Redenção
12 Capítulo 11
Notas iniciais
You and me we're bumper cars
The more I try to get to you
The more we crash apart, no
Round and round we chase the sparks
But all that seems to lead to
It's a pile of bro…
—Ei! – Protestei quando senti o fone ser puxado do meu ouvido interrompendo a melodia. Sara me encarou com o cenho franzido antes de se agachar em minha frente e colocar o fone no seu ouvido. Eu estava deitada em seu sofá, o mesmo que vinha sendo minha cama nas últimas três noites. Desde quinta eu mantinha minha rotina de dormir aqui, eu poderia ter começado na quarta, o dia em que Oliver resolveu me deixar ainda mais confusa, mas naquele dia eu pensei que ainda poderia apenas evitar vê-lo, afinal eu nem o vi mais depois de deixa-lo no vestiário. Foi na manhã seguinte, quando eu acordei e o vi saindo do banheiro apenas de toalha para o corredor que resolvi dar meia volta, juntar algumas roupas e levar comigo até o boliche, de lá liguei para Sara e pedi um abrigo pelos próximos dias. Sara que agora as linhas acima de suas sobrancelhas bem feitas aumentavam cada vez mais, ela tirou o fone do seu ouvido e me dirigiu um olhar descrente.
— Sério? Música depressiva? – Perguntou erguendo-se. – Levante-se, eu fiz café, temos que ir para a academia ajudar com os preparativos para as lutas de hoje.
— Eu ajudei ontem. – Protestei. – Eu realmente preciso ir hoje? Eu tenho um encontro com Barry.
— Você fez parecer que tinha uma consulta com seu médico. – Murmurou. – E que não seria somente mais tarde. Mal raiou o dia Felicity. – Repreendeu-me. — Vai mesmo usar seu encontro como desculpa para não ver Oliver? Agora? – Pontuou. – Eu já me conformei com você não assistindo a luta mais tarde.
— Bem, você pode muito bem abraçar o sentimento de culpa. – Falei me erguendo do sofá. – Você que me disse que o vestiário estava vazio, mesmo quando obviamente não estava.
— Eu já disse que não sabia que Ollie estava lá. – Murmurou sua mentira com o mesmo ar inocente que havia dito todas as oitos vezes anteriores em que eu a havia acusado, eu não comprava sua inocência.
— Quando eu saí você estava vigiando a porta Sara! – Falei dobrando os lençóis.
— Ok. Eu fiz isso, mas você deveria me agradecer, por que primeiro: Seu pai chegou bem perto de abrir aquela porta. – Apontou um dedo. – Segundo... – Ergueu mais um dedo. – Você ganhou um belo orgasmo, você me disse...
— E terceiro, briguei com Oliver. De novo. – Completei por ela me afastando. – Obrigada! – Murmurei com ironia.
— Apenas por que você dois são os seres mais irritantes e idiotas que tive o prazer... Às vezes desprazer... De conhecer. – Falou com um sorriso. – E você vai comigo.
— Por quê? – Perguntei novamente.
— Por que você tem um encontro. – Falou. – E não tem nenhuma roupa aí que seja de encontro.
— Merda. – Praguejei percebendo que ela tinha razão. – Merda. – Repeti agora sabendo que eu não teria como fugir de Oliver. Todos esses dias eu só estive na academia, nunca no apartamento, apenas pelo período em que eu trabalhava e sempre me mantendo ocupada. Ele bem que tentou falar comigo, mas eu sou do tipo que como Sara falou... Pode ser muito irritante, então eu consegui evita-lo com sucesso, fui obrigada a ver cada mulher dando em cima dele, como sempre, mas pelo menos não fiquei para a noite, sendo assim não pude ver qual delas ele escolheu para uma transa rápida e sem compromisso, justo como ele gosta.
— Você tem certeza que quer ir a esse encontro? – Perguntou me olhando com atenção. Eu queria? Eu me peguei em vários momentos desejando cancelar, conversar honestamente com Barry, eu não queria perder sua amizade, ele é bom amigo e era isso que ia acontecer se eu fosse hoje e terminasse em um desastre, por que eu dei esperanças, eu tive esperanças. Mas então sempre que eu pensava nisso e reunia coragem para uma conversa, ele me encarava com aquele sorriso bobo dele e eu perdia toda a coragem. Um encontro, e poderíamos tirar isso de nossas mentes.
— Sim. – Falei tentando soar convicta, mas pelo olhar que ela me lançou eu podia concluir que havia falhado.
— Vamos tentar essa pergunta de novo daqui a algumas horas, ok? – Perguntou após um suspiro cansado. – E não importa o resultado de hoje, você vai voltar para o apartamento de vocês.
— Você está me expulsando? – Perguntei incrédula. Ela deu de ombros.
— Te convidando a sair, seria uma frase menos agressiva. – Sorriu. – E é para o seu bem, eu tenho quase certa de que depois desse encontro com Barry você vai parar de insistir nele, e que daqui a alguns dias quem sabe, você e Ollie vão se entender, mas para isso, vocês precisam estar no mesmo recinto. Então, sim. Eu estou te convidando a sair.
