Redenção

3 Capítulo 02


Notas iniciais
Bom dia!! Advinha quem finalmente virou regular?!! Demorou um pouco, mas Redenção ficará no lugar de Fuckin' Perfect e será atualizada com maior frequência do que antes, apesar de estar postando hoje devo alertar que sua deu dia de atualização será na sexta, obrigada pelo interesse de vocês que incentivaram a continuar com a fic, e um agradecimento em especial a Luna_lovegood por ter feito a primeira recomendação da fic, obrigada flor, capítulo dedicado a você!

POV FELICTY

Acordei mais cedo do que o costume, pelo menos cedo para um dia em que eu tecnicamente tinha absolutamente nada para fazer, em NY praticamente não havia um dia em que eu não tivesse que acordar cedo devido a faculdade e estágio, agora eu poderia passar o dia na cama apenas curtindo fazer... Nada, mas eu sempre fui uma pessoa muito ativa, então resolvi me levantar em procurar um emprego, algo que ocupasse meu tempo enquanto tinha que ficar na cidade. Já estava pronta as 07:30 da manhã enquanto tomava meu café da manhã, e foi no exato momento em que eu saia da cozinha que a loira passou desfilando exibindo seu perfeito corpo e vestindo sua blusa com Oliver atrás de si, nem um dos dois me viu, Oliver abriu a porta para que ela saísse e parecia extremamente ansioso para que ela fizesse exatamente isso.

– Quando poderemos no ver novamente Ollie? – Perguntou em tom excessivamente doce.

– Você sabe que eu não repito o mesmo sabor. Nunca. – Respondeu. Eu teria pena da garota se ela não tivesse roçando seus volumosos seios em seu braço praticamente implorando por sua atenção. Oliver era rude, completamente grosseiro, ele não escondia que queria apenas levar as garotas para cama e esquece-la no dia seguinte.

– Você não quer continuar de onde paramos? – Perguntou com malícia.

– Eu estou satisfeito, obrigado. – Ergui uma sobrancelha observando ela fazer biquinho com sua resposta curta. – Você precisa ir. – Ela exibiu um olhar de raiva, mas controlou-se colocando-se nas pontas dos pés e o beijando, o engolindo deveria a forma apropriada de dizer, quando finalmente separou-se dele exibiu um sorriso orgulhosa de si e piscou.

– Caso mude de ideia sabe onde me encontrar. – Murmurou antes de dar as costas. Oliver fechou a porta com um suspiro de alívio e parou surpreso quando se virou e me encontrou em pleno gesto de vômito com a cena que tinha visto.

– Você gosta de assistir? – Perguntou erguendo uma sobrancelha.

– Uma colega do sexo feminino se rebaixando dessa forma por atenção? – O encarei. – Não, obrigada.

– Por que você está vestida assim? – Perguntou notando que eu estava de jeans, blusa básica e casaco.

– Por que você não está vestido? – Retruquei fazendo menção ao fato dele estar de cueca preta, nada mais. Eu estava tentando ignorar isso desde o momento em que ele apareceu atrás da senhorita peituda e eu pude notar a firmeza do traseiro masculino, neste momento eu me concentrava em manter meus olhos ao nível dos seus, se eu descesse um pouco sequer tenho certeza que não conseguiria terminar essa conversa de forma coerente. – Eu não sabia que o uso de roupas era opcional.

– Por quê? Isso quer dizer que você vai tirar as suas? – Perguntou cruzando os braços o que tornou muito difícil meu esforço não prestar atenção em seu peito perfeitamente esculpido. – Eu não me importaria. Eu consideraria um ótimo presente de aniversário.

– Boa tentativa. – Acenei. – Mas acredito que você já recebeu seu presente hoje.

– Quanto mais, melhor. – Deu de ombros.

– Guarde um pouco de suas energias campeão. – Pisquei. – Pelo o que pude perceber a Barbie ali é apenas uma de muitas não é mesmo?

– Já conhece a história. – Sorriu. – Até que a apareça à senhorita perfeita que vai roubar meu coração... – Zombou. — Está a fim de se candidatar? – Provocou-me. – Fingi um suspiro de pesar e caminhei até seu lado.

– Não posso. – Comentei ainda fingindo tristeza. – Eu não sou perfeita. – Falei antes de dar as costas a ele. – Até mais campeão.

