Redenção

6 Capítulo 05


Notas iniciais
Sem notas hoje por que estou com pressa, mas depois falo direito com vocês!

POV OLIVER

Observei o rosto duro de Ra’s me observar com desconfiança do outro lado da sala, seus braços cruzados, costas apoiadas contra a parede, desviei meus olhos para a cama em que eu havia deitado Felicity, seu rosto sereno, perdendo o ar provocativo com que sempre me encarava. Tão logo senti que ela havia desmaiado mudei sua posição a colocando em meus braços, seu pai não gostou disso, me lançou um olhar irritado, mas me limitei e a encarar seu rosto dividido entre preocupação e diversão, a situação era no mínimo cômica, a cena era um pouco comprometedora para sermos encontrados por seu pai, ele tentou tira-la do meus braços, mas por algum motivo resisti, Sara aliviou o clima tendo em vista que estávamos sendo observados por todos na festa e se apressou a nos conduzir para fora, demorou alguns momentos para o taxi chegar, tempo que foi preenchido por puro silêncio, sendo interrompido uma vez ou outra por Sara. Ra’s respondia suas perguntas com respostas curtas e rápidas, seu olhar nunca desviando da garota em meus braços. Eu devia tê-la lhe entregado e me afastado, afinal se tratava de sua filha e ele meu chefe, essa batalha de olhares era inexplicável e sem sentido, então por que eu não apenas recuava?

— Deveríamos leva-la ao hospital? – Perguntei franzindo o cenho, fazia um longo tempo e ela ainda estava inconsciente.

— Ela está dormindo. – Ra’s se limitou a dizer. – Ela está bêbada. — Trinquei os dentes segurando-me para apenas assentir, ele se afastou da parede lentamente encarando-me com óbvia irritação. – Está tão bêbada que ficou inconsciente e acordará apenas na metade do dia com uma enorme ressaca.

— Então acho melhor deixarmos ela com sua privacidade, e não a observando dormir. – Comentei com certa ironia.

— O que ela estava fazendo lá Al Sahim? – Perguntou tenso. Ergui meu olhar surpreendendo-me com a forma que me chamou, ele me chamava assim quando eu estava preste a entrar em uma luta. Fora eu era Oliver, ou quando se tratava de algum assunto sério Sr. Queen. – Eu quero falar com o lutador, o que é responsável que premedita cada ação, golpe, aquele que calcula ação e consequência em questão de segundos antes de partir para cima de um adversário, aquele que sabe até que ponto pode ir, não o “garoto” de 30 anos, estúpido que levou minha filha para uma luta clandestina e não contente com isso deixou-a ir para uma festa desse nível. – Sua voz nunca mudou de tom, era contida e ainda assim sabia que não precisa se elevar para chamar a atenção de alguém, sabia que para impor algum respeito não era necessário nada mais do que encarar. – O que minha filha estava fazendo ali? – Voltei a olhar para Felicity, Sara antes de ir tinha ajudado a tirar suas botas e jaqueta, ela devia estar desconfortável em seus jeans, mas não seria eu que me ofereceria a tira-lo, não assim e não com seu pai por perto, suspirei antes de indicar com um pequeno aceno de cabeça para saímos dali e em seguida lhe dei as costas não esperando por sua resposta ou aprovação, quando chegamos a sala virei-me para encara-lo. – Então?

— Foi uma estupidez. – Admiti. Não havia sido minha estupidez, mas ele não precisava saber disso. – Não vai acontecer novamente.

— É claro que não. – Murmurou. – Isso por que você se manterá afastado dela, ela é muito jovem para você. – Abri meus olhos surpreso.

— Nós não...

— Não me importa se aconteceu ou se estava preste a acontecer, você se manterá longe de Felicity. – Falou em tom ríspido. – Você não é bom bastante para ela garoto, você tem muito com o que lidar até deixar alguém se aproximar, sua alma não é a mesma, você tem sangue em suas mãos – Senti-me enrijecer ao escutar suas palavras. – Eu me lembro muito bem do dia em que te encontrei, eu vi o potencial que você tinha para luta, sabia que você precisava de um novo rumo em sua vida, de uma fuga. Você é ágil, focado, forte e determinado, características ótimas em um lutador, mas nada que mostre que você seja bom para minha filha. Fique longe dela.

