Redenção
2 Decidindo destinos
Notas iniciais
A senhora estava acordada e ela olhava para o enfermeiro misterioso com um sorriso nos lábios. – O senhor parece um anjo. Qual seu nome?
Ele sorriu também, mas por reflexo do que por felicidade. – Norris, senhora Milley. Está confortável?
Milley se olhou divertida. – Tive dias melhores, meu caro Norris. Desde aquele incidente horrível não consigo respirar direito. Inalei muita fumaça, — e ela tossiu, como se para comprovar sua afirmação. – Temo que seja fumaça alienígena.
Norris abaixou a cabeça reprimindo um sorriso. – A fumaça é da terra, eu garanto. Agora eu peço que feche os olhos e se concentre em seu corpo. É uma nova terapia que temos aqui. Injetarei um novo remédio em seu corpo.
—Oh, meu Deus, vocês acham que somos cobaias? Mas quem sou eu para negar, eu quero viver!
E quem não quer?
—Feche os olhos e relaxe, senhora Milley. Garanto que ficará curada com esse novo método.
Ela suspirou, porém sorriu para ele. – Tudo bem, Norris. Eu acredito em você. – E deu uma piscadinha antes de fechar os olhos.
O enfermeiro aguardou um momento até que tivesse certeza que ela se manteria daquela forma. Ele pegou uma seringa vazia e estendeu sua mão para ela. Uma leve luz iluminou o objeto e o enfermeiro rapidamente aplicou no braço da paciente com delicadeza. A partir daí, ele pode ver o caminho da luz por todo corpo de Milley, iluminando cada poro, curando cada ferida, detendo-se com maior cuidado em seus pulmões.
Estava feito.
E quando ela abriu os olhos, com um sorriso radiante de felicidade e bem-estar, viu que estava sozinha em seu leito.
~o ~
O enfermeiro foi andando pelos corredores em direção a saída, o dia amanhecendo e seu trabalho noturno encerrado. Ele olhou para os lados e retirou sua máscara, a jogando numa lixeira. Retirou também suas luvas e sua touca, passando as mãos pelos cabelos cinzentos para desamassá-los. Uma câmera no alto da parede se mexeu levemente, como se tentasse enquadrar o funcionário com mais precisão. Norris logo percebeu e olhou para ela com um sorriso sarcástico. Apontou o dedo do meio e saiu com uma risadinha.
Ao sair, uma luz forte o cegou, como se mil sóis tivessem despertado no horizonte. Ele ergueu suas mãos que já emitiam uma luz verde e conjurou um imenso bloqueio mágico. A luz forte não mais o alcançou e ele pode ver o que o havia atacado: várias pessoas estavam posicionadas, armas em punho, cercando a saída do hospital. Alguns funcionários do local saíram correndo em pânico, alguns mesmo gritando: terrorista! Terrorista! Escondam-se!
—Renda-se, Loki Odinson, sabemos que é você! – gritou alguém com megafone. – Renda-se e não será ferido.
O falso enfermeiro sorriu, ainda segurando seu bloqueio. Não, não iria mata-los, era justamente o que queria evitar. Apenas desaparecer. Sim, desaparecer e estariam como baratas tontas a sua procura. Tão simples.
Naquele momento, ele sentiu algo pesar em seu pulso e, com horror, viu uma pulseira dourada brilhando. E, segundos depois, no outro pulso também. Não! Ele sentiu o bloqueio se desfazer lentamente e a luz forte voltar a ofuscar sua vista. Uma presença maciça veio ao seu lado e a voz rouca e grave inconfundível se revelou: — Não resista, irmão. Seus poderes estão restritos. Apenas venha comigo.
E ele sabia que seu disfarce havia esvaído. Todos o olhavam, olhavam para Loki Laufeyson, ou Loki Odinson, ou... Quem saberia mais o quê. Loki filho de nada. Sua pele ainda era pálida, era muito difícil romper o feitiço de Odin. As pulseiras pesavam chumbo e doíam em seu pulso.
Thor segurou seu braço com força e o deslocou para frente, em direção aos agentes da S.H.I.E.L.D. Fury foi em direção aos irmãos com arma em punho, pronto para qualquer truque do malandro. –Ora, ora... Eu pensei que nosso caso havia se encerrado, Loki.
