Reencarnação
4 Com os amigos
Notas iniciais
Levi
Eu empurrava o armário mais para perto da janela. Era um pouco mais pesado do que eu imaginava, mas deu pra deslocá-lo numa boa. Estava liberando um espaço ali em meu quarto para o berço do Eren. Eu devo buscá-lo hoje de qualquer forma. Aproveitei e fiz uma boa faxina em todo o cômodo. Limpeza nunca é demais.
Ao mesmo tempo, falava ao telefone com Erwin, que já estava em sua faculdade. Como eu estava com ambas as mãos ocupadas, mantive o aparelho entre meu ombro e ouvido.
– É eu sei. Mike sempre foi meio imprevisível. – Comentou Erwin, dando continuidade à nossa conversa.
– Ele está aí com você agora? – Perguntei.
– Não, ainda não o encontrei. – Respondeu ele. – Tenho que confirmar se os estudantes de farmácia ficam no mesmo prédio ou no do lado.
– Hunf. Depois dou meus parabéns ao Mike pela admissão logo nessa faculdade fodida aí que você está.
– Claro. – Ele riu.
– He, que ironia. Vocês três estão na área da saúde agora...
– Nós três...?
– Você, Hanji e agora o Mike. Hanji conseguiu a vaga pra enfermagem, ficou sabendo?
– Oh, sim! Ela ficou o dia inteiro falando sobre isso a mim. Estava mais animada do que já é. Na verdade eu já até tive umas ideias com relação a isso tudo, só não sei se vai dar muito certo, mas... – Ele comentou pensativo, todo cheio de mistério, ele sempre foi assim. Mas aparentemente ele tinha algum plano em mente para o futuro. Erwin sempre foi de pensar nas coisas desde cedo. – Ah, como está o rapazinho, hein?
– Ah, está o mesmo por enquanto, dorme bastante, quando não está dormindo está chorando. – Comentei, pondo-me em pé, limpando o suor da testa, ao finalizar o enceramento do chão.
– Com relação ao Eren, como você vai fazer quando voltar a trabalhar? – Perguntou o loiro.
– Hm... Pois é... Acho que vou dever minha alma à quatro-olhos. – Respondi. E ele parece ter entendido o que eu quis dizer, pois começou a dar gargalhadas. Foi neste momento que pude ouvir o agudo chorinho vindo da sala. – Ah, Erwin, eu vou desligar agora, o Eren começou a chorar... – Falei, saindo do quarto.
– Ok, quando der, vou até aí para ver o pequeno. Porque agora, com a faculdade, não tenho tempo pra quase nada.
– Hum, quem mandou prestar medicina? Você é um fodido mesmo... – Respondi, já pegando o chorãozinho da casa no colo.
– Obrigado, Levi. – Ele respondeu ironicamente. – Até então!
Ambos desligamos o telefone. Enquanto eu ia para a cozinha preparar a mamadeira com apenas uma das mãos.
Ao dar-lhe para tomar, novamente ele sugava com certa ansiedade. Como antes, eu sempre tirava de tempo em tempo para ele não se engasgar ou ter dores de barriga mais tarde. Apesar dessa ansiedade, era o momento em que Eren mais se mostrava calmo.
Depois de mamar, ele estava agora dando outro cochilo. Desta vez deixei-o deitado de bruços no sofá. Foi bom, deu tempo de arrumar todo o quarto para caber as coisas dele. Ficaria mais apertado para mim, mas tinha que me acostumar. O bom foi que terminei tudo antes da quatro-olhos chegar. Combinamos de ir os dois buscar as coisas do Eren na antiga casa de Grisha e Carla. Mas ainda era cedo, ela viria só depois das duas da tarde. Ainda era onze da manhã.
Assim, resolvi relaxar. Sentei-me no sofá ao lado do Eren e liguei a tv. Fui passando os canais até encontrar um programa de culinária francesa, eu gostava, era bom de assistir e até que dava umas ideias para preparar no almoço. Foi aí que, novamente, ouvi o choro do Eren. Olhei-o e notei que dava umas contorcidas. Assim que o virei de costas para o sofá, vi que ele encolhia as perninhas até sua barriga.
– Eren... O que foi agora, hein? – Inconscientemente eu falava fazendo um leve bico. – Será que você sujou a frauda?
