Redenção
21 Último capítulo
Notas iniciais
POV OLIVER
Observei a tela do notebook por mais alguns segundos, sentindo a familiar ardência no peito sempre que nossas vídeos chamadas acabavam. No começo havia sido mais fácil. Não exatamente, havia sido difícil por que o namoro era recente, mas ainda assim havia sido mais fácil. Estávamos sempre nos ligando, ou mandando mensagens. Ela vinha me visitar nos feriados prolongados, ou eu ia quando ela não podia. De alguma forma, mesmo estando separados, estávamos sempre juntos.
Mas agora, quase um ano depois que ela havia ido, eu diria que pela primeira vez nós realmente estávamos sentindo o peso real de um namoro a distância, ela não podia vir passar suas férias com seu pai, como na vez que em nos conhecemos, não sem prejudicar seu estágio. E eu não poderia ir até ela, não enquanto não finalizasse as obras da academia, eu estava tomando conta de tudo, todas as pequenas decisões e grandes também, amanhã mesmo eu iria entrevistar algumas pessoas, queria contratar os instrutores o mais rápido possível. E ainda tinha as lutas, havia esse evento que acontecia a cada dois anos, eu estava treinando arduamente, dividindo meu horário. No momento eu não poderia me dar o luxo de visita-la, não importando o quanto eu quisesse, ir visita-la significava decepcionar Ra’s, não ir significava decepciona-la, por mais que eu soubesse que ela entendia. Eu mesmo entendia o porquê ela não podia vir, mas isso não tornava as coisas menos decepcionantes. Então estávamos sorrindo forçadamente e fingindo que estava tudo bem, quando nada estava bem, quando não estávamos bem.
Isso era uma droga.
Deixando meu notebook de lado me levantei e me apressei a tomar meu banho. Pulando o café da manhã desci as escadas, meu olhar encontrando Diggle segurando o pequeno Jonas em seus braços, segurava uma pequena mochila que lhe dava aquele ar paternal e ridículo. Sara chegou até eles no momento em que parei em sua frente.
— Awnn diga-me que ele pediu para me visitar. – Sara murmurou enquanto sorria abertamente para a criança e a tomava nos braços, dando-lhe um sonoro beijo na bochecha, o pequeno abriu um sorriso enquanto recebia o carinho. Segurei a vontade de dizer que a frase “Eu quero ir ver a tia Sara.” Não ia sair da boca de um bebê que ainda não havia completado um ano.
— Lyla precisa de um pouco de espaço. – Diggle falou sorrindo. – Eu confesso que eu também. Ele pode ser adorável... – Murmurou apontando para o filho que estava entretido com as palhaçadas de Sara. – Mas requer certa energia. – O lancei um olhar divertido.
— Ele é tão pequeno. – Apontei fazendo um rápido carinho nas costas do seu filho. – Não pode dar tanto trabalho assim. — Diggle soltou uma risada irônica.
— Espere o momento em que você e Felicity tiverem o seu. – Murmurou. Não pude evitar me engasgar com meu próprio ar ao escutar o que disse. Tentei disfarçar e forcei meus lábios a mexerem-se no que esperei ser um sorriso, qualquer coisa que pudesse acobertar o desconforto que seu comentário gerou, mas a tentativa foi falha, pelos olhares que recebi não apenas ele notou, como também Sara.
— Hummmm. – Busquei em minha mente algo que pudesse preencher o silêncio inquietante que se seguiu. – Vocês viram Ra’s?
— Você falou com ela hoje? – Sara perguntou ignorando minha pergunta. Era difícil fazer Sara mudar de assunto quando se tratava de Felicity, eu sabia que elas estavam sempre trocando mensagens, por que a própria Sara gostava de conversar comigo sobre o que elas haviam conversado, infelizmente como troca ela desejava que eu fizesse o mesmo. Já sabendo aonde isso ia me levar assenti concordando. – Ela não vai poder vir mesmo?
— Não. – Confirmei sua dúvida. Eu poderia apostar que Felicity já havia lhe dado essa informação, mas que Sara havia mantido a esperança disso mudar quando ela falasse comigo. – Isso a prejudicaria, ela estava tentando encontrar alguém para substitui-la mesmo que por apenas um par de dias, mas ela não encontrou. Eu acho que vamos ter que esperar pelo próximo feriado então. – Dei de ombros.
— Ollie... – Sussurrou não a mentira que era minha casualidade ao falar sobre isso.
— Tudo bem. – Murmurei a interrompendo.
— Não se preocupe. – Diggle falou. – Com esses seus novos projetos... O tempo passará tão rápido que o deixará tonto. Chegará antes que perceba.
— Eu sei. – Assenti. – Eu só... – Respirei fundo, concentrei minha atenção na criança a minha frente. Ele estendeu os braços para mim e não pude recusar o pedido, trazendo-o para meus braços o fitei. – Eu sinto saudades dela. – Murmurei voltando a encara-los. Eles me lançaram olhares piedosos, o tipo de olhar que odiava. Ansioso para fazê-los parar com isso resolvi propor algo a Diggle. – Por que não fazemos o seguinte? Eu posso subir com ele enquanto você toma um pouco de tempo para si.
