Reencontro

6 "Hitinha é a sua mãe, Rapunzel"


Notas iniciais
Bom gente, está aí. Mil desculpas pela demora. Mas mesmo assim, não gostei muito do capítulo, sei lá o por quê. Beijinhos.
PS: Leiam sem moderação.

Ontem, quando Hinata ia pra casa, estava chovendo muito. Todo aquele sol ardente tinha dado espaço a gotículas de chuva que logo se tornaram numa tempestade. Decidi levar a Hinata em casa pelo fato dela não estar com o guarda-chuva. Já estava um pouco escura quando saímos. Quando chove, a tarde vira noite muito rapidamente. Antes de sairmos, Sai tinha acabado de chegar e cumprimentou Hinata, que logo corou. Fomos pela rua pulando poças e rindo. Aproveitamos para curtir já que a rua estava quase deserta pelo fato da chuva. Quando chegamos ao quarto da Hinata, totalmente abrigados da chuva, resolvi contar a ela no que estava pensando antes dela aparecer para fazer o trabalho. Ela me ouviu com atenção e com um sorriso, mas ela já sabia que estava pensando nisso. Aliás, eu deixei bem claro que não estava pensando nele, mas sim no assunto. Não queria ficar me escondendo, essa história está enrolando demais. O que custa disser sim? O que me custa disser não? Ficamos um tempo conversando e logo decidi o que eu iria disser. Era algo que estava esperando muito para me decidir.

-Realmente ninguém supera a mamãe quando o papo é comida. – pus na boca mais uma colherada da comida.

-Que nada filha, foi só o café da manhã de sempre!

-Ainda bem que a mamãe é assim – disse Sai – Se não, as refeições ficariam nas mãos da Sakura, e todos nós sabemos que isso seria uma má ideia.

-Que bom que você pensa assim querido irmão. – debochei.

-Está muito delicioso mesmo, — disse meu pai. – mas tenho que ir. A reunião, como disse, começa mais cedo hoje e tenho que estar lá antes de todo o mundo.

-Tudo bem querido! – Meu pai deu um selinho em minha mãe e, logo depois, saiu se despedindo de mim e Sai.

Logo depois, minha mãe saiu da mesa e foi para o banheiro tomar banho. Eu e Sai ficamos sozinhos á mesa. Ele parou de comer e olhou sério para mim. Eu o olhei meio que sem entender. Sai balançou a cabeça negativamente e disse:

-tsc-tsc – e voltou a sua atenção novamente para o prato a sua frente.

-O que foi? – falei assustada com o comportamento dele.

-Quem era aquele garoto que veio te trazer em casa anteontem?

-Q-quando? – me engasguei.

-Quando você veio com isso aí na mão.

Anteontem, quando cheguei com esse corte em casa, foi um tremendo drama. Minha mãe andava de um lado para o outro com um remédio nas mãos. Sai ficara sentado numa cadeira revirando os olhos a cada comentário de preocupação que minha mãe fazia. Além disso, é claro, queriam saber como eu arranjei aquilo. Eu sempre dizia que eu tinha caído em um jardim com pedras, mas não colou muito para eles. Ás vezes Sai sorria como se quisesse fazer algum tipo de chantagem. Papai quando chegou do trabalho ficou super preocupado. Tirou a faixa que envolvia minha mãe, e olhou para ver se tinha melhorado. Estava um pouco roxo, mas já estava sarando. Minha mãe ainda não tinha abafado essa história. “Como essa menina pode ser tão desastrada? Como? Ai meu Deus. A Hinata não estava com você? Será possível que você precisa de um batalhão de gente para te acompanhar Sakura?” ela dizia o tempo todo. “Calma amor, já está sarando, não é nada demais.” meu pai tentava acalma-la mais só piorava a situação. Ela ainda queria saber quem foi que me ajudou e levou-me até a enfermaria da escola. Eu mudei um pouco a história dizendo que tinha sido a Hinata, para evitar mais perguntas. Ela ficou insatisfeita e só depois de dormir a noite, que ela parou de falar sobre isso.

