Redenção

11 Um fio de esperança


Bruce entrou no prédio com cuidado, orientado por Hulk, após verificar que o interfone e a fechadura da porta estavam quebrados. A fera indicou as escadas e ele foi subindo lentamente naquela penumbra, olhando toda decadência a sua volta com atenção: poderia ter criminosos à espreita e era sempre bom estar de prontidão. Uma porta se abriu e um homem saiu por ela, se deparando com Banner imediatamente. – Quem é você? – perguntou ele com maus modos.

Bruce procurou desviar o rosto dele, devido seu hálito de bebida. – Quem pergunta? – E sua voz saiu quase como um rosnado.

O homem o mediu por um momento e depois deu de ombros. – Só não quero bagunça aqui, já fizeram muito ontem. Quero dormir! Entendeu?

O doutor assentiu com a cabeça e continuou a subir, sempre seguindo orientações de Hulk. Em certo momento, ele é orientado a seguir por um corredor estreito e chegar a uma porta velha com pintura descascada.

—Loki está aí, é isso? – perguntou para a fera. – Você tem certeza, porque eu não posso entrar aí! Não posso simplesmente entrar, seria invasão!

A fera rosnou para ele, tentando assumir o controle. Banner colocou as mãos na cabeça, sentindo uma enorme pressão do outro. – Pare!

~o ~

Dentro do apartamento de Jessie, Loki olhou para a pessoa a sua frente com espanto. – Como me localizou?

A pessoa sorriu por baixo de seu capuz negro, e disse com voz adocicada: – Colocamos sinalizadores e detectores por muitas partes desse reino, meu príncipe. Sabíamos que voltaria para cá, após nos abandonar.

O asgardiano respirou fundo. – O que quer de mim? Vingança? Minha morte? – Ele riu amargo. – Será um favor que me fará.

A pessoa entrelaçou os dedos escamosos e disse com suavidade: — Você sabe o que o Mestre quer. Você deve isso a ele.

Loki começou a se arrastar para longe. – Eu não devo nada a ele! Nada!

De repente ela estava ao lado dele, colocando sua mão escamosa no rosto do rapaz, e disse com voz ainda mais melosa: – Príncipe... Por que essa lealdade aquele reino decadente? Lá ninguém gosta de Vossa Alteza, ninguém! Só nós demos a atenção que merece, só os chitauri e o Mestre!

O jotun afastou aquela mão pegajosa em seu rosto com nojo. -Vocês entraram na minha mente sem permissão! Essas foram minhas memórias, não toda a verdade. Eu estava confuso, obviamente.

—Não era verdade? E por que o príncipe não está em Asgard, ao invés desse reino inferior? Oh, nós sabemos, não é mesmo? Eles desprezam o jotun.

Loki tentou se afastar dele mais uma vez, sentindo muita dor. – Cale-se!

—Eles acham que jotuns são animais bestiais, que devem ser subjugados pelo brilhante reino dourado. Eles acham que você é inferior, meu príncipe. Todos eles! Vamos provar que isso está errado, que o príncipe é diferente dos jotuns...

—Jotuns não são animais, Outro, – respondeu entredentes. — É um povo altamente desenvolvido.

O Outro olhou para ele com seus olhos amarelos. – Se quer acreditar nisso, meu príncipe, não podemos impedi-lo. Mas sabemos a verdade, não sabemos? Eles estão debaixo da bota de Asgard. O príncipe poderia provar o seu valor se unindo ao nosso Mestre! Poderiam reinar juntos: Thanos, como o imperador dos sete reinos e além; o príncipe, como o primeiro comandante. Nosso Mestre poderia esmagar todos seus inimigos, inclusive Odin. Você mesmo poderia ministrar os castigos. Não seria delicioso?

— Eu nunca vou trair Asgard, seu imundo!

