Red Snow
6 6. You tell me it's just a dream
Notas iniciais
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Boa Leitura ♥
6. You tell me it's just a dream
(6. Você me diz que é apenas um sonho)
A dor e a falta de ar que lhe invadiram por conta do soco não foram maiores que o alivio e conforto que sentiu quando os braços do draenei envolveram seu pescoço, ou quando as próprias mãos foram instintivamente para o quadril do shaman, puxando-o contra si ao senti-lo se acolher em seu corpo, ainda atordoado de mais para tomar alguma atitude mais esperta de sua parte. O que JongWoon estava fazendo?!
Mesmo sem entender exatamente o que se passava na cabeça do draenei, tanto KiBum quanto o outro pareciam não estar ligando para o fato de que estavam cercados de inimigos dos dois, mantendo aquela cena completamente louca de um blood elf agarrado a um draenei. A única coisa que lhes importava naquele momento era o fato de que estavam juntos.
– Por que você nunca me escuta?! – A voz de JongWoon soou em um sussurro alto no ouvido do blood elf, apenas para ele, enquanto o draenei se agarrava cada vez mais a ele. – Você poderia ter ficado preso naquele inferno, KiBum! Poderia ter morrido!!
– Desculpe... – KiBum murmurou contra o pescoço do outro, abraçando-o de forma mais forte enquanto se sentia mais vivo agora. – Eu perdi a cabeça, eu sei. Mas eu não podia fazer nada! KyuHyun me atacou e-
– E NADA!!! Você deveria ter deixado a briga!!! – Esbravejou, socando novamente o ombro de KiBum antes de enterrar o rosto em seu peito. – Aish KiBum, não seja tão louco... Por favor, não faça mais nada tão impensado.
– Você sabe que eu não consigo evitar, JongWoon. É minha natureza, mas.. – O blood elf sorriu de leve, afastando o outro de si um pouco enquanto fazia com que olhasse em seus olhos. – Eu vou tentar me arriscar menos, ok?!
– Eu deveria bater mais em você! – O draenei abaixou o olhar um pouco, abrindo um leve sorriso e sabendo que KiBum teria a certeza de que tinha conseguido lhe dobrar naquele momento. Se abraçou mais ao outro, puxando-o contra si. – Ah, KiBum. Seu idiota!
Era engraçado a forma como JongWoon agia às vezes quando estava assim, tão próximo de KiBum, em momentos mais delicados. O draenei era vários anos mais velho que o outro, mas às vezes parecia uma criança nos braços do blood elf. Havia sido uma das inúmeras coisas que encantaram KiBum acerca do draenei: O fato de que, mesmo sendo mais velho e tendo passado por muito mais coisas que a si, era sempre JongWoon quem abria um sorriso, brincava e lhe fazia se sentir bem com sua energia natural, mesmo depois de uma discussão entre os dois.
Os draeneis tinham motivos mais do que suficientes para serem pessoas carrancudas e revoltadas, para se sentirem cabisbaixos e agirem como pessoas chatas sem nenhum senso de humor. Alguns deles até agiam daquela forma, meio automatizados em uma terra que não era deles... Os forasteiros de Draenor que, por culpa dos blood elf, estavam perdidos ali.
O maior dos motivos, dentre inúmeros deles, daquela relação entre KiBum e JongWoon ser assim tão louca, tão proibida.
...
Os draenei haviam chegado ali depois que uma série de eventos criados por Kil'jaeden – um demônio mago que foi banido de Azeroth –, encontrou Draenor, o refúgio dos draenei após sua partida de seu planeta natal, Argus. O gigante continente, mais conhecido como Outland por se situar em um tempo e espaço completamente diferentes dos de Azeroth, se viu à merce do poder de corrupção do demônio, que acabou corrompendo e alterando a natureza pacifica de um de seus povos, os orcs shamans.
Apoiados pelo poder que beber do sangue de um demônio feito de trevas, revivido por Kil'jaeden, lhes deu, os orcs se tornaram criaturas extremamente fortes e espertas, porém amaldiçoados. Beber daquele sangue envolto em trevas despertou o que foi chamado de Maldição do Sangue, que os deteriorou e levou consigo boa parte da terra de Draenor, tornando-a completamente infértil, destruindo-a.
A Maldição do Sangue também fez com que os orcs começassem a atacar seu povo vizinho, os draenei, que completamente despreparados para o confronto, foram praticamente dizimados. O povo de pele azulada se viu reduzido à um pequeno grupo de não mais que quinhentos draenei, escondidos entre os inúmeros quartos de Exodar, a capital de Draenor.
Ao mesmo tempo, em Azeroth, os High Elf encontravam seu fim ao revogarem sua participação nos confrontos ao lado da Alliance. Com a aliança temporariamente desfeita, o povo de pele clara e orelhas pontudas tornou-se um alvo fácil para o grupo de mortos-vivos denominado Scourge Undead, que completou o trabalho de seus inimigos – principalmente seus 'primos' de pele azulada, os night elf –, em dizimar os High Elf e contaminar suas terras com terríveis maldições, que a tornaram infértil e infestada de criaturas semimortas e extremamente perigosas.