-Não sei do que está falando.

-Ah você sabe, — disse Sai. – sabe sim.

Sim, eu sei muito bem do que ele está falando. Com certeza ele me viu quando eu estava com o Sasuke. Como eu pude deixar esse descuido? Mas isso não tem nada a ver. Se ele contar pra minha mãe, eu digo que é um colega que mora aqui perto. Mas se ele contar pro meu pai, bom, é só eu disser que é um garoto da escola. Que mal tem isso? Estou dizendo a verdade. E não posso esquecer de disser que ele namora a Karin, em primeiro lugar.

-Namorando escondido Sakura? – ele sorriu malicioso.

-O-o que? Você enlouqueceu Sai? N-não, você só d-deve estar doido. Como você p-pode falar uma... Mas que coisa sem nexo Sai. Que idiotice. E-eu nunca... E-eu...

-Porque está tão nervosa? Não tem nada para esconder, não é mesmo?

-É claro que não. Nem sei por que está falando isso.

-Sei lá, só não tenho tanta certeza que você não tenha nada a esconder.

-Sério mesmo que você está achando que eu tenho um namorado? Escondido ainda? Francamente...

-Só estou querendo te disser pra você tomar cuidado. Não é legal uma moça sair por aí com qualquer um.

-Não estou saindo com qualquer um. Não estou saindo com ninguém.

-Que seja. Não estou preocupado com quem você sai ou deixa de sair, — disse ele irritado — só digo que ninguém iria gostar de saber disso.

-Desculpe disser, mas isso não tem nada a ver. Ele era só um m-moço que veio me perguntar as horas.

-Horas? Podia estar escuro, mas deu para ver que vocês estavam conversando.

-I daí? Você não liga mesmo não é? Isso não é do seu interesse.

-Eu sei, mas quero saber se vocês estão fazendo algo a mais... – sorrir maliciosamente – Algo a mais que beijar e conversar... É que eu não quero que ninguém tire a inocência da minha querida irmã.

Depois de ouvir aquilo, tempos depois de ter bebido um gole do meu suco, tossi violentamente. Fiquei corada e o olhei com raiva. Ele me encarava com o sorriso mais cínico que pude ver em toda minha vida.

-Eu não vou ficar aqui ouvindo besteiras. – peguei a mochila que estava com atrás de mim na cadeira em que estava sentada. – Além do mais, estou atrasada. Tchauzinho Sai, e mande um beijo para a mamãe, se não for muito.

-Tchau linda.

-Odeio você, seu cínico!

Sai de casa com o celular nas mãos, digitando os números com pressão e raiva. Bati a porta e fui andando pela calçada. Passei pelo jardim do meu vizinho, cujo mesmo estava regando as plantas e, quando passei de cabeça baixa, o mesmo me cumprimentou. Dei um sorriso e continuei a passar pelas outras casas que havia pela rua. Muitos aqui me conhecem, pelo fato de eu morar ali a minha vida toda, mas eu até me acostumei. Gosto muito da moça que mora na esquina, ela já é uma senhora e nos tempos livres adora tricotar. Quando passei por ela, a mesma estava tricotando um sapatinho lindo, que deve ser para a neta que está vindo por aí. Lembro que quando nasci ela foi a primeira pessoa a me dar um presente. Um casaquinho lindo que tenho guardado até hoje. No dia, ela e minha mãe ficaram tomando chá e conversando a tarde inteira. Acho até que minha mãe tem certa... Bom, não sei disser, mas ela é uma pessoa que consegue agradar tudo e todos. Tem um carinho que é da própria natureza dela. Já meu pai não fica pra trás, ele sempre falou com todos e nunca tirou do rosto o seu bem mais precioso: seu sorriso. Foi por ele que minha mãe diz ter se apaixonou há anos atrás, na escola. Eles nunca se cansam de disser como amavam um ao outro, mas tinham medo de não serem correspondidos. Quando ouso essa história logo lembro do Sasuke e eu. Ele pode me amar, mas tem medo de disser. E para estragar tudo, a Karin está no meio. Eu o amo, amo mesmo, mas de uns tempos pra cá venho andado estranha, nada que o tempo não possa resolver.

