Redenção

3 O hóspede


—Ele ficará nesse quarto? – perguntou Barton vistoriando o ambiente. Ele estava com Natasha em um dos quartos da Torre Stark.

Ela sorriu pela cara feia do amigo. – Sim, e nem pense em colocar armadilhas contra ele. Não é para ser uma emboscada.

Clint fez beicinho escondendo um objeto que tinha trazido. – Ok, tudo bem. Não podemos nem nos divertir mais!

—Vamos sair e recepciona-lo na sala. – E ela segurou o braço do amigo e o encaminhou para fora. – E não o ameace.

—Me sinto um fodão em saber que ameaço um deus nórdico.

Quando Nicholas Fury havia decidido pela realocação do prisioneiro, sabia que enfrentaria a raiva de Thor e sua total resistência. Este ameaçou levar seu irmão à força e quase houve um embate real entre os vingadores e os asgardianos. Mas quando Hulk ameaçou aparecer, os ânimos automaticamente se arrefeceram. – Não quero causar danos à Midgard, — explicou Thor de mau humor. – Mas não entendo por que esses cuidados com Loki. Vocês não gostam dele.

—Não, Thor, não gostamos, — disse Fury também irritado, — mas aqui nesse reino temos alguns princípios e por vezes agimos à moda antiga, — e olhou para Steve, que sorria. – Creio que poderá ficar também na Torre Stark, se quiser, — e olhou agora para Tony.

—Oh, claro, — disse o bilionário mexendo em seu tablet, — reforçarei o estoque de carnes, cerveja e biscoitinhos. Vai se sentir em casa.

-Sinto-me honrado com tal convite, Nicholas, mas ficará para outra hora. Tenho que voltar ao meu reino e relatar ao meu pai e ao conselho tudo que houve. Provavelmente voltarei com uma resposta de Asgard.

Fury não autorizou que ele visse mais o prisioneiro por medidas de segurança, então Thor partiu com seus dois amigos de volta para seu lar. Um suspiro de alívio foi solto por Steve, representando o sentimento de todos.

Ainda em sua cela, Loki foi informado da decisão da S.H.I.E.L.D. sobre sua realocação para Torre Stark. – Não estamos confortáveis, Loki, sobre seu encaminhamento de volta para Asgard, — disse Fury em voz firme. – Não houve explicações suficientes do que houve lá e nem do que houve aqui.

Loki olhava fixamente para ele em expectativa e disfarçou o quanto pode seu espanto. Ir para Torre Stark? Junto com os vingadores? Essa era a última coisa que ele pensava que aconteceria.

—Você gostaria de dizer algo, confessar o que está fazendo aqui?

O príncipe engoliu em seco e respondeu indiferente. – Não há nada a dizer.

O diretor suspirou. – Está certo. Será escoltado até a Torre e lá ficará até segunda ordem.

E foi o capitão que ficou encarregado da logística de levar o até então prisioneiro Loki até a morada de Stark. Tony e Fury elaboraram as regras para a permanência dele, que incluía uma tornozeleira que restringia sua movimentação pela Torre. – Não quero ele entrando no meu quarto e me esquartejando, — avisou o Homem de Ferro. – Se tentar ultrapassar seu limite, será emitido um aviso em toda Torre. Se insistir, ele terá uma surpresa.

Após a instalação da tornozeleira ainda não ativada, Loki foi escoltado por Bruce como lembrete que Hulk poderá atuar sempre que necessário. O cientista não ficou confortável nesse papel de monstro malvado, mas, afinal, era o que Hulk era. E ele e o Hulk eram um só.

O príncipe permaneceu estoico e silencioso, respondendo apenas o que era perguntado e com o mínimo de palavras possível.

—E aqui temos o seu quarto, — disse Steve abrindo uma porta e, dentro, se revelando um confortável cômodo com uma bela vista para o horizonte de prédios. – Tem banheiro aqui, um closet, uma televisão. – Dizia apontando para as coisas.

—Uma janela blindada... – comentou Natasha irônica.

Interessante, — disse o mago com ironia e uma voz levemente rouca e esfregando seus pulsos doloridos.

