Reencarnação

24 Crise de estresse


Notas iniciais
Oi gente! Desculpinha novamente pela minha demora, mas chegay de novo e para compensar, postarei dois capitulos de uma vez, ok? =3=/ Hehehehe E não se preocupem, vou tentar responder a todos do capitulo anterior hoje mesmo! (se eu não conseguir, foi mal ç.ç) Bem, não falarei muito por aqui, então... Boa leitura, amores ♥

Levi

Eu mal conseguia manter os olhos abertos. A tela do computador parecia parcialmente embaçada para mim. Limpei meus óculos diversas vezes, mas o problema não era as lentes ou a minha vista, e sim o sono...

Já fazia cinco noites que eu não consegui dormir, apenas virava-me de um lado para o outro na cama sem relaxar. Era só fechar os olhos que Kenny já aparecia em minha mente. Isso me perturbava. Na única vez que consegui adormecer, tive um pesadelo. Nem gostava de lembrar... Tinha a ver com uma sequência de acontecimentos que me separavam do Eren. É realmente perturbador. Eu já estava a subir pelas paredes com essa situação... E eu não podia dizer a ninguém.

Pensava em qualquer coisa que me tranquilizasse, mas eu só conseguia pensar que Kenny poderia estar me observando... em qualquer lugar... a qualquer hora... E eu não podia fazer nada por enquanto!

Retirei os óculos e levantei-me da cadeira, indo em direção à janela. Abri-a para sentir a brisa de inverno chegando. Eu buscava qualquer mísera coisa que me fizesse relaxar... qualquer coisa... Penso que um vento frio no rosto poderia dar uma “acordada”.

– Petra! – Chamei e a cabeça ruiva de minha secretária logo apareceu inclinada à porta.

– Senhor?

– Pode ir até a lanchonete trazer um café para mim?

– Claro! Meu Deus... O senhor está bem?! – Petra ficou meio pasma ao fitar meu rosto. Mesmo de longe, as olheiras deviam estar visíveis. – Está com os olhos mais escuros agora... – Comentou preocupada.

– Tudo bem, Petra. Eu estou bem. Só me traga o café, por favor...

– Er... Sim, senhor! – A ruiva logo saiu da recepção com receio, porém não questionou minha ordem. Ouvi o som de seus sapatos pelo corredor até ela adentrar o elevador, rumo ao andar térreo.

Eu, por outro lado, voltei à minha mesa e tentei inutilmente focar-me no meu trabalho. Mas estava difícil, tudo ao redor parecia uma enorme distração. Como aqui era o último andar, o som do vento era bastante audível da janela. Aqui era sempre um completo silêncio. Barulhos de passos e vozes podiam ser ouvidos de vez em quando, como agora, que aparentemente umas cinco pessoas vieram em busca de mais materiais na sala de estoques.

Mas quando ficava silêncio absoluto novamente, não podia deixar de imaginar Kenny aparecendo do nada, como fizera da última vez. E repetindo o ritual, Petra também havia saído agora, deixando-me novamente sozinho... Não seria muito estranho se ele aparecesse do nada neste momento. A falta de sono deixou-me mais paranoico a ponto de pensar diversas tragédias que poderiam acontecer. Por isso, já até segurei em mãos uma adaga de colecionador que eu tinha em meu escritório. Era apenas uma cisma, mas eu já me sentia mais seguro quando estava armado, especialmente se for com uma faca, o instrumento que eu melhor sabia manejar contra um oponente, mesmo este dispondo de uma arma de fogo.

Olhava de um lado para outro em minha sala, com o suor escorrendo...

“Estou sozinho, Kenny... Você não quer conversar mais?”

Pode-se dizer que eu estava entrando em estado doentio. A falta de sono realmente pode deixar uma pessoa à beira da demência profunda e eu estava quase me deixando levar. Talvez isso fosse uma das coisas que Kenny queria...