A criatura sorriu mais uma vez e voltou a falar quase amorosamente. – Pense... Com sua ajuda, poderíamos derrotar o rei de Asgard. Ele seria esmagado feito uma barata. Não minta dizendo que sentiria muito. Sabemos que não.

—O nosso guardião está vendo tudo isso agora, imbecil. Logo virão para destruí-lo.

A pessoa riu, e sua risada gelou os ossos de Loki. – Você está coberto por magia, minha magia. Eles não sabem de seu paradeiro, minha criança. Então, estamos a sós.

Não...

Naquele momento, mais sombras apareceram no recinto e elas se revelaram como chitauri, os servos da criatura. – Meus filhos sentiram sua falta. Vão adorar seu retorno ao lar.

Loki pegou sua faca que escondera debaixo da perna e desferiu contra O Outro, que desviou facilmente e tomou a arma dele. – Não está com muito reflexo, príncipe? – Ele espremeu a faca em sua mão, esmigalhando o objeto. – As armas midgardianas são muito fracas. Tudo nesse reino é fraco. Inclusive seus heróis, não é, meu príncipe?

O rapaz respirou fracamente. – Não faça ameaças veladas. Não sou fraco para cair nelas.

—Claro, claro. Não teve apego aos mortais, eu sei. Isso seria tão... Patético! Criaturas tão fracas e inúteis. – E a criatura olhava atentamente o asgardiano. – Se os matássemos agora, lá na torre alta, não teria importância nenhuma, não é mesmo? – O braço dele se ergueu, pronto para dar uma ordem.

Loki sentiu seu coração bater forte. – Para que matá-los, Outro? Serviria apenas para atrair atenção para os Chitauri. Seria muita tolice.

O sorriso da criatura espalhou-se. – Mas seria uma diversão. O Mestre apreciaria.

—Como ele fez na invasão dessa cidade... – Disse amargamente. – Não deverá acontecer novamente. Midgard, como bem disse, é muito fraca, uma conquista sem impacto. Tenho certeza que Thanos não gostaria que perdesse mais tempo com ela.

O Outro se aproximou mais de Loki, que não tinha para onde correr, apenas se encostar mais na parede e sentir toda a dor que isso causava. – Está bastante machucado, meu príncipe, e com dores. Também sei que sua magia está restrita, — e apontou para as pulseiras. – Tão vulnerável... – Loki notou o olhar ganancioso dele e estremeceu involuntariamente. A criatura suspirou contente. – É uma grande tentação, grande mesmo... Nosso Mestre ainda se recorda de seus deliciosos gritos de horror do seu tempo conosco.

Loki tentou afastar O Outro, mas a criatura nem se mexeu. Ela estendeu suas mãos para o rosto dele e Loki soltou um grande grito de dor, e lágrimas começaram a escorrer de seu rosto. Incentivada, apertou ainda mais o cerco na face dele.

Um dos Chitauri interrompeu seu Mestre, resmungando alguma coisa para ele, e a criatura assentiu, soltando Loki. – Tem alguém aí fora. Um mortal. Nos espionando... Será um de seus novos amigos mortais? – Ele deu uma risadinha. – Não gostamos de espiões, gostamos? Vão, expulse-o daqui!

No mesmo instante se transformaram em sombras e atravessaram a porta, indo direto contra a pessoa. Loki, ainda estremecendo por conta da dor que lhe fora impingida, tentou se erguer, mas a criatura segurou com força em seu braço. – Acho que é hora de irmos para o Mestre.

—Não! – gritou, tentando se desvencilhar. – Eu não devo nada a ele!

A porta da sala estourou com violência, com os chitauri sendo arremessados contra a parede e uma gosma saiu das criaturas, se espalhando pela sala. Loki ouviu um forte urro. – Hulk? – murmurou atônito.

A fera apareceu na sala e foi direto contra O Outro, desferindo um potente soco em seu rosto, e também atacando mais Chitauri que apareceram. Aproveitando a oportunidade, Loki se dirigiu para a saída com dificuldade, indo pelos corredores em busca das escadas. Mais um urro ressoou e ele viu que a fera o seguia. – Hulk! – gritou Loki, — venha!

