Reencontro
5 "..."Quero ir com ele, mas estou fazendo cena"..."
Notas iniciais
PS: Leiam sem moderação.
-B-bom, não estou achando má ideia.
-M-mesmo?
-Sim, acho até que seria maravilhoso.
-N-nossa nem sei o que disser.
-Ótimo!
Fui me aproximando com um sorriso maldoso no rosto e ele recuou um passo para trás, nervoso. Sorri e já muito perto um do outro, coloquei a minha mão em volta da sua nuca e fui me aproximando mais e mais. Ele corou. O meu rosto estava á centímetros do dele. Fechamos os olhos até que...
O despertador começou a tocar (tinha comprado um novo). Abri meus olhos e levantei-me em apenas um segundo. Senti até minha vista escurecer com tanta rapidez. Tinha acordado desse jeito não pelo despertador, como da última vez, mas pelo meu sonho que mais pareceu um pesadelo. Ficando sentada, olhei em volta e vi pôsteres, livros, televisão e um prato com uma caixa de suco ao lado, cujo fazia duas semanas que permanecia ali, me acalmei, estava em meu quarto. Mas por um segundo eu fiquei imóvel ao ver que, perto da porta e em frente a minha cama, havia alguém sentado em um pufe vermelho. No segundo seguinte já estava voltando a minha tranquilidade ao ver quem era.
-Até que enfim acordou. Mas nunca achei que acordava desse jeito, olha só, toda esbaforida.
-Hinata? , como entrou aqui? – disse, desligando o despertador com um baque.
-Pela janela. – disse apontando pra janela que estava aberta. Olhei para ela incrédula e a mesma sorriu. – Claro que não. Eu vim te chamar e sua mãe disse que ainda estava dormindo. Ela disse pra eu entrar e eu fiquei um pouco sem graça, mas já que eu sempre venho aqui desde criança... Eu decidi entrar e ficar aqui, algum problema? – disse fazendo bico no final.
-Nenhum. – disse, erguendo a sobrancelha.
-Que bom porque eu não iria sair.
-A propósito, bom-dia Hinata.
-Tente ter um bom-dia naquela escola e eu te dou um prêmio. – disse ela ajeitando a postura e sorrindo.
-Ta bom... Mas então, eu vou tomar banho, se incomoda em ficar aqui?
-Não, mas vai logo, tenho que te pedir algo.
Sem querer saber o que era, joguei uma almofada peluda nela e a mesma revidou. Levantei-me sorrindo e saí do quarto (já que a janela já estava aberta). Fui caminhando pelo corredor muito sonolenta e entrei no banheiro sem saber realmente onde estava, mas já que eu moro aqui á alguns anos, não errava. Joguei minha roupa em um canto do banheiro e fui abrindo o chuveiro devagar como fazia todos os dias. Tomei meu banho rapidamente para evitar uma briga com o Sai logo de manhã e sequei-me. Sorte que a toalha já estava pendurada no boxe, porque também queria evitar gritarias. Após já ter colocado minhas vestes, penteei meu cabelo e o amarrei em um rabo de cavalo como já estava acostumada a fazer. Sai do banheiro a tempo de ver Sai chegando e fazer uma cara feia para mim, retribui e fui para a cozinha.
-Bom dia mãe e pai. Como vão vocês? – beijei o rosto dos dois.
-Muito bem e você querida?
-Indo...
-Houve alguma coisa? – disse meu pai, me encarando.
-Nada, estou normal – sorri e ele também.
Peguei um pedaço do famoso bolo de cenoura da minha mãe e coloquei-o em um prato, e o copo enchi com suco de melancia. Fui pegando apressada e indo lá para cima. Quando estava no alto da escada ouvi minha mãe disse:
-Não vai comer aqui? Trás a Hinata também.
-Vou ficar lá em cima, aproveito e arrumo minha mochila.
