Redenção
5 Capítulo 04
Notas iniciais
– Pronta para ir? – Escutei Barry perguntar enquanto eu verificava uma última vez minha bolsa. Ergui minha cabeça encontrando seu sorriso e assenti o correspondendo. Barry vinha me deixando em casa todos os dias, na verdade ele me levava até a academia e esperava que eu entrasse, só quando ele tinha certeza que eu estava sem segurança que se afastava, eu sabia disso por que certa vez resolvi me arriscar a voltar para verificar e encontrei seu olhar reprovador, insistiu para que eu não saísse sozinha após ter entrando em casa, que às vezes ele poderia estar com pressa e não queria que nada acontecesse comigo, ele é um fofo, de todas as maneiras que uma pessoa podia ser, eu definitivamente sentiria sua falta quando eu tivesse que ir, embora eu ainda não tivesse uma data eu previa que seria logo.
– Ai estão vocês!! – Escutei a voz feminina falar empolgada, me surpreendi ao encarar Sara se aproximando.
– Já estamos fechando... – Barry falou em tom educado, mas ergui uma mão o interrompendo ao segurar seu casaco.
– Está tudo bem, ela é minha amiga. – Expliquei antes de voltar a encara-la. – Sara o que você está fazendo aqui?
– Vim te buscar. – Comentou como se isso não fosse algo que fosse me surpreender. Seu olhar se encontrou ao de Barry e ela sorriu deixando-o envergonhado. – Olá, eu sou Sara Lance.
– Barry Allen. – Respondeu. – Eu não sabia que Felicity ia sair hoje, eu teria a liberado mais cedo...
– Eu não ia. – Retruquei.
– Você é o ner... Rapaz que sempre a deixa em casa não é mesmo?- Sara perguntou me ignorando. Barry assentiu relutante. – Amanhã eu te devolvo ela Barry, hoje ela não vai para casa.
– Oh. – Barry exclamou surpreendido enquanto eu me limitava a encara-la confusa.
– Por que não? – Perguntei desconfiada.
– Eu te conto no caminho. – Veio à resposta curta. Encarei Barry brevemente que se despediu com um dar de ombros acompanhados de um sorriso, Sara, entretanto parecia bastante apressada, pois saiu me puxando enquanto se despedia de Barry. – Foi um prazer Barry, até qualquer outro dia!
– Sara o que está acontecendo? – Perguntei estranhando sua urgência. Seus passos apressados haviam me guiado até um taxi, eu esperava que ela falasse para onde íamos, mas ela se limitou a fazer perguntas sobre Barry, apenas quando descemos do taxi e passamos a andar mais alguns quarteirões resolvi questiona-la, ela estava me levando por lugares que eu desconhecia e isso sempre me deixava inquieta. – Para onde você está me levando?
– Eu queria te dizer...
– Mas?
– Mas eu acho que se eu te contar você não vai querer ir. – Confessou. Ao escutar isso forcei meu braço forçando-a a parar.
– Comece a falar. – Exigi. – Agora. – Sara emitiu um suspiro impaciente enquanto eu me limitava a cruzar os braços a aguardando.
– Ollie vai ter uma luta. – Falou por fim, incrédula descruzei os braços e vire-me na direção oposta. – Ei aonde você vai?
– Para casa. – Respondi. – Eu não gosto de lutas Sara, você sabe disso, por que você acha que eu iria querer ver uma luta de Oliver? – Perguntei sem me virar.
– Por que vocês estão se dando bem. – Respondeu prontamente, virei-me lançando um olhar descrente para ela. – Certo, bem é uma palavra forte no que diz vocês, mas vocês deram uma trégua desde aquela briga ridícula...
– Que aconteceu há dois dias. – Ergui uma sobrancelha.