De repente, mais Chitauri se materializaram na frente deles e Hulk tomou a frente, desferindo um golpe contra todos eles e os esmagando como fez com os anteriores. Após isso, pegou Loki em seus braços com cuidado e, se aproximando das escadarias, pulou no meio vazio delas, caindo rapidamente até o térreo. Vários moradores saíram de seus apartamentos para ver o que acontecia e, ao notarem as criaturas, gritaram de horror. – Ataque! Ataque alienígena! Liguem para a polícia!

Hulk deu outro urro e avançou com Loki para as ruas, correndo rapidamente para longe do local. – Para onde estamos indo? – perguntou Loki que se segurava precariamente nele. A fera não respondeu, correndo na direção oposta a Torre Stark. – Não vamos voltar para a torre?

De repente, a fera caiu ao chão, arremessando Loki a metros de distância. O asgardiano pode ver o Mestre dos Chitauri próximo a eles. – Não terminamos ainda, príncipe. Deve vir comigo.

Loki se ergueu e tentou correr, sendo barrado por um dos Chitauri, que agarrou seus braços e o prendeu firmemente, causando imensa dor no rapaz. Hulk também se erguera e foi direto contra o líder deles, tentando golpeá-lo, mas o outro desviava facilmente. – Essa besta precisa aprender a respeitar os Chitauri! – Um chicote apareceu em suas mãos e o desferiu contra a fera, enlaçando seu pescoço com ele. Com um puxão, derrubou a fera ao chão e começou apertá-lo, tentando um enforcamento. – Essa fera seria útil para o Mestre, — comentou a criatura o analisando.

Hulk agarrou o chicote e, num gesto, o arrebentou e desfez o laço. A criatura tentou ainda subjuga-lo, levando um fortíssimo soco na cabeça.

—Hulk! – gritou Loki. A fera, imediatamente, foi até o asgardiano e esmagou o chitauri que o aprisionava, pegando Loki para si e o protegendo entre seus braços.

—Loki! – chamou O Outro, — Não pode fugir de nós para sempre! O Mestre sempre consegue o que quer!

—Hulk, — disse Loki em voz baixa para ele, arfando devido a intensa dor que sentia — tire-nos daqui rápido!

Naquele momento, carros de polícia chegaram com muito alvoroço, tentando impedir o avanço daquele ataque. – Parem, polícia! – gritaram assim que saíram dos veículos.

Oh, não...

O Outro deu risada e várias sombras surgiram no local, todas se materializando na espécie alienígena. Com um gesto dele, as criaturas atacaram os humanos e seus carros, vários sendo destruídos em pouco tempo. Gritos de pânico ressoaram pelas ruas.

Enquanto isso, Hulk corria o mais rápido que podia com Loki em seus braços. – Para onde está nos levando? – A fera apenas rosnou, caminhando mais apressada ainda.

Nos céus, viram várias figuras cruzando com pressa em direção ao local do ataque e Loki pode reconhecer a armadura de Tony entre elas. – Eles estão indo para lá... – Um trovão ressoou e o rapaz pode adivinhar quem mais estava.

Stark se aproximou do campo de ataque e viu o tamanho do problema. – Rogers? Nossos amigos retornaram, — disse através do comunicador.

Steve estava na nave com Natasha e observava tudo. – Vou descer e tentar proteger os policiais que sobraram. Nat, avisa para a polícia de Nova York não mandar mais ninguém. Serão mais massacrados, se fizerem isso.

—Disseram que Hulk estaria aí, — disse Barton pilotando a nave. – Será que o encrenqueiro também não está?

Natasha observava pelos painéis quaisquer indícios da fera. – Ele não está aqui. Ou eles. Somente essas criaturas.