– Aonde você vai? –Encarou-me inquieto.

– Andar. – Falei antes ainda com a porta aberta. – Não se preocupe, providenciei uma chave ontem mesmo. – Falei finalmente fechando a porta.

Desci as escadas tirando a imagem de seu corpo perfeitamente esculpido da minha mente, eu tinha que fazer com que ele não fizesse disso um hábito. A primeira pessoa com quem me deparei quando desci foi Sara que conversava com um rapaz, fiquei em dúvida se eu os interrompia para cumprimenta-los ou apenas dava um aceno ao passar, minha dúvida foi tirada pela própria Sara que me encarou e acenou para que eu me aproximasse.

– Bom dia. – Falei quando me aproximei.

– Olá Felicity. – Sorriu me cumprimentando, então apontou para o rapaz ao seu lado. – Este é Roy, um dos novos lutadores, Diggle está tentando convencer Oliver de ser seu mentor.

– Boa sorte com isso. – Murmurei, em apenas um dia eu havia entendido que Oliver não se envolvia com pessoas, a não ser que exista um par de seios volumosos no assunto. – Olá Roy. – Ele emitiu um cumprimento silencioso e julguei que devia termos a mesma idade ou próximo.

– Eu estava curiosa para saber como foi seu primeiro dia. – Sara falou.

– Bem, acho que você quer saber se eu não escondi o corpo de Oliver em algum lugar do apartamento. – Brinquei.

– Exato.

– Eu acho que apesar da óbvia diferença de personalidades e ele ser completamente irritante... Não foi tão ruim, ele ainda respira. – Ela riu.

– Vamos ver por quanto tempo. – Comentou. – Você está de saída?

– Preciso encontrar um emprego. – Confessei. – Ficar trancada em um apartamento não faz parte do meu modo de agir, mesmo Oliver achando isso.

– Ele vai parar com isso. – Falou cruzando os braços.

– Eu não acho que vá. – Dei de ombros. – Vou ver se encontro algum lugar precisando de ajudante, eu não sei, vou sair por ai oferecendo minhas habilidades que não envolvam danças no colo de alguém, ou tirar a roupa.

– Eu conheço um lugar onde estão precisando de ajuda. – Roy falou chamando minha atenção.

– Sério? – Sara perguntou com um sorriso brilhante. – Isso seria ótimo!

– Eu concordo. – Falei animada. – Se você puder me indicar o endereço e nome com quem preciso falar...

– Eu posso fazer melhor. – Sorriu. – Eu posso ir com você. – Falou solicito. – Na verdade eu preciso ir com você, meu amigo trabalha lá, ele é responsável pelas contratações, se você chegar sozinha talvez diga que não precisam de mais ninguém, mas eu indo posso cobrar um dos muitos favores que ele me deve. – Explicou-me.

– Bem, desde que você tenha certeza de que não é um clube de dança. – Brinquei.

– Não é. – Negou com um pequeno riso. – É bem tranquilo e até mesmo um pouco entediante.

– Quando podemos ir? – Perguntei com ansiedade.

– Ah. – Murmurou em tom desanimado. – Eu não posso ir exatamente agora, mal comecei aqui, você poderia esperar por um tempo, depois explico a Diggle.

– Claro. – Concordei compreensiva. – Não quero incomoda-lo, ou ser a razão para você se dar mal por aqui, tome seu tempo Roy, eu vou... – Olhei ao redor encarando o tatame e os aparelhos de musculação. – Explorar o lugar? – Sugeri não muito animada com isso. Roy sorriu com minha hesitação e se afastou ao escutar o chamado de Diggle, reforçou antes que logo tentaria arranjar uma brecha.

– Vamos. – Sara me chamou, a segui enquanto ela ia mais para o fundo, havia esteiras e outros equipamentos para aeróbica. – Minha aula começa apenas em alguns minutos, posso te mostrar tudo e se Roy ainda estive ocupado você pode assistir a aula. – Analisou meu rosto em busca de alguma reação positiva. – Você gosta de luta Felicity?

– Não. – Confessei.

– Tudo bem. – Sorriu. – Deve ser horrível ser chamada para um lugar que respira todos os tipos de lutas.

– Pensei que seria pior. – Falei sincera, não esperava ter que dividir um apartamento com o brutamontes que era Oliver Queen, mas Sara, Diggle e Roy pareciam ser pessoas legais. – Mas é apenas meu primeiro dia. – Sorri.