Tirei seu macacão e sua calça, desabotoei a parte de baixo de seu body e descolei as abas da frauda pra ver a situação, mas ainda estava limpa. Ele continuava a encolher as pernas. O que poderia ser então? Vesti-o novamente, logo pegando-o em meu colo. Seu choro ficava cada vez mais agudo e estridente.
– Não, Eren, não precisa chorar... – Levantei do sofá e fui caminhando pelo apartamento, acabando por me lembrar de Hanji ter falado que depois de mamar ele precisaria arrotar. Coisa que ele não fez. Posicionei-o em pé no meu colo. Encostando sua barriga com a minha, logo dei leves batidinhas em suas costas. Ele ainda dava umas choramingadas, agora bem mais baixo.
Mas mesmo depois de arrotar, continuou a chorar. Será cólica? Lembro de ter pesquisado sobre isso na internet, depois que Hanji falou que muitos bebês sentem cólicas. Coloquei Eren deitado de costas no sofá de novo, segurei suas perninhas e fiz movimentos como se ele estivesse pedalando, segundo aquele site, isso o aliviaria um pouco. Ele dava leves murmuradas, mas parecia ir se acalmando. Logo esquentei minhas mãos e massageei sua barriga, bem de leve. Assim, ele parou de chorar por um momento, mas ainda parecia agitado, balançava os braços e as pernas de forma descoordenada e fazia caretas. Soltei outro suspiro.
– Ah, Eren... O que está te incomodando? – Mexi nele todo. Olhei suas roupas, pra ver se tinha alguma etiqueta pegando nele, descolei sua frauda de novo, mas parecia tudo em ordem. E ele ameaçava voltar a chorar. Soltei outro suspiro, peguei o telefone e disquei para a espertinha destes assuntos.
– Alô?
– Sou eu, quatro olhos.
– Ahhhhhh, ooi! Como está o pequeno?
– Está chorando bastante agora... – Falei, vendo Eren voltar aos gritinhos agudos.
– Eu tava me referindo a você. – Ela deu altas gargalhadas, que fez uma veia pulsar nervosamente em minha testa. – Brincadeira, só queria te irritar. Então Eren está chorando? Ele está com cólica? Fez massagem na barriga dele?
– Fiz. Na verdade fiz de tudo, dei de mamar, peguei-o no colo, dei uma volta no apartamento, o fiz arrotar, tentei aliviar sua cólica, verifiquei se nada estava o incomodando, mas ele ainda está chorando...
– Hum, então não é nada disso que ele quer agora... Faça assim, segure-o de bruços e balance-o.
Assim que virei Eren como se deitasse de barriga pra baixo em meus braços e fiquei balançando-o. Ele parou de chorar que nem mágica. Uma coisa impressionante. Relaxou na hora, mesmo ainda acordado. Por que ela não me deu essa dica logo no começo...? Sonsa.
~*~
Era duas e vinte da tarde quando a campainha tocou. Já sabia que era a quatro-olhos. Levantei-me do sofá, desligando a televisão.
– A porta está aberta. – Falei e ela logo se abriu. Toda animada e afobada como sempre, foi adentrando meu apartamento.
– Leviiiii!! – Cheia de amor pra dar, se jogou em cima de mim, abraçando-me. É típico dela chegar assim. Mas rapidamente desviou sua atenção à criaturinha acomodada dentro do carrinho. Estava acordado, mas desta vez não chorava, apenas ficava olhando curioso para a doida ao meu lado. – Owww, oi Eren! Olha só você, todo quietinho aí. – Ela sorria fazendo seu tom infantil para ele, mexendo em seus pezinhos. – Mas agora, você vai se divertir muito, a tia Hanji chegou e vai te levar pra passear! – Eren então deu uma risadinha para Hanji.
– Hunf. Não sei se ele tem essa percepção ainda, mas parece reagir bem a esta palavra... – Comentei, de braços cruzados.
– Hum? Qual? – Perguntou.
– “Passear”... Depois que comecei a falar pra ele que iríamos passear, ele parou totalmente de chorar.
