Redenção
2 Convivência
Notas iniciais
Viajar com o Uchiha foi bastante agradável, Sakura fazia uma nota mental de incentivar Naruto a aprender algumas coisas com ele sobre limpeza e organização. Para alguém tão fissurada em limpeza como ela era o paraíso como ele deixava tudo sempre limpo, ou sobre como ele teve o mesmo sentimento que ela quando estiveram em uma cidade levemente grande onde tinha uma lavanderia. Lavar todas as roupas, incluindo cobertas, lençóis depois de obviamente limpar com álcool e sabão as máquinas.
Os poucos apetrechos de cozinha que carregavam eram sempre limpos na água mais próxima e não custava nada passar uma água fervida antes de usar. Kami sama! Naruto precisava aprender a gostar disso ou a pobre Hinata ia morrer.
— O que foi? – ele a olhou sentada em cima de uma das máquinas
— Oh nada, eu só estou feliz de você ser tão limpinho! – riu – O Naruto parece não entender muito a noção de limpeza e organização ou sobre como isso é importante. O Kakashi e Sai são satisfatoriamente limpos, mas nunca nada parecido com passar água fervida na panela, hashis e caneca.
Sasuke assentiu com a cabeça, mas não entendeu muito. Para ele limpeza era uma questão importante até mesmo por saúde, viajando por aí ele não podia se dar ao luxo de ficar doente. Sem dizer que desde que ele não teve quem cuidasse disso para ele depois... depois daquilo, se tornou necessário que fosse responsável por sua saúde.
Voltou os olhos ao livro enquanto Sakura estava conversando com uma senhorinha que entrou. Ela incrivelmente conhecia as pessoas onde passavam e viajar com ela fez com que as pessoas fossem mais receptivas. Depois da guerra, houve muita violência fora das aldeias ocultas, os criminosos estavam fora de controle porque os kages estavam muito ocupados cuidado das reconstruções e tratados de paz para olhar pela assistência dos civis.
Estava melhorando, mas eles agora estavam muito inseguros, não confiavam em qualquer pessoa. Mas ninguém nunca desconfiava de Sakura, olhar para ela era um calmante aos nervos deles. Ele havia a instruído a não falar muito sobre si, a pupila de Tsunade era amplamente conhecida, a kunoichi que derrotou um akatsuki, entre outras alcunhas, mas isso podia atrair más atenções. E eles queriam uma viagem pacífica.
No fim do dia quando estavam indo para montar acampamento ela tinha uma cesta em mãos que cheirava bem como comida caseira.
— Eu ganhei isso depois de cuidar dos ferimentos de algumas crianças e receitando alguns chás. Parece estar tendo um surto de vermes aqui, eu recomendei que bebessem água filtrada ou fervida... Não me olhe assim tá? Eu não usei ninjutsu médico, apenas uma enfermeira do interior do país.
— Hn. – bufou e a viu rindo.
— Eu realmente senti falta desses bufos.
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Quando chegaram ao primeiro centro médico ela sumiu na multidão, a presença dela era muito esperada. Todos tinham questionamentos e queriam seu olho em algo. Depois de esquadrinhar o lugar e ser aparentemente seguro seguiu para o alojamento que foi designado. Por Sasuke ficariam acampados próximos dali e longe da multidão, mas Sakura certamente ia agradecer banhos quentes e uma cama macia. Entre outros pequenos confortos.
O Lugar não era uma aldeia oculta, estava mais para uma vila em ascensão, o lugar parecia um canteiro de obras e estavam na trilha de uma grande estrada. Um bom lugar de comércio pelo fluxo de viajantes e certamente um bom lugar para se ter um hospital bem equipado. Entrou no alojamento lembrando do pedido de desculpas do representante, eles não sabiam que ela viria acompanhada e por isso separaram um pequeno lugar.
Tudo estava uma confusão e avisaram que se quisessem iam providenciam um lugar para duas pessoas, mas Sakura disse que estava ótimo. Olhou ao redor e viu uma cama, um sofá, uma mesa, um estante com televisão, havia uma pia com alguns aparelhos básicos no balcão, uma porta que dava um banheiro privativo.
Simples, mas bem montado.
Um quarto bom para qualquer viajante, confortos mínimos sem luxo.
Colocou a mochila no armário junto com a dela e sentou na mesa para fazer seu relatório e enviar. Depois olharia o local novamente e faria alguns selos de aviso. A notícia que Haruno Sakura estava no local correria como água e se viessem ninjas queria saber assim que entrassem.