—Como já dissemos, — falou Natasha, — aqui não usará algemas, mas não poderá sair da Torre sem supervisão. – Apontou para o pé dele. — Temos um grande sistema de monitoramento que avisará de qualquer tentativa sua de sair.

Loki balançou a cabeça suavemente. Seus lábios estavam crispados e ele estava visivelmente irritado. – Creio, então, que poderei tomar um banho? Já faz dois dias e isso é inaceitável para mim.

Ela sorriu. – Claro. Há algumas roupas básicas no seu armário que lhe servirão perfeitamente.

Ele ergueu uma sobrancelha, mas não disse nenhuma palavra. Haviam comprado roupas para ele?

Tony chegou com um belo sorriso. – Então, Rock Star, gostou de suas instalações? Aqui nós só temos o melhor! Depois passo o preço da diária. – E ele ergueu um aparelho que emitia um bipe. – Vou ativar essa belezinha e poderei dormir tranquilo!

—Você está obcecado, Tony, — disse Natasha. – Já pensou em terapia?

—Minha terapeuta não quer mais me receber, — disse enquanto apertava alguns botões e ativava o objeto. – Talvez eu a tenha assustado.

Steve conteve um sorriso. – Não imagino como.

—Pronto, ativado! – E o dispositivo acionou um longo sinal agudo e, segundos depois, tudo ficou silencioso. Tony olhou para Loki com expressão séria: — Você terá movimentação restrita dentro da minha torre. Estaremos monitorando todos seus passos e suas ações. O dispositivo emitirá sinais de alerta para você quando se aproximar de suas fronteiras. Isso é muito útil para evitarmos alarmes desnecessários e correria no meio da madrugada. Ah, é claro, se insistir na permanência em territórios proibidos, a tornozeleira descarregará alguns... choques. – E ele sorriu.

Loki deu um sorrisinho forçado. – Fico feliz em estar numa prisão mais confortável.

Steve pigarreou. – Ora, vamos deixa-lo um pouco a sós. Não disse que queria tomar um banho?

—Sabe o que usamos aqui?- perguntou Bruce, até então silencioso.

Loki ergueu a sobrancelha: — Água?

—Ele já mora aqui há algum tempo, Banner, — disse a espiã. – Deve saber se virar. Vamos todos para fora e, Loki, Jarvis informará quando o jantar estiver pronto. Ah, e você será apresentado a ele, — completou quando viu o ar de interrogação do prisioneiro.

Quando finalmente a sós, Loki olhou a sua volta com mais cuidado. Uma cama com dois criados mudos, nada dentro das gavetas, uma luminária embutida na parede, talvez fosse útil se conseguisse arrancá-la, carpete por todo chão, iluminação embutida no teto, armário com algumas roupas, gavetas com roupas íntimas, cabides de plástico... – Norns, que mau gosto!, pensou consigo mesmo. – Continuou a inspeção, vendo que os puxadores poderiam ser arrancados, isso era muito bom, as janelas realmente eram muito fortes e resistentes, não daria para quebra-las e pular, ou simplesmente usar os cacos de vidro para se defender. Hum, isso era preocupante. Poucos recursos disponíveis. – Eles pensaram bem no que deixariam para mim. Inteligentes.

Após terminar de observar tudo, retirou com cuidado as horríveis roupas que vestia como disfarce e entrou no banheiro. Observou que era pequeno, como todas as salas de banho daquele reino. Loki bufou frustrado. Lembrou-se de como era a sala de banho de seus aposentos, cinco vezes maior que aquilo. Ele suspirou e achou o ativador de água, fazendo derramar uma ducha morna e agradável. Pegou um frasco e viu que era sabonete líquido, algo que eles usavam muito naquele reino. Outro frasco, e viu que era sabonete para os cabelos. Isso o agradou e utilizou todos os objetos que estavam à disposição, demorando bastante tempo em seu banho.

