Redenção

11 Capitulo 10


Notas iniciais
Boa tarde!! Eu queria ter respondido todos os comentários do capítulo anterior antes de postar esse, eu estava respondendo quando tive que parar e ainda não pude voltar a responder, então peço desculpas as aqueles que ficarem sem, mas saibam que eu leio todos os comentários e agradeço por cada um, muito obrigada pelo carinho com que vocês acompanham e pela ansiedade por cada novo capítulo, desculpe pela demora em atualizar, é tudo culpa minha, mas espero que a espera tenha valido a pena. Boa Leitura!!

POV FELICITY

O sono se esvaía lentamente. Aos poucos eu absorvia os sons do ambiente enquanto eu me negava a abrir os olhos, este era um daqueles momentos em que mesmo você estando ciente de que deveria acordar completamente, se levantar e enfrentar o mundo e suas responsabilidades lá fora, tudo o que você queria era virar para o outro lado e voltar a dormir, quase sempre a vontade de permanecer dormindo vencia. Isso é claro quando seus lençóis não são puxados bruscamente do seu corpo.

— O quê? – Gritei abrindo meus olhos e me encolhendo contra a cabeceira da cama. – Oliver? – Murmurei seu nome incerta de que ele realmente havia feito isso. Eu deveria estar dormindo ainda, não havia outra explicação, mas ele permanecia parado em frente a minha cama, sua cabeça inclinada me observando com atenção. – Mas que por...

— Hora de acordar. – Falou jogando meus lençóis de lado.

— Sério? – Murmurei ainda incrédula. – Sério? – Repeti. Ele deu de ombros como se não entendesse meu aborrecimento. – Hora de acordar?

— Já é tarde. – Explicou. – Você já deveria estar lá em baixo.

— Há formas menos bruscas e mais encantadoras de se acordar uma garota. – Retruquei me levantando e passando as mãos em meus cabelos, deveria estar uma bagunça. Bem agora, eu queria matar Oliver.

— Princesa. – Sorriu. Eu sabia o que vinha por ai. – Eu queria te tirar da cama, não convencê-la a ficar. – O ignorei indo até onde ele tinha jogado meus lençóis e me apressei à pega-los. Quando me endireitei notei seu olhar ainda atento a mim.

— Meu quarto, Oliver. – Murmurei ainda impaciente. – Saia daqui.

— Ok. – Assentiu dando as costas.

— Espere. – Murmurei o impedindo de sair, ele voltou-se confuso com meu chamando. – Por que você entrou aqui?

— Eu girei o trinco, a porta abriu e com apenas um passo eu estava dentro. – Retrucou em tom provocativo.

— Eu não perguntei como, eu perguntei por quê. – Murmurei entredentes. – O que há de errado com você que consegue ser um grande urso carinhoso em uma noite e no dia seguinte se transforma em porco espinho? – Ele franziu o cenho mostrando aborrecimento e confusão. – Eu só quero saber a urgência, grande ogro. – Esclareci. – Eu sei que você não entraria aqui se não fosse urgente.

— Oh. – Sorriu novamente. Como uma pessoa conseguia ter um sorriso tão bonito e ao mesmo tempo tão irritante? Pergunte a Oliver Queen. – Seu pai está te esperando na sala.

— Por quê? – Perguntei desconfiada.

— Por que eu posso ter contado que você foi assaltada e agredida ontem à noite. – Respondeu com ar inocente.

— O quê?

— Eu posso também ter dito que a partir de hoje você teria aulas de autodefesa. – Acrescentou.

— O quê?

— Comigo ou Sara. – Continuou se afastando e alcançando o trinco da porta. – A escolha é sua princesa. Mas devo dizer que ele não gostou muito quando eu disse que era uma das opções. – Ele não parecia preocupado ou aborrecido com isso, ele parecia divertido.

— Eu não vou fazer isso. – Neguei.

— Não é algo que você possa negociar. – Murmurou sério. Seu rosto pela primeira vez que entrou no quarto mostrando a vulnerabilidade que eu havia visto ontem. Sua preocupação. – Você foi atacada. – Suspirei engolindo uma resposta. – Você vai ter essas aulas, se não quiser comigo eu já falei com Sara, ela vai te ajudar, mas você vai fazer.

— Com ordens de quem? – Murmurei irritada com seu tom. Era o mesmo tom que havia usado na noite em que eu havia visto uma de suas lutas clandestinas, era territorial.