Quando Jarvis tinha avisado da ligação de emergência de Fury naquela madrugada, nenhum dos vingadores poderia imaginar que os Chitauri haviam voltado. Foi Stark quem tinha citado o nome de Loki: ele poderia estar no meio deles, ou como aliado, ou como prisioneiro.

Tony aterrissou e começou a disparar contra as criaturas, porém eles logo se desmaterializavam, tornando-se sombras, para surgir em forma sólida em outro local. Mais policiais chegavam tentando deter os invasores. Moradores locais saiam correndo de seus apartamentos pelas ruas do bairro aos gritos.

Thor aterrissou também ao lado de Stark e vistoriou a área. – Onde está Loki?

—Não foi visto, trovoada. E se não percebeu, temos outros problemas aqui. – E efetuou mais disparos.

O asgardiano respirou profundamente e desferiu raios de seu martelo contra os chitauri, que por encanto desapareceram no mesmo momento.

—Onde se meteram? – perguntou o engenheiro buscando alvos.

—Vamos procurar Loki, filho de Stark, — disse entredentes. – Achem o monstro verde e acharão meu irmão.

Vários chitauri reapareceram atrás deles, golpeando-os na cabeça. Thor urrou de ódio e conseguiu agarrar dois deles, esmagando seus crânios com as mãos. Tony desferiu mais raios, acertando alguns.

Rogers desceu da nave e começou um combate corpo a corpo contra eles. Barton e Natasha foram logo depois, após aterrissarem a nave. Os chitauri pareciam se multiplicar em vez de diminuírem. – Quem é o líder deles? – perguntou a espiã enquanto atirava contra eles. – Quem está no comando?

—Antes era Loki, — disse Barton, — agora quem será?

Já longe dali, Hulk corria com Loki para rumo desconhecido quando pararam em um grande parque. – Aqui deve ser o que chamam de Central Park, uma parte dele,- disse o rapaz, observando a floresta alta que divisava. – Hulk, agora você precisa me deixar, ir para longe daqui e se transformar no doutor Banner. É perigoso para vocês ficarem comigo. Eu preciso ficar só, em breve Thor estará aqui e tudo... tudo acabará, — essa última parte ele disse com emoção na voz.

Hulk olhou para ele e balançou a cabeça em negativa. Pegou Loki no colo e o abraçou com cuidado. – NÃO, HULK! VOCÊ SERÁ MORTO! – dizia o rapaz aos berros. A fera novamente se recusou e permaneceu abraçado a ele. – Eu não sei o que fazer com você, eu não sei... – Murmurava ele e começou a soluçar de frustração e medo. – Não quero que você morra. Por favor... Vá embora! –Começou a socar os braços do outro com a força que lhe restara. – VÁ! – A fera rosnou e não se soltou dele.

—Ele é teimoso mesmo, — disse alguém.

Loki se voltou rapidamente em direção da voz feminina. – Quem está aí? – Seu coração ficou aos pulos. Será que Sif estava à espreita?

—Não reconhece mais minha voz?

Loki franziu a testa. – Parece-me familiar, fale logo quem é!

Após um momento de silêncio, a voz retornou: -Escondam-se! Eles estão vindo...

Loki se virou para Hulk. – Essa é sua oportunidade: vá embora!

De repente, muitas sombras surgem no local, se materializando nos Chitauri. No meio deles, seu mestre.

—Loki... – chamou com voz suave. – Não terminamos ainda nossa conversa, meu príncipe. Largue a besta verde e venha conosco.

—Arranje outro traidor!

O líder foi se aproximando de Loki. – Não há escolha, levarei você assim mesmo.

Naquele momento, um clarão surge no meio de todos e Loki sentiu uma mão puxando seu braço, fazendo-o gemer de dor. – Venha! – Disse a voz feminina.

Hulk rugiu, tentando proteger Loki, e a voz tornou a falar. – Não farei mal algum, estou querendo ajudar! Venham os dois! O Outro é muito rápido, não há tempo a perder!