Enquanto isso, no escritório de Tony, todos os vingadores estavam observando Loki pelo monitor desde que o deixaram sozinho. Viram a investigação que ele fizera no ambiente, — Não é bobo, — comentou Tony, — viram ele hesitar diante das roupas, — São roupas de marca! – queixou-se Natasha. Também viram quando ele deixou toda sua roupa no chão do quarto.

—Não devíamos ver isso, — disse Steve muito vermelho. – Isso é invasão de privacidade!

—Tem também no banheiro, recatado amigo, — disse Tony enquanto comia salgadinho de um pacote. – Poderíamos editar o vídeo e vender no Redtube!

—O que é isso? – perguntou o capitão, já desconfiando do que era, ainda mais vermelho.

—É um canal educativo, — disse Barton sem desgrudar os olhos da tela. – Ensinam meninos a se tornarem homens.

Natasha rolou os olhos. – Também é para “meninas”, caso não saibam. Bem vindos ao século vinte e um. – Ela voltou a olhar o monitor. – Ele é bem bonito, um corpo impressionante, mesmo magro.

Steve havia desviado os olhos. – Por favor, gente, desliguem isso! É extremamente anti-ético! Ele não vai gostar quando souber!

—Capitão, fique a vontade para se retirar e ir a sala para ver filmes da Disney, — disse Tony pegando uma bebida.

—Eu estou com você, -Steve, — falou Bruce também chateado. – Tony, seria bom se fôssemos todos para sala. Loki precisa de privacidade. E isso não é negociável!

Natasha suspirou exageradamente. – Ok, acho que eles têm razão. Vamos ver alguma coisa na TV.

—Eu preciso ir agora, — disse o capitão aliviado, — estou cansado e jantarei em minha casa. Até amanhã, — e se retirou.

—Essa é minha deixa, — falou Clint se erguendo. – Deixemos o bonitão tomando seu banho e vamos fazer algo de útil.

A espiã sorriu. –Como arranjar uma pizza?

Ele também riu. – Me acompanha?

Quando os dois saíram, Bruce encarou o engenheiro. – Bom, acho que também é minha deixa.

—Não! Você vai me deixar sozinho com ele? – Tony arregalou os olhos. – Bruce, ele tem medo do Hulk, fique aqui comigo! Jante, pelo menos. Não saberia o que falar com ele.

—Palavras é que nunca vão lhe faltar, Tony.

—Vou preparar lasanha! Com bastante queijo ralado, talvez ketchup...

Bruce rolou os olhos. – Você quer dizer que vai encomendar lasanha.

Tony deu de ombros e tomou seu último gole do drink. – Se quiser experimentar a minha... Não garanto sobrevivência.

—Ok, tudo bem. – E ele olhou para o monitor ainda ligado e a figura de Loki adentrava o quarto novamente com uma toalha em mãos e o corpo exposto. – Melhor desligar isso, Tony. Agora!

—Desligar! – ordenou Stark e o monitor ficou totalmente negro. – Vamos?

~o ~

Loki vestiu uma blusa preta de manga comprida e uma calça jeans escura, o que ele julgou serem as roupas mais apropriadas. Não havia espelho no quarto e ele teve se contentar com seu fraco reflexo na janela. Após isso ele se sentou na cama e aprovou internamente seu conforto. Seu corpo doía de ter ficado por um tempo naquela cela e resolveu se esticar no colchão. Fechou os olhos de puro deleite, como era bom descansar, pelo menos por um momento. Imagens intrusas começaram a surgir em sua mente e Loki ergueu-se assustado e irritado. Droga, não poderia nem ficar em paz? Algumas dessas imagens voltaram novamente e ele fechou os olhos de pura frustração. Imagens de seu irmão na cela, olhando para ele com aquele olhar que ele detestava. Detestava e temia. Sentir as mãos dele agarrando seus cabelos foi um momento de bastante terror. A voz rouca vibrando em seu ouvido, Loki ainda podia sentir essa vibração. Maldito!

Ele foi até a janela e ficou observando o ambiente lá fora. Já estava escuro e diversas luzes espalhavam-se pelo horizonte. Um silêncio imperava e começou a se sentir muito solitário. E preocupado. Ele deveria sair dali o mais rápido possível. Deveria voltar para seu esconderijo entre reinos. Ela estaria preocupada. Ele nunca havia ficado tanto tempo fora.

