Redenção

10 Capítulo 09


Notas iniciais
Hey. Antes de vocês lerem o capítulo eu sugiro que abram esse link (https://www.youtube.com/watch?v=zi0ufz1NJy0) e escutem a música junto com o começo do capítulo, vocês vão entender o por quê. Aproveitem!

Acordei com o som alto de acordes me despertando rudemente. Franzi o cenho enquanto a irritação começava a me dominar, então era isso, ela realmente levou a sério o lance de no dia “seguinte podemos voltar a nos odiar”, por que neste momento junto com o volume alto veio à antiga vontade de torcer seu lindo, mas irritante pescoço. Joguei de lado as cobertas e abri a porta do meu quarto em um rompante. O som alto não permitiu que me escutasse aproximar, ou ela assim fingiu, mas quando dei um passo para entrar totalmente na cozinha eu estanquei, ela dançava enquanto limpava o balcão com um pano, movia-se de um extremo ao outro apenas sentindo as notas da nova música que havia começado.

Ela levou meu fôlego embora.

Eu esqueci o que quer que eu iria gritar, meus olhos movendo-se por sua alegria totalmente genuína em um ato tão banal. Ela era desengonçada, não seguia um ritmo, e estava ridícula, mas ainda assim ela estava linda.

Running through the heat, heartbeat, you shine like silver in the sunlight… You light up my cold heart. — Sua voz me surpreendeu quando começou a acompanhar junto ao cantor, ela cantava bem, eu ficaria mais contente se sua voz fosse como algum filhote de passarinho faminto, mas eu não pude impedir o sorriso que se estendeu em meus lábios, inferno essa garota nunca me deixaria ter paz novamente. — It feels right in the sun, the sun…— Continuou enquanto se virava e me surpreendia com o sorriso mais idiota que alguma vez esteve em meu rosto, eu estava envergonhado por ter sido pego a observando, mas ela estava ainda mais por ter sido pega em um momento tão descontraído.

— Não pare por mim. – A provoquei, ela ergueu uma sobrancelha, mas em vez de retrucar ou me mandar ao inferno ela voltou a dançar, tão desajeitada quanto antes, eu a encarava confuso quando ela se aproximou e puxo meus braços forçando-me a me mexer.

— Vamos. – Sorriu me provocando, resisti enquanto meu puxava para sala. – Até os ogros devem saber se mexerem no ritmo. Chama-se dança.

— Sinto muito, princesa. – Meneei a cabeça. – Mas não era isso que você estava fazendo.

— Vamos Oliver! – Pediu.

— Eu não danço. – Neguei novamente puxando meu braço. Mas ela não se deu por vencida e voltou a puxa-lo se aproximando de mim.

— Dance comigo. – Voltou a pedir. Respirei fundo sabendo que nesse momento eu era o cara mais idiota que existia nessa cidade e que agiria como tal, voltei a soltar minha mão da sua, mas apenas para fazer uma mesura exagerada. Ela sorriu meneando a cabeça e alcançou minha mão, eu a puxei com força fazendo com que girasse em meus braços e encarei seu rosto antes de empurrar sua cintura com um novo giro a afastando, quando voltei a puxar para meus braços ela riu, estávamos agora ambos fora de ritmo e ainda assim estávamos nos divertindo, nossa coreografia consistia basicamente nisso, minha mão apertou sua cintura quando ela voltou a se aproximar e a mantive assim próxima de mim, ela me encarou e era como se visse algo a mais, ela via além de mim, ela enxergava coisas que eu não conseguia enxergar. Bem nesse momento eu queria beija-la, e tão logo o pensamento chegou a minha mente eu sabia que isso seria errado, por que eu precisava manter o que havia dito ontem.

— Você vai se afastar. – Murmurou me lendo.

— Eu...

— Wooah. – Ambos nos soltamos quando escutamos a exclamação feminina, Sara nos encarava incrédula, a porta aberta atrás de si, uma chave, a chave que eu havia lhe dado em caso de emergência, em sua mão. – Eu acho que entrei em um universo alternativo.

— Sara! Hey! – Felicity exclamou sem graça. – Eu fiz panquecas. — Apontou para a cozinha atrás de si.

—Eu amo panquecas. – Sara sorriu percebendo nosso desconforto e cruzou os braços. – Eu só vim falar sobre...

— O som. – A interrompi, mesmo sabendo que estava colocando palavras em sua boca. – Foi exatamente disso que vim falar, estava muito alto. – Lancei um olhar acusatório para Felicity que inclinou a cabeça me avaliando.

— Só que antes que pudesse falar qualquer coisa você tropeçou e caiu exatamente nos braços dela? – Sara me provocou recebendo um olhar rabugento. – Você dança! — exclamou animada como seu eu não estivesse pronto para calar sua boca. — Eu não pensei que isso fosse possível, até ontem eu pensava que você era um robô.

—Eu vou desligar o som. – Felicity falou escapando para a cozinha, Sara deu de ombros quando a encarei sem humor.