—Senti saudades, — respondeu rapidamente o segundo príncipe com sua voz melodiosa. – Estava monótono em Asgard.
Thor apertou com mais força o braço do irmão, onde certamente ficariam marcas roxas. – Demonstre respeito, Loki. – Naquele instante, Fandral e Volstagg apareceram com a focinheira. – Coloquem nele.
Também foram colocadas algemas extremamente resistentes e Thor o arrastou para um veículo enorme que aguardava atrás dos agentes.
—Até que foi bem fácil, — comentou Tony em sua armadura de Homem de Ferro se aproximando dos irmãos. – Pensei que fosse resistir mais, cara pálida. O que aconteceu? Perdeu o jeito?
—Sem o cajado do destino ele não é nada, — disse Barton com o arco em mãos. – Ele é um fracassado, — falou em voz alta o suficiente para que Loki escutasse. Este mantinha a expressão serena e alheia.
Steve abaixou seu escudo e entrou junto com os irmãos no veículo sem janelas na parte de trás. Ele não disse nada aos dois, apenas ficou olhando para o asgardiano com curiosidade e um pouco de pena. Ele pode perceber o quanto ele havia emagrecido, como se fosse possível sendo já tão magro. Thor era imenso ao lado dele e, realmente, era impossível dizer que os dois eram irmãos. Como Asgard não havia percebido isso?
Loki, de repente, virou seus olhos para ele e sustentou o olhar. O capitão sentiu seu sangue gelar, como uma criança que foi pega olhando o que não devia. Ele receou que o príncipe pudesse ler pensamentos. Poderia? Thor estava sério, estóico, enquanto segurava com firmeza as algemas. Fandral e Volstagg acompanhavam os dois servilmente.
—Ele será levado para nossa sede, Thor, — avisou Steve. – Quando Fury o liberar, se o liberar, poderá fazer o que quiser.
Loki abaixou o olhar e o capitão pode ver que ele estremeceu, sendo a primeira reação verdadeira vinda dele.
—Entendo, amigo Steve. Mas Nicholas entenderá que Loki é nosso problema e terá que lidar com a justiça asgardiana.
Steve franziu a testa. – Mas ele tem algum débito em seu reino? Você disse que a rainha desvendou o que ocorreu...
—Thor! – disse Fandral nervoso. – Melhor termos esse tipo de conversa depois.
—Sim, Thor, depois.
O guerreiro assentiu e se calou. Loki ainda olhava para o chão, mas ele ergueu seu olhar de novo para o capitão e o fitou intensamente com seus olhos verdes. Steve desviou o olhar, observando com atenção seus próprios dedos. Alguma coisa aconteceu em Asgard, ele tinha certeza, mas Thor preferia esconder de todos. O que teria acontecido? Talvez ele devesse alertar Natasha, era muito difícil alguém esconder algo dela por muito tempo.
~o ~
Sede da S.H.I.E.L.D.
—Ele falou alguma coisa até agora? – perguntou Fury enquanto olhava o prisioneiro pelo monitor.
—Loki está com uma focinheira, — disse Tony com diversão. – Se ele conseguisse falar algo, seria sinistro nível O Exorcista. E acho que poderíamos sair correndo daqui.
Natasha olhava fixamente para a imagem de Loki. Sua testa franzida indicava problemas. – Ele parece bem confiante. Ou é um grande mentiroso, — sussurrou para si mesma.
—Eu voto por mentiroso, — disse Barton erguendo uma mão.
—Devemos interrogar o prisioneiro, — avisou Fury. – Ele representa algum perigo, Thor, sem a focinheira?
O guerreiro olhou para os outros guerreiros antes de responder. – Não, realmente. As pulseiras controlarão sua magia, ele está praticamente indefeso.
Steve se mexeu, incomodado. – Então ela serviu para que?
—Loki poderia influenciar de um jeito ruim com sua língua afiada, — disse Thor rapidamente. – Ele mente muito, amigo Steve.
Ou poderia contar algum segredo, não é?
—Acho que a Shield pode lidar com isso, — respondeu Bruce saindo de seu silêncio tenso. – É muito estranho, ele praticamente se entregou. Como se precisasse confessar suas ações ou pagar pelos seus pecados.
—Eu quero falar com ele, — afirmou a espiã. – Thor, retire aquela focinheira. Quero verificar as intenções dele.