O clarão foi se dissipando e o rapaz pode ver a figura d’O Outro reaparecendo. – Vamos, Hulk, vamos segui-la! – Quando a fera recomeçou a correr carregando Loki e sendo guiado pela voz misteriosa, outros clarões surgiram, impedindo que as criaturas vissem aonde iriam.

Após mais de meia hora, a voz orientou que se escondessem em um galpão abandonado. – Vamos aguardar, — disse ela, — creio que os despistamos.

Loki respirou profundamente depois que Hulk o depositou no chão. – Diga-me de uma vez quem é. E por que me ajuda?

—Tudo bem, acho que seu pedido é justo. — Uma sombra se aproximou deles e foi se materializando em uma mulher de cor verde, cabelos ruivos e compridos, e marcações claras em seu rosto. – Eu disse que nós nos veríamos novamente.

Ele olhou para ela e sorriu. – Gamora!?

—Sim, em pessoa.

—Está me ajudando... Por que? Thanos vai matá-la!

—Digamos que eu precisei me rebelar. E me revelar. – Ela se aproximou mais dele o observando. – Está muito machucado, Loki. O que aconteceu? – Após ouvir sobre as pulseiras e suas tentativas de ativar a magia, ela suspirou. E pegou um dos pulsos, analisando o artefato. – Magia de Odin. Sempre a pior, resmungou.

Loki respirou com cuidado e soltou um gemido lamentoso. – Ele gosta de se aprimorar, não é?

Ela deu um meio sorriso. – Ele e Thanos têm muito em comum, meu amigo. Não conseguirei retirá-lo daqui, precisaria da sua magia para isso. Tem onde ficar? – E olhou para Hulk. – E com ele?

Ele franziu a testa. – Não pensei que sobreviveria, para começar. Nem que Hulk seria minha companhia. – A fera soltou um rosnado. — Estou sem ideias no momento. E você? O que faz aqui?

—Vou precisar de um favor seu, mas primeiro precisaremos que recupere sua magia. Talvez Freya, se eu falar com ela.

Loki riu fracamente. – Ela nunca lhe receberá, sabe disso.

Gamora virou seu rosto rapidamente, detectando algo. – Eles estão vindo, Loki. Você precisa de proteção. Eu sei que Thor está em Midgard e...

—Nunca! Ele nunca!

—É sua única chance! Você irá morrer ou ser servo de Thanos para sempre. Ele não deixará você escapar dessa vez!

Loki olhou para os lados, como se buscasse algo. – Prefiro morrer, então. Não tenho alternativas. Se eu ativar minha magia...

—Não faça isso!

O rapaz fechou os olhos, se concentrando na ativação mágica. Suas mãos ficaram perigosamente iluminadas em verde e Gamora pode ver a pele dele se desfazendo. – Pare!

Hulk foi até ele e o abraçou, parando, por um momento, as ações de Loki. Este olhou para a fera com raiva. – DEIXE-ME MORRER! LARGUE-ME!

—Loki, por que está desistindo assim? O príncipe jotun que eu conhecia não se entregaria tão fácil!

Ele suspirou profundamente. – Não tenho saída, Gamora, e devo reconhecer isso. Ficar com Thanos, com Thor ou Odin não são boas opções e são as únicas que tenho.

Naquele momento os Chitauri se aproximaram e O Outro lançou um raio em direção a eles, o qual ela rechaçou rapidamente. – Temos que ir agora! Eu posso sumir, mas e vocês? Devem procurar Thor! Eu voltarei a procura-lo, Loki. VÃO!

Hulk tomou a liderança e carregou Loki novamente em seus braços, correndo para longe. Gamora ficou, lutando contra todos eles rapidamente.

—Pare, por favor! – pedia Loki, sentindo muitas dores com a movimentação.

A fera não escutou, se dirigindo ainda a rumo desconhecido.

