Reencarnação
11 Sem jeito
Notas iniciais
Eren
Mantive-me sentado no sofá com as pernas dobradas e juntas ao corpo, tentando prestar atenção no jogo de futebol que estava sendo exibido na televisão. Eram times alheios, não seleções de países, apenas uns clubes menos conhecidos. Não costumo assistir a jogos que não sejam de mundial, mas decidi acompanhar este por falta de opções melhores de programação. Escolhi um dos times para torcer, o de uniforme vermelho, mas eles mantinham-se num sufoco tremendo pra fazer um mísero gol. Aliás, os dois times estavam nessa. Era um pouco angustiante assistir, pois por ser ao vivo ficava a sensação de que qualquer coisa ruim poderia acontecer. E quando você acompanha desde o começo, mais nervoso ainda você passa...
– Ei, ei, Eren!! – Hanji balançou a mão em frente ao meu rosto, tentando assim chamar minha atenção.
– Ahh, o-oi? – Voltei meu olhar à moça de óculos bastante impaciente e com as mãos na cintura.
– Quanto tempo mais você pretende ficar aqui, Eren? – Ela perguntou.
– Oh, d-desculpa, Hanji... Eu estou incomodando muito...? – Perguntei tímido.
– Não, querido, você nunca é um incômodo para mim. – Ela esclareceu com um sorriso. – O que eu quis dizer foi: Por quanto tempo mais você quer ficar se escondendo do Levi?
Nesse momento deitei meu rosto sobre meus joelhos, deixando passar um pouco do meu receio.
– Hm... até o ano novo.
– Não! Nem pensar. Ahh... Francamente Eren! – Hanji começou a usar seu tom de sermão.
– Hanji, eu mal consigo olhar pra ele ainda!
– Ué, e por que não? Está fazendo muito drama.
– Eu já falei! E-eu... beijei o Levi! Na boca!! – Escondi meu rosto nas mãos. Eu ficava muito embaraçado de lembrar disso. Meu coração já acelerava só de reviver a cena em minha mente.
– E daí? – Hanji sentou-se ao meu lado no sofá, logo acariciando o topo da minha cabeça. – Não tem que sentir culpa. Eren, essa sim foi uma atitude de homem! – Ela começava a usar seu tom teatral pra se expressar. – Você foi e o atacou por conta, é assim que um homem deve agir!
– M-mas... eu já disse. Ele... ele não aprovou essa atitude, o Levi logo quis separar.
– Hum... Tem certeza? – Ela arqueou uma sobrancelha.
Apenas fiz que sim com a cabeça. Eu estava tão sem graça por aquele momento, Levi deve estar me achando um idiota maníaco agora...
– Ele nem te correspondeu...? – Hanji aproximou bem seus olhos dos meus, como se tentasse verificar se eu mentiria.
– Ah... hum... – Depois de recordar um pouco mais da cena... – É, não por muito tempo, mas ele deu uma correspondida sim...
– Ahá!! Então pode voltar pra sua casa e resolver isso com o Levi. É certeza que ele não está achando nada ruim de você. – Ela novamente tentava me arrancar de seu sofá, mas eu puxei de volta, não querendo levantar dali ainda.
– Hanji, acabei de dizer que não foi por muito tempo. O que importa foi que... ele quis finalizar...
– Não! – Hanji falou firmemente. O que me fez olhá-la. – Eu conheço o Levi. Desde o colégio, sei dos jeitos dele e de algumas historinhas que ele conta pra mim.
– Historinhas...?
– Ele sempre foi uma pessoa muito reservada nas atitudes. Posso afirmar com toda a certeza que se ele correspondeu, por menor que tenha sido o tempo, significa que ele também estava a fim.
– Acha mesmo...? – Senti meu rosto esquentar novamente ao imaginar que o Levi... naquele momento... estivesse mesmo a fim de me beijar também. Mas como eu sempre tendia a dar mais importância para o que não dava certo numa situação, voltei a lembrar de quando ele desfez o beijo por conta. – Mas... se ele queria... hipoteticamente... então por que ele separou?
– Ora, ele pode apenas ter se segurado por, sei lá, sentimento de culpa. – Explicou Hanji também reflexiva.
– Culpa...? Do quê?
– É... pensando por esse lado, é meio complicado mesmo... – Hanji coçava seu queixo com o indicador. – É que você é bem novinho, Eren. Pelo menos comparado ao Levi.
Quando ela disse isso foi que me senti mais idiota ainda. Não havia me lembrado disso. Levi tem uma aparência jovem ainda, que teve mudanças mínimas durante todos esses anos, o que me fazia esquecer um pouco sua idade. Que droga, Eren! Beijou logo a pessoa mais errada de se beijar. Não era só o fato da nossa diferença de idade, eram outras coisas também...