Eu pensava se ele apareceria mesmo... Ele pode estar fazendo outra coisa. Será que estava dentro do hospital escondido? Estaria cometendo algum crime pela cidade? Também podia estar muito bem observando o Eren na escola neste exato momento! As possibilidades eram muitas e eu não sabia mais o que pensar!

De repente a porta da frente abriu-se num estrondo, interrompendo minha linha de raciocínio. Eu apenas via a silhueta de uma pessoa e já lhe atirei a adaga. Infelizmente devido ao nervosismo ela tomou um rumo meio torto, possibilitando que a pessoa desviasse e a arma fincasse na parede...

– Ahhh!! Epa! Que perigo!! Que negócio é esse?! Sou eu, Levi! Eu prometo não entrar mais na sua sala se surpresa...! – A quatro-olhos se encontrava encolhida no chão e cobrindo a cabeça com as mãos, totalmente pasma.

– Ah... É você... – Suspirei aliviado, mas sentindo o tique no meu olho esquerdo. Hanji me pegou em meu momento de desvairamento e presenciou uma reação que eu procurei esconder de todos por quase uma semana.

– Quem achou que fosse? Aquele cantorzinho emo que você odeia? – Zombou ela enquanto se punha em pé.

– Hunf... – Massageei as têmporas. Hoje eu estava mau o suficiente pra chegar ao ponto de quase acertar uma faca na minha amiga lontra... – Não apareça assim de repente... O que faz aqui? – Fui aos poucos recompondo minha compostura.

– Vim ver como você está hoje. Mas... – Ela virou-se para fitar a adaga fincada na parede. – Bem, acho que isso responde.

– Eu sei que pode não parecer muito, mas eu vou ficar bem, ok? É só... insônia... estresse... tudo por causa do fim de ano corrido, ainda tem tanta coisa pra organizar... – Expliquei.

– Não, não! Sei que deve ter algum outro motivo aí! – Ela retirou a adaga da parede, caminhando até minha mesa. – E você vai começar a falar agora! – Hanji foi bastante séria em seu tom. Eu a olhei desanimadamente apenas sentindo o sono pesar.

Eu realmente sentia vontade de contá-la o que houve. Pelo menos a ela... Mas eu tinha medo. Se Kenny descobrisse, faria algo com o Eren? Eu não podia correr o risco...

Permaneci em silêncio... pensativo. Hanji é que foi perdendo a paciência desta vez.

– Anda, rapaz! Conte-me o que houve. Sabe que pode falar de qualquer assunto comigo. – Eu permanecia a encará-la com indiferença.

– Não, Hanji...

– Por favor, Levi. Erwin também comentou do seu comportamento cansado de ultimamente. Acho que você está trabalhando demais.

– Hanji, está tudo normal. Estou apenas mais... ansioso. Só isso.

– Mas por quê? – Ela insistia.

– Ora, não precisa ter um motivo, ansiedade é ansiedade...

– Lógico que precisa! Óbvio que algo lhe está incomodando. Vai, vamos conversar um pouco... – Ela oferecia-se gentilmente. – Quero te deixar um pouco melhor...

– Tsc... Não.

~*~

Não se passaram muitos minutos, mas quando dei por mim, já estava sentado sobre minha mesa, com as pernas esticadas, como se fosse num divã, enquanto Hanji ouvia meus desabafos sentada em minha cadeira, numa posição de psiquiatra. Obviamente, não mencionei Kenny em nenhum momento. Falei de acontecimentos estressantes e comuns do dia-a-dia de qualquer pessoa.

– ...daí então o paciente enviou três cheques para adiantar umas mensalidades do convênio, mas eu tirei do envelope apenas dois, nem percebi que havia um terceiro... Daí eu resguei o envelope com esse cheque dentro. Tive que ligar para o cliente de novo e pedir pra ele preencher e mandar um novo cheque e ele fez uma voz insatisfeita pelo telefone. Creio que deve ter ficado insatisfeito com o serviço logístico do hospital e isso o está incomo...