— Você trouxe-a para minha casa. – Retruquei com irritação. – Um pouco contraditório esse seu pedido. – Debochei. — Como devo fazer? Horários para usar a cozinha? Ou devo evitar minha própria casa até que ela esteja dormindo?

— A conduzi para cá por que pensei que você mostraria algum respeito pelo fato dela ser minha filha. – Deu de ombros sem se alterar. – Mas tão logo ela acordar a levarei para um novo apartamento. – Vi-me desconcertado com sua nova informação.

— Eu não tocarei em sua filha. – Falei mesmo sabendo que isso não havia saído com convicção mesmo para meus ouvidos, surpreendi-me por ter falado isso como se tentasse remover sua ideia, tê-la longe seria um favor para nós dois. Um sorriso sem humor veio ao seu rosto, como se soubesse o que estava em meus pensamentos.

— Eu admiro você Oliver. – Murmurou em tom sério. – Você passou por muita coisa, você não se deixou abater, como um verdadeiro lutador você superou seu adversário, eu tenho duas filhas e é certo que se eu tivesse um filho eu gostaria que fosse como você, mas mesmo um pai sabe quando seu filho não é bom o bastante para a filha de alguém, não por que você é mau, apenas por que devido a tudo o que você passou você não pode oferecer o que garotas como Felicity quer. – Inspirei buscando meu autocontrole, as coisas que ele dizia não eram menos do que eu mesmo pensava, mas ouvir de outra pessoa nunca era agradável. – Você pode oferecer diversão, alguns momentos de prazer e quem sabe ambos podem se iludir pensando que esses momentos divertidos possam ser algo mais, você pode protegê-la de tudo e todos, exceto de você mesmo, por que de todas as outras coisas que você possa dar, nelas não está seu coração.

— Eu não estou interessado em sua filha. – Falei entredentes.

— É por isso que a carregava e a apalpava? – Retrucou mordaz.

— Foi apenas uma festa. – Dei de ombros minimizando tudo. – Uma ideia infeliz, como você disse eu só posso oferecer diversão, e era isso que eu estava fazendo. – Dei-lhe as costas desprezando sua presença, mas voltei-me o encarando com dureza. – Deu-me uma oportunidade quando precisei e o agradeço por isso, o respeito como lutador que já foi e o mestre que ainda é, o admiro. – Ele assentiu escutando-me com atenção. – Mas não volte novamente a me dizer o que devo ou não fazer, no ringue sigo seus conselhos e instruções, fora dele não sou obrigado a isso, se quer que sua princesinha fique longe do grande e malvado ogro sugiro que faça você mesmo isso, mas se você conhece realmente Felicity sabe que ela não irá aceitar facilmente sair do castelo. – Voltei a lhe dar as costas dessa vez ignorando seu olhar descrente e aborrecido, tinha vontade de ver se ela seguia dormindo, mas não daria algo mais a que ele falar, segui até meu quarto e fechei a porta com cautela, negando-me a batê-la com a força que eu queria, expressando meu humor por dentro, eu não queria que ele soubesse o quanto tinha me deixado aborrecido suas exigências.

POV FELICITY

Abri lentamente os olhos apenas para fecha-los de imediato ao deparar com o brilho dos raios de solares que quase me cegaram, enquanto os mantive fechados fiz um rápido e eficaz inventário das consequências da bebedeira de ontem. Minha boca estava seca e eu tinha a sensação que havia engolido algum trapo velho, minha cabeça latejava o ritmo insistente da minha pulsação provocava dores agudas nas laterais da minha cabeça, eu estava vestida o que faria me ajoelhar em agradecimento se eu já não estivesse deitada, um dos maiores medos de uma garota é ficar tão bêbada que acaba por acordar em um lugar desconhecido, na cama de um desconhecido, nua ao lado desse desconhecido. Nua eu não estava, para ter certeza que eu estava na minha cama eu precisava voltar a abrir os olhos, e enfrentar a maldita luz do dia. A partir de hoje farei uma pequena anotação “Nunca beber por que está irritada com Oliver” não valia a pena se não seria ao lado dele que ia acordar. Abri os olhos surpresa com meu próprio pensamento e resistindo a vontade de fecha-los, Oliver estava me enlouquecendo, eu não devia estar pensando essas coisas sobre ele, não importava o quanto atraente eu o achava ele era um porco com as mulheres, não seria diferente comigo, então qualquer pensamento sobre estar em sua cama deveria sumir.

