Notas iniciais
Olá pessoas, um pouco de felicidade para vocês. Muito obrigada pelo carinho! kisskiss

Na manhã seguinte eles seguiram viagem e Sakura não falou nada sobre o acontecido. Sasuke apenas esperou, ela iria falar quando estivesse pronta para fazer. Ele melhor do que ninguém sabia que certas coisas precisavam de tempo para lidar. Eles iam demorar dessa vez quase uma semana para chegar ao próximo destino.

E o Uchiha fez uma rota que passava longe das trilhas principais, ele preferia viajar sozinho aproveitando a paz e tranquilidade. Sem dizer que podia conhecer melhor os lugares, saber onde precisam de ajuda indo nos lugares onde as pessoas geralmente não iam. Mais de uma vez ele já ficou em pequenas vilas civis como viajante trabalhando por um lugar para dormir e o que comer. Não que de fato ele precisasse disso. Muitas vezes o fez por ver sinais de ameaça, quadrilhas que intimidavam civis. Fazia um trabalho limpo de cuidar do assunto sem que associassem a ele.

Seu trabalho pelo mundo era muito maior que ações pequenas como essa, mas ver o mundo civil que muitas vezes era tão negligenciado o fez aprender muitas coisas sobre pessoas. Até mesmo sobre ele mesmo. Havia muito sofrimento na vida de um civil, eles estavam sempre rodeados de pessoas com habilidades superiores o que muitas vezes gerava complexos de poder, tinham que trabalhar muito mais e o tempo todo para se sustentar, frequentemente os que não viviam em aldeias ninjas eram esquecidos a própria sorte.

Pessoas que plantavam e viviam do que a terra dá. Famílias que muitas vezes ficavam isoladas de confortos como hospitais e remédios, mas que mesmo assim se viraram bem. Que tinham espaço e tempo para tomar chá com um visitante. Velhos que sobreviveram desde a segunda guerra e viram como cada uma dessas lutas mudou um pouco o mundo deles.

Ia ser bom para Sakura conhecer essas pessoas também, ela era muito mais humana e lidava muito mais com civis do que ele jamais lidou, mas essas pessoas eram diferentes daquelas que viviam protegidas pelas cercas das grandes aldeias ninjas. Talvez ela tirasse até mais do que ele da situação.

Somente no terceiro dia de viagem que ela finalmente falou.

Estavam montando acampamento a margem de uma floreta a beira de uma grande encosta, havia um lago a menos de três minutos, o chão era seco e firme, havia proteção visual da floresta e o outro lado do desfiladeiro estava à cinquenta metros, protegido por uma densa mata. Tinham montado a barraca, porque em algum intepere das duas sobrou uma e eles seguiram a lógica da única cama, não havia motivo para frescuras.

Deixou madeira para fogueira preparada e a viu parada na beirada do desfiladeiro com as mãos nas costas.

— Sasuke... – ele já havia aprendido que a falto do sufixo muitas vezes queria dizer que o assunto é sério.

— Hn. – levantou e caminhou até o lado dela.

— Sobre aquela noite... – suspirou – Me desculpe pela cena, eu tive um pesadelo com a guerra e algumas outras coisas, havia você e o Naruto lutando, um monte de sangue... E vocês se mataram ou quase isso. Eu estava fora de mim, não vai mais acontecer e se acontecer, só me dê algum tempo que vou me recuperar.

— Não se preocupe.

Os pesadelos dela tinham algum sentido, houve pontos daquela história que eles quase se mataram, que parecia ser a única maneira de resolver os problemas. Ela havia tentado matá-lo numa tentativa desesperada de pará-lo e ele quase a matou. Aquela lembrança lhe dava náuseas. Não Sakura ter tentado, mas ele quase ter feito. Parecia um crime muito maior a intenção dele que a dela.

Sakura e Naruto tiveram inúmeros motivos para mata-lo, ele esteve fora de controle, a ponto de machucar inocentes. As tentativas deles eram válidas, mas as dele eram um crime. As mãos de Sasuke eram sujas de sangue, mas por muito pouco as mãos dele não estavam manchadas com o sangue dela. Aquela possibilidade lhe corroía por dentro.

A ideia da morte de Sakura, a morte dela pelas mãos dele o deixava muito mais doente do que qualquer outra coisa. Entre tantas culpas e arrependimentos aquele era um dos que mais o assombrava.

