Reencarnado Como Galo em Outro Mundo

19 Capítulo 18 O Canto da Vitória


Manhã, 28 de Mai. Ferdinand, chefe da guilda de Bordeaux, encontrava-se em sua sala apreciando uma xícara de café antes de começar mais um dia de trabalho, quando a porta se abriu sem aviso.


_Senhor Ferdinand!


_Lucille? O que houve? Não é de seu costume entrar sem bater à porta!


Ofegando e claramente preocupada, a secretária trazia um pequeno papel em suas mãos.


_Recebi essa mensagem de um dos assistentes de Rémy, veio por um pássaro mensageiro esta manhã! Ele está morto!


_Morto? Deixe-me ler isso!


Levantando-se da cadeira de sobressalto e apanhando o papel das mãos de sua secretária, leu seu conteúdo com o máximo de atenção.


Claude, Reportando.


Mestre Rémy está morto. Avistamos seu corpo boiando embaixo de uma ponte próxima ao centro de Cognac. Haviam sinais de que foi apunhalado pelas costas, e seu rosto tinha sinais de queimadura na altura dos olhos.


Quando ainda estávamos em DuPont, recebemos uma dica de um informante de que alguns dias atrás uma grande carruagem havia passado por lá na calada da noite pegando a estrada em direção à Cognac. Seu conteúdo não foi averiguado pelos guardas dos portões, então supomos terem sido subornados. Mestre Rémy pegou seu cavalo e foi para lá enquanto buscávamos mais informações. Quando alcançamos a cidade pela manhã, havia uma comoção na praça principal. Um garoto avistou o corpo e comunicou aos guardas.


Devido à natureza de nossa missão, não pudemos reclamar o corpo que agora se encontra aos cuidados da guilda de Cognac. Aguardamos instruções.


Reporte encerrado.


Claude e Félix.


_Rémy, o que houve com você…? — Disse Ferdinand, sentando-se pesadamente em sua cadeira.


_O que faremos agora, Senhor Ferdinand? — Perguntou Lucille, limpando as lágrimas do rosto.


_Mande um pássaro mensageiro para Claude. Diga a ele que estou a caminho agora mesmo. Ponha uma bênção do vento no pássaro para que ele seja veloz.


_O Senhor irá pessoalmente?


_Sim, preciso liberar o corpo dele com a guilda de Cognac. Não vou permitir que seja sepultado como indigente. Levarei alguns homens comigo. Cuide das coisas por aqui até eu voltar.


_Entendido, Senhor. Devo pedir apoio ao Coeur de Lion?


_Eles estão em pausa depois daquele embaraço todo de ontem. Chame-os apenas se houver uma emergência.


_Farei isso. Faça uma boa viagem.


_Assim espero.


Tarde, 27 de Mai. Rikko e Inako já estavam caminhando há pouco mais de uma hora desde que saíram da Floresta d’Alvernac.


_Arf, arf, Senhor Rikko, falta muito pra chegarmos? Meus pés estão me matando.


_Como? Não faz muito tempo que saímos da floresta, como pode estar com tanta dor assim?


_O Senhor está sendo insensível comigo! Antes de encontrá-lo, eu já estava andando por aí a pé faz dias! E meus zori estão com as tiras quase arrebentando.


_Foi mal. Aguenta aí mais um pouco, estamos quase lá.


_Talvez a gente pudesse pedir carona pra alguma carroça…


_Seria ótimo. Mas não cruzamos com nenhuma esse tempo todo, não é agora que isso vai acontecer.


_Você é muito pessimista, sabia?


_Eu sou uma ave nascida pra ser comida, o pessimismo me acompanha desde que saí do ovo.


_Ah… é mesmo. Me desculpe.


_Esquece.


_Hã?


Inako parou de reclamar e ficou em silêncio no meio da estrada. Levou as mãos às suas orelhas de raposa para aguçar sua audição.


_O que foi, Inako? Está ouvindo algum car-


_Shh. Espera um pouco.


_…


_Tem alguma coisa vindo. É bem grande e pesada. Tá se arrastando pelo chão e vem daquele lado. — Inako apontou na direção de um grupo de grandes arbustos.


_Arrastando? Isso tá com cada de- COOBRAAAA!


_UWAAAA!


Desviaram por muito pouco, cada um saltando para um lado. Uma cobra gigantesca de escamas azuladas surgiu dentre os arbustos. Sua cabeça era tão grande quanto um porco adulto e seu corpo ainda não havia surgido por completo mesmo tendo se projetado com o ataque.


_Que enorme!


_Essas cobras devem ter alguma coisa contra mim, só pode!


_O quê?


_Nada! Foge!


