Redenção
12 Falha no plano
Thor olhava a todos em desafio. Os dois vingadores se postavam diante dele, a frente de seu irmão, tentando ocultá-lo dos seus olhos. – Não me impeça, filho de Stark! Loki voltará ao lugar que pertence. São ordens supremas de nosso rei.
—Ordens bem convenientes para você, eu já posso dizer, — retrucou Stark com raiva enquanto ele retirava algo de sua mochila. – E por que esse filho da puta do Fandral está aqui com você? Foi ele o responsável direto pelos danos atuais de Loki, como tem coragem de trazê-lo até aqui, Thor? – Tony segurou um dispositivo que logo envolveu uma de suas mãos, formando uma luva metálica.
O guerreiro olhou para seu companheiro. – Fandral afirma não ter feito nada. Nós guerreiros não costumamos mentir uns para os outros. Enquanto com Loki, temos uma longa história de mentiras e trapaças. E de truques mágicos, que enganavam diversas pessoas em Asgard.
—Ele é conhecido como trapaceiro em nosso reino, — afirmou Fandral. – Loki sempre foi de aprontar.
Banner ficou vermelho de ódio. – Thor, temos gravações do que houve! Fandral atacou Loki, ele tentou estuprá-lo! Como pode ser tão burro?
Thor espremeu o cabo de seu martelo em sua mão. – Meça suas palavras, mortal. Está falando com o príncipe herdeiro de Asgard!
Stark tinha acionado algo com sua luva e agora olhava irônico para os asgardianos. – Um príncipe herdeiro burro, tapado, cego e estuprador...
Naquele momento Thor lançou seu martelo contra Tony, que desviou rapidamente. – Ficou bravo? Não está nem um décimo do quanto estamos, Thor. Do quanto Loki ficou assustado e ferido. Se esforce mais.
Banner rosnou perigosamente. – Você acoberta seu amigo porque ele lembra a você? É isso?
—O que fará com Loki em Asgard, Thor? – provocou o engenheiro. — Vai dividi-lo com Fandral?
Thor, recuperando seu martelo, desferiu outro golpe, agora contra os dois, e Banner tornou-se verde rapidamente, rugindo com ferocidade. – Oh, o Hulk... — comentou Stark com ironia após se desviar de novo do golpe do asgardiano. – As coisas ficarão interessantes agora.
Hulk avançou contra Thor, o lançando a metros de distância. O guerreiro foi parado por uma parede do outro lado do terreno, num impacto ensurdecedor. Hulk voltou-se contra os outros guerreiros e segurou Fandral pelo braço, o erguendo para o alto e depois o jogando contra o chão com força. Um estalo de ossos foi ouvido por todos.
—Deve ter doído, amigos! – gritou Tony dando mais alguns comandos em seu dispositivo. – Venham logo, caramba! — murmurou para si mesmo.
De repente, Volstagg avançou contra ele com uma espada, quase o acertando. – Merda! – Ele tentou se esquivar o máximo que pode, mas o outro era rápido nos golpes. Tony tentou ganhar tempo atirando terra nos olhos dele, mas o guerreiro conseguiu derrubá-lo facilmente e o segurou no chão com um de seus pés.
—Vejo que o mortal não é páreo para um guerreiro asgardiano.
—Com seu peso, poucos seriam, — retrucou com voz abafada, tentando se desvencilhar.
Volstagg sorriu. – Tomarei como elogio.
Fandral recuperou-se logo, erguendo-se do chão. – Fera, eis-me aqui! Teste sua força, vamos lá! É impossível vencer um guerreiro de Asgard, até para bestas como você!
Hulk soltou um rugido e foi para cima dele, que desviou facilmente e, num gesto rápido, cravou uma adaga nas costas da fera. – Isso deve doer bastante, mesmo para você, — disse o guerreiro sarcástico, que logo se afastou. O outro se mexia descontroladamente, tentando retirar o objeto em suas costas. Em frustração, começou a quebrar tudo que via pela frente e uma nuvem de poeira foi tomando conta do local.