– Ah, tá bom! – Hanji interrompeu minha fala, aparentemente cansada de ouvir alguns dos meus lamentos. Eu normalmente não admitia esse tom de voz comigo, mas eu sentia cansaço demais para revidar como gostaria. – Meu Deus, vai me dizer que está estressado por causa dessas coisas?! Nunca vi você ligar pra situações assim antes...!

– E eu não ligo... Quero que essa pessoa se foda... – A sinceridade saiu sem querer da minha boca.

– Levi!

– Hum... – Mordi o lábio inferior enquanto brincava com os dedos. Eu estava me deixando ficar muito transparente para ela.

– Se acalme, meu querido! Tô começando a ficar preocupada de verdade com você! – Hanji inclinou-se, colocando a palma da mão em minha testa. – Hum... não parece ter febre, mas mesmo assim está suando bastante... – Ela me olhava analiticamente, apoiando o indicador no queixo. Eu só agora notei que ele trazia uma maleta consigo. Logo ela a abriu e de lá retirou alguns equipamentos, tal como o seu estetoscópio, um medidor de pressão portátil e até uma lanterna.

– Wow... Você já planejava me examinar...? – Perguntei irônico.

– É claro! Eu me importo com você, baixinho. – Ela piscou para mim e me pediu para ficar sentado sobre a mesa... E logo fez tudo. Examinou meus olhos, meu ouvido; verificou minha garganta; mediu minha pressão; ouviu meus sons corporais com o estetoscópio. Depois de examinar todo o básico ela ficou pensativa.

– Hum... Está tudo normal. – Ela disse. – Entretanto...! — Ela subitamente deu um aperto específico em minhas costas, próximo ao ombro. Isso foi doloroso... Mordi o lábio inferior ao sentir.

– Dói?

– Ah... claro que dói...!! – Respondi.

– É... O seu problema é primeiramente psicológico. Está numa crise de ansiedade que eu não esperava ver em você... – Explicava a quatro-olhos. – E como você deve saber, problemas psicológicos, mais cedo ou mais tarde, acabam refletindo em problemas “físicos”, sabe? – Ela segurou meus ombros, olhando-me fixamente. – Por isso, você precisa... repetindo, precisa relaxar!!

Eu dei uma recuada. Quando ela gritava, doíam os tímpanos.

– Eu sei! Estou tentando... Mas... Mas eu não sei mais o que fazer...!

– S-senhor Levi... – Petra educadamente abriu a porta de meu escritório, adentrando timidamente com uma caneca em mãos.

– Petra...? – Hanji pendeu a cabeça de lado, fitando a ruiva.

– Até que enfim, por que demorou tanto? – Perguntei impaciente e ela logo se encolheu.

– E-eu fui buscar café para o senhor, mas quando cheguei lá fiquei pensando se era realmente uma boa ideia o senhor ingerir mais cafeína no estado em que está... então mudei de ideia e lhe trouxe um chá de erva cidreira. – Ela timidamente estendeu a caneca.

Eu olhava pesadamente a bebida quente, sentindo o cheiro característico que já dava sono.

– Petra, desse jeito eu vou acabar dormindo... eu tenho que trabalhar...

– Ah, perfeito! – Hanji tomou a xícara das mãos de Petra e logo me deu. – Muito esperta, Petra! Ele precisa mesmo relaxar. Já estava mesmo indo verificar a taxa de cafeína no organismo dele.

– O quê?! – Olhei-a indignado. Ela pretendia fazer mais exames em mim?

– Ah, ótimo! Por favor, cuide do senhor Levi, Hanji. Estive preocupada com ele a semana toda. – Disse a ruiva docemente.

– Beleza, dá conta do trabalho do Levi, por hora? – Perguntou Hanji.

– Claro... er, eu acho. – Assentiu, logo retornando à sua área de trabalho. Eu por outro lado, olhei insatisfeito para a quatro-olhos. As duas conversavam e decidiam coisas como se eu nem estivesse presente.