E em homenagem àqueles que haviam morrido em nome de seu povo, o príncipe Kael'Thas decidiu por lhes dar uma nova denominação, criando uma nova nação que honraria o nome dos high elf. Era o nascimento dos Blood Elf, e com essa nova denominação, uma nova era nascia para aquele povo com o abraço de seu príncipe às magias arcanas, que causou a expulsão completa da raça da Alliance, que julgou sua escolha como sendo errada.
Com novas perspectivas, o Príncipe Blood Elf descobriu, depois de muitos estudos, a terra de Draenor. Descobriu sobre o poder dos draenei, sobre suas habilidades raciais especiais e sobre suas fontes de poder. Kael'thas descobriu a criatura há muito perdida, Naaru, nas terras de Draenor. Naaru era uma criatura mítica, conhecida pelo poder de regeneração e pela força que possuía, mas durante muito tempo havia sido apenas um mito.
Com a descoberta da existência real de Naaru e do fato de que a entidade havia abençoado os draenei com sua proteção, Kael teve a certeza de que o povo de Draenor era um ponto importante para se dar atenção se quisesse continuar mantendo seu império, seu povo. E depois de muito considerar, foi ao lado de um pequeno grupo de blood elves até a capital Exodar. Ele pretendia conversar com o líder deles, propor uma parceria, tentar reerguer ambas as raças.
Mas nada do que foi planejado aconteceu. Seguidos pela visão de seu líder, Velen, o povo de pele azulada se preparou às pressas para deixar o local e não dar razão ao príncipe blood elf. Velen soube, assim que sentiu a proximidade do blood elf, que suas intenções não eram todas completamente boas e em prol do bem comum. Kael'thas era dissimulado e não media esforços para conseguir o que queria, o que quer que fosse. E mal sabiam os draenei que o Príncipe Blood Elf e seus homens premeditaram suas ações, sabotando a nave que usariam. Kael'thas precisava dos draenei ali.
Quando tentaram alçar voo e seguir para outro local, a nave dos draenei entrou em colapso e acabou jogando-os contra um dos muitos portais abertos para Azeroth por toda Draenor. O impacto contra a Azuremyst Isle, onde caíram após atravessarem o portal, quebrou completamente a nave, já previamente danificada, dos draenei. Os poucos draeneis restante do que outrora havia sido uma grande nação, estavam agora forçados a vagar em um mundo completamente desconhecido, sem qualquer tipo de proteção, por culpa do príncipe blood elf e suas ideias.
Era por isso que JongWoon estar com KiBum era tão proibido. Tão errado. Tão perigoso.
Como JongWoon, um draenei, podia confiar tão cegamente naquele que possuía o sangue dos que atentaram contra seu povo? Como JongWoon podia, sem pensar duas vezes, se jogar nos braços de alguém que fazia parte daqueles que os jogaram e os prenderam, mesmo que indiretamente, naquele lugar onde mal conseguiam sobreviver sozinhos?!
Não, KiBum não esteve diretamente ligado à sabotagem de sua nave. Na verdade, na época KiBum não passava de uma crianças dentre as poucas que haviam sobrevivido ao ataque dos undead. Mas ele fazia parte daquele povo, daquela nação agora orgulhosamente chamada de Blood Elf. Fora ensinado que as escolhas de Kael'thas haviam sido certas, e que se algo de errado aconteceu, foi porque não confiaram em seu líder. Em suas veias corriam as mesmas características sanguíneas daqueles que quase terminaram o trabalho iniciado pelos orcs, de eliminar completamente os draenei. E, além de tudo, ele pertencia à outra facção.
Depois que os blood elf deixaram a Alliance, Kael'Thas viu na nova Horde – que havia nascido após a queda de Kil'jaeden –, uma nova possibilidade de ajuda com suas fontes de poder em constante destruição. Depois da queda em Azuremyst, os draeneis encontraram no povo da ilha vizinha, os night elf, e em sua facção, a Alliance, bons aliados para se manterem vivos naquela terra desconhecida. Haviam draeneis e blood elves que se juntaram em algum momento da história, formando um grupo misto entre as raças e facções, lutando lado a lado, mas isso não mudava o fato de que ainda eram inimigos.
O destino havia jogado ambas as raças em uma delicada e fina trama, levando-os por caminhos diferentes. Se tudo tivesse acontecido como Kael'Thas um dia havia pensado, talvez agora blood elves e draeneis estivessem do mesmo lado, talvez até mesmo em uma facção apenas deles. Mas o destino quis brincar com eles, jogando-os para lados opostos, fazendo-os inimigos. E agora o destino parecia brincar novamente, colocando draenei e blood elf na mesma trama, dessa vez apaixonados um pelo outro.
...
Aquela situação estava, para falar o minimo, estranha. SungMin, DongHae, EunHyuk e HeeChul de um lado; KyuHyun, Han Geng e RyeoWook do outro. Os sete estavam parados, quietos, apenas observando a cena que acontecia ainda na porta do quarto.
Aqueles dois tinham ideia do que estavam fazendo?!
Todos tiveram a impressão de que eles começariam a brigar intensamente quando JongWoon desferiu aquele soco no ombro de KiBum, mas o que aconteceu depois deixou todos atordoados ao ponto de não saberem o que falar.