— Você tem certeza? – Perguntou incerto. – Você acabou de descer. – Comentou. Eu já estava mais do que pronto para subir, apesar de tudo eu podia atrasar uma horinha para cuidar do menino. E se Diggle e Sara fossem um exemplo, eu presumia que estaria recebendo mais desse olhar de pena sempre que alguém me perguntasse por Felicity.
— Apenas me dê essa bolsa ridícula. – Falei sorrindo. – Podemos brincar um pouco no tapete da minha sala. Tem brinquedos aqui, certo?
— Você não tem que fazer isso... – Murmurou ainda inseguro.
— Eu já estou fazendo isso. – Murmurei tirando a bolsa de sua mão.
— Ok. Faço o que quiser, mas se ele tentar andar... Impeça. – Falou sério. Muito sério.
— Por quê? – Sara perguntou confusa. – Você não deveria nos incentivar o contrário?
— Eu e Lyla queremos estar presente quando ele der o primeiro passo. – Respondeu.
— Dê tchau para o papai, eu estou te levando desses adultos chatos. – Murmurei o encarando e balançando seu braço em um adeus enquanto me afastava. Felizmente ele estava familiarizado comigo, então não houve nenhum choro durante o ato.
— Tchau papai. – Escutei Sara murmurar atrás de mim. Revirei os olhos imaginando a cara de Diggle ao escutar, com passos rápidos ela nos alcançou nas escadas.
— Eu não a chamei. – Falei rapidamente. O intuito era de afasta-la, pois eu já sabia o motivo pelo qual ela desejava subir.
— Como não? – Perguntou com deboche. – Você prometeu me afastar desses adultos chatos.
— Ela pensa que ela é divertida. – Murmurei para Jonas. Ele sorriu como se realmente entende-se o que eu dizia. – Você não é divertida. – Falei voltando minha atenção para ela.
— Você fica adorável segurando uma criança. – Falou tomando o seu habitual costume de me ignorar, e se apressando em passar em minha frente para abrir a porta do apartamento. – Eu posso imagina-lo com sua própria filha em seus braços, Felicity pedindo para parar de mima-la, você concordando, mas ignorando no primeiro momento que ela der as costas. – Exalei um suspiro aborrecido. Eu sabia o que ela estava fazendo, eu não queria entrar no seu jogo. Buscando paciência resolvi me concentrar na criança no meu colo. Enfrentando o silêncio que seu comentário trazia eu coloquei o bebê em cima do tapete, e acariciei sua cabeça, abrindo sua bolsa tirei de lá alguns brinquedos e coloquei ao seu redor. — Ok. Vou aceitar seu silêncio por enquanto. – Murmurou sentando-se ao chão. Resisti a vontade de soltar um sarcástico obrigado.
— Você não devia estar trabalhando? – Optei por perguntar tentando não ser rude, afinal minha curiosidade era genuína. – A partir dessa semana, minhas aulas começam uma hora mais tarde, ordens de Ra’s.
— E por que você veio antes? –Perguntei confuso.
— Costume. – Deu de ombros. – E você? Por que está evitando a academia? – Levei um tempo considerando ou não se deveria lhe dar uma resposta honesta.
— Podemos ir para frente de um espelho agora mesmo e você me pergunta novamente sobre Felicity. – Confessei sem humor. – Quando eu responder você poderá olhar para seu rosto e terá sua resposta. – Conclui. Ela me encarou já reagindo ao meu comentário. — Esse, esse olhar... – Falei apontando para ela. – Eu não estou ansioso para enfrentar ele para cada pessoa que eu der bom dia e depois vir me perguntar sobre minha namorada.
— Por que você não vai visita-la? – Sugeriu procurando alternativas. Como se eu mesmo já não houvesse pensado nisso.
— Você sabe por quê. – Falei deixando minhas costas encostar contra o sofá e colocando o pequeno em meu colo. – Eu não posso largar a academia agora.
— Eu posso ajudar. – Argumentou. – Você pode ir na sexta, e ficar até segunda. Nesse meio tempo eu seleciono os melhores instrutores, posso resolver qualquer pepino que aparecer. Eu posso fazer essas coisas. Você sabe disso. – Murmurou em tom repreensivo. — Você nunca esteve sozinho, não precisa resolver tudo sozinho. E você deveria contar para ela... – Meneei a cabeça em negativa. — É algo importante, você deveria ter falado com ela antes.
— Não. – Neguei. – Eu quero esperar. E eu gostaria de fazer isso sozinho.
— Eu não sei por quê. – Murmurou parecendo aborrecida. – Ou talvez eu saiba, apenas não aceite. – Resmungou. . Estendeu as mãos para a criança. — Me dê ele. Eu vou ensina-lo a andar.
— Diggle disse...
— Eu não me importo, eu meio que sou sua tia. – Argumentou. – Eu tenho total liberdade para ensina-lo a contrariar o pai.
— E Lyla. – A lembrei.