Sakura realmente parecia não entender como ela tinha ficado famosa depois da guerra, ou sobre como o trabalho que ela fazia na vila era comentado nações a fora. Ninguém duvidava que ela pudesse se proteger, mas sabiam que ela estaria tão absorta em querer fazer e ajudar que não notaria antes de ser tarde qualquer tipo de emboscada.
Ninjutsu médico ainda era algo raro e não se tornaria mais fácil de praticar, ele não queria entrar no caminho dela irritada se notasse alguém tentando sequestra-la ou ameaçá-la, mas na verdade isso não ia acontecer porque o trabalho dele era fazer a viagem segura e sem impedimentos.
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Quando entrou novamente no pequeno quarto ou apartamento, como quisesse chamar, já era quase nove e Sakura estava sentada no sofá. Aparentemente tinha acabado de tomar banho visto os cabelos molhados, usava roupas leves e resmungava mexendo os pés enquanto olhava a televisão.
— Sasuke! – ela por vezes perdia o hábito do Kun – Kami, por favor me diga que o que tem ai é comida? Eu sinto uma cratera no meu estômago e meus pés doem demais para sair para procurar.
— Sim, é o nosso jantar. – colocou a sacola na mesa –
— Você é a minha pessoa favorita do momento!
De costas ouviu ela andando e mexendo na sacola, estava indo lavar a mão na pia e corou levemente com o comentário. Ela fazia comentários tão espontâneos e parecia não notar como as vezes eles poderiam ser cheios de interpretações. Sentaram para comer e desde que começaram a viajar nunca tinha ouvido ela falar tanto.
Na verdade, desde a guerra nunca tinha ouvido tanto.
Com o tempo aparentemente Sakura passou a controlar mais o que falava e com quem falava, pelos menos na presença dele, mantendo muitas vezes um silêncio confortável. Ele de fato gostava de silêncio e poder ouvir seus pensamentos, mas de fato não se importava de ouvir. Uchiha Sasuke era um homem de ouvidos abertos, não lábios.
Depois de um tempo ela apenas se esticou dizendo que precisava dormir.
Já tinha preparado seu saco de dormir no chão, ele não se importava de dormir assim, afinal havia apenas uma cama. Mas ela pareceu não gostar da ideia visto pelo como o olhou e rolou os olhos em clara impaciência.
— Não seja um idiota, eu já passei por isso uma vez com Neji. Nós somos adultos, ninjas, eu já tive que dormir com o Naruto, com o Sai, até com Lee durante missões. É só uma cama e não me venha dizer que prefere dormir no chão porque prefere porra nenhuma. – a viu chutar sua organização e olhá-lo sobre o ombro – E eu não mordo, Sasuke.
A olhou bufar e entrar debaixo das coberta do lado da parede dormindo quase que imediatamente. A menção do nome do Hyuuga o fez lembrar ao longe dele, soube que morreu durante a guerra salvando Naruto e Hinata, não o conhecia, mas sentia mesmo assim. E quando ela falou sobre missões, se deu conta de quanta coisa aconteceu longe dos olhos dele. A vida deles tinha seguido mesmo sem ele.
Respirou depois de limpar a mesa.
Se deitasse no chão ela ia ser irritante e barulhenta o dia todo, bem, afinal de contas de fato era só uma cama. Mas precisou de longos minutos em pé olhando antes de finalmente deitar. Naqueles primeiros dias notou como ela dormia quase imóvel, como ele, não corriam o risco de passar por uma situação constrangedora.
Macio, limpo e confortável.
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Quando o tempo deles ali estava quase acabando Sakura teve que sair correndo para atender uma emergência médica. Ela estava trabalhando no relatório final para mandar a vila e deixou tudo sobre a mesa. Ninguém podia dizer que ela não era preocupada.
Passou perto da mesa olhando as pequenas pilhas de papéis muito bem organizadas e escrita com uma letra muito bem acabada. Talvez ela não devesse se empenhar tanto, Kakashi provavelmente não leria nem metade, se lesse o necessário já podiam comemorar. Mas Sakura sendo quem era tudo estava sendo explicado nos mínimos detalhes, cobrindo todos os pontos importantes. Pegou um maço de folhas que tinha um clipe prendendo um papelzinho escrito “completo” para enviar junto com seu próprio relatório.