-Alô? – disse Hinata, com sua voz de sono após eu ter chegado à esquina de sua rua, que não era longe da minha.

-Oi Hinata, sou eu! – disse mais alegre que o normal.

-Ah, o-oi!

-Já estou te esperando, venha logo.

-Tudo bem, “tô” chegando.

-Tchau, beijo.

-Beijos.

Desliguei, peguei meu fone na bolsa, sentei-me em um banco que havia ali – que eu sempre sentei para esperar a Hinata – e coloquei na minha rádio predileta. Fiquei admirando o céu que estava se recompondo da chuva de ontem. Os homens com terno e gravata passavam apressados já de manhã. Mulheres de coque e parecendo intelectuais, passavam com seus carros luxuosos. E eu ali, uma estudante com um futuro pela frente. Um futuro que, como todos, não se dão para prever. Eu sempre quis ser uma profissional. Creio que faria muito sucesso. Minha mãe sempre me apoiou, mesmo querendo que eu fosse médica. Mas não quero alimentar esperanças, daqui até lá terei muito chão pela frente.

Enquanto estava perdida em meus pensamentos alguém falou algo e tocou meu ombro. Pulei do banco e me virei avistando uma garota bocejando sorridente.

-Te assustei?

-Não, imagina Hinata... Eu só fico surpresa quando, do nada, alguém toca meu ombro.

-Que coincidência, eu também.

-Você é tão boba... Então, vamos?

-Vamos.

Guardei meu fone e fui andando com a Hinata ao meu lado.

-Já está melhorando? — Hinata apontou para a minha mão, que agora já estava sem a faixa.

-Sim, um pouco.

Levantei o braço enquanto Hinata ria.

-Está rindo, né? Se fosse com você, aposto que não iria gostar.

-Sei lá, só iria achar engraçado ver você do lado do Sasuke.

-Você iria ver se não tivesse saído cedo, mas se você tivesse lá, acho que ele não iria falar comigo já que estaria com companhia – disse mais pra mim do que para Hinata ouvir. – Mas porque você tinha saído naquela hora?

Ela corou e abaixou a cabeça, meio nervosa, depois voltou a me fitar.

-T-tinha que ir ao-ao-ao m-médico.

-Médico? Mas nós não íamos ir juntas semana que vem?

-Eu sei, mas quis ir sozinha.

-Hini, a gente nunca teve segredos. Conte-me tudo.

-Bom, e-eu sai com o Sai. – ela olhou para vários lugares ao mesmo tempo, corada.

-Então, isso é... O-o quê? Desculpe mas você enlouqueceu. Sair com ele e não me contar?

-Eu iria te dizer, mas sei lá, você não iria gostar de ouvir isso.

-Não, não é isso. É que eu fiquei com uma vontade enorme de “zoar” o Sai.

-Sakura... – ela sorriu.

-E como foi?

-N-normal. – corou novamente.

-Não é isso. Vocês se beijaram?

-C-claro que não Saki. – ela me olhou incrédula. – Fomos como dois amigos.

-Impossível! Onde vocês foram?

-Jantar juntos.

-Por isso que ele... Aquele safado. – soquei o punho da minha mão direita na palma da minha outra mão, fitando o céu. Mas depois a fitei novamente. – Mas porque saiu cedo? A gente estuda de manhã.

-Tive que comprar umas coisinhas. Sabe como é né?

-Não, não sei.

-Ah, eu esqueci que você nunca...

-Pára de graça Hinata. Esta se achando só porque saiu com um cara. Se eu fosse você não ficaria muito feliz.

-Por quê?

-Ele é horrível, bobão, chato e um pervertido.

-Pervertido? Pra mim ele é um fofo.

-Ele é um pervertido sim e você sabe disso.

-Bom, — ela corou. – é mesmo.