~o ~

Agente Coulson e parte da equipe da S.H.I.E.L.D. entrou no prédio onde testemunhas disseram que lá tinha se originado toda a confusão. Os moradores apontaram o apartamento causador e o agente foi até lá, inspecionando tudo com cuidado. Tony, ainda com sua armadura, e Natasha, arma em punho, iam logo atrás, atentos a qualquer perigo.

—Que pulgueiro! – disse Tony se deparando com o corredor estreito. – É esse o apartamento?

Coulson assentiu e empurrou a porta estragada. Dentro, pode ver muita desarrumação e gosmas ainda úmidas nas paredes. Entrando na sala, ele observou algumas bandagens jogadas no chão. Natasha viu pizza na cozinha e uma grande faca jogada pela sala. – Parece que houve uma luta aqui.

—Será que nosso grandão esteve nesse local? – perguntou o engenheiro. – Se esteve, ele não deu uma festa completa. Está tudo praticamente inteiro!

—Se Loki esteve aqui, — disse Natasha, — provavelmente ele fez tudo para protegê-lo, e desabar um prédio estaria fora de cogitação.

O outro riu. – Essa é boa, Hulk com consciência. Só Loki para fazer essas coisas.

Coulson havia colocado luvas e pegou um recipiente do bolso e uma haste, e iniciou a coleta da gosma. – Isso pode ser alienígena. Ou mingau endurecido.

—Por favor, não experimente, – disse Tony. – Não quero ter que lidar com um agente zumbi. Já é o bastante ser um agente.

—Oh, pensei que ser agente tivesse algum prestígio...

Naquele momento, ouviram uma voz feminina aborrecida do lado de fora do local. – Deixem-me entrar! Eu moro aqui! – gritava, tentando se desvencilhar dos agentes.

—Quem é você? – perguntou Phill para ela.

—Sou Jessie, amigo. E você está na minha casa! – Ela deu uma olhada dentro do apartamento. – Meu Deus, que bagunça! O que vocês fizeram? Uma orgia?

—Quem dera... – resmungou Tony.

—Olha, vassouras, baldes e pás estão logo ali, — disse com mãos na cintura. – E onde está meu menino? Se ele chamou vocês...

Natasha franziu a testa. – Seu... Menino?

Jessie sorriu, indo para o quarto. – Sim. Ele não está aqui? – E foi verificar no banheiro. – Não está? Ele saiu? Mas ele estava muito mal, doentinho. – Ela se voltou para Tony. – Você o levou?

—Não, senhorita...

—Se não forem parentes dele, eu quero ele de volta aqui! Estava muito machucado, parecendo ter levado uma bela surra. Eu estava cuidando dele, — disse com orgulho.

—Machucado? – O coração de Tony estava acelerado. – O quanto estava?

Ela fez uma careta. – Muito. Os braços dele estavam em carne viva. Havia um hematoma no rosto, estava roxo, e sangue no nariz. – Ela suspirou. – Tadinho, tão bonitinho...

—Não sabemos do paradeiro dele, — disse Coulson. – Pensávamos que você poderia nos dizer. Somos agentes federais.

—Oh, meu Deus! – Ela pareceu realmente triste. – Será que os traficantes o pegaram aqui? Ele não vai durar muito, e estava tão triste! Uma mulher pode resistir a um homem bonito e triste? Claro que não.

—Como assim? – Natasha perguntou, mas sem realmente querer saber.

—Ofereci um desconto para ele, e não quis, veja só. Mas quando ele estivesse melhor eu faria de graça. Só para deixa-lo mais alegre. – Ela suspirou. – Pena que foi levado...

Tony avaliava a situação sombriamente. – Ele deve estar morto. – E tentou respirar. – É o fim.

—Ele está com Hulk! – lembrou Natasha. – Saberemos de algo logo. Jarvis não detectou nada?

—Não disse nada.

A moça se aproximou do engenheiro. – Já vi essa armadura em algum lugar. Fica bem em você.

A espiã pigarreou. – Vamos embora, não há mais nada aqui. Senhora, uma equipe ainda ficará para coleta de provas. Espero que não se importe.