Cada um ameaçou correr para uma direção, mas já era tarde. A cobra era tão veloz quanto grande e com um golpe de cauda derrubou Inako jogando-a longe e estava prestes a devorá-la.


_INAKO!


_Unngh, que dor… AAAAAAAHHH!


Rikko precisava agir rápido. Esquecendo-se do medo investiu contra o réptil para salvar sua companheira de viagem.


_GARRAS DE AÇO!


Mesmo com um corpo tão grande, as escamas da cobra não eram tão duras a ponto de suportar o golpe de Rikko sem receber dano. Sangue azul-escuro escorreu de seus ferimentos e a dor serviu para mudar seu alvo.


SHHHHHHHAAAA…


_É isso mesmo, grandalhona! Doeu, foi?


A cobra o fitou com seus olhos vermelhos e endireitando o corpo.


“Minhas garras estão doendo, o couro e as escamas dessa coisa são muito fortes!”


Alerta:


-Serpent Indigo


Sua cor torna impossível misturar-se à natureza, mas seu tamanho, veneno e pele resistente compensam muito bem essa desvantagem. Se encontrar uma, é fugir ou lutar.


_Essa última parte é tão óbvia… preferia saber como matar essa coisa.


_SENHOR RIKKO! ELA VAI TE COMER!


_OBRIGADO POR ME AVISAR!


_SHHHHHAAAAAA!!!


_RAJADA DE ASAS!


Rikko lançou seu ataque de vento o mais forte que podia quando a cobra investiu de boca aberta, mas resultou apenas em uma disputa de força com Rikko vibrando suas asas sem parar e o monstro forçando seu caminho com a boca expandindo ao forte vento.


“ARGH! Essa maldita não desiste! Se eu bobear um segundo já era! Minhas asas parecem que vão estourar! Tem que haver outro jeito!”


Habilidade Adquirida:


-Canto do Despertar: Nível 1


Ataque sonoro de alta potência. Quanto mais focado, mais forte ficará.


“Já te disse que te amo, Menu quebrado?” — CANTO DO DESPERTAR!


O som de um galo cantando ecoou e com potência sônica forte o bastante para explodir a cabeça da cobra de dentro para fora em pedaços. Seu corpo tombou se contorcendo até que finalmente a vida o deixou.


Na entrada para a cidade de Bordeaux, haviam dois guardas tomando conta dos portões da entrada sul tiveram um sobressalto interrompendo sua calma tarde.


_Ei, Cyrille, você ouviu isso?


_Ouvi. O que será que foi isso?


_Que bom, achei que estivesse ouvindo coisas. Não tenho certeza, mas acho que parecia um galo cantando. Veio daquela direção. — Disse seu companheiro de turno, apontando para a estrada ao longe.


_Um galo? Mas não tem fazendas por esses lados, Norbert. Devemos comunicar isso ao chefe da guarda?


_Está louco? Xavier vai dizer que não tem tempo pra isso!


_É verdade. Deixa pra lá, não tem como um galo fazer um barulho tão alto.


De volta ao local da batalha...


_ISSO! CONSEGUI!


_VOCÊ VENCEU, SENHOR RIKKO! VENCEU MESMO!


Nível Adquirido


Nome: Rikko

Classe: Ave Doméstica>Ave Selvagem(?)

Nível: 10>12

Vitalidade/ HP: 100>120

Mana/ SP: 200>220

Força: 10>12

Agilidade: 20>22

Destreza: 10>12

Inteligência: 15>16

Carisma: 2


“Ave Selvagem? O que diabos é isso? E quando foi que meu carisma aumentou?” — Pensou Rikko.


_Ei, Inako! Você se machucou?


_Estou bem agora, usei uma prece, só ficaram alguns arranhões. Mas perdi meu Geta esquerdo.


_Se o dinheiro da venda for o suficiente vamos comprar algo pra você calçar.


_Ah, falando nisso… temos um Agari, Senhor Rikko!


_O que é isso?


_Ah, é uma palavra que dizemos durante um jogo em minha terra, se chama Hanafuda. Quer dizer que encerramos uma jogada, marcamos ponto.


_Entendi, mas porque?


_Você acabou de matar um monstro de verdade! A pele, carne, presas, veneno e couro, tudo isso vale dinheiro. E bastante dinheiro!


_Então você já viu uma destas antes com o Les Intrépides?


_Não, mas quando um monstro morre, tudo o que é aproveitável fica pra trás. E não tem como uma cobra daquele tamanho ser algo normal.


_Então vou guardar tudo na minha Item Box. Caiu algum cristal ou jóia?


_Porque algo assim cairia? — Inako fez cara de confusa com a pergunta.


_Ah, esquece. Não é nada. Vamos, Bordeaux nos aguarda!


_Vamos!