— De que lado você está? – Perguntei com certo resquício de mal humor.
— Dos dois. – Respondeu sem hesitar. – Então cale a boca e escute a voz da experiência.
— Oh a mesma que fica observando o Sr. Sorriso quando pensa que ninguém está vendo, mas foge dele sempre que se aproxima? – Perguntei a encurralando.
— Não tenho ideia do que você está falando. – Murmurou defensivamente. – Eu vou me arrumar. Você deveria fazer o mesmo. – Falou literalmente fugindo da minha provocação.
— Você não está me dando um bom exemplo, srtª Experiência! – Gritei.
— Eu não posso escutar você! – Retrucou fazendo com que mesmo eu estando um tanto quanto contrariada, eu sorrisse.
POV OLIVER
— Roy! – Gritei fazendo com que se sobressaltasse assustado e caísse da cadeira que antes estava deitado relaxado. – Mas que inferno Roy?! Você estava dormindo?
— É um crime? – Perguntou me lançando um olhar inconsequente. Tentei controlar meu humor, respirei fundo com o intuito de relaxar, mas não ajudou quando Diggle soltou uma risada.
— Eu pensei que o garoto beijava o chão em que você pisava. – Comentou cruzando os braços.
— Quando ele está lutando e não é um idiota completo. – Roy murmurou em tom baixo. Minha paciência se esvaiu e em um estalar de dedos eu o tinha puxado pela orelha. – Mais que mer...
— Você não deveria estar fazendo algo de útil? – Perguntei rangendo os dentes enquanto ele protestava. – Precisamos de mais gelo. Vá pegar! – O soltei.
— Eu preciso de gelo! – Reclamou. – Você queria arrancar minha orelha? – Perguntou esfregando-a. – Você está assim desde que Lis foi para a casa de Sara, o que você fez?
— Viramos amigos agora? – Soltei. – O que vem agora? Confissões de peito aberto? Talvez possamos fazer tranças um no outro.
— Poupe-me da visão. – Reclamou.
— Vá buscar o gelo. – Repeti. – E pare de chama-la de Lis.
— Eu poderia. – Assentiu. –Mas o apelido de princesa já foi reivindicado.
— Saia da minha frente. – Falei em tom ameaçador, ele percebeu que minha paciência havia atingido o limite pois com um último olhar sujo se afastou.
— Por que você precisa de mais gelo? – Diggle perguntou. – Tudo está em ordem para hoje.
— Para tira-lo da minha frente. – Falei o encarando impassível.
— O garoto tem razão, você está insuportável desde que Felicity está morando com Sara. – Murmurou calmamente. – Eu te adverti, eu falei para não mexer com a garotinha de Ra’s, eu estou admirado por ele ainda não ter chutado seu traseiro.
— Ela não está morando com Sara. – Neguei. – Ela está me provocando. Está agindo como uma criança. Nós poderíamos conversar, mas em vez disso ela faz sua mochila e vai dormir na casa de Sara, prefere me evitar em minha própria academia. Eu sabia que seria assim, eu sabia que ela seria uma dor de cabeça no momento que entrou na academia, eu disse que não queria ela aqui. Eu sabia!
— O que você fez? – Perguntou com seriedade.
— Por que eu tenho que ser aquele que fez alguma coisa? – Murmurei me jogando em uma das cadeiras que estavam distribuídas para as pessoas sentarem enquanto aguardavam o começo das lutas, uma vez que começassem ninguém conseguia ficar apenas sentado e quieto.
— Por que ela foi a única a se mudar. – Argumentou.
— Ela não se mudou. – Falei entredentes, apesar de que o pensamento ia e vinha em minha mente. Será que ela considerava voltar para o apartamento? Eu fui tão longe assim? Ela queria o que aconteceu, eu sabia que esse não era o problema, ela se irritou com o que veio depois. Eu era um idiota, eu sempre fodia as coisas boas que aconteciam em minha vida, sempre que algo bom chegava perto eu apertava meu botão interno de autodestruição, eu podia ainda não ter pressionado ele com Felicity, pois eu apenas a irritei, eu ainda não cheguei a magoa-la, mas isso era apenas uma questão de tempo. Então por que a ideia de ela não voltar fazia com que minha cabeça girasse em um eixo de 360°? – Mas eu acho que fiz merda.
— Que tipo de merda? – Diggle sentou-se ao meu lado. – Você transou com outra?
— Não somos um casal Diggle. – Murmurei o surpreendendo. – Eu posso e vou foder quem eu quiser. – Ele me lançou um olhar de recriminação. – Exceto que eu não toco em outra garota desde a loira do sofá.
— E quanto tempo é isso exatamente? – Perguntou-me com óbvia curiosidade.
— Duas semanas e dois dias. – Murmurei. – Mas quem está contando?
— Woaah um verdadeiro recorde. – Zombou.