– Não menospreze dois dias inteiros em que vocês não tentaram se matar. – Pediu. As coisas têm sido “tranquilas” desde o dia em que Sara nos trancou no quarto, mas eu suspeitava que tinha mais haver com o fato de que nós dois agora colocávamos toda nossa energia em nos evitarmos, eu era a culpada disso eu acho, desde minha pequena cena em que eu o ajudei a se livrar da garota vivíamos em constante estado de tensão, eu havia exagerado um pouco e Oliver nunca escondeu que ele transava com qualquer mulher, eu inclusive, eu sabia que o que o matinha longe de mim era o fato de ser filha de quem eu era e minha idade, ele vivia me chamando de pirralha, mas isso não impedia de ter dito que queria me foder assim que eu cheguei, nem seus olhares longos que mostravam está me despindo mentalmente, então o evitava, por que eu também o despia mentalmente quando ele já não estava praticamente despido e por que eu queria que ele cumprisse sua promessa e ignorasse quem era meu pai, mas dormir com Oliver era uma péssima ideia, seria quente, intenso e viciante, mas seria o maior erro que eu poderia cometer. – Vamos Felicity! – A voz de Sara me arrancou dos meus inquietantes pensamentos. – Vai ser divertido. – Prometeu.
– Para você. – Falei tentando convence-la. – Que adora esse mundo, eu odeio isso Sara, eu cresci odiando.
– Mas seu pai...
– Demorou muito tempo para aparecer. – Dei de ombros. – Confie em mim, você não vai me convencer a ir essa luta jogando meu pai na história.
– Então vou jogar Oliver...
– Acho que você tinha maiores chances com meu pai. – A provoquei.
– Você não assistiu a última luta. – Interveio. – Ele é nosso lutador, você está morando com ele agora, querendo ou não agora você faz parte da academia, é nós apoiamos nossos lutadores. Você vai a essa luta. – Seu tom mostrando-me que não ir não chegava a ser uma opção. Suspirei dando-me por vencida e caminhei até seu lado.
– Só hoje! – A adverti.
– Depois de hoje você não vai querer perder outra luta. – Murmurou com um sorriso enquanto enganchava seu braço ao meu.
– Vou tentar não tirar esse sorriso iludido do seu rosto. – Retruquei. – Por que uma luta nesse horário? – Perguntei estranhando. – Sempre é assim tão tarde? Oliver não participa de eventos profissionais ou algo do tipo? Essa parece mais uma luta clandestina.
– Por que é uma luta clandestina. – Respondeu em tom baixo.
– Como?
– Não fique surpresa Felicity. – Cutucou meu braço. – Acontece mais do que você imagina, essa luta foi arranjada de última hora, sim Oliver compete em eventos profissionais e legalizados, mas essa de hoje é uma forma de ganhar dinheiro mais rápido...
– Ele sempre se mete nisso? – Perguntei confusa. – Não pode trazer problemas?
– Ele não vai atrás dessas lutas, ele não as procura. – Explicou-me. – Oliver precisa manter seu perfil baixo, ele precisa se manter longe de encrencas, mas se alguém o desafia ele não recua...
– Típico dele. – Suspirei. – Bancar o macho alfa que não pode dizer não quando alguém o provoca. Quem o desafiou?
– Tommy Merlyn. – Sara falou. – É de uma academia rival, geralmente eles não se enfrentam assim, em lutas como essas...
– Clandestinas? – Perguntei sabendo que ela estava evitando a palavra.
– Isso. – Concordou. – Mas Tommy perdeu a última luta dele com Oliver e queria revanche.
– Eu ainda não cheguei a essa luta e já quero ir embora. – Falei impaciente. – Não estou bem um pouco a fim de ver esses dois machos lutando por nada mais do que seus egos inflados.
– Ainda bem que já chegamos e que você não poderá fugir. – Falou se aproximando de um armazém fechado, ela fez uma sequência de batidas no portão de metal.
– Sério? Isso é ridículo. – Comentei ganhando um olhar aborrecido dela. – O que vem agora? Vão pedir uma senha? – Antes que ela pudesse me repreender a portão foi erguido apenas o bastante para passarmos pela brecha, surpreendi-me ao passar por ela e encontrar-me com Roy. – Claro que você estaria aqui...