Contemplei meu quarto e agradeci mais uma vez por estar em casa, ergui-me com a intenção de ir ao banheiro e escovar os dentes, não tinha ideia de que horas era, mas eu precisava urgentemente me livrar do gosto amargo em minha boca, acabei pegando minha toalha e separando algumas roupas para me trocar e tomar um banho completo, eu daria qualquer coisa para me sentir mais humana, e um banho soava genial, franzi o cenho quando me lembrei vagamente do rosto do poderoso Ra’s me encarando, mas com toda certeza essas imagens turvas se davam a algum sonho, não era possível que dentre todos os momentos em que ele pudesse aparecer seria justo quando eu estava pendurada nos ombros de Oliver.

— Oh não. – Murmurei levando uma mão a cabeça e lembrando-me que aquele imbecil realmente tinha me posto nos ombros e me carregado como o homem das cavernas que era. – Estúpido! – Exclamei em tom baixo e percebendo a rouquidão na minha voz. Andei em passos trôpegos até o banheiro no meu quarto, antes de entrar concentrei-me nos barulhos da casa, na verdade no silêncio que a dominava, as paredes eram finas Oliver não podia espirrar (Sem falar nos outros barulhos que ele fazia quando estava com uma de suas garotas) sem que eu soubesse que ele estava em casa, então era quase certo que eu estava sozinha. Menos mal, eu não estava ansiosa para encara-lo. O certo é que provavelmente iriamos protagonizar mais uma de nossas brigas se eu o visse agora.

Tomei meu banho sentindo cada vez mais meu humor melhorar à medida que a água descia por minha pele. Assim que saí do banheiro escutei uma porta se abrir e fechar, Oliver devia ter chegado, vesti-me e penteei meus cabelos deixando-os secar livremente, resolvi não ficar trancada no quarto, eu sabia por experiência que não dava para evita-lo por muito tempo, entretanto no instante que pisei no corredor e fechei a porta do meu quarto atrás de mim observei incrédula o rosto familiar do meu pai me observando da sala, pisquei tentando assimilar o fato de que ele realmente estava aqui, o que significava que ontem ele realmente esteve na festa.

— Felicity. – Murmurou dando um passo em minha direção, mas antes que pudesse dizer algo mais me virei pegando seu olhar surpreso enquanto o fazia e com passos rápidos entrei no banheiro do fim do corredor me trancando nele.

— Mas que merda... – Ergui meu olhar encontrando-me com o de Oliver que segurava com firmeza sua toalha dando-me a breve impressão que ele estava se despindo quando eu entrei e a enrolou as pressas. — Felicity!

— Psiu! – Exigi levando um dedo aos meus lábios e encostei-me pesadamente a porta. – Eu tenho a impressão de que vi meu pai.

— Você tem a impressão? – Perguntou abandonando o ar aborrecido e o substituindo por divertido.

— Eu ainda posso estar bêbada não posso? – Perguntei com esperança.

— Ele te viu entrando aqui? – Perguntou em tom baixo quase inaudível. Ergui uma sobrancelha percebendo que Oliver tentava ocultar sua presença no banheiro comigo. Antes que eu pudesse fazer alguma brincadeira sarcástica sobre seu medo de um pai furioso senti a porta estremecer com as batidas fortes, fazendo com que eu me virasse e a encarasse.

— Felicity abra essa porta. – Exigiu. Suspirei com seu tom autoritário e balancei a cabeça em negativa como se ele realmente estivesse me vendo. – Agora Felicity. – Bufei irritada e passei por Oliver que se mantinha em silêncio me observando agora com pura irritação, eu sabia o que ele estava pensando do momento em que entrei na banheira e me sentei apoiando minha cabeça fingindo estar relaxada, na cabeça de Oliver eu era a criança mimada que se se escondia do pai, mas nesse momento Oliver e suas opiniões sobre minha infantilidade podiam muito bem se foder. – Felicity. – Escutei o chamado novamente. – Precisamos conversar e me nego a fazer isso com uma porta entre nós dois como se tivesse quinze anos novamente, eu estarei na sala, recomponha-se e conversaremos. — Resisti à vontade de rir quando escutei passos pesados se afastando, eu o conhecia bem, ele movia-se quase furtivamente, tal como Oliver apesar do tamanho, ambos sempre me surpreendiam quando se aproximavam. Essa sua saída dramática foi apenas para me fazer ciente que realmente estaria me esperando.