-Tudo bem então. – disse ela, colocando um pedaço de bolo no prato do meu pai e o mesmo sorriu.
Fui caminhando até o meu quarto e abri a porta com total delicadeza. Ao entrar, vi Hinata sentada na mesinha no canto do quarto, onde eu costumo fazer meu dever de casa. Ela estava curvada e escrevendo alguma coisa no caderno, sua mochila estava aberta no chão perto do banquinho onde estava sentada. Sentei-me na cama e olhei para o relógio, era realmente muito cedo.
-O que veio fazer aqui á essa hora?
-Eu tive um sonho – disse ela muito dramática colocando as mãos ao vento – Sonhei com borboletas e, por algum motivo, isso me fez lembrar do dever de matemática da semana passada que eu não fiz, mas lembrei que você disse que tinha feito e pensei que iria me ajudar. – disse dando um sorriso de orelha á orelha.
-Demorou uma semana para acabar o dever?
-Na verdade eu nem comecei, estava esperando você ter a boa vontade de me ajudar. Mas cadê o seu caderno?
-Está ali na mo... Você quer ajuda ou quer logo as resposta? – pus as mãos na cintura.
-Eu aceitaria as duas opções, mas como tentar entender é muito chato eu pensei que... E já está em cima da hora, não tem como estudar.
-Você faz isso de propósito não é? Vai, admite.
-Fala onde está o caderno logo. – Hinata fez uma voz manhosa e logo depois fez um bico.
-Está lá na mochila. Diferente de você, eu sou organizada.
-Poxa Saki, – ela se levantou e pegou o meu caderno – eu sou sua amiga e você nem me conta essa novidade.
-Engraçadinha. Mas me diz, o que você diz que te fez lembrar do dever?
-Borboletas. Elas invadiram o meu sonho ontem. Foi lindo até a parte que eu lembrei da matemática. Mas foi estranho porque normalmente eu penso que deu borboletas no jogo do bicho. – nós duas rimos.
-Essa notícia seria ótima para aqueles bêbados lá da esquina.
Com meu caderno na mão, Hinata saiu da poltrona que estava e foi até a mesinha que se encontrava do outro lado do quarto. Ela se sentou na cadeira que tinha e abriu a mochila tirando de lá um caderno e um estojo. Colocou a mochila perto da cadeira no chão e esvaziou o estojo colocando todos os lápis, canetas e borracha sobre a mesa. Abriu o meu caderno e colocou ao lado do dela que já estava aberto. Respirou fundo, olhou para o relógio de parede meio rosinha e começou a copiar rapidamente.
-É verdade mesmo, mas já que eu não perco o tempo com isso...
-Hum, mas a única coisa que quero pensar é em sonhos.
-Também acho. Algo me diz que você não teve um sonho muito bom.
-E foi mesmo, mais me pareceu um pesadelo. – eu olhei para ela e a mesma me encarava com uma expressão estranha.
-O que foi que está com essa cara?
-To esperando você me contar.
-Tudo bem, é que eu sonhei que tinha dito “sim” para Você-Sabe-Quem ontem.
-Voldemort?
-O Naruto é claro. Eu tenho que falar assim se não o Sai pode ouvir e ficar perguntado quem é.
-É, mas você não disse pra ele que iria pensar?
-Disse, mas devo ter pensado demais e acabei sonhando com tal coisa.
-Mas é hoje que você vai disser a resposta á ele não é?
-Talvez não, estou sem coragem.
-Ficar se escondendo só vai piorar.
-Eu sei, mas não sei o que fazer. – olhei para do pulso. – Mas temos que ir agora Hina.
-Mas eu nem copiei tudo.
-Copia no ônibus. – atirei uma almofada peluda nela e a mesma revidou. – Se não chegarmos atrasadas ao ponto de perde-lo – sorri.
Levantei-me e peguei a mochila. Hinata guardou os cadernos e saímos do quarto. Descemos as poucas escadas que tinha e passamos pela cozinha, onde todos estavam tomando café da manhã, menos Sai que devia ter ido mais cedo.