— O que aconteceu ontem à noite? – Perguntou no momento em que Felicity nos deixou a sós.

— Nada. – Dei de ombros e me jogando no sofá.

— Como assim nada? – Perguntou sem paciência empurrando minhas pernas para que eu desse espaço para ela. – Vocês dois estavam dançando e sorrindo, foi... Lindo. – A encarei com uma careta. – Foi bonito Oliver, eu queria ter uma câmera nessa hora.

— Como eu não percebi que você era uma romântica? – Perguntei ignorando seu comentário.

— Por que eu estava envolta por vocês, lobos fedorentos que não permitem qualquer atitude de sensibilidade feminina. – Retrucou.

— Eu não fedo. – Neguei. – Venha, me cheire. – A puxei esperançoso de que isso a faria rir e a distraísse, ela me empurrou rindo, mas não desistiu.

— Talvez eu deva perguntar a Felicity. – Murmurou. – Que é exatamente o que vou fazer! – Falou escapando.

— Sara! – Protestei não tendo outra opção se não segui-la até a cozinha.

— Felicity, Oliver é cheiroso? – Sara perguntou fazendo com que Felicity errasse a pontaria enquanto enchia sua caneca de café.

— Ahn... Hum... Ehh... – Nos encarou deixando escapar um suspiro. — Eu não poderia responder essa pergunta. – Falou apressadamente voltando-se para pegar o pano em cima do balcão e limpando a mesa. – Por que você está me perguntando isso?

— Por que ela tirou o dia para voltar à adolescência. – Reclamei me sentado à mesa antes de me lembrar de pegar minha própria caneca e uma para Sara. –E eu sou cheiroso, princesa. Você sabe disso. – A provoquei, recebendo um pequeno riso de Sara.

— Você precisa me dar um tempo, eu não tive uma adolescência. – Deu de ombros voltando ao assunto e poupando Felicity de uma resposta. – Felicity é minha primeira amiga, do sexo feminino. – Esclareceu quando a encarei estreitando os olhos. – E é divertido atormenta-la.

— Eu realmente ficaria muito feliz se você não gostasse tanto. – Felicity reclamou. – Panquecas?

— Por favor. – Sara assentiu aceitando, Felicity me encarou e eu assenti também aceitando, ainda estava envergonhado por ter sido flagrado em algo tão inocente como dançar. Eu não imagino uma única vez em que eu tenha ficado envergonhado antes da chegada de Felicity Smoak.

— Desculpe pelo som alto. – Murmurou. A principio achei que falasse comigo, mas ela estava encarando Sara.

— Ei. – Chamei sua atenção. – Fui eu quem você acordou. Sou eu quem merece desculpas.

— Eu pensei que você já tivesse descido. – Respondeu. – Você sempre acorda antes.

— E sempre faço o seu café. – Retruquei. – O que significa que eu ainda não tinha descido.

Ela não retrucou, optou por ignorar o que eu havia dito. Segui a encarando aguardando.

— Desculpe. – Murmurou por fim.

— Sem problema. – Assenti ganhando um olhar divertido de Sara. – Agora posso comer?

— Desculpe, eu estava tirando a comida da sua boca? – Perguntou erguendo uma sobrancelha petulante. Mordi uma resposta e meneei a cabeça sem paciência.

— É como assistir desenho animado. – Sara soltou. – Tão divertido. Eu deveria visitar vocês pela manhã mais vezes.

— Nem sempre é assim. – Neguei ganhando um olhar surpreso de Felicity.

— Não? Essa briga não é comum? – Sara perguntou descrente.

— Às vezes gostamos do silêncio mortal. – Respondi escondendo meu sorriso por trás da minha caneca.

— Oliver Queen com bom humor. – Sara murmurou olhando de um para o outro. – Vocês dois transaram. – Sua frase fez com que eu cuspisse meu café, enquanto Felicity descansava sua caneca com um baque fazendo com que algumas gotas salpicassem.

— Não! – Exclamamos juntos.

— Claro que sim. – Retrucou. – Vocês dois estão felizes, conversando sem ameaças por trás, pelo amor de Deus eu peguei vocês dançando! Eu não vou fingir que não vi. — Em cada maldita frase ela era incapaz de esconder seu sorriso. — Vocês vão negar que transaram?

— Sim! – Murmuramos juntos.

— Sim, nós transamos? – Perguntou nos observando com seu sorriso irritante.

— Não. – Negamos novamente. – Eu sei o que você está fazendo. – Falei lançando um olhar aborrecido para ela.

— Que seja, vá para academia. – Exigiu.

— Eu estou com fome. – Murmurei incrédulo.

— E Felicity está tão vermelha que eu sei que ela não vai abrir a boca enquanto você estiver por perto. – Retrucou. Olhei para Felicity que assim como Sara havia dito estava corada, sinal de seu claro constrangimento, eu não provoquei isso, Sara o fez, então por que eu que tinha que sair?

