Reencarnação
9 Eu não sou gay!
Notas iniciais
Levi
O pirralho acordou atrasado hoje de novo e tivemos que sair de casa correndo. Ele foi bem dizer se arrumando no meio do caminho. Nem café da manhã ele tomou, já sei que ia sofrer de fome no meio da aula. Chegamos no seu colégio em cima da hora. Eren desceu do carro às pressas.
– Tchau, Levi! Até mais tarde...!! – Ele colocou a mochila nas costas apressadamente. No mesmo instante vi algo caindo do bolso do lado, mas nem deu tempo de avisá-lo. Ele saiu correndo até o portão de entrada sem nem olhar pra trás.
Dei um breve suspiro, desci do carro calmamente e fui até a calçada recolher seu pertence. Vi meio rápido, mas parecia ser seu dinheiro para o intervalo. “Hunf. Esse pirralho... Não presta atenção nas coisas? Deixa cair tudo!” Quando peguei-o e olhei de perto, vi que não era dinheiro... Isso era uma...
– ... Camisinha...?! – Arregalei os olhos ao segurar e analisar bem o pacotinho quadrado em minhas mãos. Não era engano. Era de fato um preservativo. E caiu... da mochila do Eren? Fiquei um tanto chocado.
A primeira coisa que queria fazer era chamar o pirralho de volta até aqui pra tirar satisfação, mas vi que os portões da escola haviam se fechado. Agora sim eu me roía de cisma pra saber exatamente o que estava acontecendo. Um bombardeio de perguntas veio em minha mente.
Como? Por que o Eren está carregando uma camisinha na mochila? O que ele planeja fazer?! Ele... pretende mesmo usar? O pirralho não manja nada desses assuntos! Ou será que ele está pensando em tentar sua primeira vez...? Com quem ele planejava usar isso?! Droga! Eu queria respostas!
Minha paciência do dia já começava diminuir. Entrei no carro e continuei o caminho rumo ao hospital. Mas as perguntas sobre isso apenas aumentavam e me deixavam bastante inquieto.
~*~
Já no hospital Santa Rose, eu caminhei pelos corredores do segundo andar até finalmente achar a sala de vacinação, onde Hanji se encontrava, por hora, desocupada e sozinha. Estava apenas sentada à mesa com uma revista em mãos. Logo adentrei.
– Hanji! – Já usei um tom duro.
– Oh, bom dia Levi! – Ela me cumprimentou normalmente, sem tirar os olhos de seu catálogo de roupas. – O que o traz aqui?
– Isto! – Coloquei o tal preservativo sobre a mesa dela. A quatro-olhos olhou aquilo e deu uma ajeitada em seus óculos, rindo.
– Meu Deus!! O que é isso, Levi?? Nem um encontro romântico antes? Ah, homem é tão apressado...!
– Não é nada disso, sua lontra!! Isso aqui caiu da mochila do Eren! – Expliquei.
– Oh, sério? – Ela pareceu meio espantada com a revelação, pegou o pacotinho tentando analisá-lo mais de perto. – Uau, imagino que você deve estar super confuso agora, não é? – Ela falava de forma divertida.
– É claro que eu estou! – Eu a olhava torto. – Que explicações você me dá sobre isso?
– Hã?? Eu? Por que eu ia saber de alguma coisa?
– Eu sei que é você que tem as conversinhas inapropriadas com o Eren. Deve ter feito a cabeça daquele menino e agora ele está andando por aí com camisinhas e com os hormônios sexuais agitados, à procura de oportunidades pra experimentar essa coisa. Tenho certeza que tem mão sua nessa história! – Eu me inclinava, apoiando as mãos sobre a mesa, aproximando meu rosto do dela para maior intimidada, mas nunca funcionava. Não com ela.
– Opa, opa, opa! Calminha, Levi... – Hanji também deu uma recuada com a cadeira, balançando as mãos indicando que eu abaixasse o tom da voz. – Não me culpe de nada, nunca daria ideias para o Eren. Ele também é meu precioso garotinho...! – Ela falava de forma afável.
– Hum... Não é você que sempre fala de coisas sexuais pra ele?
– Sim, mas Levi, ele fica com vergonha de falar no assunto. – Justificava ela.
– Ora, isso é meio normal no começo.
– Não Levi, você não percebeu? Ele tem muita vergonha de falar sobre isso...! Bem, e também ele não demonstra lá muito interesse no assunto, apesar de eu falar umas coisas bem pesadas... heheheh
– O quê?!! – Olhei-a de forma torta.
– O ponto é que essa história da camisinha pode não ser nada de mais. – Ela tentava me tranquilizar.
– “Nada de mais”? Hanji, por qual outro motivo um garoto de quinze anos estaria carregando uma consigo?
– Hum... Sei lá! Ele pode ter tido alguma aula de orientação sexual na escola...