– Bem... Ali estão os vestiários. – Apontou. – Feminino e masculino, muita gente vem direto do trabalho, faculdade e escola e se trocam aqui mesmo.

–Então aqui não foca apenas na luta. – Comentei enquanto a seguia. Ela parou ao lado de uma escada, o apartamento de Oliver ficava no segundo andar, a escada lateral que havíamos subido levava diretamente para lá, sem nenhuma outra janela mostrando o primeiro andar, essa escada imagino que levaria justamente ao primeiro andar. – Algumas pessoas vêm apenas malhar.

– Nosso foco é a luta. – Esclareceu subindo os degraus, saí em seus encalços. – Somos procurados em sua maioria por isso, seu pai em famoso no ramo, e muitos lutadores o querem como mentor, mas não é assim tão fácil, nosso foco realmente é a luta, e os equipamentos são para melhorarem o condicionamento físico dos lutadores, maioria das pessoas que você vai encontrar aqui são lutadores, homens e mulheres, mas existem algumas pessoas que fazem usos apenas dos equipamentos, temos a melhor qualidade e apenas malham. – Concordou parando. – Você é claro pode usar qualquer coisa daqui. Você gosta de malhar?

– Não tinha muito tempo. – Dei de ombros.

– Você não é uma pessoa muito física não é mesmo? – Riu.

– Eu agradeço meus bons genes, por que se fosse depender apenas de mim, teria que sair rolando por ai. – Sorri. – Tenho fraco por pizzas, doces e afins.

– Que mulher não tem? – Brincou. – Bem aqui é onde alguns espaços voltados para aulas. – Mostrou. – Cada sala tem um responsável, que geralmente dar uma modalidade específica. São cinco salas de treinamentos, mais dois banheiros, e lá no final temos uma pequena cozinha, usada mais pelos instrutores, eu passo o dia aqui então me viro com ela para almoçar. – Espiei uma das salas que era composta com o piso todo de E. V. A e com sacos de pancadas dispostos de forma organizada, já havia alguns lutadores os usando, lá embaixo havia o ringue e alguns sacos, mas aqui eram vários deles. Cada sala seguia seu padrão próprio padrão de acordo com sua necessidade.

– Deixe-me adivinhar... Maioria homens? – Ergui uma sobrancelha. Ela assentiu.

– Minha turma é a única composta por somente mulheres. – Falou. – As mulheres ficam mais a vontade assim, mas temos outras turmas mistas, mas como pode perceber estamos cercadas de testosterona.

– Yep, eu divido um apartamento com o representante. – Retruquei.

– Eu preciso ir. – Falou. – Tem certeza que não quer assistir uma aula?

– Desculpe. – Meneei a cabeça em negativa. – Talvez outro dia.

– Certo. – Concordou. – Mas o que você vai fazer agora?

– Bem eu posso não gostar de luta, mas vou observar um pouco daquelas peles expostas. – Sorri. – Eu tenho um fraco por ombros largos.

– Vá lá garota. – Piscou. – Acho que Oliver logo vai estar mostrando suas costas para quem quiser observar.

– Eu não estava falando dele especificamente. – Protestei. Além do mais eu já tinha visto muito de Oliver hoje.

– Mal não vai fazer. – Falou antes de se afastar, suspirei considerando que talvez ela tivesse razão, Oliver era um idiota, mas era um idiota que tinha algo a se apreciar.

POV OLIVER

Observei-a ir embora e deixei um sorriso escapar, ela tinha feito tanto para evitar olhar para o meu corpo que todo o momento resisti a vontade de rir de seus esforços, eu não havia feito de propósito, eu não havia percebido que ela estava ali até o momento em que me virei e a encontrei fazendo careta de vômito. Eu tinha que concordar com ela, a loira havia sido demasiado pegajosa, eu estava ansioso para me livrar dela antes que Felicity acordasse, não que eu devesse algo a ela, apenas por que queria evitar que ela visse a cena que aconteceu. Eu havia decidido não subir com nenhuma garota ontem, mas Suzan... Suzanna seja qual for seu nome havia mandado uma mensagem que estava em frente a minha porta, esperando que eu abrisse para ela, temendo que em sua impaciência ela batesse muito na porta e acabasse acordando a garotinha de Ras eu me apressei para abri-la, eu estava decidido a não deixar que entrasse, mas ela havia sido insistente e provocante, acabei aceitando o que ela oferecia, até mesmo por que eu sabia que ia acordar com mau humor. Eu não era um grande fã do meu aniversário, eu costumava ser antes, mas agora não havia muito pelo o que se comemorar.