—Duvido, lady Natasha, que ele diga algo que faça sentido. Loki é além de toda compreensão e...
—Thor, — disse ela com voz firme. – Tire a focinheira e deixe o resto comigo. Por favor.
Fury assentiu com a cabeça e os dois foram em direção a sala do prisioneiro. Loki estava sentado no chão, encostado a parede, com olhar petulante fixo para o nada. Quando viu Natasha e seu irmão adentrando o recinto, ele se empertigou e seu rosto deu a entender que sorria cinicamente.
Thor foi até ele e liberou a boca do irmão e, antes de se retirar, disse algumas palavras em idioma desconhecido e saiu sem olhar para trás. Loki mexeu a mandíbula algumas vezes, massageando por conta da dor que sentia. Natasha viu que a focinheira havia deixado algumas marcas na pele do asgardiano. – Loki, aqui estamos nós de novo. E por quê?
Ele sorriu para ela. – Lady Natasha, é um prazer revê-la.
—Não, não é não. O que faz aqui, Loki? Creio que tínhamos deixado claro que era persona non grata. Não pode voltar para cá sem autorização.
—Eu sou conhecido por fazer o que eu bem quiser e quis manter essa reputação. Ás vezes, é tudo que nos resta.
Ela se aproximou e sentou em uma cadeira. – É tudo que lhe resta, então? E sua família?
O rosto dele se contorceu numa careta involuntária num segundo, voltando a aparentar indiferença logo depois, mas já era tarde. Natasha o olhava com atenção e nada lhe escapava.
—Não tenho família. Sou um viajante entre os reinos, uma alma livre. – Sua voz pingava sarcasmo.
—Thor me contou que você não é o irmão dele, que é de outro reino.
Loki virou-se para ela, por um segundo demonstrando espanto. – O que mais ele disse? – perguntou rispidamente.
—Que você não é culpado pelos ataques a Nova York. Estava dominado por Thanos.
Ele deu uma risada sem vida. – Sempre um parvo. Não interessa a vocês saber disso, eu já estava nas mãos de Asgard, o que aconteceu aqui ficou para trás.
—Será mesmo, Loki? E por que você estava salvando pessoas em diversos hospitais de Nova York? E pessoas que ficaram doentes por causa da batalha que houve. O que você quer?
—Não quero nada, Lady Natasha. – O olhar dele agora era triste. – O que um assassino em massa poderia desejar? Nada bom, por certo.
—Você estava sob as ordens de Thanos, comandado por ele como Barton estava por você. Isso lhe faz inocente, Loki.
Ele olhou para ela e ficou em silêncio.
Na sala de reunião, todos olhavam pelo monitor a entrevista de Romanov com o prisioneiro alienígena.
—Por que ele não assume a dominação de Thanos? – questionou Bruce. – Seria mentira?
Thor pigarreou. – Peço, amigo Bruce, que não duvide de minha palavra. Se eu disse assim e porque assim aconteceu. Loki está arredio, e esse é o normal dele.
—O que você disse a ele antes de sair da cela? – perguntou Steve.
Tony, com seu celular, sorriu. – Eu fiz a mesma pergunta, mas a Jarvis. Gravei o que foi dito e enviei para meu A.I., que logo decifrou o mistério.
—O que ele descobriu? – questionou Fury.
—Bom, vejamos: “Loki, não diga nada que possa se arrepender. Asgard vem em primeiro lugar”.
Todos se viraram para Thor com ares de interrogação.
—Essa é uma saudação nossa habitual, — disse Fandral. – “Asgard sempre em primeiro lugar”.
Fury deu um soco na mesa. – Caramba, Thor, o que está havendo aqui? Você é realmente nosso aliado?
—Isso é com Asgard, amigo Nicholas. Midgard não deve se intrometer em nossos assuntos.
—E você pode se intrometer nos nossos? – perguntou Barton erguendo uma sobrancelha. – Não estamos nos queixando, é de grande ajuda o que faz, mas por que não podemos saber de Asgard o tanto que sabe sobre a Terra?
Thor e seus amigos deram uma risada arrogante. – É porque é Asgard, um reino superior, é claro. Estamos aqui para ajuda-los, mas vocês não conseguiriam fazer o mesmo por nós.