Ter visto o draenei envolver o pescoço do rogue daquela forma, sendo prontamente correspondido pelos braços de KiBum lhe envolvendo logo em seguida fez com que todos travassem. Nenhum deles tinha presenciado aquelas demonstrações de afeto, apesar de alguns ali já saberem da existência do sentimento mutuo entre os dois.
KyuHyun quase teve uma sincope em ódio ao ver aquela cena, mas logo um sorriso discreto se formou no canto de seus lábios. O que pensava estava certo, JongWoon ainda caia por KiBum e isso seria uma peça extremamente importante em seu joguinho agora. Bastava a oportunidade certa aparecer e o night elf teria a melhor carta na manga que poderia esperar para algum tipo de confronto com o blood elf.
O humano RyeoWook não conseguiu esconder o desgosto ao ver aquela cena, virando o rosto sem conseguir suportar ver o SEU draenei nos braços daquele que era seu inimigo. Por mais que soubesse do amor dele pelo blood elf... Não, não aceitaria aquilo. Nunca. Sentiu a vontade de matar aquele rogue ainda maior dentro de si naquele momento, fluindo e lhe queimando por dentro, enlouquecendo-o. RyeoWook tinha uma natureza pacífica, mas naquele momento, observando aquela maldita cena, sentiu algo despertar dentro de si. Uma maldade intensa envolveu seu coração, fazendo-o fechar as mãos em punhos bem cerrados, quase machucando as palmas por conta de sua força. Ele poderia matar KiBum agora, e nem se daria conta disso de tão cego em ciume e ódio que estava.
Já Han Geng e DongHae, que nada sabiam da situação de JongWoon com KiBum, ficaram apenas observando. O worgen não sentia nenhuma hostilidade por parte de ninguém ali, tirando alguma coisa estranha que emanava de RyeoWook, e soube que ninguém atacaria ninguém naquele momento. Não seria ele quem começaria um ataque, então ficou quieto esperando tudo se resolver, apenas observando. Sentia também um olhar sobre si, sabendo exatamente de quem se tratava e o que ele queria. Mas... Não podia se deixar levar pelo olhar dele. Simplesmente não podia.
DongHae sentia sua cabeça dar voltas, tentando entender aquela cena toda sem que nada fizesse muito sentido. Estava pensando em tantas coisas naquele momento que preferiu ficar quieto, apenas observando tudo e, enquanto sua mente trabalhava naquela cena, sentia seu coração se apertar de leve. Que sentimento era aquele?! Não sabia nomear exatamente o que sentia, mas alguma coisa lhe fazia sentir o coração pesar... O que havia de errado naquela cena para lhe deixar daquela forma?!
SungMin, por sua vez, sentiu um ciumes besta queimar dentro de si, bem lá no fundo. Não amava mais o outro blood elf, não sentia nada por ele além de uma grande amizade, amor de amigo, mas aquela cena lhe fez recordar sentimentos que há muito tempo não sentia mais. Era estranho ver aquela cena e saber que o sentimento dos dois era mesmo tão real e intenso quanto o amigo lhe contava quando conversavam sobre o assunto. Mas se sentiu feliz também, vendo que finalmente o rogue pareceu se aquietar sentindo o draenei consigo, e abriu um sorriso singelo.
Mas o que mais surpreendeu o blood elf hunter naquele momento, foi sentir um toque quente em sua mão. Quando o moreno se virou, sua reação foi automática. Seu sorriso cresceu em seus lábios ao encontrar EunHyuk lhe olhando de canto com uma expressão que poderia classificar como quase sem jeito, mas ainda sim, forte. Era um sinal claro para o blood elf de que o humano estava tentando pedir desculpas pelo que disse antes, por ter duvidado dele em sua lealdade e seus sentimentos para consigo.
EunHyuk havia percebido o quanto o blood elf pareceu feliz com a cena que presenciava, e entendeu que ele não estava apaixonado por KiBum. Seu ciumes de SungMin com outro blood elf ainda existia, obviamente, mas agora sua confiança naquele hunter era ainda maior. Vendo que o outro pareceu ter lhe entendido e aceitado seu “pedido de desculpas”, EunHyuk aproximou mais a mão da do blood elf ao seu lado e a segurou, entrelaçando seus dedos lentamente, apertando a mão dele de leve em um gesto de carinho, e ficou assim com ele.
Foi quando DongHae entendeu o que estava fazendo seu coração pesar. Ele assistia a cena toda entre draenei e blood elf, mas era o que acontecia ao seu lado que lhe fazia sentir-se daquela forma estranha. Ver EunHyuk e SungMin tão próximos daquele jeito, aparentemente se entendendo através de pequenos olhares e ações... Ele estava perdendo os dois cada vez mais.
– JÁ CHEGA. – HeeChul falou alto, meio irritado. Não estava mais aguentando ser ignorado daquela forma por Han Geng, e viu na cena diante de si a oportunidade perfeita para acabar com aquela situação toda.