Desci apenas após tomar meu banho e me certificar que ela havia deixado minha cozinha impecável, pensei que ela havia deixado tudo uma zona mais me surpreendi por encontrar tudo limpo e organizado, e mais ainda por ela ter feito café da manhã para mim. Quando entrei na academia o movimento já estava forte, o lugar cheio, Diggle mais uma vez estava treinando Roy e Felicity que havia me dito que ia sair estava sentada em uma das banquetas do balcão onde realizávamos novas inscrições os observando.

– Já voltou? – Perguntei me aproximando.

– Já estava com saudades? – Provocou-me.

– Claro, minha existência depende completamente da sua. – Ironizei.

– Vou encarar isso com um sim. – Sorriu sem mostrar aborrecimento. A encarei esperando mais explicações, ela suspirou cansada. – Não Oliver. Ainda não fui, estou esperando minha companhia.

– Que é?

– Ele. – Apontou, acompanhei com olhar a direção que apontava, deparando-me com Roy.

– Roy? – Perguntei incrédulo.

– Sim. – Concordou.

– Roy? – Repeti olhando para ele.

– Qual o seu problema com ele? – Perguntou estranhando.

– Nada. – Meneei a cabeça e sentei ao seu lado me apoiando ao balcão. – Só não pensei que você se interessaria por pirralhos.

– Roy deve ter minha idade. – Retrucou. – Ou quase isso.

– Sim, mas já deixei claro que você é uma pirralha. – Dei de ombros.

– Eu vou ignora-lo, ou você terá chegado somente aos 30 anos, nenhum dia após disso. – Falou em tom ácido. – E eu não estou interessada em Roy, um homem e uma mulher não podem ser amigos?

– Com benefícios? – Perguntei sério.

– Você é ridículo. – Falou tentando esconder um sorriso. – Ele vai me ajudar com algo.

– Eu posso te levar. – Dei de ombros. – Não posso treinar hoje, não com a luta de amanhã e há outros instrutores por perto.

– Obrigada, mas não. – Negou categórica.

– Porquê? – Perguntei confuso.

– Por que não nos suportamos. – Respondeu séria. – Nós moramos juntos, ao menos provisoriamente, se passarmos muito tempo juntos é certo que no final do dia mataremos um ao outro.

– Não acho que essa seja a razão. – Falei convicto, me ergui ainda deixando minha mão sobre o balcão e a cerquei. – Eu acho que a razão de você não me querer por perto é que no final do dia, quando estivermos trancados naquele apartamento, só você e eu, as chances é que sequer chegamos a uma cama, que eu a tome contra a parede mais próxima, que faça isso antes que qualquer de nós dois tenhamos tempo de pensarmos o porquê essa seria uma péssima ideia. – A observei engolir em seco seus olhos presos nos meus e soube que tinha razão, ela poderia negar, mas a tensão sexual era forte demais para ignorar.

– Você está preso pela ideia de toda e qualquer garota não consegue resistir ao seu charme supostamente irresistível. – Falou erguendo o queixo.

– É por isso que se chama irresistível. – Não pude evitar comentar com um sorriso.

– É ai que você pode se surpreender. – Provocou.

– É uma aposta? – Devolvi a provocação percebendo que estávamos ainda mais próximos.

– Uma promessa. – Falou em tom firme, erguendo uma mão e pousando-a contra meu peito me afastando, assenti recuando com um sorriso de divertimento e me surpreendi com o fato de que realmente estava gostando de nossas brigas de palavras.

– Você tem certeza que não quer que eu a acompanhe? – Perguntei, ela soltou um suspiro exasperado. – Olhe para seu guia. – Apontei com o queixo, Roy estava no chão, Diggle exigia que ele se levantasse, mas o pobre garoto já havia tido muito de Diggle, e ainda estava no começo do dia. – Ele é um fracote!

– Você realmente é daqueles lutadores estúpidos sem nada na cabeça não é mesmo? – Perguntou em tom áspero. – É por isso que não gosto do seu tipo.