— Que seja. – Sorriu. — Sabe, eu fiquei chateada por que não me convidaram para ser a madrinha, mas pensando bem, eu não quero ser madrinha de duas crianças, e eu já vou ser a da filha de vocês... – A encarei incrédulo. Ao que parecia ela iria sim insistir no assunto. Ela parou de falar no momento em que percebeu minha expressão.
— Por que você está tão obcecada com nós dois tendo um filho? – Perguntei deixando a criança aos seus cuidados. – Podemos não falar sobre isso?
— Filha. – Corrigiu-me. – E vamos falar sim sobre isso. Você não quer ter filhos com ela? – Perguntou preocupada. Respirei fundo tentando me controlar. — Por que a sugestão de filhos com Felicity o aborrece?
— Por que é preciso ela estar aqui para isso. – Retruquei. Meu tom saindo mais alto do que eu esperava. – E ela não está. Não é o momento, ela ainda ficará lá por mais alguns anos. Mal estamos sobrevivendo ao nosso primeiro ano estando separados, como você acha que serão os próximos? Talvez não estaremos juntos, então não fale sobre filhos, é cruel. – Ela me encarou chocada seu olhar repousando no pequeno e então subindo até o meu de volta. Passou-se um longo tempo até que ela por fim falasse algo.
— Você já pensou que seria mais fácil se vocês simplesmente acabassem? – Perguntou com receio. – Você já pensou em terminar? – Encarei o chão enquanto absorvia sua pergunta, minha mão indo até minha nuca, massageando-a desejando tirar o incômodo que sua pergunta me trazia com o pequeno gesto. – Ollie?
— Seria mais fácil. – Murmurei por fim. Deixando-a saber, que eu já havia pensado na possibilidade.
— Ollie... – Murmurou parecendo triste com a resposta. – Então por que você não terminou?
— Por que não é para ser fácil. – Dei de ombros. – Se for fácil, não é amor, é? E por mais que quando eu me sinto só, quando eu percebo que eu passo mais tempo desejando falar com ela do que realmente falando, eu tenha essas dúvidas. A única certeza que sempre tive é que eu a amo. E ela é minha vida. Então eu jogo esses pensamentos de lado, por que eu sei, que eu nunca vou conseguir desistir dela. – Encarei Sara que exibia um sorriso terno.
— Era exatamente isso que eu queria escutar. – Falou se erguendo e colocando a criança de pé, segurando cada mão ela estava incentivando a criança a andar. – Você dois são perfeitos um para o outro, eu sei disso, e você também. Não se atreva a desistir de Felicity por que está triste no momento, por que ambos sabemos que ela é sua felicidade duradoura.
— Pare de ensinar o menino a andar. – Falei. – Ele sequer completou um ano ainda.
— Mas está quase. – Piscou, mas parou como eu havia pedido e o levou para seus braços. – Você vai para a festa hoje, não vai? Vai te animar um pouco.
— Que festa? – Perguntei confuso.
— Você é péssimo amigo. – Meneou a cabeça em desaprovação. – É o aniversário de Tommy.
— Eu pesei que vocês tivessem terminando. – Comentei. – De novo.
— E voltamos. – Deu de ombros. – De novo.
— Por quê? – Ela mordeu o lábio enquanto considerava minha pergunta. Caminhando para a cozinha ela me respondeu.
— Ao que parece ele é minha felicidade duradoura.
Meneei a cabeça enquanto a observava se afastar com a criança nos braços. Eu começava a imaginar que eu deveria atormenta-la com assuntos de filhos também.
Horas mais tarde ainda que relutante, eu estava sentado em um bar, uma cerveja em minha frente e nada de Tommy Merlyn, ou Sara Lance. Eu estava ansioso para encontra-lo, dar os parabéns e logo ir embora, eu estava esperando uma chamada de Felicity, razão pela qual eu estava encarando a tela do meu celular com mais interesse nele do que na festa em si. Pessoas vinham me cumprimentar e tudo o que eu fazia era dar um breve aceno em resposta. Quando eu me tornei o cara triste bebendo e esperando o telefonema de uma garota?
— Oliver Queen... – Virei meu rosto encarando a figura feminina que havia chamado meu nome em tom de deboche. – Sentado em um bar com uma cerveja em uma mão, o celular em outro. Você parece triste Ollie e patético. Você tem alguma ideia do quão ridículo você parece agora?
— Eu tenho alguma ideia. – Assenti a observando. O rosto me era familiar, mas nenhum nome vinha a minha mente. – Nos conhecemos.
— Eu poderia dizer que sim. – Exibiu um sorriso brilhante. – Posso? – Perguntou apontado para o banco ao meu lado, antes que eu pudesse esboçar qualquer reação ela se sentou ao meu lado. – Nos conhecemos, mas eu não acho que você se lembre. Você e suas malditas regras.
— Oh. – Foi tudo o que pude murmurar ao me dar conta que provavelmente já havíamos transado.
— Isso. – Concordou. – “Oh”. Eu sou Tina.
