Reencarnado Como Galo em Outro Mundo

12 Capítulo 11 Thanya, A Arauta da Morte


Com o som de um estalo, a consciência de Rikko durante o sono se apagou e retornou tão rápido quanto o flash de uma câmera. Sentiu que algo estranho havia acabado de acontecer com ele, e ao abrir os olhos…


_Uuuhh… Hã? Cadê a árvore? Cadê a floresta?


Sua confusão era justificável. Não estava mais em sua cama de folhas secas no buraco de uma velha mas acolhedora árvore. Sentia que estava em outro lugar, completamente diferente e quase tão escuro quanto seu esconderijo. Esperou que sua visão se acostumasse para se certificar de seus arredores e tão logo isso ocorreu, seu espanto fez com que gritasse a pelos pulmões.


_MAS QUE PORRA É ESSA???


À sua frente, havia o que pareciam serem dois rapazes desagradavelmente bonitos para seu gosto. Seminus, trajando apenas o que pareciam serem sungas de natação, permaneciam imóveis em uma estranha pose em que um abraçava o outro pelas costas e trocavam olhares entre si.

O que abraçava por trás era mais alto e enquanto uma de suas mãos segurava o outro atravessando o seu peito, a outra marotamente deslizava para dentro da sunga. Aquele que recebia esse gesto estranho de afeto não parecia resistir de forma alguma, resignando-se a um semblante misto de vergonha e prazer.


Espera um pouco… eles não estão se movendo. Acho que nem mesmo estão respirando!


Pensou que seus olhos haviam lhe traído de uma forma debochada. Os esfregaria para enxergar melhor se não fosse o fato incapaz de ser feito devido às suas pequenas asas de ave sem dedos. Foi então que ele finalmente compreendeu o que estava vendo.


_O que é isso embaixo deles…? Uma base? São estátuas!


Estátuas. Não do tipo que se coloca em salões ou jardins à vista de todos. Se tratavam de figuras em tamanho natural de algum anime ou mangá de gosto bem duvidoso. De que material eram feitas Rikko não sabia dizer.


_Não estou entendendo mais nada. Eu tô em outro mundo, não tô?


E então que percebeu que não havia apenas aquela estátua ali. Finalmente havia compreendido que estava em uma grande sala mal iluminada repleta de pôsteres retratando imagens de belos rapazes fazendo todos os tipos de pose possíveis, sejam em casais, trios e até mesmo grupos inteiros! Todos em estilo anime.


_...Caraca...


Haviam também estantes repletas de mangás, games, mais figures de pequena escala e toda sorte de mercadoria abordando romance entre rapazes. Rikko se sentia em um verdadeiro inferno BL.


_Não quero nem mais saber onde tô, eu quero é sair desse lugar o quanto an – UFF! Porque não consigo me levantar?


Havia uma força invisível o prendendo ao chão. Por mais que fizesse força não conseguia se mover um milímetro que fosse. Sentia-se pesado como chumbo.


_Droga, e essa agora?


_Você não vai a lugar nenhum.


_O qu — UAAHHH!!! Quem é você?


Rikko não a havia percebido até que estivesse ao seu lado. Era uma moça de aparência extremamente relaxada trajando um surrado moletom cinza, meias e pantufas. Seu cabelo preto como a noite estava fortemente preso em um rabo de cavalo no alto da cabeça. Sua pele era tão branca que não seria exagero dizer que poderia até ser a única fonte de luz em toda aquela sala. Para contrastar com a tez branca de seu rosto havia par de olheiras escuras debaixo de seus olhos verdes como jade que nem mesmo os óculos fundo de garrafa que utilizava conseguiam esconder.


_Eu sou Thanya. Arauta da Morte. — Disse ela, com uma voz arrastada e sem vontade. — Eu diria que é um prazer conhecê-lo, mas é um saco fazer isso.


_… Sério?


_Eu pareço estar brincando?


Rikko a encarou da cabeça aos pés. Notou que em uma em suas mãos havia um aparelho de video-game portátil.


_Bom…


_Ah, tá bom, tá bom! Espera só um minuto!


Com um estalar de dedos, um facho de luz lilás envolveu a moça e agora diante de Rikko havia uma jovem moça usando os mais finos trajes no estilo Gothic Lolita em tons de roxo. Seus cabelos estavam arrumados em duas tranças cacheadas e maquiagem carregada completava o visual.