– É nosso lutador no ringue. – Deu de ombros.
– Eu pensei que teria mais gente. – Comentei observando apenas meia dúzia de pessoas no lugar.
– Essa não é a entrada oficial. – Roy explicou. – Não queríamos que você entrasse pelo outro lado, muita gente, um grande tumulto.
– Então todo mundo sabia que eu estaria aqui. – Soltei um pequeno riso irônico. – Exceto eu é claro.
– Precisamos ir. – Sara falou. – A luta é lá em baixo. – Murmurou enquanto saía em minha frente, eu já podia ouvir um pouco do barulho, mas era vago, uma voz masculina erguia sobre as demais, me concentrei em seguir Sara enquanto ela me dava instruções. – Essa é sua primeira luta certo? – Não chegou a esperar minha resposta. – Você já sabe que não é uma luta comum. – Revirei os olhos ao perceber que ela evitava vai uma vez à palavra que realmente descrevia esse tipo de luta. – Não há um controle Felicity, cada um aqui está por sua conta e risco, esse lugar lota então não se afaste da gente, mantenha-se sempre ao meu lado e de Roy. Sempre há festas após uma luta, mas alguns idiotas já vem bêbados, e quanto mais bêbados, mais difíceis de controlar, é quase certo que haja uma confusão ou outra. Oliver me mata se você acabar no meio de uma.
– Oliver vai estar ocupado demais em sua própria confusão para estar me vigiando. – Murmurei. Que ela achasse que Oliver se importaria comigo me surpreendia, mas refletindo melhor nenhum ali queria que a filha de Ra’s fosse pega em alguma encrenca enquanto estava com eles. – E se ele não queria que eu me visse presa em alguma briga que não me chamasse para suas lutas...
– Ele não sabe que você está aqui. – Confessou. Eu achei que não havia escutado direito, a principal razão era por que já havíamos decido as escadas e parado no último degrau, o barulho dominava todo o recinto, o local já estava quase lotado, todos muito agitados enquanto um homem que se movia de um lado para o outro no ringue e os animava. A iluminação era fraca, o local parecia que havia sido abandonado e alguém improvisou um local para a luta. Era necessário que eu me erguesse nas pontas do pé para vê-lo.
– Como é que é? – Ergui minha voz tentando me lembrar do que ela havia dito.
– Ollie não sabe que você está aqui. – Repetiu mais alto. Antes que eu pudesse dizer algo mais sua mão envolveu a minha arrastando-me até mais a frente, mas me mantendo longe do ringue, encostei-me a parede e lancei um olhar incrédulo a ela.
– Sara você me trouxe para assistir uma luta. – Falei. – Eu não vou ver nada daqui.
– Você não vai se aproximar mais do que isso. – Retrucou. – Quanto mais perto do ringue maior é o caos.
– Eu sou baixinha. – Protestei.
– O ringue é alto. – Retrucou.
– Aqui. – Roy falou se aproximando com uma caixa de madeira e colocando aos meus pés. – Eu acho que aguenta seu peso.
– Você não me chamou de gorda, chamou? – Ele me encarou com exaspero e apontou para a caixa, a empurrei até a parede e subi nela, não era tão alta, mas percebi a intenção de Roy quando ele se colocou em minha frente, apoiei minhas mãos em seus ombros percebendo sua postura protetora, a única razão da caixa era para que ele não bloqueasse minha visão quando ficasse em minha frente. – Quanto tempo até começar?
– Já vai começar. – Sara me respondeu. De fato quase simultaneamente ao momento em que ela falou percebi que as pessoas ficaram mais eufóricas, mantive-me agarrada aos ombros de Roy enquanto me concentrava no que o homem dizia, basicamente perguntava quão animados estavam e o quanto a energia ainda podia aumentar, quanto mais ele interagia com o público maior a resposta deles, franzi o cenho quando a multidão incentivada por ele começou a gritar uma só palavra, quando por fim todos já estavam impacientes.
