Redenção
2 Capítulo 01
Notas iniciais
Você sabe que seu pai passa dos limites, quando ele manda uma mensagem através da sua irmã exigindo que retornasse para casa, sem um motivo, ou esclarecimento, ele quer então assim tem que ser, isso é revoltante. Eu sequer tenho o seu nome, Nyssa tem orgulho de ser uma Al Ghul, eu apenas acho que ser uma Al’ Ghul é tão impressionante quanto pegar um ônibus, eu poderia viver sem.
Ra’s Al Ghul, o também conhecido como “Cabeça de Demônio” nos ringue conheceu minha mãe assim como conheceu todas as mulheres em sua vida, eles se encontraram em uma dessas festas regada a álcool que acontece depois de uma luta, minha mãe sequer acompanhava essas lutas pelo o esporte, tudo se tratava de seguir suas amigas para o novo point onde rolaria a festa e observar alguns homens com o tronco desnudo socando uns aos outros. Conversa vai, conversa vem e eles dois terminaram levando a festa para um lugar mais particular, oito meses depois eu nasci. Um total empecilho na vida do meu pai, que já tinha uma criança, Nyssa havia nascido do seu primeiro casamento, ele realmente se importava com ela, ele amava sua mãe. A minha foi um passatempo, uma noite só, tanto que ele não sabia da minha existência até o momento em que eu completei quinze anos e minha mãe mandou uma foto minha para ele. Depois disso ele assumiu completamente minha vida, eu que era acostumada a viver apenas com minha mãe em Las Vegas, tive que me mudar para São Francisco norte da Califórnia, e passei a viver com um homem que não conhecia, que quase não estava em casa e que ignorava completamente como abordar uma conversa comigo, tive que aguentar os constantes olhares de ódio de Nyssa que é cinco anos mais velha do que eu e me julgava uma pirralha inconveniente até que com o passar dos anos passamos a nos respeitar.
No momento em que eu terminei o colegial resolvi me mudar de São Francisco para a agitada Nova York e fazer faculdade de medicina lá, meu objetivo? Distância. Nyssa me acompanhou, segundo ela uma pirralha como eu não saberia como me virar na cidade grande, embora não fosse como se São Francisco fosse uma cidade pequena, eu poderia ter voltado para Las Vegas, mas meu relacionamento com minha mãe não era o mesmo, não havia mais a mesma intimidade, e eu sempre fui mais independente do que as garotas de minha idade, então eu realmente fiz isso, me soltei das algemas que me ligam ao meu pai, ao menos foi o que pensei. No meu terceiro ano lá e o poderoso Ra’s resolve me chamar de volta, sem nenhuma razão certa. Ao menos eu estou em meio às férias, se o tempo se estender terei que trancar um período apenas para fazer suas vontades, infelizmente não posso esquecer quem paga meus estudos e minha moradia.
Meu humor já não estava um dos melhores e chegar a uma das academias que meu pai mantinha não era algo que tivesse me deixado exultante, principalmente ao encontrar o tipo de macho típico desses lugares, lindo, mas muito consciente disso e que achava que apenas com um sorriso poderia tirar as calcinhas de qualquer mulher que chegasse perto o suficiente para sentir todo o excesso de testosterona. Eu odiava esse tipo.
O pior de tudo é que parece que meu corpo não era consciente que devia odiá-lo, na verdade ele adorava o que via, desde seu tronco desnudo, peito amplo, abdômen firme até seus braços fortes. Eu precisava dá uma atenção especial para seus olhos, era como se havia algo por trás deles, algo escuro que eu queria muito descobrir. Este homem era sexy demais para minha sanidade, ele emitia um alerta de perigo em letras brilhantes ao qual eu adoraria ignorar.
Mas eu não estava aqui para isso, e sua abordagem havia ajudado a diminuir a empolgação do meu corpo para ele, minha mente havia vencido graças a Deus.
– Então, Sr. Diggle. – Falei voltando à atenção para o homem alto e tão impressionante quanto seu amigo. Quando eu havia dado o corte no falso Sr. Diggle, ambos os homens ficaram em silêncio apenas me observando, olhos azuis prosseguia me encarando em choque, enquanto o verdadeiro Sr. Diggle tentava a todo custo ocultar seu sorriso, eu havia deixado seu colega sem palavras e ao que parecia isso o divertia. – Você pode me mostrar o caminho de onde eu preciso ficar?
Quando eu recebi o perdido (Leia-se ordem aqui) de voltar para casa, imaginava que iria para minha velha casa, fria mais confortável e que meu pai teria pelo menos a consideração de receber, em vez disso ele me manda uma mensagem assim que piso na cidade e me dá um novo endereço, pede desculpas porque ainda não está de volta a cidade e avisa que o endereço seria o local onde moraria pelos próximos meses. Mate-me.
