Reencarnação

6 Pirralho problemático


Notas iniciais
Oiee, voltei!! Demorei bastante, mas foi pq esse capitulo foi bem grande, espero que vocês me perdoem, por isso =3= hueheuhee Ah, e por maior votação, neste cap temos o Eren ainda com 9 anos, ok? Agora eu queria super agradecer à TMindy pela sua fofíssima recomendação. Muito obrigada ♥ E agora, sem enrolação, boa leitura, amores ♥

Levi

Era um sábado. Nem eu e nem o pirralho tínhamos coisas a fazer hoje, então o trouxe a um passeio no parque da cidade. Ele achou de primeira que eu estivesse falando de um parque de diversões, mas não. Estava me referindo à grande área verde, a maior da cidade. Era um lugar muito bom e espaçoso.

Hoje estava bem cheio. Muitas crianças. Várias delas aparentavam ter a idade do Eren, que agora estava com nove anos. Uns estavam empinando pipas, outras brincando de pega-pega, outras ainda jogavam bola num campinho cercado com uma grade. Eren logo puxou meu braço, pedindo permissão se poderia se juntar a eles. Eu primeiro dei uma boa olhada nos meninos que estavam ali jogando. Todos aparentavam ter a mesma altura do Eren, um pouco mais altos que ele. Então, respondi que podia, só que tomando bastante cuidado, ele pode ter crescido um pouco mais, mas continuava desastrado.

Lembro-me de ter comprado uma bola de basquete para ele, e assim que pegou-a em mãos lançou-a com tudo na parede e ela bateu de volta em sua cara. Ou da vez que ele tentou descer a escada do prédio correndo, ele pisou no próprio pé e rolou cinco degraus adiante. Ele sempre chorava no final.

Bem, mas era melhor não pensar muito nos desastres que poderiam acontecer, ou eu me tornaria como aqueles pais chatos que não deixam o garoto tentar nada novo. Tenho que dar liberdade a ele também.

Eren logo correu na direção daquele campinho. Eu, por outro lado, fui na direção contrária, até uma das árvores do amplo espaço aberto e gramado ao redor do campinho. Sentei-me e apoiei as costas no tronco, já ficando de olho no Eren mesmo de longe.

Logo aqueles meninos começaram a jogar. Era futebol e Eren até que conseguia acompanhar o ritmo deles. Só percebi um menino do outro time olhando meio feio para o Eren. Isso me deixou meio cismado, mas não creio que ele encrencaria com o garoto... Ou pelo menos espero que não.

Dei uma espreguiçada, cruzei as pernas, peguei um livro da mochila e comecei a lê-lo ali.

...

Quando dei por mim, havia cochilado. E só despertei depois de ouvir uns gritos estranhos. Assim que abri meus olhos e fitei o campinho, notei um certo tumulto ali.

“Ué... O que pode ter acontecido...?”

Foi quando me lembrei que Eren estava ali naquele campinho também.

“Droga! Será uma briga?”

Pelas vozinhas finas de crianças discutindo, não havia dúvidas. Eu imediatamente, coloquei a mochila nas costas e corri na direção do tumulto. Eu estava meio longe, então não dava pra enxergar muito bem, mas deu pra ver logo que eles estavam brigando. Não todos, apenas dois deles. E como a vida é sempre bastante solidária comigo, um deles tinha que ser o Eren. Os outros apenas incentivavam a luta dos dois. Ele arrumou encrenca exatamente com aquele que o estava encarando feio no começo do jogo.

Conforme me aproximava do campinho, percebia que o Eren batia. E quando digo batia, quero dizer que ele não apanhava. Dei uma desacelerada na minha corrida, até parar. Fiquei olhando aquilo um tanto impressionado. Eren, mesmo sendo menor, não deixava aquele menino bater nele. “Wow, está virando homem, Eren” Foi o que pensei.

Eu sei que era errado, digamos, ficar feliz vendo seu garoto bater em um outro maior do que ele... Mas é que Eren sempre apanhava nas briguinhas de escola. Muitas vezes, ele ia pra aula e voltava chorando pra casa, cheio de machucados, no rosto, nos braços, e nos joelho, devido suas possíveis quedas. Até hoje não entendo porque esses garotos implicavam tanto com ele, mas me dava uma angústia ver que ele sofria na mão deles. Agora... digo que... finalmente ver Eren ganhando uma briga era um tanto satisfatório pra mim, por mais errado que fosse, mas isso mostrava que podia se virar sem mim.

Um homem velho logo chegou ao meu lado, curioso.

– O que está havendo ali?

– Ao que parece, é uma briga de crianças... – Respondi.

– Oh, olha só aquele baixinho... está mandando ver! – O velho comentou.

– Hunf. Aquele ali...? – Enchi o peito pra falar. – É meu garoto. Aprendeu comigo. – Disse todo convencido, cruzando os braços.