– Ahh, então bora! E você vai no colinho da Hanji! – Ela logo pegou o menino em seus braços, dando beijos em sua mãozinha. – Ah, e antes que eu me esqueça, pegue aqui na minha bolsa, comprei uma coisinha para o Eren. – Ela apontava. Eu, então, abri sua bolsa e encontrei uma pequena sacola com o emblema de uma loja para crianças. Curioso, verifiquei o que havia dentro. Era um conjunto de roupinhas novas de cor azul claro com detalhes brancos em algumas partes, de tamanho para uma criança de mais de quatro meses. Fiquei agradecido à quatro-olhos, afinal, logo Eren precisaria de roupas maiores, o próprio macacão que usava agora já dava sinais de estarem mais justas do que deviam.
– Oh, valeu, estranha. Até que tem um bom gosto... – Falei admirado pelo seu gesto.
– Não acabou, olha mais fundo na sacola. – Dito isso, dei uma última vasculhada, encontrando uma chupeta.
– Oh... eu ia comprar agora mesmo... – Comentei. – Valeu, Hanji. – Ela sorriu em resposta ao meu agradecimento.
– É meu presente de um mês de vida para o Eren. – Ela disse. – Ah... outra coisa que não posso esquecer... – Ela deu um tapa repentino na parte de trás da minha cabeça, fazendo-me pender um pouco pra frente. Duas veias pulsaram e minha testa com sua ousadia.
– Oe... Quatro-olhos... – Fiz um tom ameaçador.
– Isso foi por ter deixado o pequenino no orfanato quando eu disse para não fazer, hunf. – Ela relembrou, falando num tom de sermão, mas ao mesmo tempo brincalhão.
– Só não te passo uma rasteira agora porque está com o Eren em seu colo.
~*~
Hanji e eu, enfim, saímos para a casa dos Jaeger. Eu já sabia o caminho de cor, devido a todas as minhas idas lá para ajudar Carla a carregar as compras do mercado.
Hanji foi segurando o Eren em seu colo, apontando tudo ao redor e dizendo o nome de cada coisa que ele ficasse prestando mais atenção. Era uma florzinha mais colorida, um passarinho no galho de uma árvore, um cachorro que dava uma voltinha com seu dono, coisas assim.
Isso deu uma folguinha a mim de momento, afinal, eu ficava dando atenção ao Eren o dia inteiro, praticamente. Era bom ter alguém para ajudar, aliás... Eu tinha meu favorzinho a pedir para a quatro-olhos.
– Oe, Hanji. – Chamei-a e ela logo desviou sua atenção para mim.
– Diga.
– Ouça... Eu voltarei a trabalhar na semana que vem. Eu... queria saber qual turno da faculdade você pegou... – Falava meio sem graça. Não me sentia confortável em pedir favores tão trabalhosos a outras pessoas. Mas pela minha situação, não teria jeito. Antes que eu terminasse de falar, Hanji apenas sorriu, aparentemente sabendo o que eu diria.
– Meu período é o noturno. – Ela respondeu.
– Então...Er... eu sei que está complicado, mas... Bem, eu queria pedir... er...
– Quer que eu cuide do Eren enquanto você estiver no trabalho? – Ela praticamente completou minha frase.
– É... Trabalho apenas oito horas por dia. Eu voltarei pra casa às duas da tarde. – Disse. Hanji riu.
– Eu imaginei que você fosse pedir algo assim, por isso mesmo que me matriculei para o período noturno.
– N-não tem nenhum problema pra você?
– Não, claro que não, imagina. Quem não ia gostar de passar um tempinho por dia com essa coisinha fofa. – Ela beijava o topo da cabeça de Eren.
– É, só que essa coisinha fofa aí chora vinte e cinco horas por dia. – Comentei. – Sério que não vai te atrapalhar nos estudos nem nada?
– Sério, Levi! Relaxe. – Ela afagava meus cabelos. – Posso fazer testes da faculdade com ele...
– Nem pensar!!
– Hahahaha, estou brincando seu besta. Você é tão sem senso de humor... – Ela fez um bico.
Finalmente, chegando à antiga casa dos Jaeger, abri a porta com a chave da imobiliária e logo adentramos o local. Estava ainda com todos os móveis, no mesmo lugar onde o casal havia deixado. Logo mais a imobiliária viria ali retirar os bens da casa e vendê-los. Então, Eren, como herdeiro de tudo aqui, tinha direito à suas coisas e dinheiro das vendas.