-Estamos indo mãe.
-Tudo bem, filha.
-Cuidado vocês duas, hein? – sorriu meu pai.
Dei um beijo nos dois, peguei a chave e eu e a Hinata fomos para fora.
Encarei o relógio.
-Porque a hora não passa? – bati impaciente na mesa novamente.
-Talvez seja porque você encara o relógio a cada meio segundo.
-Shhh, Hinata. – apertei a mesa.
A diretora entrou na sala.
-Alunos, prestem atenção, a professora de história teve um imprevisto e não pôde vir.
Os alunos gritaram.
-Então estão liberados. – e logo saiu.
-Ainda bem, não aguentava mais.
-É, vamos embora graças a sua sorte.
-A minha sorte? Pra professora faltar, acho que todos têm sorte.
-Não estou falando disso.
-De que então?
-O Naruto faltou hoje. – Hinata apontou para o lugar dele. – Muito estranho.
-É, ele nunca falta...
-Sakura, você sequestrou ele? – ela olhou estranha para mim.
-Claro que não. O que eu iria fazer com uma coisa daquelas?
-Coisas... – ela olhou maliciosa para mim.
-Você é tão boba Hinata.
Ela sorriu.
-Mas mudando de assunto... Com que roupa vai ir ao baile?
-Roupa Hinata? Eu nem sei se vou ir.
-É claro que vai. Eu te conheço. Mais de dez anos de amizade e você acha que eu não iria arrancar nada dessa sua cabeçinha?
-Ah é? Então com quem eu vou?
-Amanhã, quando você soltar o Naruto do cativeiro que você o escondeu, ele vai vim pra escola e você vai falar com ele...
-E quem te garante que eu vou disser sim?
-Está escrito na sua testa: “Quero ir com ele, mas estou fazendo cena”. Esta enorme. Conheço-te. Você não consegue disser não.
-Vamos ver então.
-Mas se você for, com que roupa vai? Olha, eu pensei em você ir com um vestido azul porque combina um pouco com você. Mas é melhor você se preparar porque é um saco comprar essas coisas.
-Eu não vou precisar me preocupar, já que eu não vou com ninguém.
De tarde, em minha casa, fiquei no meu quarto durante horas pensando no que iria fazer.
Não sei porque é tão complicado aceitar um convite. Talvez seja porque eu não quero ir com ele. Mas porque eu não quero? Nem eu sei. Talvez eu esteja com medo da Karin ou a Ino implicar comigo e, também, pelo Sasuke me ver com ele. Seria horrível. Todos pensariam que eu teria um caso, mas não é verdade. Também estou com pena do Naruto. Coitado, acho que ele não merece que eu o rejeite. Se fosse um baile a fantasia eu poderia ir mascarada e ninguém iria me ver, mas eles iriam me reconhecer pelo cabelo então está fora de cogitação. Não custa nada eu aceitar e ir com ele, mas também não custa nada a Karin e a Ino me zoarem pelo resto do ano. E o comentário sobre o baile no jornal da escola? No dia seguinte eles sempre fazem uma página inteira sobre os casais e os vestidos. Com certeza eu estaria na primeira página. Minha mente diz pra não aceitar e ficar em casa, mas o coração diz outra coisa. Porque é tão doloroso disser não?
-Estou te atrapalhando?
De repente fui desviada dos meus pensamentos, tinha esquecido que marquei de fazer um trabalho com a Hinata hoje à tarde.
-Claro que não Hina, entra.
-Licença – disse entrando – Tinha esquecido do trabalho? Liguei várias vezes para o seu celular e você não atendeu, achei que tinha acontecido alguma coisa.
-Acabo que esqueci, estava pensando em umas coisas.
-Coisas?
-Sim, coisas.Vamos começar logo? – mudei de assunto.