— Você não pode me expulsar da minha casa, eu ainda estou de pijama. – Não era bem um pijama, eu vinha evitando andar apenas de cueca pela casa então vestia uma camisa leve de cor branca e calça de moletom apenas após sair do meu quarto é claro, se alguma vez Felicity entrasse no meu quarto a noite, ela estava por sua conta e risco.

— Essa é outra coisa que está me impressionando. – Sara confessou.

— Sara...

— Oliver. – Felicity murmurou chamando minha atenção.

— Hum? – Perguntei confuso.

— Vá. – Ordenou em tom suave que fez com que eu franzisse ainda mais o cenho. Inferno.

— Isso não é justo. – Falei por fim dando as costas para as duas mulheres. – Eu quero minhas panquecas quando voltar. – Gritei.

POV FELICITY

Observei Oliver se afastar com os ombros tensos e reprimi um sorriso, desde nosso momento na sala e Sara nos provocando ele ainda parecia o Oliver tenso, mas existia um pouco de humor nele. Eu gostei.

— Então... – Sara começou.

— Nós não transamos. – Murmurei voltando a encara-la.

— Eu sei disso. – Riu.

— Então... Por quê... Sara! – Exclamei não acreditando em sua brincadeira. – Você gosta mesmo de me ver desconfortável.

— Felicity, se vocês tivessem transado não estariam estar dançando na sala no dia seguinte. – Murmurou impaciente. – Ou vocês estariam arrependidos sem olhar um na cara do outro, ou estariam transando, de novo.

— Você não tem sensibilidade nenhuma ao falar. – Meneei a cabeça.

— Eu cresci com Oliver. – Desculpou-se. – E então se vocês não gastaram o tempo de vocês em sexo selvagem... Com o que foi?

— Como você sabe que estávamos juntos? – Perguntei curiosa.

— Chame de pressentimento. – Deu de ombros. – Eu tenho esse pressentimento na verdade, que não importa quantas vezes Ollie a afaste, não importa se ele tenta até mesmo machuca-la para evitar um dor maior no futuro, ele sempre se preocupará com você, ele sempre irá querer garantias de que você está bem e se certificar que a apesar de tudo ele não a magoou. Ontem foi seu aniversário. Eu sabia que ele iria querer fazer parte disso.

Suspirei absorvendo suas palavras e ficando cada vez mais confusa. Sara pareceu notar o quanto eu estava aflita por que se endireitou me encarando com mais atenção e seriedade.

— O que foi?

— Está tudo tão fodido. – Confessei a surpreendendo. – Quando Oliver falou que queria me “foder, duro.” eu não achei que seria com minha mente. Por que por mais racional que eu tente ser, por mais que eu repita que o que você viu foi um pequeno momento de trégua, que eu saiba que vamos acabar nos magoando. Não consigo tira-lo da minha cabeça, ele explode tudo e eu fico uma bagunça.

— Ollie está tão perdido quanto você Felicity. – Sara falou calmamente. – Eu o conheço melhor do que qualquer um, eu sei que você é o que ele precisa, mas que é o que ele mais vai lutar contra. Ele está perdido, destroçado, Oliver é a própria descrição de bagunça, você não entende completamente que essa imagem de bad boy dele é algo externo, superficial, ele é mais do que isso. Você quer saber de algo? Eu nunca vi um sorriso tão sincero como o que ele exibia quando eu cheguei. Você quebrou suas paredes e ele está exposto. Oliver é um lutador, quando se está exposto você luta contra, e ele é bom, você sabe disso. Você consegue ser melhor?

— Eu não sei se posso. – Confessei. Ela bufou me surpreendendo com sua reação. – Sara, você sabe o que fizemos ontem? Nós conversamos. Eu tenho muita certeza que essa conversa não revelou um terço do que realmente está por trás do seu passado, eu sei que você conhece seu passado, eu sei que não posso exigir isso, mas eu também sei que o que aconteceu lá o influenciou aqui, e que se ele não está disposto a compartilhar comigo é por que ele não quer mudar. Ele ainda está preso, eu falei ontem de um jeito ou de outro que estava disposta a... Envolver-me. Deixei claro que estava disposta a correr o risco. Ele não quer. Ele tem certeza que irá me machucar e não quer ao menos tentar ir contra isso, então qual é o ponto? Eu não posso ser a única a lutar.

— Então o que foi isso que vi mais cedo? – Perguntou desanimada.

— Eu não sei, ele me encontrou dançando e meio que me desafiou. – Dei de ombros. – Eu o desafiei de volta, tivemos um bom momento, talvez até mesmo pudéssemos chamar de algo platônico.

— Platônico? – Murmurou incrédula. – Felicity Smoak!

— Eu não posso Sara! – Falei em tom alto. — Eu não quero viver em pé de guerra com Oliver, mas não quero viver na expectativa de que em um dia bom ele será bom para mim, talvez se ele estivesse disposto a arriscar comigo, mas eu não posso fazer isso sozinha.

— Eu sinto muito. – Murmurou tensa. – Mas essa é a primeira vez que me vejo decepcionada com você. — Ollie é difícil, eu pedi que ele se mantivesse afastado enquanto não fosse capaz de trata-la direito, mas eu pensei que você lutaria por ele. – Ergueu-se. – Oliver é alguém que vale apena.