– Wow, esse garoto futuramente vai se virar bem nesse mundo violento de hoje.

– Ah, meu garoto se vira bem em qualquer lugar...! – Falei.

Foi aí que notei que o garoto maior começara a chorar. De repente um cara, ou melhor, um menino bem maior apareceu. Era enorme, tinha o meu tamanho, e mais cheio... com “mais cheio” quero dizer gordo! Eu já tive um mau pressentimento.

– Quem está machucando meu irmão? – Ouvi, de longe, o grandalhão perguntar.

– Droga! Com isso aí ele não se vira! – Exclamei logo voltando a correr na direção do campinho. O velho apenas riu e mandou um “boa sorte” para mim.

– Foi aquele ali... – O menino, chorando, apontou para o Eren, que apenas ficou em posição de luta.

– Ah, é? Você aí, pivete! Por que machucou meu irmão? – O grandalhão foi indo pra cima do Eren. “Droga, eu não vou chegar a tempo”

– Ele me machucou primeiro! Eu não tinha feito nada...! – Eren retrucou.

– Ah, cala a boca, você vai levar essa por machuca-lo... – O garotão já fechou o punho e a levou com tudo na direção do rosto do Eren. Mas, com sufoco, consegui chegar no campinho, entrar na frente do Eren e segurar o punho do grandalhão, antes que o acertasse.

– Oe... vai com calma aí, colega. – Falei já franzindo o cenho. O gordinho tomou um susto e arregalou os olhos para mim.

– Ué, de onde você veio? Quem é você?! – Perguntou livrando-se de minha mão.

– Não te interessa.

– Levi! Por que, veio? Eu já ia acabar com os dois! – Eren falava confiante.

– O que você disse, seu nanico?! – O grandalhão já ia pra cima do Eren novamente.

– Oe! – Impedi seu avanço com o braço. – É só uma criança... Por que está dando tanta importância assim?

– Ele bateu no meu irmão! – Disse apontando o menino. Logo vi umas leves marcas no rosto dele. Mas para mim não pareciam grande coisa. Eren já voltou pra casa muito mais machucado do que esse menino.

– Isso não é justificativa pra você bater no meu garoto! Olhe pra si mesmo, deve ter quanto? Uns catorze anos? – Dei uma boa analisada nele todo.

– Você é o irmão mais velho dele? – Perguntou o gordinho, apontando para o Eren. – Então vou bater em você!

– Nossa, que meda...! – Falei irônico para ele. Quando dei por mim, Eren tinha corrido até o outro menino e já estavam brigando de novo. – Eren, o que está fazendo?!

O gordinho aproveitou minha distração para me acertar um soco no rosto, dei uma cambaleada até apoiar-me na grade. Dei uma massageada no local. Se ele tivesse acertado meu queixo com aquela força, eu teria sido nocauteado. Força aquele gordinho tinha bastante.

– Levi! – Eren virou-se, pra ver o que houve comigo. Aproveitando-se também da distração dele, o outro menino acertou seu rosto, fazendo Eren sair de cima dele. Logo o gordinho pegou Eren pela gola da camisa, pronto para golpeá-lo.

Com aquela veiazinha pulsando em minha testa, apenas avancei até aquele grandalhão, por trás e fechei um de meus braços em torno de seu pescoço, num mata-leão. O cara logo soltou o Eren e tentou desesperadamente se livrar de meus braços, sentindo-se sufocar. Bem, eu não ia matá-lo, isso era só pra ganhar tempo, pois eu via outros garotos maiores se aproximando do pirralho.

– Eren, corre!! – Ordenei.

– Mas... e o Levi?

– Corre logo! – Falei firme e o garoto finalmente saiu do campinho. Uns cinco meninos, junto ao que estava apanhando do Eren, correram atrás dele. “Cadê o guarda do parque, nesses momentos?”

Quando o gordinho deu uma fraquejada e se ajoelhou, eu o soltei, deixando-o dar uma respirada. Logo, pus-me para correr e encontrar com o Eren.

– Maldito, desgraçado! Quando eu te encontrar novamente, você está frito!! – Ameaçou ainda meio ofegante.

– Hunf. É? Me pega então, obeso! – Provoquei porque eu sabia que ele não viria atrás de mim agora. Depois de um mata-leão, leva um tempinho até se recuperar totalmente. E, bem, eu não poderia ser visto brigando com aquele garoto, por mais que eu aparente ser mais jovem, poderiam pegar meus documentos e veriam que eu estava batendo num menor, aí eu iria preso. A única opção agora era pegar o Eren e sair da vista desses moleques.