JongWoon havia se inclinado em direção à KiBum, puxando-o para um beijo que havia sido completamente correspondido pelo blood elf, que apertou o draenei ainda mais contra si naquele abraço. O controle do beijo agora estava com o rogue, que intensificava o gesto ao brincar e sorver os lábios do draenei lentamente enquanto aproveitava aquele momento. JongWoon havia acabado de inclinar a cabeça ligeiramente para o lado, proporcionando um encaixe perfeito entre os lábios, quando o blood elf loiro se aproximou e colocou a mão no ombro do rogue.
– KiBum, pare com isso. Temos que ir embora. – Observou o rogue lhe ignorar durante dois segundos, mantendo o beijo com o draenei, e simplesmente lhe deu um tapa na cabeça, furioso. – Não me ignore e acabe logo com essa palhaçada. Nós temos que ir embora, KiBum.
– O que há de errado com você?! – KiBum parou o beijo, não entendendo o que o mais velho queria agindo daquela forma. Conhecia HeeChul muito bem e sabia que tinha alguma coisa lhe incomodando, alguma coisa que não lhe envolvia, ou ele não teria lhe dado apenas aquele tapa leve. – Eu já entendi que temos que ir embora!
– Então anda logo e para com a palhaçada. Você também, SungMin. – Falou sem ao menos se dar ao trabalho de se virar e ver o outro de mãos dadas com o humano ruivo. Ele não precisava ver para saber que os dois estavam mais perto do que deveriam.
KiBum apenas rolou os olhos, roçando os lábios aos de JongWoon mais uma vez antes de soltá-lo e se afastar um pouco. Olhou para SungMin a tempo de vê-lo soltar a mão de EunHyuk e sentiu alguma coisa queimar dentro de si. Que sentimento era aquele agora?! Ele não tinha nada a ver com o relacionamento dos dois, SungMin era livre para fazer o que quisesse fazer. Foi pensando nisso que KiBum se lembrou do que o hunter havia falado antes, ainda em Violet Hold. Ah, aquela duvida agora novamente consigo, voltando a lhe corroer.
– Vamos embora logo. – Sua voz soou irritada, em um tom de ordem para HeeChul e SungMin, enquanto este ultimo se aproximava dos dois. – Nos vemos, JongWoon. – Seu tom de voz saiu mais calmo dessa vez enquanto olhava nos olhos do draenei que, sem dizer uma palavra, assentiu e se afastou dos três blood elves.
– O que há com você? – SungMin colocou a mão no ombro de KiBum, procurando seu olhar e sendo completamente ignorado.
– Vamos logo. – O rogue repetiu, dando as costas e saindo de vez do quarto sem ao menos ter se dado ao trabalho de olhar para SungMin.
O moreno ficou estático com a reação de KiBum. Ele nunca havia lhe ignorado antes. Nunca. Por que ele havia feito aquilo agora?! Sentiu-se pesar enquanto deixava a mão ainda parada no ar finalmente cair ao lado do corpo e seguia KiBum ao lado de HeeChul para fora do quarto.
– Nós devemos ir também. – KyuHyun se pronunciou, falando com RyeoWook e JongWoon, depois de ver o grupo da Horde saindo. – Não temos mais nada o que fazer aqui. Vamos pegar nossas coisas no outro quarto e ir embora.
– Como quiser. – RyeoWook se adiantou, seguindo primeiro que os outros para o quarto ao lado. Quarto esse que seu grupo havia reservado para passar a noite ali.
JongWoon apenas seguiu os dois companheiros de grupo depois de reverenciar levemente Han Geng e DongHae, e trocar olhares estranhos com EunHyuk. O draenei não estava entendendo nada do que acontecia ali. A atitude de HeeChul; a reação de KiBum aos seus amigos; a situação de KyuHyun e RyeoWook, que deveriam estar agindo de formas contrárias agora; o olhar perdido de DongHae; o jeito estranho de Han Geng... O único que parecia meio normal ali agora era HyukJae.
O beijo entre ele e KiBum havia afetado tanto assim a todos?!
SungMin observava HeeChul cuidar dos ferimentos de KiBum, em completo silêncio, em um dos cantos do quarto em que estava. Sentia-se pesado, tentando entender o que exatamente os dois estavam pensando, porque o que lhe incomodava não era apenas o fato de estar sendo ignorado pelo rogue, sentindo-se estranho também com a forma estranha que HeeChul estava agindo naquele momento. Se perguntou se não podiam estar sob os efeitos de algum encantamento ou veneno, mas descartou essa possibilidade. Seria impossível, até porque os dois pareciam afetados por coisas diferentes naquele momento.
– KiBum... – Falou depois de mais alguns instantes em silêncio, sem conseguir mais suportar aquela situação. Ele era seu melhor amigo, por que lhe ignorava?! – O que há?
– Me diga você.
– Como eu poderia?! – Cruzou os braços, encostando-se em fim à parede atrás de si. – Eu estou tentando entender o que houve com você agora.
– Você deveria saber, senhor membro da Armada de Kael'thas Sunstrider. – Seu tom de voz tão ácido quanto os venenos que usava em suas adagas. KiBum estava realmente irritado com aquilo.
– Mas... – SungMin soltou o ar de forma pesada ao escutá-lo, só se dando conta da intensidade da reação por ter falado aquilo, naquele momento. – Eu ia te contar!
– Ia mesmo?! Não minta para mim, SungMin! Se não estivéssemos presos naquele lugar você nunca me contaria, não é?!
