Red Night
3 Capítulo 3
25 de fevereiro de 1993
Boa noite, amigo.
Não sei onde você mora, então não sei que horas são aí, mas aqui são onze e dezessete da noite. Gostaria de ter mais coisas para lhe contar da festa de ontem, mas eu não lembro de muita coisa.
Ah, na página anterior eu tinha lhes relatado o que acontecera comigo e com Magg, mas não terminei. Na verdade eu simplesmente apaguei, a ressaca me dominou.
Nós estávamos tão felizes que eu nem acreditava no que e com quem estava acontecendo, mas como diz aquele velho ditado: "Nada dura para sempre". Do qual eu acho um absurdo.
Bom, quando tudo estava ficando perfeito ambos ouvimos um barulho, do qual não ligamos e continuamos, depois mais um, porém esse era diferente, eram gritos. Vesti minha camiseta e pedi que Magg se vestisse também e que me esperasse ali. Fui em direção as escadas. Fiquei surpreso com a visão, JJ estava com uma garrafa quebrada em mãos ameaçando a menina da cozinha.
– Você é uma vagabunda, não vale nada! Está me ouvindo? Nada! — Gritou ele furioso.
– Você não é nada meu, me solte! — Ele agora segurava o braço da garota.
Não consegui ficar ali parado observando como as outras pessoas, precisava ajudar meu bêbado amigo.
– JJ! — Gritei — O que você está fazendo, pirou?
– Você não está entendendo Jay, ela é uma vagabunda, me traiu na cara dura. Vou matá-la! — Disse ele indo pra cima da garota com a garrafa cortada, o parei.
– Já chega James, não é com a vida dela que você vai acabar, é com a sua! — Disse dando um soco na cara dele. — Vamos sair daqui, eu te levo para casa. Me dê as chaves do carro.
– Eu sei dirigir. — Disse ele com as chaves em mãos.
– Cale a boca. — Falei arrancando-as das mãos dele.
O caminho todo foi silencioso, levei JJ para a casa e de lá peguei um táxi para o bar mais próximo e enchi a cara.
– Droga JJ, você estragou tudo! — Gritei alteradamente sozinho.
Bom, não lembro como cheguei em casa mas sei que estou aqui e com uma dor de cabeça do caralho!
26 de fevereiro de 1993
Oi, amigo.
Ainda não conversei com Magg, nem pessoalmente e nem telefonicamente (?). Está cedo ainda, minha aula hoje começa mais tarde, tenho tempo para programar um texto na minha cabeça para quando vê-la.
Oi Magg, tudo bem? Ãm... eu... tudo bem?
Ontem foi bem legal não é? Se não fosse o JJ querendo matar aquela menina.. HAHAHAHA– Credo
Quer saber? Seja o que Deus quiser!
Peguei minhas coisas e fui para a aula. Na entrada encontrei London e Parker, meus colegas de Espanhol.
Chegando na sala recebemos a notícia de que o professor não tinha vindo, então todos fomos liberados mais cedo para o intervalo. Comprei um café com alguns amigos e sentei na sobra de uma árvore de Acer Saccharum. Estava quase dormindo quando senti mãos em meus olhos.
– Alice? London? Candice? Ah qual é! — Ri
– Poxa Jay, se esforce um pouco mais..
– Magg!
– Estou esperando uma boa explicação por não ter me ligado mais!
– Eu.. Ãm.. Estava com um pouco de.. dor de cabeça! — Falei quase sufocado.
– Sei, sei — riu — Não se preocupe, não tem problema. Não tem aula agora?
– O professor Carl não veio.
– Que ótimo, minha segunda aula é com ele. — Falou animada — Posso me sentar com você? Não estou afim de voltar para a aula.
– Claro.
E ali ficamos, ela deitada em meu colo de baixo da sombra de uma árvore com folhas caindo em nossos lados. A briza leve soprava o seu cheiro que batia como flores em meu rosto. Admito, isso foi extremamente gay!
Não vi mais Magg durante todo o dia, então fui para casa.
Chegando lá, pude perceber algumas malas em frente ao quarto dos casacos.
– Mãe?
– Aqui dentro! — Disse ela da cozinha ou da lavanderia, não sabia ao certo.
– De quem são aquelas ma — Não consegui finalizar a frase ao ver minha tia Maya sentada na cadeira tomando chá e sorrindo para mim.
– PEQUENO JAY!!!! — Disse ela se levantando e apertando minhas bochechas.
– Oi titia! Que mal lhe pergunte, o que você está fazendo aqui?
– Vim visitar você e Cora, ou esqueceu que ela é minha irmã? — Se virou e abraçou minha mãe. — Pretendo ficar aqui umas duas semanas apenas.
– Vai ser divertido ter você conosco, como os velhos tempos!