Eu corri, corri e corri. Passei por vários lugares do parque. Olhava pra todos os lados, até finalmente avistar o Eren, vindo em minha direção ao longe. Aqueles meninos continuavam atrás dele. Encostei-me à parede do banheiro que ali havia, ficando fora da visão deles. Assim que Eren chegou perto, chamei-o e ele correu em minha direção. Agarrei seu braço e o levei pra dentro do banheiro. Os cinco garotos logo passaram reto, não notando nosso esconderijo. Ficamos ali em silêncio, esperando o som dos pés daqueles garotos ficarem bem distantes. Mantive Eren colado ao meu corpo tempo todo.

– Já foram? – Eren perguntou bastante ofegante. Coitado, deve ter corrido mais que a vida.

– É, acho que já... – Falei, colocando a cabeça pra fora da porta, verificando se a barra estava limpa. – Não tá com sede, não? Tá todo suado.

– Aham. – Ele fez que sim com a cabeça. Estranhamente não parava de fitar o chão.

Vi um bebedouro ali. Era meio alto pra ele alcançar sozinho, então peguei Eren no colo, o levando até lá. Ele inclinou-se e deu boas goladas da água. Sentia seu corpo bastante quente. Hoje, definitivamente, foi o dia que ele mais gastou energia assim de vez.

~*~

No caminho de volta pra casa, Eren ficou quieto a viagem toda. Apenas balançava os pezinhos, que ainda eram curtos para alcançar o piso do carro. Eu, sem parar de prestar atenção no trânsito, olhei seu rostinho emburrado pelo retrovisor.

– Eren.

– ...

– Ereen...

– ...

– Me responde, pirralho!

– O que...? – Ele disse, agora com um tom meio estranho.

– Você tem ideia na onde se meteu?

– Hum... – Ele apenas fazia um bico, mas se recusava a olhar para mim. – Sei...

– Então! Por que resolveu entrar numa briga de novo?

– Mas ele me provocou...

– Não interessa! Não é pra você criar briga com ninguém! – Falei duro. Tá certo que... eu até que o tinha apoiado de longe, quando ele quem estava ganhando, mas... bem, o certo mesmo é não brigar.

– Mas...

– Sem “mas”! Olha aí como você ficou! Todo acabado!

– Foi só uma ralada...

– Uma ralada o caramba! Eu vi o roxo aí em seu rosto.

– Hunf... – Ele cruzou os braços, fazendo cara de birra.

– Hanji vai dar uma olhada em você, assim que chegarmos em casa. – Disse no final. E depois, não conversamos mais nada até chegarmos no prédio de Hanji, que... agora era nosso prédio também.

Eu e Eren nos mudamos para o apartamento ao lado do de Hanji. Lembro de ela ter nos avisado quando a família que ali morava, se mudou e logo passou o preço. Já que estava até em conta, resolvi ir para lá. E era melhor que a quitinete, primeiro pelo fato de ter dois quartos. Agora que Eren está maiorzinho, era bom ele ter seu próprio espaço, e eu o meu. A sala de estar, de jantar e a cozinha eram, digamos, juntas como o da quitinete, mas a cozinha era separada da sala por um balcão. E tinha um único banheiro, mas como eu e o garoto já éramos acostumados com esta condição, não liguei pra esse detalhe.

Assim que chegamos ao prédio, subimos pro nosso andar e adentramos o apartamento, dei de cara com a doida na minha cozinha.

– Quatro-olhos?! – Tomei um puta susto.

– Hanji...? – Eren também foi pego de surpresa.

– Ora, ora, bem-vindos de volta! Fiz panqueca doce! – Ela falava normalmente, no seu humor imortal.

– Por que entrou aqui? – Perguntei.

– Ora, meu horário de plantão acabou, e estava entediante ficar em casa... então vim aqui fazer umas panquecas pra quando vocês voltassem! – Respondeu sorrindo, logo notou o rosto machucado do garoto. – Ué... Eren, o que houve com você?

– Nada... – Ele virou a cara e foi indo para o quarto, mas eu segurei seu braço.

– Ele brigou com uns meninos no parque. – Falei olhando a de óculos. Eren tentava se soltar de mim, mas não tinha força suficiente.

– Oh, espere um pouco então. – Hanji encheu um pedaço de pano com três cubos de gelo, fazendo uma trouxinha com ele. Eu, por sua vez, já peguei Eren no colo de novo e o coloquei sentado na mesa. A quatro-olhos logo colocou o gelo na área roxa de seu rosto. – Ainda dói, querido?

– Um pouco... – Ele respondeu, de forma meio seca. O que houve com esse garoto de repente? Eu estava estranhando seu comportamento.

Hanji aproveitou e levantou a barra de suas calças pra ver seus joelhos. Ele havia ralado os dois, além de haver marcas roxas.

Ela pegou umas bandagens na gaveta e aquele remédio que arde pra passar em machucado.

– Ah, não! Hanji, por favor, esse não!

– Calma, calma não vai arder se você não pensar que vai. – Hanji tentava amenizar o medo que ele tinha daquele remédio.

– Mas vai! – Ele insistia.