– É claro que eu contaria! Não seja paranoico, KiBum!
– Paranoico?! Ah, por favor, SungMin! Acha mesmo que eu acredito que você pretendia me contar isso algum dia na sua vida? Iria contar quando?! Quando eu fosse coroado o Príncipe Regente à força por meu pai? Quando já não houvesse mais volta e eu fosse obrigado a viver como um blood elf estúpido que é guardado por todos que querem secretamente me matar, mas agem como se eu fosse um deus para eles?! Quando isso já não fosse fazer mais diferença e você fosse ainda mais obrigado a fingir que gosta de mim?!
– Isso não é verdade, KiBum! Não distorce as coisas! Eu não finjo que gosto de você!
– Distorcer?! Eu só estou falando a verdade!!! Todos esses anos, SungMin. Tudo que nós já passamos juntos... E você nunca me contou que era meu guarda-costas! Por quê?! Eu não merecia saber?!
– Eu não podia contar! Eu estou sob ordens, não deveria nem ao menos ter contado isso hoje na frente de todos, mas foi preciso!
– Há! Está vendo?! Você mesmo admite que não iria me contar!
– Não é bem assim..
– Não significou nada para você, não é?
– ... O quê?!
– É! Não deve ter significado mesmo nada. Nossa infância juntos, nossa amizade... Eu não devo significar nada pra você além do fardo que tem que carregar por ser meu guarda-costas.
– Vocês dois, já chega. – HeeChul, que havia se levantado para pegar suas coisas e apenas acompanhava o rumo da conversa, finalmente falou algo. – KiBum, pare de agir como se SungMin tivesse escolha e não te contou quem era simplesmente porque não queria. Não é dessa forma e você sabe bem disso. Não aja como um garoto mimado, você não é assim. Esfrie a cabeça e volte a ser aquele blood elf que eu treinei tão bem durante anos. E você, SungMin, tente ignorar um pouco os surtos de atenção de KiBum. Ele é um bom garoto apesar disso, você sabe. O que ele disse foi da boca para fora e ele sabe que você é amigo dele de verdade. Ninguém aguenta alguém tão cabeça-dura e escorregadio quanto ele se não for seu amigo.
O blood elf loiro finalmente se virou para os dois, que lhe encaravam de uma forma que não soube decifrar ao certo do que se tratava. O olhar de KiBum sobre si estava entre a indignação e a admiração, enquanto o de SungMin estava entre o agradecimento e o pedido de desculpas. Ah, aqueles dois garotos.
– Vocês dois são jovens de mais, hormônios e sentimentos por todos os lados. – Negou com a cabeça, aproximando-se de KiBum e lhe entregando uma nova camisa para que vestisse, já que a que o mais novo usava antes estava inteiramente banhada em sangue, além completamente de rasgada. – Não se deixem levar por esses sentimentos, vocês podem se machucar muito se o coração estiver no controle. Hoje os dois quase morreram por deixar que o coração falasse mais alto que o cérebro, sem se dar conta do perigo em que estavam se metendo ao se envolverem naquelas lutas.
Um breve silencio reinou após as palavras de HeeChul. Tanto KiBum quanto SungMin se sentiam um pouco infantis de mais naquele momento, não sabendo o que falar diante do que o outro havia dito. Ele tinha razão. Tinham se deixado levar pelos sentimentos ao invés de parar para pensar, e isso poderia ter feito uma enorme diferença no destino daquela situação.
– Eu sinto em dizer isso, mas dentre todos, vocês dois e o humano hunter são os que mais agem antes de pensar. Vocês três deveriam tomar cuidado com isso, ou serão os primeiros a serem mortos nessa guerra particular que se iniciou hoje.
– Guerra particular? – SungMin pareceu ter ignorado completamente o que HeeChul havia dito antes, apesar de não ter feito isso, ao falar antes que qualquer um continuasse. Aquilo era mais importante. – Como assim guerra particular?
– Você não percebeu?! – O loiro encarou SungMin, que negou com a cabeça. Olhou então o outro rogue, encontrando-o tão perdido quanto o hunter, e respirou fundo. – Onde vocês andam com a cabeça?! O que aconteceu hoje foi o começo de uma guerra entre os três grupos. Isso se tornou muito maior que apenas ter a cabeça de KiBum, isso é completamente pessoal para todos os envolvidos agora. Cada passo que for dado por um deles vai ser friamente calculado para chegar até nós. E sim, nós. – Respondeu antes mesmo que alguém perguntasse alguma coisa sobre o que aquele “nós” significava. – Nós três agora somos um grupo, e vamos continuar assim. A situação vai se complicar ainda mais se estivermos separados, e entendam que não poderemos voltar tão cedo para Silvermoon.
– Mas nós estaríamos seguros lá! – Foi KiBum quem falou, sabendo que o lugar mais seguro para um blood elf seria dentro de sua capital. Mas ele se esquecera de uma coisa que atormentava HeeChul até aquele momento.
– E como pretende ficar em Silvermoon, KiBum? Vai voltar como fez da ultima vez e dizer “Olá, sabe eu fugi de novo mas voltei para passar um tempo com vocês!”? Não, isso não vai ser encarado de uma forma tão boa quanto daquela vez. Eu chego a temer a reação que vai causar se decidirmos voltar agora.