– O que eles estão falando? – Perguntei para Sara ao meu lado.
– Estão chamando por Al Sahim. – Ela sorriu ao perceber que eu franzia o cenho em confusão. – Eles estão chamando por Oliver. – Tão logo ela falou isso Oliver apareceu levando todos a loucura apenas com sua presença, eu não conhecia seu adversário, não sabia o quanto forte ele era, mas dava para perceber que Oliver era o favorito, ele era adorado, e pelo o que e podia notar ele sequer se esforçava para isso, ele não sorria de volta, não tentava corresponder a seus gritos, nem devolver a energia deles, ele parecia aborrecido e com tédio, como se estivesse ansioso para acabar logo com isso, fixei-me tanto em observar Oliver que perdi o momento em que seu adversário foi chamado, minha atenção voltou-se para o moreno com curiosidade, ele era o oposto de Oliver, ele interagia com todos, seu sorriso estava sempre presente e era cheio de carisma, se eu fosse escolher um lado pelo mais encantador sem dúvida nenhuma estaria escolhendo Tommy Merlyn.
– Todos os lutadores tem que ser bonitos? – Perguntei a ninguém em particular.
– Não confraternize com o inimigo Smoak. – Roy retrucou.
– Não se preocupe. – Sara falou. – Definitivamente eu te entendo. – Piscou contente. — Merlyn é um colírio e tanto para os olhos.
– A luta já vai começar garotas. – Roy avisou, como se guiados por suas palavras o local ficou ainda mais barulhento, o odor de suor dominava o recinto, a expectativa estampada em cada rosto, meu corpo era empurrado cada vez mais contra a parede apesar dos esforços de Roy em me manter quase intocável, Sara parecia confortável no meio de tantas pessoas, esse era o seu lugar. Voltei a encarar Oliver que agora concentrava seu olhar única e exclusivamente em Tommy, o desafio presente no olhar de cada homem, eles recuaram apenas para cada qual tirar sua camisa deixando as garotas mais ousadas gritarem em resposta, eu tinha que admitir eu odiava toda a ideia do que estava acontecendo, mas estar no meio de tudo isso, talvez por estar cercada pela atmosfera... Era empolgante. Oliver se aproximou de Tommy para um rápido cumprimento, o moreno disse algo a ele, eu imaginava ser umas das provocações típicas desse tipo de evento, mas Oliver sorriu, como se compartilhasse de sua piada, voltaram a se afastar até o momento em que o apresentador fez o sinal liberando o começo da luta. Foi brutal, eu não esperava ver um Oliver assim, eu estou falando do homem com quem venho dividindo um apartamento por pouco mais de um mês, já tivemos nossas brigas e o provoquei inúmeras vezes, céus o chamei de prostituto da academia e o máximo que ele fez foi baixar sua voz e me provocar, em nenhum momento Oliver demostrou ser violento, mas agora... Agora ele era uma força da natureza.
Tommy sabia se defender muito bem também, ele estava dando sua cota de trabalho a Oliver, a cada soco desferido eu me encolhia enquanto todo mundo vibrava em resposta, era por isso que eu não servia para lugares assim, eu não compartilhava dessa alegria, dessa adrenalina. Quando Tommy assumiu toda a liderança dos golpes cheguei a temer por Oliver e apertei o ombro de Roy.
– Ele vai mata-lo. – Estremeci ao observar Oliver receber uma série de socos no estômago. – Eu não acredito que vocês me trouxeram para ver isso.
– É Oliver. – Roy falou. – Não passa de uma estratégia. – Concluiu. Eu estava prestes a perguntar o que exatamente significava isso quando Oliver bloqueou o golpe de Tommy e de repente tudo havia mudado, a multidão rugiu ao observar Oliver caindo em cima de seu adversário com renovada força, foi assim, eu um momento eu estava vendo Oliver sofrer inúmeros socos consecutivos e no outro Tommy Merlyn estava jogado no chão.