Tony ergueu a sobrancelha e começou a dar risada. – Oh grande deus Thor, o que seria de nós sem vocês? Opa, para começar, não teríamos ataque de chitauris! Ataque de robô maluco querendo destruir uma pobre cidade dos confins americano. Um lunático infectando pessoas em hospitais. O motivo? Não sabemos, somos inferiores! Devemos esperar a benevolência de Vossa Graça!
—Isso foi desagradável, Thor, — disse Bruce olhando incrédulo. – E tenho que concordar com Tony, vocês trazem os problemas até nós. Muito justo que vocês ajudem a resolver e ajudem contando tudo sobre o problema.
Fandral e Volstagg colocaram a mão em suas espadas como aviso e olhavam de queixo erguido os midgardianos. –Não somos intimidados facilmente, — avisou Volstagg.
Thor sorriu sem graça. – Amigos, tenham calma. Por que não deixam Loki conosco? Levaremos ele para Asgard e nosso rei tem meios para subjuga-lo adequadamente. Lembrem-se que nosso povo vive mais de cinco mil anos e que trinta anos de reclusão não será nada para ele. Que seus meios de tortura são fracos em relação a nossa estrutura corporal, mesmo para Loki. Nós temos os meios apropriados para punir pessoas como nosso povo.
Fury suspirou, olhando para todos na sala. Enquanto isso, na cela, Natasha observava o prisioneiro a sua frente. – Faremos uma competição de quem fica em silêncio por mais tempo?
Loki suspirou pesadamente e, num átimo, se ergueu do chão com destreza e foi até ela. Natasha também se ergueu e apontou um dispositivo na direção dele. – Isso causa muita dor.
Ele sorriu. – Não vou ataca-la. – E ergueu as mãos algemadas, que tinha uma corrente atada a parede, e os pulsos com os halos dourados. – Não tenho poderes nem condições. Só quero esclarecer algo, Lady Natasha: não quero sua piedade. Não quero sua compreensão. Foda-se toda sua comiseração! A sua e de seus amigos. Eu não preciso de nada seu. Nada!
A agitação calculada dele não passou despercebida por ela. Loki retornou a sua parede e graciosamente foi ao chão, olhando o resultado de sua recente ação.
—Está bastante chateado, não é? – Ela voltou a se sentar. — Mas não com o que acontece aqui. Parece que queria estar aqui, agora, dizendo essas coisas. Aposto que achou que demoramos em encontra-lo, até. Deve ter nos chamado de incompetentes por diversas vezes. Zombou de nós mostrando o dedo para câmera. Mas a chateação... De onde ela vem?
Loki fez uma careta feia de raiva. – Em Asgard, Lady Natasha, você não ousaria falar assim com um homem. Lá as mulheres são inferiores e, se não for uma rainha ou sacerdotisa, esqueça essa irreverência. Agradeça por ser de Midgard.
Ela zombou. – Você leu a mente de Barton, sabe dos meus segredos que ele conhece. Minha vida não foi fácil.
—Acredite, em Asgard é pior.
—Foi por isso que tentou se matar?
Os olhos deles brilharam perigosamente. – O que tem isso?
—Thor nos contou que tentou se matar, e que depois disso caiu nas mãos de Thanos.
Ele deu um sorriso estranho. – Ele contou o motivo?
—Não. Pensei que você pudesse me contar.
—Lady Natasha, não vai querer saber. E pelo que entendi de tudo aqui, vocês não tem nada para me prender. Sou inocente do ataque dos chitauri, não machuquei ninguém nos hospitais. Sou quase um santo, como vocês costumam dizer. Permanecerei aqui?
Ela bufou ao erguer-se. – Até acharmos conveniente. Volto em breve. – E ela se retirou rapidamente.
Loki encostou a cabeça na parede e fechou os olhos um pouco trêmulo. Seus pulsos doíam muito, a supressão de sua magia machucava seu corpo, que se sentia sugado o tempo todo. Mas ele tinha que aguardar, tudo aquilo iria passar. Ou não. Ele riu para si mesmo. Qual era novidade?