Não vim buscar apenas o berço. Hanji e eu vasculhamos o local em busca de itens valiosos do casal. Não valiosos monetariamente, mas sentimentalmente. Tal como uma caixa enorme que encontrei na cômoda da sala de estar. Curiosos, eu e Hanji demos umas olhadas ali. Estava cheia de fotos, muitas fotos, tanto do Grisha quanto da Carla, tinha até dos dois crianças. Uma foto continha a imagem de Carla ainda bebê. Foi aí que percebi o quanto Eren é parecido com Carla, pareciam ser a mesma criança. Guardamos tudo novamente dentro da caixa e colocamos do canto perto da porta.
E emoldurado na parede, havia outra fotografia. Maior e mais recente. Nela estava Grisha e ao seu lado Carla, já grávida, aparentemente de seis meses. Ambos sorriam. Esta eu também levaria comigo, sem dúvidas. É bom Eren ter alguma imagem de seus pais para ver no decorrer de sua vida.
Então, Hanji e eu fomos para o quarto que deveria ser de Eren. Deu um certo aperto no coração ver o cômodo. Pois Carla já havia deixado o enxoval todo pronto, decorado com vários tons de azul, marrom claro e branco, com um trocador, um sofazinho e um armário para as roupinhas, apenas esperando a chegada de Eren...
Bem, pelo que notei, eu e Hanji, juntos não conseguiríamos levar tudo aquilo a pé, precisaríamos de um taxi. Já que Carla comprou tudo aquilo, levaria todos os moveis dali. Exceto aquele sofá de amamentar e a cômoda, não caberiam de forma alguma em meu apartamento.
~*~
Passaram-se três meses. Era final de julho. Foi somente nesta semana que Erwin, Mike, Hanji e eu pudemos no encontrar, devido à falta de tempo deles por conta da faculdade. Os três vieram para meu apartamento hoje no almoço e ficaram até agora de noite.
Jogamos muita conversa fora. Mike falou de seu curso de farmácia, contando tudo sobre o local, as aulas, tarefas a fazer e nomes de remédios para decorar. Isso estava super interligado ao curso de Hanji, que como futura enfermeira, tinha que decorar todos os remédios também. Erwin, não preciso nem comentar que precisaria saber de tudo no mundo, como futuro médico. Enquanto isso, eu estava lá, sem rumo de vida. Mas não tão depressivo como pensei que estaria por ainda não estar fazendo uma faculdade. Eles eram mais velhos que eu, por isso não precisava me desesperar. Ainda tinha chance de fazer meu curso de direito no tempo certo.
Também nos relembramos bastante de nosso tempo de colégio. Como nosso grupinho se formou. Foi bem sem querer, e a quatro-olhos que foi o pilar da turma, por ser a mais extrovertida e sociável. Conversamos por muito tempo, apenas para matar a saudade. Agora, estávamos os quatro sentados à mesa da pequena sala de jantar jogando baralho. Uma boa e velha partida de tranca. As duplas foram Hanji e Mike contra eu e Erwin. Aliás, uma partida o caramba, jogamos um monte. Até que foi bem divertido quebrar um pouco a rotina.
Quatro meses para nós não era nada, mas para o pequeno Eren, já foi uma boa mudança. Ele cresceu sete centímetros e já não estava mais tão chorão como no começo. Ficava mais quietinho e dormia bem mais que antes. Entretanto, agora, quando chorava era bem mais difícil e trabalhoso conseguir fazê-lo parar. Porque os motivos não eram mais tão óbvios como antes. Era uma luta conseguir acalmá-lo, e seu choro sempre ficava mais alto e mais agudo.
E foi quando estávamos todos ainda na sala de jantar, compartilhando de uma pizza que havia chegado não tem nem dez minutos, Eren resolveu abrir o berreiro. O choro mais agudo de todos. Sei bem que aquele tom significava apenas manha do menino mesmo. Esse aí que era ruim de parar, pois tinha que ficar adivinhando o que ele estava querendo. Poderia ser um colo, poderia ser uma carícia, poderia ser de algo em sua roupa que o esteja incomodando, as possibilidades são muitas.