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Depois da explicação a normalidade deles aparentemente voltou e quando Sakura encontrou matos que aparentemente eram muito importantes, Sasuke resolveu que eles iriam atrasar um ou dois dias a viagem. Para ele era tudo capim, entretanto ela dizia que o capim que os bichos estavam comendo era especial.

Ela passou uma manhã toda entretida pegando amostras, escrevendo no diário de viagem, desenhando as folhas, descrevendo a localização. Definitivamente Sakura não podia viajar sozinha, ia lembrar de colocar isso no relatório, quando entretida com o trabalho ela simplesmente perdia a noção da realidade. Tudo que bem ali não havia uma pessoa num raio de quilômetros deles e que ele estava devidamente preparado para qualquer aparição, mas ela não podia se entreter tanto assim.

Estava sentado no alto de uma árvore lendo um livro que pegou na cidade que estiveram, ele aproveitava essas viagens para ler também, muito conhecimento podia ser adquirido. Pela posição do sol eles já tinham perdido a hora de comer correta, outro ponto sobre Sakura focada, ela se esquecia até de comer. Saltou suavemente da árvore pousando no chão.

— Sakura. – teve que aumentar o tom para obter a atenção dela que só o olhou sobre o ombro.

— Hn? – resmungou. Não gostava de ser incomodada.

— Vamos comer.

— Pode ir.

Sasuke caminhou até ela pegando o caderno de notas ouvindo o bufo enquanto dava as costas.

— Já passou da hora de comer.

— Oh deixe de ser mandão! Se está com tanta fome vá comer oras!! Devolva meu caderno!

— Você tem que comer.

— Eu não... – o barulho da barriga dela fez a Haruno ficar vermelha e irritada, a simples levantada de sobrancelha dele era suficiente para mostrar o ponto de vista – Não vou discutir, mas nunca mais faça isso ou esfrego sua cara no chão.

Passou por ele pegando o caderno enquanto batia o pé no chão. Sakura era tão passional. Apenas a seguiu em silêncio. Em rotas mais afastadas ele comia muito austeramente, geralmente frutos da região,leguminosas, chás, alguma caça, apesar de comer carne com moderação, grãos que adquiria o suficiente para comer enquanto estivesse fora de rotas de comércio.

Sasuke em geral levava uma vida modesta. O que ficava claro em seu físico, ele tinha crescido em dois anos e estava bem magro com um tipo de definição que não tinha antes quando vivia com considerável mais conforto. Ele já havia notado como em pouco tempo esse modo de vida afetou Sakura, o rosto estava mais fino, mas ela falaria se isso incomodasse demais.

Eles comeram arroz com legumes da floresta e chá verde. Iam demorar mais que o previsto para a próxima cidade talvez fosse melhor caçar algo no dia seguinte.

— Você sempre viaja assim? Tão longe de trilhas com pessoas?

— Algumas vezes.

— E passa muito tempo sem ver alguém.

— Já cheguei a ficar semanas completamente sozinho.

— Oh... Isso é muito tempo. Não se sente sozinho?

— Não.

Respondeu sem pensar muito e depois se arrependeu. Conhecendo Sakura ela usou sozinho como sinônimo de solitário. Ele não quis dizer que gostava de ficar o tempo todo sozinho, mas que não se sentia solitário. Sua própria companhia não era mais um problema, seus demônios estavam sobre controle. Aquela era uma viagem em busca de perdão e paz. E ele encontrou muita paz na estrada, na natureza, ajudando pessoas simples.

— Entendo, eu não sei se ia lidar bem ficando tão sozinha.

— Há muita paz em estar só, você sente que há equilíbrio quando sua companhia não é um demônio a se temer.

— Me parece triste. – ela sempre esteve muito rodeada de pessoas.

— Triste é sentir solidão e isso podemos sentir rodeado de pessoas. O estado de nem sua própria companhia preencher você, quando ficar sozinho machuca e rodeado de gente não melhorar.

Sakura conhecia solidão, por muito tempo sentiu-se solitária. Por mais que houvesse muito a fazer e gente ao redor a sensação de vazio permanecer. Foi muito tempo até aprender como lidar com isso. E sasuke tinha razão, só depois de lidar com suas emoções mais profundas que foi melhorando.

Sem dizer que realmente havia beleza em estar distante de quaisquer pessoas. Ela tinha pensado sobre muitas coisas naquelas semanas, entretanto aquela não era uma vida que gostaria de levar por muito tempo.