—Não vai sair? – Oliver perguntou ainda mantendo o tom de voz muito baixo.

— Não. – Neguei de pronto o surpreendendo.

— Assim pensa em ficar sentada na banheira emburrada e ganha-lo pelo cansaço. – Perguntou cruzando os braços, o ato teve o poder de desviar minha atenção por um breve momento do fato de que meu pai estava me aguardando como se aguarda que uma criança pare de fazer cena e foquei no que significava Oliver estar apenas de toalha em minha frente, calor por todas as partes, percorrendo todo o meu corpo e lembrando-me que eu não era uma criança, isso era o que significava. – Princesa? – Pisquei aturdida notando que faltou pouco para estar visivelmente babando. – Gosta do que ver? – Perguntou com um sorriso nada modesto.

— Você gosta de ser observado? – Retruquei erguendo uma sobrancelha. Deu de ombros como se tanto fizesse que uma garota o observasse como um cachorro olhando seu tão precioso pedaço de carne. Mas por mais que Oliver tentasse soar indiferente eu podia perceber que no momento em que fixei minha atenção em seu corpo ele ficou tenso, seus olhos os traíam, a intensidade com que me fitava o fazia.

— Por que se esconde? – Perguntou tentando banir a atmosfera que havia assumido. – Pensei que estava ansiosa por sua chegada para assim poder ir embora.

— Nunca estou pronta por sua chegada. – Dei de ombros. – E ele podia ter ligado antes. Ele gosta de fazer isso surpreender-me com a guarda baixa.

— É seu pai. Deveria estar feliz por vê-lo. –Observou taciturno.

— Não perderei meu tempo explicando minha relação com ele. – Respondi bruscamente.

— Não me importa sua relação com ele. – Balançou a cabeça em negativa. – Nem um pouco, o que me importa é o fato de ter vocês dois no meu cangote trazendo suas birras de família.

— Eu não estou em seu cangote Oliver. – Sorri apenas para provoca-lo. – Mas tenho certeza que você adoraria que eu estivesse. – Por um momento pensei que fosse me responder rudemente, algo como “Já disse que não me interessa mais”, mas talvez por perceber que eu não estava tão calma quanto queria aparentar e apenas buscava provoca-lo para me distrair ele relaxou.

— Algo me diz que você saberia fazer algum estrago princesa. – Murmurou encostando-se a pia.

— Algo? – Perguntei com curiosidade.

— Algo. – Acenou afirmativamente. – Você beijando meu peito, se aproveitando de mim. – Sorriu.

— Eu me aproveitando de você? – Perguntei segurando o riso. – O pobre e indefeso Oliver? Você me beijou. – Acusei.

— Não foi mais de uma carícia. – Seus olhos acenderam-se. – Não pode chamar aquilo de beijo, se o fizer alguém andou sendo beijada da maneira errada.

— Qual é a maneira certa? – Perguntei com certo atrevimento erguendo minha cabeça, eu não deveria está levando essa conversa a frente, apenas brigando chegamos sempre ao estado de combustão o que acontece quando nos provocamos e flertamos?

— Eu não acho que você queira que eu demonstre. – Murmurou voltando a perceber a tensão no banheiro, encarou-me longamente antes de desviar o olhar sentindo a necessidade de amenizar e mudar o foco. — Quando você acha que poderei terminar meu banho? – Perguntou-me ainda encostado a pia. Observei seu tórax desnudo, a toalha enrolada em sua cintura, os braços estavam cruzados e me encarava com certa diversão. Encostei minha cabeça na borda da banheira mostrando uma tranquilidade que não existia, entrar no banheiro quando Oliver estava lá, a única coisa impedindo-me de ver seu corpo completamente nu era essa maldita toalha que recebia constantes ondas de pensamentos vindas de mim, eu repetia uma e outra vez "caia", o pensamento me excitava e envergonhava ao mesmo tempo, no que ele havia me transformado?