— Minhas. – Murmurou simplesmente. Trinquei os dentes segurando uma ofensa. Podiam me chamar de petulante, de pirralha, não era rebeldia, ao menos não completamente, mas eu odiava a ideia de uma pessoa, um homem, achando que pode ditar ordens e que eu seguiria suas vontades que seria algo como submissa.

— Isso não vai acontecer. – Murmurei. Tão logo ele escutou a frase ele soltou o trinco da porta e voltou-se para mim novamente. – Você não pode simplesmente chegar e ditar o que eu vou fazer. Você não é meu dono Oliver. Eu não tenho um.

— Isso não se trata de uma de nossas briguinhas em que você faz o oposto do que eu quero, apenas com o intuito de me contrariar. – Murmurou se aproximando, seu semblante era sério e intimidante, para qualquer outra pessoa, mas não para mim. Eu não ia recuar. – O que aconteceu ontem foi sério Felicity.

— Você está exagerando. – Murmurei. Talvez nem tanto, mas agora eu não queria refletir sobre isso. – Agora ficarei mais alerta, atenta, dificilmente acontecerá novamente.

— E se acontecer? – Perguntou erguendo uma sobrancelha. – Você seria capaz de lidar com um cara do meu peso, do meu tamanho?

— Sim. – Falei sem hesitar. Eu estava mentindo, se eu tivesse alguma chance de escapar e correr eu estaria bem, talvez, mas apenas se o cara hipotético cometesse um deslize. Um golpe de sorte. Mas eu estava determinada a não fazer essas aulas. – Eu seria capaz. – Eu esperava uma risada irônica como reposta, um comentário sarcástico ou que ele em sua impaciência me desse às costas e fechasse a porta com um estrondo. Eu definitivamente não esperei suas mãos envolvendo meus braços e me empurrando com certa brusquidão para trás, eu mal registei o que ele estava fazendo quando senti meu corpo cair com um baque suave no meio da minha cama, eu estava tão em choque que fui incapaz de emitir qualquer som quando seu corpo subiu sobre o meu uma mão erguendo meus pulsos acima da minha cabeça, enquanto suas pernas me prendiam com o peso do seu corpo.

— O que você está esperando princesa? – Perguntou observando meu rosto. – Lide comigo.

— Oliver. – Murmurei entredentes. – Não tem graça.

— Não é para ser engraçado. – Retrucou inalterável. – Sem reação? – Perguntou percebendo que eu me mantinha imóvel. – Eu esperava mais. – Provocou-me. Isso trouxe o inferno de mim, como ele queria eu comecei a me mexer tentado soltar meus pulsos em empurra-lo, tudo o que eu conseguia era me mexer o mínimo embaixo do seu corpo forte, enquanto o bastardo exibia um sorriso vitorioso cada vez que eu me retorcia e resultava em nada.

Bem, não exatamente em nada.

Quando parei percebendo que meus esforços estavam não sendo outra coisa que inúteis, reparei também em outra coisa, mais precisamente em Oliver. Desci meu olhar por seu rosto até o ponto em que nossos corpos estavam unidos e senti sua ereção contra meu corpo. Engoli em seco, essa brincadeira tinha rapidamente tomado outro caminho. Voltei meu olhar para o seu rosto e percebi que ele me encarava sério, me dei conta que seus pensamentos tinham seguido a mesma linha que os meus.

— Eu acho que é melhor me soltar. – Sussurrei desesperada para que ele fizesse isso e ao mesmo tempo esperando que não. Ele havia entendido meu ponto, eu podia dizer isso apenas observando o breve movimento de sua garganta que mostrava que engolia em seco, justo com eu havia feito antes.

— Você precisa mostrar que é capaz antes. – Retrucou negando-se a dar por vencido.

— E então eu estou livre dessas malditas aulas? – Perguntei me agarrando a oportunidade. Ele não respondeu com palavras, apenas assentiu relutante, respirei fundo e tentei me mover novamente, mas dessa vez o movimento foi deliberadamente menos brusco e mais lento, uma leve ondulação de corpo. Ele estreitou os olhos desconfiados.

— Você não está tentando a sério. – Censurou-me. Esbocei um sorriso pequeno e voltei a repetir o movimento. Oliver iria me soltar. Por bem ou por mal. Sua mão livre agarrou minha cintura tentando me manter imóvel.