– Hanji, não pode deixa-la fazer tudo sozinha...

– Ah, beba o seu chá! – Ela praticamente enfiou a caneca na minha boca.

– Quatro-olhos, o problema não é eu dormir... Bem, pelo menos não só isso, o problema é também sobre eu ter pesadelos... – Falei mais timidamente.

– Oh, finalmente está revelando o que lhe aflige. – Hanji sorriu orgulhosamente. – Bem... Ah... – Ela ficou pensativa por um tempo. Creio que ela não tenha nenhum conselho psicológico para me dar... – Bem, se o problema é ficar com a mente relaxada... Foi mal falar assim, Levi... Mas você precisa de sexo.

– Quê?! – Ate derrubei a caneca que Petra me trouxe. – A... Meu chá! – Essa maldita dessa Hanji. Como é que fala uma coisa dessas do nada? – Que merda você está falando numa hora dessas?

– Olha só pra você! Já sentiu seus ombros? Já se olhou no espelho? Você está péssimo! Está no ápice do estresse... Você precisa é produzir mais endorfina e serotonina no seu corpo para relaxar! Já que não gosta de tomar diazepam, recomendo sexo pra você. É mais natural... – Fez um tom descontraído.

– Hanji! Está se ouvindo?! – Olhei-a indignado. – Eu não vou fazer isso só pra desestressar...

– Ué... Não acho que o Eren desgostaria desta ideia... – Ela revirou os olhos, toda maliciosa.

– Quer que eu use o Eren por benefício próprio?

– Não...! – Cantarolou. – Quero que peça ao Eren a te ajudar a voltar ao seu estado normal. – Ela sorriu de canto, falando vagarosamente. – Maas... se isso não funcionar, vou fazer você tomar o diazepam à força. – Disse mais dura, usando seu tom grave para dar ênfase.

– Eu não vou me dopar com esse negócio.

– Então... Não lhe resta outra opção natural a não ser passar uma boa noite com o Eren...! – Cantarolou novamente.

– E eu não vou fazer isso também, Hanji!

~*~

Eren

A aula estava para terminar, mas os minutos finais sempre pareciam ser mais demorados do que os anteriores. Eu olhava para o meu celular direto achando que havia passado uns cinco minutos, mas passara apenas um.

Aproveitei o meio tempo, enquanto o professor Ian não olhava, para mandar umas mensagens para o Levi. Perguntei como ele estava, se já se sentia menos cansado. Mesmo a resposta sendo “Estou bem. Não se preocupe.” ainda não me sentia totalmente convencido... Talvez eu devesse fazer mais tarefas de casa para ele ter mais tempo livre. Eu poderia fazer o jantar... Poderia fazer a faxina da casa sozinho talvez... Argh... Faxina... Já dava desânimo só de pensar nisso. Se bem que, durante toda a minha vida, Levi fazia-me limpar a casa junto a ele como “lazer”, então eu já estava mais do que acostumado a executar a tarefa.

Mandei mais algumas mensagens ao Levi, mas ele não respondeu. Nem fora visualizado. Nessa hora me perguntei se ele havia pegado no sono no escritório... Ou, sabendo como ele não gosta de dormir no trabalho, imagino que ele pode ter ido até a lanchonete tomar café ou até um energético para se manter acordado... Ah, cara... Desse jeito ele vai enlouquecer...

De repente meu celular vibrou. Achei que fosse ele respondendo, mas era uma mensagem da Hanji.

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[Hanji]:

Ereeen! Na saída pode esperar? Eu vou te buscar hoje! (^3^)/

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Fiquei contente ao ler, mas ao mesmo tempo achei esse aviso meio estranho...

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[Hanji]:

Ereeen! Na saída pode esperar? Eu vou te buscar hoje! (^3^)/

[Eren]:

Oh, ok! (O.=) Mas o que houve com o Levi? Ele está vindo me buscar a semana toda... hoje ele resolveu ficar trabalhando? Eu estou preocupado com ele, Hanji. (Ó.Ò) Acho que ele devia descansar...