Terminaram de comer em silêncio. Lavou a louça visto que ele cozinhou. Estava escurecendo e estava cansada.

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Na manhã seguinte ele saiu para caçar, algo pequeno para não gerar desperdício, mas que tivesse um gosto bom. Passou praticamente a manhã toda envolvido com isso, soltando algumas presas. A carne não era boa, muito grande ou muito pequena. Tratou com paciência até alcançar o objetivo. Um coelho do mato médio, que não tinha uma ninhada a cuidar. Daria para ele e Sakura comerem ensopado no almoço e jantar.

Voltou ao acampamento pelo lugar de coleta que estava vazio. Talvez ela resolveu dormir ou ler um pouco na tenda. Com a caça no ombro colocou a mão no cabo da Katana ouvindo apenas silêncio. Não a viu quando entrou no acampamento e usou o Sharingan de imediato, todos os selos que havia feito em volta do acampamento estavam intactos, e não esteve longe o suficiente para não ter ouvido sinais de qualquer tipo de luta.

Sem dizer que não havia sinais de luta.

Caminhou até a beira do desfiladeiro com a mão firme na katana e olhou para baixo. Quase cinquenta metros abaixo viu um cabelo rosa cheio de poeira escalando o paredão. Mais que diabos aquela mulher estava escalando um paredão? Aquilo devia ter quase setenta metros.

— Sakura! – ouviu a voz reverberar e ela o olhou soprando a franja.

— Sasuke! – ela sorriu –

— O que está fazendo?

— Escalando! Eu precisava de uma atividade física!

— Você... Pode cair!

— Claro que não! Eu já chego ai em cima!

Contrariando seus instintos de vê-la subir para garantir a segurança dela, foi até a pedra que eles improvisaram de tábua para preparar a carne para cozinhar. Que diabo de mulher mais sem ideia! Escalar um paredão porque está entediada. Sakura parecia tão sem ideia quanto Naruto às vezes. Ouviu o som da respiração ofegante e logo ela estava ao seu lado com suor escorrendo pela testa.

Ela tinha tirado a blusa vermelha e o cinto para escalar, estava somente com shorts e uma blusa preta muito justa. E estava sorrindo satisfeita.

— Você realmente tem mais habilidades com uma mão do que muita gente que eu conheço com duas.

Disse vendo ele abrir, tirar a pele e estripar o jantar deles. Estava se sentindo bem, Tsunade a acostumou a treino físico pesado, sem dizer que Naruto era sempre adepto a treinos de exaustão e quando ia lapidar seu taijutsu com Lee. Talvez ficasse com um pouco de dor, mas nada demais.

— Sabe eu não costumo caçar quando estou com alguém, me dá um pouco de pena sabe... eu sei que é besteira... Você está irritado?

Virou o rosto para ela e ergueu a sobrancelha.

— Não é uma ideia boa sair escalando paredões, Sakura! Você podia cair, sem dizer que eu achei que algo tinha acontecido quando o acampamento estava vazio.

— Não seja tão neurótico, não tem ninguém num raio de dez ou vinte quilômetros. E eu gosto de treinos de resistência...

— Sem escalar essa droga, Sakura! Eu não quero explicar ao Naruto você com ossos quebrados.

— Yare, yare... que mal humor. Eu vou tomar banho, venho ajudar depois.

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Depois de comerem um bom ensopado, Sasuke conseguia fazer milagres com alguns legumes e ervas simples. Estavam sentados na beira da parede rochosa aproveitando a noite, como não estava frio, apagaram a fogueira e só havia lua e estrelas iluminando eles.

— Sabe, por que não aceita colocar uma prótese? Ia facilitar sua vida, o Naruto se adaptou tão rápido...

— Estou bem assim para o momento.

— Não precisa ser tão rígido com você mesmo, Sasuke-kun, nem sempre tudo tem que ser feito do jeito mais difícil.

Ela estava balançando as pernas e olhando para cima com uma expressão serena. Gostava de ver essa tranquilidade nela.

— Quem sabe daqui um tempo.

— Olha, o Naruto gastou um ano no processo todo, agora que sabemos como funciona, como é o pós operatório acho que em seis meses poderia estar de volta a sua vida de ermitão. Não vamos amarrar você na mesa, Sasuke-kun, queremos que volte porque quer até nós.

— Vou pensar no assunto.

Ela pareceu satisfeita com isso e para o momento era o suficiente.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.