– Não, acho que... Estou sentindo que aquela Mikasa tem algo a ver com isso...
– Levi, por que você está tão paranoico? Acalme-se um pouco. Eu conheço bem o Eren diante desse tema e sei que ele não é de fazer isso... – Vi Hanji dar um sorrisinho divertido para mim. – E também... Mesmo se ele tiver a intenção de fazer o que você está pensando... Por que está dando tanta importância? Hein, Levizinho? – Ela começava a me olhar maliciosamente.
– Hã? Ué, por nada... Só... Me preocupo com ele. – Respondi com a voz mais amena. – E não me chame mais assim.
– Hum, entendi... – Hanji sorria, levemente empolgada com algo.
~*~
Eren
Finalmente era nossa aula de educação física, uma das que eu mais gostava. Bem mais ativo e desafiador! Seria bom também para desviar atenção das coisas que eu estava pensando sem parar desde que tivemos aquela palestra... Eu ainda não parava de imaginar coisas inapropriadas, a maioria delas com o Levi... Estava começando a virar uma obsessão. Chacoalhei a cabeça, focando agora na aula. Estávamos acabando de colocar os uniformes de educação física no vestiário. Aproveitei pra chegar no Armin.
– Ei, Armin... Er... Você acha que eu tenho chance com alguma garota da nossa sala? – Perguntei casualmente.
– Hã? – O loiro me olhou meio confuso. – Bem, chance todos temos. Mas por que isso de repente? – Ele inclinou a cabeça de lado, tentando entender.
– É que eu... tenho pensado umas coisas meio absurdas esses dias e... acho que se eu ficar com uma garota, eu vou me curar!
– Se curar? – Ele ainda não entendia nada. – Como assim? Está doente?
– Não, só acho que, pelo que eu lembro da palestra da Anka, não estou agindo como garotos normais agem... Eu acredito que seja pelo fato de eu ainda não ter tido qualquer experiência com uma garota antes.
Armin apenas me observava de forma analítica enquanto eu falava.
– Resumindo, você está meeesmo a fim de sair com uma garota? Da nossa sala?
– Hum, é!
– Quem? – Armin cruzou os braços esperando curiosamente a resposta. E nesse momento parei pra dar uma pensada. Eu não era muito de ficar secando as meninas, mas eu observava de longe. De primeira pensei na Christa, por ser, das meninas, a que mais chamava atenção dos rapazes da sala, inclusive do Reiner. Realmente ela é bem bonita, mas... tinha um certo obstáculo para chegar na Christa, que é passando pela intimidadora Ymir. Essa sardenta não saia de perto da loirinha e botava medo em quem quer que olhasse Christa com segundas intenções. Pois é, com elas duas, sem chance... Depois me lembrei da Sasha. Só que ela é meio esquisitona... Só pensa em comida, aposto que nem daria atenção a um suposto ficante se saíssem para um restaurante, por exemplo. Então, Sasha também não. A partir daí fui pensando em todas as meninas da sala, demorou um pouco, mas aí que eu me toquei que havia uma sim que me chamava mais atenção que as outras.
– A Annie! – Respondi firme.
– Annie?! – Armin arregalou os olhos, pois ele sabe bem da personalidade meio intimidadora dela. – Por que escolheu ela?
– Estou sendo sincero, Armin! Ela tem qualidades que me chamam atenção. Tenho certeza que é ela...! – Eu agora fiquei determinado. Tentaria o possível pra tentar algo com ela. Assim, quem sabe eu esqueceria os devaneios sobre o Levi e me tornaria um garoto normal.
~*~
Chegando à quadra, todos com as roupas de educação física, nos direcionamos para o centro. Logo o treinador Keith apareceu diante de nós, naquela forma autoritária, típico de general de exército. Eu gostava, pois ele deixava a aula bem mais desafiadora.
– Pessoal, bom dia! Hoje teremos vôlei misto! Começando, como sempre, relembrando os fundamentos! – Disse o treinador.
Fiquei bem empolgado. Eu agora poderia dar o troco no Jean pelo que ele me fez da última vez que jogamos vôlei. O cara de cavalo deu uma cortada que nem deu tempo de desviar, acertou em cheio na minha cara. Ele vai me pagar por esta humilhação.
– Bem, primeiramente, vou dividi-los em duplas, para treinarem os fundamentos nesta aula, na próxima já vamos jogar!
Todos assentimos. Depois do aquecimento, o treinador foi apenas anunciando as duplas, escolhendo cada um a olho, de acordo com as compatibilidades. Pelo que eu fui notando, ele só formava duplas de casal. Menino com menina. Comecei a suar imaginando com quem eu cairia. Mikasa veio pra mais perto de mim na hora.
– Ué, o que foi, Mikasa?
– Seu eu ficar por perto é bem possível que ele escolha nós dois como dupla.