— Eu sei. – Concordei. – Eu apenas queria que ele pensasse o mesmo de mim. – Ela me encarou com ar de desânimo, ela estava decepcionada com nós dois, eu podia perceber isso, após alguns longos segundos ela voltou a se concentrar em sua caneca antes de me lançar um sorriso, nada de bom resultaria disso.

— Então, como assim Oliver disse que “queria te foder, duro”? – Era pedir muito para ela ter deixado isso passar.

De alguma forma consegui mudar o foco da conversa e terminamos nosso café da manhã em paz. Quando descemos, encontramos Oliver no caminho que não fez mais do que nos lançar um olhar aborrecido, claro que Sara não pode evitar provoca-lo ainda mais sobre isso.

— Você viu o rosto dele? – Perguntou ainda rindo.

— Você o expulsou de sua própria casa. – Argumentei.

— Aparentemente, foi você. – Corrigiu-me. Dei de ombros não querendo concordar com o que dizia. – Ei... – Segurou meu braço antes que eu pudesse ir para trás do balcão, meu lugar de costume. – Quem é o bonitão falando com Diggle? – Olhei para Diggle que estava parado na entrada seus braços cruzados, o homem a sua frente conversando animadamente.

— Este é Ray Palmer. – Murmurei surpresa. – Ele ficou de vir ontem fazer seu cadastro. Ele não veio? – A perguntei. Eu ficava apenas meio período na academia, se Ray apareceu mais tarde teria sido Diggle ou até mesmo ela que o atendeu.

— Não. – Negou. – Eu e Roy ficamos alterando, e eu não o vi.

— Hum. – Dei de ombros. – Então ele vai fazer agora. – Falei voltando a avançar, mas sua mão segurou meu antebraço novamente. – Ei...

— Você vai ficar aqui. – Posicionou-me para que sentasse na banqueta, antes de ir para o balcão. — Pode deixar que eu cuido do cadastro do Sr. Palmer.

— Sara você está tomando meu lugar para flertar com o Ray? – Questionei admirada.

— Por que você o chama de Ray? – Ignorou minha pergunta. – E quem na sua idade usa “flertar” hoje em dia?

— Ele não parece ser do tipo formal. – Murmurei dando de ombros. – E você não é muito mais velha do que eu.

— Exato. Por isso você não vai me ver “flertar” com alguém. – Brincou.

— Você...

— Shuiiiss. – Silenciou-me. – Ele está se aproximando.

— Sar..

— Apenas cale a boca, Felicity. – Murmurou entre dentes.

— Eu só ia dizer para você ligar o computador, para ficar mais válido. – Falei diminuindo o tom à medida que Ray se aproximou e parou em nossa frente. – Ray, oi! – Ele me encarou com o cenho franzido, mas manteve seu sorriso, enquanto seu olhar desviava até Sara que o encarou de volta com um sorriso cortês.

— Felicity. – Murmurou me cumprimentando. – Eu vim fazer o meu cadastro. Eu até trouxe minhas coisas para começar hoje mesmo. – Comentou apontando para sua mochila de esporte pendurada em seu ombro. Assenti assimilando, mas seu olhar voltou para Sara que apenas o observava com interesse. – Ray Palmer. – Apresentou-se erguendo sua mão para alcançar a dela.

— Sara Lance. – Murmurou de volta.

— Você trabalha aqui? – Perguntou franzindo o cenho e fazendo uma careta logo em seguida. – Essa foi uma pergunta tola, já que você está atrás do balcão, e eu aqui. – Apontou para o balcão abrangendo seu comprimento. – Do outro lado. E Felicity estava ai, ontem, quando eu estava aqui. E obviamente você não estava aqui. – Acrescentou com uma pequena risada constrangida. – Eu não estou me ajudando muito não é?

— Você está se saindo muito bem. – Sara murmurou mordendo um sorriso. –Eu trabalho aqui Sr. Palmer...

— Ray. – A corrigiu fazendo com que eu a encarasse com olhar vitorioso. – Pode me chamar de Ray.

— Ray. – Assentiu. – Eu trabalho aqui, mas não costumo estar aqui, desse lado do balcão. – O provocou. – Eu faço parte dos instrutores.

— Mesmo?

— Mesmo.

— Eu sou a garota do balcão. – Murmurei apenas ciente de que estava sendo ignorada.

— Então, você vai fazer meu cadastro? — Sua pergunta era dirigida para mim, mas seu olhar se matinha em Sara.

— Sim. – Ela murmurou saindo de trás do balcão me deixando confusa, ela estava ansiosa para isso e agora estava fugindo? – Eu preciso subir, organizar os equipamentos...

— Sim. – Ray assentiu. – Foi um prazer Srtª Lance.