_Já ouvi falar em mudança da água pro vinho, mas isso é ridículo!


_Silêncio! Cof, cof, testando, testando… ok!


De repente o local se tornou iluminado e Rikko pode ver com todos os detalhes que estava realmente no lugar errado. Em adição a tudo que já tinha notado, haviam sacos e mais sacos de lixo amontoados em um canto e embalagens de bebidas e salgadinhos espalhados pelo chão aguardando sua vez de serem recolhidos. Mas o que mais lhe chamou a atenção era uma caixa de lenços aberta sobre uma mesinha com uma pequena pilha deles amassados ao lado.


Permita-me me apresentar! O meu nome é Thanya, Arauta da Morte e serva leal de Finité, a própria Deusa da Morte. Prazer em conhecê- lo! — Após sua apresentação, faz um gesto de fineza segurando a barra da saia enfeitada de laços roxos com as mãos.


_…


_...O que foi, não está de seu agrado?


_Não é que não esteja, até acho esse seu visual bonito, mas a sua interpretação impecável foi ofuscada pelo ambiente. Foi mal.


Uma veia inchou na testa de Thanya.


_Ah, qual é? Você é muito exigente para alguém que está me causando tantos problemas!


_Problemas? Pra você? E quanto a mim, já deu uma olhada? Eu virei a droga de um pinto! Tive de passar os últimos tempos praticamente só comendo milho picado e sou incapaz de limpar meu próprio traseiro!


_Ah, é mesmo? Vejamos, então!


Com um passe de mágica, um grande e pesado livro de capa verde surgiu flutuando na frente de Thanya que o folheou após molhar indicador com saliva.


_Humm, não é esse, esse também não, esse aqui… achei!


_Hã? Achou o que?


_Ricardo Casanova. 19 anos. Seu primeiro e último emprego foi em uma lanchonete que serve frangos. Mulherengo convicto. Se relacionou com várias garotas ao mesmo tempo e não as tratou como deveria. Quase foi morto por uma delas e foi perseguido pelo pai furioso de outra. Causa da morte… PFFF! HAHAHAHA, isso é sério? Morreu esmagado por uma caixa de frangos congelados, e ainda por cima fantasiado de frango? HAHAHAHAHAHA!!! Não me leve a mal, mas acho que o Deus de seu mundo não ia com a sua cara.


_Eu tenho reclamações a fazer, mas acho que sou obrigado a concordar. E que livro é esse?


Thanya fechou o livro enquanto dava os últimos espamos de sua risada pelo bizarro fim de Ricardo. Com um bater de palmas, o livro desaparece e ela volta a falar.


_Cof, cof. Aquele era o Livro dos mortos de seu mundo. Consegui emprestado através de uma conhecida minha de lá. Precisava dele para saber mais sobre você e conseguir rastrear a sua alma quando veio para cá por, bem… um pequenino acidente.


_Acidente? Aliás, eu nem mesmo sabia como morri, quando percebi estava me vendo naquela mesa de hospital. Que acidente foi esse, e que mais tinha no livro?


_Ai, ai, ai, quantas perguntas! Eu sou uma pessoa muito ocupada, sabia? A caixa de frangos te atingiu depois que uma lâmina de faca danificou um dos cilindros de gás do caminhão e causou uma fagulha seguida de explosão. Meus Parabéns! Você está entre as seletas pessoas de seu mundo que já morreram da forma mais idiota e bizarra possível.


Rikko não tinha argumentos para rebater essa afirmação, mas algo nessa história ainda estava muito errado e ele queria entender o motivo para ter reencarnado ali.


_Mas o que tudo isso tem a ver com o fato de eu ter renascido assim, e como vim parar aqui?


_Bem, sobre isso… — Thanya virou-se enquanto coçava a nuca, parecendo desconcertada.


_Sobre isso…?


_…


_Vai, desembucha logo de uma vez!


_Eu acho… que a culpa foi minha… ehe!


_Não me venha com “ehe”!


_Tsc.


_Eu ouvi essa estalada de língua!


_Ai, tá, eu desist!. Você está vendo todas essas coisas aqui nesta sala, certo?


_O paraíso BL? Não dá pra ignorar isso.