Tony começou a tossir engasgado. – Que merda! Você bem que podia me soltar – E socou a perna de Volstagg com força. – Não sou páreo para você, você já disse, então me solte! Essa poeira está entrando no meu cérebro, porra!
O outro olhou para os lados e sorriu estranhamente. – Tudo bem. Acho que nosso tempo aqui acabou. – E tirou o pé de cima do engenheiro. – FANDRAL! Temos que ir!
Ir?
—O que está acontecendo? – perguntou Tony atônito enquanto se erguia. Ele percebeu que Fandral se aproximava do outro com uma expressão satisfeita. – Onde está Thor?
Fandral sorriu. – Vamos logo! A fera logo se recuperará!
— Sim, não temos tempo.
E Thor não estava mesmo lá. O engenheiro olhou para o lado de Loki.
Não...
—ONDE ESTÁ LOKI?
Os outros dois começaram a recuar e saíram apressados para fora do local. Tony correu para onde o jotun teria que estar deitado e não havia mais ninguém lá. O Homem de Ferro correu pela propriedade, tentando achar pistas de Loki e de Thor, mas tudo parecia intacto. – Eu não acredito...! QUE MERDA! – Ele correu até Hulk e tentou retirar a faca no corpo dele, mas a fera, irritada, desferiu um forte soco contra ele. Tony foi lançado para longe e todo seu corpo protestou em dor ao atingir o chão. – Eu não acredito... – sussurrou cuspindo sangue. – Loki...
Ele ouviu um barulho se aproximando deles e pode ver o helicóptero dos Vingadores chegando ao local. Tony se ergueu e não viu mais Hulk por perto. Logo Natasha e Rogers desembarcaram e foram até ele. – Tony? Onde estão todos? – Ela perguntou com arma em punho olhando para todos os lados.
Rogers colocou seu escudo em suas costas e ajudou o engenheiro a se erguer. – Quem fez isso com você? Os Chitauri?
Tony deu uma risada sem vida. – Os amigos conseguem ser piores, Steve. Foi Hulk.
Natasha e Rogers se entreolharam. – Ele nunca gostou de você, — disse o capitão. – Quer dizer, a fera. Banner é seu amigo.
—É um amor não correspondido, sempre amei as criaturas, mas elas nunca gostaram de mim. É o destino. – E olhou aos céus e viu sua armadura chegando e se posicionando ao lado dele. – Por que demorou tanto? — E se deixou envolver pela armadura.
—O que aconteceu aqui? – perguntou Natasha. — Onde está Loki?
O engenheiro colocou seu capacete e baixou seu visor. – Isso que gostaria de saber. Mas suspeito que caímos no velho truque de distração e roubo. Vejam só, eles são espertinhos.
—Thor capturou Loki? – perguntou o capitão aflito.
—Roubou é uma palavra melhor. Soa mais exata, — disse Stark. – Agora Hulk sumiu, enfiaram uma faca em suas costas, e quem tirará isso dele? Ele quase me matou quando tentei ajuda-lo.
Natasha soltou um palavrão em russo. – Vamos procura-lo. A cidade está em risco com Hulk à solta. E Loki... – Ela fez uma pausa enquanto parecia se conter. — Não tenho mais esperanças.
O capitão assentiu, desanimado. – Já devem estar em Asgard. É o fim. –E ele olhou para os céus com raiva. – VOCÊS NÃO VALEM NADA PARA MIM! FAZER ISSO COM O PRÓPRIO FILHO! COM O PRÓPRIO IRMÃO! SEUS... SEUS MALDITOS!
Natasha tocou no braço dele e chegou a abrir a boca para falar algo, mas mudou de ideia. O que teria para falar que consolasse? E juntar-se a ele nas maldições parecia algo completamente inútil, apesar de compreensível.
Tony suspirou. – Vamos atrás de Hulk. Ele deve estar fazendo um belo estrago na cidade.
—Ou sofrendo de dor, se voltou à forma de Banner, — ponderou a espiã. – Será uma ferida séria uma faca nas costas na forma de Bruce.
Oh...
—Vamos logo, — disse em voz ríspida o capitão fungando e limpando os olhos com as mãos. – Tony, pode sobrevoar a cidade em busca dele? Eu e Natasha iremos de helicóptero.