— Você pode me chamar de Sara, Ray. – Murmurou com um sorriso. – Até mais Lis. – Franzi o cenho ao escutar o apelido e estranhado cada vez mais sua atitude sorrateira. Ray a observou se afastar e só então concentrou-se em mim. O desconforto se fazendo presente até o momento em que eu resolvi tomar o lugar de Sara ligando o computador para fazer seu cadastro.

— Onde está seu amigo? – Perguntou-me olhando ao redor.

— Meu amigo? – Repeti incerteza sobre quem ele estava fazendo. – Roy?

— Al Sahim. – Revirei os olhos ao escuta-lo. – O quê? Você nunca o viu lutar?

— Eu passo um bom tempo aqui Ray. – Falei abrindo o sistema de cadastro. – Eu vejo Oliver lutar todo santo dia. – Sem camisa, suor escorrendo por sua pele, seu sorriso brilhante quando termina a luta e seu olhar sério quando me pega o encarando. — Todo santo dia. – Murmurei em tom baixo, mas que foi pego por ele. – Identidade, por favor. – Ele demorou alguns segundos buscando, e quando me entregou exibia um olhar confuso.

— Você o vê treinando. – Corrigiu-me. – Não é o mesmo que lutando.

— Eu já o vi lutando. – Retruquei, digitando apressadamente.

— Então, você não gosta dele. – Deduziu.

— Eu não paro para pensar nisso. – Menti. – Telefone?

— Felicity. – Diggle me chamou.

— Hey Dig. – O cumprimentei aliviada para mudar de assunto. – Como está Lyla?

— Ansiosa. – Respondeu. Seu rosto mostrando preocupação. – Você sabe se Oliver está lá em cima?

— Sim. – Assenti. – Ele deve estar terminando o café e depois de se trocar logo vai descer, posso ajudar em algo?

— Hum, não. Eu quero apenas falar sobre as lutas desse mês. – Comentou. – Você sabe que vão ser aqui?

— Sim. Roy falou algo assim. – Respondi entregando a identidade de Ray que eu ainda matinha em mãos. Ele nos observava com interesse. – Eu imaginei que vocês o colocariam.

— Ele é nosso melhor lutador. – Explicou.

— Foi o que ouvi, mas eu entendi que não era nada grande, apenas um tipo de “amistoso”. – Comentei. – Não faria mais sentindo poupar seu melhor homem?

— Ninguém consegue afastar Oliver de uma boa luta. – Deu de ombros.

— Não deve ser bom irritar o cara. – Ray murmurou encostando-se ao balcão e encarando Diggle com um sorriso.

— Não. – Diggle murmurou sério. Ray endireitou-se e pigarreou, senti pena, ele obviamente estava tentando se enturmar e tecnicamente nós não deveríamos ter iniciado uma conversa no meio de seu cadastro.

— Bobagem. – Sorri tentando amenizar o clima. – Não há ninguém que irrite mais Oliver do que eu. Ele nunca foi agressivo comigo.

— Hum. – Diggle ecoou não dizendo nada mais.

— Não sei se me sinto confortável com esse “Hum”. – Retruquei estreitando os olhos. Voltei-me para Ray. – Telefone? – Voltei a pedir. Diggle entendeu a dica e se afastou dessa vez exibindo um pequeno sorriso irritante.

— Agora, eu não sei dizer se você gosta ou não de Oliver. – Ray chamou minha atenção.

— Às vezes nem eu sei. – Murmurei o surpreendendo, quando notei que eu estava falando com alguém que sequer conhecia me endireitei. – Eu não deveria estar tendo essa conversa com você.

— Eu sou um cara amigável. – Deu de ombros. – As pessoas gostam de conversar comigo.

— Então, Sr. Amigável, o quão difícil é pegar seu telefone? – Perguntei erguendo uma sobrancelha. Ray riu discretamente e finalmente respondeu minha pergunta, sem a interrupção de mais ninguém logo terminamos e ele foi para os equipamentos. Quando Oliver desceu ele passou por mim sem dirigir nenhum novo olhar, sem mais sorrisos, ele havia se recomposto e sua máscara de indiferença estava lá. Ao que parece nossa rotina estava voltando. Tentei o máximo possível não procura-lo com o olhar e quando me deixava levar era apenas quando estava engajado em uma luta e extremamente concentrado nela, nunca nos intervalos.

— Ei. – Ergui minha cabeça encarando Sara. – Com o foi com Sr. Palmer?

— Ok. Se for chama-lo de “Sr.” sugiro Sr. Amigável. – Falei. – O que aconteceu? Você estava toda receptiva com ele, quase arranca meu braço para se certificar de que vai ser você a atendê-lo e ainda assim foge.

— Eu não fugi e você está sendo exagerada, mal coloquei pressão em seu braço. – Suspirei com sua negativa. – Eu me afastei por que não tenho interesse no Sr. Amigável. Ele tem muitos defeitos.

— Que defeitos você viu nele? – Perguntei incrédula. – Nos míseros minutos que passaram juntos. – Acrescentei.

— Ele é alto, forte, seu corpo sem dúvida alguma é definido. – Começou a enumerar. – Possui um sorriso incrível, é charmoso e carrega o ar de nerd desajustado, mas fofo.