– Ué, por que quer fazer dupla comigo? – No mesmo instante, vi que Jean olhou feio pra mim ao longe. Qual é a daquele cara de cavalo?
– Se treinar comigo, você vai ficar muito mais forte, Eren. – Mikasa mantinha sua forma um tanto inexpressiva.
– Hum... vamos ver... – Dei uma revirada nos olhos. Eu sempre fiz dupla com a Mikasa ou com o Armin em tudo. Acho que eu devia dar uma mudada pra me socializar mais.
– Eren Jaeger e Annie Leonhardt! – O treinador anunciou firme e certo. O que fez eu e Mikasa arregalarmos os olhos. Que coincidência... Logo com a Annie!
– Ah, foi mal, Mikasa. Mas o treinador já anunciou. Até mais tarde. – Logo fui andando à procura de Annie.
– M-mas... – Mikasa já estava vindo atrás de mim quando o treinador anunciou em seguida.
– Mikasa Ackerman e Marco Bodt!
Dei uma olhada de canto pra trás até ver que Marco veio ao encontro da Mikasa, com seu jeito bastante simpático e amigável no rosto. Mikasa paraceu meio desanimada, mas logo aceitou fazer dupla com o sardento.
Eu finalmente avistei a Annie, parada no lugar com os braços cruzados. Olhava de forma entediada para o chão.
– O-oi, Annie! – Dei uma gaguejada sem querer. Ela apenas me deu uma olhada de canto.
– Hum, então somos eu e você, é...? – Ela deu uma massageada no ombro antes de continuar. – Bem, então vamos buscar a bola.
– Ah, certo! – Ambos fomos juntos até a enorme cesta cheia de bolas e pegamos a de volêi. Eu fiquei meio nervoso. Será que tento algo agora ou depois? Era bom me controlar para não parecer muito atirado. Agiria normalmente com ela, é isso Hanji disse pra fazer quando conversasse com um pretendente.
Agora, as duplas com uma bola cada se espalharam pela quadra. Eu e Annie ficamos mais perto da parede. Quando ouvi de longe a voz do Armin reclamando.
– Treinador! Que ideia foi essa? Por que me colocou com o Jean? Está dizendo que eu sou a garota? – Armin fazia sua voz de indignação.
– Não é nada disso, senhor Arlert. Duas meninas faltaram e tem garotos sobrando, o motivo é apenas este. – O treinador justificava.
– Mas... Todas as outras duplas são se menino e menina menos a mim e o Jean. Isso é meio... embaraçoso.
– Aff, quem tem que falar isso sou eu! Podia estar com a Mikasa agora... – Jean também dava suas reclamadas, também um tanto insatisfeito com seu parceiro.
– Ah, tudo bem Jean! Leve na esportiva. – Marco, como sempre, tentava amenizar as situações em que Jean se envolvia, sabendo do jeito implicante que ele é. Da nossa sala, o sardento é o que mais tinha paciência com o cara de cavalo. Não tenho ideia de como ele aguenta ficar perto do Jean o tempo todo.
– Treinador. – Desta vez, Mikasa se pronunciou. – E que tal se a Annie ficasse com o Armin, o Eren comigo e o Jean com o Marco? – Sugeriu o que me deixou meio perplexo? Por que ela envolveu a Annie e eu nesse problema? Nesse momento a loira voltou seu olhar para eles ao ouvir seu nome ser pronunciado.
– Hum... – O treinador parou pra dar uma pensada, passando o indicador no queixo.
– Ah, mas por que não com você, Mikasa?! – Jean estranhamente olhava de forma implorativa para ela. Nunca o vi agir assim antes. Eu estava prestes a dar a minha opinião também sobre tudo isso e deixar eu a Annie fora disso. Mas o treinador logo foi dar seu veredito:
– Bem, então façam...
– Oe, desculpe o atraso, treinador... – Ymir apareceu de repente, com uma cara sonolenta, dando umas bocejadas.
– Sim, chegamos tarde e quase não deu tempo de nos trocarmos. – Christa também se desculpou respirando de forma descompassada, provavelmente pela correria de chegar à quadra.
– Oh, agora sim, problema resolvido! – O treinador logo anunciou. – Então senhorita Ackerman, continue com Marco Bodt! Jaeger e Leonhardt manteiem-se também. Kirschitein ficará com Christa e Arlert com a Ymir.
Nessa hora, vi Armin olhar de forma intimidada para Ymir.
– Hehe, boa sorte, loirinho! – Jean falou de forma sarrista.
– Er... A-acho que prefiro o Jean...
– Bem, já que não posso ir com a Christa, vai você então. Me lembra bastante ela. – Ymir logo puxou Armin para longe, que dava umas choramingadas. Coitado. Na hora fiquei meio preocupado se ele ficaria bem... Jean e Christa foram para o outro lado. O cara de cavalo também pareceu meio preocupado com o loiro no meio do caminho.
– Oe. – Annie chamou minha atenção, impaciente.