– Na verdade eu tenho que ajudar Roy. – Sr. Diggle falou olhando para trás de mim. Resisti o impulso de seguir seu olhar. – Oliver pode leva-la. – Falou dando um tapinha no ombro do homem que havia me assediado, então ele se chama Oliver... O nome combinava com ele. – Ele conhece bem o local. – Oliver assentiu, mas seu sorriso já não estava mais ali, isso me surpreendeu, ele estava sério.
– Venha comigo. – Pediu com um aceno, antes de se inclinar para pegar a mala que estava ao meu lado, parou apenas para pegar sua camisa que estava jogada em um dos equipamentos e vesti-la, fiquei chocada pela necessidade quase incontrolável de impedi-lo. Eu o segui até que ele tomou o caminho de uma escada lateral quase escondida, ele bateu nos bolsos de sua calça e tirou uma chave dela, eu estava curiosa do por que ele está com as chaves. – O lugar é pequeno para seus padrões eu acho, mas tem uma cozinha, dois quartos cada qual com seu próprio banheiro, e mais um fora esses no final do corredor, essa é a sala... – Fez um gesto vago soltando minha mala. – Na cozinha há uma porta que dá para a “lavanderia” – Ele realmente fez o gesto de aspas, revirei os olhos com isso. – Eu acho que é só... Ahh o corredor dá para os quartos que ficam um em frente ao outro. Espero que esteja aos seus gostos.
– Eu não gosto da forma como você fala. – Soltei, ele me encarou surpreso. Percebi que ele esperava por mais explicações. – Você ficou todo mal humorado e sério após saber de quem eu sou filha e está me tratando como uma criança cheia de caprichos. Qual o seu problema?
– Nenhum. – Negou. – Eu só não estou mais tão interessado em você.
– Eu não quero seu interesse. – Falei convicta. – Só não quero ser tratada como uma criança.
– Mas você é uma criança para mim. – Ergueu uma sobrancelha. – Você tem 20 não é mesmo?
– 21. – O corrigi. – Em breve 22, não que meu pai possa decorar, quantos anos você tem Senhor terceira Idade? – Eu realmente estava curiosa sobre isso.
– 29. 30 se considerar que completo amanhã. – Oito anos de diferença. Não sei por que eu estava fixada nisso. – Está chateada por que fiz o que pediu e guardei meu charme para mim? – Perguntou franzindo o cenho.
– Eu já disse que não quero o seu interesse. – Retruquei. Ele se aproximou me analisando fixamente.
– Então por que está me enchendo com isso? – Perguntou.
– Eu já disse, apenas não gosto da maneira que fala comigo. – Dei de ombros. – Não sou uma garota mesquinha.
– Anotado. – Assentiu, mas algo em sua voz me fez pensar que ele não tinha levado minhas palavras a sério. – É livre para explorar o apartamento, mais tarde providenciarei uma chave para você, pode ficar com a minha por enquanto, caso precise sair. – Deu de ombros e me entregou a chave, eu a peguei tentando evitar qualquer contado entre nossas peles e a observei com atenção.
– Sua. – Repeti absorvendo o significado da sentença. Ele já havia virado para sair, mas parou ao escutar minha pergunta. – Por que você tem uma chave?
– Por que eu moro aqui. – Ah o maldito sorriso havia voltado, ele estava muito feliz em me jogar essa bomba. – Estou uma porta a sua frente princesa, caso precise é só me chamar.
– Espere. – O impedi de sair. – Meu pai sabe disso? Essa é sua casa?
– Tecnicamente seu pai me deixa ficar aqui já que eu concorro para academia nas lutas. – Um lutador, não apenas um viciado em exercício, ele era um lutador como meu pai, mais uma razão para me manter afastada. – Está com medo de que eu volte a ficar interessado? — Seu sorriso era cada vez mais largo quando voltou a se aproximar. – Vamos deixar as coisas claras princesa, no momento em que você pisou nessa academia eu quis te foder, duro, forte e sem consequências, mas isso foi antes de saber que você era garotinha do meu patrão, agora você pode ficar feliz quando ganhar um bom dia meu.
– Deus! Você é tão arrogante! – Murmurei incrédula. Ainda que meu coração houvesse acelerado no momento em que ele havia murmurado o que desejava fazer comigo, era com esse idiota que eu teria dividir o apartamento?
– Se isso te incomoda você sempre pode conversar com o papai. – Deu de ombros. – Até mais princesa. – Murmurou se virando.
– Não me chame de princesa! – Gritei para suas costas.