– Eren, olhe pra mim. – Hanji me chamou de novo. Ela sempre mantinha uma voz bem tranquilizadora nos momentos que eu precisava. Agora era um deles. – Ouça... Um detalhe pode fazer todos os poréns que estão rondando sua cabecinha não serem tão importantes assim.
– Hã? Como assim...? – Fiz uma expressão confusa. Hanji então cruzou as pernas, como índio, e ficou virada de frente para mim no sofá. Parecendo uma das meninas da minha escola, pronta para contar uma fofoca à outra. – Do que está falando, Hanji?
– Bem, eu sei que pode ser meio estranho a diferença de idade, o fato de ser um homem e de ser...
– ...uma figura um tanto paterna? – Completei, meio confirmando também.
– Hum, eu não diria paterna e sim fraterna. – Ela corrigiu. – Não parecem pai e filho nem de longe. Realmente são mais pra irmãos. Mas não é esse o ponto que quero falar!
– Mesmo assim, Hanji, ele é da minha família...
– Ele não é parente de sangue seu, não se esqueça disso. – Ela me lembrou. Eu apenas concordei com a cabeça. – A questão é que nada disso vai importar se você gostar mesmo do Levi. – Ela concluiu.
– Ah... Mas eu já gosto dele, Hanji. – Respondi, meio no tom de óbvio, já que a de óculos conviveu conosco minha vida inteira e devia saber.
– Erenzinho... – Ela ajeitou seus óculos. – Você não me entendeu... Estou falando “gostar” no sentido de ter sentimentos fortes.
– Oh... – Nessa hora me abracei mais ainda aos joelhos. – Sentimentos fortes... Não sei. Não tenho ideia, na verdade... – Confessei. – Mas de que adianta... mesmo se eu sentir algo... Não estou dizendo que sinto! É só que... não ia adiantar se ele não corresponder...
– Hum... Eu não devia contar isso a você, mas... – Hanji deu uma revirada nos olhos.
– O quê? O que é?! – Olhei-a bastante curioso diante da sua introdução. Ela deu uma olhadinha na porta da frente de seu apartamento e verificou se as janelas estavam fechadas antes de continuar a falar.
– Olha, Eren, o Levi falou comigo outro dia e disse que encontrou uma camisinha na sua mochila. – Ela falou um pouco mais baixo. Eu apenas arregalei os olhos diante dessa fala.
– Ah, droga! – Bati na própria testa. – O preservativo que ganhei na aula de orientação sexual! Eu esqueci totalmente... – Fiquei meio desesperado, achando que essa camisinha podia causar mal-entendidos.
– Há, eu sabia que era algo assim! Sei que você não é um garotinho de sair de madrugada pras participar de orgias alheias lá da avenida do centro. – Hanji cruzou os braços, bastante satisfeita com o que ouvia. – Eren, você não tem ideia de como o Levi ficou. Ele foi direto falar comigo lá no hospital, achando um monte de paranoias que você poderia estar planejando.
– N-não! D-de jeito nenhum, não faço essas promiscuidades, foi só um par de camisinhas que ganhei na aula, isso não quer dizer exatamente que eu usaria...
– É, mas o Levi não sabia disso, então tirou conclusões precipitadas. Ah, Eren, tinha que ver como ele estava cismado de imaginar você usando isso com outra pessoa... Especialmente a sua amiga de cachecol vermelho.
– Oh, a Mikasa? – Pare pra refletir. – Ahh... por isso que ele fez todo aquele questionário sobre ela outro dia...
– Sim. Com isso, posso afirmar com certeza que foi claramente uma demonstração de ciúme da parte do Levi. – Hanji completou. O que deixou um calor até que gostoso queimar em meu peito. Imaginar o Levi... sentindo ciúme. Da Mikasa comigo? É sério isso?
– Ciúme... isso quer dizer que... ele pode gostar de mim?
Hanji apenas fez que sim com a cabeça, abrindo seu caloroso sorriso. Gostar... O problema é que eu ainda não entendia bem como é sentir isso, eu se já senti alguma vez e não notei. Precisava de constatações mais concretas.
– Hanji... Como que eu sei se eu estou gostando dele?
– Bem... – Ela passou o indicador no queixo. – Digo só pra você ficar um pouco de olho nas suas atitudes quando estiver perto do Levi.
– Que atitudes?
– Hum... várias delas. Mas as principais mesmo são os gestos mais simples que imaginar...
~*~
Abri a porta vagarosamente, adentrando meu apartamento com cuidado. Já ouvi desde lá de fora o som do aspirador de pó. Era uma barulheira bem cansativa, que ouvia todo o fim de semana. Nosso típico aspirador, que esses dias, já demonstrou não funcionar tão bem como antigamente. O som dele, vez ou outra, dava umas falhadas. Creio eu que já estava prestes a pifar de vez.