— Tina. – Assenti. Ela me encarou esperando que eu dissesse algo mais, mas tudo o que fiz foi levar minha cerveja aos meus lábios. Eu podia não ser mais o festeiro de antes, e não me interessar por sair transando por aí. Eu tinha Felicity, apesar de tudo, eu tinha Felicity. E Felicity me bastava. Isso não me tornava idiota ao ponto de não reconhecer que a mulher ao meu lado havia se aproximado com o intuito de terminar nossa conversa em sexo quente. Encarei meu celular uma vez mais o colocando em cima do balcão quando senti o calor da mão feminina em minha perna por cima da calça. A encarei surpreso. Ou não tão surpreso assim, apenas aborrecido.
— Escute... – Comecei com o intuito de deixar claro que seus planos iam ficar no que eram. Apenas planos.
— Eu sei. – Suas unhas rasparam por cima do jeans. – Você tinha essas regras de não repetir a mesma garota, uma noite com você era apenas uma noite. – Deu de ombros. — Eu não sou uma dessas garotas estúpidas, eu sou direta. Eu estava pensando que nós dois podíamos sair dessa festa e fazer algo mais divertido. – Sugeriu apertando minha coxa. – Você quebrou sua regra uma vez, não foi? Com Felicity.
— Sim. – Concordei segurando sua mão e tirando de cima de mim. – Felicity, minha namorada. – Falei soltando-a. Ela me encarou parecendo surpresa.
— Os rumores diziam que vocês haviam terminado. – Falou.
— E rumores são sempre confiáveis. – Murmurei ácido.
— Rumores nunca começam do nada. – Retrucou voltando a me tocar, dessa vez colocando sua mão em meu peito. – Você parecia triste. Por que não se permite algumas horas de divertimento e distração? Ela nunca irá saber.
—Eu não preciso disso. – Falei voltando a tirar sua mão disso. – Eu tenho Felicity, e ela é o bastante. Há vários lutadores aqui que adorariam ter essas horas de divertimento. Eu não estou entre eles. – Falei me erguendo. – Você pode espalhar isso. – Falei antes de me afastar. Cogitando que talvez Sara e Tommy estivessem no andar de cima eu me adiantei para as escadas, eu estava no topo quando tateei meus bolsos em busca do meu celular, soltando um palavrão eu tornei a descer as escadas, com passos largos e desviando de uma ou outra pessoa eu voltei para o bar, Tina ainda estava lá, sentada , pernas cruzadas e com um celular junto a orelha.
Meu celular.
Merda.
Felicity.
Avancei os últimos passos quase em uma corrida, mas quando parei em sua frente ela já havia finalizado a ligação, encarava o celular com um sorriso vitorioso.
— O que diabos você pensa que está fazendo? – Perguntei arrancando o celular de sua mão. Ela me deu um sorriso ainda mais amplo.
— Um favor. – Deu de ombros. – Eu apenas peguei o recado de sua namorada, para você. Um amigo.
— Você...
— “Faça-me um favor e diga a ele que está tudo acabado.” – Cortou-me. O maldito sorriso sempre presente. – Me desculpe, eu deveria ter dito ex-namorada.
POV FELICITY
Isso não podia estar acontecendo.
Era uma piada, uma brincadeira de mau gosto, ou apenas um pesadelo do qual eu acordaria, ligaria para Oliver e nós dois iriamos rir.
Minha mente estava fervendo. Meus pensamentos iam e vinham, uma espiral de emoções as quais eu ainda não havia denominado. Meus olhos encaravam o celular em minha mão, o desejo de joga-lo contra parede era tão grande que eu tive que fechar meus dedos em torno com mais força, tentando me controlar, respirando fundo e em vão tentando controlar todo o meu corpo que no momento parecia tremer.
— Hey! Você não vai acreditar no que acabou de acontecer... – Escutei vagamente a voz de Caitlin enquanto murmurava palavras desconexas ao fechar a porta do apartamento atrás de si e tirar seu casaco. -... Então eu disse a ele que isso nunca daria certo e... Felicity?- Pisquei despertando-me do meu torpor quando ela parou em minha frente. – Você está bem?
— Eu... – Comecei então parei, tomando uma nova respiração, percebendo que minha voz havia falhado.
— Felicity. – Chamou-me novamente. – O que aconteceu? Sua irmã está bem? É Oliver?
— Eu... – Recomecei. – Eu acho que eu terminei com Oliver.
— O quê? – Murmurou incrédula. – Como? Por quê? Felicity!
— Ele estava com outra. – Falei por fim. – Eu liguei para ele, ele sabe o horário que eu ligo e... Ele estava com outra. Ela falou comigo Caitlin, deu detalhes claros onde eles estavam, em uma festa. Eu percebi na hora que ela atendeu que era uma festa, uma festa que ele nunca me falou que ia, quando conversamos hoje de manhã eu disse que ligara apenas mais tarde, que não teria pausa, ele me disse que estava tudo bem por que ele passaria o dia todo ocupado que estava cheio de problemas com as obras da academia. Eu te contei das obras da academia? – Ela meneou a cabeça em negativa, sua cabeça tentando seguir minha linha de pensamento. – Bem, ele esqueceu de contar ao meu pai também, por que sempre que estamos conversando Oliver diz que tem que desligar por que surgiu algo, que tinha que resolver tal problema, que as obras não pareciam parar nunca, que os novos equipamentos não iam chegar no dia. Hoje eu falei com meu pai, eu estava preocupada por ele estar tão atolado assim, ele nunca ficou. Quando eu perguntei ao meu pai como estavam as obras, ele disse: Que obras?!