– Homens? – Debochei.

– Lutadores. – Devolveu.

– Então avise ao garoto que ele não tem nenhuma chance. – A lembrei.

–Por que está tão obcecado pela ideia de nós dois juntos?- Perguntou confusa. – Roy vai me levar até um lugar, isso é tudo, sua mente suja e doentia não entende que as pessoas podem se ajudar sem que isso envolva sexo?

– Há melhor ajuda que essa? – Limitei-me a dizer.

– Você realmente é tão superficial assim? – Havia decepção em sua voz.

– Eu posso ser pior princesa. – Falei em tom baixo. – Você sabe disso, se você está criando em sua cabeça alguma parte de mim, que justifique talvez sermos amigos comece a destruí-la, eu não tenho amigas, amigas de foda talvez e Sara, só. Você não é Sara, e confie em mim, não conseguiria ser minha amiga de foda, então pare de buscar alguma simpatia em mim, é perda de tempo.

– Entende agora porque acabaria te matando no fim do dia? – Ergueu uma sobrancelha. – Alguns minutos em sua presença e já estou tentada.

– Causo esse efeito nas mulheres. – Dei de ombros.

– Oh, por favor, encontre alguma outra mulher para irritar. – Pediu.

– Mas você é especial. – Pisquei. – Você provoca o que há de pior em mim.

– Vá caçar alguém que aceite escutar essas coisas estúpidas. – Mandou. – Não tem ninguém ansiosa por uma rapidinha no banheiro? – Sei que ela não queria realmente uma resposta para sua pergunta, entretanto, puxei seu banco dando espaço para me colocar atrás dela, ela se agarrou ao banco com medo de cair e surpresa pela minha atitude. Coloquei minhas mãos e seus ombros pela simples desculpa de orienta-la, mas a verdade era que eu queria toca-la. – A loira na esteira. – Falei próximo ao seu ouvido, as esteiras estavam localizadas no fundo, mas a parte debaixo da academia não era dividida, tinha algumas colunas, mas era só, então ela podia enxerga-la. — A morena na bicicleta, e as irmãs em frente ao espelho. Todas já tiveram o que queriam, mas com toda certeza adorariam por ter mais uma vez. – Suas mãos alcançaram as minhas as tirando de seus ombros com brusquidão. – As outras que estão aqui em baixo namoram alguns lutadores que eu prefiro não ter problemas, e as outras ainda vão ter sua chance, a aula de Sara deve estar cheia de mais se você precisa que eu mostre mais algumas.

– A loira, a morena e as irmãs... – Falou olhando-me por cima do ombro. – Você se dá o trabalho de saber seus nomes?

– Eu não preciso saber seus nomes. – Ela franziu o cenho mostrando irritação. – Não para o que fazemos, mas sim, elas me dizem seu nome, eu só não me dou o trabalho de me lembrar. – Ela abriu à boca prestes a sem dúvida nenhuma me repreender, mas não chegou a fazê-lo por que Roy chegou ofegante, afastei-me dela voltando para o meu lugar.

– Ei. – Roy falou não parecendo notar minha presença. – Eu só vou me trocar e podemos ir.

– Claro. – Sorriu. – Tome seu tempo.

– Não vou demorar. – Devolveu o sorriso. – Expliquei a Diggle e ele pareceu entender, liberou-me por mais algumas horas.

– Bom. – Assentiu. – Não gostaria de coloca-lo em problemas com seu treino.

– Não se preocupe. – Murmurou, seu olhar finalmente recaiu sobre mim, e passou a me encarar com ar confuso. – Olá.

– Você disse que voltava logo. – Falei.

– Sim. – Assentiu.

– Para isso é preciso que vá. – Sua expressão se fechou, lançou um último olhar a Felicity antes de se afastar.

– Por que você precisa ser tão rude? – Felicity perguntou-me observando-o se afastar.

– Viu como ele a encarou com olhos de cachorro? – Perguntei a ignorando. –Se você acha que o garoto não tem esperanças em essa volta na cidade ser algo mais, você está enganada.

– Vá arranjar uma rapidinha. – Ordenou-me.

– Com prazer. – Sorri me levantando, recebi um último olhar de recriminação e me afastei. Havia dito isso apenas para irrita-la, no dia anterior a uma luta eu não me permitia tal distração, mas ela não precisava saber disso.