– Por que diz isso? – SungMin se manifestou, confuso.
– Porque dessa vez KiBum não está sozinho. Eu sou seu trainer e você é a única pessoa que tinha acesso livre ao seu quarto. E o Concelho adora distorcer as coisas, não se esqueça.
Foi com aquelas palavras que, novamente, o quarto ficou em silêncio.
KiBum finalmente trocava a camisa rasgada pela nova, pensando no que HeeChul havia dito. Ele tinha razão, seria impossível voltar para Silvermoon agora mesmo que quisesse. O Concelho provavelmente distorceria as coisas e faria daquela louca viagem para encontrar JongWoon o sequestro do século para os blood elf.
– Eu vou sair.
– Não vamos embora também? – DongHae olhou o worgen, sentando-se na beirada de uma das camas. Sentia-se cansado, precisava parar um pouco, assim como EunHyuk, já que haviam entrado em combate.
– Ainda não. Eu preciso fazer algumas coisas aqui ainda, e não vai adiantar nada sair daqui ao mesmo tempo que os outros. Vemos isso depois.
Os dois humanos apenas assentiram, sentindo Han Geng extremamente estranho enquanto o worgen caminhava até a porta e saia do quarto em seguida. EunHyuk era sempre quem notava melhor as sutis mudanças no amigo, mas dessa vez a mudança pareceu ser tão grande que até mesmo DongHae, que não possuía uma percepção tão rápida e certeira para aquele tipo de coisa, conseguiu notar que havia algo errado.
Mas como não havia nada a ser feito, por não fazerem ideia sobre o que afetava Han Geng daquela forma, os dois apenas ficaram ali. DongHae soltou um suspiro alto, retirando as partes da armadura que cobriam seus braços e pulsos e as colando ao seu lado, sem notar EunHyuk se aproximar.
– Você está bem? – O ruivo se sentou ao lado do amigo, observando-o com um olhar meio vago depois que o quarto se esvaziou.
– Estou.
– Então por que essa cara?
– Nada.
– Então quer parar com o discurso monossilábico e me responder decentemente? – EunHyuk ficou um pouco irritado com aquela atitude de DongHae. O que havia acontecido? – Qual o seu problema agora?
– EunHyuk... Esquece. – O hunter se levantou depois de um longo suspiro, dando às costas ao amigo e indo até a janela. DongHae se sentia ainda pesado, não conseguindo esquecer tudo aquilo que havia visto. Por que estava sendo assim tão difícil engolir aquela cena toda?! DongHae até tinha suas respostas, talvez só não quisesse acreditar mais nelas.
– Aish... – EunHyuk se levantou em um salto, só agora se lembrando que DongHae também esteve em combate mais cedo, e talvez ele tivesse se ferido e sequer havia se preocupado com o amigo sobre aquilo. Foi até a janela, parando ao lado do outro humano e colocando a mão em seu ombro enquanto tentava fazer com que ele lhe encarasse. – Você está ferido?!
– Ferido? Não, EunHyuk. – Rolou os olhos sem encarar o ruivo, se afastando dele novamente ao ir até o outro lado do quarto, observando o móvel de madeira rústica que havia ali. – Não é nada, já disse.
– Se não está ferido, então o que houve?! Você não me engana, DongHae! Nós nos conhecemos há tanto tempo que sou capaz de dizer até mesmo quando você está de mal humor porque dormiu pouco, agora quer mentir e me fazer acreditar que não há nada?!
- Não é como se você tivesse culpa ou pudesse arrumar isso, EunHyuk. Não é nada, já disse. Apenas me dê um tempo e eu vou ficar bem.
– Diz que não é nada e me pede um tempo... Como quer que eu faça isso?!
– EunHyuk, esquece! – Respirou fundo, se virando para encarar o amigo. Seu olhar forte pareceu se abalar quando encontrou os olhos do ruivo sobre si, mas não deixou sua pose cair ou seu tom de voz mudar. Não havia nada a ser feito além de aceitar a situação e não queria discutir com o melhor amigo. Era melhor encerrar aquilo antes que virasse uma discussão de verdade. – Eu só preciso de um tempo, não é nada de mais. Não se preocupe... – Foi até a porta, abrindo-a e segurando a peça de madeira enquanto parava de costas para EunHyuk. – Eu vou dar uma volta, preciso pensar. Não se preocupe, não vou fazer nada de mais e... EunHyuk, eu fico realmente feliz por ver que você e SungMin se acertaram de vez.
Sem dar chances para que o warlock o respondesse, DongHae passou pela porta e a puxou atrás de si, fazendo um barulho alto que encobriu o som de seus passos rápidos até a escada.
HyukJae ficou estático após escutá-lo, só sendo capaz de observar o outro sair do quarto depois daquelas palavras. Feliz por ele e SungMin?! O ruivo teve a certeza do que DongHae estava sentindo agora, abaixando o olhar e encarando o nada enquanto sabia que nada poderia fazer para cobrir o vazio e a dor em que o coração do outro deveria estar mergulhado.
Ele sabia exatamente como o melhor amigo estava se sentindo, porque foi como havia se sentido antes. Até o motivo era o mesmo: SungMin.