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Francamente, eu não sei mesmo o que deu no Levi esta semana. Do nada ele virou uma bomba de estresse. Hanji logo me respondeu.

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[Eren]:

Oh, ok! (O.=) Mas o que houve com o Levi? Ele está vindo me buscar a semana toda... ele resolveu ficar trabalhando? Eu estou preocupado com ele, Hanji. (Ó.Ò) Acho que ele devia descansar...

[Hanji]:

Pode relaxar. Ele está bem! Não se esqueça, ele está em um hospital. Não há lugar mais favorável do que esse hehehehe xD (Exceto pelas infecções hospitalares, mas isso não vem ao caso ¬3¬)

[Hanji]:

Erwin está fazendo uns exames nele.

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Depois dessa eu fiquei mais relaxado. Erwin é outro o qual eu sinto grande segurança de ter como responsável. Sei que ele faria algo para ajudar o Levi.

...

Na saída da escola, Armin e eu ficamos encostados no muro do colégio, conversando enquanto esperávamos por Hanji. Hoje era quinta, dia que Mikasa tem muay thai durante a tarde, então ficamos só nós dois mesmo a ir embora. Levi sempre acabava dando carona para ele e Mikasa, visto que ambos moravam a caminho de nossa casa. Como Hanji é minha vizinha, sei que não seria problema para ela levar o Armin.

Observávamos o restante dos alunos saindo pelo portão principal, cada grupinho seguindo seu caminho para casa. No meio deles, estavam os caras chatos do time de futebol do terceiro ano. Assim como o Jean, eu não ia com a cara deles, todos possuíam a arrogância estampada no rosto. Era de dar um ódio interno ver o comportamento deles. Por onde passavam, estufavam o peito, esnobavam os outros caras e mexiam com as meninas. Agora mesmo eles assobiaram e falaram umas coisas meio deselegantes para a Christa. Pena a Ymir não estar junto na hora, pois sei que ela não iria gostar muito disso...

– Ignore-os, Eren... – Armin pediu, já desviando o olhar. Ele deve ter notado que eu os observava. Sei o quanto o loiro também não gostava deles. Tanto que até já os enfrentou sozinho, coisa que ele normalmente teria pavor de fazer.

– Ah, Armin... Eu sei que você põe medo neles se quiser. – Falei e ele riu. – Bem, pelo menos o ano está acabando. Vai ser a última vez que vamos vê-los aqui na escola. – Relembrei.

– Isso se nenhum deles repetir o ano, o que é bem provável. Devem ser uns jumentos nas matérias. – Novamente rimos. Eles são bem do tipo que parece só se apoiar na aparência e não nos estudos... Bem, já eu, não me apoiava nem na aparência e nem nos estudos, então eu não podia falar muito.

Quando observei do outro lado da rua, pude avistar Jean e Marco. Os dois não foram diretamente para casa. Marco falava ao celular, naquele seu jeito peculiar andando de um lado para o outro. Já o cara de cavalo estava parado em pé e, assim como eu, também olhava feio para o grupo esnobe do terceiro ano, mas logo desviou o olhar para minha direção. Confesso que fiquei meio sem jeito com a forma como ele fez um olhar fixo. Mesmo de longe dava pra ver que era uma encarada... estranha, porém bastante séria. O mais estranho é que ele não demonstrava uma expressão tão bronqueada como sempre.

Eu, meio sem paciência pra essas coisas, mostrei a língua a ele. Um gesto infantil que eu sempre fiz e ele não gostava. Demorou um pouco, mas Jean logo se surpreendeu com a minha atitude e mostrou o dedo como resposta. Achei estranho o retardo dele na reação... parece que ele só prestou atenção em mim agora... Quer dizer que ele não estava me encarando?

