Red Like Blood

6 Capítulo 5 - Explicações.


Notas iniciais
Explorando um pouco mais do que se trata a história da fanfic. :3

Sebastian estava em estado deplorável. O cabelo estava sujo e tinha a barba por fazer, se encontrava esquelético, os olhos contornados por olheiras profundas, mas vivo. Hunter deu-lhe um pouco de água num cantil, e se afastou em seguida. Soana me encarou, como se esperasse que eu fizesse algo. Encarei-a em duvida.

– Sim? – Perguntei erguendo uma sobrancelha. Ela franziu as dela.

– Nada? Cruzes, sua inflexibilidade não mudou nada. – Ela murmurou se agachando em frente à Sebastian e erguendo rudemente seu queixo, as mãos dele estavam amarradas nas costas. Dei de ombros, ele já não parecia tão importante agora.

– Não vou dizer nada. – Disparou fracamente. Soana riu.

– Claro que não. Bom, temos um buraco logo ali, nada nos impede de usá-lo, já que foi feito. – Disse, e pude sentir os músculos dele tencionarem. “Ela chama aquilo de interrogar? Definitivamente, vocês têm o mesmo sangue fraco”, R pensou. Ignorei-a com um suspiro. “Um lobisomem incomoda muita gente, dois lobisomens incomodam muito mais, três lobisomens incomodam muita gente, quatro lobisomens incomodam muito mais...”, ouvi-a cantarolar irritantemente. “Cale a boca, por favor!”, pensei já estressada, ela apenas riu. “Pede por favor num cale a boca, você é antiquadamente controlada, Amada”. Resolvi que deixa-la sem resposta era, não exatamente melhor, mas razoável. E a música recomeçou. Engoli em seco, aquele buraco fora feito para mim. Olhei para Hunter, que observava, recostado numa das paredes arruinadas da casa abandonada. Não parecia interessado. Levantou o olhar para mim, e algo faiscava ali. Talvez pensasse o mesmo que eu, a respeito do buraco. “Se ele me encarar assim mais uma vez, agarro ele na primeira chance que tiver”, ouvi R e quase engasguei com o próprio ar. “Para sua informação, o corpo é meu e eu dispenso! Quanta indecência!”, respondi, inspirando profundamente. Ouvi seu riso. “Seu corpo não é mais seu desde os 14, e os pensamentos indecentes não foram meus quando alguém viu ele cavando sua sepultura, sem camisa...”, disse. Inspirei profundamente, provavelmente erubescida. “Não interessa. Calada, sua...”, não pude completar o pensamento.

– Imundos! Todos imundos! Vão morrer buscando, como o primeiro bastardo fez! – Sebastian gritou por volta da terceira pergunta de Soana. Hunter bufou, se aproximando. Soana suspirou.

– Okay, eu era o seu caminho mais fácil, mas parece que Líkos quer conversar com você. – Disse, com escárnio impulsionado em cada palavra. Líkos? Hmm... “L. Hunter VI”, ele dissera. Um primeiro nome. Interessante. Ele se aproximou de Seb.

– Acho que começamos com o pé esquerdo. Retomemos tudo com o direito. – Disse, cheio de classe, e em seguida chutou o peito dele com a perna direita, fazendo-o cair arfando para trás. “Isso, é um interrogatório”, R murmurou.

– Não... Direi... N-Nada... – Sebastian murmurou entre golfadas de ar, e seu olhar cruzou o meu, 25% ódio, 75% súplica. Suspirei, desviando os olhos, ciente da aproximação de Soana. Hunter continuou questionando no mesmo passo das escoriações diversas.

– O que precisamente vocês querem saber? – Perguntei, e ela respirou fundo, escorregando para o chão gramado e me convidando a sentar-me ao seu lado, enquanto Seb era espancado a nossa direita. Juntei-me a ela.

– Lembra-se do conto, certo? R, Hunter I, Lobos, o... Capuz Vermelho... – Disse inicialmente. Confirmei, automaticamente levando a mão a touca em minha cabeça.

– Lembra-se em troca de que Hunter I traiu R? – Perguntou, e um leve rosnado foi solto em minha mente. Ignorei R e seu estresse excessivo, tentando me lembrar. “A Cura. Ainda a buscam?...”, R devaneou em “voz alta”. Claro. A Receita da Cura para Licantropia. Hunter a buscava, e a vó de Chapeuzinho a possuía.

– A Cura. Ele conseguiu a Receita. Mas o que Seb tem a ver com isso? – Perguntei, interessada, e imediatamente passou pela minha mente, se isso talvez me curasse do meu maior mal... “Mal? Sou a melhor coisa que aconteceu na sua vida mortal sem graça”, R interrompeu. Suspirei, talvez o espaço sobrando da minha auto-estima baixa fosse ocupado pelo Ego dela. Só podia, aquilo tudo não caberia na minha cabeça.