— São duas semanas sem sexo Diggle. – Reclamei. – Em que eu mesmo tenho tido que lidar como meu...
— Ok. – Ergueu uma mão pedindo que eu parasse. – Eu entendi. Mas você mesmo disse que pode “foder” com qualquer outra.
— Isso não significa que eu queira. – Murmurei surpreendendo a nós dois.
— É isso que está o deixando irritadiço? Falta de sexo? – Perguntou claramente divertido.
— Ela está me deixando irritadiço. – Falei me erguendo. – E saber que ela está certa, que preciso pedir desculpas.
— O que você fez? – Franziu o cenho mostrando confusão.
— Aparentemente eu mijei nela. – Falei, minha atenção perdendo-se da conversa ao perceber que Felicity entrava junto a Sara.
— Mijou nela? – Escutei vagamente a voz de Diggle me perguntar com incredulidade.
— Eu tenho que ir. – Falei me levantando.
— Sem essa que vou perder isso. – Murmurou me acompanhando.
— Vá para casa ficar com sua esposa grávida. – Resmunguei arrancando uma risada curta sua. Era de se esperar que como estávamos em volta por outras pessoas ao menos tivesse o cuidado de esconder sua careta quando me viu, tentasse ser educada ou apenas me ignorasse, mas não, ela até mesmo soltou um suspiro aborrecido que chamo a atenção de todos. Que incluía seu pai.
Essa devia ser a primeira vez que uma mulher ficava aborrecida comigo após eu lhe dar um orgasmo. Geralmente elas ficavam depois que eu não queria repetir. Neste caso eu havia me tornado a garota que queria repetir, enquanto Felicity me evitava. Isso nem mesmo era justo, ela teve algo para se aborrecer pelo menos, e eu?
— Eu tenho que subir... – Escutei a voz de Felicity murmurar. Ela estava se afastando novamente, mas dessa vez para minha surpresa e a dela, Ra’s segurou seu braço a impedindo de passar por ele, e colocou uma mão em meu ombro apertando grosseiramente.
— É claro, minha querida. – Falou com um sorriso condescendente para ela, antes de lançar um olhar entre nós dois. – Mas antes vocês vão me dizer o que diabos está acontecendo.
— Nada. – Murmuramos juntos.
— Acho melhor irmos. – Sara murmurou olhando para Diggle.
— Você fica. – Falou em tom de ordem que Sara prontamente obedeceu, então ele encarou Diggle. – Você pode ir.
— Sim, senhor. – Diggle assentiu, lançando-me um olhar com humor, antes de ir.
— Nada? – Seu olhar voltou-se para nós, um sorriso se abrindo com um quê de ironia nele. – Eu ofereci minha casa para minha filha ficar, e ainda assim ela preferiu ficar com você, não tenho certeza por que já que ela deixou claro que vocês dois não tinham nada, mas agora ela está morando com Sara, e claramente deseja que você estivesse de baixo de algum carro nesse momento, então eu quero saber exatamente que merda você fez Queen.
As palavras vieram acompanhadas de um aperto forte que me fez lançar um olhar aborrecido a ele enquanto eu trincava os dentes buscando por paciência. Minha melhor opção era ficar calado, pois se eu dissesse exatamente o que aconteceu naquele vestiário às chances não eram boas para mim.
— Você percebe o quanto está sendo ridículo? – Felicity perguntou soltando seu braço e os cruzando. – Às vezes eu me irrito com Oliver apenas em saber que ele respira. – Deu de ombros. – Pare de amedrontar seu melhor lutador.
— Eu não estou amedrontado. – Neguei rapidamente, o orgulho assimilando primeiramente essa parte em vez da segunda. – Você acha que eu sou um bom lutador?
— Bem, se você passa horas, vive em uma academia, para ser ruim... – Deu de ombros se afastando. Demorou um talvez dois segundos para eu segui-la.
— Eu virei invisível? – Escutei Ra’s gritar por nossa atenção.
— Felicity. – Murmurei ainda a seguindo pelas escadas, ela não se preocupou em parar ou mostrar que me escutava, ela apenas apressou o passo mostrando que sim, mas que não queria falar comigo. – Isso precisa parar. – Murmurei enquanto entrava no apartamento logo atrás dela. – Felicity! – Chamei-a novamente. Ela me olhou rapidamente antes de ir para o corredor e entrar em seu quarto, não me preocupei em aceitar o aviso de me manter afastado, antes que ela pudesse fechar a porta eu a empurrei e fechei atrás de mim.
— Você não devia ter me seguido. – Murmurou com impaciência.
— Eu não teria feito isso, caso você não continuasse agindo como uma pirralha infantil. – Murmurei.
— Isso não é redundância? – Franziu o cenho.
— Precisamos conversar. – Falei a ignorando.
— Não. – Negou. – Não precisamos.
— O que houve naquele dia...
— Nada aconteceu. – Murmurou impassível. – Somos adultos e podemos muito bem lidar com isso tem ter que ficar tendo conversas desnecessárias, foi algo físico, da vontade de ambos, então...