POV FELICITY

Observei Oliver se aproximar da garota com rabo de cavalo longo e apertar alguns botões da esteira, eles compartilharam um sorriso e era óbvio que ela estava louca para ser sua próxima conquista.

– Espero não ter demorado. – Pisquei voltando minha atenção para Roy que parou ao meu lado.

– Oh. – Exclamei surpresa. – Não. Nem um pouco. Vamos? – Chamei ansiosa por sair da academia. – Ele assentiu dando uma breve olhada para Oliver. – Espero que não se importe de andar um pouco.

– Não. – Neguei com um sorriso sem graça ao perceber que ele havia me pego olhando para Oliver novamente. – Não tenho problemas em andar. – Roy exibiu um sorriso forçado antes de finalmente sairmos, andamos em silêncio por mais alguns quarteirões.

– É um pouco longe andando, mas fica ridicularmente perto se for de ônibus. – Comentou. – Mas a noite eu acho que seria bom você vir com alguém, alguma funcionária que venha por esse caminho, pelo menos uma parte dele. – Sugeriu, eu tinha certeza que o que continuava falando apenas para encobrir o silêncio constrangedor. Conversamos sobre besteiras, assuntos utilizados apenas para manter uma conversa educada, até que ele parou, fazendo com eu me voltasse para ele e o encarasse confusa. – Escute Felicity, eu não quero me meter em sua vida...

– O quê? – Perguntei temendo o rumo que ele tomaria.

– Você parece ser uma garota legal, eu sei que não nos conhecemos o suficiente para eu ter a liberdade de dar qualquer conselho... – Falou hesitante. – Mas eu a vi com Oliver hoje...

– Estávamos apenas conversando. – Senti a necessidade de me defender, embora isso soasse estanho em minha própria mente, o fato de eu precisar me defender.

– Oliver não apenas conversa com uma garota. – Fez careta. – Ele é um idiota...

– Eu sei disso. – Falei convicta.

– Não. Não o quanto eu sei. – Ressaltou. – Eu sou novo lá, estou há apenas duas semanas, e o número de garotas com as quais ele fica é assombroso, eu não o julgo por ficar com muitas garotas, não quero que me entenda errado, eu acho que se elas sabem que ele as está apenas usando e concordam faz com que elas também o estejam usando, mas é a forma como ele as trata que me incomoda.

– Roy...

– Ele as trata como lixo. – Concluiu. – Mercadoria usada que não deve nunca ser reaproveitada, eu já escutei essa frase sair de sua boca, exatamente com essas palavras. Ele é um idiota ok? E você parece ser uma garota legal, diferente das outras e que não merece ser tratada do mesmo jeito.

– Eu aprecio sua preocupação Roy. – Falei tentando soar simpática. Nada do que ele estava me contado era alguma novidade, eu poderia não ter chegado há duas semanas, mas precisou de apenas alguns minutos para perceber o tipo de homem que Oliver era, o tipo que eu não deveria me envolver. – Você também parece uma ótima pessoa, e é bom ter um amigo em quem confiar, mas não precisa se preocupar comigo, não em relação a Oliver, eu gosto de pensar que sou uma garota esperta, e posso dizer que uma garota esperta como eu nunca se envolveria com alguém como ele, por que Oliver sequer sabe o significado de envolvimento. – Dei de ombros. – Ele me irrita, ele sabe disso, eu acho que também o irrito e era isso que você viu hoje, nossa conversa era na verdade troca de farpas. Essa é toda a diversão que sou para ele, então você não precisa se preocupar.

– Eu só...

– Eu entendo. – O interrompi. – Agora, esse lugar estar muito longe? E não se você percebeu, mas até o momento não me contou nada sobre essa “proposta de emprego”. – Ele sorriu percebendo minha necessidade de mudança de assunto e passou a andar na minha frente, o acompanhei feliz por não estarmos mais falando de Oliver.

– O quanto você entende de boliche? – Perguntou erguendo uma sobrancelha.

– Nada. – Confessei apreensiva. Ele fez uma careta indicando que não era bom.

– Eu acho que esse não é exatamente um problema. – Brincou.

– Ok, Roy onde diabos você está me levando? – Perguntei sem paciência, ele voltou a parar e o encarei aguardando respostas.

– Chegamos. – Falou indicando o prédio branco com uma placa enorme em cima, a ilustração mostrava pinos derrubados por uma bola roxa brilhante.