E foi do engenheiro a tentativa de consolá-lo, chegando a tocar no ombro dele por uns instantes, mas Rogers recusou consolo. – Vamos. Não salvamos um, mas podemos salvar tantos outros... – E ele deu uma risadinha sem vida e murmurou para si: – Ouvi tanto isso na guerra...
Após assentir, Tony logo partiu, fazendo uma vistoria minuciosa dos arredores. Fury faria um inferno com a confusão que estava formada. E com o sumiço de Loki. Merda. Seu coração se apertou ao imaginar como estaria o rapaz. No fim, eles venceriam, você já sabia disso. Esperava o que, algum milagre?
—Não seria nada mal... – sussurrou olhando para os ares. E imaginou-se logo na Torre tomando todas as bebidas possíveis. – Será uma festa...
Muitos moradores locais olhavam com espanto e apontavam para o famoso vingador. O engenheiro logo viu um transeunte fazendo sinal para ele, tentando chamar sua atenção. – Homem de Ferro! Homem de Ferro!
Tony pousou ao lado dele. – O que aconteceu?
O homem parecia pálido de medo. – A fera... eu vi! Ela estava indo para aquele lado – e apontou. – Estava quebrando muitas coisas e assustando as pessoas! E...
—Tudo bem! Irei até lá! E recomendo que se abrigue em algum lugar até tudo terminar. Vá! – E ele partiu, indo na direção da indicação. – Romanoff, Rogers, — chamou pelo transmissor, — parece que Hulk foi à direção norte. Acompanhem-me! Vou precisar de ajuda.
“Ok, Stark. Seguindo direção norte”, — respondeu a espiã.
Rogers olhava pela janela o chão abaixo e, vez ou outra, voltava seus olhos para os céus novamente. E suspirou. – Loki... — E engoliu um soluço.
~o ~
O topo daquele prédio era o suficiente, por um momento. O vento que soprava era incomodo, mas ele se cobriu com sua capa enquanto observava o jovem a sua frente que ainda se encontrava desmaiado. – Ele não acorda, — comentou para seus dois companheiros. – Nunca ficou doente assim.
—Heimdall não abriu a Bifrost, apesar de ter ordenado diversas vezes, — comentou Volstagg pela terceira vez, tentando controlar sua exasperação. – Algo aconteceu, Thor. Em Asgard. Não adianta tentarmos salvar Loki em Asgard se nem conseguimos voltar para lá!
Fandral concordou. – Temos que achar outro jeito de tratar o príncipe. Lembro que os curadores usavam certos tipos de ervas, temos que procura-las por aqui, em Midgard.
Thor suspirou agastado. – Eu enfrentei meus amigos mortais aqui para recuperar meu irmão, e agora parece que terei que falar com eles novamente! Stark não me perdoará, Banner também não.
Volstagg olhava para os lados. – Eu sinto, Thor, que se ficarmos muito tempo aqui, em breve teremos companhia dos Chitauri.
—É, temos esse outro problema,- comentou Fandral. – Essas criaturas estão por aí, e logo causarão outro caos e destruição nesse reino. – E ele olhou para Loki. – Será que ele está por trás disso?
Thor, que estava ao lado do irmão, se ergueu raivoso. – Loki não foi culpado da primeira vez e não é nessa segunda. Foi dominado por Thanos. – E voltou a ficar ao lado do príncipe mestiço. – Precisamos curá-lo e rápido...! – Soltou um suspiro amargo. — Como fui estúpido! Loki morrerá e por minha culpa!
—Não é sua culpa, — disse Volstagg, — você não poderia imaginar que não conseguiríamos retornar à Asgard, como planejado. Pelo menos por enquanto.
O príncipe guerreiro estendeu suas mãos até o rosto de seu irmão e o acariciou de leve. Os hematomas pela pele alva estavam em evidência e Thor pousou com cuidado seus dedos por eles. – Esses machucados... foi você, Fandral?
O asgardiano ficou nervoso. – Acho que sim, Thor. Não sei como foi e...
—O que sentiu no momento? Você o quis, mesmo? Quis o meu irmão?