— Você está irritada...
— E desde quando isso importa Oliver? – Sua voz se ergueu me cortando. – Desde quando você se importa? Pelo o que eu sei você não se importa com ninguém fora você mesmo, que após transar com uma garota você sequer se lembra do nome dela, e nós sequer chegamos a isso, então apenas esqueça, sim? – Pediu. – Eu tenho dito que você precisa descobrir se me quer por perto ou não, mas você não precisa, por que eu já decidi. Eu estou me afastando de você. – Concluiu. — Eu não vou negar que existe atração. Sim existe, um monte dela, mas eu não vou me limitar a isso, eu mereço mais do que ser a próxima foda de Oliver Queen, por isso eu precisei desses dias com Sara, por que eu sabia que acabaria cedendo, e eu não posso ceder. Por que será algo destrutivo para nós dois, um ciclo vicioso.
— Felicity...
— Eu vou me mudar. – Murmurou me surpreendendo. – Não para Sara, mas eu acho que vou morar com meu pai. É melhor. Eu tenho um encontro hoje, um cara legal, e amanhã eu me preocupo com essa mudança. – Abri minha boca para protestar, mas eu não sabia bem pelo o quê. Eu havia dito várias vezes que nada entre nós dois daria certo, mais para mim do que para ela, então não havia por que mudar sua cabeça sobre essa mudança, eu só a estaria confundindo.
— Se você acha que é preciso. – Dei de ombros com um descaso que na realidade não existia.
— Eu acho. – Assentiu. – Agora, você pode sair do meu quarto?
POV FELICITY
O observei se afastar, os ombros tensos.
Era por isso que eu estava evitando falar com Oliver, por que eu não conseguiria ser racional no momento em que abrisse minha boca. Eu o queria, muito, mas eu não queria ter tão pouco dele. O sexo seria incrível, não havia dúvida, mas ele não teria nada mais para me dar. O estranho de tudo? É que parecia que eu estava dispensando Oliver, quando na verdade ele nunca quis nada comigo. Ele sempre mostrou que se envolver comigo não era algo que ele sequer considerasse. Nossa conversa agora parecia o término de um relacionamento que sequer havia começado.
Eu estaria rindo, se fosse de fato engraçado.
Não foi surpresa quando Sara entrou no meu mais tarde quando estava me arrumando. Ela falou que meu pai estava deixando todos loucos com suas questões, que Oliver estava tenso e que estava piorando, por que geralmente quando ele estava assim ele treinava e socava algo ou alguém, mas hoje era dia de luta, e ele supostamente deveria guardar suas energias, como resultado ele estava gritando com Roy sempre que podia e irritando Sara sempre que Roy escapava.
— Você precisa falar com ele. – Falou andando de um lado para o outro enquanto eu procurava por meus brincos. – Você fugiu o dia todo e não sabe como estão as coisas lá em baixo Felicity, mas está lotado, eu não deveria ter tempo ou atenção para um Oliver irritado e ainda assim ele consegue isso. A luta dele será a última da noite, e até lá eu tenho certeza que vai enlouquecer qualquer um de nós. Você realmente precisa conversar com ele e acertar as coisas.
— Eu já falei com ele Sara. – Murmurei após um suspiro cansado. Sara precisava parar de agir como se fossemos um casal de namorados brigados.
— E?
— E eu falei que vou sair daqui. – Dei de ombros. Ela me encarou chocada, sua agitação se esvaiu enquanto tudo o que ela fazia era me encarar. – Vou deixar o apartamento e morar com meu pai.
— Você está brincando, certo? – Perguntou confusa.
— Eu não estou brincando. – Neguei. – É o melhor e...
— E você contou a ele em um dia de luta? – Repetiu. – Não é a toa que ele está tão... Tão puto.
— Como é que é?
— Eu entendo o porquê você está fazendo isso. – Murmurou após um momento de reflexão. – Eu realmente faço, mas você não deveria ter dito a ele hoje.
— Ele não deveria se importar. – Murmurei exasperada.
— Mas se importa. – Retrucou. – Não importa se ele diz o contrário, ou que você pense assim... Ele se importa. E eu sei que você também. – Eu não tinha resposta para isso, eu não tinha, então enrolei meu dedo nervosamente na barra do meu vestido e olhei para baixo fixando-me no vermelho do tecido.
— Como eu estou? – Perguntei tentando soar animada.
— Você está ótima. – Murmurou com um suspiro derrotado.
— Por que você tem que dizer isso como se lamentasse? – Murmurei meneando a cabeça dessa vez sem paciência.
— Por que eu estou lamentando. O nerdzinho definitivamente vai te beijar. – Explicou. – E se você gostar do beijo as chances de Ollie diminuem.
— Sabe por que o nerdzinho tem chances Sara? – Perguntei sem humor algum. – Por que Oliver as deu. Eu não vou me desculpar por me negar a ficar parada esperando por Oliver. Agora vamos descer, Barry chegará logo e eu não confio muito em Ra’s Al Ghul perto dele.