– Garoto, seja homem! É só um ardidinho de nada! – Falei. – Prefere ficar sem, deixar encher isso aí de bactéria pra pegar uma infecção mais tarde?

– Hã...? – O garoto ficou branco depois da minha fala. – P-pode passar, Hanji...

A de óculos apenas balançou a cabeça com ar de “Levi, você exagerou de novo nos argumentos, ele é só uma criança!” e passou aquele remédio nos joelhos do garoto, que deu leves gemidinhos de dor, logo cobrindo o machucado com algumas tiras de bandagens.

Eren, ainda segurando o gelo no rosto, já desceu da mesa e ia correr para o quarto, mas novamente, eu segurei seu braço.

– Como é que se diz, Eren? – Olhei-o fixamente e não o soltei até que respondesse.

– Hunf... o-obrigado, Hanji...

– Por nada, querido. – Ela respondeu amorosamente, mas já percebendo que Eren parecia chateado com algo.

– Por que você está agindo assim, Eren? – Perguntei sem muita paciência.

– Por nada! Me solta!!

– Cuidado com esse tom, pirralho. Acabo com isso rapidinho. – Ameacei.

– Eu dava conta deles sem a sua ajuda! – Falou e eu estranhei.

– Por que está falando assim agora? Se eu não tivesse aparecido, você teria parado lá no hospital!

– Mas... Você me acha fraco, mas... eu sou forte! Eu consigo! Me solta, Levi... – Falava já num tom meio choroso. O último fiozinho de paciência estava pra arrebentar. Agachei ao seu lado e falei mais baixo.

– Responde, por que você tá fazendo essa birra assim de repente?

– Não!! – Ele falou no grito.

– Não?! Você não vai me responder?

– Não!

– “Não” o que?! Responde direito pra mim, pirralho!

– Eu te odeio!

Foi aí que eu arregalei os olhos, e sem querer afrouxei a mão, permitindo que ele escapasse de mim e corresse para seu quarto, fechando a porta com tudo. Eu apenas fiquei parado, olhando em sua direção. Sua última frase me deixou chocado e sem reação.

– Levi... – Hanji agachou-se ao meu lado, passando a mão em minhas costas. – Deixe ele agora. É só uma criança, às vezes acontece essas explosões do nada. – Ela explicava.

– ... – Eu nada respondi. Apenas fitei o chão.

– Deixe ele sozinho pensando um pouco, depois vá fala com ele.

– Hm...

~*~

Depois de um bom tempo, agora estava eu sentado no sofá vendo televisão. Hanji havia ido embora há umas três horas. Erwin chamou-a de última hora para ajuda-lo no atendimento de um paciente numa situação de urgência. Como amiga, ela sempre ia quando era o loiro que pedia.

Mas agora eu estava sozinho na sala. Mesmo bons programas ainda não me faziam parar de pensar no Eren. Tá certo, é uma criança. Tinha lá suas explosões, mas... essa foi a primeira vez, na vida, que ele disse “eu te odeio” pra mim. Do nada! E isso... por mais pura birra infantil que fosse, me machucou mais do que o soco daquele gordinho. Eu não sei bem o que ele está pensando de mim agora, mas eu tinha que conversar com ele...

Levantei-me do sofá e fui para a cozinha esquentar no micro-ondas algumas das panquecas doces que Hanji fez para nós. O pirralho não comeu nada desde que voltamos do parque.

Fui com um pratinho cheio até a porta de seu quarto e abri-a bem de vagar. Fitando pela fresta, vi que Eren estava deitado na cama, de bruços, por cima do edredom e com a cabeça enfiada no travesseiro.

– Ei, Eren...? – Chamei-o, bem baixinho, enquanto adentrava o cômodo. – Eu trouxe panqueca da Hanji. Não quer? – Conforme ia aproximando de sua cama, pude ouvir baixos e abafados soluços. – Eren? – Coloquei o prato no criado-mudo e sentei na beirada da cama. – Está chorando?

Ele mantinha o rosto no travesseiro por mais um tempo, mas de repente ele se levantou e logo agarrou-me, num abraço desesperado.

– Desculpa, Levi! Desculpa, desculpa, desculpa, desculpa... – Ele falava em meio ao choro.

– Hã? – Eu o olhava meio surpreso pela atitude repentina. – Por que está se desculpando...?

Ele então afastou-se um pouco até conseguir me fitar nos olhos.

– Eu falei que te odeio... e agora você está bravo comigo... – Ele olhava-me sem graça. – Mas eu não te odeio. Eu gosto do Levi... gosto muito! – Novamente abraçou-me. Eu, diante de sua atitude, deixei escapar um leve riso e abracei-o de volta, colocando-o sentado em meu colo.

– Que bom ouvir isso...

– Levi gosta de mim também... né? – Ele fazia um olhar bem mais sereno agora.