Se não era a mim... pra quem ele estava olhando? Dei uma observada ao redor, mas o único que estava perto de mim era o Armin. Ué... Por que ele o olharia assim? Esse cara de cavalo está se tornando cada vez mais estranho...

– Ela chegou! – O loiro chamou minha atenção.

Uma buzina bastante eufórica tocara de repente. Só podia ser ela!

– Hanji! – Vi que ela estava... no carro do Levi? Como ele vai voltar pra casa depois?

~*~

Assim que cheguei em casa, já dei uma verificada por todo o apartamento, caso tivesse algum lugarzinho necessitando uma limpeza. Foquei mais na cozinha e no banheiro, que eram os cômodos que se sujavam com maior frequência. Até que todos estavam bem higienizados ainda, mas para evitar qualquer questionamento, passei um pano úmido na cozinha e cera na sala de estar, de jantar e nos quartos.

Pedi para Hanji ficar comigo aqui para me ajudar a fazer o jantar. Eu já havia tentado fazer sozinho antes, entretanto eu e meu gênero desastrado fizemos jeito de estragar toda a comida. Tentei fazer arroz três vezes e todas deram errado. Duas ficaram aguadas e na terceira eu queimei. O jeito era ir fazendo junto com alguém que tenha experiência.

Até que estava divertido. Ligamos o som e deixamos rodando a lista de músicas do meu celular. Mas o jeito que Hanji cozinhava deixava o assistente, no caso eu, meio tenso, pois parecia que tudo, do jeito que ela ia preparando, daria errado. Mas não. Pelo contrário, não havia comida tão boa quanto da Hanji... Exceto o ravióli do Levi!

Enquanto ela cuidava do arroz e amassava a carne, a salada e a torta de presunto e queijo ficava para mim. Esta torta era a única coisa que eu fazia certinho, por isso, escolhi para o cardápio de hoje e já ficar para amanhã também.

Durante toda nossa tarefa culinária, papo entre Hanji e eu era o que não faltava. Primeiro eu quis saber mais como o Levi estava...

– Ah, não se preocupe, o baixinho tá em boas mãos! Mais tarde, o Erwin vai trazê-lo de carro.

– É, mas... o que exatamente o tio Erwin está fazendo.

– Ah, nada de mais... Ei! Faz tempo que você não o chama de “tio”. – Ela riu e eu logo percebi, havia falado sem querer. – Faz tempo que você não me chama de “tia” também. Ah...! Sinto falta daquela época. – Ela começou a fitar o teto, viajando em suas lembranças.

– Hehe, eu parei de te chamar assim com que idade? Eu nem lembro mais...

– Foi com onze. A idade que a criança já acha que é adulta o suficiente para ir no banco da frente do carro sem o cinto. – Ela zombou e eu ri.

– É mesmo...! Mas eu podia sim! – Sorri lembrando-me de algumas coisas que já passei com Hanji, Erwin e mesmo o Mike. Os três sempre foram meus “tios”. Só agora, na adolescência, que passei a chamá-los pelo primeiro nome apenas.

– Ah... Tem momentos que eu queria que você voltasse a ser daquele tamanhinho...! – Ela fitava-me com os olhos brilhando. – Era tão gostoso brincar contigo! Você ria de tudo o que eu fazia! Hoje em dia você faz uns olhares estranhos quando eu faço piada... Hunf! Quero o mini-Eren!

– M-mas Hanji...! Você faz piadas sobre o Levi e eu... er, como um casal e eu ficava sem graça...

– “Ficava”? Que dizer que não fica mais?

– É... B-bem, o ponto não é esse! – Resolvi desviar a conversa de novo, pois sei que Hanji diria algo que constrangesse. – Voltando ao assunto... Eu continuo preocupado com o Levi... Você não tem notado que ele ficou estranho... do nada?

– Hum... É, eu notei. Sinceramente, não sei o que é. Ele insiste que é apenas o desgaste do trabalho...