— Você apenas acabou de me lembrar do por que eu não estou tão decepcionada assim com esse encontro. – Sorriu. Ignorei sua brincadeira e me apressei em descer, eu realmente temia que meu pai quisesse bancar o protetor apenas com o intuito de me envergonhar. Quando desci percebi imediatamente que estávamos bem mais lotados do que a noite anterior, logo associei ao fato de que hoje seria o dia em que Oliver lutaria, o ambiente só perdia para o dia em que assisti a sua luta clandestina, aqui era mais organizado e menos hostil. Sara murmurou uma desculpa e se afastou para atender ao chamado de um dos instrutores da academia, avistei Ray ao lado de Diggle conversando animadamente e vi Roy se aproximando pela minha esquerda. Eu tentei adiar ou até mesmo cancelar o encontro com Barry, por Roy, por que ele merecia uma torcida, mas veio me contar animado que havia conseguido uma reserva difícil em um dos restaurantes mais requisitados, então eu me acovardei.
— Procurando por mim? – Sua voz rouca veio atrás de mim. A forma como Sara falou que ele estava me fez acreditar que ele evitaria falar comigo, ou apenas me ignoraria caso me visse. Mas quando deu a volta e ficou em minha frente seus olhos passearam por meu corpo, a intensidade neles me sugando.
— Eu estava apenas dando uma olhada...
— Não se preocupe, eu já sei a resposta. – Um sorriso triste brincou em seus lábios. – Eu sei que esta noite é para ser a do seu encontro perfeito e que esse deveria ser seu momento, mas deixe-me ser o primeiro a dizer que você está linda, princesa. – Minha boca se abriu para murmurar um fraco agradecimento, mas tão rápido quanto ele veio, ele se foi. Roy apareceu ao meu lado com um sorriso enorme e minha atenção ainda que não total, se voltou para ele.
— Você está quente. – Roy murmurou. Meneei a cabeça retribuindo seu sorriso.
— Obrigada.
— Uma péssima amiga, mas quente. – Murmurou balançando a cabeça afirmativamente.
— Idiota. – Resmunguei ainda que continuasse sorrindo, então fiquei séria. – Eu sinto muito, por não ficar para sua luta.
— Não se preocupe. – Rapidamente desprezou minhas desculpas. – Eu pretendo lutar mais vezes, desde que você não arranje um encontro em cada uma delas...
— Ok. Eu prometo, ao menos a uma irei. – Cruzei meus dedos.
— Você cruzou os dedos, isso é sério. – Brincou. – Não poderá mais voltar atrás. – Ri de sua brincadeira e o abracei.
— Boa sorte. – Murmurei enquanto ainda o abraçava. – Acabe com ele.
— Eu vou. – Sussurrou se afastando e me enviando uma piscada.
— Lis. – Sara chamou-me. – Sabe aquele lance de não querer que Barry seja intimidado por seu pai?
— Sim. – Assenti.
— Já está acontecendo. – Apontou com a cabeça para a entrada da academia. Segui a direção que indicava e o observei segurar a mão de Barry com firmeza ao ponto dele ter dado uma leve curvada e feito uma careta, ele parecia pálido após algumas palavras ditas perto de seu ouvido, o que eu tinha certeza ter sido em um tom ameaçador.
— É melhor eu ir. – Murmurei me afastando.
— Apenas lembre-se. – Sara falou segurando meu braço impedindo-me de avançar. – Não importa quão bem ele beije, Oliver é melhor.
— Lembrar que Oliver já andou beijando sua boca não é uma forma de ajudar. – Acusei.
— Não era bem da boca que eu estava falando. – Murmurou rapidamente fazendo com que eu fechasse meus olhos fortemente diante do seu comentário. – Apenas vá.
— Obrigada, eu não consigo escutar isso agora. –Falei meneando a cabeça em clara confusão e me afastando dela. Quando encontrei Barry ele me lançou o sorriso mais encantador, aquele sorriso de menino que fazia com que fosse impossível que você apenas não sorrisse de volta. Era algo incontrolável. Mas meu sorriso logo se quebrou quando recebi um olhar carrancudo do poderoso Ra’s.
— Eu estava conversando com seu amigo... – A forma com que falou amigo fez com que eu franzisse os lábios. – E estava explicando que somos uma família de lutadores.
— Mesmo? – Perguntei erguendo uma sobrancelha.
— Sim. – Sorriu e voltou a encarar Barry com um olhar frio que o fez engolir em seco. — Pai lutador, irmã, amigos e companheiro de quarto... Digo apartamento. – corrigiu-se. – Eles dividem o apartamento.
— Aquele é nosso táxi? – Perguntei a Barry fazendo com que sua atenção voltasse para mim. Ele assentiu vagamente. – Você pode me esperar lá enquanto eu falo com meu pai?
— Claro. – Concordou soando até mesmo aliviado.