Ela deu de ombros. – Só não façam mais barulho. Teve algum problema aí fora nas ruas e acho que basta por hoje. – E começou a desabotoar sua roupa. – Vou tomar um banho, com licença.

Coulson olhava fixamente para ela e Natasha estalou os dedos para ele e disse irônica: – Vamos, agente?

~o ~

Torre Stark

Thor andava de um lado para outro, muito nervoso, à espera de qualquer notícia de seu irmão. Sif permanecia sentada, tomando qualquer coisa pensativa. A fuga de Loki foi uma dádiva para ela e sua possível volta, capturado ou de livre e espontânea vontade, seria um grande problema. Haveria confronto de verdades, Fandral teria que se reexplicar, as pessoas poderiam desconfiar. Droga.

—Heimdall ainda não o descobriu. Como é possível? – ele se perguntava. – Alguém deve estar o ajudando.

—Seria Thanos novamente? – perguntou a guerreira. – Sabemos que ele foi dominado, mas nunca se sabe. Loki é uma incógnita.

O príncipe virou-se para ela com a testa franzida. – Seria possível? Depois de tudo que ele passou nas mãos daquela criatura?

Ela deu de ombros calculadamente. – Ele estava desesperado para fugir. Loki nunca ficou satisfeito sem a magia dele e creio que Thanos quebraria aquelas pulseiras facilmente. Ele pode estar longe daqui, no momento. Ao lado de Thanos.

Sif viu Thor espremer as mãos com ódio. – Se isso aconteceu, Sif, meu irmão estará morto para mim, para sempre. Será um caminho sem volta. E o próximo encontro que tivermos, deverá ser para a punição definitiva dele. Não terei como justifica-lo mais.

Ela conteve o sorriso. – Eu entendo, meu amigo. E também sei o quanto deve ser sofrido para você. – Sif ergueu-se e foi até ele, esfregando o braço dele carinhosamente. – Mas fará o que for necessário como futuro rei, para o bem de Asgard. – Ele assentiu levemente a cabeça, porém seus olhos estavam carregados de tristeza. – Seu pai ficará orgulhoso de você.

Fandral estava mexendo nos canais de televisão, sem realmente assistir algum. Volstagg, ao seu lado, vez ou outra soltava um suspiro, de braços cruzados. Ele não entendia o motivo das ações do guerreiro ao seu lado que, para ele, nunca havia demonstrado nenhum indício de atração por Loki, ou qualquer coisa parecida. Ele olhou para o futuro casal real que estavam, agora, abraçados. Parecia que Sif ganharia tudo com a morte de Loki.

—Está amanhecendo, — comentou ele vendo o dia clareando aos poucos lá fora. – Quem sabe isso nos ajude a ver as coisas com clareza.

Fandral olhou para ele. – A clareza é o que nosso rei decidir. Sabe disso.

—Não, caro Fandral, às vezes nós precisaremos aconselhá-lo da melhor forma, como bom servos que somos.

Sif sorriu. – Concordo, caro Volstagg. Nosso rei será informado de todas as coisas que aqui aconteceram e acontecem, com nossa devida interpretação.

—Se não for a interpretação de uma só pessoa, eu não me oponho.

Ela estreitou os olhos. – É claro.

O barulho metálico soou no ambiente. – Caros asgardianos, o café está sendo servido no andar da cozinha. Senhor Stark os aguarda.

Toda comitiva de Asgard foi até o andar, sendo liderados por Thor e Sif. Tony tinha encomendado alguns itens e todos puderam ver a mesa posta, com pães, leite, queijos, café, chocolate, bolos, geleia, etc. O príncipe inspecionou tudo e sorriu. – Agradeço pelo cuidado, filho de Stark. Asgard não se esquece dos favores que lhe fazem.