– Eu acho que deve ter algum outro motivo.

– Também achei isso, mas não imagino o que mais possa ser... Estou quase me convencendo de que é mesmo o trabalho. Levi precisa de umas férias...

– Ah, ainda bem que o Erwin descolou uma casa de praia. – Lembrei.

– Oh, sim! Nosso ano novo vai ser top!

– Sim...! S-será que o Erwin deixa eu levar o Armin...?

– Ora, mas que pergunta é essa? Claro que sim, querido. Pode levar mais amigos, se quiser! – Hanji convidava como se a casa fosse dela.

O assunto foi alternando... Ela perguntou sobre minha escola, sobre Armin e Mikasa, sobre minhas notas, sobre o pessoal da minha escola... Foi nesse momento que aproveitei pra desabafar algo que nem com o Levi eu tinha comentado.

– ...Aquelas meninas tiraram foto do meu acidente com o Jean... Vai saber se já não tá circulando pelos chats de celular alheios. – Apertei mais o cabo da faca em minha mão, cortando os legumes de maneira mais torta. Hanji não me olhava, mas processava analiticamente tudo o que eu falava. – E tem mais aqueles caras do terceiro ano! Até as meninas daquela sala ficam zombando...! E-eu realmente não sei como me esconder mais... Parece que quanto mais eu tento não chamar atenção pra isso, mais azar eu tenho! Eles vão continuar a me zoar até algo pior acontecer.

– Ah... – Hanji deu um suspiro longo. – Parece que esse tipo de gente vai ter em todas as gerações... Ouça, Eren, não ligue para o que eles dizem. São um bando de bobões que não sabem nada da sua vida. A opinião deles é totalmente irrelevante...!

– Armin me fala isso direto, mas tem momentos que eu não aguento... Eles já até barraram o Jean sozinho no corredor da escola outro dia só pra tirar uma com a cara dele... por acharem que ele é gay... Imagina o que fariam comigo se Mikasa não estivesse por perto.

– E Jean é gay? – Perguntou a de óculos, curiosa.

– Er... Eu acho que sim.

– Hum... É o filho da senhora Kirschtein, né...? – Hanji fez uma expressão estranha de novo e logo abriu um sorrisinho.

– O ponto não é esse! É só que... Não é só o terceiro ano. Várias pessoas de outras salas também ficam me olhando e cochichando coisas entre si quando passo por elas. Isso é uma coisa que me deixa muito puto...

– Eren, vou falar uma coisa pra você dizer caso continuem a te incomodar... – Ela inclinou-se e cochichou em meu ouvido, bem naturalmente. De início, fiquei meio sem jeito com suas palavras... ela veio com uma ideia meio ousada pra mim, mas fazia o maior sentido! Isso calaria a boca de qualquer idiota com toda a certeza!

– Waw... Mas isso é meio vergonhoso... – Comentei.

– Vai por mim. Eles não vão mais te incomodar se você disser com autoridade e intimidação. – Ela piscou pra mim. – Se isso não funcionar, chame a tia Hanji que ela resolve na ignorância mesmo! Ninguém faz meu menino chorar!

– Hahaha, valeu, Hanji... Você é a melhor...! – Rimos juntos. – Espera! Eu não chorei não!!

...

Quando a comida já estava quase cozida, Levi finalmente chegara em casa. Ele ainda era sorrateiro como um gato. Mesmo num estado de estresse, ele não deixava de ser silencioso na sua aparição. Só o percebemos quando ouvimos o fraco rangido da porta se fechando.

– Levi!! – Abri um largo sorriso, larguei as panelas e corri até ele, abraçando-lhe forte.– Bem vindo de volta! – Dei-lhe um breve beijo nos lábios.

– Eren... V-valeu... – Ele ficara levemente surpreendido pela recepção calorosa. Mas eu apenas queria deixá-lo mais distraído do trabalho. Pelo que eu percebia, seu tom de voz parecia um pouco melhor, comparado com hoje de manhã.