— Você não teria que ter começado para poder terminar? — Perguntei cruzando meus tornozelos na extremidade e falsa atitude despreocupada, deixando amostra meus tênis. Ele me enviou um olhar carregado de desaprovação. — Não seja rabugento Oliver, você pode sair do banheiro quando quiser.

— E bater logo de frente com seu pai? — Perguntou incrédulo. Dei de ombros. — Você sabe que ele é chamado de cabeça de demônio?

— Não é um apelido muito charmoso. — Sorri.

— Felicity é seu pai. — Repetiu se separando do balcão o tom voltado a ficar impaciente. — Você precisa sair e falar com ele, não ficar escondida aqui, saia. — Apontou para a porta. — Nem que seja para dizer que não quer conversar.

— Relaxe campeão. — Falei me erguendo. — Eu conheço o poderoso Ra's. Ele logo vai sair, nesse momento está sentado olhando para o relógio, se eu não sair depois de um tempo tudo o que ele vai fazer é se levantar, voltar até aqui e murmurar algo do tipo "Voltarei quando decidir ser racional" e irá embora. — Saí da banheira e parei em sua frente, ele me encarou percebendo nossa proximidade e seu olhar deslizou pelo meu rosto descendo pelo meu corpo. — Então irei embora e você poderá tomar seu banho. Sozinho. — Acrescentei voltando a fixar meu olhar em seu torso. Prendi minha respiração enquanto em um gesto impulsivo ergui minha mão e toquei com as pontas dos dedos seu abdômen tonificado, me surpreendi com o fato de tê-lo tocado. Era apenas uns desses pensamentos pecaminosos quando você vê algo que deseja e seus dedos coçam para tocar, geralmente conseguíamos controlar nossos impulsos, a gente freia a necessidade, esconde e ignora, mas não nesse caso, não só o toquei como não parei ai, deslizei meus dedos por sua pele contornando os músculo. Escutei o suspiro masculino e ergui minha cabeça surpresa com a velocidade com que a atmosfera tinha voltado à pura tensão sexual, seus olhos estavam fixos em meus lábios, não pude evitar encarar os seus e pensar em como seria seu beijo. Ele tinha razão o que havia me dado no outro dia mal poderia ser considerado um, morria de vontade de perguntar mesmo assim por que ele havia dado, mas sempre segurei minha língua, estava determinada a ter uma convivência pelo menos razoável com ele, mas fica difícil quando uma vez e outra eu voltava a pensar nele desta maneira. Oliver deveria ser incrível beijando, seus lábios eram um convite para um beijo, o problema era que eu tinha certeza de que quem recebia seus beijos nunca ficavam apenas no beijo, o beijo era apenas uma promessa de tudo o mais que vinha depois, um beijo de Oliver era um claro convite ao sexo. Mas para mim significaria mais do que isso, por que um beijo de Oliver e tudo o que teria depois significava um grande e chamativo erro.

— Acho melhor pararmos por aqui princesa. — Aconselhou-me, eu teria seguido seu conselho, teria se não tivesse percebido o timbre rouco em sua voz, nem lido o desejo presente em seus olhos azuis, se não tivesse percebido que por mais que tivesse dito isso todo o seu corpo estava tenso, dominado pela expectativa e excitação.

— Melhor para quem? — Perguntei deslizando minha mão para cima, acariciando seu peito e chegando a seu ombro.

— Felicity. — Lá estava o tom rouco novamente, me fascinando. — Isso é um erro. – Murmurou como se fosse capaz de ler meus pensamentos.