E foi então que uma folha branca escrita com tinta verde em vez de preta pulou diante dos seus olhos. Não estava escondia, estava no meio da mesa diante dos olhos de qualquer um, não conseguiu deixar de ler as primeiras palavras. Não conseguia olhar uma folha escrita e não ler. Era uma carta para Naruto.
Começou a se virar para não ler mais do que a primeira frase, mas bem... não estava escondido, não parecia que ela não queria que ele não visse.
Naruto,
O tempo aqui é um pouco diferente do país do fogo e nem estamos tão longe assim... engraçado como mesmo longe de casa estamos sempre procurando elementos que nos lembrem do conforto do lar. O Sasuke-kun é uma boa companhia de viagem, realmente não sei que tipo de ameaças o Kakahi teve de fazer para ele ser a minha babá, mas ele não parece infeliz.
Você deveria aprender algumas coisas com ele como: tomar banho regularmente, levar roupas, atrás da orelha... Sabe, ser alguém mais limpo num geral. Eu não tenho que ficar lembrando ele de não deitar no saco de dormir suado e fedendo. Isso são coisas que todo mundo deveria saber e praticar!! Hinata agradece!
E quer saber, eu diria que ele parece quase feliz na estrada... Estar caminhando e fazendo sua jornada deixa transparecer uma paz que eu nunca tinha visto nele. Isso é bom, não? Parece que conseguimos ajuda-lo, pelo menos eu espero que nós tenhamos sido de alguma ajuda. Depois de tudo parece que as coisas estão dando certo finalmente, quem sabe um dia ele não sinta essa paz em casa? Ou talvez casa seja onde ele sinta paz.
Enfim, tudo está correndo bem. Como vai a Hinata? Me conte as fofoca dos encontros da Ino com o Sai! Estou sentindo falta de todos vocês, mande notícias minhas aos meus pais.
Com carinho, Sakura.
PS: Sasuke não ronca seu idiota! Deveria ser assim também porque parece um motor desregulado! Meu sono agradece!
Ficou olhando para a carta uns momentos.
Naruto e Sakura continuavam preocupados com ele. Sempre olhando por ele, mesmo quando não merecia essa atenção. Sentia-se culpado por ter sido a fonte de tanta dor e preocupação. Depois daquela tragédia sempre se sentia sozinho, mas no meio de sua escuridão não viu como a vida encaminhou outras formas de amor em sua direção.
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Dormir na mesma cama que ela se tornou natural.
Não houve um momento desconfortável, agradecia mentalmente por isso, não saberia lidar ainda com quaisquer situações estranhas. O relacionamento dele com Sakura estava sendo construído e não queria vê-lo desabar como um castelo de cartas.
Relacionamento... que palavra longa e complicada. Lidar com Naruto era fácil, eles se ofendiam, xingavam, batiam e no final tudo certo. Kakashi era um homem de poucas palavras, eles não precisaram falar nada. Agora Sakura era completamente diferente. Com ela nada era simples. Aqueles olhos tão verdes expressavam tantas coisas quanto suas palavras, com ela sempre tinha informação demais.
Ela mudou muito da infância até ali e apesar de não ter nenhum passado trágico, acabou sendo afetada pelo passado deles. O único membro do time que não tinha máculas foi se manchando enquanto tentava curar as feridas deles. Naruto e Kakashi pelo menos estavam lá para conter os danos, mas ele deixou um rastro de destruição.
Não entendia de onde vinha o perdão dela, a gratidão que sentia por isso não poderia ser maior, mas a pergunta sem resposta dele estava em... quantas vezes ela o perdoaria?
Foi tirado de seus devaneios quando ouviu ela levantar da cama de uma vez. Por puro instinto colocou a mão sobre a Katana e ativou o sharingan esquadrinhando todo local nos três primeiros segundos. Não havia ninguém além deles. Podia ouvir a respiração alta dela, completamente desestabilizada e mesmo no escuro viu a silhueta dela cambalear em passos incertos até cair sentada no chão enquanto repetia sem parar algo que simplesmente não conseguia entender.
Atravessou o pequeno quarto em três passos se ajoelhando diante dele.
— Sakura...
— Tudo está bem, foi só um pesadelo... – ela repetia isso sem parar como um mantra, nem parecia ciente da presença dele.
— Sakura. – disse firme colocando a mão no ombro dela.
Os olhos verdes o fitaram num desamparo que ele não tinha visto desde que ela era uma menina e então ela o abraçou.
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