– Hã? O quê? – Voltei a olhá-la.
– Ignore aqueles sonsos. Vamos treinar saque, toque e cortada logo. – Ela se colocou na posição, pronta pra receber a bola. Parece que se empolgava mais na hora de treinar e jogar.
– Oh, sim! – Eu também já me preparei para dar um saque alto para ela. Assim que o fiz ela já amorteceu-o com uma manchete, com bastante técnica. E ficamos tocando a bola um para o outro, sem deixar cair. – Wow, você pegou bem esse saque.
– Hunf. Um saque fraquinho como o seu, facilita mais.
– O que?! Fraco?! – Me senti afrontado com o comentário. – Ahh... Você vai ver então! – Vendo que um dos toques dela fez a bola ir mais alto, dei um pulo e fiz uma cortada nela.
Annie rapidamente, rebateu-a com uma manchete de novo, acabou recuando um passo pra trás. Fiquei um tanto impressionado. Ela nunca demonstrava muitas coisas a seu próprio respeito, mas em coisas ativas, tal como esportes, mostrava que manjava bem.
– Hunf... Essa é a sua cortada? Pega essa então. – Quando a bola veio mais alta, ela deu um salto e rebateu-a em cima de mim. Entretanto eu não consegui pegar a bola, ela quicou para longe
– Ahh, não! Vamos de novo, Annie!! – Na maioria das vezes, eu não admitia perder. E agora ela me pareceu um grande desafio. Para uma menina baixinha como ela, até que tinha bastante habilidade, tenho que admitir.
~*~
A hora do intervalo veio logo, encontrei com Armin e Mikasa em uma das mesas, devoravam seu lanche fervorosamente. Exceto Mikasa que não parecia muito animada. Aliás, desde a última aula ela estava assim.
– O que foi, Mikasa? – Perguntei.
– Eren, você está em, não está machucado? – Perguntou ela assim que me coloquei sentado em sua frente.
– Hum? Não, por quê?
– Eu vi a Annie te passar uma rasteira... – Parecia que uma aura estranha emanasse dela, me deixou um pouco cismado.
– Você viu isso? – Fiquei meio constrangido. Depois que eu dei uma cortada que fez a bola acerta em cheio a testa dela, Annie ficou furiosa e me passou uma rasteira. Foi algo meio familiar pra mim até. – Er... quero dizer, isso não foi nada. Homem aguenta qualquer coisa.
– Ela te agrediu.
– É que eu dei uma cortada que acertou no meio da testa dela... – Justifiquei revirando os olhos. Pelo que notei, Armin apenas comia seu lanche enquanto olhava de mim para a Mikasa e da Mikasa para mim, sem dar qualquer opinião na hora.
– Eren se tivesse feito dupla comigo, teria aprendido muito mais coisa...
– Mikasa eu já sei o jeito que você joga, mas a Annie tem uma forma diferente e mais técnica pra jogar.
– Então prefere ela do que a mim?
– Por que você está perguntando tudo isso?
– Hum... Por nada... – Ela ajeitou seu cachecol e continuou a comer seu lanche. Nesse momento, Armin fez um sinal com a cabeça para irmos rapidinho conversar apenas eu e ele.
– Er, Mikasa... Eu e o Eren vamos buscar mais lanche, pode guardar a mesa aqui?
– Ok... – Ela simplesmente respondeu, de forma mais desanimada ainda. Logo Armin veio me puxando pra um canto do refeitório mais longe da Mikasa, perto da parede do fundo.
– Armin, o que foi? Você sabe o que está acontecendo com a Mikasa?
– Eren, o único que não sabe é você!
– Hã?! – Agora eu fiquei confuso. – Do que está falando?
– Você nunca notou? Eren, a Mikasa gosta de você!
– Ué, eu também gosto dela e daí?
– Nãããão... Não desse jeito. Ela gosta muuuito de você...!
– O que...? C-como namorado?!
– Cara, ela tá tão na sua...! E você não notou? – Armin falava na maior naturalidade. Fiquei um tanto paralisado. Nem sabia o que responder em seguida. Depois eu comecei a rir.
– Armin, que ideia é essa, ficou louco? – Eu dava altos risos, não acreditando, ou pelo menos não querendo acreditar que a Mikasa me via desta forma. – De jeito nenhum, cara. Quer dizer... não pode. Ela é quase... uma irmã pra mim...
– Eren, pensa um pouquinho... Por que o Jean implica contigo direto? Ele é a fim dela, lembra?
– O que?! O Jean gosta da Mikasa?
– Você nunca notou isso também?
– Armin, você está falando muita coisa absurda hoje...
– Eren, você não lembra? Toda vez que ele olha feio pra você é quando a Mikasa está junto. Sempre que ele passa por nós, ele acena pra ela, hoje mesmo ele queria fazer dupla com ela na educação física, você não notou nada isso? – Armin deu uma aumentada na voz nas suas últimas palavras, como se estivesse tentando me acordar pra realidade.