— Felicity. – Repreendeu-me com a voz rouca.

— O quê? – Perguntei com minha melhor voz de inocente. Ele não caiu nessa, mas também não desistira fácil, mesmo quando eu repeti o movimento fazendo com que praguejasse. Ergui meu rosto aproximando do seu, ele poderia ter recuado, mas não fez, estava concentrado demais fitando meus lábios que agora estavam a poucos centímetros do dele, quando nossas respirações se mesclaram quando minha testa encostou a sua, percebi que seu aperto em meus pulsos havia afrouxado, se percebeu que eu havia me soltado não demonstrou, tomei meu tempo deslizando uma mão pelo peito desnudo e sentindo a maciez da sua pele, alcancei os cabelos de sua nunca e voltei novamente, quando nossos lábios se tocaram apenas brevemente, um leve toque, uma carícia fugaz, impulsionei meu corpo empurrando seu peito e com uma velocidade que foi possível apenas por sua distração, eu estava montada em seu corpo. Havíamos trocado de posição. Eu tinha me libertado.

— Ganhei! – Murmurei com um sorriso vitorioso. Ele parecia aborrecido, mas não tão irritado quanto eu imaginava que ficaria.

— Este não é um jogo. – Protestou.

— Foi exatamente o que pareceu. – Sorri curvando-me e deixando meus cabelos caírem contra seu rosto. Ele me devolveu o sorriso sua mão alcançando meu rosto e afastando as mechas. – Não preciso mais fazer suas aulas.

— A não ser que você pretenda seduzir todo homem que tente derruba-la. – Murmurou com um quê de repreensão. – Você ainda vai fazer essas aulas.

— Esse não era o trato. – Falei começando a deixar a irritação ganhar terreno. – Eu fiquei livre.

— Você sabe que o que aconteceu agora foi apenas por que eu deixei. Eu sou um lutador, se estou de baixo de você é por que é onde eu quero estar. – O encarei com raiva e me endireitei afastando meu rosto dele e ficando sentada ainda em cima dele. Não ajudava em nada que ele obviamente estava aproveitando desse contato. – Não seja infantil princesa. – Segurou minhas mãos quando percebeu que eu ia bater em seu peito.

— Você devia manter sua palavra. – O recriminei. – e não me usar em um jogo por que está excitado. – Completei me arrependendo em seguida do que havia dito. Ele não me soltou, mas ergueu seu tronco se sentando, o movimento apenas gerando maior calor. Agora ele estava próximo novamente e mais uma vez apenas a distância de um beijo.

— Eu não vou me desculpar por isso, pois você também está. – Murmurou em tom baixo, sua voz rouca agindo de forma hipnótica, minha atenção estava em seus lábios e como eu queria que a distância diminuísse até que deixaria de existir. Então eu percebi que era exatamente isso que estava acontecendo, que contrariando sua lógica conturbada de me manter afastada, Oliver ia me beijar. Foram deliciosos instantes de espera que se tonaram em longos momentos de constrangimento quando escutei a porta do meu quarto ser aberta. Quando virei meu rosto para encarar quem era, eu não sabia se agradecia aos céus ou gritava de raiva por ter sido Nyssa ao entrar em meu quarto.

— Desculpe. – Pediu embora exibisse um sorriso de zombaria. Enquanto eu pulava do colo de Oliver como se estivesse pegando fogo, o que não era tão longe da realidade. – Eu queria apenas me despedir da minha irmã, eu vou deixar vocês terminando o que começaram enquanto eu espero na sala. – Falou não me dando uma chance de resposta e fechando a porta.

— Eu vou... – Oliver falou apontando para porta. Oliver estava vermelho? – Troque de roupa e converse com Sara. Ela vai te treinar.

— Eu não quero... – Não pude terminar a frase por que o imbecil saiu correndo e fechou a porta. – Ótimo. Fuja! – Gritei para a porta.

[...]

— O que está a aborrecendo? – Sara perguntou parando em minha frente enquanto eu colocava alguma das toalhas da academia para lavar.

— Você não deveria estar dando alguma aula? – Perguntei ríspida.

— Não. – Negou. – Hoje é meu dia de folga aqui. – Eu deveria ter lembrado. O meu dia de folga no boliche condiz com o dela aqui, Sara vinha mesmo assim para treinar e/ou ajudar em alguma coisa, esse era o único dia que eu ficava o dia todo aqui. – Alguma razão para você ser bruta comigo em especial ou hoje você odeia todo mundo?