— Eu estou esperando pelos defeitos. – Falei a encarando sem humor.

— Felicity, olhe para lá. – Pediu apontando um dedo, segui sua direção e suspirei já sabendo o que ia encontrar.

— Eu passei a manhã toda evitando ver exatamente isso. – Falei aborrecida. Oliver estava no intervalo entre um treino e outro, enxugava seu rosto com uma toalha, a camisa molhada de suor, senti um leve comichão com a visão, mas minha atenção desviou para morena que logo foi até seu lado, junto a ela uma loira curvilínea. Oliver não deu nenhuma atenção para a morena, mas a loira sem dúvida nenhuma atraiu sua atenção, ele exibiu um sorriso que eu conhecia, ele estava flertando com ela.

— Oliie é um idiota. – Escutei a voz de Sara enquanto ainda observava com desgosto os dois envolvidos em sua paquera. – Ele é galinha, um safado que quer sexo e apenas sexo, não as trata bem fora da cama e os únicos sorrisos que recebem é apenas quando está decidido a levar para cama. Ele não é simpático ou cortês, ele está pouco se lixando para os seus sentimentos. Se Oliver Queen é assim e está rodeado de mulheres pode imaginar a quantidade de mulheres que se derretem por Ray Encantador Palmer?

— Sr. Amigável. – A corrigi automaticamente e finalmente desviei meus olhos de Oliver para ela. – Eu entendi, mas ele não pareceu ser do tipo mulherengo.

— Eu não vim falar sobre um estranho com quem conversei por míseros segundos. – Falou ganhando um olhar azedo meu. – Vim saber se quer almoçar comigo.

— Eu não posso. – Neguei. – Meu pai não veio hoje por que Nyssa ainda está com ele, ela vai depois do almoço, então eu tenho que ir brincar de família feliz. Logo em seguida vou ao boliche. Na verdade eu já estou me arrumando para ir. – Confessei pegando minha bolsa.

Ela acenou entendendo e se despediu afirmando que almoçaria sozinha, pedi desculpas e murmurei para deixarmos para a próxima. Quando cheguei a minha antiga casa, Nyssa me recebeu com a notícia de que iria apenas no dia seguinte, eu me senti presa em uma armadilha e meu humor decaiu consideravelmente chegado a melhorar apenas quando cheguei ao Boliche.

Sempre que eu via Barry eu me perguntava por que não ele. Porque minha atenção estava no complicado Al Sahim e não no doce Barry? Ele seria o namorado perfeito, ele seria exatamente o tipo de cara que Oliver descreveu ontem à noite. Então, por que diabos não Barry?

— Barry. – O chamei. Já estava na hora de fecharmos e como sempre eu estava apenas o esperando. O encontrei em um armário, estando no alto de uma escada. – O que você está fazendo?

— Ah, hey, Felicity. – Sorriu do alto da escada. – Eu estava saindo quando percebi que a lâmpada estava queimada, eu estou trocando. – Explicou. – Você pode esperar um pouco mais?

— Claro. – Assenti. – Tome seu tempo.

— Estou quase terminando... – Murmurou. – Pronto! – Sorriu quando a luz se acendeu. — Eu te disse.

— Sim. – Sorri.

— Felicity. – Murmurou inquieto. — Eu estava pensando...

— Hum?

— Eu acho você brilhante. – Murmurou apressadamente. – E linda, e eu estava pensando em talvez, eu não sei, se você quem sabe...

— Barry? – O chamei o interrompendo. – Se você vai me chamar para um encontro você poderia, por favor, descer dessa escada? Meu pescoço está doendo.

— Oh, desculpe! – Pediu descendo rapidamente e quase caindo. – Desculpe. – Voltou a pedir quando parou em minha frente.

— Tudo bem. – Sorri. – Eu adoraria. Sair com você.

— Sério? – Perguntou empolgado. – Isso é incrível! Eu poderia levar você a um lugar que conheço, é ótimo, poderia ser no próximo domingo, eu sei que esse é um dos seus domingos livres, eu poderia conciliar com o me, e nós dois poderíamos... – Interrompeu-se. – Eu estou indo muito rápido não é mesmo?

— Domingo seria ótimo. – Amenizei sua preocupação com um sorriso.

— Pronta para ir embora?

— Claro. – Concordei. Ele saiu em minha frente, parando apenas para nos despedimos do guarda que ficava a noite. Por boa parte do caminho andamos em silêncio. – Sabe Barry... – Quebrei o silêncio chamando sua atenção. – Eu estava conversando com Helena.

— Eu não tenho certeza se algo de bom vem daí. – Brincou.

— Ela me contou algumas coisas sobre você. – O empurrei com meu ombro o provocando. – Ela tem sido minha fonte.

— Definitivamente nada bom. – Sorriu meneando a cabeça. – Em minha defesa eu acho que Helena não gosta de mim.