– Claro. Eu gosto muito do Eren também. – Falei, apertando de leve seu nariz. – Por isso, eu não gosto de ver você chateado comigo... – Eu sempre tinha um pano limpo em meu bolso, então peguei-o e enxuguei as lágrimas que ainda escorriam. Aproveitei pra limpar seu rosto todo também. – Pronto... Chega de chorar por hoje?

– Aham... – Ele fez que sim com a cabeça.

– Não vi muita firmeza nessa resposta. De novo: Chega de chorar por hoje?

– Sim!

– Ah, bem melhor. – Comentei e ele riu. – Agora você pode me falar, por que ficou fazendo birra?

– Hm... – Ele desviava o olhar. – Aquele menino... ele me irritou muito. Ele me empurrou um monte de vezes durante o jogo e me fez ralar os joelhos. – Eu olhava compreensivo pra ele. Penso que, no lugar dele, eu acabaria fazendo a mesma coisa, pela curta paciência que eu tinha. – Eu queria... bater nele sozinho...

– Eren, já falei que não é pra brigar...

– Eu vi você me apoiando, Levi.

– Er... – Engoli seco, dando uma coçada na parte de trás da cabeça. – É que, bem... Foi uma atitude errada também, eu devia ter ido direto lá e parado a briga.

– Mas eu queria resolver tudo sozinho.

– Mas você viu o que aconteceu? Apareceu um cara muito maior querendo bater em você também. Como você ia sair dessa sozinho?

– Hm...

– Eren, nessas horas você tem que correr.

– Não, não quero parecer covarde!

– Não vai parecer covarde, vai apenas mostrar que você é mais esperto e ligeiro que eles.

– É... Mas...

– Eren, acha que a mamãe ia ficar feliz de ver você brigando com outros garotos e voltando pra casa machucado? Acha que ela ia gostar?

– ... Não... – Ele respondeu sem graça.

– Então. Lembra onde a mamãe está?

– Uhum... Mamãe tá no céu...

– Isso mesmo. Ela tá vendo tudo o que você está fazendo de lá de cima... Então por favor, Eren, me prometa... Nunca mais brigue com ninguém.

– Tá bom, eu prometo...!

– Hunf. Muito bem então. – Acariciei seus cabelos. – Aqui, coma suas panquecas. – Estendi o prato a ele.

– Obrigado! Eu tô faminto... – Logo pegou o prato nas mãos e começou a comer.

– Só cuidado pra não sujar a cama... ou melhor, levanta daí! Vamos pra mesa. – Chamei-o e assim ele veio me seguindo até a sala de jantar, sentando-se na cadeira. No meio do caminho, o telefone tocou, aliás, o interfone. Logo atendi pra ver o que porteiro queria. Eren, sentado à mesa, olhava-me curioso, pois sabia que quando o interfone tocava, é porque tínhamos visita. Virei-me para ele com um sorriso de canto. – O Armin está aqui, Eren. Já mandei ele subir.

– Oba! – Eren logo ficou mais feliz e ansioso por ver seu amigo, Armin, um menino loirinho, menor do que ele. Tinha um corte de cabelo que parecia um chanel repicado. Lembro que da primeira vez que eu o vi, achei até que fosse uma menina. Com seus traços delicados e olhos azuis maiores que os do Eren, foi meio inevitável essa primeira impressão.

Era o único amigo que o pirralho tinha, então acho bom ele preservá-lo. Armin já havia vindo aqui em casa várias vezes, ou pra fazerem lições da escola juntos ou pra brincarem. Pelo que notei, Armin era calmo e inteligente, entretanto não era muito bom em esportes ou brincadeiras que precisasse agir, mas mesmo assim se deu bem com Eren, que tinha gostos um tanto opostos.

Assim que a campainha tocou, Eren desceu da mesa e foi rapidamente abrir a porta para seu amigo.

– Oi, Eren! – O loiro logo o abraçou.

– E aí, Armin?

– Olá, senhor Levi. – Ele formalmente também me cumprimentou.

– Pivete, já falei que não precisa me chamar de senhor... – Disse enquanto preparava um chá.

– Oh, desculpe-me! – Armin inclinou-se em gesto de respeito. Eu dei um discreto riso. Armin era, digamos, meio apavorado e preocupado em fazer sempre o correto. Achava esse jeito num menino na idade dele bem peculiar.

– Hunf, certo... vão brincar, então. Vou preparar o jantar.

– Tá bem! Vamos pro meu quarto, Armin! Vou mostrar a nova fase que eu cheguei...!

– Ok.

E assim, os dois meninos foram, provavelmente jogar aquele game estúpido. Enquanto isso, fiquei na cozinha, preparando arroz, uma salada e até me animei em fazer ravióli para acompanhar, já que Armin estava aqui. Sem falar que Eren adora comer ravióli. Foi umas das receitas que aprendi do Erwin, pode não parecer, mas aquele louro cozinha bem pra caramba.