— Você não acabou de insinuar algo entre eu e Oliver para afastar Barry. – Meneei a cabeça em descrença.
— Eu trabalho com o que tenho nas mãos, querida. – Sorriu, parecia um gato brincando com sua presa. – Amanhã eu procuro algo para afastar Oliver, hoje eu o uso.
— Ele é meu amigo. – Argumentei. – E ainda que fosse algo mais, está um pouco tarde para fazer esse tipo de coisa.
— Você deveria me agradecer. – Murmurou soando indignado.
— Deveria? – Perguntei descrente.
— Se o garoto não fraquejar com Oliver como concorrência, significa que ele realmente quer algo a sério.
— Eu pensei que você não gostava de Oliver. – Murmurei impressionada.
— Eu adoro Oliver, eu não gosto dele tentando entrar em suas calças. – Deu de ombros. – É diferente.
— Essa é uma conversa que não deveríamos estar tendo. – Murmurei aborrecida.
— Quanto tempo você vai deixar o garoto esperando? – Perguntou suas mãos cruzadas atrás de si. – Eu acho que ele não pode pagar por uma conta muita alta.
— Vocês precisam parar de agir como se Barry fosse uma criança. – Resmunguei me afastando, mas ainda assim pude ouvir sua pergunta soar atrás de mim em tom inocente e ainda assim debochado. “Ele não é?”
Entrei no carro já com um pedido de desculpas na ponta da língua, mas antes mesmo que eu pudesse dizer qualquer coisa Barry interrompeu-me dizendo que na verdade tinha achado tudo muito divertido, a brincadeira do meu pai, seu comentário veio com um “Ele estava brincando, certo?” Segurei meu riso diante sua expressão aflita e assenti respondendo que sim, ele tomou seu tempo para me observar mesmo no pequeno espaço do carro, seus olhos ficaram mais sérios quando disse que eu estava fantástica, ele usou essa palavra, fantástica, e não pude evitar me derreter em um sorriso de agradecimento. Ele me levou a um restaurante pomposo e eu não podia deixar de pensar que poderia ter ficado feliz apenas com algo estilo Fast food e ido para algum lugar tranquilo e isolado para conversarmos.
Mas então percebi que ele estava tentando me impressionar e achei adorável, e por um momento eu me distraí com sua conversa fácil. Nós tínhamos tanto em comum, livros, músicas, filmes e séries, entramos em uma pequena discursão sobre Batman Vs Superman, mas terminamos ela declarando que ambos os heróis são incríveis. A coisa era: Seriamos perfeito um para o outro, minha maior discursão com Barry seria HQ’s e poderíamos terminar com uma risada declarando um empate, a menor discursão que eu tenho com Oliver sempre se transforma em algo maior e ninguém dá o braço a torcer. Não havia como negar que Barry seria a escolha segura, quando Oliver sequer era uma escolha, mas mesmo entre risadas, mesmo entre um prato e outro, desde que eu entrei no restaurante, meus olhos iam e voltavam para o relógio em meu pulso.
— Felicity? – Escutei a voz de Barry me chamar, parecia que não havia sido a primeira vez e que eu havia perdido algo que ele havia dito.
— Desculpe. – Murmurei honesta. – Eu me distraí um pouco.
— Eu atrapalhei algo hoje? – Perguntou suavemente.
— O quê? Não. – Neguei apressadamente. – Você não atrapalhou nada.
— É só que você está conferindo seu relógio com bem mais frequência desde que pedimos a sobremesa. – Confessou. – Eu pensei que estávamos indo bem, mas você ficou um pouco dispersa.
— Desculpe. – Repeti. – Meu amigo... Roy ele ia ter sua primeira luta hoje. – Confessei.
— E você queria estar lá. – Deduziu.
— Sim, não. Não se trata disso. – Meneei a cabeça percebendo como eu soava. – Eu gosto de estar aqui com você, Barry. Eu fiquei sabendo dessa luta quando já havíamos marcado nosso... Encontro. – Expliquei.
— Você deveria ter me dito. – Murmurou dando de ombros. – É Roy e eu não quero que você deixe apoiar um amigo por minha causa. Eu não estou escondendo quais são minhas expectativas com esse encontro Felicity, mas quero que saiba que mesmo que elas sejam diferentes das suas, eu sempre vou querer ser seu amigo. – Murmurou sério. – Eu sei que você me vê apenas como um amigo, eu não tinha certeza até hoje, mas agora eu posso confirmar isso, e se você me quer apenas como um amigo, eu posso ser isso.
— Como? – Murmurei confusa.
— Como? – Repetiu a confusão dessa vez em sua expressão.
— Como você pode ter certeza? – Continuei. Ele sorriu, não seu sorriso habitual, um sorriso menor.
— Conversamos sobre tudo Felicity. – Ele explicou cauteloso. – Menos sobre você.
— Eu sinto muito, não foi minha intenção...
— Tudo bem. – Interrompeu-me. – Eu meio que já sabia que seria assim, eu apenas não poderia viver comigo mesmo se não tentasse.