_Chamo de Homo Shangri-La, mas até que você está certo. Todas essas coisas vieram de seu mundo. Como já disse antes, tenho uma conhecida lá que me apresentou a esse delicioso mundo de rapazes. É muito bom, sabe? Acabei aficionada e cada vez mais quero consumir essas coisas. — Rikko notou um fio de baba escorrendo no canto da boca dela.


_Tá. E…?


_Eu não posso me dar ao luxo de tirar férias e ir até lá para conseguir essas coisas, então tive a idéia de utilizar um portão de almas e passar de um lado para o outro sem que saibam que deixei minha sala. Mas com isso vem o problema que preciso manter o portal sempre aberto, porque leva muito tempo para canalizar.


_E o que eu tenho com isso?


_Após sua morte, sua alma acabou vindo por engano para cá pelo portal, mas quando eu percebi, já era tarde. Depois que você passou e reencarnou eu perdi o seu rastro espiritual. Levei esse tempo todo para conseguir encontrá-lo, mas confesso que foi sorte.


_E agora que me encontrou, vai me reencarnar de volta em meu mundo, acertei?


_Seria ótimo se fosse tão fácil, nem estaríamos conversando agora se fosse assim. Acontece que uma vez que alguém reencarna, sua alma fica atrelada ao novo corpo e suas memórias são apagadas para se adaptar à nova vida, mas não foi esse o seu caso. Você não perdeu as suas memórias, e como não é original daqui, não posso simplesmente separar sua alma da ave e mandar de volta.


_Porcaria! E isso quer dizer que…?


_...Que você vai ter de viver assim até o dia em que morrer. Não importa como. Essa é a regra.


Rikko, ficou pensativo por algum tempo. Tudo que ele passou nesse novo mundo foi justamente por causa dessa reencarnação, e sabe-se lá o que mais ele vai encontrar pela frente. A resposta para ele era uma só.


_Tá, e se eu me m-


_VOCÊ NEM MESMO SE ATREVA A PENSAR NISSO! — Thanya vociferou e seu dedo apontado para a cara de Rikko soou feito um chicote.


_UAU! Calma aí. Não precisa gritar, eu não sou surdo!


_Melhor que não seja mesmo, porque o que pensou em fazer é tão pecado mortal por aqui quanto é em seu mundo original. Pessoas que atentam contra a própria vida são odiadas pela senhora Finité e recebem a pior punição de todas.


_É tão ruim assim?


_Pode apostar que sim! A alma desses pecadores é triturada pessoalmente por ela pelos próximos mil anos e quando esse prazo termina, ela as pulveriza definitivamente, então literalmente você deixa de existir até mesmo como alma, o fim definitivo. Alguns nem mesmo chegam a esse ponto, são destruídos no processo de trituração.


_Essa sua Deusa é bem radical.


_Mais respeito! É Senhora Finité, para mim e para você! O que ela decide, nem mesmo o Deus Criador desse mundo pode desfazer.


_Ok, ok, não está mais aqui quem falou.


_Assim é melhor. Mas os problemas não acabam por aqui.


_Tem mais? — Rikko não consegui acreditar que a sua situação poderia ficar pior do que está.


_Sendo uma alma de outro mundo, quando veio para cá deixou todas as Arautas da Morte em alerta. Foi um custo convencê-las que foi um alarme falso, precisei entregar um relatório escrito à mão para a Senhora Finité afirmando isso. E também não posso mandar sua alma de volta pelo mesmo motivo. Só tem uma possibilidade: Esperar que você morra.


_O que vai acontecer depois disso?


_Sua alma vai se tornar parte integral desse mundo. Você perderá suas memórias naturalmente e reencarnará. Morrer como animal resetará sua alma e então poderá reencarnar seguindo o destino e nem mesmo terá de passar por nosso Céu ou Inferno.


_Então não é exatamente um problema. É só eu seguir a vida como der e um dia tudo se resolve.


_É um problema, sim. Para mim.


_Em qual parte isso é um problema pra você?


_Se descobrirem que uma alma de outro mundo veio para cá por minha causa… eu vou ser demitida.


_Desculpa, eu não ouvi. Pode repetir?


_Vou ser demitida.


_Olha, realmente não estou conseguindo te ouvir, fala de novo.


_EU VOU SER DEMITIDA, DROGA!