Enquanto esperava o tempo da massa no forno, ouvi um barulhão do quarto do pirralho, e um grito de susto dos dois meninos. Rapidamente corri até lá, abrindo a porta escancaradamente.

– O que houve...? – Arregalei os olhos ao deparar com uma cena bastante bizarra. Não sei como ele foi parar lá, mas Eren estava pendurado, com o cós da calça enroscado na parte de cima da porta do armário, que se encontrava levemente tombado pra frente, prestes a cair. – O que você fez, garoto? Olha só as situações que você se mete... – Rapidamente fui, primeiramente desenroscar a calça do Eren. – Armin, fique um pouco longe, vai que essa coisa caia em cima de você...

Ele assentiu e veio atrás de mim. Assim, pude soltar o Eren e coloca-lo no chão, para enfim empurrar o armário de volta no lugar.

– Eren... Que merda você estava tentando fazer?

– É que, eu queria mostrar pro Armin que eu não tenho medo de altura... então subi no armário. Mas na hora de descer...

– Ah, tá... Já entendi. – Massageei levemente as têmporas. Imagina o que esse moleque já deve ter feito quando eu não estou em casa. – Olha, não suba mais no armário. Você ia se machucar feio se eu não estivesse aqui. Podia ter machucado até o Armin!

– Desculpe... – Eren dava seu sorrisinho manipulador, tentando me fazer não ficar bravo. Eu dei um pesado suspiro.

– Hunf. Tudo bem... Bora os dois pra mesa. O jantar já está quase pronto. – Dito isso, os dois baixinhos correram pra sala de jantar.

– Oba, ravióli! – Os dois falaram juntos, identificando o cheiro do forno, enquanto sentavam nas cadeiras.

– Ah, Armin, você não é alérgico a lactose, né? – Perguntei pra confirmar, pois ele tinha alergia a alguns alimentos, mas não lembrava especificamente qual.

– Não, só a soja. – Ele respondeu.

– Ah, então tudo bem. – Retirei os pasteizinhos do forno, despejei-os numa travessa e coloquei na mesa para eles já irem se servindo. – Esse ravióli aqui é de queijo, viu.

– Obrigado, senhor Levi... er, quer dizer, tio. Não, quer dizer... – Armin agradeceu, mas sempre se enrolava na forma de me chamar.

– Só Levi, Armin. – Falei.

– Er... Certo, então, Levi.

– Ah, Levi! – Eren chamou-me. – Armin pode dormir aqui hoje?

– Hum, claro. – Olhei para o lourinho. – Mas você avisou seu avô?

– Ainda não, aviso agora...

– Opa, calma, ainda são sete horas. Pode comer com calma, depois você liga. – Falei tranquilamente, acomodando-me à mesa também. Eren logo sorriu por ter a companhia de seu amigo.

– Não, melhor falar logo. Meu vô fica bravo se eu demorar nos avisos. – E assim, o pequeno loiro desceu da cadeira e foi até o telefone. Ele já era bem acostumado à nossa casa, então já fazia coisas sem perguntar onde ou como.

– Ah é! Levi, eu ia te perguntar... – Eren chamou minha atenção.

– Hum?

– É que... entrou uma menina nova na nossa sala.

– Oh, e daí? Gostou dela, por acaso?

– Não, nãoo... O nome dela é Mikasa. Mikasa Ackerman. Que nem você, Levi...

Nesse momento fiquei olhando pensativo pro garoto.

– Você já falou sobre mim a ela? – Perguntei.

– Não, nem conversei com ela ainda.

– Hm... – Dei mais uma garfada em minha comida. – Não mencione meu sobrenome pra ela.

– Por que?

– Apenas não a deixe saber.

– Hum... tá bem então. – Ele continuava comendo. – Levi... Será que... ela é sua parente?

– O quê?

– Quer dizer que ela é mais sua família do que eu?

– Não. Claro que não, Eren. Você é minha família, junto com Hanji, Erwin e Mike. – Com essa minha resposta ele deu um largo sorriso. – Me escuta, eu te garanto que não tenho parentesco nenhum com essa menina, ok?

– É mesmo? Por quê?

– Um dia eu te explico, mas não agora.

– Hm, tá bem. – Ele logo voltou sua atenção para seu prato.

~*~

Era quase meia-noite. Já havia colocado os dois pra dormir. Estendi um colchão para o Armin ao lado da cama do Eren. Tive que ficar lá com eles brincando daquele jogo do alfabeto, em que tínhamos que falar nomes de objetos cujas iniciais sejam ditas em ordem alfabética. Ficamos nisso até eu ver que os dois estavam quase pegando no sono.

Agora eu estava novamente no sofá da sala. Mesmo sendo bem tarde, Hanji me ligou. Pois é, mesmo morando ao meu lado, ela preferiu falar comigo pelo telefone. Claro, afinal ela fala muito alto, sem perceber, acho que ela sabe que acordaria Eren e Armin se viesse até aqui. Ela estava acabando de me contar no que teve que ajudar o Erwin no hospital.