— Barry... – Murmurei triste, eu havia me sabotado e sequer havia percebido, ele interrompeu-me com um gesto de mão e abriu seu habitual sorriso, mas ainda assim eu podia perceber que era forçado.
— Você acha que se sairmos agora, daria tempo de você assistir a luta de Roy? – Perguntou olhando para o relógio.
— Barry, não precisamos fazer isso...
— Conseguimos? – Repetiu insistente, pela última vez na noite eu dirigi meu olhar para o relógio.
— Não. – Soltei um suspiro descontente. A esta altura a luta de Roy havia acabado, e talvez até mesmo eu tenha perdido a de Oliver. – Mas talvez eu ainda possa pega-lo na academia e parabeniza-lo. – Falei dessa vez pensando apenas em Roy, eu não tinha certeza se ele havia ganhado, e eu havia desligado meu celular, temendo que Sara tentasse alguma desculpa para me tirar mais cedo.
— Então vamos. – Murmurou erguendo uma mão discretamente e pedindo a conta.
— Você tem certeza?
— Ele é importante para você. – Deu de ombros. Quando ele falou isso, eu assenti levemente, mas meus pensamentos embaralhavam-se enquanto eu me perguntava se ainda estávamos falando de Roy.
— Sim, ele é. – Murmurei fracamente. Sem mais nenhuma palavra pagamos a conta, houve uma ligeira discursão por que Barry não queria nenhuma contribuição minha e eu acabei cedendo quando ele resolveu colocar sua melhor cara de cachorrinho triste e murmurou em tom de pena que ele merecia isso, pelo menos isso. Quando finalmente desci do carro e perguntei se ele queria me acompanhar, ele hesitou um pouco antes de negar. Falou que nos veríamos no dia seguinte e que gostaria de saber o resultado das lutas, se Roy havia ganhado ou não.
Mesmo de fora eu poderia dizer que o movimento havia diminuído bastante, quando entrei havia uma dezena de pessoas dispersas e com o semblante carregado e Ray estava encostado no balcão o celular junto à orelha. Estranhando a atmosfera inquietante no ambiente e o fato de que não conseguia achar nem mesmo Sara por perto resolvi aborda-lo.
— Ray. – O chamei fazendo com que se voltasse para mim ainda mantendo o aparelho contra si.
— Olá. – Sorriu e ergueu um dedo pedindo um minuto. – Eu preciso desligar, Felicity já chegou. – Franzi o cenho estranhando o fato de ele me mencionar. – Ok, eu manterei ela por aqui. Não se preocupe. Sim, eu vou. Sara apenas me deixe falar com ela por que ela está me encarando assustada, não eu não estou dando um de mandão. Eu posso desligar? – Um sorriso brincou em seus lábios. – Venham em segurança.
— O que aconteceu? – Perguntei percebendo que eu realmente estava assustada. – Onde ela está, onde todo mundo está?
— No hospital. – Explicou fazendo meu coração vacilar uma batida. – A luta saiu do controle, ele não estava focado e seu oponente jogou um pouco sujo, se fosse algo oficial com certeza seria desclassificado...
— Mas ele está bem? Roy está bem? – Perguntei com pânico, sua primeira luta e algo assim acontecia, Deus ele havia ido ao hospital...
— Roy? – Repetiu meneando a cabeça. – Roy venceu. Foi Oliver, ele não só perdeu a luta como apanhou um bocado.
— Oliver? – Murmurei incrédula. O pânico aumentando consideravelmente. – Oliver está machucado? Onde... Em que hospital ele está?
— Ele não foi a um. – Negou. – Ele é teimoso demais e se limitou aos cuidados do médico da academia.
— Eu não entendo. – Murmurei. Nada do que ele dizia fazia muito sentido. – Você disse que eles estavam em um hospital.
— Sim. – Assentiu atrapalhado e culpa dominou seu rosto. – Desculpe Felicity, eu a estou assustando e confundindo mais ainda, dê-me um minuto para por tudo em ordem, ok? – Pediu recebendo um aceno afirmativo meu. – Muita coisa aconteceu, Roy ganhou sua primeira luta e estávamos todos muito animados, após mais alguns lutadores veio à luta de Al Sahim, a luta foi um caos desde o começo e Floyd acabou com ele, Oliver fraturou uma ou duas costelas, eu não sei dizer ao certo. Estávamos com ele quando Diggle recebeu um telefonema, sua esposa Lyla estava a caminho do hospital, ela entrou em trabalho de parto. Todo mundo entrou em pânico, especialmente Diggle. Sara pediu para que eu ficasse aqui e avisa-la, enquanto ela, Roy e seu pai foram com Diggle. Eu acho que foi apenas isso. – Soltou um suspiro aliviado. Eu meneei a cabeça enquanto processava tudo que ele havia me dito.
— Onde diabos está Oliver? – Perguntei impaciente. Ele franziu o cenho estranhando minha reação.