– O que... – Comecei incrédula. – O que aconteceu aqui?! — Roy não me escutou, um olhar rápido para Sara me disse que ela também não tinha escutado, ela assim como todos os outros gritavam por Al Sahim enquanto eu encarava incrédula a dois homens ajudarem a erguer Tommy e leva-lo dali enquanto Oliver recebia contido o cumprimento de alguns rapazes que invadiram o ringue.
– Temos que leva-la daqui. – Sara gritou por cima do barulho, eu esperava que uma vez acabada a luta acabasse toda a euforia lentamente fosse diminuindo, mas teve o efeito contrário, mesmo com a proteção de Roy eu sentia uma e outra cotovelada.
– Vocês não vão cumprimentar Oliver? – Perguntei inquieta.
– Com você aqui? – Roy se virou para mim, seu corpo sendo empurrado contra o meu. – Inferno, precisamos ir. – Assenti percebendo tardiamente que Sara e Roy podiam ter me trazido aqui, mas suas ações mostravam que este era o último lugar em que Oliver me queria, infelizmente para todos nós no momento em que senti as mãos de Roy segurarem minha cintura tirando-me do caixote eu ergui a cabeça e meu olhar encontrou apenas por alguns breves segundos com o de Oliver.
– Eu acho que Oliver me viu. – Avisei quando estava no chão, Roy olhou para trás querendo confirmar, mas sequer eu conseguia encontrar mais Oliver.
– Vamos. – Chamou-me. Sara tentou ir em nossa frente, mas a essa altura sequer a escada estava livre, segurei com mais firmeza o braço de Roy ao notar que estávamos praticamente empacados no lugar, o que me irritava, eu também queria ir embora, estava ansiosa, o local fedia, corpos suados me empurravam contra Roy, e todo o barulho estava deixando-me com dor de cabeça, eu estava ansiosa para ir embora, principalmente quando senti meu braço ser puxado forçando-me a me soltar de Roy com brusquidão, logo percebi quem era quando me deparei com um par de olhos azuis furiosos.
– O que ela está fazendo aqui? – Perguntou para Roy ainda mantendo-me junto a si. Sua aproximação fez com que muitos curiosos se afastassem. Roy o encarou inquieto e por um momento tive pena por ser alvo da fúria de Oliver.
– Fui eu que a trouxe Oliver. – Sara interveio.
– Você perdeu a cabeça? – Perguntou em tom duro. Eu havia visto Oliver lutando, e todo o momento ele havia sido impassível, seu rosto não havia mostrado nem mesmo uma leve irritação, ele estava apenas focado, mas agora seu rosto mostrava o quão furioso ele estava, mais do que isso, Oliver estava puto.
– Não seja um idiota com ela. – Falei focando-me em seu rosto. Seu olhar desceu até o meu avaliando-me atentamente. – Se está irritado brigue comigo.
– Eu já vou lidar com você princesa. – Murmurou antes de tomar a frente levando-me junto, à medida que ele andava as pessoas se afastava dando-lhe espaço, a curiosidade dominando cada rosto, ao que parecia essa não era uma atitude típica de Al Sahim, olhei para trás apenas para me certificar que Sara e Roy nos seguiam, eu estava determinada a protestar por ser arrastada escada acima como uma criança que foi pega aprontando, mas devido ao número de pessoas que nos seguiam com o olhar optei por me manter quieta até que ele parou em frente a porta de metal. – Vocês dois, levem-na para casa.
– Como é que é? – Perguntei descrente.
– Eles trazerem você aqui foi um erro, eles vão te levar para casa. – Falou em tom autoritário antes de encarar Sara. – E nós dois vamos conversar depois.
– Você dois não vão conversar. – Falei cutucando seu peito percebendo no momento em que o toquei que ainda seguia sem camisa. – Você vai parar de agir como macho alfa idiota e me dizer o que diabos há de errado em eu estar aqui! Por que pelo o que notei eu obviamente sou o problema, eu não vi você expulsando mais ninguém daqui.