- ELE FEZ ALGUMA COISA QUE VOCÊ NÃO QUIS?

-O QUE? – ela me olhou assustada quando entendeu o que eu disse. – Não, claro que não. Imagina... – corou.

Continuamos andando em silêncio, não tínhamos o que disser. Mas eu fiquei assustada quando ela disse aquilo. Só uma amiga, só um irmão... Não era para eu estar assim. Não era nem para eu estar pensando nisso.

-Saki, pra falar a verdade, quando você me disse ontem que iria dizer aquilo pro Naruto, fiquei ansiosa para chegar hoje de manhã.

-Por quê? – sorri fitando-a

-Sei lá, só acho que hoje promete.

Antes que pudesse responder, ouvi alguém chamando por mim e pela Hinata. A voz era conhecida, já sabia quem era. Quando olhamos para trás, vi Neji virando a esquina e correndo até a gente.

-Olá meninas. – ele ficou no meio e colocou o braço em volta do meu ombro e o da Hinata. – Como estão?

-Bem até você chegar. – Hinata cruzou os braços e olhou para o outro lado.

-Sempre simpática assim Hitinha?

-Com você sim.

-Hitinha nunca muda.

-Hitinha é sua mãe, Rapunzel. – Hinata disse dando um tapa atrás da cabeça do Neji.

-Bom apelido para me dar Hitinha, estamos quites agora. Bate aqui – ele levantou a mão, mas depois tirou. – deixa que eu bato sozinho. Mas e você Tabua de Passar Que Anda, já tem alguém para o baile?

-Não, acho que não vou. Porque está interessado?

-Só perguntei.

Fomos andando fazendo brincadeiras ridículas pela rua. Sempre fomos assim.

-Mas como ele viu?

-Não sei Hini, ele deve ter ficado escondido me espionando.

-Mas o Sai não é assim.

-Claro que sim. Ele é chato mas é superprotetor. O engraçado foi que ele disse que eu estava namorando escondido com o Sasuke... Quem me dera?

-Mas ele sabe o nome do Sasuke?

-Não, ainda bem.

-Acho que não deve se preocupar. Só um louco como o Sai pode achar que o Sasuke, um lindo, esteja namorando com você.

-O QUÊ ESTÁ DIZENDO HINATA?

Nesse momento, a professora liberou os alunos. Todos saíram desesperados, só restando eu, Hinata e o Naruto que estava do outro lado da sala. Hinata saiu me obrigando a falar com o Uzumaki. Quando o mesmo estava saindo, chamei-o ainda fechando minha mochila e ele veio pra perto.

-O-oi?

-Oi. É que eu queria falar com você.

-Pode falar. – ele abriu um sorriso de orelha a orelha. Deu para ver seu aparelho alinhando seus lindos dentes... Peraí, o que eu disse?

-Eu pensei naquilo que você me disse.

-M-mesmo? – seus olhos azuis brilhavam atrás das lentes do óculos.

-S-sim, pensei bastante e acho que é melhor... não!

O brilho dos olhos sumiu, o sorriso desapareceu... Também aconteceu isso com as palavras que eu ensaie tanto em disser.

-D-desculpe, é que eu achei...

-Não, você não precisa se desculpar. – o sorriso voltou em seu rosto. E acho que corei com um sorriso bobo após ter visto seus olhos brilharem novamente. – Confio em você e sei que fez a coisa certa.

-Ó-ótimo! Que bom que entendeu... Mas e agora?

-Bom, agora vou ir para casa, e suponho que vá para a sua também, não é?- ele sorriu e saiu pela porta.

Não era bem isso que eu quis disser com o “e agora?”.

Notas finais
Geente, ela não aceitou T-T don't kill me. Mas creio que muuuuuuuuuuuitas coisas ainda estão por vir. A história ainda nem começou. Mas então, quero avisar que eu acho que o capítulo sete vai ser um pouco menor, mas mesmo assim já estou escrevendo ele. Beijos e até o próximo.
PS: Não esqueça de mandar reviews tá? T-T Isso me deixa feliz c: