Reencarnação

14 Casa limpa e jantar de gala


Notas iniciais
Oi gente!! Vou falar pouquinho aqui pq to postando às 1:45 da manhã =3= Mas eu queria postar hoje de qualquer jeito enquanto ainda não perdi a linha de raciocínio. xD Só digo: Primeiro, eu sei que esse 9000 palavras aí assusta um pouco, por favor me perdoem =3= eu ia dividir o capitulo em dois pra não ficar cansativo, mas resolvi deixar inteiro, duas amigas me convenceram de que era tranquilo ler assim então, bem é isso. Bem, pra quem não tiver com preguiça, boa leitura ♥

Levi

Minha relação com o Eren ainda era algo sem um nome específico. Não sabíamos direito como chamá-la. Não éramos pai e filho; não éramos irmãos; não éramos tio e sobrinho... Na verdade, agora nem sei se éramos amigos... Eu até tenho receio de pronunciar uma outra possível relação entre o garoto e eu... Ainda achava isso errado.

Os dias se passavam, eu e Eren vivíamos nossa vida normalmente. Eu trabalhava, ele estudava; limpávamos a casa, lavávamos as roupas, fazíamos o almoço e o jantar... Tudo como de costume. Mas isso apenas nos afazeres diários. Depois daquele dia, em que eu e Eren ficamos de fato, ele começou a me cumprimentar sempre com um beijo no rosto, seja pra dar “bom dia”, pra se despedir ao ir ao colégio, ao chegar em casa ou qualquer situação do gênero. Eu, sendo meio tentado, comecei a fazer o mesmo. Pra mim, isso era estranhamente confortável. Um dos poucos gestos que me fazia sentir que realmente estava demonstrando alguma afetividade ao menino. Afinal, é do meu normal ser mais fechado e sério perante a relações com outras pessoas.

Mas também... Quando ficávamos sozinhos, estávamos agora nos cumprimentando com selinhos... Toda vez que possível. Isso ficou um tanto normal pra nós. Ambos sentíamos uma estranha satisfação. Eu sei, pois via a expressão realizada no rosto do Eren após cada beijo. Claro que não fazíamos isso na frente de ninguém. Aliás, nem comentamos um com o outro se isso era uma boa ou uma má ideia, simplesmente começamos a fazer sem dar explicações.

Desde o dia que eu e Eren ficamos, não tocamos mais no assunto e ficou por isso mesmo. Estive pensando se ele quer mesmo seguir adiante com isso. Pois por mim... eu estava... não sei exatamente, mas até que eu sentia vontade...

Fazia apenas duas semanas desde que começamos com isso. Houve momentos que Eren me tentou a fazer mais coisas além de só dar um selinho. Às vezes ele sussurrava “boa noite” ou “já cheguei em casa” num tom de voz bem convidativo. Eu apenas o respondia de forma indiferente, mas no fundo eu me segurava.

Hoje mesmo, sexta-feira, ele fez essa vozinha ao se despedir e ir para o colégio. Por hora continuo ignorando. Mas em algum momento terei que pegar o Eren pra conversar sobre várias coisas que ainda estão pendentes e mal resolvidas entre nós. Pois convenhamos que é estranho um adolescente e seu responsável ficarem dando beijos assim aleatoriamente quando nem são um casal... Por mais que eu veja como Eren e eu nos sentimos familiarizados com o gesto, continua sendo algo estranho.

Por hora eu queria apenas me distrair com os assuntos do trabalho, entretanto, no meio do caminho, eu, ainda no carro, logo depois de eu ter deixado Eren no colégio, recebi uma ligação do Erwin. Já imaginei que fosse algum problema.

– Oi, Erwin. – Atendi-o.

Levi! Ah, onde você está?

– Estou no farol da terceira quadra antes do hospital. Calma que eu chego aí em cinco minutos... Aconteceu alguma coisa?

Não, não. Só decidi agora... se quiser, estou te dando um dia de folga hoje. – Eu estranhei a declaração do loiro.

– Hã? Como assim? Por quê?

Eu já estava há um tempo querendo pegar um dia pra verificar eu mesmo algumas coisas aqui no sistema. Estou pensando em fazer umas alterações, digamos, radicais em algumas alas...

– Hum... e seus pacientes? Vai deixá-los morrer na maca? – Perguntei irônico.

Não tenho pacientes. Hoje foi uma rara ocasião que não há nenhuma cirurgia ou procedimento delicado marcado para resolver, então... – Erwin foi dando aquela longa e técnica explicação. Ele adorava deixar tudo bem claro nos mínimos detalhes. Eu, ouvindo isso, apenas dei um suspiro e já estercei o carro para pegar o retorno na próxima rua e ir para a casa.

– Tá bom, Erwin. Então agradeço por essa folga. E não precisa se sobrecarregar, viu?

Pode deixar! – Ele riu. – Aproveite hoje pra ficar com o Eren. – Assim que ele disse isso eu arqueei a sobrancelha e uma veia saltou em minha testa.

– O quê?! O que quer dizer com isso?! Por que falou isso do nada?! – Por um breve momento eu me exaltei e senti uma palpitada em meu peito. Ouvi Erwin dando gargalhadas, provavelmente diante do meu desconserto. Ouvindo com mais atenção ao celular, pude notar uma outra risadinha irritante ao fundo. – Erwin, quem está com você aí? – Perguntei, já imaginando a resposta.

O quê? Não tem ninguém aqui.

– É a Hanji, não é?

Hum.. é. É sim.

Ah Erwin!! – A vozinha super reconhecível da quatro-olhos se manifestou. – Não era pra me entregar!

– Hunf. Vocês estão brincando comigo, seus herbívoros? – Outra veia pulsava em minha testa.

Hanji disse que se eu falasse do Eren, você ficaria todo exaltado. Quis ver se era verdade... – Explicou Erwin, aparentemente se divertindo com a situação.

– Hunf... Tá no viva-voz?

Tá. – Afimrou Erwin.

– Então... Hanji! – Chamei-a. – Com todo o respeito, vai tomar no meio do olho do teu...!!

Epa! espera um pouco, rapaz!! Não precisa ficar nervoso assim não! É só brincadeira! Levi é tão sem senso de humor...! – Ela dizia rindo.

– Tsc. Que seja. – Resolvi finalizar logo a conversa. – Tchau aos dois então.

Até mais! – Eles responderam juntos, eu desliguei o celular e deixei-o jogado no banco do passageiro. Fiz o retorno e voltei para casa. No caminho senti meu peito levemente aquecido... Um nervosismo estranho. Sentia como se Erwin e Hanji estivessem montando um esquema para eu ficar com o Eren... como fazem os jovens no colégio. Mas não, impossível. Erwin já estava planejando fazer mudanças em algumas coisas do hospital, que eu sei! Então foi apenas coincidência.

Chegando ao meu apartamento, a primeira coisa que fiz foi retirar a gravata e me livrar dos sapatos, logo me sentando no sofá. Olhei para o relógio, não era nem oito da manhã ainda. O que eu faria até o Eren voltar...?

Bem, já que hoje é meu dia de folga, farei o almoço e a faxina do fim de semana. Sim! Não havia atividade melhor do que uma boa e calma limpeza na casa, ainda mais já começando-a pela manhã. Sempre foi e sempre será a minha melhor distração para os meus problemas. Rapidamente levantei-me, troquei de roupas, colocando um conjunto mais confortável para o serviço, amarrei meus usuais lenços na cabeça e no rosto para logo buscar a vassoura.

Dei uma boa varrida pela casa. Passei pelos quartos, pelo banheiro, pela cozinha, na sala de estar... Todos os cômodos apresentavam até que poucos resquícios de poeira. Isso até eu chegar na sala de jantar, perto da mesa... Haviam umas migalhas de pão esparramadas pelo tapete. Provavelmente Eren deixou cair durante o café da manhã hoje. Pior que isso... eu não conseguia tirá-las dali simplesmente varrendo. Os farelos ficavam presos nas entranhas do tecido de jeito que vassoura nenhuma tirava. O único jeito seria recorrer ao aspirador de pó...

Sei que ainda era muito cedo para usar o aspirador, visto que moro em um prédio e o barulho incomodaria os vizinhos, mas eu precisava dar uma rápida aspirada ao menos naquele tapete. Pois, agora que as vi, essas migalhas de pão iriam perturbar minha mente enquanto não saíssem dali. Afastei os móveis, deixando o tapete totalmente exposto. Pluguei o fio da máquina na tomada e arregacei as mangas. Faria o serviço o mais rápido possível.

Assim que apertei o botão de ligar, ouvi um alto barulho de estouro e a máquina logo desligou sozinha...

Eu, por breves segundos, fiquei olhando aquilo... com uma cara de paisagem... por um bom tempo...

– Que... porra... foi essa? – Liguei e desliguei o aspirador várias vezes e nada aconteceu. Aquela veia que já pulsara hoje na testa estava se manifestando de novo. – Não acredito... que pifou logo agora!

Bem, está certo que esse nosso aspirador já fazia uns barulhos de “produto velho” há um tempinho. Mas não achei que pifaria tão logo.

Massageei as têmporas, impaciente. Pelo visto teria que comprar um novo... E compraria já! Não ia sossegar até ter um aspirador em funcionamento dentro dessa casa. Fui rapidamente para o quarto trocar de roupas novamente para sair.

Eren

Vim voltando da escola com Armin. Estávamos já no percurso final. Mikasa já havia se separado de nós e seguido na rua da quadra anterior em direção à sua casa. Eu e o loiro conversávamos das provas que logo viriam.

– Armin... Er, posso estudar com você?

– Claro, na minha casa ou na sua?

– Ah... – Parei pra dar uma pensada... Armin é muito esperto. Creio que enxergaria perfeitamente o estranho e gay clima entre Levi e eu. E por hora eu ainda não queria que ele visse... – N-na sua casa é melhor.

– Tá bem, só me avisa o dia antes. Você conhece meu avô, ele não gosta muito de combinados de última hora.

– Ok, ok...! – Sorri. Quando olhamos mais à frente, e logo avistamos a costumeira loja de conveniências que sempre comprávamos doces.

– Ah, Eren, vamos ali rapidinho ver se eles ainda têm aquele chocolate caseiro? – Armin chamou, com os olhos brilhando.

– Uh, boa ideia! – Também senti vontade de comer chocolate, apesar de ser horário de almoço, um chocolatinho não faz mal a ninguém, não é? Guardaria o restante pra mais tarde.

Assim que nós entramos na loja, demos de cara com uns alunos da nossa escola lá perto do caixa. Não eram da nossa sala, se bem me lembro, eles eram do segundo ano. Estranhamente eles ficaram me olhando torto em nossa direção e não faziam lá uma cara muito boa...

– Ué, por que estão olhando assim pra nós...? – Sussurrei para o Armin.

– Hum... vai saber... – O loiro também arqueou a sobrancelha.

O grupinho deles logo foi saindo da loja, não parando de me encarar de forma... enojada?

– O que foi?! – Gritei pra eles. Minha paciência era curta demais pra aguentar esse tipo de comportamento. Os caras nada responderam, apenas desviaram o olhar e foram saindo de fininho da loja. Eu, frustrado e sem entender o que houve, corri até a janela da loja, conseguindo então, ouvi-los falar...

– Afe, você viu? Aposto que ele pega aquele loiro nas horas vagas...

– Hahaha, já basta o Kirschitein! Não esperava que ele fosse um viadinho...!

– Pois é, os dois sempre pagam de machão, mas devem se pegar pela escola...!

– Argh, não quero nem imaginar...

Eu ouvi aquilo e apertei os punhos. Senti uma veia saltar em minha testa e pulsar de ódio das injustiças que eu ouvia. Quem eles pensam que são? Nem me conhecem e saem falando assim?!

– Esses malditos... – Eu já estava saindo da loja e indo na direção deles, pronto para arrumar encrenca e esmurrá-los um a um. Mas, o sempre pacífico Armin sempre me segurava.

– Não Eren!! Não vale a pena! – Ele tentou me acalmar com suas palavras, sempre convencedoras. – Não precisa se rebaixar a esse nível. São só uns bobões que não sabem de nada do que aconteceu. Não merecem do seu tempo...! – Novamente, as palavras de Armin sempre me confortavam. A voz dele me fazia repensar pelo lado consciente e não pelo emocional.

– Hunf... – Relaxei os ombros e me virei para ele. – É... acho que tem razão... Mas isso já está virando uma perturbação, Armin. – Expliquei. – Pessoas tiraram foto da minha cena com o Jean... Quando se tira foto, não tem mais volta, todos ficam sabendo no dia seguinte...

– Eren, já falei pra não ligar pra isso.

– Mas não dá! Faz duas semanas que esse povo me olha de forma estranha, todos achando que estou saindo com o Jean... Será que eles não percebem que foi um acidente?

– Ninguém mexeu com você. A Mikasa está sempre por perto, lembra?

– Não mexeram, mas ficavam sussurrando um com o outro, olhando para mim e para o Jean... Isso me frustra. Por que eles não esquecem esse assunto logo?

– Eles vão esquecer, eu garanto! – Armin falou firme.

– Hum, espero que sim... – Fui caminhando com o loiro por entre os pequenos corredores da loja. – Acho que eu ter ido pra escola de cachecol causou mais mal-entendidos ainda...

– Er... – Armin me olhava de forma analítica de novo. – Eren... haviam de fato... alguma coisa em seu pescoço que você quis esconder, não é? – Assim que ele disse isso, devo ter ficado bem vermelho, mas tentei disfarçar. – Tipo, marcas...!

– Ahh... O... O que?! – Depois dessa fala sim, senti um calor intenso no rosto.

– Relaxa, Eren, não vou contar pra ninguém.

– Ah... – Dei uma suspirada. Pelo menos ele não sabe ainda com quem foi...!

– Foi o Levi, não foi? – Como num tiro certeiro, Armin me abate pela segunda vez hoje.

– Armin!! Fala mais baixo!

– Ah desculpa! – Ele riu da minha reação. – Não vou falar mais nisso, só quis confirmar. – O loiro logo encontrou as barras de chocolate caseiro na prateleira de cima, o qual não conseguiu alcançar. Então, peguei-os eu mesmo e fomos para o caixa.

Na saída da lojinha, estávamos já prestes a nos separar também pra seguir cada um até sua respectiva casa, mas Armin ainda quis falar.

– Bem... Tente não arrumar encrenca com mais nenhum aluno da escola. Tem vários deles que vem embora pra esses lados, lembra?

– Eu sei! Vou... tentar ignorá-los. – Falei fazendo um bico pensando em mais gente agindo como o grupinho de agora a pouco. Logo tive uma ideia. – Er, Armin, será que eu consigo disfarçar?

– Hm? Disfarçar?

– Vou tentar de novo mostrar que não sou gay... – Dito isso, Armin logo deu uma gargalhada.

– O que?! Como vai fazer isso?

– Seguindo o plano original. Vou mostrar aos outros que estou a fim de alguma menina... – Falei mais firme.

– É?! E vai dar em cima de quem, senhor galã?

– Hum... Desta vez pensei de primeira na Mikasa, por ser minha melhor amiga, poderia fingir comigo...

– Er...! – Antes que Armin falasse, eu o interrompi, tapando sua boca.

– Mas...!! Eu sei dos sentimentos dela... Por isso, sei que não posso pedir a ela... Então, continuarei atrás da Annie. – Falei, achando um bom plano, afinal eu já estava mesmo atrás dela quando caí em cima do Jean na escada.

– Cara, alguma hora você vai apanhar... – Armin disse e simplesmente dobrou a esquina seguindo seu caminho para casa.

– Hã?! Como assim?

– Tchau Eren! Até segunda!! – Ele acenou e logo saiu correndo.

– Ah... – Apenas fiquei com o braço estendido na direção do Armin, olhando-o sumir na próxima esquina e me deixar no vácuo...

~*~

Cheguei em casa rapidinho. Assim que abri a porta, vi o Levi sentado no tapete da sala. Eu fiquei surpreso. O que ele estava fazendo aqui? Será que Erwin o dispensou hoje?

Ele estava de pernas cruzadas e de costas para mim. Ele nem se virou pra me ver... Talvez estivesse bem distraído. Pensei em lhe dar um sustinho. Fui de fininho até ficar bem atrás dele, mesmo em pé, inclinei-me pra frente até deixar meu rosto cara a cara ao seu, mas ele levantou ao mesmo tempo e acabamos dando uma cabeçada bem dada um no outro.

– Argh! Eren!! – Levi logo levou a mão na testa.

– Ai, ai, ai, caramba!! Levi, isso dói! – Também massageei minha própria testa, me ajoelhando no chão e fazendo um drama.

– Que ideia foi essa, garoto? Não chegue assim...

– Desculpa... – Dei um riso sem graça, olhando-o não tirar os olhos de um papel em mãos. – O-o que está fazendo aqui? Voltou cedo... – Comentei enquanto engatinhava até ele.

– É... Erwin me deu uma folga hoje... – Ele não tirava sua atenção daquele papel. Vi que ele apertava os olhos para lê-lo.

– Então... Levi, eu... Er, o-olhe pra mim. – Pedi, ele logo o fez com a sobrancelha arqueada.

– O que... – Antes que terminasse sua fala, dei-lhe um selinho nos lábios. Um contato rápido, mas o mais carinhoso que eu consegui. Levi ficou com os olhos arregalados e sem fala, de primeira. – Bem... Eu já estou de volta... então... Oi.

Levi deu um riso de canto diante da minha fala.

– Ah... Você é gozado, garoto... – Comentou ele, dando um peteleco em minha testa. Eu apenas dei meu sorriso espontâneo a ele, coisa que o fez desviar o olhar. – Não sorria assim pra mim... – Ele falou mais baixo.

– Hã? Por que?

– Por nada... apenas... É irritante.

– D-desculpa... É que eu fiquei feliz em te ver em casa cedo... – Falei.

– Hun, não diga coisas assim... – Ele continuou olhando o pedaço de papel com certa dificuldade. Vi que massageava bastante o meio das sobrancelhas. Estranhei esse comportamento...

– Er... Algum problema, Levi...?

– Não. Não é nada. Só tá meio difícil de ler...

Logo virei-me para o lado e vi uma caixa grande, aparentemente nova e que fora aberta há poucos minutos.

– Ué, o que é isso? – Perguntei curioso.

– Comprei um aspirador de pó novo. – Levi respondeu. Foi aí que percebi que aquele papel nas mãos do Levi eram as instruções de uso do produto. – Eren, olhe. – Ele logo abriu a caixa e retirou o aspirador e seus componentes dali. – Esse modelo vem com quatro diferentes tipos de bocal, sendo dois deles com uma escova para carpetes e para colchões, e outro para cantos e frestas! – Levi falava tudo com empolgação.

– É mesmo?

– E sem falar que vem junto um coletor de pó de pano. Isso vai fazer maravilhas aqui em casa. – Levi mantinha sua inexpressividade e seu tom de voz normais, mas eu via claramente o quanto estava animado com isso... bastante animado mesmo. Fazia tempo que eu não o via assim...

– Ah, você deve estar muito feliz, não é?

– Sim! Nosso aspirador pifou e eu achei um dez vezes melhor. O dia já fora bem produtivo só por isso. – Levi se levantou, encaixando as peças devidamente uma na outra, já pronto para testar o objeto. Eu, por algum motivo, me senti meio chateado...

– Mas... Levi não tirou o dia de folga? Pretende fazer faxina no seu dia de folga?

– É claro. Como mais eu passaria meu tempo...? – Perguntou retoricamente.

– Hum... – Tive um pouco de receio de falar, mas... eu não resisti. – Ué... c-comigo.

– Hã? – Ele se virou para mim com a sobrancelha arqueada. – Então me ajude na faxina... Você verá esta belezinha fazer um excelente trabalho. – Levi olhou com um brilho nos olhos para o tal aspirador. Mesmo sem algum motivo plausível, eu fiquei emburrado...

– Não!

Levi me olhou de forma estranha, diante da minha direta e curta resposta.

– O que deu em você garoto? Que tom de voz é esse?

– Não, tudo bem. Eu sei que você... quer testar isso aí sozinho...

– Hã? – Ele fez uma expressão confusa de novo, mas desta vez já mostrava certa irritação.

– Eu... fiquei feliz em saber que você ia ficar em casa hoje... pensei que poderíamos fazer algo diferente juntos... mas se você prefere ficar aí com esse aspirador, tudo bem... – Virei-me de costas pra ele, cruzando os braços.

– Oe, Eren... – Ele me chamou, mas não me virei. – Eren. – Seu tom de voz mostrava mais impaciência ainda. Ele cutucou minhas costas com a ponta do aspirador novo. – Ei, olha pra mim enquanto eu falo com você, pirralho.

– Hm, tudo bem. Não vou te atrapalhar. Pode limpar em paz... Então eu vou indo almoçar... A comida tá pronta, né...? – Simplesmente fui andando até a cozinha. Mas Levi puxou minha camisa.

– Ei, pode parar aí! – Ele falou mais duro. – Eren... Não me diga que... está com ciúme do aspirador de pó? – Engoli seco ao ouvir isso, me frustrei de alegre, mas no fundo era isso mesmo! – Você é mesmo inacreditável, garoto.

– Você está todo alegre por causa dele! – Apontei o objeto recém-comprado no meio da sala. – Eu não vejo você assim faz tempo... – Fiz uma voz desapontada. Continuei de costas, pensando ainda no que mais falar. Não percebi Levi se aproximando mais de mim. Ele agarrou um de meus ombros e me virou de forma brusca até ficarmos cara a cara.

Sem dar satisfação alguma, ele agarrou a gravata do meu uniforme e me puxou pra baixo até sua boca se encontrar com a minha, selando um repentino beijo... Eu arregalei os olhos e senti meu corpo todo arrepiar de susto. Não era um mero selinho. Levi movia os lábios contra os meus... num beijo francês...

Fiquei sem ação por um tempo, até cair a ficha. Só depois de um tempo refletindo é que resolvi fechar os olhos e corresponder-lhe. Eu realmente não estava esperando essa atitude dele. Senti aquecido desde os pés até a ponta do fio de cabelo. Meu coração acelerou ao senti-lo largar o cabo do aspirador e entrelaçar os braços em torno do meu pescoço, aprofundando o contato de nossos lábios. Ahh... agora eu conseguia prestar mais atenção na sensação de um beijo... Da última vez que fizemos, eu só conseguia pensar em fazer corretamente sem parecer um bobo, mas agora, deu pra dar uma maior aproveitada... era tão molhado. Um tanto enlouquecedor. Ainda mais sentindo seus dedos passando suavemente por entre as mechas de meus cabelos.

Depois de um bom aproveitamento, sentindo a maciez da língua um do outro, ambos separamos o contato. Eu ficara ofegante apenas com isso... mas Levi mantinha-se bem normal, apenas me dava um olhar diferente, penetrante.

– Parou com esse ciúme agora...? – Ele falou num tom de voz um tanto... sensual. Ainda meio sem ação e sem o que dizer... apenas concordei com a cabeça, ainda abobado com o beijo. Eu devia estar muito corado. Sentia o rosto queimar... – Ótimo, agora... Almoce primeiro e venha me ajudar com a limpeza. Vai ser um serviço completo que vai valer a pena. – Ele fazia sua cara inexpressiva, sem alteração alguma, mas com um tom de voz de quem estava planejando algo.

– Hum, ok então...! – Sorri. Acabei aceitando, visto que não me sentia mais incomodado.

~*~

Levi

Eren e eu fizemos a faxina completa. Agora com o aspirador novo, foi até mais completa do que a que costumávamos fazer. Agora sim, eu tinha certeza que havia eliminado todos os ácaros, germes ou poeiras escondidas em todos os tapetes, cantos, rodapés, nos colchões, almofadas e estofados em geral. Incrivelmente levamos o dia todo mesmo pra executar o serviço e guardar tudo nos devidos lugares. Agora, que finalmente relaxamos, o relógio marcava onde e quarenta e sete da noite. Nunca demoramos tanto numa limpeza como hoje. Foi um verdadeiro orgasmo visual ver a casa limpa como agora, o aroma do lustra-móveis perfumado ainda estava no ar... Eu com certeza iria recompensar o Eren por seu trabalho duro.

Havia deixado o menino tomar seu banho primeiro, pois mostrava-se bastante exausto e louco para se lavar e descansar logo.

Eu agora terminava de sair do meu banho, vestindo uma calça de moletom escura com uma camisa fina de mangas longas, que pode ser chamado de pijama. Sequei o mais rápido possível meu cabelo com o secador, pois na verdade não podia usar aparelhos do tipo depois das dez aqui no prédio, era norma do condomínio.

Assim que fui para a sala, me deparei com a figura do Eren já roncando no sofá, todo largado, deitado em posição torta, de jeito que com certeza acordaria com torcicolo na manhã seguinte, e com o controle remoto em sua mão. Certeza que estava assistindo TV e simplesmente se entregou ao sono, pelo cansaço do dia. Dei um riso de canto com a cena. Lembrei de quando ele era criança, ainda bem pequeno, várias vezes ele adormecia no sofá. Era bem mais prático naquela época. Eu carregava-o com facilidade em meus braços até sua cama. Mas agora... o pirralho estava maior do que eu! Eu sei que ainda o aguento, mas mesmo assim... é um esforço desnecessário.

Fui ao seu quarto, peguei seu travesseiro e suas cobertas para trazê-las para a sala. Ajeitei Eren melhor ao sofá, ergui sua cabeça e coloquei o travesseiro sob ela. Eren tinha o sono pesado, então nem sentia quando eu mexia nele. Isso era um ponto positivo dele, eu podia fazer o que quisesse ali que ele não acordaria. Por um leve momento pensei em coisas imprórias... “Levi, pare com isso...”

Por fim, cobri o Eren com o cobertor, deixando-o bem quentinho. Ele estava deitado de lado, mantinha os olhos fechados numa expressão bastante pacífica e tranquila. Fiquei olhando-o com a cabeça pendida... Essa cara de pirralho dele... Era bastante adorável dormindo. Agora que estava de boca fechada, não roncava mais.

Olhando o relógio da cozinha e vendo o quão tarde já era, apenas agachei-me perto do garoto, afastei sua franja com a mão e dei-lhe um beijo na testa. Não deixei de dar uma afagada em seus cabelos, eu gostava se mexer neles, não eram mexas escorridas como as minhas, e sim mais rebelde, não deixando de ser macio. Inclinei-me até meus lábios alcançarem seu ouvido...

– Boa noite, Eren... – Sussurrei.

~*~

No dia seguinte, noite de sábado. Chamei o Eren para darmos uma saída. Não disse pra onde, apenas que seria um bom lazer para nós. Ele aceitou numa boa, só estranhou quando eu disse que ele devia se arrumar bem antes de ir.

Eu coloquei uma roupa social mais caprichada. Uma camisa branca, calça e paletó pretos, junto ao um par de sapatos que usava apenas em festas. Como toque final, amarrei um lenço branco sob a gola da camisa, formando um cravat. Eu gostava de cravat, dava um toque elegante à vestimenta masculina.

Eren saiu de seu quarto com uma camisa social azul, jeans e um par de sapatos que também só usava em festas. Ele não quis um paletó, vestiu sua jaqueta de couro mesmo. Mas nada mal. Essas roupas lhe caíram muito bem. Parecia de fato um homem maduro. Notei que ele havia penteado seu cabelo. Normalmente seus fios estariam todos rebeldes, com várias mechas espetadas cada uma para um lado, mas agora mostravam-se bem alinhados.

– Hm... Ficou bem nessas roupas. – Comentei rapidamente. Eren desviou o olhar na hora, dando um riso sem graça.

– A-acha mesmo...?

– Se eu falei, Eren... – Peguei as chaves de casa e chamei o garoto pra já sairmos. Tínhamos que chegar num determinado horário no local, ou perderíamos a reserva. O lugar até que era perto, como não estava chovendo, preferi seguir o percurso a pé com o garoto. Já fazia um bom tempo que não caminhávamos juntos pela cidade, coisa que ambos gostávamos de fazer, ainda mais numa noite como a de hoje. O céu estava sem nuvens, mas bastante estrelado. Estava um clima mais friozinho este horário, por isso fechei meu paletó.

Eren ficou o caminho todo perguntando aonde íamos. Sua curiosidade parecia incontrolável. Eu não quis falar, então simplesmente cortava o assunto. Ele só ia saber quando chegássemos lá.

Finalmente, diante da entrada de um estabelecimento bem elegante, parei de caminhar. Eren também. Ele ficou olhando a grande e requintada entrada do restaurante com os olhos brilhando.

– Wow... É aqui que... nós vamos? – Ele perguntou abobado.

– É. Venha. – Fui subindo os largos degraus de madeira, já adentrando o estabelecimento, mas Eren ficou pra trás.

– M-mas vamos jantar aqui?! Esse lugar é muito caro, Levi...! – Ele sussurrou meio de longe, para que pessoas que passavam possivelmente não ouvissem.

– Está reclamando do quê? Não é você quem vai pagar. Agora pare de ficar enrolando aí e entre. – Voltei meu olhar adiante e terminei de subir as escadas indo de encontro a um dos recepcionistas.

– Boa noite, senhor. Já tem uma reserva? – O moço educadamente perguntou.

– Sim, está no nome de Levi Ackerman. – Respondi-o e o homem logo abriu seu caderno, checando a lista. Eren, assim que subiu, parou do meu lado, olhando todo o espaçoso lugar. Eu achava graça da sua carinha abobada com a tamanha extravagância daquele lugar. Sim, realmente aqui era o mais caro, mas também o mais refinado restaurante de nossa região. O atendimento aqui era de primeira, pelo menos é o que dizem.

O recepcionista, também muito bem vestido, encontrou meu nome na lista e logo nos guiou a uma mesa perto da janela. Eren mostrava-se sem jeito. Estava andando de forma meio dura. Mas ao mesmo tempo agia com uma criança. Bem, realmente, em sua vida toda, eu nunca o havia levado a nenhum lugar de alto nível, por isso ele olhava pra tudo aquilo como se fosse a maior novidade do mundo. Ele ficava observando as pessoas que ali jantavam sem discrição; tocava nas coisas do lugar, nas cadeiras, nas mesas e até na cortina da janela ao lado de nossa mesa reservada.

– Eren, não mexe nisso. – Falei meio duro, logo dando um suspiro. – Francamente, parece uma criança...

– Desculpe, mas... Isso aqui... Parece que estamos num filme. – Ele sentou-se à mesa. – Olha só, Levi! Cadeira estofada! – Eren mostrava sua empolgação pra falar de qualquer coisa que via ali dentro. Desde os guardanapos de pano sobre a mesa até os adornados lustres espalhados pelo teto. Apontava tudo que lhe chamava a atenção e fazia questão de me falar. Eu, por um lado, não estava ligando. Até que sentia falta desse lado infantil dele. É engraçadinho...

– Com licença, senhores, aqui está o cardápio. – Um homem gordo surgiu ao nosso lado e estendeu um par de pastas de couro para nós. – Volto em um instante para anotar o pedido de vocês. Com licença. – O garçom, deu seu toque e logo saiu para atender outra mesa. Eren ficou um tanto sem ações na hora. Mas eu não o culpo, sei que ele nunca recebeu um tratamento um vip assim em nenhum lugar.

Dei um suspiro, quando via isso já até imaginava o precinho que esta noite me custaria. Mas eu não queria ligar. Ver a realização de Eren em viver uma noite de nobre era um prazer para mim.

– Já escolheu o que pedir, garoto?

– Ainda não... As coisas aqui... nunca ouvi falar de nenhuma comida que está aqui. E é tudo... tão caro... – Ele olhava para o cardápio, todo confuso.

– Não ligue para o preço. Peça o que você tiver vontade de comer... – Dito isso ele olhou de uma forma diferente para mim, logo deu um sorrisinho malicioso. – Tá rindo do quê?

– Nada, nada! – Ele voltou seu olhar para o cardápio. – Ah, achei ravióli aqui!

– Você já come isso em casa, Eren! Peça algo diferente.

– Mas Levi disse que eu podia comer o que eu quisesse. – Ele fez bico.

– Hunf... Tá, peça isso então. – Resolvi concordar. Dei uma boa olhada no cardápio e novamente aquele problema com a leitura estava acontecendo. Não entendia ainda o porquê, mas as letras estavam embaçadas. Quanto mais eu aproximava o cardápio, mais embaçado ficava. Só afastando-o a uma boa distância foi que consegui ler mais nitidamente. Logo escolhi meu prato. – Vou pedir este boeuf bourguignon.

– Hã?! O que é isso? – Ele perguntou curioso. – B-bife-o quê?

– Boeuf bourguignon. É carne defumada picada em cubos, com uma porção de arroz e uns legumes, simplificando.

– Hum, isso parece meio normal...

– Mas não é. Você não tem ideia no trabalho que dá pra fazer esse tipo de prato. Não é nada simples, tem que deixar marinar, separar a carne da marina, cozinhar em outra panela... É um caos. – Eren riu da minha explicação, parece ter se convencido da dificuldade. Ele olhou o cardápio novamente e pareceu receoso. Vi que ele olhava o caderno de couro com certa pena... – O que houve?

– Ainda não entendo... P-por que resolveu vir jantar aqui...? É muito caro, Levi... Podíamos ir a outro lugar mais barato... – Ele falava, escondendo o rosto atrás do cardápio.

– Mas eu quis jantar aqui. Eu já havia feito a reserva.

– Mas por que você quer aqui? – Ele perguntou ainda confuso, parecia não entender ainda a situação agora.

– Porque é o nosso primeiro encontro, oras. Queria que fosse num lugar bom e diferente, que nem eu e nem você tivéssemos ido ainda. – Respondi simplesmente, sem mudar minha expressão. Apenas cruzei os braços e fiquei olhando sua reação. É bem cômico acompanhar seu rosto ficando ruborizado.

– O-o-o q-quê...Eh?! – Ele se escondeu atrás do cardápio novamente. – E-e... E-encontro...? V-você e eu?!

– Tem mais alguém sentado nesta mesa comigo além de você? – Perguntei num tom irônico.

– M-ma-mas isso é... isso é repentino!

– Repentino? Eren... – Abaixei seu cardápio com a ponta dos dedos para que assim pudesse ver seu rosto. Logo sussurrei... – Já fizemos coisas bem mais avançadas do que um mero encontro, Jaeger... – Minha frase o deixou mais envergonhado ainda.

– N-não diga isso aqui...! As pessoas vão ouvir.

Eu dei um riso de canto olhando-o, logo dei um toque para o gordo garçom que havia nos atendido.

– Por favor, pode anotar o nosso pedido? – O homem imediatamente veio à nossa mesa com um marcador eletrônico em mãos. – Eu gostaria de um boeuf bourguignon e um vinho tinto, mais um ravióli para o garoto... O que quer para beber, Eren?

– Ah... Pode ser uma água.

– Certo. Por favor, aguardem alguns minutos, logo lhes trarei o jantar. Com licença.

Feito o pedido, ficamos ainda um tempinho esperando e esperando. A comida era feita na hora. Pelo pouco que sei do modo de preparo do boeuf bourguignon, sei que demoraria pra chegar à mesa. Talvez o ravióli do Eren nem tanto, mas mesmo assim, creio eu que colocariam mais alguns requintes no prato antes de servir o que levaria também um tempo. O jeito era ser paciente.

Olhava o Eren... ele ainda parecia sem saber como agir. Desde que a palavra “encontro” fora pronunciada, seu corpo pareceu ter travado. Não fazia contato visual comigo e balançava as pernas, numa tentativa de extravasar o nervosismo. Vendo-o nesse estado, achei melhor acalmá-lo.

– Eren, por que está assim? Relaxe.

– M-mas... Eu... Eu não sei como agir...

– Hm?

– Nunca tive um encontro antes... Er... Eu não sei como prosseguir... – Respondeu sincero.

– Você sabe pra que serve o primeiro encontro...?

– Ah... Não exatamente...

– É para ambas as pessoas se conhecerem melhor. – Respondi, curto e direto.

– Ah... M-mas a gente já se conhece bem, Levi... Pelo menos, de mim, você já sabe tudo...

– Hum, não. – Eren olhou estranho diante da minha resposta. – Eu não sei tudo sobre você. Na sua fase de criança, é fato que eu te conhecia completamente. Mas já na sua fase adolescente... não sei...

– Ah... o que você não sabe...? Por exemplo.

– Bem, jovens não costumam contar algumas coisas aos seus responsáveis... Coisas como “sentimentos”. – Eren começou a fitar o tapete estampado sob a mesa, voltando a sentir o nervosismo.

– E-eu não entendi a questão... – Ele mostrava-se embaraçado até com os próprios pensamentos.

– Eren... – Chamei-o, mas ele não me olhava. – Eren, olhe pra mim. – Assim, ele timidamente o fez. – Tudo bem, não vou pressionar nada, ok? Não precisa falar o que não quiser ou o que não tiver certeza... – Falei, mas com certa negação. Na verdade eu queria ouvi-lo. Queria que ele falasse exatamente o que sentia, mesmo que ainda estivesse incerto. Mas o lado racional do meu cérebro dizia que devia ir com calma...

– E o Levi? O que Levi sente? – Como num tiro certeiro, ele perguntou. Engoli seco, na hora.

– Hum... – No final, eu não sabia ainda o que responder também. – Er... Melhor mudarmos de assunto. – Desviei o olhar em direção à janela. Não creio que fiquei sem jeito diante de uma pergunta dele!

– I-isso! – Eren logo concordou. Ao que parece, o assunto “sentimento” ainda era algo que não conseguíamos falar, mas que ambos queríamos muito saber um do outro. Eren resolveu iniciar um novo assunto. – E-então...

– O quê?

– Levi disse que... um encontro serve para nos conhecermos, não é?

– É...

– Levi sabe da minha vida toda. Mas eu... eu não sei da sua. E... Eu queria saber. – Declarou, de forma tímida.

– Ora, menino... Você sabe da minha vida, te contei durante seu crescimento.

– Não, está muito superficial. Você sempre dizia apenas que morava no interior e que veio morar na cidade grande com dezesseis anos... Eu queria saber mais detalhes! – Agora ele ergueu seu olhar em minha direção. Parecia mais empolgado.

– Você quer mesmo saber?

– Aham! – Ele fez que sim com a cabeça, já esperando minhas narrativas.

– Olha... vou falar bem resumido, tá? – Apoiei meus cotovelos na mesa. – O que exatamente você quer saber?

– Onde você nasceu! Como foi a sua vida até conhecer os meus pais.

– Hm... Bem... Vejamos, eu nasci numa cidadezinha no interior da França, como você já sabe. Mais precisamente em terras campais, uma espécie de fazenda. Tudo bem rústico. Nem energia elétrica nós tínhamos, só pra ter uma ideia. – Eren ficou prestando bastante atenção em tudo que eu falava. Mostrava claramente seu interesse. – Você sabe que eu era órfão. Não tinha ideia do que houve com meus pais, só lembro que passeis os sete primeiros anos da minha vida numa pensão de uma senhora, que foi essa tal fazenda aí. – Notei o olhar de compreensão de Eren ao ouvir a parte em que eu também fui órfão durante a infância. – Aos sete anos, um homem me adotou. E foi com esse homem que morei até vir para a cidade. Chegando na cidade...

– Espere. – Eren me interrompeu. – Por que você deixou de morar com esse homem? – Dei um suspiro diante de sua pergunta... Acho que continuei sendo superficial.

– Porque... Bem, porque ele morreu, Eren. Esse homem faleceu quando eu tinha dezesseis anos. – Expliquei, torcendo para apenas isso já satisfazer sua curiosidade.

– Ele morreu do quê?

– Er... Você sabe, a gente morava em sítio. Vivíamos no meio do mato. Ele acabou por pegar uma doença.

– Ahh... – Ele agora pareceu mais satisfeito. – S-sinto muito por isso, Levi...

– Não se preocupe. Já foi... Ele já estava meio velho.

– E você veio pra cidade sozinho?

– Não, eu tinha dois amigos que fiz lá no interior, uma garota chamada Isabel e um rapaz chamado Farlan, ambos eram conhecidos meus lá da pensão em que morei. Tínhamos uma vaquinha e alugamos uma casa na cidade vizinha da nossa.

– É mesmo? Ué, você nunca me falou desses dois. Onde eles estão?

– Eu não tenho mais contato com eles, depois que me estruturei, vim morar sozinho numa casa nesta cidade, já fora da França, onde arrumei um emprego como caixa no mercado, lugar em que conheci a sua mãe... – Argumentei. Eren foi compreendendo tudo, bastante impressionado.

– Não sabia que teve que passar por tudo isso... Por que não me contou essa história antes?

– Hunf, porque você não era tão interessado antes como está agora. – Respondi de forma irônica.

– Ah, Levi. E esse senhor com quem você morou antes de vir pra cidade? Qual o nome dele?

– Nome... – Por um momento fiquei meio hesitante em falar... Não sei porque, afinal, esse assunto já havia sido finalizado. Acho que não havia problema, então. – É Kenny.

– Ahh... – Eren agora pareceu mais satisfeito com minha história contada com um pouco mais de detalhes. Eu confesso que me senti aliviado de não ter que falar nos mínimos detalhes. Haviam coisas em meu passado que eu preferia que Eren nunca soubesse. Já foi. Então daria pra ser esquecido, se possível, pra sempre.

Entretemo-nos bem na conversa, tanto que até achamos que nossos pratos chegaram rápido. O garçom veio com uma bandeja em mãos. Eren de novo ficou um tanto sem jeito diante da etiqueta impecável do garçom. Ele serviu rapidamente os pratos pelo nosso lado esquerdo, sem encostar em nós ou na mesa. Sem falar que ele estava usando luvas. De fato, o sistema de etiqueta francês qie eles seguiam era muito severo. Tem que ser algo perfeito, esta é a lei deles.

Eu seguia o padrão, comportando-me de acordo ao ambiente. Dava uns toques ao Eren quando fazia umas atitudes vistas como, digamos, absurdas por este pessoal. O garoto quis colocar o guardanapo na gola da camisa. Eu, meio sem paciência, logo arranquei-o dali.

– Eren, não é aí que coloca! É no colo. – Expliquei. Eren, ainda em processo de aprendizagem, estendeu o lenço branco sobre o colo. Ele demonstrou vergonha por não estar agindo de acordo a educação que o lugar exigia. Logo começamos a refeição.

O garoto foi fazendo outras coisas fora da etiqueta, ainda mais da francesa, que era a mais severa de todas. Ele segurava o garfo errado, às vezes babava enquanto comia, e várias vezes colocava os talheres juntos em forma que, interpretada pelo garçom, seria o sinal que o prato podia ser retirado.

Fora as correções que eu fazia com ele, fomos também conversando mais. Ele continuava a querer saber mais de mim, coisas que eu ainda não havia contado. Acabei entrando na dele e fui falando de meus tempos de colégio.

– ...então eu fiquei no grupinho da Hanji, Erwin e Mike.

– Ahh, legal! E vocês mantiveram contato até hoje...!

– Sim, mas não é tão fácil assim aturar a quatro-olhos por muito tempo, você sabe bem.

– Ah... eu nunca me incomodo com a Hanji.

– Hunf... não se incomoda, é? E quando ela fica tocando aquele violão de madrugada? – Eu disse e Eren logo riu. – Aposto que não deixa nenhum dos vizinhos sossegados.

– Haha, bem, pelo menos ela toca bem. Ela devia entrar pra uma banda, como hobby. – Comentou o menino.

Foi aí que lembrei de algo mais interessante, que provavelmente Eren não sabia ainda. Pelo visto, Hanji também não havia contado a ele.

– Ela já foi de uma banda. – Revelei.

– Sério?

– Sim, na escola... – Expliquei. – Na verdade... era a nossa banda. – Quando eu disse “nossa”, Eren arqueou as sobrancelhas.

– Hã? Como assim “nossa”? L-Levi tocou em uma banda? – Seus olhos começaram a brilhar. – Waa... Que legal! V-você tem fotos?! Eu quero ver!

– Ei, calma aí. Eu não tenho foto, mas acho que Hanji tem. Depois você procura com ela.

– Nossa, você... Levi! Você fazia o quê lá? – Ele mostrava-se todo interessado no assunto.

– Eu... – Confesso que fiquei meio sem jeito em falar. – Eu era o vocalista...

– Sério?! – Eren até se levantou da cadeira, de tanta empolgação. – Você tem vídeos?! Audio gravado? Qualquer coisa...?! Eu queria muito ouvir...

– Ahh... – Cocei a nuca, dando uma olhada de lado. – Eu não sei se tem gravado alguma coisa, tem que ver com a Hanji isso também. Mas é bem provável que não. – Respondi.

– Então... Então você canta pra mim algum dia? – Dei uma engasgada com a comida diante de seu pedido.

– Hã...? Garoto, estou sem prática...

– Ah, por favor! Eu quero muito te ouvir cantar! Você canta um pouquinho quando chegarmos em casa?

– Não. – Respondi um pouco mais seco. – Senta aí, garoto. Termine o seu jantar. – Disse, logo voltando a atenção em meu prato. Eren fez um bico, mas também se sentou e continuou a refeição até o fim.

– Sua banda tinha nome, Levi?

– Sim... “No Name”.

– Como é? – Vi Eren segurar o riso, na hora.

– “No Name” é o nome que escolhemos. Bem, na verdade, estávamos tão sem criatividade na hora que Hanji resolveu colocar isso de nome. – Expliquei.

– Quem mais estava no grupo?

– Eram só Hanji, Mike e eu.

– Oww... devia ter sido tão legal... – Eren olhava para o nada, provavelmente criando a imagem da banda em sua mente. Ele ficou bem empolgado com o assunto e continuou falando sobre isso até o final do jantar, o que me deu um alívio. Pelo menos ele não perguntaria mais sobre o meu passado antes do tempo de colégio... Eu não queria que ele soubesse mais do que já lhe disse.

Terminamos o jantar tranquilamente. Olhei a hora no celular, já era mais de dez horas da noite. Mas, como era sábado, não levei esse horário como muito tarde, assim como Eren. E também, já que eu estava gastando, então aproveitaria ao máximo do serviço do restaurante. Chamei o garçom para pedir o cardápio de novo.