—N-não, Thor, já disse a você mais de cinco vezes. Não sei o que deu em mim, eu sempre respeitei Loki.
—Sente algo por ele? Atração?
—Claro que não! – E Fandral forçou um sorriso. Volstagg observava atento aquele diálogo. – Tenho quase certeza que fui enfeitiçado!
—Loki te enfeitiçaria, é isso? – questionou o príncipe. – Para que você batesse nele? E que quase o tomasse para si?
—E-eu não sei, Thor. Está tudo muito confuso para mim. Mas dou minha palavra, meu futuro rei, que nunca pensei em Loki indevidamente.
—Se eu não o conhecesse, amigo Fandral, há tanto séculos, eu teria esmagado seu crânio e dado seu corpo aos corvos. Mas eu o conheço. E conheço meu irmão. O prazer dele é me atingir. – E Thor voltou a acariciar o rapaz, agora em seus cabelos, e uma emoção aflorou em seu peito: ele lembrou o quanto adorava quando ficavam tardes inteiras juntos, quando então acariciava os cabelos macios de seu irmão enquanto este lia algum livro preguiçosamente. Ele se ergueu e olhou para os céus. – HEIMDALL! – E aguardou um momento. – REI ODIN!
—É inútil, eles não escutam, você já tentou várias vezes — afirmou Volstagg. – Vamos levar o príncipe para outro lugar.
—Para os mortais? – sugeriu Fandral.
—Nunca! – retrucou Thor ferozmente. – Eles... eles não sabem quem é Loki. Ele pode prejudica-los.
Volstagg suspirou. – Meu príncipe, meu amigo, Loki está debilitado. Será muito difícil ele fazer mal a alguém, sobretudo com essas pulseiras. Elas foram feitas especialmente para ele, se recorda? Seu pai tinha encomendado dos anões juntamente com a magia de Vanaheim.
—E agora não conseguimos voltar, — ponderou Fandral. – Há algo acontecendo, e não sabemos o que é, ainda.
—Tenho certeza que o rei resolverá logo a questão,- disse o outro servo. – Nossa Majestade não está sozinho em Asgard.
—Eu precisava estar lá! – queixou-se o herdeiro. – E com Loki! Eu falhei! Meu pai não me perdoará! – E abaixou a cabeça em desespero.
—Vamos pensar um problema de cada vez, — disse Volstagg. – Temos que ajudar Loki, Thor, a se curar. E tem que ser agora.
Fandral começou a circular pelo ambiente, olhando atentamente para todos os lados. – Acho melhor sairmos daqui rápido. Somos alvos fáceis no alto dessa torre.
Um gemido foi ouvido por todos e viram que Loki começou a se mexer, abrindo os olhos suavemente. – Loki? – chamou Thor.
O jotun colocou, com dificuldade, uma mão nos olhos, tentando se proteger da claridade. Com cuidado ele observou a todos a seu redor. – Vocês...! – sussurrou entredentes.
—Sim, Loki, estamos te levando de volta para Asgard, — avisou seu irmão.
Loki olhou para ele por uns instantes como se considerasse o que escutou e de repente começou a rir dolorosamente. Thor franziu a testa. – O que há de engraçado?
—Estou curioso, Thor, — disse em voz rouca pigarreando, — do motivo de estarmos ainda aqui. Certamente já estaríamos em Asgard, a não ser que algo tenha dado errado. – Ele se ergueu levemente, agora olhando para Fandral com raiva. – Vejo que alguém não foi punido. E por que seria, não é mesmo? – Fandral desviou-se do olhar intenso do príncipe.
Thor suspirou. – Não conseguimos voltar a Asgard, Heimdall não abriu a Bifrost.
Loki ajeitou-se sentado, encostando-se a uma parede e gemendo de dor. – Devem estar atacando Asgard. Finalmente...
Thor fez um gesto de estapeá-lo e Loki olhou firmemente para ele, o desafiando. O guerreiro recolheu a mão com raiva. – Você não tem nenhuma gratidão, não é mesmo? Quer que a rainha morra também? Nossa mãe?
—Sua mãe, — corrigiu o jotun. – E o que farão agora? Ficarão aqui, esperando pelo que?