_Ah, entendi… você que se dane.


Thanya não conseguiu se conter após essa resposta derretendo em lágrimas.


_BUÁAAAA, VOCÊ É UM MENINO MUITO MAL! BUÁAAAA! POBREZINHA DE MIM!


_ENGOLE O CHORO! Pra começo de conversa a culpa de eu ter vindo pra cá é totalmente sua!


_EU SEEEEIII! ME DESCULPA! — Uma cachoeira de lágrimas escorria de seus olhos e um enorme ranho descia pelo nariz.


_Tá bom, tá bom, para de chorar! Te perdôo.


_Jura?


_Eu juro!


Como que por mágica, toda aquela choradeira cessou e ela voltou à sua atitude normal.


_Cof, cof! Bem, onde estávamos?


_ERAM LÁGRIMAS DE CROCODILO, NÈ?


_Não sei do que está falando.


_Merda… tá bom, e o que vamos fazer agora?


_De uma forma ou de outra, foi um erro meu que você tenha vindo parar aqui. Então, para compensar, vou lhe dar alguns dons.


_Você quer dizer poderes? Tipo aqueles que se ganham histórias de Isekai?


_Mais ou menos isso. Vou liberar o seu mana.


_Eu sei o que é mana. Joguei RPG quando criança, mas não sabia que existia de verdade.


_Em seu mundo original não existe magia. Mas mana é algo presente em tudo que há nele assim como é aqui. Sejam pessoas, monstros, animais, plantas ou pedras, tudo tem mana. O que vou fazer é destrancar sua reserva de mana que acumulou durante toda a sua vida humana neste corpo que possui agora.


_ O que posso fazer com isso? Magia?


_Dentre outras coisas. Aliás, enquanto estava desacordado, eu analisei seu corpo de ave e descobri algo curioso. Não era para você ter nascido.


_Essa é nova pra mim.


_Então, eu descobri que a ave que sua alma possuiu nem mesmo havia se desenvolvido. O ovo estava literalmente podre por dentro. Mas um poder mágico que não sei explicar de onde veio reverteu isso formando o corpo da ave. Ou seja, você já tinha uma reserva enorme de mana, e agora com ela liberada, a quantidade vai ficar ainda maior.


_Mas de onde esse poder veio?


_Sei lá, acho que tão cedo vou consegui descobrir isso, mas vou continuar pesquisando. Aceite isso como uma dádiva especial desse mundo.


_Certo, um estoque gigante de mana para meu uso. É só isso?


_Calma aí, apressadinho. Infelizmente, não tenho tempo para lhe ensinar, então você terá de aprender a usa esses poderes sozinho. E é claro que não é só isso. Você disse que jogava video games no outro mundo, não é?


_Sim. Principalmente na adolescência. Eu não era tão bom em jogos de luta, mas me virava bem com RPGS e Puzzles. Porque está me perguntando isso?


_Ótimo! — Thanya comemorou batendo palmas. — Isso facilita bastante as coisas! Agora preste bastante atenção e memorize tudo o que eu disser, ok?


_Certo, vamos ver no que dá!


_Em primeiro lugar, vou destrancar seu mana humano. Felizmente com ele destrancado, o que existir na parte ave vai seguir o fluxo naturalmente.


Um círculo mágico surge abaixo de Rikko fazendo com que seu corpo brilhe com uma aura azulada.


_Neste mundo, existem pessoas conhecidas como aventureiros de todas as classes que costumam haver em jogos RPG. Mas duas coisas todos eles têm em comum, que são inerentes apenas a eles e pessoas com mais conhecimento: O primeiro é a habilidade de ver seu próprio status, uma imagem projetada no ar em que mostra todos os seus atributos e acompanha suas evoluções. Escolha uma palavra para que possa fazer uso disso.


_Uma palavra? Vejamos… ah, vou pelo básico. Menu!


O ar à frente de Rikko se iluminou e uma série de letras e números se escreveram:


Nome: Rikko

Classe: Ave Doméstica (?)

Nível: 1

Vitalidade/ HP: 10

Mana/ SP: 100+100

Força: 1

Agilidade: 5

Destreza: 1

Inteligência: 10

Carisma: 1


_Mas que status mais mixuruca… mas o que eu esperava, né?