— Felicity... – Murmurou angustiada.
— Oliver estava mentindo para mim. Eu não sei o por que, ou ao menos não sabia. – Me corrigi. – Mas eu tentei pensar em algum motivo que justificasse, tentei me acalmar antes e ligar apenas quando combinamos, o que eu fiz. E essa... Piranha atendeu ao telefone. Ela disse que de lá eles iam fazer uma festa particular, e agradeceu a mim por Oliver quebrar a regra de nunca transar com a mesma garota mais de uma vez.
— Você nunca chamou alguém de piranha antes. – Comentou admirada.
— Eu nunca fui traída antes. – Retruquei. Ela me lançou um olhar eloquente. – O quê?
— Cooper. – Lembrou-me.
— Oh é. Cooper. – Assenti. – Não importa, a questão é que ele me traiu, ou estava prestes a trair, eu não sei, na hora parecia que ele estava me traindo. E quando ela em tom de deboche perguntou se eu queria deixar recado...
— Você a mandou avisar que estava tudo acabado? – Perguntou incrédula.
— Sim. – Confirmei andando de um lado para o outro. – Eu estou errada? Eu fui precipitada? E as mentiras? Eu não posso ignorar isso. Ele mentiu para mim, ele estava em uma festa, e essa garota atendeu seu celular, o que eu devia ter feito?
— Conversar com ele? – Sugeriu. – Felicity. Por experiência própria, eu digo que ter alguém terminando com você por telefone é uma droga, imagina deixando como recado através de outra pessoa?
— Ele estava me traindo! – Gritei.
— Você não sabe disso. –Argumentou. – Me dê seu celular. – Pediu me alcançando resisti por um segundo enquanto ela tomava de minha mão, observei confusa ela manuseá-lo e levar até a orelha.
— O que você está fazendo? – Perguntei incrédula. Ela apenas me ignorou.
— Hey Oliver. É Caitlin, eu divido o apartamento com Felicity. Lembra? – Falou se afastado. Sem demora me aproximei dela tentando tirar o celular dela.
— Pare! – Exigi. Ela não me deu ouvidos, continuou se afastando e se esquivando de mim.
— Eu só queria dizer que ela já sabe o cachorro que você. – Falou rapidamente. – Não se preocupe, ela não está chorando por você, ela está se consolando com o ex-namorado dela que mora bem ao nosso lado.
— Caitlin!!! – Protestei. O pensamento de Oliver realmente acreditar nisso me levando a loucura.
— Eu espero que o barulho de cama contra parede não interrompa meu sono... – Parou bruscamente e olhou para o celular. — Desligou. – Falou ando de ombros.
— Que diabos você fez? – Perguntei arrancado o celular de suas mãos.
— Eu encenei. – Falou sem humor. – Eu menti. – Continuou. – Eu peguei o fato de que Cooper realmente mora aqui ao lado e usei isso, contornei a verdade e aumentei, sabe quem pode ter feito isso? A tal piranha.
— Merda. – Murmurei por fim.
— Isso. – Assentiu. – Merda.
— Mas agora ele vai pensar...
— Ele não vai pensar nada. – Negou. – Por que não liguei realmente para ele, mas eu poderia Felicity, ele é seu namorado, você não tem que confiar nas outras garotas, você tem que confiar nele. Ele está mentindo para você, e isso é uma merda, mas isso não significa que ele está a traindo, ele pode ter uma razão por trás disso, eu conheci Oliver, ele é completamente apaixonado por você. Por que eu tenho que está falando isso para você?
—Eu vou ligar para ele. – Falei já voltando minha atenção para o celular, surpresa me dominou quando mais uma vez ela o arrancou das minhas mãos. – Ei!!
— Não. – Falou em tom firme. – Você não pode ligar para ele.
— Por que não? – Perguntei confusa e ansiosa.
— Por que ele vai perguntar por que você falou aquilo. – Falou. – Ele deve estar confuso agora, e irritado, você dois vão terminar brigando, por que você vai dizer que achou que ele estava te traindo, e ele vai perguntar por que você não confia nele, e você não vai ter resposta, você vai tentar se defender falando das mentiras e a essa altura os dois vão estar com a cabeça quente e vão acabar terminando o namoro de verdade. – Apontou. – Eu vou ficar com o seu celular. Você vai ligar para ele amanhã, vai estar mais calma, e é tempo o suficiente para você encontrar a resposta do por que não confiar nele. Sem confiança não há relacionamento, Felicity. Oliver confia em si mesmo, por que você não confia?
— Você só o conheceu por algumas horas. – Falei. – Por que está o defendendo com tanto fervor.
