Red Like Blood
1 Prólogo.
Notas iniciais
A garota no espelho me encarou morbidamente. Algo faiscava por trás de seus olhos. A Fera sabia. É claro que sabia. Um sorriso sombrio se formou nos lábios da figura sinistra. E uma voz suave e profunda escapou por sua boca.
- E então Amada, já escolheu o jantar de hoje? — Disse, os olhos cintilando em um amarelo repentino e perigoso. E minha raiva cresceu. Gritei, e o barulho cortante do espelho se quebrando quando meu punho o acertou encheu o ar, a risada debochada ecoou em minha mente.
"Quebrou o espelho de uma Bruxa? 7 anos de azar, meu bem. Sabe que não é um espelho que me impedirá de atormentar a sua vida o máximo possível, Amada". Ouvi a mesma voz dizer. Olhei para a metade do espelho que sobrara e estava trincada em mil pedacinhos, a garota de capuz vermelho ainda estava lá. Me encarando e rosnando baixinho, os caninos pontudos presentes no sorriso de escárnio.
- Você é apenas um problema peludo, R. — Disse em voz alta. O sorriso da criatura aumentou, e eu pude ver os olhos se tornarem amarelos em contraste com a pele branca outra vez. Ela era perfeita. O cabelo era longo, escuro como a noite, e selvagem, descia em ondas e direções diferentes, e alguns cachos rebeldes caiam sobre o rosto. O corpo era esguio e curvelínio. Os olhos eram grandes orbes castanhas, e os cílios grossos. Sempre que a Fera aparecia, os olhos ficavam amarelos incandescentes. Os lábios faziam parte da palidez da pele normalmente, mas eu já os vira cobertos de sangue, e em seu estado rubro, pareciam rubis brilhantes e lapidados no contorno perfeito dos dentes esbranquiçados. As unhas eram longas e fortes, e as únicas coisas que lembravam humanidade nela eram suas roupas. Quase todas com alguma pele de pelos espessos e negros. E é claro, o capuz vermelho como sangue. Ia até o chão. E parecia dançar no vento. Irritantemente perfeita.
- Sou "apenas um problema peludo"? Penso que a definição de problema peludo é diferente para a maioria dos adolescentes. Mas tenho certeza de que aquele rapaz trouxa em que você pensa constantemente poderia gostar do seu "problema peludo" aqui, e com certeza eu acharia uma utilidade especial para ele. — Ela disse, lambendo os lábios vagarosamente. Meu sangue congelou nas veias e um arrepio passou pela minha espinha. Respirei profundamente, num som trêmulo.
- Você não vai tocá-lo. Nunca. — Disse, tentando soar confiante, mas algo se agitou nas profundezas do meu peito, e um rosnado baixo e involuntário saiu por meus dentes, me fazendo tapar a boca desesperadamente, enquanto R ria.
- Não Amada, eu não. Você vai. — Disse, e com uma última risada, desapareceu do espelho deixando-me com meu reflexo inativo, mas não totalmente sozinha. Caí de joelhos, senti o sangue que escorria da mão cortada pelo espelho quebrado tocar os meus lábios, ao mesmo tempo em que cacos pequenos eram pressionados contra os meus joelhos desnudos no chão. Não importava. Nada importava. Hoje a Lua Cheia se ergueria nos céus noturnos, e a Fera já havia escolhido sua vítima. Uma lágrima traidora escorreu de meu olho, seguido por outras mais e por soluços de um peito arfante. Me enrolei no maldito capuz vermelho e deitei em posição fetal em cima dos cacos de espelho, enquanto as imagens de meu tão adorado Sebastian destroçado e ensanguentado passavam por minha mente, a trilha sonora sinistra que eram as risadas e rosnados de R.
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