_Tenha paciência. Pratique sempre que puder e vai obter melhores resultados. Agora vamos para a segunda habilidade: Caixa de Itens. Por ser uma ave, não será capaz de carregar e utilizar objetos por si só, terá de confiar tudo nessa habilidade. Poderá guardar vários itens dentro dela e tirá-los quando quiser, basta evocar. Conforme você evoluir, ela evoluirá junto.


_Caixa de Itens!


Um cubo luminoso se projetou, mas por não haver nada dentro, sua imagem de status estava zero.


_É contra as regras divinas oferecer itens diretamente aos homens, mas isso se aplica apenas a itens mágicos ou de combate, então ao menos algo para comer e beber posso oferecer. Pegue isto.


Thanya apanhou objetosalgo em uma mesa e jogou em direção à caixa de itens de Rikko. Agora algo aparecia no status:


Itens adicionados:


-Carne Seca (pacote com 10 tiras): x1

-Isotônico (garrafa de 500 ml): x1


_Mas que miséria! E ainda por cima são coisas de loja de conveniência!


_Tá reclamando de que? São os itens mais básicos de sobrevivência pra mim! E tire seus olhos do meu macarrão instantâneo! — Disse, escondendo dois copos ainda não consumidos em uma gaveta.


_Mesquinha… — Embora um fio de baba estivesse escorrendo no canto de seu bico, Rikko sabia que essa batalha estava perdida. Bacon e Cheddar, justamente seus sabores preferidos.


_Cof, cof. Continuando… O que vou lhe dar agora é o último, mas não o menos importante. Uma habilidade especial. Não tenho habilidades de combate para oferecer, mas posso lhe dar esta:


Habilidade especial:


-Harmonia das Línguas


Confere a capacidade de comunicação.

Alvo: Demi-Humanos, Animais Irracionais, Monstros Racionais.


_Espera, aqui não tem humanos, porque?


_Não é óbvio? Você é uma ave doméstica, já pensou como seria se de repente a comida fosse capaz\ de falar com você? Demi-Humanos são parte animais, então entram na lista de com quem você consegue se comunicar, fique grato por isso!


Teria sido tão mais fácil se eu pudesse fazer isso antes… - Rikko nessa hora se lembrou de sua vida na fazenda. Falar com humanos poderia ter feito alguma diferença lá.


_Tá bom, eu vou dar um jeito nisso depois.


_Certo, mas esteja avisado: Pense muito bem com quem se envolverá daqui para frente, pode ser a vida ou a morte para você. E, se possível, tente não chamar muito a atenção, se é que isso será possível.


_Se eu chamar muito a atenção, vão suspeitar de mim e você perderá seu emprego, certo?


_Mas vejam só! Até que você é inteligente!


_Vou fingir que isso é um elogio.


Depois disso, revisaram todos os tópicos mais uma vez para assegurar que Rikko aprendera corretamente. Não era muito, mas segundo Thanya, se Rikko seguisse as regras e mantivesse a cautela, poderia ter uma expectativa de vida de até quinze anos, isso se não forsse parar na panela de alguém antes. Agora chegava o momento de ir. Thanya preparou um círculo de teletransporte para enviar Rkko de volta.


_Ei. Pra onde vai me mandar com isso?


_Para o mesmo lugar onde te encontrei. Aquela floresta fica perto de áreas com fazendas, então a possibilidade de encontrar monstros fortes é baixa por causa da rotatividade de aventureiros realizando missões. Aproveite isso a seu favor para adquirir experiência, vai precisar.


_Bem, preciso começar por algum lugar. — Suspirou.


_E agora, hummmm… eu preciso dormir um pouco, tem um evento especial de gacha em um jogo para mais tarde, não vou perder isso nem que precise jogar mil almas direto no inferno.


_Credo! Espero que não precise chegar a isso.


_Hehehe, estou brincando. Agora vá logo de uma vez!


_Espera! Me diz só mais uma coisa.


_O que é?


_Esse seu emprego é tão bom assim?


A expressão de Thanya mudou repentinamente para algo bem amargo. Com um facho de luz lilás, novamente trajava o surrado moletom cinza com meia e pantufas. Foi em direção a um sofá velho no canto da sala e lá se deitou para dormir.


_Uma bosta, mas paga a minha coleção. Até nunca.