— Eu sei. — Murmurei antes levar minhas duas mãos ao seu pescoço e me erguer nas pontas dos pés. — Eu sei. – Repeti. Um grande e chamativo erro, mas que eu não conseguia, nem podia evitar cometer. Foi inevitável diminuir a distância dos nossos rostos e por fim unir meus lábios aos seus. Eu imaginava que Oliver deveria ser incrível beijando, mas nada havia me preparado para o que veio. Sua boca tomava a minha como se fosse sua propriedade, como se fosse sua. O beijo de Oliver era mais do que dois lábios movendo-se em sincronia, envolvia todo o corpo, por mais que ele tivesse murmurado que deveríamos parar isso não o impediu enlaçar minha cintura e me puxar contra si tão firmemente que era impossível não sentir o quão duro estava, gemi ao perceber que uma breve conversa comigo o colocou a cem. Seus lábios eram exigentes, saqueava minha boca com urgência e ainda assim com destreza, seu beijo era fogo que queimava lentamente toda a longitude do meu corpo. Soltei um pequeno ofego quando com um ligeiro movimento seu trocamos de posição, já não era ele que estava encostado a bancada da pia, seu corpo estava completamente encostado ao meu pressionando-me contra ela, demorou um, dois, talvez três segundos a que suas mãos envolvessem meu quadril apertando com força masculina e seu nariz afundasse em meu pescoço, inclinei minha cabeça dando-lhe livre acesso e apoiei minhas mãos em seus ombros largos enquanto levantava-me contra a bancada, suas mãos deslizaram pela parte superior das minhas coxas e rapidamente as separou colocando-se entre elas. Ele sim fazia estragos em meu pescoço, beijos quentes e molhados eram distribuídos desde a lateral do meu pescoço e descia até o alto dos meus seios encontrando o tecido da blusa, mãos inquietas movia-se apressadas para erguer a barra e tira-la rapidamente, engoli um novo gemido quando após erguer meus braços o ajudando sua boca voltou a atacar meu seio direito, os dentes puxando a carne junto com o tecido do sutiã, eu não era mais dona dos meus pensamentos, sequer era dona do meu corpo. Minhas mãos agiam por si só, travessas desciam de seus ombros por suas costas e deslizando por dentro do tecido macio da toalha segurando o traseiro masculino e arrancando um gemido rouco que me fez sorrir sentindo-me poderosa, voltei a subir apenas alguns poucos centímetros deslizando as postas dos meus dedos pela pele e contornando quase com reverência o tecido da toalha, enganchei meus dedos e com um breve puxar tive a felicidade de encontrar-me nos braços de um Oliver totalmente nu.

— Ops! – Murmurei com um sorriso, Oliver recuou afastando-se muito pouco do meu corpo, elevou sua cabeça voltando a me encarar com seriedade e luxúria, seus olhos fixaram-se na toalha em minha mão, eles me diziam que a partir daqui não havia mais uma maneira de retornar, deslizei meu olhar muito lentamente pelo o corpo masculino admirei seus ombros largos , seu peito firme, seu abdome esculpido e o “V” que me direcionava até sua potente ereção, engoli a saliva como se tivesse em uma loja de doce enquanto encarava essa sua parte masculina e então sua coxas másculas, o homem era perfeito, feito para o sexo e prazer, isso dizia seu corpo, mas havia mais ali? Eu queria descobrir? Sua espera mostrava que o próximo passo era meu, ele iria até onde eu pudesse ir, ambos respirávamos com dificuldade, seus olhos estavam presos aos meus esperando minha reação, o que eu faria. Iria me acovardar agora que o próximo passo era óbvio ou iria me render ao que havia entre nós dois? Deixei a toalha branca cair no chão em um movimento deliberadamente lento e provocativo, eu estava me rendendo.

Suas pupilas dilataram tornando seu olhar mais escuro e pecaminoso, sua boca voltou a descer sobre a minha, sua língua voltando a deslizar até encontra a minha, suas mãos pressionavam mais uma vez minha coxas puxando-me com firmeza ao seu encontro, enredei meus dedos em seu cabelo enquanto dava tudo de mim nesse beijo, inferno Oliver era um perito beijando.

— Hora do show princesa. – Murmurou contra meus lábios levando sua mão até o botão da minha calça jeans, eu estava mais do que feliz em ajuda-lo no processo, mas tão logo ele abriu a calça e deslizou sua mão por cima da calcinha tocando-me intimamente escutei surpresa e contrariada novas pancadas na porta.

— Inferno. – Praguejei ao sentir o ar frio que substituía o lugar onde o corpo de Oliver me pressionava antes, encarei a porta com aborrecimento enquanto Oliver exibia incredulidade em seu olhar, pegou sua toalha e vestiu com rapidez incrível.