– Você falou sério sobre o boliche. – Comentei antes de segui-lo para dentro.

– Eu já liguei para Barry, ele já sabe que você quer um emprego. – Informou-me. – Disse-me que ia arranjar algo para você.

– Barry? – Perguntei confusa.

– Barry Allen. – Falou. – Meu amigo. – Olhou em volta, enquanto eu me concentrava nas várias pistas de boliche em minha frente. – Ele está ali. – Apontou para uma área reservada para equipamento de sons. – Barry! – Chamou-o acenando. O rapaz alto a quem ele havia chamado de Barry acenou de forma simpática e comum gesto pediu um minuto até que pudesse falar conosco, Roy assentiu mostrando o polegar em concordância. Após alguns momentos seu amigo se aproximou.

– Olá! – Vi-me automaticamente correspondendo ao seu sorriso sincero. – Eu sou Barry Allen, e você deve ser a amiga que precisa de um emprego.

– Essa mesmo. – Concordei ainda sorrindo. – Felicity Smoak.

– Barry Allen. – Ergue a mão em cumprimento, franzi o cenho achando sua atitude estranha, mas divertida ergui minha mão alcançando a sua. – Ah. – Fechou os olhos brevemente, estava envergonhado pelo deslize. — Mas você já sabe disso, por que eu te contei. – Meneou a cabeça.

– Olá Barry. – Cumprimentei achando-o doce.

– Bem, honestamente eu não tenho uma função específica para você. – Falou me guiando até o balcão na entrada. – Fora o boliche, funcionamos como lanchonete e temos espaço para karaokê. Você ficará aqui. – Espalmou a mão no balcão. – Do outro lado, é claro. – Respirou fundo. – Você ficará encarregada por entregar e guardar os sapatos, mas devo acrescentar que sempre que necessário você ajudará também na lanchonete e limpeza, aqui todo mundo se ajuda um pouco, você é novata então não chegará perto do equipamento de karaokê, mas no resto estaremos sempre a chamando. Alguma dúvida?

– Eu preciso saber alguma coisa sobre boliche? – Perguntei deixando meus pensamentos ganhar vida. – Por que confesso que nunca joguei.

– Ah não. – Negou rapidamente. – Boliche é para diversão, e você vai trabalhar, Felicity o salário não é o melhor... –Olhou em volta e falou em tom baixo temendo ser escutado. – O dono daqui é bastante mesquinho, mas você tem um dia na semana de folga e um domingo a cada duas semanas.

– Também vou trabalhar nos finais de semanas? – Perguntei apenas para esclarecer.

– Principalmente nos finais de semanas. – Falou rapidamente. – É quando lota.

– Ok. – Concordei. – Quando posso começar?

– Poderia ser hoje? – Perguntou aflito. – Com hoje quero dizer... Agora. – Seu tom agora era de desculpas. – Uma das funcionárias está doente, e a outra acabou de ter um bebê, eu realmente preciso de ajuda hoje.

– Claro. – Concordei voltando a encarar Roy que havia escutado tudo em silêncio. – Você poderia me ensinar o caminho de volta? – Perguntei estupidamente. – Eu não estava prestando muita atenção, planejava decorar quando voltássemos e eu nunca andei por esse lado.

– Eu posso vir te buscar mais tarde. – Se ofereceu.

– Roy não quero ser um incomodo. – Meneei a cabeça em negativa.

– Não se preocupe, assim você se concentra apenas em decorar o caminho e não se arrisca a ficar perdida tarde da noite. –Tocou meu ombro brevemente. – Nos vemos mais tarde Felicity. – Despediu-se antes que eu pudesse emitir qualquer novo protesto. Assim que Roy foi embora Barry se apressou a me explicar como tudo funcionava, hoje eu não teria uniforme, mas ele providenciaria em breve, ele se revelou ser alguém bastante gentil e com personalidade divertida, conversamos bastante enquanto ele me dava conselhos sobre o trabalho e durante a noite quando o movimento aumentou ele veio ao meu socorro sempre que precisei, faltava pouco para fecharmos e eu já estava ansiosa por temer que Roy houvesse me esquecido quando encarei surpresa o rosto de Oliver.

– Oliver! –Murmurei quando ele parou em minha frente, apenas o balcão nos separava. – O que você está fazendo aqui.