— Eu odeio Oliver e você por extensão. – Murmurei a encarando.

— O que eu fiz? – Perguntou com inocência genuína.

— Você concordou com essas malditas aulas. – Resmunguei fechando a máquina e a ligando bruscamente.

— Ele estava preocupado Felicity, e eu também. – Confessou. – Você tem que se acostumar com as pessoas se importando com você, por que nós nos importamos. Então pare com isso e aceite o que oferecemos. – Suspirei escutando o que havia dito e me encostei contra a parede a observando, eu conseguia ouvir o barulho das pessoas se exercitando, e dos lutadores treinando do outro lado da parede, a música de fundo também me deixando vagamente consciente que as faixas estavam repetindo e que eu deveria mudar, mas minha mente ia e voltava para Oliver.

Sempre para ele.

Eu tinha um encontro marcado para esse fim de semana com Barry e me sentia terrível, por que por mais que eu me agarrasse à esperança de ter algum envolvimento com ele, eu sentia como se o tivesse engando. Eu estava dando esperanças a algo que provavelmente não deveria ter.

— Você não devia estar fazendo isso apenas depois que fechassem a academia? – Perguntou. – E trocar as toalhas também.

— Alguém não fez isso ontem. – Dei de ombros. – Agora eu preciso esperar o vestiário masculino esvaziar por alguns minutos apenas tempo o suficiente para eu deixar as limpas lá.

— Peça a Roy. – Falou. – Provavelmente era ele que deveria trocar.

— Ele teve que sair, eu não entendi bem o porquê, algo com um evento que está chegando. – Expliquei.

— Tenta Oliver. – Sugeriu.

— Eu estou evitando Oliver no momento. – Confessei. Então soltei um suspiro exasperado. — Ele está me deixando louca. – Falei por fim. Sara me encarou atentamente, ela estava esperando pacientemente que eu falasse algo. – Primeira vez que nos encontramos: Eu quero te foder. Então eu viro a princesa mimada e recebo suas provocações e desdém. Ele não me quer por perto ou assim age, depois temos a fachada de educados um com outro, mas então ele age totalmente como “Ainda quero te foder, mas é melhor você ficar afastada”. Fique afastada, mas vou te encontrar na noite do seu aniversário e revelar partes de mim, fique afastada, mas vou te abraçar quando as coisas ficarem ruim para você. Fique afastada, mas vou te jogar na cama no dia seguinte e não negar que estou excitado por que você também está...

— O quê? – Sara me interrompeu.

— Ele tem que decidir se me quer afastada ou não. – Falei a ignorando. – Se ele me quer afastada, ele também tem que se afastar. Se Oliver fosse mulher, eu diria que ele vive em uma constante TPM.

— Talvez assim como você, ele não consiga. – Sara deu de ombros.

— Eu não acredito. – Neguei. – Ontem quando cheguei com Barry, ele estava de saída, ele ia encontrar com alguém.

— E?

— E? – Repeti incrédula. – Não parece a atitude de alguém que não consegue se manter afastado.

— Não. – Concordou. – Parece a atitude de alguém que está tentando. – Concluiu. – Você percebe que enquanto ele estava saindo para encontrar esse alguém, você estava chegando com Barry? Não é um pouco hipócrita você querer que Oliver, o cara que você já pegou com uma loira qualquer no sofá, o mesmo que você sabe troca de mulher a cada noite, apenas pare de sair com outras pessoas assim do nada, se você está saindo com alguém?

— Eu não estou saindo com Barry. – Neguei, então fechei os olhos rapidamente percebendo meu deslize. – Exceto que estou, mais ou menos. Eu concordei em sair com ele. – Sara exibiu um sorriso vitorioso. – Entendi o que você quer dizer.

— Também entenda que ele ficou. – Acrescentou. – De certa forma ele deixou claro quais são suas prioridades. – Fiquei em silêncio pensando sobre o que ela havia dito. Ele não havia saído depois, ele me manteve abraçada a si até que eu percebi estarmos assim por um longo tempo, então eu me afastei. Agradeci e lhe desejei boa noite, antes de ir para cama eu fui até a cozinha tomar um pouco de água e o observei entrar em seu quarto já se livrando de sua jaqueta, não a que ele havia me emprestado quando eu estava com frio, por que essa para minha vergonha eu ainda não havia devolvido, nem ele havia pedido de volta. – Ele te jogou na cama? – Sara perguntou tirando-me dos meus pensamentos.

