Redenção
5 Trevas
Tentei chegar no meu quarto de fininho, escondendo meus olhos ridiculamente inchados e o rosto exageradamente corado por causa das lágrimas. Eu consegui, mas parece que meu mundo começa a desabar.
Não sonhei com o lobo novamente, e acordei num horário normal. Agora sim tenho vontade de chorar, mas as poucas lágrimas que acumulei durante anos já se esgotaram por causa de Angel. Pobrezinha, tenho vontade de xingá-la, mas não consigo por causa de ontem... Espere, eu acabei de chamá-la de "pobrezinha"? Puta merda! O que há comigo?! Me sinto impotente, tem algo que enche meu peito e aflição, alguma coisa que não me permite pensa em mais nada a não ser na Angel e em suas lágrimas... E o mais importante, há algo bloqueando meu sonho... O que há de verdade comigo?!? Estou agora na minha cama, me retorcendo, com uma insana vontade de perfurar meu peito com as pontas dos dedos e arrancar meu coração fora para mastigá-lo. Estou tão sedenta, tão faminta do que nunca, mas não sei pelo quê... Antes eu era um zumbi que ansiava por se alimentar de vida, agora sou um zumbi que sente a mais terrível fome, mas não tenho certeza pelo quê anseio, não sei mais o que poderá me saciar, faria qualquer coisa para acabar com esta fome.
Consigo conter minha agonia, agora posso controlar minhas expressões, mas isso não significa que eu estou aliviada, muito pelo contrário: é tão difícil esconder uma emoção quanto se pensa. Geralmente se escapam minúsculas pistas pelo rosto, nos gestos e na voz, como se as emoções fosse um tipo de gás e o corpo fosse um galão, se houver muita pressão no gás o galão pode acabar criando algumas fendas e rachaduras por não conseguir suportar tamanha pressão, os outros podem acabar percebendo ao sentir o cheiro do gás que escapa pelas fendas, mas este não é o meu medo, meu medo é acabar explodindo, principalmente perto de alguém.
Sim, foi uma comparação tosca, mas não consigo achar jeito melhor para explicar isso, minha cabeça não está trabalhando tão bem agora...!
Vou até a cozinha. Meu pai e minha mãe estão lá, aparentemente estavam falando sobre algo que eu nem podia ouvir, do jeito que se viraram para mim, só pode ser uma conspiração.
-Bom dia. — Disse a minha mãe.
- Bom dia. — Respondi. Meu pai permaneceu num silêncio irritado.
Pego duas torradas com manteiga e leite, nada mais, nada menos. Como minha mãe impôs uma regra rígida em relação á comida fora da cozinha, tenho que comer tudo no local, as únicas coisas que ela permite aproveitar nos outros cômodos é pipoca, chocolate e salgadinhos, desde que não façamos sujeira alguma.
- Não que mais nada? — Disse ela, meu pai a olhou como se ela tivesse estragado tudo o que eu nem suspeito, mas sei muito bem quando minha presença é indesejada, e estou no lugar errado, na hora errada.
Parece que ele de repente ele se encheu de raiva ou ouvir a sugestão da minha mãe. Fiz que não pra ela.
- Onde é que você foi ontem? — Disse ele indelicado, minha mãe se assustou com isso.
- Ao cinema. — Respondi indiferente.
- Com quê dinheiro?
Ele sacou que seu dinheiro sumia da carteira, eu gelei mas mantenho a compostura, afinal eu tenho um álibi.
- Uma amiga pagou meu ingresso. Ela é quem me convidou.
- "Amiga"? — Ele deu uma risada amarga — Desde quando você tem uma "amiga"? Que tipo de retardada conseguiria chegar perto de você?
Aconteceu o que eu temia, ele acendeu o fogo ao lado do gás que transbordava.
- VAI SE FUDER!!! — Gritei mais do que pensei que poderia, de repente parece que um lagarto havia cravado as garras dentro de minha gargantae reparo que estou cara-a-cara com ele.
Aquele idiota infla o peito e dá um soco, não um tapa, mas um soco tão monstruoso no meu café da manhã que o copo voa explodindo contra a parece antes de todo o leite banhar o chão e os armários perto, enquanto o prato com as torradas se esfarela no chão. Foi o café na qual eu nem tinha terminado de comer. Minha mãe me afasta da cozinha até a sala e cochicha pra mim.
- Eu vou conversar com ele, enquanto isso é melhor você não estar perto, ok?
- Mas ele...
- Deixa que eu dou um jeito. — Ela me interrompeu — Não piore as c... — Sua voz se extinguiu.
- Do que você tá falando? — Me senti ofendida e de repente começou a brotar lágrimas de raiva e injustiça em mim — EU só pioro as coisas??
Ela se imobiliza, sei que é verdade e ela não tem como negar. Já sou muito insultada por ela, como é que ainda não me acostumei? Por que eu ainda choro por isso? Por um tempo nós nos encaramos, de repente a campainha toca.
- Eu atendo... — Disse decepcionada, enxugando as lágrimas ferozmente antes de mostrá-la a alguém de fora. Depois do insulto de meus pais, talvez a visita inesperada não será tão ruim assim.
Vou até a porta, eu mau a abro e uma mão me puxa para fora pelo braço com brutalidade, como um sequestro relâmpago, e eu só vejo a porta bater bruscamente atrás de nós.
- Me mata! — Eu comecei a recitar algo que estava guardando para quando eu fosse raptada — Me tortura, me estrupa, faça o que quiser, mas eu preciso morrer!!
- Que horror! — Reconheci esta voz que pareceu angustiada com o que eu disse, uma voz que me irrita em qualquer tonalidade, e percebo que é Mark quem me sequestra.
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