~o ~
Steve estava sozinho na sala de reunião olhando fixamente para o monitor. Loki olhava para a câmera com um sorriso mau, sabendo que estavam o vigiando. O capitão aguardava com paciência que o prisioneiro se cansasse daquela pose desafiante e se mostrasse realmente a qualquer momento, mas Loki era duro e não se entregava facilmente. Talvez Natasha pudesse observar sutilezas em seu comportamento que o entregassem, mas Steve não tinha esse olho treinado. O que ele via, na verdade, era um jovem, quase adolescente, muito teimoso e amargo, cuja aparência se assemelhava a um cantor de rock. O capitão riu consigo mesmo dessa analogia. Os cabelos negros compridos, a tez pálida, os olhos verdes, o corpo esbelto faziam de Loki um candidato ideal para encarnar um roqueiro destemperado.
Num certo momento, ele viu o asgardiano olhar para seus pulsos e soltar uma careta dolorida. Loki esfregou seus pulsos e suspirou pesadamente, retornando, depois, a sua habitual postura mal-criada.
—Por que você estava salvando essas pessoas? – murmurou Steve. – Sim, porque não acredito que as infectou ou qualquer coisa do tipo. Todas estão bem. Todas curadas.
De repente Steve teve um estalo e foi correndo até o refeitório, no oitavo andar, onde Thor estava com seus amigos.
—Amigo Steve! – cumprimentou o guerreiro.
—Thor, tenho uma dúvida! – falou rapidamente. – Seu irmão sabia feitiços de cura?
—Claro, ele aprendeu as artes da cura com Lady Eir e outros mestres em Vanaheim.
—Ele sabe curar, Thor! É bem possível, então, que ele esteja curando mesmo as pessoas, que sabia o que está fazendo.
Fandral e Volstagg se entreolharam. – Loki não quer o bem das pessoas, capitão. – disse o guerreiro mais novo. – Ele aprendeu a arte da cura para saber como adoecê-las.
—Ele, então, já adoeceu alguém, é isso?
Thor pigarreou – Não, ele nunca fez isso. Não que eu saiba.
—Por favor, Thor! – queixou-se Fandral, — Temos provas do que ele é capaz! Aqueles guerreiros têm provas da extensão de sua maldade!
—Que guerreiros?
Naquele momento um agente aproximou-se deles solicitando a presença de todos na sala de Fury. Quando chegaram lá, o diretor tinha uma descoberta. – Senhores, senhoras, temos o resultado dos pacientes curados pelo Loki. São cerca de 350 pessoas, até o momento. O laudo da maioria delas aponta saúde perfeita. Havia até um aleijado, que foi atingido na cabeça por uma explosão, e que está não somente com o crânio intacto como consegue andar no momento. – Ele pegou mais papéis. – Há crianças curadas de câncer, muitas delas, cegos, entre outros tantos tipos de enfermidades. O laudo não conseguiu detectar nenhum tipo de vírus, bactéria, componente químico, o que seja, de diferente e que seja mortal. Uns cinco tinham vírus comum de gripe, se estão interessados em saber.
—Segundo Thor, Fury, -disse Steve, — ele entende de curandeirismo. E acredito que a arte da cura em Asgard deva ser bem mais avançada que a nossa.
Thor sorriu, satisfeito. – Sim, bem mais. Lá as pessoas não morrem de doenças tão facilmente. Morremos mais em batalhas.
Tony rolou os olhos. – Oh, sim, magnífico Thor. Ficamos encantados em saber disso. Natasha, o que descobriu em sua entrevista?
—Quase nada, a não ser... Que ele se ressente pelas mulheres. Ele me disse que elas são inferiores, mas disse com amargura. Loki sofreu por amor, Thor?
O guerreiro empalideceu. – Não podemos falar sobre isso. Eu sinto muito.
—Hum... Então sofreu. Por isso que ele tentou se matar?
—Eu quero levar Loki agora para nosso reino, — cortou Thor em voz dura. – Não há nenhuma acusação contra ele aqui.
—E qual acusação contra ele em Asgard? – perguntou Barton. – Tentou dominar o reino também?
—Você disse que ele fugiu das masmorras, após ser considerado inocente da invasão deste reino. Por que ele fugiria? O que ele fez?
—Deve ter aprontado outra, Nat, — Barton deu uma risadinha sádica.
—Já disse, é assunto de Asgard! – A voz de Thor retumbou pela sala. Ele empunhou seu martelo e trovões foram ouvidos do lado de fora. – Loki é assunto de Asgard!
—Calma aí, grandão, — disse Tony, já de olho em Bruce. – Vamos resolver isso primeiro e depois pode levar seu lindo irmão consigo.