Nossa, Levi, mas eu fiquei meio nervosa, foi minha primeira assistência numa cirurgia do coração. – Ela falava um tanto empolgada.

– Hm... Imagino a pressão.

Erwin até que estava bastante calmo.

– Hunf, ele sempre é calmo. – Comentei revirando os olhos.

Pois é...! – Ela deu um breve riso. – Ei, mas e o Eren? Como ele está agora?

– Hum... É, ele parou com a birra... Pediu desculpas e agora está alegrinho, como sempre, de novo...

Há, viu só! Eu falei pra você não esquentar. Ele ama você, Levi!

– Hum... “ama” é uma palavra meio forte, Hanji...

Como assim? Claro que não. Você logo vai ver...

Dei um riso sem querer.

Do que está rindo? – Ela perguntou curiosa.

– É que eu estava lembrando de algumas coisas que já aconteceram... coisas meio estúpidas.

Tipo o quê? Me conta! – Ela pedia, curiosa.

– É que... bem, lembra? Eu saí com algumas garotas depois do Eren fazer cinco anos.

Ahaam... é, lembro, e digo que você tem um péssimo gosto. – Ela falava irônica.

– Cale a boca, a última com que saí era bonita.

É... era a melhorzinha comparado as anteriores, mas enfim.

– Hunf, sabia que... cada uma delas que eu trouxe para casa, o Eren deu um jeito de espantá-la?

Hã? O quê? – Hanji deu muitas gargalhadas do outro lado da linha. – Como assim, cara? O que ele fazia?

– Ah, várias coisas... Xingava a garota, fazia-a passar vergonha, falava mal até de mim. Teve o caso daquela ruiva...

~Flashback~

Eu tinha chamado uma garota pra jantar fora, e agora a trouxe para meu apartamento, aproveitando que Eren havia ido dormir na casa de Armin.

Tinha longos cabelos lisos que formavam cachos nas pontas. Era ruiva, mas não era vermelho, era um ruivo natural, de tom meio avelã. Seus olhos era azuis claros, sua pele bem branquinha. Ela era muito bonita, ainda mais agora que estava num vestido preto mais justo e curto para nosso jantar no restaurante.

Agora, ambos estávamos sentados em meu sofá da sala. Conversávamos bastante, bem, na verdade ela falava mais do que eu. Disse que achava meu jeito meio sério, quase inexpressivo, bastante atraente. Eu apenas sorria de canto, passando meu braço em torno de seus ombros, fitamos os olhos um do outro até juntarmos nossos lábios. Começamos com um beijo suave, para ir esquentando aos poucos. Ela passou os braços em torno de meu pescoço e eu segurava sua cintura.

Foi neste momento que a campainha tocou. Ambos interrompemos o beijo para olhar a porta, e em seguida o relógio. Eram onze da noite. Quem visita onze horas da noite? A menos que seja... Pedi licença a ela. Quando atendi a porta, me deparei com a figurinha sorridente do pirralho.

– Eu já cheguei, Levi! – Ele logo correu e me abraçou.

– Oh, Eren... Er... Por que você está aqui? Não ia dormir na casa do Armin?

– Ah, não, o vô do Armin teve um problema e tiveram que sair correndo, aí me trouxeram pra casa... – Eren se interrompeu ao ver a garota no sofá. – Levi... Quem é ela? – Ele perguntou apontando.

– Oh, esta é Katy. Katy, este é o Eren. – Levei o garoto até ela.

– Oww, você não me falou que tinha um irmãozinho. – Era incrível como ninguém pensava de primeira que ele fosse meu filho. Eren logo agarrou minha calça.

– Ela vai ficar aqui até quando? – Ele falou num tom cismado.

– Eren! Tenha mais respeito com a moça. – Falei um pouco mais duro.

– Ah, tudo bem, Levi. Crianças são assim mesmo... – Katy falava.

– É, só que esse aqui é um pouco... ciumento. – Falei. – Eren vá pro quarto!

– E deixar você sozinho com ela? – Ele continuava a olhando torto.

– Eren!!

– Você sabia que o Levi é o maníaco da limpeza? – Ele começou a dizer a ela. – Se você não tiver tomado banho certo, o Levi repara de longe e depois fala pelas costas. Acho bom você tomar cuidado, moça... Não parece estar muito nos padrões dele...

– O quê?! – Ela o olhou meio perplexa para o pirralho.

– Eren, cale a boca e já pra cama! – Tentava me controlar pra não bater nele na frente da Katy.

– O Levi já saiu com outras garotas, cobria ela de elogios e depois que conseguia o que queria, dispensou todas na hora! Eu não sei até hoje o que exatamente o Levi quer dessas meninas, Hanji disse que sou muito novo pra saber dessas coisas... – Eren ia falando, e minha veia pulsando.