– Vamos por partes. Hunter I conseguiu quase todos os ingredientes, pouco antes de morrer e deixar A Busca para seu filho, também batizado de Hunter. Essa linha continuou até que se encontraram todos, os mais recentes encontrados por Líkos. Dos mais fáceis aos mais difíceis e perigosos de se encontrar. Todos menos um. O sangue de Licaão. O primeiro lobisomem. Existem muitos mitos sobre sua origem, então é meio incerta, mas sabe-se que foi o primeiro. Esse é o ingrediente mais difícil e único. Somente uma organização o possui. O Vaticano. Eles têm os licantropos como seus escravos há séculos. Então, que bem lhes faria entregar o último ingrediente, e ver os seus mais bem treinados, experientes, e úteis servos voltarem a serem humanos comuns? É claro que se recusam a entregar. Líkos seguiu o caminho dos seus ancestrais para a busca. Eu o conheci quando... O nosso... Incidente, ocorreu. Ele me encontrou, e me levou para sua família, que relutantemente aceitou cuidar de mim. Continuamos A Busca após a morte de seu pai, há dois anos. Eu tinha 21, e Líkos tinha 23. Saímos e iniciamos a viagem, buscando por membros fracos do Vaticano, mas nenhum deles sabia a localização do Sangue. Até que localizamos Sebastian. Ele é... Razoavelmente importante, para algumas pessoas significantes lá dentro, além de também trabalhar para eles diretamente. E um “passarinho verde” nos contou que lhe haviam confiado este segredo por descaso. Fomos atrás dele. O resto você sabe. – Ela acabou. Suspirei, era informação demais. Observei um Hun... Líkos estressado se aproximar.

– Ele não quer contar. Teremos que continuar em outro lugar. Estou sentindo cheiro podre de magia se aproximando daqui. Estão atrás dele. – Informou. Soana semicerrou os olhos.

– “Cheiro podre de magia”, Sr. Hunter? – Ela perguntou, acusadoramente. “Eu não deixava, só dizendo”, R murmurou maliciosa. Revirei os olhos. Às vezes eu esquecia que ela tinha 14 anos de idade. “Pare de agir como uma colegial, pelo amor de Deus”, respondi-a. “Colegial? O que é isso?”, perguntou, e eu ignorei-a. Ele deu de ombros.

– Eu nunca disse que gostava. – Murmurou seguindo até Sebastian – roxo, quebrado, sangrando e dolorido – e colocando-o de volta no saco de estopa, pendurando-o em “Katherine”, a Harley negra. Soana se levantou, batendo a sujeira das calças e eu fiz o mesmo.

– Quer mesmo que eu prove que já? – Ela perguntou erguendo uma sobrancelha.

– Deixa pra lá, Sony. – Ele murmurou, reclamando baixinho com si mesmo.

– Isso é uma moto, como vamos os três, mais o peso de Sebastian? – Perguntei incrédula. Ela sorriu divertida.

– Eu não ando a moto. Tenho um transporte que é mais... A minha cara. – Disse, gargalhando em seguida. Pude ver Líkos revirar os olhos, com um sorriso ameaçando escapulir.

– Isso significa que eu vou com ele? Sério? Não posso ficar aqui? – Murmurei, cruzando os braços.

– Pode ficar aqui, Pirralha. No buraco. – Ouvi-o dizer com escárnio elevado na voz. Bufei.

– Por que não deita nele, idiota? – Soltei, repentinamente enfurecida. Soana suspirou.

– Não comecem, ou vão acordar no chão de novo! Kass, por favor, minha vassoura só aguenta um. Por faaaavooor, só dessa vez?... – Ela implorou. Olhei mal-humorada para ela, suspirando. Me encaminhei até a moto e subi relutantemente, ainda de braços cruzados. Ela sorriu e me mandou um beijo no ar. Revirei os olhos, algo no fundo me fazia pensar que eu sentira mais falta disso do que demonstrava. “Na verdade, eu estava dizendo que era patético, essa sua domesticação com essa vadia”, R respondeu, indignada. Suspirei. Eu queria aquela coisa fora de mim. Como eu queria. Líkos virou as chaves e o motor da moto roncou em resposta, como uma sinfonia perigosa.

– É melhor se segurar. – Ele disse, sorrindo instantaneamente ao ouvir o ronco. Semicerrei os olhos, bufando.

– Nem fodendo. – Respondi irritada. Ele riu.

– Por que todas dizem isso? Okay, você é quem sabe, só não aperta muito, não quero amarrotar a jaqueta. – Ele disse irônico, me deixando com mais raiva. Abri a boca para responder, mas ele acelerou, e a moto deu um impulso que quase me fez cair, então agarrei-me fortemente a suas costas sem escolha alguma, desejando morrer a cada segundo daquela tortura. O cheiro de pelos, sangue, e hortelã impregnou minhas vias aéreas, e eu já não sentia mais nada. Selvagem. Aquela moto era muito selvagem.

– Eu sabia que estava doida para me agarrar. Não esqueça, a jaqueta! – Ele gritou rindo por cima do vento que fazia meus cabelos ricochetearem nas minhas costas para trás. Revirei os olhos, indignada.

Cale a boca! – Gritei também, e ele apenas riu mais ainda, sem diminuir o ritmo. Olhei para cima como pude, quase sem descolar o rosto do couro quente da jaqueta de Líkos. Acima de nós, mais ou menos a 4m de altitude, Soana sobrevoava sentada sobre um cabo liso e envernizado, as palhas bem organizadas e lustrosas da vassoura brilhando ao pôr do sol. Ela olhou para baixo e sorriu. Baixei o olhar, e deixei-me sentir o vento. Eu detestava admitir, mas era bom. R não dizia nada. Um pouco de paz e sosse... “Um lobisomem incomoda muita gente, dois lobisomens incomodam muito mais...”, ou não.

Notas finais
Bom, não ficou grande, mas eu achei bom o suficiente. Espero que tenham gostado!