— Nada sério. – Ri de seu desconforto. – Mas ela me contou onde você mora, e que seu caminho é totalmente diferente. – Comentei o observando, mesmo com a fraca iluminação pude notar que estava envergonhado, segurei um sorriso por que temia que ele encarasse da forma errada. Ele era adorável. – Você não precisa mudar todo o seu caminho apenas por mim, eu posso ir para casa sozinha.

— Eu não me importo. – Falou apressadamente. – Eu gosto. E você não pode voltar sozinha, é perigoso. – Acrescentou no momento em que passávamos justo por uma das ruas mais escuras e vazias, faltava pouco para chegar à academia, mas esta era a pior.

— Eu também, mas...

— Olha o que temos aqui... – Parei bruscamente quando o braço de Barry se colocou em minha frente interrompendo que eu seguisse em frente. Encarei os dois indivíduos que se aproximavam em passos lentos e confiantes. O loiro me lançou um sorriso enquanto conversava com o amigo, eles eram enormes. O sorriso no rosto de cada um me dava calafrio. – Essa é ou não é uma bonequinha.

— Estamos apenas de passagem. – Barry murmurou em tom baixo. – Sigam o caminho de vocês.

— Nós vamos. – Concordou. – Assim que vocês dois passarem tudo o que possuem de valor. – Respirei fundo lançando um olhar rápido para Barry que assentiu. De jeito algum que eles estavam blefando, os conselhos que se ouviam era sempre de não resistir, então o melhor a fazer agora era apenas entregar nossos pertences. Joguei minha bolsa para os braços do moreno a sua esquerda procurando evitar qualquer contato, Barry fez o mesmo com suas coisas.

— Pronto? – Perguntou entredentes.

— Não amigo. – O moreno falou. — Sua garota ainda está com um colar muito bonito. – Hesitei levando uma mão ao colar e envolvendo o pingente em forma de coração, eu nem costumava usa-lo, o coloquei apenas hoje para me dar algo durante o estúpido almoço. – Vamos linda, não temos todo o tempo do mundo.

— Não vale muito. – Argumentei. Isso teve o poder de irrita-lo, pois se aproximou bruscamente, Barry tentou se colocar em sua frente, mas seu amigo rapidamente o intercedeu prendendo em seus braços. Ele me empurrou contra a parede mais próxima, suas mãos envolvendo meu pescoço a pressão dos dedos me sufocando. Eu podia escutar os protestos de Barry que se calaram com o som abafado de um soco. – Eu não gosto de ser enfrentado, vadia. – Em questões de segundos sua mão abandonou meu pescoço e envolveu o colar arrebatando-o, seu rosto se aproximou do meu fazendo com que eu congelasse, mas o som de um carro passando por perto fez com que ele se afastasse me jogando no chão, caí de lado meu braço arranhando no chão áspero e minha cabeça batendo contra o batente.

— Felicity! – Barry gritou correndo depois que se viu livre, me ergui observando meu braço concluindo que eram apenas arranhões..

— Filho da puta. – Murmurei entre dentes.

— Você está sangrando. – Barry murmurou me ajudando a me levantar. – Seria melhor eu leva-la a um hospital.

— É apenas um arranhão. – Protestei.

— Estou falando de sua cabeça. – Retrucou fazendo com que eu levasse minha mão até o ponto dolorido em minha testa que até então eu havia ignorado. Senti a meus dedos molhados e os encarei notando o sangue.

— Não é nada. – Minimizei. – Você está bem?

— Estou bem, você que está sangrando. – Lembrou-me.

— Eu estou bem. Eu só quero ir para casa. – Murmurei decidida.

— Mas...

— Eu não quero ir a um hospital por algo tão pequeno. – Neguei. Muito a contra gosto ele concordou, estávamos muito perto da academia e em poucos minutos chegamos, um suspiro de puro alívio saiu de minha garganta. Barry se sentia culpado, pediu mais de uma vez desculpas e insistiu em subir comigo. – Eu já disse que estou bem. – Murmurei quando alcançamos o topo da escada e paramos em frente a minha porta, ele me lançou um olhar paciente e olhou para a porta deixando claro que não iria embora até que tivesse certeza de que eu estava bem e segura. Suspirei encaixando a chave na porta e a girei, surpreendi-me ao encontrar Oliver a poucos passos dela como se estivesse prestes a sair, estava arrumado e seu perfume me indicava que ele tinha planos para a noite.

Seu olhar confuso alternou de mim para Barry, e então para meus machucados. Sua expressão ficou escura e ameaçadora, suas conclusões rapidamente indo pelo caminho errado. Surpreendi-me quando seus punhos envolveram a jaqueta de Barry com força e empurrou até a parede.

— O que aconteceu? – Murmurou entredentes, sua pergunta deveria ser dirigida a mim, mas ele encarava Barry com ferocidade.

— Oliver... – Murmurei aflita.

— Que merda aconteceu? – Perguntou ríspido. – Ele te machucou? Você a machucou? – Perguntou a Barry que o encarava perplexo. – Você a machucou? – Ergueu sua voz.