– Oh... É verdade. – Finalmente minha ficha caiu. – É por isso que o Jean implica comigo. Mas... O que você quer que eu faça? Não posso corresponder a Mikasa quando eu estou a fim do Levi...
– O que?! – Armin olhou espantado pra mim. Foi quando notei que falei merda...
– N-não!! Da Annie! E-eu quis dizer Annie! – Dei um sorrisinho tentando consertar a última frase. Logo senti meu rosto ficar mais corado... Mas Armin de novo só olhava minhas expressões de forma analítica.
– Annie, é...? – Ele agora me olhava bastante duvidoso. – Hum... Acho que agora entendi a tal “doença” que você falou no vestiário... Vou dizer o que eu acho. – Armin chegou mais perto. – Você, Eren Jaeger, não precisa ficar com quem você não está a fim só pra não ficar mal visto.
– M-mas, Armin...
– Eren, não é vergonha nenhuma ser gay... – Explicava o loiro com uma voz bem mais serena. A voz que ele sabe que me tranquilizava. Entretanto, quando ele disse a palavra “gay” fiquei mais inquieto do que nunca.
– Não! E-eu não sou... gay. Foi só uma atração momentânea pela aparência do Levi, nada mais... Eu só preciso ter uma experiência com alguma garota. E essa garota vai ser a Annie! E quer saber? Eu vou atrás dela agora! E vou beijá-la! Aqui na escola e na frente de todos!! – Realmente meu apavoramento me fez tomar atitudes um tanto absurdas no momento, mais eu tinha certeza do que ia fazer na hora. Dito isto saí correndo pelo refeitório à procura da loira.
– O-o-o que?!! Ficou maluco?! Eren!! Eren volte aqui!– Armin logo veio atrás de mim. Mas eu nem dei bola. Não ia ser tachado de gay aqui na escola e nem em lugar nenhum, isso ia ser horrível! Não sou gay e vou provar a todos!
Olhei pelo refeitório inteiro, cada canto, cada mesa, mas nem sinal dela. Concluí então que ela estaria lá nos corredores onde ficam os armários. Sendo assim, fui até a enorme porta de entrada do refeitório, abrindo-a afobadamente, olhando à diante. Tinha uma multidão de gente rondando no corredor! Ia ser meio difícil passar sem trombar com ninguém... Mas arrisquei. Fui me esgueirando pelo vãozinho entre as pessoas e ao mesmo tempo olhava pra todos os lados. Foi aí que avistei bem lá na frente depois da segunda escada, Annie estava encostada aos armários, ouvindo musica pelo seu enorme fone.
– Annie!! – Andei pelo corredor, passando por entre as pessoas, tropeçando em mochilas no chão. Por aquele ser o corredor principal da escola, fica sempre cheio no intervalo. Era um caos, mas fui indo até a loira. – Oe, Annie!! – Chamei-a novamente e desta vez ela me ouviu, logo virando seu olhar para mim.
– Você...? – Ela olhava meio confusa com a minha vinda.
– Eu quero falar com você... Er...!
Quando eu estava bem no topo da segunda escada, pelas pessoas passando em minha frente, acabei não percebendo uma casaca de banana jogada bem ali no primeiro degrau. Não deu outra, acabei pisando nela e escorreguei para frente, tentei me manter em pé na descida dos dois primeiros degraus, mas no terceiro, perdi totalmente o chão. Todos que estavam na minha frente foram tentando rapidamente sair do caminho. Nesse momento até fechei os olhos, pois tinha certeza que iria cair feio e ia doer pra caramba.
Foi aí que senti um outro corpo, que não havia conseguido sair da frente, se chocar contra o meu. Que, favorecendo a mim, acabou amortecendo minha queda. Os dois rolamos juntos escada abaixo até finalmente chegarmos ao chão.
Eu ainda mantinha os olhos fechados e fiquei caído bem em cima do indivíduo. Foi quando senti algo diferente tocando minha boa... Era macio... Abri os olhos rapidamente até ver que... Eram lábios tocando os meus... E... Essa passoa... era o Jean! Eu e ele levamos um baita susto e arregalamos os olhos, nos separamos um do outro rapidamente. Ambos muito constrangidos e putos da vida.
– Eren!! Seu viadinho!! Quei ideia foi essa?! – Jean estava fervendo de raiva no mesmo ritmo que ficava vermelho.
– A-a culpa não foi minha!! Você não saiu da minha frente, imbecil!! – Eu também explodi. Também sentindo o rosto enrubescer. Como que isso foi acontecer? Qual a probabilidade de duas pessoas rolarem juntos da escada e caírem no chão com as bocas coladas uma na outra? Nesse momento, vi Annie em pé ao nosso lado. Ela apenas deu um suspiro e saiu andando para outro lado. Bem, eu nem pensei em ir atrás dela. Depois do beijo que dei no Jean agora em público, vai ficar meio difícil não me chamarem de gay...