— Eu conheci Ronnie por toda minha vida, e ele foi um idiota. – Deu de ombros. – Vá dormir, amanhã você liga para ele. – Falou pegando o corredor para o seu quarto. – Não esqueça que amanhã é o seu dia de fazer almoço. – Gritou.
Soltei um suspiro enquanto me jogava no sofá e encarava o teto. Eu sabia assim que desliguei o celular que havia feito merda, eu surtei e fui imprudente, passei muito tempo apenas confusa demais sem saber o que fazer em seguida, Caitlin chegou e me deu mais luz do que qualquer um poderia ter feito, mas também me deu mais o que pensar. Por que eu não confiava em Oliver? Eu pesava que eu o fizesse, até esse maldito telefonema, mas aparentemente não, eu não confiava nele.
Então por quê?
Não percebi o passar das horas, segui encarando o teto em busca de respostas até que meus olhos cansados se fecharam, quando acordei nada parecia melhor. O que me faz pensar que aquele ditado que tudo parece melhor no dia seguinte era uma bela de uma mentira. Caitlin já havia ido, eu estava sozinha e após ligar para o meu supervisor e mentir sobre problemas de família eu não tinha nada a fazer a não ser remoer a noite anterior. Caitlin ainda estava com meu celular, e mesmo tendo o fixo a minha disposição eu não consegui ligar para Oliver, não quando eu ainda não tinha a resposta. Então para poder parar de pensar na estúpida ligação e na estúpida garota mentirosa, eu me concentrei em arrumar o apartamento, o deixei tão limpo como nunca esteve antes. Quando percebi que a única coisa suja que sobrava era eu, eu peguei o cartão de pronta entrega e pedi o almoço. Não era o mesmo que fazer, mas Caitlin me agradeceria. Só então me apressei em tomar meu banho, quando terminei parei em frente ao meu guarda roupa, meu olhar buscando roupas simples e confortáveis, mas meu coração se apertou quando ele caiu em uma camisa específica.
A camisa de Oliver.
A que eu vesti para afastar mais uma de suas admiradoras. Sentindo pela primeira vez meus olhos ficarem úmidos eu a levei até meu nariz e inalei seu cheiro. A abracei contra meu corpo. Sem poder me impedir eu a vesti, o pensamento de que eu havia estragado tudo mais forte do que antes.
— Felicity? – Suspirei ao escutar o chamado de Caitlin. Fechando as portas do guarda roupas eu me forcei a responde o seu chamado.
— Hey. – A cumprimentei com desânimo, a encontrando na sala.
— Você voltou cedo. – Comentou confusa. – Você está bem? Você sabe, apesar de tudo? – Analisou-me percebendo que eu vestia a camisa masculina. – Eu acho que não. – Respondeu a si mesma.
— Eu não saí. – Respondi por fim. – Eu acho que agora eu estou assimilando as mentiras que podemos contar por telefone. – Murmurei sarcástica.
— Você ligou para Oliver? – Sondou. Sentei no sofá apoiado meu cotovelo no braço deste, e meu queixo em minha mão fechada.
— Você está com meu celular. – Dei de ombros.
— Você é inteligente. – Sorriu. – Podia muito bem ter usado o mesmo telefone que usou para mentir e faltar ao estágio.
— Eu não consegui. – Confessei.
— Ainda sobre a garota? – Murmurou com suspiro.
—Ainda sobre mim. – Falei. – E se ele terminar comigo após o que fiz?
— Você quer dizer, após terminar com ele? – Ressaltou.
— Caitlin...
— Converse com calma, tente reverter isso. – Aconselhou-me. Então se ergueu e lançou um olhar a sala. – Está tudo brilhando. Você arrumou a casa e fez o almoço? – Perguntou com um sorriso. Lancei um olhar culpado a ela. – Felicity Smoak, tudo o que pedi foi o almoço!
— Eu sei. – Concordei. – Ele já está chegando. – Ela me encarou descrente. — Se vale de algo, eu pedi o seu preferido. E será por minha conta.
— Melhor mesmo. – Alertou-me.
— Ei! Eu arrumei tudo, inclusive seu quarto. – Protestei.
— Você entrou no meu quarto?!
— Eu estava desesperada. – Falei baixando minha cabeça. O toque da campainha me fez erguer novamente. – Comida!
— Eu atendo. – Falou já caminhando até a porta.
— Espere, minha roupa...
— Não me importa. – Falou sem me dar atenção. – Você escolheu isso.
— Caitlin... – Protestei novamente, mas ela não me deu ouvidos, ela pelo menos teve a decência de abrir a porta o mínimo possível, imagino tentando me esconder da visão do entregador. Ao menos no inicio, após soltar um ofego de surpresa, seu braço se estendeu dando-me uma visão completa de quem estava em sua frente.
— Oliver. – Murmurei erguendo-me de supetão. Eu estava em choque, ele me encarava do outro lado, seus olhos brilhando ferozmente, seu rosto parecendo cansado, e cheio de fúria.