– Este não é um lugar para você. – Falou entredentes.
– Você não vai começar com a história de princesa filha do papai novamente. – Falei sem paciência.
– Oliver. – Sara chamou sua atenção. – Eu só queria que ela se divertisse conosco.
– O que há de diversão para ela aqui? – Gritou, Sara não recuou se aproximou ainda mais dele o encarando sem nenhum receio.
– Eu sei que não é seguro, mas ela estava com Roy. – Argumentou.
– Eu estava a protegendo. – Roy assentiu.
– Eu não sou uma criança! – Reclamei. – Parem de falar como se eu não estivesse aqui.
– A ideia era trazê-la e depois íamos à festa...
– Não! – Oliver protestou sequer deixando que Sara continuasse. – Ela não vai à festa alguma.
– “Ela” pode falar por si só. – Falei puxando seu braço.
– Você não vai para porra de festa nenhuma! – Gritou. Dei um passo pra trás surpresa com sua explosão, eu honestamente não tinha atração nenhuma por essa festa, mas vê-lo querer tomar decisões por mim, me proibir de fazer algo fez com que visse vermelho.
– Quando? – Perguntei em tom baixo surpreendendo-me com minha própria calma. Ele me encarou incerto sobre o que eu falava. – Eu quero saber quando deixei que você tomasse decisões por mim, quando você virou meu pai, irmão ou namorado, qualquer coisa que o fez pensar que pode mandar em mim?
– Felicity... – Sibilou.
– O inferno que você vai dizer meu nome em tom condescendente e eu vou baixar a cabeça concordando com essa sua atitude machista. – Encarei Sara que encarava a nós dois com receio. – Você está pronta? Temos uma festa para ir.
[...]
– Você realmente fez isso. – Sara falou ao meu lado antes de me entregar mais uma garrafa de cerveja, eu honestamente não saberia dizer quantas eu já havia bebido. O som alto fazia com que ela tivesse que falar muito perto. – Você veio a uma festa só para irrita-lo. – Segui seu olhar encontrando-me com o de Oliver que me observava do outro lado, ele estava apoiado contra a parede seu olhar frio não abandonando o meu, estava de jeans e camisa regata branca, um pecado personificado em lutador machista. A festa acabou sendo como qualquer outra que eu tinha ido, mas eu podia afirmar que era bem mais pesada, eu andei muito pouco pela casa, mas já havia percebido que cada quarto tinha sua própria função, aqueles que estavam interessados em drogas tinham que andar até o final do corredor por exemplo.
– Não se trata de irrita-lo. – Neguei. – Trata-se dele agindo como se eu não pudesse falar por mim, Sara faltou muito pouco para ele bater no peito e me colocar sobre os ombros levando-me dali. Isso me irrita.
– Você está aqui por que quer? – Perguntou erguendo uma sobrancelha.
– Estou aqui para provar um ponto. – Respondi bebendo em seguida a cerveja. – Oliver não manda em mim.
– Era para ser divertido. – Resmungou. – Agora estamos encostadas a parede enquanto Oliver nos observa do outro lado.
– Então vamos sair dessa parede. – Falei com um sorriso.
– Você será minha morte. – Falou após um suspiro antes de me seguir, por um momento consegui me esquecer de Oliver, dançamos e bebemos ignorando sua presença, eu queria que ele apenas pegasse uma das diversas mulheres que exigiam sua atenção e saísse daqui, mas já que ele parecia determinado a me vigiar dei-lhe um pouco para assistir, diverti-me com Sara e em um determinado momento percebi que nunca tinha feito isso, sair com uma amiga, ir a uma festa, as festa que eu havia ido foi apenas para marcar presença e logo inventava uma desculpa para ir embora, apenas quando senti mãos masculinas circundando minha cintura percebi que havíamos chamado atenção demais, encarei surpresa Tommy Merlyn sorrir com malicia enquanto aproximava nossos corpos, recuei dando-me conta mesmo bêbada que sendo para irritar ou não Oliver eu não ficaria com o cara que há poucas horas ele tinha o levado ao chão.