– Está com uma cara melhor... Não muito, na verdade. – Comentou Hanji, analisando-o.

– Erwin me deu uma folga depois do exame e disse pra eu dormir um pouco lá na sala dele... – Explicou.

– Que exames você fez? – Perguntei.

– Foi exame de próstata? – Hanji perguntou repentinamente e fez a veia na testa de Levi pulsar nervosamente.

– Que merda de pergunta foi essa?! Claro que não! Eu não tenho quarenta anos ainda! – Respondeu indignado para a de óculos.

– Ah, que bom...! Porque sou eu quem vai fazer esse exame em você, já combinei com o Erwin. – Ela disse na maior naturalidade.

– Como é?! – Levi foi aos poucos perdendo a paciência já esgotada. – Sua maníaca...!

– Er... Levi! Ela só está brincando...! – Segurei seu rosto com as mãos, para que não se estressasse com Hanji, que, como sempre, fazia piadas erradas fora de hora. – E-está melhor pelo menos?

– Um pouco... – Ele prestou atenção no cheiro da comida. – Oh... preparou a janta... Com a ajuda da lontra? – Ele observava surpreso as panelas no fogão.

– É, queria te poupar mais trabalho... – Ele me olhou sem demonstrar qualquer expressão. – Então quis adiantar isso...

– Hum... – Um quase imperceptível sorriso brotou-lhe nos lábios. – Muito bem... Obrigado garoto... quatro-olhos...

– Bem, então vamos jantar! – Agitei, já correndo para o armário em busca dos pratos. Tentei deixar o clima o mais descontraído possível para que Levi voltasse ao seu normal. Por mais que ele já tenha melhorado, ainda parecia estressado. Agradeci aos céus por ter Hanji por perto agora, ela ia me ajudar bem nesse quesito de dar mais alegria ao ambiente.

– Ah... Quatro-olhos. Erwin disse que está te esperando lá em baixo... – Levi disse e eu logo quebrei a cara.

– O quê?! – Olhei indignado para a de óculos. – Hanji, você vai embora? P-por quê?! – Fiz um tom meio implorativo. – Preciso de você aqui! ...Pra ajudar a animar o Levi...! – Cochichei de canto a última frase. Ela logo riu enquanto retirava seu avental.

– Não se preocupe, Eren, sei que você dá conta! – Deu um tapinha em minhas costas e pegou a sua blusa, pronta para sair do nosso apartamento. Levi a olhou torto.

– Espere aí...! E eu posso saber aonde vocês pretendem ir? – Arqueou a sobrancelha, batendo o pé impacientemente. Hanji simplesmente virou-se para Levi e fez uma careta sarrista.

– Isso... não é... da sua contaaa! – Cantarolou ela enquanto fechava a porta da frente. Isso foi muito suspeito... Será que ela tramava algo? Eu vi ela dar uma piscada antes da porta se fechar... Será que o plano era deixar eu e Levi a sós num jantar super farto? Tipo um encontro...? Olhei de canto para ele já com seu prato em mãos, se dispondo da comida enquanto murmurava coisas sobre a Hanji. Engoli seco. Agora eu tinha que acalmar um Levi estressado sozinho... Como eu faria isso?

– Hum, muito bom... Essa comida parece ótima. – Ele elogiou baixinho. Eu rapidamente sorri que nem bobo. Talvez agradando-o com máximo possível de paparicação, ele finalmente relaxe...

– Hehe... Eu só fiz a salada e a torta!

Notas finais
Oi gentem! E aí, o que acharon? *u* Bem, eu na verdade tinha planejado em um único capitulo (de novo), mas resolvi dividi-lo (de novo!!) e assim deixar a fic mais equilibradinha, oks? O que tenho mais a dizer estará nas nostas finais do próximo capitulo, então, até lá! o/ (Ah e desculpinha o capitulo ter sido meio paradão de novo =3=) Beijinhos da Nikki ♥