Vi Armin lá no topo da escada, que veio apenas pra ver se eu estava bem. Marco apenas deu um discreto riso olhando para Jean.
– Não ri não, hein Marco! – Jean ainda estava furioso. – Argh!! Por que a Mikasa não cai em cima de mim assim, não, tem que ser logo essa praga do Jaeger...
– E você acha que eu queria que isso acontecesse?!
– Aposto que não vai querer nunca mais... – Jean agarrou a gola da minha camisa e a puxou contra si, por um momento achei que ele fosse me beijar de novo. Mas não. Foi só pra intimidar. Eu só sei que depois dessa, eu não conseguiria me segurar a não bater naquele idiota do Jean.
– Ah, não briguem vocês dois! – Armin tentava amenizar nossa raiva só com a fala.
– Fica fora disso, loirinho. – Jean pronunciou, estranhamente sendo mais suave.
Quando estávamos nos encarando, nem percebemos o diretor Pixis nos olhando de longe. Rapidamente eu e Jean tomamos uma postura mais amigável, ele passou seu braço sobre meu ombro e eu sobre o dele. Logo demos um sorrisinho de “estamos super de bem, vê?” para o diretor. Ele apenas assentiu sorrindo e seguiu seu caminho.
Eu e Jean logo nos separamos, dando uma encarada feia um para o outro. Logo ele simplesmente seguiu seu caminho, ainda bem envergonhado. Eu não estava muito diferente. O beijo foi tão rápido que quase nem dava pra acreditar que aconteceu. Dei meia volta e encarei todos que estavam me olhando torto e rindo pra mim. Apenas dei um grito em meus pensamentos:
“Quer saber, danem-se todos vocês!! Sou gay mesmo!!”
~*~
Em casa, debaixo do chuveiro, foi que refleti tudo o que eu fiz hoje. Quanta idiotice... Onde eu estava com a cabeça? Essa ideia de tentar algo com a Annie foi, no final, uma simples forma de tentar desviar meus pensamentos a respeito do Levi para longe. Afinal, isso estava começando a ficar meio fora de controle... Eu começava a achar que não estava agindo como um garoto normal, só por não me interessar tanto assim por garotas e sim por um cara...
Mas admito que a Annie chamou mesmo minha atenção. Mas só agora refleti o porquê. Ela era do tipo baixinha invocada, durona, séria e que até sabe lutar. Ou seja, ela era o Levi com cabelos loiros...
Dei um breve suspiro. O melhor a fazer primeiro é admitir a mim mesmo que eu... sentia de fato atração pelo Levi. Agora eu entendo um pouco melhor esse assunto. Na verdade já tem um tempinho que sinto coisas quando ele encosta em mim ou me olha nos olhos. Eu não era assim quando criança... Só posso concluir que é tudo culpa dos tais hormônios da puberdade que estavam se manifestando em mim! Se eu não tivesse tido a palestra da Anka, creio que eu teria percebido sozinho... Porque... bem, pode-se dizer que não sou daqueles que presta atenção nas coisas. Hoje mesmo fiz descobertas através do Armin! Coisas que já estavam na minha cara e não percebi. Internamente isso me frustrava.
Jean gosta da Mikasa. Ok, acho que isso já estava meio óbvio agora que parei pra pensar. Enquanto isso, ela se interessava por mim... Será verdade? Não. Eu ainda não queria acreditar nisso. Achava estranho. Sempre vi Mikasa como uma irmã... sempre. Não queria que isso mudasse.
Dei outro suspiro mais pesado... Isso era o de menos. Pior mesmo foi o meu primeiro beijo ter sido com o imbecil do cara de cavalo. De todas as pessoas lá daquela escola, foi logo com ele. E no meio do corredor, diante de um monte de gente. Eu não queria nem ver a zombaria que fariam de mim em breve. Ainda bem que hoje era sexta-feira, quem sabe até segunda eles esqueçam esse assunto. Isso! Talvez nem falem nada. Vai ficar tudo bem.
Dando a última enxaguada no corpo, resolvi desligar o chuveiro e sair do box. Fiquei mesmo bastante tempo ali filosofando. O banheiro já virou uma sauna. Tudo embaçado. Fui primeiro até o espelho verificar algo, pois senti um latejo estranho em minha testa. Limpei o espelho e me pus a analisar o local. Agora que meus cabelos estavam molhados e jogados pra trás, dava pra ver melhor. Tinha uma marca meio escura ali, que doía quando tocava.
Ah droga! Foi aí que me lembrei. Deve ter sido naquela hora que eu e Jean rolamos da escada. Eu senti nossas testas se chocarem. Doeu só na hora. Não achei que ficaria roxo assim como está agora. Bem, é só deixar quieto que vai passar.