— Sim. – Assenti. – Apenas para provar que eu sou uma pobre garota incapaz de se defender, e que preciso das aulas de vocês.

— Ou ele queria te jogar na cama e conseguiu uma desculpa. – Piscou.

— Não ache divertido. – Murmurei sem humor. – Nyssa entrou no quarto e tudo foi muito constrangedor, ser pega no colo de Oliver por Nyssa não estava nos meus planos.

— Se ele te jogou na cama, imagino para imobiliza-la, como você parou no colo dele? – Estreitou os olhos.

— Você pode focar no que importa? – Murmurei envergonhada por meu deslize.

— Eu estou. – Retrucou.

— Nyssa me fez todo o tipo de pergunta irritante depois. – Continuei a ignorando. – E mesmo enquanto nos despedíamos ela ainda fez piadas. Com nosso pai do lado, que apesar de não entender nada, ficou muito desconfiado.

— Deve ter sido divertido. – Sara riu. Então encarou meu rosto e ficou séria. – Eu quis dizer horrível. — A encarei hesitante, dessa vez não por algo que envolva Oliver, mas algo sobre o que eu estava curiosa e ficava sem jeito de perguntar.

— Sara. – Murmurei deixando escapar minha hesitação. – Eu posso te fazer uma pergunta íntima?

— Claro. – Assentiu prontamente. – Mas não garanto resposta se for algo sobre Oliver. – Acrescentou rapidamente. – Qualquer coisa que envolva seu passado apenas ele pode responder.

— Não é sobre Oliver, mas você me deixou mais curiosa sobre isso. – Confessei. Mas deixei o pensamento de lado por agora. – É sobre você e Nyssa.

— Oh. – Murmurou surpresa.

— O que aconteceu? – Perguntei com curiosidade genuína. – O que deu errado no relacionamento?

— Começou com o fato de que não era um relacionamento. – Respondeu. – Ela queria e eu não. Sempre há aquele que se importa mais, e sinto dizer que não era eu. Eu a magoei Felicity, por não querer o mesmo que ela, foi algo puramente físico, eu não imaginava que ela levaria tão a sério, sequer levou muito tempo, mas ela levou e quando eu percebi eu tentei tornar tudo mais suave quando “terminei” o que havíamos começado, ela não entendeu de primeira, então quando fui mais dura eu a magoei. Eu sinto muito. – Murmurou pesadamente. – Ela é sua irmã, você provavelmente está chateada.

— Eu deveria te odiar. – Assenti. – Você não só quebrou o coração da minha irmã, como também dormiu com o homem por quem eu estou... – Parei brevemente quando a notei erguer uma sobrancelha especulativa. –... Fortemente atraída.

— Vou deixar passar essa. – Falou.

— Mas é entre vocês. – Acrescentei a ignorando. De novo. Parecia uma nova rotina. – Eu sei que você é apegada a Oliver, muito, e ainda assim fica aqui me escutando.

— Ele realmente a está enlouquecendo não é mesmo? – Sorriu.

— Muito. – Assenti.

— Isso é bom.

— Como pode ser bom? – Perguntei confusa.

— Por que você está fazendo o mesmo com ele. – Explicou antes de franzir o cenho. – Como você sabe que transamos?

— Eu pensava que você conhecia tão bem Oliver por que você conviveu bastante com ele, por que ele confia em você para contar sobre seus próprios segredos e pensamentos. – Falei indo até uma máquina vazia e me sentando sobre ela após dar um impulso. Sara me encarou aguardando que eu continuasse. – Mas não é por isso, ou por apenas isso.

— Passamos por muita coisa juntos Lis, não pode ser chamado de “apenas”. – Falou.

— Eu sei. – Concordei. – Na verdade não sei, mas imaginei. A questão é que você o conhece tão bem por que vocês dois são iguais.

— Você quer dizer que eu sou uma versão feminina no próprio Oliver. – Deduziu.

— Exato. Vocês também são muito atraentes e conviveram por um longo tempo. – Falei. – Faz sentido que em algum momento tenham levado para o lado físico. Eu também peguei algumas insinuações de vocês dois, eu gosto de pensar que sou uma garota esperta.