Volstagg abaixou a cabeça. – Não sabemos ainda. Não temos como voltar sem a Bifrost.
Loki deu uma risada fria. – Eu posso voltar. Posso levar todos vocês. Mas... – e ergueu seus punhos feridos, — primeiro devem me libertar.
—E você fugirá, com certeza! — respondeu seu irmão. – Nunca!
—Thor, eu não vou voltar com vocês. – disse em voz frágil e cansada. – Preciso me curar e com minha magia conseguirei isso. Vocês precisam voltar a Asgard e, adivinhem?, com minha magia consigo isso para vocês, seus idiotas. Soltem minhas pulseiras e todos ganham.
—Mas você deverá voltar conosco...
—Não! É tão tolo a ponto de pensar que irei voluntariamente? Para que?
—É onde pertence...
—Você sabe que não pertenço a Asgard! Você sabe que fui roubado!
O guerreiro avançou contra ele agarrando seus braços com força. – NUNCA MAIS REPITA ISSO!
—Está me machucando! – disse Loki tentando se desvencilhar enquanto sentia uma dor imensa se alastrando pelo seu corpo. – E estou cansado de esconder isso! Ele é um criminoso!
Fandral e Volstagg se entreolharam e saíram de perto dos dois, para maior privacidade.
—NUNCA DIGA ISSO DE NOSSO REI! ISSO É TRAIÇÃO!
—Você sabe que é verdade. – Os olhos de Loki ficaram marejados. – Ele tirou minha vida, minha vida verdadeira. E VOCÊ CONCORDA COM ISSO!
Thor soltou o irmão e suspirou cansado. – Eu não tenho que concordar, Loki. Ele é o rei, e é nosso dever obedecê-lo. É prudente obedecer. Quando eu for rei, resolverei esse problema de alguma forma. Você precisa ter paciência e acreditar em mim.
O outro sacudiu a cabeça negativamente. – Eu não confio mais em você. É um estranho para mim, agora.
O guerreiro olhou em silêncio para seu irmão. Loki se encolheu num canto, o rosto expressando as dores das feridas. Thor olhou para os céus em frustração. O que faria? Talvez devolvê-lo para os vingadores para que o curassem? Ou libertar Loki de suas pulseiras e, assim, ele mesmo poder se curar, além de leva-los de volta a Asgard. E eu nunca mais o veria, pensou.
Naquele momento ouvem um barulho ensurdecedor e o prédio onde estavam estremeceu. – O que foi isso? – perguntou Thor.
Fandral correu para a beirada do edifício e arregalou os olhos. – Eu não acredito...! THOR!
Quando Thor correu, logo todos viram Hulk despontar no local, se lançando para o alto. Os guerreiros recuaram. – Ele... seguiu a gente? – questionou Volstagg atônito.
Fandral franziu a testa e desembainhou sua espada. -Ele tem faro?
Hulk se atirou contra ele, segurando-o pelo braço e lançando o guerreiro para longe do prédio.
—FANDRAL! – gritou Thor atirando seu martelo contra a fera.
—Isso não vai terminar bem... – resmungou o terceiro guerreiro indo contra Hulk com sua espada.
Com um só golpe, a fera o lançou também para fora do prédio. Thor recuperou o martelo e se posicionou a frente de seu irmão. – Não vai leva-lo, besta!
O outro avançou contra o asgardiano, porém Thor se desviou rapidamente dele e, num gesto, desferiu um golpe de seu martelo. Hulk urrou de dor e de raiva e avançou novamente contra ele, pegando-o pelo pé e o erguendo no ar.
—Pare, Hulk!
A criatura verde parou, olhando em direção a voz. Loki se ergueu com dificuldade e, apoiando-se na parede, foi caminhando para ele. – Pare, você não deve matá-lo! Eu peço que o solte.
Hulk jogou Thor com força ao chão e foi andando até Loki e, quando ficou bem perto, ele o envolveu em seus braços e soltou um grunhido rouco. – Eu estou bem; vivo, ao menos, — se explicou o jotun.