— Você terminou comigo por telefone? – Indagou. As palavras saindo lentamente, o tom baixo não me enganando. Ele estava puto.
— Oliver. – Repeti bobamente, ainda me questionando se esse sim era um sonho. Sem esperar por nenhuma outra resposta ele passou por Caitlin e em passos largos me alcançou, eu só me dei conta de sua intenção quando eu estava de ponta cabeça por cima do seu ombro encarando o chão. – Oliver!! Coloque-me no chão seu idiota!! Caitlin! – A chamei em busca de alguma ajuda.
— Não se preocupe. – O escutei dizer enquanto seguia em direção ao corredor. – É uma coisa nossa. – Falou para Caitlin que tinha parado ao meu lado. — Não é princesa?
— Coloque-me no chão, seu estúpido. – Exigi batendo em suas costas, ele não fez caso. Só parou quando entrou em meu quarto e sem cerimônia nenhuma me jogou em minha cama. Dando-me as costas foi até a porta e a trancou.
— Agora. – Falou enquanto eu me rastejava até colar minhas costas no encosto da cama. Eu estava tão irritada com ele, que me surpreendia. Eu pensei que havia deixado toda a irritação para trás após a conversa com Cailtin, mas vê-lo em minha frente trouxe tudo de volta. – Você pode me dizer você mesma, por que você quer terminar comigo.
— Você tomou um voo apenas para confirmar que eu havia terminado com você? – Perguntei incrédula.
— Não. – Falou avançando até subir na cama e se apoiar sobre o joelho, enquanto seus braços me cercavam. – Eu vim por que eu acho que mereço mais do que você me deu ontem. – Encolhi-me diante suas palavras ditas em tom duro. O pior de tudo era saber que ele estava certo. — O que você fez ontem? Nós dois merecemos mais. Por que você fez isso?
— Você mentiu para mim. – Argumentei, Caitlin estava certa, uma coisa estava levando à outra e ambos estávamos irritados demais. Ele me encarou surpreso. – Eu falei com meu pai, não há obra nenhuma. E era disso que eu queria falar com você quando aquela...
— Puta. – Sugeriu. Continuei o que dizia, ignorando a sugestão.
— Quando ela atendeu o celular... O seu celular. Oliver Queen. – Falei em tom acusatório. – Quando ela me deu detalhes vívidos do que os dois iam fazer após saírem de uma festa que eu nem sabia você ia!
— Eu não te contei por que eu não me lembrava dessa festa. – Respondeu seu tom se tornando mais calmo. Sua mão alcançando a minha. – Era o aniversário de Tommy, eu só passei para dar os parabéns. Aquela garota... É só mais uma garota que não gostou de ser rejeitada e quis ferrar meu namoro. O que me preocupa foi à facilidade com o que ela fez isso. Eu fiquei tão irritado quando ela me disse aquilo que eu quebrei meu celular. Eu o joguei contra a parede e foi preciso muito tempo para eu pensar claramente. – Concluiu me soltando. Afastou-se levando uma mão aos cabelos, mostrando-me o quanto estava nervoso e aborrecido. Seu olhar recaiu sobre o meu novamente. – Por que você não confiou em mim? Por que uma garota qualquer mente para você e você aceita tão facilmente ao ponto de terminar comigo de imediato?
— Desculpe. – Murmurei por fim. Eu não tinha tempo para analisar a melhor maneirar de dizer, de fazê-lo entender o quanto eu estava arrependida. – Eu me arrependi no momento em que desliguei. Eu estava confusa, Oliver, eu... – Respirei fundo tentando me controlar. – Você tem estado afastado, eu sempre achei que era por conta das supostas obras, mas então eu descubro que não há nenhuma reforma acontecendo na academia, e a parte insegura em mim aceitou cada palavra que ela disse, eu temi que você estivesse cansado demais desse relacionamento à distância, eu sei que é difícil, que é exigir muito. Eu te amo. – Falei chamando sua atenção. – Eu temia te perder, e no ato, eu te perdi.
O observei me encarar longamente, então tomar uma nova respiração, seu olhar passeou pelo quarto, suas mãos em sua cintura enquanto formulava seus pensamentos, e então voltar para mim. Eu queria ser dona dos seus pensamentos. Ter uma ideia, ainda que vaga, do que ele estava decidindo no momento, se ele estava considerando me dar às costas e ir embora.
Ele finalmente voltou a se aproximar, arrancando um suspiro de alívio meu, ao menos por agora ele não estava indo. Ele sentou-se na cama ao lado dos meus pés, suas mãos foram até minhas pernas e me puxaram até que eu ficasse sentada ao seu lado. Seus braços m evolveram em um abraço.
— Você não me perdeu. – Murmurou contra meu ouvido. – Eu te amo, e enquanto houver isso, eu lutarei por nós dois. Tudo o que eu peço é que faça o mesmo. O que aconteceu ontem, não pode repetir. Nós temos um longo caminho pela frente, e isso só vai funcionar se confiarmos um no outro.
— Eu sei. – Assenti. Ele me soltou me encarando com firmeza.
