparaceu novamente.

— O que tem de errado com esse cara te olhando desse jeito, pergunta pra ele Helena. — falou Lucas.

— Para Lucas! — pedi.

— Eu não sei falar inglês, pergunta ou ele vai ter que entender pela língua universal do soco no nariz. — falou.

— Bom me desculpa se causei qualquer constrangimento, não foi minha intenção, eu apenas a achei familiar. — falou ele em português assustando Lucas e a mim, depois de ser recuperar da repentina surpresa Lucas rebateu:

— Bom, então fique sabendo que é falta de educação ficar encarando as pessoas alheio. — eu queria dar um chute no Lucas, mas só ia deixar tudo mais constrangedor.

— Chega, Lucas! Desculpe, ele é assim mesmo. — falei. — Agora volta que o seu Luís ta te chamando, Lucas.

Ele me olhou me desafiando, e eu só precisei dar meu olhar de ''não vou falar contigo por uma semana'' e ele deu no pé.

— Me desculpa mais uma vez, até mais. — falei me despedindo.

Mas ele segurou meu braço, o toque dele me deixou em alerta, eu sentia meu corpo queimando a partir do ponto onde ele havia encostado.

— Mais uma vez me desculpo, mas eu não pude evitar, na verdade não te achei familiar, te achei linda.

Eu fiquei irritada, já havia entendido o que ele queria.

— Olha me desculpa, se você é algum idiota que está querendo se passar por gringo para pegar mais mulher esse seu papel está ridículo, não sei o que você acha que está parecendo vestindo esse terno italiano, querendo parecer ''rico'' ou alguma coisa mais estamos no Rio de Janeiro, você está parecendo um palhaço. Então muda a estratégia.

Ele sorriu. O filha da mãe sorriu, e além do sorriso me irritar fez minhas bochechas esquentarem, era um sorriso lindo.

— Bom, na verdade eu sou mesmo, como vocês dizem um ''gringo'', mas acontece que eu também falo português muito bem, quando eu te vi estava ainda no meu modo inglês ligado, me desculpe. E bom esse terno, eu meio que estou aqui por negócios, e sai um pouco do, é... meu escritório para espairecer.

Eu comecei a rir porque não pude evitar. O cara havia mesmo fugido do escritório, eu me recompus depois me repreender de estar sorrindo na frente dele.

— Bom, se é assim eu me desculpo, e muito obrigado pelo elogio, mas eu realmente preciso ir. — disse me retirando, senti que seu olhar ainda estava sobre mim, eu estava extremamente curiosa para confirmar o fato, mas respirei fundo e continuei andando, não Gabriela esse não era seu tipo de homem.

Não sei sei o que realmente aconteceu, talvez eu me senti atraída pelo fato dele ser estonteante, com lindos olhos azuis, pele bronzeada e cabelos castanhos claros. Normalmente beleza não me deixavam tão inquieta. Senti vontade de olhar para trás para checar se ele ainda estava lá, se estava me olhando. Mas continuei andando em direção ao Hostel.

Ponha-se no seu lugar Helena.