— Então garota esperta... – Sara começou em tom que me indicava que eu talvez não gostaria muito do rumo dessa nossa conversa. – Você tem um encontro com o nerd gatinho.

— Sim. – Concordei. Ela não gostava disso, eu podia ver isso, mas ela também não estava me julgando, então eu não iria me recolher e me negar a falar sobre o assunto. – Provavelmente nesse domingo... O que há de errado Sara? – Perguntei quando ela franziu o cenho e meneou a cabeça em negativa.

— Você não pode fazer isso. – Murmurou.

— Sério? – Perguntei em tom aborrecido. – E eu achando que você estava sendo imparcial aqui...

— Temos as lutas aqui na academia nesse domingo. – Falou.

— Já?! – Perguntei surpresa. – Por que no domingo? Roy falou que seria em um mês – Estranhei. — Não importa, isso não muda nada.

— Claro que muda. – Retrucou. – Já falamos sobre isso Felicity, são nossos lutadores, você precisa apoia-los. – Franziu o cenho concentrada em algo mais. – Não tenho ideia por que Roy falou que seria em um mês, seu pai tentou adiar com a outra academia, mas eles meio que o provocaram. Será no sábado e domingo, mas os lutadores que nós devemos focar serão no domingo. Queremos chamar um público, não faria sentindo fazer no meio da semana quando maioria dos frequentadores tem suas rotinas de trabalho.

— Apoiar Oliver, você quer dizer. – A corrigi pegando a parte da verdadeira razão pela qual me queria aqui.

— Claro. – Assentiu. – E Roy, nosso amigo, que terá sua primeira luta. Provavelmente ele vai perder.

— Ouch. – Sara não costumava ser maldosa, não com Roy a quem havia se apegado como um irmão mais novo, mas seu comentário foi um pouco... Maldoso?

— E vai precisar do nosso apoio depois. – Continuou. Percebi que não era a amiga de Roy que falava, quando falou isso, era alguém da equipe. – Você precisa desmarcar esse encontro.

— Eu não posso fazer isso. – Neguei. – Não é legal para o Barry, ele vai achar que voltei atrás, ele se atrapalhou todo para me pedir. Eu posso tentar com ele em horários diferente, isso é tudo. – Cruzei meus braços lançado meu melhor olhar decidido, ela suspirou e assentiu. – Eu tenho um encontro com Barry nesse domingo e não vou desmarca-lo para ver Oliver lutar. – Falei para deixar mais claro, infelizmente quando mudei minha atenção do rosto aborrecido de Sara peguei o inexpressivo de Oliver que havia entrado sem que eu houvesse percebido, dei um pulo saindo de imediato, Sara virou-se o encarando.

— Ollie. – Lhe deu um sorriso amarelo. – Estávamos falando sobre...

— Eu levei muitos socos que poderiam prejudicar minha audição. – Oliver falou a interrompendo. – Mas não prejudicou. Eu sei do que estavam falando, e eu não me importo. Eu só vim para avisar a princesinha que tem pessoas a esperando no balcão. – Olhou diretamente para mim, antes de vira-se e ir embora.

— Agora eu voltei a ser princesinha mimada. – Resmunguei quando saiu, encarei Sara e resolvi também sair e checar o que ele havia dito. – Vamos, a máquina fará seu trabalho, depois volto para tira-las daí. – Ela assentiu hesitante e me seguiu.

POV OLIVER

Ela ia ter um encontro com o maldito nerd.

Foda-se se eu devia me importar com isso.

Mas eu me importo. Inferno, como eu me importava. Eu me importava tanto que cada célula do corpo agitava-se apenas com o pensamento, eu já estava no meu quinto adversário depois de ter socado por um longo tempo o saco de pancadas, e tudo por que eu havia escutado que ia estar em um fodido encontro com o bom moço. Isso estava se tornando ridículo.

— O que você tem hoje homem? – Slade Wilson perguntou enquanto eu agitava meus braços, tomava espaço e o rodeava, ambos estávamos mortos e ainda assim eu me sentia incapaz de apenas parar, ele era um cara enorme, bom lutador, eu deveria já ter acabado com isso, ganhando ou perdendo, mas eu precisava descarregar toda minha energia para fora e ela parecia ser infinita. – Você não deveria ir mais devagar? Você tem uma luta chegando. No domingo. – Falou recuperando o fôlego.