O engenheiro deu de ombros secamente. – Não me importo. Fiquem à vontade, sentem-se e comam, a mesa é comprida e cabem todos vocês. Eu retornarei ao meu andar.

Thor franziu a testa. – Ninguém comerá conosco? – Perguntou olhando o ambiente sem os vingadores.

—Está todo mundo exausto, caso não tenha percebido. Foi um dia horrível. – Ele olhou diretamente nos olhos do príncipe. – Jarvis avisará se tivermos novidades. – E se retirou.

Quando Tony chegou ao seu andar, ele respirou fundo várias vezes. Não iria entrar em pânico, não iria! Respirar mais, compassadamente, concentre-se, Tony! Droga!

Ele se dirigiu rapidamente até uma gaveta e retirou vários remédios, engolindo alguns e tomando um copo d’água logo depois. Tony se olhou no espelho, mentalmente o incentivando a calma, até que sua respiração se estabilizou e todo seu corpo voltou ao estado de calma. Merda! Merda! Rastejou de volta a sua cama, rezando mentalmente que Fury não sonhasse em convoca-los logo de manhã.

E o som metálico destruiu toda essa esperança. – Senhor.

—JAAAARVIS, NÃO FODE MINHA VIDA! – Tony se agarrou ao travesseiro. – Não estou para ninguém, eu morri e só ressuscito mais tarde!

—Senhor, é importante e...

—Nada é mais importante do que dormir, J. Adeus.

—Senhor, é o senhor Banner na linha.

O quê?

Tony se ergueu, ainda um pouco tonto. – Coloque no viva-voz.

A voz de Bruce soou no ambiente. – Tony? Aqui é o Bruce. Eu pedi para o Jarvis lhe falar em particular, sem ninguém por perto.

—Ele fez isso. Onde você está?

—Eu estou com ele, Tony. E estamos em apuros. Conseguiria vir aqui agora?

Sair da Torre sem os asgardianos perceberem foi bem fácil, ainda mais com a ajuda de Jarvis. Tony foi de taxi, evitando chamar atenção como Homem de Ferro, e se dirigiu para fora da cidade, num lugar mais ermo, com uma mochila nas costas. Seguindo as instruções de Banner, ele parou em frente a um depósito fechado. O taxista olhou curioso para o local. – Quer que eu espere, chefia?

—Pode ir, — e deu o dinheiro da corrida.

O depósito estava fechado, mas logo Tony achou uma maneira de entrar. Os sons que o local fazia involuntariamente afetavam os nervos do engenheiro: ele estava sem sua armadura e proteção, mesmo carregando uma pistola automática atrás dele. Isso pararia um Chitauri?, se perguntou.

—Tony?

Era Banner se aproximando devagar. Ele tinha as roupas rasgadas e amarradas de forma precária. – Está mal, meu amigo, — comentou o engenheiro. – Aqui estão umas roupas, — e entregou a mochila para ele.

—Obrigado, Tony. Venha comigo.

Caminharam para dentro de uma sala e lá Tony pode divisar a figura esguia e pálida de Loki. – Loki! – Ele correu até ele. – Você está bem? – E logo viu a aparência do braço dele, o pescoço, e o estremecimento constante dos membros. – O que aconteceu?

O rapaz olhou para ele com dificuldade e depois fechou os olhos. – Dói muito, Stark...

—Tony, preciso levá-lo a um hospital ou ele... Eu acho que Loki está morrendo.

—Vamos leva-lo para S.H.I.E.L.D.?

—Fury vai usá-lo como cobaia, você sabe disso! E também não sabemos se Thor irá aceitar!

—Para a Torre é impossível! – ele sacudia a cabeça. – Trovoada vai leva-lo à força!

—Não há alternativa...

Naquele momento uma luz iluminou o local, surgindo Thor com Fandral e Volstagg. – Ei-lo ali! Sabia que escondiam de nós!

Tony respirou profundamente. – Thor, você não vai...

—Sim, filho de Stark. Vamos levar Loki agora para Asgard.