– Eu sou a babá. – Veio à resposta curta.

– O quê? – Perguntei sem entender.

– Escolta se preferir. – Deu de ombros. – O garoto não pôde vir, então me pediu para busca-la.

– Roy pediu a você? – Perguntei incrédula. – Especificamente chamou por você? – Era difícil acreditar, principalmente quando Roy estava tão decidido a me dizer o quanto Oliver era um porco com as mulheres.

– Ele pediu a Diggle. – Esclareceu. – Que não podia, então foi até Sara que também estava ocupada, então ele finalmente veio até a mim. – Respondeu. – Quer vir logo? – Chamou sem paciência.

– Ainda não entendo por que você está aqui. – Murmurei pegando minha bolsa e a sacola de papel com o logo da lanchonete, só então fui até seu lado.

– Eu não consigo resistir a uma princesa em perigo. – A resposta veio acompanhada de um sorriso malicioso.

– Fofo. – Murmurei irônica. – Isso faz de você meu príncipe?

– Eu sou o lobo mal. – Respondeu. –Eu como garotinhas como você no jantar.

– Pelo o que ouvi em qualquer horário. – Falei em tom baixo. – Por que sempre terminamos nesse tipo de conversa? – Perguntei quando saímos para a rua, suas mãos estavam agora no bolso de sua jaqueta, ele não me respondeu, me lançou um olhar aborrecido e passou a andar com passos apressados, não vi alternativa se não acompanha-lo, enquanto Roy havia tentado preencher o silêncio com uma conversa educada, Oliver não fez absolutamente nada para mudar. Fomos todo o caminho de volta para casa envolvidos em um silêncio ensurdecedor, pelo menos pude me concentrar no caminho de volta para que não precisasse mais de uma escolta relutante, quando chegamos finalmente ao prédio agradeci mentalmente, subimos a escada rapidamente, notei que não havia mais movimento na academia, no momento em que entramos em casa ele caminhou até seu quarto sem dizer mais nenhuma palavra, era estranho, ele sempre procurava uma maneira de me irritar, mas agora estava estranhamente calado, apertei a sacola em minha mão e lembrei-me da razão por que estava com ela.

– Oliver, espere. – Pedi no momento em que ele girava o trinco da porta. – É para você. – Estendi a sacola, ele me encarou confuso, mas pegou a embalagem para viagem, seu rosto demostrou surpresa quando tirou um cupcake decorado de lá, eu me sentia boba, mas achei necessário falar. – É seu aniversário, eu notei que ninguém o parabenizou quando eu estava lá, nem houve nenhum bolo, e sou o tipo de pessoa que acha que um aniversário sem bolo é um pouco injusto. – Observei sua expressão fechada enquanto encarava o doce. – Feliz aniversário. – Murmurei hesitante. Seus olhos finalmente alcançaram os meus, havia um misto de emoção ali, mas eu não conseguia decifrar nenhuma.

– Eu não recebi parabéns por que apenas Diggle e Sara sabem que hoje é meu aniversário. – Informou-me. – Eu estou aqui há alguns anos e Diggle tem minha ficha, ele sabe, mas acho que percebeu que como eu nunca comentei sobre, eu não gosto particularmente desse dia, Sara sabe por que, então também evita tocar no assunto.

– Desculpe. – Falei rapidamente, percebendo que havia feito uma tolice.

– Não. – Meneou a cabeça. – Não precisa se desculpar. Você não sabia. – Deu de ombros. – Assenti indo até minha própria porta, no momento em que a abri escutei sua voz me chamar. – Felicity. – O encarei esperando que dissesse algo mais, ele abriu a boca para então voltar a fecha-la, parecia confuso, então aguardei pacientemente. – Obrigado. – Murmurou por fim. – Por me dar uma razão para não odiar meu aniversário. – Pisquei surpresa com seu agradecimento, assenti em resposta e ele virou-se fechando a porta atrás de si, levando o cupcake consigo, notei tardiamente que sorria, é claro que eu estava curiosa, queria saber a razão por trás de Oliver odiar seu próprio aniversário, mas agora estava feliz por ele ser um pouco mais do que o cara idiota que só pensa em levar mulheres para a cama, agora eu o via um pouco mais além.

Notas finais
Espero que tenham gostado, vejo vocês nos comentários! Xoxo LelahBallu.