— Eu acho que está na hora de reavaliarmos tudo. – Murmurou por fim. – Reconsiderar algumas coisas. Aqui estão às coisas como elas são: Nós vamos brigar Felicity, várias vezes pelos mais diversos motivos, alguns bem idiotas e que nos fará rir mais tarde, outros bem sérios, que sempre que nos lembrarmos disso fará nosso sangue ferver, haverá mal entendidos, eu vou fazer besteira, você também. Terá dias que só em ver o rosto do outro a vontade será de dar as costas e passar quem sabe uma ou duas horas fora de casa, eu quero que você pense bem nisso e...
— Você está me perguntando se seria melhor a gente terminar? – Perguntei temorosa. Ele soltou um suspiro exasperado.
— E o mal entendido já começou. – Murmurou soltando um suspiro cansando, suas mãos foram até mim, segurando meu rosto. Seus olhos tão ricos de emoções que se tornava impossível não encara-lo. Eu queria lê-los, decifrar cada sentimento que ele escondia por trás deles. – Eu não estou te perguntando se você quer terminar comigo, eu estou pedindo para que se case comigo. – Falou roubando minha respiração. Eu fiquei zonza, sem entender exatamente o que ele dizia, meu coração acelerou intensamente. Enquanto eu permanecia pedida em meio a sua última frase, ele continuou. – Haverá muitas brigas sim, mas haverá muitas reconciliações, haverá café da manhã em família, nós dois dançando na cozinha, eu vou te pegar no hospital e leva-la para comemorar nosso aniversário de casamento. Haverá o primeiro aniversário de nossa filha, seus primeiros passos. Eu vou mima-la mesmo você dizendo para não fazê-lo. Eu vou lhe dar mais doces quando você não estiver em casa, e vou sofrer com a primeira febre, eu vou ama-la, por que ela será nossa. Eu vou protegê-la. Eu juro por Deus, eu vou. – Sua voz se tornou forte diante a promessa. — Eu quero tudo isso, e quero com você. – Falou levando uma mão ao bolso de sua jaqueta, surpresa o observei tirar uma pequena caixa de veludo. – Eu não menti para você, talvez eu possa ser acusado de omitir. Realmente eu estou ocupado supervisionando as obras e contratando pessoal, meu pessoal. Eu estou criando minha própria academia, e em cima dela nosso apartamento. Meu e seu, eu tenho trabalhado para ser um homem que você mereça, eu apliquei tudo o que eu tinha nisso e não queria estragar nada, por isso escondi de você. Queria que fosse surpresa. Eu estou construindo uma vida para nós.
— Oliver... – Murmurei ainda sem saber como responder. Várias perguntas vinham em minha mente. A principal era como conseguiríamos fazer isso? –... A faculdade, ainda tem a residência, você está construindo uma vida para nós aqui, e isso vai levar tempo.
— Não tem problema. – Apressou-se a dizer. Ele estava tão decidido, tinha tanta convicção. Sem qualquer outra palavra ele abriu a pequena caixinha deixando-me ver o anel lindo e delicado que havia ali dentro. – Eu posso esperar o tempo que precisar. – Completou. E então pela primeira vez soando inseguro, ele perguntou. — O que você acha? Felicity Smoak. Aceita se casar comigo? – O encarei emudecida, meneei a cabeça enquanto um sorriso escapava em meu rosto. Eu tinha certeza que esse era o mais idiota e bobo sorriso que eu exibia, mas eu não podia contê-lo. – Então?
Como resposta lhe entreguei minha mão e ele logo colocou o anel em meu dedo, não podendo mais me conter eu me joguei em seus braços, o impacto fazendo com que ele caísse para trás e por pouco nos jogando da cama.
— Sim. – Murmurei por fim. – Definitivamente sim!! – Seu sorriso competia com o meu. Tão lindo e verdadeiro, era meu sorriso. Só meu.
Sem hesitar desci meu rosto até o seu e o beijei longa e delicadamente, memorizando cada pequeno momento, cada pequeno gesto, meu corpo derretendo sobre o seu enquanto sua mão sem timidez alguma ia até minha bunda a apertando com possessividade, apenas para subir e delinear a barra da camisa. Ele forçou meu corpo para trás até que eu estava sentada em seu colo, suas mãos circundando minha cintura, nossos lábios se separaram e seu olhar desceu em nossos corpos, suas mãos voltando a alcançar a barra da camisa e a erguendo, levantei meus braços facilitando o trabalho. Sua boca ainda exibindo um sorriso dessa vez mais contido quando tocou a borda do meu sutiã.
— Eu sabia que recuperaria essa camisa. – Murmurou. Sorri me lembrando do dia em que ele disse que a queria de volta e eu disse que para isso ele teria que tirara-la. Lembrava-me também que eu havia acrescentado que isso nunca aconteceria. Lembrava-me do “veremos”. De algum jeito eu deixei isso de lado, mesmo durante nosso namoro, e agora a camisa estava no chão do meu quarto, enquanto seu corpo subia sobre o meu, seus lábios me amando.
Emocionada percebi que de alguma forma o nunca havia se transformado no para sempre.
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