— Felicity eu não tenho tempo para isso. – Escutei ainda sem chão meu pai falar. – Vou descer e ver como anda a academia desde que me afastei, quando decidir ser racional converse comigo. – Dessa vez não escutei passos pesados, ele não estaria mais me esperando na sala, eu já poderia ir se quisesse, desloquei meu olhar da porta até Oliver, não havia mais calor em seus olhos, a prudência já havia voltado.

— Você já pode ir. – Oliver murmurou em tom mortalmente frio.

— Oliver...

— Não. – Sussurrou em tom cortante. – Você não percebe o que eu estava prestes a fazer aqui princesa? – Não esperou minha resposta. – Eu ia fazer justo como havia dito antes, ia te foder duro...

— Forte e sem consequências. – O interrompi também assumindo frieza em meu tom, vi que o surpreendi ao citar sua frase tosca, mas que tinha me deixado com a respiração suspensa. Ele trincou os dentes e voltou a se aproximar seu rosto ficando a poucos centímetros do meu.

— Exato. – Continuou em tom brusco. – Ia a possuir bem em cima dessa bancada, meus beijos ia amortecer seus gritos quando eu penetrasse e a levasse ao ponto de ruptura, você gritaria meu nome uma e outra vez implorando para que eu continuasse. – Recuei notando que ele detalhava tudo apenas com o intuito de me irritar, mas do que isso parecia querer me machucar. Seus olhos desceram pelo meu pescoço fixando na marca vermelha que ele tinha feito justo em cima da borda do sutiã. – Eu a foderia sem compromisso e você ia implorar por uma segunda vez enquanto seu pai a esperava na sala. — Fechei minha mão segurando o impulso que gritava para apenas soca-lo.

— Eu sabia que isso seria um erro. – Murmurei quase sem perceber, seus olhos me encaram altivos.

— Se você sabia que é um erro por que não me parou? Por que você não parou? — Perguntou-me sem paciência, o timbre rouco de sua voz dominado pela fúria.

— Por que seu beijo é viciante. — Murmurei honesta. — Não há como começa-lo sem esperar por tudo que vem junto. Eu não estou falando do pacote completo de abraços e carinhos, é bem óbvio que você não é assim. – Murmurei como uma ofensa. — Estou falando de sexo. Carnal, intenso e altamente viciante.

— Então você me beijou desejando todo o resto. — Perguntou em tom baixo e surpreso, surpreso por saber que eu realmente estava ciente de que iriamos até o fim, que eu queria levar até o fim.
—Por um momento sim. – Suspirei arrependida de ter me deixado levar pela a forte atração que sentíamos um pelo outro. Por ter me colocado na situação em que quase transava com Oliver e em seguida escutava sua rejeição acompanhada de censura. — Mas isso não vai voltar a acontecer. – Prometi antes de pegar minha blusa que estava abandonada no chão do banheiro e lhe lançar um último olhar. – Está na hora de sua ducha fria campeão. — Deslizei meu olhar deliberadamente para baixo. – Você está precisando. – Fingi um sorriso. – Eu poderia dar uma mão, mas não queremos voltar a esquentar as coisas novamente não é mesmo?

— Apenas saia daqui princesa. – Murmurou entre dentes.

— É Felicity. – O corrigi. – Não volte a me chamar assim novamente, eu não sou sua para colocar apelidos, não sou sua amiga nem sua companheira de foda, apenas sou sua inquilina relutante. – Ergui meu queixo notando que ele claramente tentava se conter perante meu tom duro. – O que me faz lembrar: Não volte a agir como ontem, eu não sou sua. – Repeti. – Vive implicando que não passo de uma criança mimada, mas eu acho que apesar de todas as suas transas fáceis você não consegue lidar com uma mulher de verdade. – Murmurei antes de sair deixando-o perplexo e com o brilho de algo mais em seus olhos, não me importava, desde já eu estava decidida a enterrar a atração que eu sentia por Oliver Queen, eu não voltaria a cometer o mesmo erro novamente, eu não voltaria a deixar-me levar por essa atração, eu a sufocaria. Afinal cometer um erro era humano, repeti-lo era estupidez, e eu não me considerava uma garota estúpida.

Notas finais
Espero que tenham gostado, aguardo vocês nos comentários... Xoxo Lelahballu.