— Lá em cima, em seu quarto, ele queria ter ido, mas... – Não escutei mais o que ele disse, o deixei falando sozinho enquanto tomei meu caminho para o apartamento. Eu mal havia registrado o que ele havia dito após dizer que Oliver estava no quarto. Diminui meu ritmo apenas quando parei em frente à porta do quarto masculino e segurei minha respiração. Eu havia me apressado para encontra-lo, mas agora eu hesitava, ele estava machucado e eu devia ser a última pessoa que ele queria ver. Eu também havia entrado em seu quarto apenas no dia em que Sara havia nos trancado ali e nunca novamente, ele poderia não gostar dessa invasão. Decidi que após eu me certificar que ele estava bem, ele poderia me expulsar, mas não antes disso, então reunindo um pouco de coragem girei o trinco com o que percebi uma mão tremente e assimilei antes de tudo a escuridão que o envolvia.
Encontrei seu olhar contrariado iluminado fracamente pela luz do corredor. Eu estava certa, ele não me queria por perto agora.
— Ray me contou o que aconteceu. – Murmurei hesitante. – Como você se sente?
— Apenas vá embora. – Murmurou apertando sua mandíbula. Ignorei seu pedido e me aproximei mais, quando cheguei ao pé de sua cama notei que tinha o peito desnudo e uma bandagem envolvia a área machucada. Notei também alguns hematomas onde a faixa não tocava e que em cima de sua sobrancelha havia um curativo que cobria um corte. – Felicity, vá. – Repetiu.
— Você pode parar de agir como um bastardo durão por alguns segundos e me dizer o que doí? – Pedi tentando me manter calma e não passar a gritar com alguém que claramente precisa de descanso.
— Tudo. – Veio à resposta simples.
— O que aconteceu? – Perguntei sentando-me ao lado dos seus pés. Seu semblante se suavizou, um sorriso pequeno e sem humor brincando nos lábios machucados.
— Você sabe o que aconteceu. – Segurei minha respiração e não devolvi uma resposta ao seu comentário. – Eu me distraí. Não estava focado e ele se aproveitou. – Tentou dar de ombros, mas um gemido de dor veio com resposta, toquei seu joelho tentando tranquiliza-lo. – Ray sabe algo sobre Lyla?
— Ele me disse apenas que ela tinha ido ao hospital. – Murmurei culpada. Eu não havia ficado para escutar novidades sobre Lyla, eu não a conhecia, mas ainda assim me preocupava com sua gravidez de grande risco, principalmente por que eu conhecia Diggle e sabia o quanto ele estava preocupado, mas de alguma forma isso havia escapado completamente da minha cabeça.
— E seu encontro? – Ergui minha cabeça ao escutar a pergunta feita de forma brusca. – Como foi seu encontro? – Observei seu rosto por alguns minutos, estava sério, mas ainda assim não pude deixar de brincar com algo que veio em minha em mente. Ele estava com ciúmes. E a mera ideia fez com que um sorriso escapasse em meus lábios.
— Oliver Queen. – Murmurei em falso tom de repreensão. – Você não fraturou um par de costelas para ganhar minha atenção, hum? – Um brilho de humor resplandeceu em seus intensos olhos azul.
— Funcionou? – Perguntou finalmente liberando um sorriso.
— Eu estou aqui. – Dei de ombros respondendo sua pergunta. Ele não fez nenhum comentário após isso. Um silêncio constrangedor se seguiu, eu deveria me levantar e lhe desejar melhoras. – Você está tomando algo?
— Acabei de tomar algo para a dor. – Murmurou apontando para o copo no criado ao seu lado. Então com esforço se ajustou na cama deitando-se completamente. – Em poucos minutos eu vou apagar.
— Eu deveria ir. – Murmurei em tom baixo, entendendo sua deixa. – Deixa-lo descansar.
— Você deveria. – Assentiu.
Por alguns momentos apenas nos encaramos, deixando o silêncio nos envolver, inclinei minha cabeça observando seu rosto e lendo as emoções nele. Sem hesitar me ergui e caminhei até a porta do seu quarto, eu pude sentir a força do seu olhar quando a tranquei atrás de mim, envolvendo-nos na completa escuridão. Quando retornei para sua cama eu não pude mais ler sua expressão, nem me dei o trabalho de me explicar quando ergui seu lençol e me deitei ao seu lado tomando o cuidado de não machuca-lo, repousei minha mão levemente contra seu abdômen e encostei meu rosto em seu ombro, fechando meus olhos para que fosse impossível ele me ler mesmo na escuridão, se minha atitude o incomodou ou mesmo o surpreendeu, não escutei nada sobre. Tudo o que escutei foi quando momentos depois sua respiração se normalizou e eu pude concluir que ele havia dormido, eu poderia ter ido embora agora, mas não o fiz, tudo o que fiz foi erguer meu rosto para encarar seu rosto tranquilo antes de voltar a baixa-la, uma vez mais pensando nas palavras de Barry.
“Ele é importante para você.”
Sim. Ele é.
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