Eu e o garoto, ficamos juntos escolhendo alguma sobremesa. Eren olhava os nomes dos doces na lista, não reconhecendo nenhum deles. Só havia sobremesas francesas, e mesmo com a foto ele ainda tinha receio em escolher algo que não fosse de seu gosto. Até que ele encontrou a sobremesa francesa mais comum no mundo que ele já havia provado, logo se decidiu.

– Quero Petit Gateau! – Disse ele olhando para o garçom. Dei uma massageada na testa. Não sei se era pela fraca iluminação do local, mas olhar aquelas letras miúdas do cardápio me deixaram com uma leve dor de cabeça. Também dei um chutinho na perna do Eren, por debaixo da mesa.

– Fale com mais educação, garoto... – Sussurei. – Pode trazer dois Petit Gateau então, por favor? – Voltei minha fala para o homem gordo.

– Sim, senhor. Aguardem alguns minutos, não irá demorar. Com licença. – Assim, o homem anotou o pedido em seu tablet, logo se dirigiu para a cozinha.

– Ei, Levi... – Eren chamou num sussurro. – Esse garçom é um gordo fino, não é? – Ele segurou o riso. Eu apenas senti um tique em meu olho esquerdo.

– Essa piada foi muito ruim, Eren. – Falei seco, mas o garoto continuou a rir baixinho. Eu, mesmo diante de seu humor sem graça, sorri de canto. Nunca dizia ou demonstrava a ele, mas eu sempre me divertia com suas baboseiras. Era como se o seu jeito de menino despreocupado me acalmasse, mesmo me irritando. Era uma sensação bastante controversa, mas eu sentia claramente.

Depois de breves momentos, o garçom voltou com nossos Petit Gateau na bandeja. Eren se animou de novo, olhando com água na boca seu prato de sobremesa ser colocada à sua frente. Depois de servidos, o garçom pediu licença e se retirou. Dei uma melhor olhada ao redor e via que o restaurante já estava mais vazio. Sem falar também que... reparei que, fora duas mesas grandes com famílias, haviam apenas casais por ali. Todos bem espalhados pelo amplo espaço do restaurante. Eu e Eren nos encontrávamos num local um tanto isolado, sentados a uma mesa até que pequena... com certeza, era uma mesa própria para... casais.

Fitei a bola de sorvete de creme, junto ao bolo quente de chocolate à minha frente. Desviei o olhar para as velas acesas sobre a mesa, para enfim olhar o garoto... Era um encontro afinal. Estávamos aqui jantando como nobres, num ambiente de fraca iluminação. Era um tanto romântico, agora parando pra pensar... Observava Eren degustar sua sobremesa com calma. Notei que ele tentava ainda o máximo para parecer um rapaz elegante diante de olhares alheios que pudessem pousar sobre ele. Por isso, mantinha uma postura meio robótica.

– Pode relaxar, Eren. – Falei.

– Ah... E-eu estou seguindo os padrões de etiqueta francesa? – Ele perguntou.

– Hm... Está. Mas não precisa ficar tão tenso assim... – Expliquei, enfim dando uma colherada na minha sobremesa. – Ah, e você está se lambuzando todo... – Notei um pouco do creme de chocolate do bolo bem no canto de sua boca.

– Ah, perdão! – Eren logo passou o guardanapo, só que no lugar errado. – Saiu?

– Não... Tá do outro lado. – Apontei. Ele novamente tentou se limpar, mas não retirou tudo.

– Agora saiu?

– Argh. Fica parado... – Inclinei-me um pouco para frente e levei meu indicador até o canto de sua boca, limpando todo o chocolate dali. Eren, no meio do meu ato, pareceu paralisar-se. Seu rosto esquentou rapidamente, pelo que senti.

– L-Levi...? – Ele me olhava com seus grandes olhos verdes bem arregalados. Eu simplesmente lambi o chocolate de meu dedo, inconscientemente de forma provocadora, não parando de olhá-lo. Eren logo corou com o gesto. – Er... I-isso não é... contra os padrões de etiqueta, Levi...? – Sem graça, tentava achar alguma coisa pra falar.

– Hum... Pode até ser... – Sorri de canto pra ele. Eu simplesmente não consegui ignorar o clima romântico daquele momento. Ainda mais vendo que as mesas mais próximas a nós estavam vazias. Com a iluminação à luz de velas, era como se eu e ele estivéssemos a sós ali. – Mas eu não ligo... – Eu inclinei-me mais à mesa, avançando vagarosamente meu rosto até o dele. Eren manteve-se parado, apenas preocupado em olhar envolta. – Ninguém está olhando agora, Eren... – Meus lábios já estavam bem próximos aos dele, mas eu parei. Avancei noventa por cento do caminho, apenas fiquei esperando-o avançar os outros dez. Mas ele continuava preocupado em ver se não havia mesmo ninguém olhando pro nosso lado.

– M-mas...

– É só um selinho. – Falei. Eren, que também demonstrava vontade, logo avançou os dez por cento e selamos os lábios. Foi um contato bem rápido, mas que ambos queríamos sentir agora devido ao ambiente... e ver os casais ao redor também trocando singelas carícias. Eren sorriu sem graça depois do beijo.

– Eu quero sexo...

– ... ? – Depois de sua fala eu paralisei por breves momentos. – O quê? – Olhei-o de forma torta... Ainda estava processando sua última frase.

– Ah!! – Ele pareceu ter se dado conta do que falou e logo tentou consertar. – N-não!! Eu não quis dizer isso! Me d-desculpe! Er... E-esqueça o que eu disse! – Ele logo continuou a degustar seu Petit Gateau com mais afobação do que nunca, aparentemente tentando disfarçar o constrangimento. Continuei olhando-o de forma estranha. Quer dizer que ele estava... pedindo pra transar comigo? Hoje?

Bem, por um lado, acho que eu também queria... queria sentir aquela turbulência de sensações físicas de novo. Mas por outro lado, ainda me sentia levemente culpado. Eu era um adulto... fazendo com um menor. Esse choque de consciência só começou a martelar na minha cabeça depois de eu ter feito com Eren a primeira vez. Pois é, o prazer do momento passa, mas a culpa fica. Se bem que a minha vontade...

Massageei as têmporas novamente. Estava entrando em momento crítico de indecisão de novo...

– Eren... – Chamei-o. Acho que só teria coragem de prosseguir com isso se ele me demonstrar exatamente como se sente. – Você me am... er... gosta de mim? – Ele ergueu o rosto, bastante corado. Logo deu um sorriso.

– É claro, Levi! – Respondeu sem engasgar.

– Gosta mesmo de mim?

– Sim.

– Muito?

– Muito!

– ... – Depois dessa, me permitir dar um riso. Que garoto...

– P-por que pergunta?

– Por nada...

Terminamos enfim nossa sobremesa. Ficamos muito satisfeitos. A comida foi boa, muito bem preparada e o atendimento foi mesmo impecável. Bem, isso foi o mínimo em compensação ao valor da conta no final. Eren quis ver quanto que deu, mas eu não mostrei. Disse que era um presente a ele por ter me ajudado, não só hoje, mas todos os fins de semana com a limpeza do apartamento.

Vestimos nossos casacos e logo saímos do estabelecimento, despedindo do recepcionista que havia nos atendido. Também deixei umas notas a mais junto à conta sobre a mesa, como uma gorjeta ao garçom gordo que nos atendera bem esta noite. Do lado de fora, fazia um friozinho. Ventava de leve, mas ainda não havia nuvens no céu, apenas estrelas. Ao que pude observar, para uma rua comercial, até que estava bem vazia... Uma pessoa ou outra caminhando. De repente, vi de canto um vulto perto do poste da esquina. Por ato reflexo, virei bruscamente tentando enxergar melhor... Eren logo virou-se pra mim, estranhando.