– Wow, o garotinho se manifestou. – Comentou Mike, enquanto já terminava de comer seu primeiro pedaço de pizza.
– Você foi o único que ainda não carregou o Eren, não é Mike? – Perguntou a quatro-olhos, preparando um suco de maracujá na cozinha.
– Ainda não. – Confirmou ele.
– Hum... – Olhei para aquela situação vendo uma oportunidade de ver algo engraçado ali. – Mike, vá lá buscar o Eren do quarto então. Vamos ver o que ele quer... – Sugeri, dando também uma garfada em minha pizza.
Mike, então, lavou suas mãos e foi pegar o Eren. Suas mãos enormes possibilitavam ele segurar o pequeno com um único braço. Sem dificuldade alguma.
– Ei, garotão, o que houve, hein? – Mike conversava com ele, dando leves balançadinhas em seu colo. Fazia de forma meio desajeitada, mas até que ia bem. Mas isso não parecia ser o que Eren queria, pois continuava chorando. Mike até sentou-se na cadeira e apoiou o menino sentado em sua coxa, logo fazendo balanços de cavalgada, mas mesmo assim, Eren parecia não querer parar o choro. Eu olhava para aquilo rindo internamente, porque Mike foi ficando sem ações e meio desesperado pelo volume do choro que aumentava. – Levi, socorro...
– Dê para o Erwin, talvez ele consiga. – Falei de forma divertida. Erwin também lavou as mãos e pegou Eren no colo.
– Venha com o Erwin agora, Eren...
O loiro tentou segurá-lo de várias posições. Deixou-o sentadinho em seu braço, segurou de bruços, segurou em pé, apoiou a cabeça em seu peito, deu voltas pelo apartamento, mostrando as fotos de Carla e Grisha que deixei emoldurados na estante, isso normalmente prendia sua atenção e o fazia se acalmar, mas desta vez não deu certo. Eren continuava aos gritinhos agudos e cada vez mais frenéticos.
– Eita, Erwin, nem você, cara. – Mike tirava sarro da falta de sucesso dele em tranquilizar a criança.
– Hunf. Olha quem fala, você que entrou em desespero aí. – Falou Erwin de forma sarrista para o mais alto.
– Erwin, você não mostra externamente, mas dá pra ver o quanto está apavorado também por causa do choro. – Falou Hanji, rindo da cara do loiro.
– Hum, mas ele não para... O que houve, hein Eren? – Ele mexia nos pezinhos agitados do pequeno. – Levi, acha que ele sujou a frauda?
Mike, simultaneamente tentou sentir o cheiro de longe pra confirmar se a fruda estava mesmo suja.
– Olha, Erwin... não é esse choro que ele dá normalmente quando o problema é frauda, mas... dê uma verificada aí. – Falei sorrindo de canto, vendo o Erwin sofrendo ali. Até apoiei as costas na cadeira e coloquei as mãos atrás da cabeça para assistir melhor a cena. É bom que vejam um pouco do trabalho que tenho todos os dias com um bebê em casa.
Erwin deitou Eren no sofá e tirou toda a parte de baixo de sua roupinha, logo descolando as abas da frauda para verificar, mas estava tudo bem limpinho.
– Ué... Está tudo em ordem aqui. – Comentou vestindo o garoto novamente. – Ele não quer mamar, Levi?
– Hm, dei me mamar pra ele agora a pouco, lembra? Quando estávamos jogando tranca.
– Ah... Não tenho ideia mesmo então... – Erwin também ficou sem ações na hora. Não era por menos. Qualquer um que ficasse ouvindo aquele choro estridente por muito tempo, obviamente entraria em desespero por não saber como parar. Erwin e Mike já estavam desse jeito, e eu apenas rindo deles.
– É foda, né Erwin? – Comentei irônico, só pra provocar.
– Hunf. Então dê uma ajudinha aqui, esse garoto vai ficar sem voz se continuar assim...
– Dê ele aqui pra mim!! – Hanji pedia, colocando o suco sobre a mesa e retirando o avental. Eu, então, levantei-me da mesa e fui para a pia lavar toda a louça.
– Por favor, Hanji... – Erwin entregou o pequeno nos braços da doida.