-Tudo bem, mas me diga, onde está o seu irmão?
-Que isso srta. Hinata, acho que esta muito interessada hein?
-É que eu subi e não o vi.
-Ele saiu com os amigos malas dele e daqui a pouco está voltando, mas porque quer saber?
-Por nada Saki, vamos começar logo?
Depois de horas trabalhando, ainda estávamos no meio do trabalho. Não estou reclamando, amo fazer trabalhos, mas não posso negar que é muito exaustivo. Tem que fazer diversas coisas e a professora não ajuda em nada, manda fazer muito bem caprichado e bem trabalhado, mas se vale ponto, estou dentro. A Hinata leva esse papo de trabalho mais a sério do que eu, todos os meus trabalhos com ela saem perfeitos, com a minha ajuda também, é claro. Quando sai algo de errado, ela explode e faz tudo de novo, mas no meu caso eu entregaria assim mesmo. Estávamos muito concentradas no trabalho quando uma voz conhecida abriu a porta e disse:
-Minha mãe perguntou se vocês estão com fome e... Ah, oi Hinata. – era o Sai
-O-oi Sai, c-como vai?
-Vou bem e você?
-Também...
-Está com fome?
-Ah... Estou sim, obrigada – disse ela abrindo um sorriso envergonhada.
-Tudo bem, já vou trazer.
-Ei, e eu? — disse
-Por mim, você morreria de fome. – e logo foi embora
-Depois você diz que eu fico parecendo uma bobona falando com o Sasuke.
-Do que você está falando? – perguntou Hinata
-Nada – disse sorrindo
Logo depois de alguns minutos, Sai veio trazendo uma bandeja com torradas, suco e maçãs que pelo cheiro, foram feitas pela minha mãe.
-Demorou hein Sai?
-Não vou perder meu tempo discutindo com você Sakura.
-Vocês dois brigam hein? – disse Hinata, logo depois sorriu.
-É porque você não tem o Sai na sua casa dia após dia pra te incomodar
-Mesmo se tivesse, não seria assim.
-Você devia agradecer por não ter a Sakura vinte e quatro horas por dia pra alugar o seu ouvido – disse Sai
-Cala a boca Sai – respondi – você que é o insuportável daqui de casa
-Com você somos dois
-Para com isso gente, estou ficando sem graça – interrompeu Hinata
-Desculpe Hinata, mas ela é insuportável, concorda?
-Ás vezes, mas mesmo assim continua sendo minha amiga linda.
-Você diz isso porque é muito fofa, pois é impossível alguém gostar dela – Hinata corou com esse tipo de comentário do Sai
-Fofa né? – dei um sorriso – Mas pára Sai, assim você deixa a menina envergonhada.
-Quem não gosta de elogios? – disse ele
-Eu – disse olhando séria pra ele
-Mas é claro, não recebe nenhum – ele e Hinata riram
-Você ta achando engraçado né Hinata? Que bonito...
-Vocês dois juntos são uma comédia – disse ela rindo novamente
-Agora eu vou, vocês tem que terminar o trabalho.
-Até que enfim, já era tarde.
-Depois a gente se fala Hinata – disse, agora levando a bandeja vazia.
-Tudo bem – disse Hinata.
Depois que ele saiu do quarto, eu e Hinata voltamos nossa atenção ao trabalho. Ele demorou horas para terminar de ser feito e de ser caprichado – questão da Hinata. Mas no final, depois do sufoco, ele estava ali a nossa frente: lindo e completo.
-Está uma bosta.
-Não acredito Hinata, está lindo, olhe você mesma – disse apontando para o trabalho.
-Claro que não Sakura, está um lixo. Mas agora não dá tempo de fazer mais nada, já está tarde. Em casa vou fazer uns retoques.
-Não acredito que você vai perder seu tempo Hina.
-Não é perder tempo Sakura, o nome disso é trabalho bem feito. Amanhã a gente se fala.
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