Assim que fechei a porta de casa e tranquei, o som do aparelho parou do nada. Quando me virei, um Levi com lenços amarrados abaixo dos olhos e no topo da cabeça, batendo o pé, e de braços cruzados, aparentemente impaciente. Apenas ficou me fitando esperando por explicações.
– Er... L-Levi..? Hã... o-oi!! – Fiquei nervoso de novo. Achei que conseguiria falar normalmente com ele... Engano. Fiquei todo sem jeito só de olhá-lo e lembrar do que eu fiz com ele ontem e nem dei satisfação ainda...
– Por que você saiu? – Perguntou, no seu tom indiferente de sempre, enquanto abaixava seu lenço do rosto para sua voz não sair abafada.
– Ahh, é que... é que... eu q-quis sair um pouco... n-não fui muito longe...!! – Respondi. Ainda meio fulo comigo mesmo por estar gaguejando tanto.
– Você estava ali na casa da Hanji, não é?
– Er... é. Aham... – Concordei com a cabeça. Pensando um pouco melhor agora, se eu queria mesmo dar uma fugida do Levi... não foi lá uma atitude muito inteligente fugir para o apartamento do lado.
– Hunf, certo. – Logo ele jogou um lenço para mim. – Vá pôr o restante da roupa pra lavar e passe as que estão na bacia enquanto eu termino de aspirar e passar pano na casa. – Disse simplesmente, logo ajeitando seu lenço novamente e voltando para o corredor. O som do aspirador logo ficou bem audível de novo.
Eu, por um momento, apenas fiquei olhando-o se afastar. Passei a mão em meu rosto, sentindo-o levemente quente. Que estranho... Aliás, que normal... Levi agiu de forma costumeira comigo agora. Não aparentava incomodo algum na minha presença. Parece até que o beijo de ontem nem aconteceu... Ou talvez Levi apenas não tenha se afetado com aquilo tanto quanto eu... Um pensamento que me deixou meio magoado... Até fiz beiço na hora.
E assim, fui a caminho da lavanderia, arregaçando as mangas, já pronto pra terminar de lavar a roupa. Faltavam apenas as escuras. Teria que fazer umas duas sessões pra lavar todas. Como já havia dito, eu e Levi juntos tínhamos muitas roupas. Da cor preta então, Levi era campeão. Ele adorava roupas escuras, davam maior contraste com a sua pele, que era tão branquinha. Mais do que a minha...
Bem, mas não conseguia pensar em muitas coisas, logo agora que eu estava ainda num clima meio tenso com o homem com quem divido o teto a vida inteira. Mesmo Levi agindo normalmente, eu senti uma tensão entre nós. Bem ruim. Creio que ele também tinha coisas a me dizer sobre ontem tanto quanto eu. Eu devia só ser mais paciente, afinal, agora Levi estava fazendo limpeza na casa. Não era faxina pesada, mas qualquer mínima tarefa de higienização, Levi se ocupa totalmente de corpo e mente para executá-la. Era seu jeito maníaco e asseado de ser, mas que, por mais louco que fosse, era uma característica bem atraente num homem que é sempre tão carrancudo e sério. Suas manias higiênicas eram seu toque sensível.
Enfim coloquei metade das roupas na lavadora e digitei os comandos. Ciclo médio; enxaguar sim; torcer sim;
Bem, enquanto ia batendo a roupa, o jeito era passar as já limpas pra dar uma diminuída naquela pilha. Já senti um desânimo de ver a altura que estava aquele negócio. Devia ter umas duzentas peças de roupa aí. Hum... Soltei um breve suspiro cansado, montei a banca, liguei o ferro e comecei o trabalho.
Passava entediado peça por peça. Camisetas comuns e calças eu finalizava rapidinho, o que demorava era as camisas sociais, tanto as que o Levi usava quanto as minhas do uniforme da escola. Num certo momento, o que peguei casualmente foi uma boxer... vermelha? Não, era mais escuro, estava mais pra um tom de vinho. Nunca a tinha visto antes. Minha é que não era, só podia ser do Levi... Estava com uma aparência bem nova, que fora comprada há pouco tempo. Normalmente eu não olhava bem as roupas quando colocava pra lavar, só quando as passava. E essa aqui me chamou atenção, pois era uma boxer um tanto menor do que todas as outras...
Senti seu cheiro bem de perto. Era aquele cheiro bom de amaciante que eu até que gostava de sentir. Tocando o tecido foi que percebi que era bem elástico. Mas mesmo assim, pelo tamanho, acho que ficaria meio justo no Levi... contornando perfeitamente todas as suas curvas mais avantajadas... Ah... As curvas avantajadas dele...