– Oww, o que que você tem agora, hein menininho? – Novamente usava de seu tom infantil e brincalhão. – Cadê o seu sorrisinho, hein Eren? Cadê? – Ela encostava a boca em sua barrigunha e dava uma assoprada fazendo um barulho engraçado. Eren diminuiu um pouco o tom do choro, mas ainda não havia se acalmado. Estava contorcendo os braços e as pernas.
Eu, de longe, via perfeitamente que ele estava era com sono. Sei... Antes eu não sabia que bebês choravam por isso. Era só eles dormirem e pronto, não é? Mas não é tão simples assim na realidade. Muitas vezes ele só pega no sono ao se sentir protegido e acalmado no colo de alguém. Creio que ele estava acordado até agora, desde sua última mamada. E foi se manifestar só agora. Eu posso dizer que Hanji é muito boa em fazer Eren parar de chorar, mas não no caso de quando ele estava sentindo sono. Hanji tem uma energia de pessoa agitada e animada, essa energia toda passava para o Eren. Isso só era bom quando ele estava muito bem acordado e precisasse de algo com que se distrair.
E agora, o choro do garoto voltava a aumentar de volume.
– Owhh, por que, você chora tanto, querido...? – Hanji fazia um bico. – Não precisa, não precisa, olha quanta gente veio aqui te ver hoje! Tio Erwin, tio Mike e tia Hanji. – Ela conversava ainda sem perder sua animação. Mas depois de um bom tempo, ela também acabou desistindo, sem ideia do motivo de seu choro desesperador. Eu continuava rindo internamente da cara deles. Realmente, esse é um dos mínimos trabalhos que tenho que lidar todos os dias.
– Você desiste, quatro-olhos? – Perguntei ainda em meu tom irônico e divertido, enquanto lavava a louça.
– É... Eu não entendo, segurei-o em todas as posições que aliviam. – Ela comentava, super interrogativa.
– Hunf. – Dei um riso antes de colocar o prato no escorredor e retirar o avental. – Erwin, pode terminar esta louça aqui pra mim?
– Claro. – Ele pegou o avental de minha mão e logo o colocou. – Mas pelo amor de Deus, faça esse garoto relaxar... Parece que está sofrendo, coitado.
Lavei minhas mãos também. E finalmente fui até Hanji. Estendi as mãos e a quatro-olhos entregou o pequeno para mim.
– Isso aqui é sono, certeza. – Falei, totalmente calmo. Assim que Eren veio para meus braços, segurei-o na posição vertical e com suas perninhas encolhidas. Sua barriguinha encostada ao meu peito e, com a outra mão, apoiando sua cabeça pra perto de meu ombro. Logo levei meus lábios até seu pequeno ouvido, encostando de leve, e fiz um “Shhhhhhhh...” longo e baixinho.
Foi que nem mágica. Eren parou o berreiro, as caretas e as contorcidas. Finalmente relaxando e ficando bem quietinho, dei voltas com ele pela sala. Andava para lá e para cá. O movimento do andar junto ao meu “Shhh...” faziam Eren acalmar bastante. Mantive sua barriga bem encostada a mim para que recebesse meu calor. E não deixava de acariciar suas costas.
Virei para os três patetas, e eles estavam boquiabertos. Hanji estava corada e toda encantada com a cena, tanto que até tirava fotos com seu celular. Mike e Erwin ficaram impressionados com a minha magia secreta de fazer bebês pararem de chorar em poucos segundos.
– Hunf, é assim que se faz. – Falei num sorriso vitorioso.
Mas apesar desse feito, não acho que teria conseguido acalmar tão rápido assim outra criança que não fosse Eren.
– Oww, olha só que anjinho. Ele dormiu mesmo. – Hanji falava.
– Assim é bem melhor... – Comentou Mike.
– Como fez isso? Pareceu tão simples... – Erwin falou.
– É o jeito, Erwin. – Disse simplesmente. Eu não conseguia explicar, mas com a convivência, notei que várias formas para lidar com o Eren já eram bastante familiares para mim. E o pequeno, igualmente se identificava aos meus gestos e reagia bem. Era estranho e até que... agradável.
– Que lindinhoo... – Hanji ainda falava encantada. – Parece até que... você e o Eren já se conhecem a muito tempo!
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