Loki tocou em suas pulseiras com ódio. Como ele faria isso sem sua magia? Deveria haver um jeito de quebra-las e ele descobriria. Olhou para sua tornozeleira e sorriu: era tão fácil quebrar aquele artefato. Como aqueles mortais pensam que são superiores a ele? Poderia levar um tempo, mas ele o faria. O problema não era nem mais esse, era como ele iria sobreviver como fugitivo sem seu poder. Os vingadores o achariam facilmente e, talvez, não tivesse mais a chance que havia conseguido agora.

Mortais... Por que estavam o ajudando? O que queriam em troca?

Loki tocou na janela e tentou emitir alguma magia contra o vidro e sentiu uma imensa dor em seus pulsos. Droga... elas reagem as minhas tentativas! Ele esfregou o pulso e ouviu um chiado metálico pelo ambiente e franziu a testa.

—Boa noite, Sr. Loki Odinson. Sou Jarvis e tenho que avisá-lo que o jantar está pronto.

—Onde você está? – perguntou olhando para os lados.

—Sou um A.I. e creio que estou em todos os lugares.

O príncipe soltou a respiração que estava presa e deu uma risadinha. – Acho que terei que me contentar com essa explicação mesmo sem um entendimento completo.

—Seria sábio, Sr. Loki. A sala de jantar é no 92º. andar, o penúltimo da torre, dez andares acima de onde está esse quarto. O Sr. Stark o aguarda.

—Sou obrigado a ir?

—A menos que queira morrer de fome, senhor.

—Seria uma opção.

—O Sr. Stark não deu opção.

Com um suspiro audível, o príncipe se dirigiu ao elevador após caminhar por alguns corredores, sendo guiado pelo solícito Jarvis. Ele conhecia aquela tecnologia por ter usado em diversos hospitais de suas visitas. Apertou o botão 92 e o aparelho foi subindo até o andar desejado. Ao pisar no andar indicado, viu uma grande área aberta e uma grande mesa no centro. Ao fundo, viu o que parecia ser uma cozinha midgardiana e lá estava Stark com o cientista Banner. Estavam discutindo alguma coisa relativa a alimentação.

—Um pouco de batatas fritas dará um toque especial a lasanha, vai por mim! – dizia Tony.

—Melhor colocar somente no seu prato. Ficará nojento, por Deus!

O engenheiro fez uma careta e despejou uma porção generosa de batatas em seu prato e pegou um grande pedaço de lasanha fumegante. – Depois não me peça, você perdeu sua última chance.

—Serei firme em minha tristeza. – Afirmou o cientista sorrindo.

—Oh, Vossa Alteza está entre nós! – disse Tony com um sorriso forçado vendo o mago se aproximar.

Loki ergueu a sobrancelha extremamente desconfortável. Por que o convidaram para lá? Por que tinha que compartilhar uma refeição com eles?

—Falante você.

—Tony... – pediu Bruce constrangido pelo olhar cortante do prisioneiro. – Loki, vamos jantar? Temos lasanha, espero que goste.

O asgardiano cheirou o ar discretamente e fez uma careta. – Não, obrigado. Tem muito sal, muitas substâncias tóxicas, o suficiente para causar algum distúrbio orgânico. Aliás, deve ser por isso que vocês, mortais, vivem doentes.

—Eu sou resistente, pequeno príncipe. – Disse Tony. – Sirva-se logo senão acabará com fome. Sei que não come nada há algum tempo.

—Minhas necessidades de alimento são diferentes das de vocês. Posso ficar por um bom tempo sem uma refeição sem prejuízo a minha saúde.

Bruce olhava intensamente para ele. – Interessante. Poderíamos ter uma amostra de seu sangue, depois? Gostaria de investigar sua fisiologia e os dados hematológicos.

—Com quais parâmetros? – Questionou Tony pegando uma bebida na geladeira. – Como ele bem frisou, ele não é um “mortal”.