– Não pode tocar. – Murmurei afastando suas mãos de mim.
– “Olhe, mas não toque”. – Murmurou com um sorriso. – A típica garota vitrine.
– Tommy!! – Sara sorriu, mas estava claro que o que ela queria era apenas desviar sua atenção. – Você não devia estar na cama chorando mais uma derrota?
– Você estará lá para me consolar? – A provocou.
– Isso não vai acontecer Merlyn. – Meneou a cabeça.
– E não posso pelo menos tentar com sua amiga? – Eu havia recuado após o interesse do moreno, mas estava claro que seu flerte era inofensivo, ele gostava de paquera, ele estava paquerando a mim e tão logo Sara chamou sua atenção ele mudou de alvo.
– Você pode recuar Merlyn. – Escutei a voz de Oliver falar em tom brusco.
– Alguém devia te ensinar a dividir Queen. – Tommy retrucou. – Duas mulheres lindas e você não me permite escolher nenhuma?
– Vocês dois acabaram de sair de uma luta. – Sara intercedeu. – Não vão começar outra. – Oliver assentiu ainda tenso e me encarou.
– Vamos embora Felicity.
– Pare. – Exigi. – Pare de me comunicar o que vamos fazer, não somos um só, se você quiser ir para casa vá, mas eu não vou apenas por que você acordou com o intuito de ser meu dono, você não é.
– Podemos fazer isso de dois jeitos. – Murmurou invadindo meu espaço pessoal. – Você vai comigo e conversamos, discutimos, o que você quiser quando chegarmos em casa, ou você continua sendo a princesinha petulante e eu assumo o papel de idiota brutamontes que a coloca no ombro, sua escolha princesa.
– Sequer você faria isso. – Retruquei levando a cerveja aos meus lábios, li o desafio em seus olhos antes que eu pudesse associar seu próximo movimento, eu um momento eu o encarava no outro encarava o chão, escutei o som de vidro se quebrando junto aos murmúrios e assovios de incentivo, Sara tentava intervir enquanto eu sentia todo o meu sangue ir para a cabeça, o desgraçado tinha me colocado nos ombros. – Coloque-me no chão seu idiota! – Segurei-me ao seu traseiro quando ele deu um passo em movimento. – Oliver não é engraçado!
– Eu te dei uma escolha. – Falou. – Você fez a escolha errada, agora lide com isso.
– Pare com isso seu bastardo. – Bati em sua bunda. – Coloque-me no chão.
– Felicity se você bater em minha bunda novamente, não fique surpresa se eu devolver o carinho. – Assimilei suas palavras muito tardiamente, minha mão já estava a meio caminho de desferir outra tapa em sua bunda, senti surpresa o leve tapa na minha própria bunda como resposta, parei inerte percebendo o pequeno show que proporcionávamos e mais do que isso, o idiota não só tinha batido em minha bunda, ele tinha deixado sua mão sobre ela mesmo após ter feito, eu estava tonta demais para protestar sobre qualquer outra coisa, todo o local estava girando-me eu me perguntava se eu realmente devia ter bebido tanto, principalmente quando escutei a voz masculina soar como viesse de um lugar longe.
– Você se importa de recuar e tirar a mão da bunda da minha filha? – Eu devia estar muito bêbada, por que essa voz era exatamente igual a do meu pai, idêntica. Para minha surpresa o homem contornou Oliver e ergueu minha cabeça com certa delicadeza, fitei o rosto masculino tentando foca-lo, quando finalmente o fiz meus olhos abriram-se com choque.
– Pai? – Perguntei antes de deixar minha cabeça cair contra as costas de Oliver e um zumbido dominar minha cabeça enquanto lentamente eu perdia a consciência.
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