—Amigo Nicholas, posso, ao menos, falar com ele a sós? Não tive ainda a oportunidade.
Todos se entreolharam. – Você não vai fugir com ele, vai, Thor? – perguntou Tony. Já aviso que as paredes da cela são tão espessas que será difícil até para você explodir tudo aquilo sem morrer junto.
—Não, filho de Stark, apenas quero falar com meu irmão. E tenho certeza que em breve ele será liberado para cumprir sua punição em nosso reino.
Fury deu a permissão e logo Thor e os guerreiros estavam na cela com Loki. Os vingadores ficaram na sala de reunião observando tudo pelo monitor. Viram a petulância de Loki e depois seu medo, quando Thor o segurou pelos cabelos para firmar sua cabeça e dizer algumas coisas ao pé do ouvido. Também viram Thor beijar seu irmão na bochecha enquanto acariciava seu rosto. A expressão de asco e medo de Loki não foi perdida.
—Ele gosta tanto do irmão! — Comentou Bruce. — Isso é evidente. Mas não combina com a vontade urgente de puni-lo. Alguma coisa está errada.
—Tudo está errado, caro Banner, — disse Tony. – Eu não entregaria Loki para o irmão, se querem minha opinião. Seria uma execução antecedida por um julgamento obscuro. Ele está tão indefeso, tanto quanto possível. Não é páreo para quase ninguém.
—Está muito magro, — comentou Steve. – Será que os asgardianos têm força mesmo assim?
Barton deu uma risadinha. -Ele não é asgardiano, é um fudido azul. Um fudido monstro azul.
Bruce se mexeu incomodado. – Azul, verde... se forem úteis, qual seria o problema, não é mesmo?
O arqueiro empalideceu. – Desculpe, Bruce, não pensei...
—Tony, — cortou Banner, — ele podia ficar com a gente. Enquanto tentamos descobrir o que acontece com ele. Não me sinto à vontade de entrega-lo de bandeja sem saber exatamente o que aconteceu. E esse negócio de esconder... Me faz pensar que eles devem ser culpados também. Odin, Thor...
Tony arregalou os olhos e começou a rir. – Sim, claro, e ser morto em minha cama por um psicopata! Bruce, ele me jogou de uma janela!
—Não era ele, era Thanos! Pelo que percebi, Loki não faria isso!
—Ele pode ficar aqui, então, sendo investigado.
Bruce suspirou. – Não creio que haverá um tratamento digno aqui. – E olho para Fury. – Os agentes não terão tato nem paciência para tal.
—Aqui não é um hotel, Banner, — respondeu Fury. – Mas você tem um ponto: Loki não tem mais acusações em sua lista e as pessoas curadas não tem nenhum dispositivo, vírus, qualquer coisa que indique futura epidemia ou controle mental. – Ele bateu as mãos lateralmente. – Não temos nada contra ele. Ele deveria ser liberado, desde que haja um tutor.
Steve sorriu. – Isso é ótimo! Tony, há tantos lugares na Torre Stark!
Tony começou a sacudir a cabeça. – Vocês estão loucos, ele vai explodir o lugar!
—Não há evidências que isso acontecerá, — disse Natasha. – Ele só é muito malcriado e teimoso. Não acho que matará alguém.
—Além disso, — completou o capitão, — ele não tem a magia dele. Deveremos deixar as pulseiras e ele será tão ameaçador quanto qualquer pessoa em Nova York.
—Ah, agora fiquei com medo! – disse o bilionário erguendo as mãos. – Serei esquartejado e jogado numa lixeira!
—Qual é, gente! – disse Barton quase em pânico. – Ele é um maldito alienígena! É perigoso! Não sabemos o que os azuis são capazes – e olho para Bruce, — desculpe.
—Vocês gostam de me dar dor de cabeça... – murmurou Tony fingindo drama. Na verdade, ele estava bem curioso para desvendar a personalidade de Loki, como se este fosse uma invenção de outro engenheiro. – Serei eu a suportar o pior dos fardos!
Natasha reprimiu um riso. – Fury, dará a permissão?
O diretor fechou seu olho bom, já cedendo ao pedido dos vingadores. – Eu creio que sim. Vamos fazer uma experiência e criar já algumas regras para segurança de vocês e de Nova York.
—Tudo bem, — falou Steve, — vamos começar.
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