— Oliver! – Gritei tentando puxa-lo pelos ombros. – Eu estou bem, não foi ele. – Murmurei tentando acalma-lo. Ele me encarou ainda sem soltar Barry. – Nós fomos assaltados, dois homens nos abordaram perto daqui, não foi culpa dele. Solte-o. Eu estou bem. – Seu agarre diminuiu como se tivesse considerando minhas palavras, seus olhos voltaram a encarar minha testa e sua expressão voltou a se fechar, mais uma vez voltou a empurrar Barry.

— Você deveria tê-la protegido. – Falou para Barry.

— Eu sei, eu sei. Desculpe. – Barry murmurou em meio à culpa.

— Oliver, solte-o. Por favor. – Pedi notando que ele realmente estava furioso e sua cabeça estava longe de ser racional. – Eu estou bem. – Repeti. Demorou mais alguns segundos para que ele relaxasse e soltasse Barry que cambaleou antes de se endireitar.

— Felicity... – Barry murmurou.

— Saia daqui. – Oliver o interrompeu em tom baixo. Eu estava surpresa, Oliver não estava sendo apenas rude, ele estava violento. – Eu te disse para você sair. – Observei Barry recuar diante do olhar ameaçador de Oliver, mas ainda assim me encarar inseguro, ele temia que a fúria de Oliver se estendesse até a mim.

— Pode ir. – Murmurei o tranquilizando. – Nos vemos amanhã.

— Ok. – Assentiu. – Cuide-se.

— Eu vou. – Ele assentiu antes de sair e fechar a porta atrás de si. Encarei Oliver que se se aproximou de imediato sua mão envolvendo a lateral do meu pescoço com cuidado, só então percebi que provavelmente havia manchas vermelhas em meu pescoço. Seu olhar voltou a subir até minha testa. – Eu estou bem, Oliver, foi apenas uma pancada.

— Nada disso foi “apenas”. – Murmurou em tom baixo. – Você está machucada.

— Eu só preciso limpar isso. – Argumentei. – Eu sou a aspirante a médica, lembra-se?

— Venha. – Segurou minha mão puxando-me até o corredor. – Eu mantenho um kit no banheiro. — O acompanhei ciente de que não fazê-lo apenas iria aborrecê-lo. Eu tinha um kit em meu quarto também, mas eu queria isso, eu poderia estar sendo um pouco tola e masoquista, mas eu queria seus cuidados. Eu aceitei sair com Barry pensando em talvez mudar isso, talvez se eu estivesse focada em um relacionamento com alguém como Barry eu pudesse esquecer alguém como Oliver. Entrei no banheiro me lembrando da última vez em estivemos os dois juntos aqui e sufoquei os pensamentos o quanto pude. Ele soltou minha mão, movendo-se para procurar em uma das gavetas o seu kit, quando achou me posicionei em sua frente aguardando sua próxima ação. Ele me surpreendeu quando me entregou a pequena caixa. O encarei confusa olhando para ela momentos antes de sentir suas mãos em minha cintura me erguendo até que eu estivesse mais uma vez sentada na bancada da pia, dessa vez com um Oliver muito vestido em minha frente.

— O que...

— Cala a boca. – Murmurou abrindo a caixa. – Deixe-me cuidar de você. – Pediu em tom mais suave. Eu não pude protestar mais, permaneci quieta enquanto eu limpava a ferida e colocava um curativo, em meu braço ele passou apenas um antisséptico, quando terminou seus olhos voltaram a encarar meu pescoço antes de encontrarem o meu. – Você tem certeza que está bem?

— Não. – Confessei, não só para ele como para mim mesma. – Eu não estou bem. Eles levaram algo pessoal.

— O colar. – Deduziu me surpreendendo. – Você não usa colares, mas hoje usou um. – Explicou.

— É bobo. – Murmurei. – Eu não o usava há anos, eu sequer sentia sua falta. Mas foi a única coisa que minha mãe me deu e que eu guardei. – Confessei deixando uma lágrima escapar e me apressando a enxuga-la. O que eu não esperava era muitas outras virem. – É bobo.

— Não, não é. – Sussurrou antes de beijar minha testa tomando o cuidado para não roçar a área machucada, seu carinho me desarmou, quando me abraçou colocando sua cabeça sob a minha desmoronei aceitando seu abraço e o envolvendo fortemente. – Está tudo bem, eu estou aqui.

Ele estava aqui. Agora. Mas por quanto tempo antes de se afastar e adotar sua típica frieza? Resolvi que não queria a resposta agora, a deixei de lado enquanto me concentrava apenas em seus batimentos e notei que seu abraço não servia apenas para me tranquilizar, descobri que Oliver também estava se tranquilizando.

— Oliver. – O chamei.

— Hum?

— Você é cheiroso. – Murmurei enquanto aspirava seu perfume em seu ombro, eu não o estava vendo, mas tinha certeza que ele estava sorrindo. Não o seu sorriso de flerte, mas o meu sorriso.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Não posso falar muito aqui, aguardo ansiosamente ara saber o que acharam. Xoxo, LelahBallu.