– Muito tarde. – Retrucou antes de fechar a porta. Enquanto eu observava a porta fechada cheguei à conclusão que o odiava, odiava que ele me chamasse de princesa e odiava que ele provocasse tantas reações confusas, ele fazia com que meu corpo e minha mente entrassem em contradição, eu precisava urgentemente pensar em uma maneira de evitar o mínimo de contato com ele mesmo morando na mesma casa. Isso ia ser difícil.
POV OLIVER
– Então... – Diggle me encarou uma sobrancelha arqueada. – Como foi?
– Como encontrar um gatinho esfomeado na sua porta de casa. – Resmunguei. – Você quer expulsa-lo, mas você não pode.
– Eu acho que você gosta dessa gatinha em questão. – Sorriu.
– Sim, de joelhos em minha frente. – Respondi fazendo com que ele formasse uma careta. – Tirando isso eu posso viver sem ela.
– Eu não preciso repetir para que você se mantenha afastado preciso? – Diggle perguntou deixando o tom de brincadeira de lado. — Oliver...
– Não. Não precisa. – Falei sincero. – Sabe o que um envolvimento com a princesa significa?
– Princesa? – Repetiu divertido.
– Problemas. – Falei o ignorando. – Você sabe o quanto quero esse tipo de problema longe de mim.
– Olá garotos. – Girei para encarar Sara que entrava com sua habitual animação. – O que andaram aprontando nesse final de semana?
– Nada que seus ouvidos sensíveis possam escutar. – Murmurei apenas par provoca-la.
– Fala sério Ollie. – Riu. – Eu te conheço por toda uma vida, já escutei muita obscenidade dessa sua boca.
– E já recebeu também. – Concordei.
– Vamos deixar o passado no passado. – Pediu com um sorriso.
– Como quiser. – Pisquei.
– Seu charme está transbordando hoje, o que aconteceu? – Perguntou cruzando os braços me analisando com atenção.
– A filha de Ras chegou. – Diggle informou.
– Nyssa está aqui? – Perguntou surpresa.
– Apenas eu fico surpreso por ele ter filhas? – Perguntei curioso. – E como você conhece essa Nyssa? – Ela me lançou um olhar típico de quem ia ignorar a pergunta.
– Vamos deixar o passado no passado. – Repetiu. – Espere, você disse filhas? No plural?
– Isso. – Diggle confirmou. – Ele tem duas, a mais nova é a que está aqui.
– Qual o seu nome? – Sara perguntou curiosa.
– Felicity Smoak. – A voz feminina respondeu. Nós três a encaramos cada qual um pouco envergonhado por ter sido pego falando dela. – Vocês não precisam ficar envergonhados eu já vim preparada para ser o assunto do momento. – Deu de ombros, seu olhar atingiu o meu agora com menos receptividade. – A geladeira está vazia, estou saindo para fazer compras. – Avisou antes de voltar a encarar Sara. – Foi um prazer...
– Sara. – Sara ergueu a mão a cumprimentando. – Sara Lance. – Felicity aceitou o cumprimento com um sorriso hesitante. – Ignore qualquer coisa que esses brutos acabem fazendo, com o tempo você aprende a lidar como eles.
– Claro. – Sorriu. – Até mais. – Se despediu olhando de Sara para Diggle.
– Você acabou de chegar de viagem. – Falei negando-me a deixar ser ignorado. – Não devia estar descansando?
– Você é um lutador. – Ergueu uma sobrancelha. – Não devia estar lutando?
– Você precisa de alguma ajuda Felicity? – Diggle perguntou solicito. Enquanto eu observava Sara esconder um sorriso.
– Não. – Declinou o pedido com mais um de seus sorrisos que pareciam ser destinados a todos menos para mim. Não que eu me importasse. – Eu conheço um lugar aqui perto, e vou trazer poucas coisas, mas obrigada. Até mais. – Falou antes de se afastar, a observei mais atento do que gostaria de assumir, ela voltou-se e me encarou. – A propósito Oliver, você já me deu o seu “Bom dia” hoje.
– A garota nem bem chegou à cidade e já te odeia. – Sara me encarou. – É um novo recorde. Eu gosto dela, as garotas geralmente só te odeia depois que você transa com elas e as abandona, o que você fez para a doce Felicity?
– Sua turma está chegando Sara. – Falei precisando que ela tomasse seu próprio caminho e me deixasse em paz.
– Ah o Ollie mal humorado, esse eu conheço. – Piscou antes de se afastar.
– O que aconteceu lá em cima Oliver? – Diggle me perguntou com o olhar inquisitivo, meneei a cabeça minimizando tudo.