Foi aí que chacoalhei a cabeça e mordi de leve o lábio inferior. Droga, Eren, está tendo pensamentos impróprios de novo com base numa mísera peça de roupa? “Toma teu rumo, garoto!” Como diria o Levi. Mas a imagem dele, sem sapatos, sem camisa, sem calça, apenas vestido nisso aqui era uma coisa um tanto delirante...
Chacoalhei a cabeça de novo e dei um tapa no próprio rosto.
– Não! Não!! Tenho que passar roupa! E só passar roupa!! – Sendo assim, parei com todos os devaneios e voltei minha atenção na tarefa.
~*~
Saí do box do chuveiro me secando rapidamente. Estava ansioso, pois quando terminei de passar a roupa e vim tomar banho, vi que Levi terminara de limpar todo o chão e já estava na cozinha preparando comida. Bastante comida! Eu estava faminto. Com certeza ele também. Ambos nem almoçamos hoje. Ficamos o dia todo apenas limpando e dando uma beliscada ou outra em algo na geladeira de vez em quando. Mas agora eu comeria comida mesmo e meu estômago já chamava por ela.
Depois de me vestir, corri para a cozinha enquanto terminava de secar o cabelo com a toalha. O cheiro estava bastante atraente. Levi virou-se para mim assim que me viu.
– Oh, finalmente, garoto. Demorou pra passar a roupa. – Comentou com aquele olhar inexpressivo.
– Hã? N-não foi só isso! Eu demorei pendurando a roupa lavada também! – Me justifiquei. – E-eu sempre faço o trabalho direito, não faço?
– Ei, calminha. Eu só comentei. – Disse enquanto experimentava uma colherada no arroz, ainda na panela. – Você foi bem com a roupa, por isso... – Levi colocou suas luvas para logo abrir o forno e dali retirar uma travessa... – Como recompensa pelo seu trabalho, e por ter aguentado até agora sem almoço, hoje preparei ravióli pra você. – Ele disse numa voz tão suave e gostosa que me deixou muito sem jeito.
– Hã...? – Senti meu rosto esquentar. – P-pra mim...? – Esse “pra você” que ele disse foi como um tiro que acertou em cheio meu coração fazendo ali uma chama muito agradável queimar. Desestabilizou-me todo vê-lo estender a travessa em minha direção.
– Vê? Faz tempo que eu não fazia esse prato. Ontem mesmo lembrei que você adora, então resolvi preparar hoje pra dar uma variada... – Levi ia falando comigo ainda naquele jeitinho mais suave. Parecia que tudo ao redor havia ficado mudo temporariamente. Ele continuou falando, mas parei um pouco de prestar atenção no que dizia e ficava apenas o olhando. Vendo o quanto ele pode ser charmoso quando quer. Será que ele estava ciente do olhar que estava fazendo agora pra mim? Eu percebi que estava mais diferente do seu olhar inexpressivo de sempre. Meu coração acelerou mais agora. – ...Eren ...? Eren?
Somente quando Levi balançou a mão na frente dos meus olhos foi que dei umas piscadas, saindo de meus devaneios.
– Enxuga essa saliva escorrendo aí e vem logo jantar. – Chamou, logo passando por mim, colocando a travessa de ravióli na mesa e voltando para buscar o arroz.
– Ah, s-sim! – Fui até a cadeira do outro lado, sentando-me simultaneamente com o Levi, que ficou bem de frente a mim. – Wow, parece muito bom! – Comentei olhando os pasteizinhos de massa banhados a uma boa quantia de molho branco e vermelho.
– Espero que eu ainda esteja com prática nisso, já deve fazer uns três anos que não preparo um ravióli. – Comentou enquanto colocava um pouco do arroz em seu prato.
Começamos a jantar normalmente, o clima mostrava-se bastante normal entre nós. Levi parecia mais preocupado em saber se eu tinha ou não gostado do ravióli do que sobre o que houve ontem. Mas eu disse que estava muito bom, como costumava fazer antigamente. Logo ele perguntou se eu havia passado mesmo toda a roupa limpa ou se estava apenas o enrolando. Comentei que eram muitas, mas fui até o final, sem muitas enrolações. Aproveitei pra comentar...
– Levi, acho que devíamos comprar uma secadora pra já se livrar do trabalho de ter que pendurar peça por peça naqueles varais minúsculos.
– Hum... Não comprei porque essa coisa é muito cara. Sem falar que não sei se ela estraga o tecido das roupas... Pois bem, pensarei nisso depois. – Ele terminava seu prato. Embora o clima estivesse mais suave entre nós, eu ainda estava com a pulga atrás da orelha de saber se ele ignoraria o beijo de ontem ou não... Isso ainda me incomodava e eu queria muito perguntar. Mas só de pensar em falar no assunto eu já ficava sem jeito de novo... Será que... ele estava fazendo de propósito? Ele não tocava no assunto só pra ver se eu falava primeiro? Um teste!
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