—Sou mortal, Stark, — disse Loki irritado.- Mas bem mais resistente que qualquer um de vocês. Será mais difícil me quebrar. – E no seu tom de voz havia um pequeno aviso.

Banner sorriu. – E uma bebida? Aceitaria? Água, talvez?

Loki deu um pequeno assentimento e logo o cientista lhe estendeu um copo com água. – Acho que não tem condimentos.

—Não, Banner, não tem. – Loki inspecionou o líquido. – Foi tratada, retirando suas impurezas, coliformes, por certo. É segura. – E ele tomou um gole.

Tony rolou os olhos. –Coma pelo menos uma fruta. Fruta é segura?

Loki pegou uma maçã que lhe foi oferecida e, surpreendentemente, ele sorriu. – Maçãs... – E por um momento ficou em devaneio.

—Boas lembranças? – cutucou o cientista.

—Sim, muitas, — e ele suspirou. – Nós temos uma guardiã das maçãs. Idunn.

A expressão de Tony clareou. – Oh, claro, Thor nos disse sobre ela, ou algo assim. Ela ajudou você a fugir, não foi?

—O quê? – Loki já era pálido, agora a cor de seus lábios também sumiu. A maçã escorregou de sua mão e caiu ao chão.

—Sim, ele nos contou, — disse Banner resgatando a fruta.

Loki sacudia a cabeça, atônito. – Eu gostaria de voltar para minha cela, ou melhor, quarto. – Tentou dizer com voz controlada.

—Qual é o problema? – perguntou Tony. – Fique conosco, gostaríamos de falar com você.

—Quero voltar ao meu quarto. Agora. – Loki respirava profundamente e suas mãos tremiam.

Tony assentiu olhando atentamente o convidado. – Jarvis, ajude nosso convidado a retornar ao seu quarto.

—Sim, senhor, — respondeu a voz metálica.

Quando Loki pode ficar a sós em seu quarto, ele se encostou a uma parede e escorregou nela lentamente até o chão. Que mais que Thor havia contado a seus amigos? Que desonra deve ter revelado? O príncipe sentiu seu rosto molhado e viu que eram suas lágrimas. Droga.

~o~

Tony tomou um longo banho antes de dormir a fim de relaxar. Ele tinha pedido para Jarvis informar de qualquer ação perigosa de Loki, evitando monitorá-lo o tempo todo. Tomou seus remédios para dor de cabeça, outro para o estômago, um tranquilizante e remédio para dormir. Um bem potente.

Ao se deitar ele sentiu falta de Pepper. Era bastante solitário dormir naquela cama enorme sem ninguém. Era patético, até. Sua última briga pôs uma pedra definitiva no relacionamento dos dois. Após isso, Tony promoveu uma orgia que era lembrada até hoje pelos tabloides. Ele sorriu para si mesmo, mas depois fez uma careta triste. Idiota.

Ele tentou se relacionar com alguém, qualquer uma minimamente interessante, tentar de verdade alguma coisa. Mas as mulheres já o olhavam com desconfiança. Ou com interesse. Quem não o conheceria, Tony Stark, o bilionário mais famoso do mundo? O mais mulherengo?

Como a porcaria do sono não vinha, ele procurou algo em seu criado mudo e de lá pegou um controle remoto. Quando apertou um dos botões, uma imagem em holograma surgiu a sua frente. Era uma mulher muito bonita, com dotes avantajados, e muito sorridente. – Olá, Tony, — disse ela com voz em eco.

—Olá, Sheila. Dance para mim, querida.

—O que quiser, Tony. – E ela começou a remexer ao som de uma música inexistente. Sheila soltava umas risadas de vez em quando e se insinuava, abaixando de leve a alça de seu vestido.

—Tire a roupa.

Logo a imagem fez o que foi mandado e Tony acariciava seu membro já endurecido, imaginando fuder aquela bela moça com muita força. Nos pensamentos, ele poderia ser muito sádico e cruel. Não tinha importância, ela não gritaria, continuaria sorrindo e rebolando. – Isso, baby. Obedeça ao papai aqui. — E ele a pôs debaixo dele.