– Apenas estou mantendo-a afastada. – Respondi dando de ombros e voltando enfaixar minhas mãos para calçar as luvas.
– Por quê? – Eu podia sentir seu olhar sobre mim, sabia que estava me analisando com atenção. – Por que eu pedi? Você não costuma fazer as vontades do outros.
– Por que eu não sirvo para ela. – Respondi sincero. – Você está certo, eu sou um pedaço de merda, e ela... Ela está muito acima das garotas com quem fico, eu não sirvo para ninguém, muito menos para ela. – Concluí com aspereza.
– Você a está protegendo? De si mesmo? – Perguntou incrédulo. – Você sequer a conhece.
– Vamos manter assim. – Resmunguei subindo o ringue. – Ainda quer continuar com essa conversa profunda ou está pronto para apanhar um pouco? – O provoquei mudando de assunto, eu respeitava Diggle e o considerava um amigo, mas sequer ele sabia algumas coisas que estavam enterradas profundamente dentro de mim, quando eu me deixava levar e dizia algo que me deixava ciente de que eu não merecia sequer estar aqui me deixava inquieto, agitado, pronto para a luta, ele pegou a dica e logo se juntou a mim. Seguimos com o treinamento por todo o dia, à medida que os outros chegavam eu ia trocando de parceiro, em um determinado, eu percebi o momento que ela chegou, eu estava tomando água após levar o pobre coitado de Roy ao chão, eu estaria mentindo se negasse que não havia notado sua demora em voltar, meus olhos se encontraram com os delas que me encaram desafiantes, sorri ao observa-la tão arisca, e lhe dei as costas apenas consciente que o gesto iria irrita-la.
Só subi ao apartamento apenas quando fechei a academia, maioria dos dias eram assim, essa era minha rotina, eu passava o dia todo lá, entre treinando e ajudando Diggle, Sara e outros instrutores. Era por essa razão que Felicity não encontrou nenhuma comida na geladeira, eu sou solteiro, e meu almoço ou é entregue junto com o de algum instrutor ou saímos eu e Sara para comermos em algum lugar por perto, à noite eu seguia o mesmo padrão, ou eu pedia algo ou saia. Provavelmente se fosse outra noite, em um dia comum eu levaria alguma garota comigo, mas em respeito a primeira noite da senhorita “Não quero seu interesse” e “Guarde seu charme” eu dispensei a garota que havia insistido em levar alguma festa aqui para cima, claro que eu podia acompanha-la até sua casa, o que geralmente é o que eu faço, mas estava curioso demais para ver como ela havia se instalado, ela havia trazido apenas uma mala, imagino na esperança de não ter que passar tanto tempo na cidade e deveria achar o apartamento impessoal.
Quando entrei o cheiro de comida invadiu minhas narinas e me surpreendeu. Minha boca se encheu de água na medida em que eu avançava pelo apartamento, a encontrei sentada no balcão, devorando um prato de macarrão com queijo.
– Você sabe que elas servem para sentar não é mesmo? – Perguntei apontando as cadeiras em volta da mesa.
– Você sabe que eu não me importo, não é mesmo? – Retrucou. Suspirei sabendo que ela sempre teria uma resposta para qualquer comentário que eu fizesse. – De qualquer forma, se estiver com forme deixei um pouco para você, apesar de ser um bruto.
– Um bruto? – Repeti.
– Ah e a louça hoje é sua. – Falou descendo do balcão e depositando o prato com talheres sujos na pia. – Uma gentileza sua para sua nova colega de apartamento. – Esclareceu.
– Mesmo? – Cruzei os braços e me encostei ao batente da porta. – Por que eu faria isso?
– Por que eu cozinhei. – Respondeu rapidamente. – E é assim que as coisas funcionam.
– Desculpe, é a primeira vez que divido o apartamento com uma mulher. – Ergui uma sobrancelha.
– Você se acostuma. – Respondeu. — Boa noite Oliver. – Falou se afastando.
– Boa noite princesa. – Respondi. Ela lançou um olhar por cima do ombro e caminhou para o corredor com um suspiro zangado. Soltei um pequeno riso quando ela se foi. Sua comida não era de todo mau, descobri quando enchi meu prato e comi com ânimo, quando terminei limpei tudo, por que eu tinha meu próprio complexo de limpeza, quando me recolhi para ir para o meu quarto acabei parado encarando sua porta, ela havia me surpreendido mais uma vez, e eu continuava me sentindo terrivelmente atraído por ela, saber que ela estava apenas uma porta de distância me deixava maluco, saber que ela estava tão perto com certeza levaria embora o resto de minha sanidade. Por que eu sabia que me manter afastado da garotinha de Ras seria mais difícil do que eu tinha feito soar.
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