Não era como se SungMin fosse um exatamente empecilho entre eles, algo que não gostassem que estivesse ali. Na verdade, era muito pelo contrário. Ambos desejavam de forma louca e desenfreada a presença de SungMin em suas vidas, mas o problema era como isso estava se dando agora. Quando SungMin esteve com DongHae, EunHyuk não significava nada para o blood elf. Agora que quem estava com ele era EunHyuk, SungMin tentava esquecer DongHae, apesar de nunca ter conseguido.
EunHyuk sabia muito bem do passado dos dois, que havia sido intenso e forte, mas não podia controlar o que sentia por SungMin. E o warlock sabia também que o blood elf estava completamente apaixonado por si, era visível. Mas SungMin parecia não conseguir esquecer o que sentiu, ou o que continuava a sentir, pelo outro humano. O que estavam vivendo era complicado de mais.
E além de todo o sentimento compartilhado por SungMin, tudo que sentiam e esperavam da mesma forma pela mesma pessoa, existia algo que permanecia prendendo EunHyuk à DongHae.
Antes mesmo que sequer tivessem algum contato direto com blood elves, os dois humanos já estavam ligados. Haviam crescido juntos, brincando entre as barracas do mercado de Stormwind, a capital do Império Humano, ou nas florestas próximas. Eles tinham outros amigos e afazeres diferentes, por estarem em classes distintas, mas mesmo durante a época de seus treinamentos intensivos durante a adolescência, era sempre EunHyuk quem estava com DongHae e vice-versa. Eram sempre os dois, e apenas os dois.
E a amizade deles cresceu em proporções assustadoras, evoluindo e chegando à um nível sem volta de entendimento e envolvimento. Nem mesmo o fato de que DongHae, depois de algum tempo, se viu junto de SungMin, conseguiu mudar a ligação que tinha com EunHyuk. Nem mesmo o fato de que, depois que DongHae e SungMin se separaram, EunHyuk se viu ligado ao blood elf também, conseguiu afastar os dois humanos.
EunHyuk queria estar com DongHae e SungMin. DongHae queria estar com SungMin e EunHyuk. SungMin queria estar com EunHyuk e DongHae. Então por que os três simplesmente não ficavam juntos?!
Porque era complicado de mais. As escolhas de cada um dos três dependiam de coisas maiores do que a si ou do relacionamento que mantinham, ou que gostariam de manter. Suas ações implicavam em muito mais do que apenas se relacionar um com o outro. Havia muito em jogo para considerarem uma relação onde os três se envolveriam da mesma maneira, tanto no interior de cada um quanto no mundo externo.
Não podiam simplesmente começar a agir contra as facções as quais pertenciam. Não podiam simplesmente fingir que estava tudo bem dividir aquele que amava com outra pessoa, mesmo que amassem essa outra pessoa também.
Era tudo muito maior do que os três, muito maior.
E EunHyuk sabia disso, e sabia que estava fora de seu controle conseguir amenizar a dor que DongHae sentia agora, ou a que sabia que SungMin poderia sentir mais tarde. Estava fora de seu controle até mesmo impedir que ele próprio sofresse com tudo aquilo, mas queria poder fazer algo. O warlock queria, ao menos, demonstrar aos dois que talvez houvesse uma saída, que talvez pudessem ficar juntos de alguma forma. Ele apenas não sabia como ainda, mas sabia que existia alguma forma de fazê-los ficar juntos.
– JongWoon, você está bem? – RyeoWook falou em um tom que tentava parecer calmo, depois de um longo silêncio entre os três dentro daquele quarto enquanto terminavam de arrumar seus pertences para seguir viagem.
– Estou, Wook. – Terminou de amarrar uma bolsa de pano especial na lateral de seu corpo, prendendo-a ao cinto que usava, e se virou para o humano. Sentia ele estranho, tentando entender o que havia acontecido ao amigo. – Você é quem parece não estar, o que houve?
– É que...
– Ele está cansado dessa sua palhaçada toda. – KyuHyun interrompeu o mage, encarando sério JongWoon. – Demorou para admitir que está apaixonadinho por aquele blood elf maldito e se mostrar um traidor, JongWoon.
– Não diga besteiras. – O draenei travou o maxilar, olhando fundo nos olhos de KyuHyun. Não havia hostilidade, não havia raiva. Não havia nada no olhar forte que direcionava ao outro. – Está certo sobre eu estar apaixonado por KiBum, mas isso não me torna um traidor.
– Não? – Soltou uma risada alta e estridente, negando com a cabeça. – Se não te torna um traidor, então não sei como nomear você. Sua preocupação com ele me enoja, a forma como você age ao lado dele é medíocre e você não pode negar que até agora estava protegendo-o ou tentando dar um jeito de que ele ficasse seguro. Você contou a ele que estaríamos aqui, não contou? Você marcou um encontro com ele às escondidas de seu grupo, você queria salvá-lo. Se você não é um traidor, então o que você é?