—Senhor, — ecoou uma voz metálica.

Oh, céus.

Sheila estava debaixo dele ainda sorrindo. – Mais forte, Tony, — implorava ela, numa de suas gravações. – Mais forte!

—Senhor.

—JARVIS, PUTA MERDA, ESTOU OCUPADO!

—É sobre Loki, senhor. Ele está gritando.

—O que?

—Mais forte!

Tony se ergueu e desligou o holograma. Subiu suas calças, sua ereção elevando o tecido, e foi andando pelos corredores. – Além de gritar, o que mais ele faz?

—Ele chora, senhor.

—Alguém está com ele? – Tony entrou no elevador e pediu para descer.

—Não, senhor.

Devem ser pesadelos, pensou ele. Por precaução, assim que pisou no andar onde Loki estava, Tony foi até uma parede e estendeu as mãos. Um compartimento surgiu e ele pegou uma arma. Foi andando até o quarto dele e abriu a porta. – Jarvis, me dê cobertura.

Ele entrou na penumbra e disse: – Acender! – As luzes todas se acenderam e mostraram Loki deitado na cama, encolhido, soltando longos gemidos e, por vezes, gritando incoerências. Ele se agitava muito e, quando Tony se aproximou dele, viu que estava suado.

Stark colocou a arma na parte de trás da calça e tocou em Loki. – Ei, pequeno príncipe, acorde.

—Não, por favor, eu preciso respirar! Não faça isso! – dizia o mago em seu sono.

Tony pegou os ombros dele e o agitou com força. – Acorde!

Loki continuava em seu pesadelo, ora chorando, ora gritando, agora se debatendo contra Tony. – Por favor!

Stark o sacudiu novamente algumas vezes até que Loki parou de se debater e começou a abrir os olhos lentamente. – O que? Como...?

—Você estava tendo um pesadelo, Rock Star. Jarvis me avisou.

Loki se afastou dele rapidamente, indo para o lado oposto da cama. Tony tentou tocar no rosto dele para avaliar sua temperatura, sendo logo rechaçado. – Não ponha as mãos em mim! Nunca mais! – Os olhos de Loki vibravam de ódio.

—Eu só queria ajudar você!

—NUNCA MAIS, STARK, OU EU JURO QUE MATO VOCÊ!

Tony avaliou aquela ameaça e começou a rir de irritação. – Como, sem sua magia?

—Experimente. – Respondeu entredentes.

O engenheiro se ergueu com mãos para cima. – Não vim lhe fazer mal. Vim ajudar, aliás. Jarvis me avisou que você gritava e pensei que alguém estava o atacando.

—Não tem ninguém aqui. – E ele se encolheu mais ainda.

—Sim, eu vejo. Foi um pesadelo, Loki, eu tenho os meus, como você. Não é nada fora do normal. Não precisa ficar envergonhado.

Loki não respondeu, ainda na defensiva enquanto vigiava as ações de Tony.

—Você vai ficar bem ou quer que eu fique aqui até você dormir?

—Não sou um bebê, Stark, posso dormir perfeitamente sozinho.

Tony ficou um tempo olhando para o príncipe a sua frente. Mais um pouco e Loki faria beicinho. Se isso não era ser um bebê...

—Tudo bem. Voltarei ao meu quarto. Jarvis, qualquer problema, volte a me avisar.

—Sim, senhor.

Loki olhava para o alto, ainda intrigado com o A.I.

—Adeus, Loki. – E Tony se retirou, deixando o quarto no escuro novamente.

Loki suspirou pesadamente e se enrolou debaixo das cobertas, torcendo para ter uma noite de sono menos tumultuada.

Tony, já em seu quarto, cogitou acionar Sheila novamente, mas o tesão havia se apagado, seu membro já flácido dentro das calças. Ele resmungou algo e se enfiou debaixo das cobertas, com a imagem de Loki em sua cabeça. Ele era um enigma, havia muitas questões a serem descobertas. Amanhã falarei com ele, pensou. Vou descobrir o que se passa naquele saco de gatos.