– Agora chega!! – Sem paciência, peguei Eren pelo cós da calça e o levei até o quarto. – Acho bom você ficar aí e pensar um pouco no que fez! – Fechei a porta e voltei o olhar para Katy.

– Er... acho melhor eu ir embora... – Ela disse, já pegando sua bolsa e indo para a porta.

– Ah... – Eu fiquei meio sem resposta. Depois de tudo que Eren disse... – Hunf... tudo bem então. – “É! Acho que não ia dar certo mesmo”. Apenas abri a porta e ela saiu. E não me olhava mais com uma cara tão boa.

– Não quer que eu a acompanhe? – Ofereci-me.

– Não, obrigada. Passar bem, senhor Ackerman.

“Senhor Ackerman?!”

Bem, depois dessa, até fechei a porta. Apenas pensava em qual cinta usaria para dar um bom castigo ao pirralho por ter estragado outro encontro meu.

Assim que adentrei seu quarto, com a cinta em mãos, vi o garoto inclinado na janela com uma... o que era aquilo? Uma bexiga d’água?

– Eren...? Eren, o que vai fazer?!

Ele apenas jogou aquela bexiga incrivelmente cheia lá embaixo. Eu não estava com um bom pressentimento disso. Quando aproximei-me da janela, vi a bexiga (em câmera lenta) acertar Katy, no momento exato que saía do prédio. E não tinha apenas água... era água com farinha... Deixou-a toda suja...

– Vish... – Foi a única coisa que pude dizer na hora.

Ela ficou em choque primeiro, pra depois olhar pra cima em nossa direção. Lançou seu rosto de desaprovação e apenas fez um gesto um tanto feio para uma dama, deu de ombros e foi embora. Eu imediatamente, virei meu olhar mortal para o Eren.

– Pirralho... Tem ideia do que acabou de fazer?

– Sim, salvei você de mais uma aproveitadora!

– Aproveitadora? Do que ela ia se aproveitar? Eu não tenho tanta grana que valha a pena roupar...

– Não é dinheiro... Ela ia roubar você de mim... – Eren então, pôs-se sentado na cama, cruzando os braços e fazendo bico.

– Oh... – Minha mão que segurava a cinta, agora se afrouxava, deixando-a cair no chão. – Você... é por isso que sempre estraga meus encontros?

– É... Você vai dar atenção pra elas, vai passar mais tempo com elas... e vai esquecer de mim... – Ele falava, escondendo o rosto nos joelhos. Aquela cena... bem, me deixou um tanto derretido. Sentei-me ao seu lado e o trouxe para meu colo.

– Não, Eren... Nunca vou esquecer você. – Acariciei seus cabelos.

– Você gosta daquela moça? – Ele perguntou curioso e cismado.

– Gostar como?

– Como... como o Levi gosta de mim...?

– Hum... – Dei um baixo riso. – Não, não é como eu gosto de você. Aliás... eu não tenho nenhum afeto por ela. Nós nos conhecemos, bem dizer, hoje... Não tem como eu compará-la com o Eren.

– É mesmo? – Seus olhinhos logo brilharam pra mim. – Então... Levi continua sendo meu.

~Flashback off~

Hanji deu muita risada enquanto eu lhe contava o ocorrido. Mas também logo se encantou com jeitinho do Eren no final. Aproveitei pra dar um sermão nela, pois me lembrei que a própria Hanji que deve ter ensinado um monte de tática pra acabar com meus encontros.

Conversamos um pouco mais sobre o pirralho, e como ele conseguia arrumar encrenca. Principalmente na escola, que voltava pra casa muitas vezes machucado. Já pensei em mudá-lo de escola, mas ele se negava. Dizia que não queria ficar longe do Armin e deixa-lo sozinho com aqueles moleques. No final... penso que implicavam com os dois juntos. Talvez Armin virava um alvo pra bullying por ter aparência de uma menina e Eren acabava levando algumas por defendê-lo... Essa fase é cruel. Só ligam para o que o outro aparenta de “fora do normal”. Mas bem, só espero que quando Eren crescesse, isso mude.

Notas finais
Eaeeee, você que chegou até aqui (e vivo!) Agora só posso dizer que, no próximo capitulo teremos com toda a certeza Eren com 15 anos ok? Bem, e peço desculpas à galerinha que tem ódio no sobrenome do Levi, mas já me decidi, vou usá-lo aqui na fic *esperando as pedradas* Ah gente, sobre a parte que o Eren prende as calças no guarda-roupa... quem quiser, dá uma olhadinha nesse video http://youtu.be/gDVKlzF4OsE no momento 18:21 (sério, eu ri demais!) Ah detalhe! Percebam a mensagem subliminar em "Eren adora comer ravióli" xD Bem, é isso, gente. Até o próximo o/ Nikki ♥