– Eu sou alguém inteligente. – Continuava com o maxilar travado, encarando-o ainda sem vacilar uma só vez. Parecia completamente convencido do que começava a falar agora e a pose séria que mantinha fez RyeoWook duvidar verdadeiramente, pela primeira vez em anos, do amor dele pelo blood elf. – Sim, eu chamei KiBum aqui. Eu me encontrei com ele às escondidas, mas porque ele confia em mim. Ele nunca se aproximaria se soubesse que vocês dois sabiam dos meus planos.
– Do que você está falando? – RyeoWook perdeu todo o ar irritado que tinha até aquele momento, surpreso de mais com o que JongWoon demonstrava ter pensado.
– Já ouviram falar do conceito de emboscada? Eu chamei KiBum até mim porque ele nunca recusaria um encontro comigo. Seria a oportunidade perfeita para acabar com essa história toda e pegar a cabeça dele... E teria dado certo se DongHae não tivesse se intrometido e me custado o plano todo. O que veio depois foi apenas uma consequência, e eu admito que passei dos limites no outro quarto. – Falando sobre o beijo... Céus, nunca havia sido tão difícil mentir sobre aquele assunto quanto estava sendo naquele momento. Mas ao mesmo tempo, suas mentiras nunca haviam brotado tão fácil em sua mente. – Mas a carne é fraca e algumas coisas não se pode controlar.
Ouvindo aquela explicação, tanto KyuHyun quanto RyeoWook se calaram por completo. JongWoon estava completamente convicto no que falava, tão sério e verdadeiro que seria impossível dizer que o que ele havia falado não era verdade.
RyeoWook acatou ao que ele disse, deixando que a dúvida sobre o amor dele quanto à KiBum voltasse à encher seu coração de alegria e esperanças, enquanto ao mesmo tempo lhe fazia temer ainda mais o draenei e suas definições do que fazer. Já KyuHyun apenas acenou com a cabeça, olhando de RyeoWook para JongWoon e saindo do quarto em seguida, como se indicasse que deveria ser seguido.
O night elf não acreditava em uma palavra do que o outro havia dito, mas não podia ignorar o fato de que havia veracidade nelas. Talvez algumas partes do que ele disse fossem verdade, mas aquilo não tornava o discurso todo verdadeiro. Mas o que fez KyuHyun ficar quieto, na realidade, foi o fato de que JongWoon fazia de tudo para parecer que estava sendo verdadeiro, de que o estava mesmo disposto a parecer seu amigo, a parecer inimigo de KiBum.
O que ele queria com aquilo, e até onde iria aquele teatro todo?! Eram essas as perguntas que conduziam o silêncio de KyuHyun até fora do Inn, sendo acompanhado pelos dois colegas de grupo.
Ironicamente, assim que passaram pela frente praticamente destruída de Legerdemain Lounge, encontraram o grupo de blood elves se preparando para deixar Dalaran também. O destino, aparentemente, adorava brincar com os dois grupos. Era impressionante a facilidade que tinham em se encontrar frente à frente agora.
Os dois grupos se encararam, mas nada foi dito. Todos os presentes sabiam que já haviam ido longe de mais com suas atitudes dentro daquela cidade, e agora deveriam tomar cuidado para não fazer nada que pudesse colocá-los de volta em Violet Hold. Então mesmo com toda a hostilidade entre os seis, os grupos seguiram caminhos diferentes.
O grupo de KyuHyun seguiu para os portais da Alliance, enquanto o grupo de HeeChul seguiu para os portais da Horde. Eles não se encontrariam por algum tempo agora, entrando em um jogo de gato e rato que, mesmo não tendo sido declarado, era óbvio para todos ali.
Ou era isso que todos pensavam.
Da janela de seu quarto, enquanto observava o lado de fora do Inn à procura de DongHae, EunHyuk viu JongWoon ficar para trás, depois que os dois grupos deram às costas um para o outro. Assistiu quando o draenei se balançou para frente e para trás uma sequencia de vezes.
EunHyuk viu, de camarote, quando JongWoon caiu ajoelhado no chão, soltando um chiado baixo enquanto uma mancha vermelho escuro, coberta por pequenos halos de um brilho verde vibrante, começava a se formar ao lado de seu joelho.
Notas finais
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20 dias e cá estou eu atualizando essa fic... Esse é o ultimo cap escrito até o momento, e daqui pra frente provavelmente vai demorar bem mais para que ela seja atualizada, mesmo que eu já tenha começado o novo cap e tido insights legais pra fic...
Como está escrito no meu perfil, eu decidi continuar com Red Snow, mas não prometo dia de postagem de capitulo nem nada... Eu cheguei em um estado com ela que eu olho pro arquivo do cap e choro de tanta decepção. Eu simplesmente amo esse plot, ele é complicado pra mim de uma forma que não dá pra imaginar lendo, porque não aconteceu praticamente nada ainda do que foi planejado para essa fic, e ver que ela não recebe atenção praticamente alguma me deixa realmente triste... Mas enfim...
Espero que tenham gostado desse cap, e que não tenha ficado pesado nem nada... A partir daqui, a história vai seguir um ritmo diferente, talvez mais intenso, porque as coisas vão começar a acontecer de verdade... Espero que, quem por ventura leia, goste do que acontecer. Obrigada à todos que leem e comentam, e mesmo aqueles que não comentam mas leem. De verdade ♥
Até a próxima ^^
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