Peguei a toalha, me sequei e vesti minhas roupas de dormir, que era apenas uma calça de moletom e uma camisa de manga curta. Assim que saí do banheiro e fui pra sala, dei de cara com o Levi indo para o corredor.
– Ahh! Eita, já voltou?! – Levei um baita susto, pois o apartamento estava o maior silêncio. Achei que ainda estava sozinho aqui.
– Voltei, calma. Você anda meio assustado esses dias... – Ele olhou desconfiado pra mim.
– N-não! Não é nada! – Desviei dele pra continuar meu caminho, mas ele segurou meu braço.
– Espere... – Ele então veio vindo perto de mim, sem parar de me lançar aquele olhar hipnotizante dele. – O que é isso? – Ele apertou os olhos, tentando enxergar algo. Logo ele veio aproximando seu rosto do meu, afastando minha franja com os dedos. Senti minhas bochechas corarem na hora com seu toque. – O que você fez desta vez...? Olha só o tamanho disso. – Ele segurou nos lados de minha cabeça, de forma até que delicada. Logo abaixou-me para a altura de seus olhos, pra analisar melhor minha marca roxa. Senti meus batimentos cardíacos acelerarem. – Você brigou de novo?
– Er... N-não...! E-eu caí! Da escada... – Evitava fazer contato visual com ele na hora. Eu sei que parece meio estranho, mas... depois do beijo com o Jean hoje, eu já me sentia meio pronto e mais ansioso para beijar mais. Como uma droga que você experimenta uma vez e mais tarde quer senti-lo de novo, só que com mais calma e mais atenção. Mesmo sendo com um cara que eu implico, pude sentir que a sensação física do beijo é um tanto agradável... Imagine se... fosse o Levi no lugar do Jean...
Bem, era por causa desse impulso que eu estava evitando contato visual. Era totalmente diferente quando era com o Levi. Essa proximidade me provocava... A vontade de beijá-lo me corroía naquele momento.
– Hunf. Então bateu a testa... Você não se lembra que quando é batida tem que pôr gelo aí o quanto antes, Eren? – Levi, que passava de leve o polegar sobre a marca roxa, logo se dirigiu até a geladeira, abrindo o frízer e pegando uma bolsa térmica em gel que ele sempre deixava lá pra já ficar no jeito de usar, visto que eu sou de me machucar bastante.
Eu apenas o olhava com um bico e sentindo que meu coração voltando ao seu ritmo normal. Fui dando uma respiradas profundas. Com isso que vi o quanto meu corpo fica todo confuso e estranho quando o Levi fica a uma distância, digamos, perigosa de mim. Será que eu já sentia isso antes? Ou ficou intenso agora só porque estou prestando mais atenção?
– O que está esperando? – Levi usava um tom impaciente. – Senta aqui e põe esse gelo na testa, pirralho. – Ele puxou uma das cadeiras da sala de jantar para mim. Eu, saindo de meus devaneios novamente, fui rapidamente até lá, sentando-me. – Hunf. Caindo de escada... Se continuar assim vou ter que supervisionar você vinte e quatro horas por dia. – Comentou irônico enquanto segurava meu rosto e colocava, sem muita delicadeza, aquela pequena bolsa em gel na minha testa. Dei uma estremecida com o choque térmico, não era pra menos, eu tinha acabado de sair de um banho quente. Sem falar que aquela coisa estava tão gelada que chegava a arder.
– N-não foi minha culpa! Havia uma casca de banana no chão...
– Não culpe os objetos, culpe a si mesmo por não prestar atenção.
– M-mas o lugar estava muito cheio gente, na hora. Não deu pra ver o chão... – Continuei fazendo bico.
– Não interessa, não quero você se machucando por causa de acidentes idiotas.
Fiz bico de novo. Pensando bem, ele muitas vezes agia como se fosse a minha mãe e não dava ouvidos às minhas justificativas... Por que sinto atração por ele?
– Ótimo... agora segura bem esse gelo aí por uns vinte minutos. – Dito isso, ele foi até a pia, logo vendo que não lavei a louça hoje. – Hum, você não lavou os pratos hoje, né? Deixa que eu lavo então. Não aguento ver a pia suja assim. – Levi, então, deu uma inclinada até a gaveta de baixo, consequentemente dando uma “empinadinha” na região traseira... Eu até dei uma pendida de lado com a cabeça pra ver melhor aquilo. Caramba... Havia tanta coisa que eu não estava prestando tanta atenção antes... Levi tem uma bundinha bem redonda saliente por debaixo daquela calça.
Pondo-se em pé novamente, ele amarrou o avental na cintura e começou o servoço. Eu fiquei apenas o olhando, aproveitando que ele estava de costas pra mim.