Um barulho de helicóptero foi se aproximando e Thor pode ver que os vingadores estavam próximos. Tony chegou em sua armadura, e o guerreiro não pode ver o semblante feliz do engenheiro. – Thor, que saudades! Resolveu esticar sua estadia? Onde está a dupla dinâmica?
O guerreiro suspirou exasperado. – Hulk os lançou para fora dessa torre.
O engenheiro assobiou. – Devem ter estragado o asfalto. Recolhemos os corpos depois?
—Guerreiros asgardianos não são como os mortais, eles são resistentes.
Stark deu de ombros e olhou para as duas figuras atrás. – Loki?
Rogers desembarcou com seu escudo e foi correndo até onde Tony estava. – Hulk está aqui? Veio atrás de... Loki? – E olhou para Thor. – O que fazem aqui ainda?
—Estamos com problemas, — respondeu o guerreiro de má vontade.
—Bem-vindo ao meu mundo, — disse Tony indo em direção ao príncipe jotun. – Loki?
Hulk rugiu furioso contra Stark, que recuou. – Calma, sou amigo!
—Stark... – E Loki tentou não sorrir, sem sucesso.
—Acho que está na hora de voltar a Torre. Vamos cuidar de você.
A fera novamente rugiu contra a aproximação dele. – Calma, Hulk, — pediu o rapaz com voz cansada. – E quanto a Thor, Stark?
—Parece que ele está com um probleminha para voltar ao lar doce lar, — e quase riu.
—Eu sei, — e ele deu um sorriso mínimo. – Hulk me protege dele. Para que ele se transforme em Bruce, vou precisar que Thor não me ameace novamente.
Tony ainda pode ver o olhar irônico do rapaz e sorriu. – Acho justo.
O capitão conseguiu sorrir também. – Acho melhor concordar, Thor. – E falou para Loki: — Que bom que ainda está aqui, e vivo.
Natasha se aproximou deles com cautela. – E parece que, se não cuidarmos logo de seus ferimentos, em breve não estará.
Thor suspirou ruidosamente e tentou se aproximar do irmão, sendo rechaçado por Hulk. — A fera está mais forte do que nunca, — comentou após breve instante.
—Deve ser o instinto de proteção, — disse Tony. — Loki está em perigo e ele o protege. Simples assim.
O guerreiro suspirou. – Loki tem um poder sobre as feras que nunca compreenderei. Mas isso não será o suficiente contra a vontade de meu pai. – Ele ficou em silêncio por um momento. – Eu só quero o bem dele. Aqui ele corre perigo, Stark, ainda mais com esses Chitauri por aí. Aqui eu não consigo protegê-lo.
—Você o estuprou, Thor. De que forma o protegerá de si mesmo?
O outro olhou com ódio para o engenheiro e ergueu seu martelo com ódio. – Pare de falar sobre isso!
—A verdade machuca, eu sei, mas ele se machucou muito mais, acredite.
Thor rosnou. – Você não sabe nada sobre nós.
—Eu sei o suficiente. Thor, ele tem medo de você! – O guerreiro abaixou a cabeça e apertou os lábios. – Eu sei que vocês eram os melhores amigos antes, mas agora... Depois do que houve, como ele pode ter confiança em você? E é por isso que não queremos que ele vá para Asgard, pois também não confiamos em você.
—Eu vou me segurar, — afirmou em voz baixa.
—Depois de quantas vezes em que não conseguiu...?
Thor se afastou deles, indo para a beirada do prédio. Stark foi até ele. – Eu não posso deixa-lo aqui, — tornou o guerreiro em voz baixa. — Tão longe! Isso não é nada do que planejei. Eu pensei que eu e ele estaríamos juntos para sempre. Eu governaria e Loki estaria ao meu lado, me ajudando. Seria perfeito.
—A Sif ficará ao seu lado. Não é o suficiente?
—Meu casamento com ela será por obrigação. Eu preciso me casar. Preciso ter filhos. – E completou em um sussurro: — E com Loki não poderia ter isso...
—Você quer muitas coisas, Thor, mas nem tudo se pode ter. Bem vindo ao mundo adulto. – E ele olhou para trás, vendo que a fera já havia voltado a forma de Banner. Este estava ao lado de Loki e conversavam alguma coisa. – Não posso mais impedi-lo de nada. Não queremos matá-lo, por isso Hulk se foi. Só peço bom senso de sua parte.