“Eu tenho um encontro com Barry nesse domingo e não vou desmarca-lo para ver Oliver lutar.”

Slade me encarou confuso ao ver que minha expressão tinha se tornado ainda mais sombria com o que havia dito. Ele parecia prestes a perguntar sobre quando eu o ataquei sem que desse a oportunidade de pensar em bloquear.

— Controle-se. – Escutei a voz de Ra’s falar em tom autoritário, senti-me sendo puxado e percebi que era ele que fazia. Tentei me soltar, mas ele ficou em minha frente seu olhar batendo com o meu, um desafio por trás deles. – Eu não sei o que está acontecendo Al Sahim, mas eu pretendo ter alguns lutadores ainda até esse domingo, e um deles é você. Saia, distraia-se, coloque sua cabeça no lugar. Sem mais lutas por hoje. Não é um pedido. – Falou quando notou que eu ainda não havia me movido. Assenti relutante e olhei ao redor, Felicity não estava à vista, e dei-me conta que sentia alívio com relação a isso, eu não queria que ela visse isso.

— Desculpe. – Murmurei encontrando o olhar de Slade que sangrava o bastante para explicar a intervenção de Ra’s. – Eu me excedi. – Falei antes de encontrar o olhar desaprovador de Sara que me encarava com seus braços cruzados.

Foda-se.

Desci do ringue ignorando os olhares curiosos, e saí em direção ao vestiário masculino. Tirei minha camisa molhada de suor e a joguei bruscamente sobre um dos bancos, não havia ninguém por perto o que me permitiu evitar fugir de perguntas estúpidas das quais eu não responderia. Eu quase soltei um suspiro aliviado, e entrei na área separada com duchas separadas entre si por algumas divisórias. Já havia enganchado meus dedos no cós da minha calça quando escutei a porta que se abrindo, lembrando-me da última vez que Sara me seguiu até o vestiário resolvi ir até ela e ouvir suas reclamações e conselhos logo. Parei surpreso quando Felicity entrou sem sequer dar qualquer demonstração que havia percebido minha presença. Estava com a cabeça baixa e fones de ouvido, um cesto de plástico mostrava que carregava toalhas e que tinha vindo troca-las, apenas quando colocou o cesto em cima do primeiro banco que ergueu sua cabeça e me encarou com surpresa e confusão. Enquanto seus olhos passeavam por mim o que eu havia pegado de sua conversa com Sara voltou a ecoar em meus ouvidos.

— Desculpe. – Pediu constrangida tirando os fones e deixando-os suspensos em seu pescoço fino. – Eu pedi que me avisassem quando estivesse vazio.

Talvez tenha sido a adrenalina que ainda estava em meu corpo, talvez tenha sido a fúria que ainda me dominava quando pensava em seu encontro com o moleque. Ou talvez tenha sido por que fomos interrompidos mais cedo por sua irmã. Inferno, talvez tenha sido a soma de tudo, mas a surpreendi e a mim mesmo quando sem nenhuma palavra a alcancei em poucos passos, e puxando-a pelo braço minha boca rudemente encontrou a sua. Ela soltou um ofego surpreso com resposta e quando empurrei recuei de volta ao cubículo que eu estava antes e a encostei com brusquidão contra a parede fria ela tentou me empurrar. Ela ia protestar, eu sabia que ia protestar, mas cortei seu protesto quando deslizei minha língua para encontrar a sua.

O protesto havia ido embora, seus dedos apertaram meu braço com força enquanto correspondia ao beijo com avidez. Eu estava sendo duro, sem me preocupar em ser carinhoso o delicado, mas ela não estava recuando, ela tomou o beijo para si, e acompanhou o ritmo que eu havia forçado. Sua outra mão acariciou minha mandíbula enquanto me concentrei em sugar e morder seus lábios, seu sabor me viciando.

Corri minha mão por seus seios e deslizado por sua barriga até que alcancei a linha de seu short. Outro ofego surpreso veio quando deslizei minha mão para dentro não só do short como também de sua calcinha. Ela não esperava por isso. Eu não esperava por isso. Mas agora eu era incapaz de me conter, a acariciei com mais calma e ainda sem quaisquer controles em minhas ações, ela estava acalorada e eu estava explodindo. Seu sexo palpitava e ela estava completamente úmida e preparada. Ela estava à beira da ruptura e eu mal havia a tocado. Inclinei-me contra seu ouvido, nossas respirações suspensas e ofegantes, alguém podia entrar e nenhum de nós dois se importava, eu sentia a pressão de seus seios contra meu peito desnudo e tudo o que queria era me inclinar e me saborear com eles. Seu cabelo estava solto pendendo em apenas um ombro e a imagem que trazia era incrível. Eu precisava tê-la. Prova-la. Aqui e agora, se não como eu queria ao menos algo perto.