Levi
Dei a desculpa de lavar a louça só pra poder conversar com o Eren de costas. Notei que hoje ele estava bastante nervoso perto de mim. Ainda mais quando eu o olhava nos olhos. Com certeza está escondendo algo que não quer que eu descubra e que tem a ver com aquela camisinha.
Tentarei fazer um questionário sem ele perceber.
– E então? Estava tomando banho há esta hora, quer dizer que voltou mais tarde pra casa?
– Er... Mais ou menos, na volta, Armin disse que tinha que passar no shopping pra comprar uma jaqueta nova. Então eu fui junto pra ver alguns tênis, porque o meu já está bem velho...! – Comentou um pouco mais descontraído.
– A Mikasa foi junto? – Perguntei aleatoriamente.
– Hã? Ah, ela foi. Ela volta com a gente mesmo. Por quê?
Nesse momento, mordi o lábio inferior.
– Então você e a Mikasa foram para um outro lugar, que não eram suas devidas casas, depois da escola, é?
– Levi, esqueceu o Armin, ele tava junto também!
– Hunf. – Estranhamente eu me sentia incomodado da Mikasa ficar perto dele, então acabava dando importância apenas para ela. – Eren, fica esperto com a Mikasa.
– Ué! Por quê? Que cisma é essa que você está com ela hoje? – Eren perguntou confuso.
– Ahh... N-nada. – Voltei ao meu tom normal. Dei uma gaguejada sem querer ao notar que eu estava sendo muito possessivo com o garoto... Mas por que eu estava me sentindo tão ameaçado assim? Eren é o garotinho que eu criei desde bebê... e eu não queria dividi-lo com ninguém...? É...! Eu não queria dividi-lo com ninguém!
Mas de momento eu pensei... Não ligava quando era com Hanji, Mike, Erwin nem Armin... Era só com a Mikasa. E sobre Eren tentar uma relação amorosa com alguém de fora. Isso que me incomodava.
– Eren... Você está a fim de alguém? – Perguntei direto.
– Hã?!
Sei quando Eren mente só pelo tom da fala, não tem como ele escapar dessa. E eu queria muito saber logo pra descobrir seus planos com aquele preservativo.
– P-p-por que está perguntando isso?! – Eren pareceu meio apavorado diante da pergunta.
– Está ou não está?
– ...
– Cuidado com o que for responder, sei bem quando está mentindo. – Já deixei avisado.
– M-mas por que quer saber...? – Sua voz foi ficando mais tímida. – V-você... p-percebeu alguma coisa...?
Enquanto lavava a panela, dei uma olhadinha de canto para o garoto, notando que ele ficou vermelho e embaraçado.
– Você ainda não respondeu minha pergunta, Eren.
– Mas... Você... já tem algum palpite...?
– Tenho, só quero confirmar. – Será que eu estava agindo certo? Fazer essa pressão toda no menino apenas para livrar minha mente de perguntas incômodas para mim...?
– Er... M-mas... Se o seu palpite estiver certo... Você o aceita...?
– Eren, você é a fim da Mikasa, sim ou não? – Vi que o garoto ia ficar me enrolando a noite toda e não falaria logo, é melhor ser mais direto ainda.
– Hã?! Mikasa? Por que pensou nela?!
– Ela sempre anda com você, dá em cima de você na lata, com uma chance de graça dessas, claro que você não ia perder tempo...!
– Levi, como eu vou estar a fim da Mikasa se eu gosto de hom... – Nesse momento o ouvi tampar a própria boca. Na hora arregalei os olhos, perplexo, e me virei para ele.
– O que você disse, Eren...? – Perguntei agora bastante... confuso. Ele ia falar “homem” ali?
– Nada! Eu não disse nada!! – Ele ficou mais vermelho do que nunca e logo se levantou da cadeira, correndo para o quarto.
Quer dizer que... o Eren... Não, será? Eu comecei a rir sozinho ali. Pois era muita confusão na minha cabeça.
Eu achava que ele estivesse escondendo algo de mim, e de fato estava, mas não era sobre gostar da Mikasa. Parando pra pensar, agora que não estou mais tão paranoico, Eren nunca demonstrou interesses pela Mikasa desta forma, apenas ela por ele. Minha cisma me fez esquecer que o Eren na verdade é um grande tapadinho que não presta atenção nessas coisas que acontecem em baixo de seu nariz. Aposto que não deve ter nem notado até agora que a menina o olhava desta forma.
Foi aí que deixei a Mikasa de lado e comecei a analisar melhor as esquisitices do Eren esses dias... Ele ficava nervoso, suando muito e todo tímido quando eu me aproximava dele... Tal como as garotas com quem saí ficavam. Então...
Senti meu coração dar uma palpitada e meu rosto dar uma leve esquentada com a minha nova suposição da pessoa que provavelmente o Eren esteja a fim. Confesso que me deu arrepios imaginar se era verdade... Mas pelas indicações, acertei desde o começo que é em um Ackerman que ele está de olho.
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