– O que foi? – Perguntou. Eu continuei a olhar na direção daquele poste da esquina com cisma... Tenho certeza que vi um vulto ali. Como se algo tivesse passado correndo pra trás do muro. Era grande demais pra ser um cachorro ou um gato, mas nem tanto para ser uma moto ou um carro... seria uma pessoa? Bem, se fosse... provavelmente estaria se escondendo...

– Hm... Não é nada. – Resolvi deixar para lá. Já levando em conta também que não estava enxergando muito bem mesmo. – Vamos indo. – Virei para a direção oposta, puxando a manga do casaco do Eren e assim seguimos juntos a pé o caminho até em casa.

~*~

Chegando no prédio, subimos o elevador e adentramos enfim o nosso apartamento. No meio do caminho, não conversamos muito, mas Eren ficou agradecendo pelo jantar várias vezes. Parecia sentir um pouco de culpa por eu ter gastado tanto num mero jantar, mas eu ressaltei que paguei porque eu quis e porque queria um primeiro encontro descente. Minha explicação o deixou todo tímido novamente.

Finalmente em casa, o garoto e eu logo retiramos os casacos e os penduramos no cabideiro ao lado da porta. Fiquei olhando Eren caminhando até o sofá. Não podia negar que ainda sentia vontades alheias sobre ele. Vontades pecaminosas... E queria saciá-las...

– Levi?

– Hm?

– D-desculpe se eu falei alguma coisa ou agi de forma estranha durante o jantar... É que... – Ele coçava a bochecha. – Eu queria... M-mas tinha muita gente lá, então...

Ele nem precisou terminar de falar. Logo entendi o que queria. Caminhei calmamente pra mais perto dele, segurei seu rosto com ambas as mãos e aproximei meus lábios dos dele, mas não finalizei o caminho. Novamente fiquei esperando-o avançar o restante que faltava. Eren me olhava de forma nervosa, perdido...

– Aqui não tem ninguém, garoto. Ninguém nos olhando... – Falei num sussurro, sentindo o sopro da minha voz bater em sua boca e voltar à minha. Eren, já meio entrando em transe, logo fechou os olhos e selou sua boca à minha. Deu um beijinho tímido de início, pra só depois usar a língua. Ainda fazia tudo timidamente, mas notei que estava melhorando... não movia os lábios com tanta afobação como nas primeiras vezes. Estava quase na medida perfeita. Numa lentidão mais gostosa, em que a sensação podia ser mais bem aproveitada por ambos.

Senti suas mãos subirem por meus ombros até passarem pela minha nuca, isso me fez dar um gemido sem querer no meio do beijo. Eren, ouvindo isso, logo abriu os olhos e se afastou um pouco pra ver meu rosto.

– V-você... que som foi esse que você fez agora...? – Ele perguntou um tanto desacreditado.

– Não fiz som nenhum... – Tentei negar. Eren logo fez uma carinha de encantado.

– Waa... Nunca percebi que você era sensível aqui... – Ele passou a ponta dos dedos em minha nuca de novo, como uma carícia. Senti na hora minha pele ficar toda arrepiada e eu logo contraí os ombros. Seus olhos logo brilharam diante da nova descoberta.

– Para com isso, Eren! – Fui empurrando-o na direção do sofá da sala, mas antes que o alcançássemos, ele tropeçou na barra do tapete, o que o fez perder o equilíbrio e ele logo foi ao chão. Sem opções de onde se apoiar, ele segurou minha camisa, me puxando junto.

Ele caiu com tudo de costas no tapete e eu em cima dele. Eren dava uns murmúrios de dor, e eu massageava a cabeça. Fiquei meio puto de ter me desconcertado por algo tão besta como uma carícia no pescoço. Nem eu sabia desse meu fraco...

Eren continuou aos murmúrios.

– Ahh... Doeu, Levi... – Ele massageou a parte de trás da cabeça, fazendo sua expressão de dor. Ele deve ter batido sem querer. Novamente, me senti culpado... Sem sair de cima dele, apoiei meus joelhos no chão e vim o levantando até que se sentasse, inclinando então sua cabeça para mim. Apenas queria ver se havia sangrado ou não, mas por sorte estava tudo bem. Dei um suspiro de alívio.

– Ah... ainda bem que não se machucou...

– N-não se preocupe... Levi... – Ele voltou à sua expressão de antes bem rapidinho. Um sorrisinho divertido brotava em sua boca. Logo percebi o porquê... Eu estava sentado no colo dele, numa posição bem sugestiva, com minhas pernas cada uma de um lado de seu corpo. Ele não me tocou nem nada, mas ficou me olhando, com o rosto todo corado, esperando que eu fizesse algo... Diante disso, só pude sorrir de canto, entrando em seu joguinho.

– Hm... Que cara é essa, hein? Desde quando você se tornou um pervertido? – Fiz ironia, mas eu também parava pra refletir que... Eren parecia se transformar quando se sentia sexualmente atiçado. Um lado depravado de sua personalidade dava um leve despertava, e por mínimos instantes ele parecia perder um pouco da vergonha.

– Hã? – Ele coçou a cabeça. – Não sou um pervertido...

– Acho bom você parar de ver pornografia na internet, isso está internamente te transformando num ninfomaníaco...

– Não! E-eu não... eu não vejo essas coisas... – Tentou negar. Até parece que eu acreditaria... Como eu já disse antes, eu já tive a idade dele. Sei como rapazinhos na puberdade pensam. É sexo pra tudo sim!

– Ah é...? – Já que ele estava bancando o negativo, resolvi dar uma brincada com ele agora, aproveitando ainda a posição que nos encontrávamos. – E aquilo que você falou no restaurante?

– Hã?!

– Você estava me convidando para fazer sexo? É isso mesmo que eu ouvi? – Fiz um tom de desaprovação enquanto falava, como se eu, como seu responsável, estivesse desapontado com seu comportamento promíscuo. Isso de alguma forma mexeu com a preocupação do Eren em querer se corrigir.

– Não!! E-eu já falei! Eu não quis dizer aquilo...! – Eren se justificou alto e claro.

– Então... Não quer fazer sexo.

– Não. – Ele confirmou firme.

– Hunf...– Passeei com minhas mãos por seus braços, subindo-as até seus ombros de forma provocadora. Aproximei minha boca de seu ouvido e sussurrei com um outro tom de voz, bem mais manhoso e lento. – É uma pena... Se você tivesse dito “sim” eu até pensei em aceitar sua oferta... Mas já que negou...

– Ah... Hã...? Ehhh?! – Eren fez uma carinha desentendida, ficando mais vermelho do que nunca. – V-você... Você ia...? – Ele ainda parecia desacreditado com a minha fala.

– Bem, já está tarde, então... Já pra cama, pirralho. – Falei simplesmente, já me pondo em pé. Assim, dei um último sorrisinho ao Eren. Ele fazia beicinho, bem engraçado. Era divertido brincar com ele nesses momentos, suas reações eram impagáveis. Afaguei seus cabelos, antes de dar meia volta e ir para o corredor. – E não se esqueça de escovar bem os dentes, hein. Boa noite, garoto!

– Levi... Levi, seu... – Ouvi-o dando várias resmungadas ali. – Você... Você vai ver só!

Notas finais
E aí, pessoas? O que acharam? Primeiro de tudo, coitado do Ere, só digo isso xD E bem... Já deu pra ter uma ideia do probleminha da dor de cabeça do Levi, não é? xD E agora surgiu também esse vulto... Hum o que pensar dele? Pode ser qualquer coisa gente! Fiquem aí na curiosidade o/ euheueehue *sendo má* De novo, tentarei fazer um capitulo um pouco menos da próxima vez, ok? é que eu sempre acabo me empolgando e sai um capitulo enorme, gomen x.x Bem, é só. Vou dormir agora. Se tiver algum erro na fic que eu deixei passar em branco podem me avisar, plis? *3* Muitos beijinhos da Nikki ♥