— É melhor que essa imagem não saia da sua cabeça quando se encontrar com ele. – Falei. Seus olhos me encaravam confusos em meio à névoa de desejo, ela não sabia do que ou de quem eu estava falando. Melhor assim.

Seus olhos tornaram-se maiores quando abandonei seu corpo por míseros segundos e me ajoelhei diante de si, dando-lhe exatamente a imagem que eu queria em sua mente ao livra-la do maldito short e ergui uma perna sobre meu ombro permitindo-me prova-la como eu exatamente queria. Seus gemidos estavam cada vez mais audíveis enquanto me concentrava em lhe dar prazer com os lábios e dedos. Explorando. Sugando. Enlouquecendo a nós dois. Como se percebesse que estava sendo pouco discreta, notei que os gemidos estavam sendo mais abafados agora. Ela estava se contendo. Ergui minha cabeça tempo o suficiente para perceber que mordia seus lábios evitando que qualquer som saísse deles. Eu encarei com um desafio.

A provoquei com ainda mais afinco, seu corpo estremecendo cada vez mais, até que se arqueou, seu corpo se quebrando em um orgasmo deixando um gemido abafado escapar. Quando me ergui seu corpo estava mole contra o meu, seu rosto escondendo-se em meu ombro, enquanto minhas mãos ainda inquietas moveram-se sobre o tecido da sua blusa e encontrando o seu seio o massageando ao mesmo tempo em que encostava todo o meu cumprimento contra si não deixando dúvida do quanto estava excitado e do quanto ainda estava frustrado. Ela deixou escapar um novo gemido e se apertou contra mim, moveu seus quadris sutilmente, o movimento quase imperceptível se não estivéssemos tão próximos.

— Eu quero estar dentro de você. – Murmurei contra seu pescoço antes de deixar um beijo molhado lá.

— Eu também. – Separei-me apenas o suficiente para encontrar seu olhar. Determinado. Ardente. Ansioso. Eu quase fiz o que queria, por que eu queria muito também, eu estava louco por isso, e estava agindo como um louco por causa disso. Mas não podia, não assim, não aqui e não agora, o que tínhamos feito já havia sido um risco.

— Não podemos. – Neguei ajudando-a ajustar suas roupas e deixando-a confusa. Ela se afastou de meu toque.

— Eu não preciso de ajuda. – Falou ajeitando-se apressada.

— Felicity...

— Eu entendi. – Falou rapidamente. – Você escutou a conversa e achou que tinha que provar algo. “É melhor que essa imagem não saia da sua cabeça quando se encontrar com ele”, você disse. Você não pode fazer isso, me marcar como um cachorro marca um território, eu não sua propriedade. – Falou duramente, eu queria negar suas palavras, queria dizer que não estava tentando marca-la, mas foi exatamente o que fiz, eu queria dar algo no que ela pensasse quando estivesse com outro, ela não era minha, mas eu estava agindo como fosse. Eu era um filho da puta arrogante. — Eu estou cansada desse joguinho de quente e frio Oliver. Eu não jogo. Bem, eu espero que a imagem saia da sua, por que não vai demorar nem mais alguns minutos na minha. – Falou antes de se virar e me deixar sozinho, completamente frustrado e aborrecido, mas nunca arrependido, e ela tinha razão, aquela imagem também não sairia da minha mente. E por mais que ela negasse, eu duvidava que saísse da sua.

Quando finalmente saí do vestiário encontrei Sara encostada em um dos equipamentos mais próximos, eu não estava no clima de conversa, então quando passei por ela não lhe dirigi nenhuma palavra, ao contrário dela que deixou uma frase suspensa no ar, uma frase que me deixou intrigado e que me fez segurar um sorriso quando finalmente compreendi.

— Você pode me agradecer depois.

Notas finais
E por hoje é só!! Fico no aguardo do feedback de vocês. Até lá! Xoxo, LelahBallu.