Tia Maya morava na Flórida, depois casou com Bil e foi para Las Vegas, provavelmente Bil pisou na bola e é esse o verdadeiro motivo de ela estar aqui. Ela é três anos mais nova que a minha mãe, tem 33. Ela é sem dúvida a melhor tia do mundo!
Quando eu era menor, tia Maya e eu pregávamos peças nas pessoas do bairro, como por exemplo amarrar cordas no meio da calçada para as pessoas caírem ou colocar pregos na pista para furar o pneu dos carros. Era maldade, porém divertido.
Mais tarde pedimos pizzas e fomos olhar fotos das viagens de Maya com Bil. Os dois pareciam ser muito felizes. Deixei minha mãe e minha tia conversarem um pouco e subi para o meu quarto. Peguei o telefone e automaticamente liguei para Magg.
– Alô?
– Alô.
– Jay?!
– Não, aqui é da vigilância sanitária. Você poderia ir até a sua geladeira? — Ri
– Cala a boca, Jay! — Rimos
– Tudo bem?
– Tudo e com você?
– Tudo ótimo, minha tia Maya veio me visitar.
– Que legal! Estou com saudades!
– Eu também, podíamos sair. Digo, se você quisesse.
– Mas é claro que eu quero, vamos onde?
– Tem um parque aqui perto, pode ser?
– Claro, ás nove?
– Ás nove!
Me arrumei, me despedi de Tia Maya que me fez um milhão de perguntas sobre Magg e fui ao seu encontro. Esperei Magg aproximadamente 20 minutos em frente ao parque, depois fomos comprar algodão doce e sentamos no banco em frente a grande e luminosa roda-gigante. No inicio não sabíamos o que falar ou eu não sabia, não sei. Magg me contou sobre a incrível corrente de assassinatos que estava acontecendo perto da cidade de Nash, seu pai que é policial a contava que achava que os mais de dez assassinatos estavam acontecendo devido a uma pessoal só, não descoberta ainda. Depois contei mais sobre a minha tia Maya e do que aprontávamos quando eu era pequeno. Magg ria, e eu gostava do seu sorriso.
– Não acredito que vocês faziam isso... Sério? hahahah Preciso conhecer a sua tia, Jay.
– Vou falar com ela, talvez no próximo final de semana façamos uma visita ao Zoológico, você poderia ir junto.
– Adoraria. — Disse ela se aninhando em meu ombro. — Jay, sobre a festa — Ouve uma pausa — Eu gostei muito de tudo, sério.
– Eu também. — Admiti.
– Mas não vai mais se repetir.
– O que? Por que? — Perguntei confuso. O que raios ela estava querendo dizer com "não vai mais se repetir"?
– Foi um erro. Nós somos amigos, Jay. Não posso perder a sua amizade, não quero acabar com isso. — Seu tom de voz era triste porém sério.
– Não é um erro se ambos queremos e precisamos das mesmas coisas. Eu gosto da sua amizade, mas eu não a quero.
– Então quer dizer que se não for para me ter como algo a mais você não me quer? Não esperava isso de você, Jay.
– Eu não quis dizer isso. É só que.. que eu te amo Maggie.
– Jay, isso precisa acabar. Me desculpe mas precisa. Você pode pelo menos tentar ser meu amigo de novo?
– Eu não aguentaria ficar longe de você, nem que pra isso eu precise esquecer de como eu fui feliz naquela noite. Nem que pra isso eu precise esquecer você daquele jeito. — Eu agora estava quase chorando, mas resisti.
– Obrigada por me entender e respeitar o meu desejo. Eu só quero que você volte a ser o velho Jay e esqueça essa conversa. — Pequenas gotas escorriam traçando as feições do seu rosto.
– Eu não te entendo. Mas vou tentar.
E depois de ficarmos ali, abraçados em meio a multidão de pais e filhos, casais e amigos fomos na roda-gigante, mesmo sem nenhuma vontade. Depois ao barco viking e eu sinceramente tentei sorrir para vê-la sorrir, mas não consegui.
Nos despedimos e fomos para casa. Ao chegar, corri para o meu quarto, tranquei a porta e ao invés de chorar senti raiva. Ódio de mim mesmo por ter me deixado levar naquela noite, eu podia ter esperado. Podia ter sido tudo tão diferente.
E assim passei a minha noite de segunda-feira, com perguntas atrás de um "E se..."
Até que veio a pergunta: E se eu não tivesse conhecido Maggie?
Automaticamente pensei: Com toda a certeza não sentiria o que senti/sinto. Não sentiria ódio, raiva e muito menos amor. Eu não seria eu. Eu não teria Magg em minha vida. Mesmo não a tendo como eu quero eu não imagino mais a minha vida sem aquela menina. Eu a amo e farei de tudo, de tudo para tê-la em meus braços de novo, nem que para isso eu tenha que recomeçar do zero.
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