Natasha se aproximou dos dois. – Podemos leva-lo de volta à Torre? Loki não tem mais tempo.
Thor espremeu as mãos no cabo do martelo. – Não tenho escolhas. Bifrost não abriu para mim. – E ele se virou para a espiã. – Podem leva-lo, Lady Natasha. Eu os acompanharei.
Ela assentiu e retornou ao príncipe jotun. -Carregue ele, vamos leva-lo no helicóptero. – disse Natasha estoica a Bruce e Steve. – Está tudo bem, Banner?
Bruce segurava Loki em seus braços. – Está tudo bem. Eu ajudo vocês.
—Se segurar suas calças rasgadas já será um bom começo, — disse ela com um meio sorriso.
Steve pegou o rapaz em seus braços e o carregou até seu transporte. Todos entraram no helicóptero, menos Stark e Thor, que foram sobrevoando os céus de Nova York até a Torre dos Vingadores escoltando os amigos. Durante o trajeto, Tony enviou instruções a Jarvis para que convocasse, com urgência e discrição, médicos de confiança para cuidar do príncipe debilitado. – Cuide para que eles não saibam quem é até o verem, J.
—Sim, senhor.
Na chegada à Torre, havia Sif com expressão severa no deck para recepcioná-los. Seu semblante descaiu ao ver que Loki era trazido com eles. Uma equipe médica subiu aquele andar também, já com maca e equipamentos de emergência, e colocaram o rapaz deitado, o levando para o andar da enfermaria. Steve e Bruce foram com eles.
—O que isso significa, Thor? – perguntou a guerreira entredentes. – Era pra Loki ter ido a Asgard! Essas foram as instruções!
—Eu sei, Sif. Mas a Bifrost não se abriu para gente. E também... Loki precisa de cuidados. E de algum tempo.
Ela riu sarcástica. – Tempo? Ele matou guerreiros nossos, é um jotun, inimigo de nosso reino, e...
—CALE-SE! – respondeu rispidamente. – Não ouse continuar esse discurso. PONHA-SE NO SEU LUGAR, SIF!
A guerreira calou-se furiosa, olhando todos a volta. Natasha conteve um sorriso e Tony foi se dirigindo ao bar do andar. – Alguém aceita uma bebida? Suco? Água?
—Você deve ter sido barman em sua outra vida, — comentou a espiã.
—Talvez tenha sido mais feliz. Ou menos infeliz. – E tomou um longo gole após ter retirado seu capacete.
—Acho que você pode retirar sua armadura agora, Tony, — avisou ela.
Ele se olhou e suspirou. – Às vezes acho que deveria usá-la para sempre. Tamanha a demanda. – E se desconectou dela.
Sif bufou. – Onde estão os outros? Volstagg e Fandral?
Thor fechou os olhos de raiva. – Foram vencidos pela fera. Devo ir procura-los! Já retorno, Sif. – E partiu com seu martelo.
—Já estou com saudades... – murmurou Tony entre um drinque e outro.
A guerreira foi até eles com ar arrogante. – Exijo ver o prisioneiro. Sem Thor aqui, devo supervisioná-lo e ver as ações que estão...
—Oh, cale-se! – disse Tony impaciente. – Não ouviu o que seu senhor ordenou? Creio que servos devam obedecer mesmo pelas costas dele. Aproveite e volte para seus aposentos e medite um pouco sobre sua vida. Tem petiscos em algum lugar do ambiente. Bebidas após meditação não recomendo, muita informação, sabe como é...
—Tony! – interrompeu Natasha. — Vamos até a enfermaria agora. Devem precisar da gente lá.
Sif olhou indignada para os dois, mas não disse mais nada, retirando-se do ambiente. Stark deu uma risadinha. – Gostei de mandá-la calar a boca. Vou treinar mais.
A espiã pegou o bilionário pelo braço. – Vamos. Loki precisa da gente.
Sem dizer mais nada, ambos foram até o elevador e se dirigiram para a enfermaria.
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