Red

7 Capítulo 6


Ao chegar em casa disse ao George que tinha muito dever de casa e que não estava com fome, e isso foi suficiente para que ele me deixasse subir. Ao entrar no quarto joguei a mochila que havia levado em qualquer lugar e enfiei os fones de ouvido, queria apenas me desligar da realidade por alguns instantes.

No momento em que abri os olhos senti que estava em um lugar diferente, árvores me cercavam e eu ouvi o som de alguém gritando o meu nome e, depois, um rugido. Na minha frente estava um lobo enorme com a pelagem castanha me encarando e eu dei muitos passos para trás e esbarrei em uma árvore.

“Blake!” Evan apareceu gritando “Corra! Sai daí Blake!”. Olhei para ele, mas no seu lugar estava Adam, com os olhos vermelhos e caninos pontudos com sangue escorrendo.

Olhei para os lados, mas não sabia para onde ir. Em um impulso me debati e senti os fones de ouvido saindo das minhas orelhas e ouvi o som do meu celular se chocando com o chão, abri os olhos. Estava em meu quarto, nada daquilo tinha sido real. É claro, pensei, aquilo foi apenas uma lenda estúpida, não foi?

Peguei meu celular e vi que ele ainda funcionada e estava intacto, mas não liguei muito e fui ao meu computador, queria saber mais sobre o que eu tinha ouvido.

Fora as inúmeras páginas de RPG e cosméticos góticos, achei alguns sites que continham as mais variadas lendas sobre vampiros, mas mesmo assim eu não acreditava que aquilo pudesse ser real. Tinha um forte problema em acreditar em coisas que não conseguia ver, que não tinha prova que pudessem ser reais; talvez essa fosse a razão de não acreditar em Deus.

Comecei então a procurar características que pudessem ser usadas para identificar as criaturas, além do óbvio, beber sangue. E por algum motivo a cada frase que eu lia, mais momentos apareciam na minha cabeça. Força e rapidez maiores que o normal certamente explicariam como Adam tinha conseguido me salvar de ser esmagada pelo carro, mas alguns eu não conseguia relacionar, então deixei para lá toda aquela paranoia.

Mesmo acreditando que nada daquilo era verdade fiquei interessada pelo livro de lendas dos quileutes, então procurei alguma livraria perto de Calden que tivesse e encontrei uma em Port Angeles. Sorri para a tela do computador.

Na escola Evan me chamou para sair e eu não consegui mais esconder o fato que Laura era completamente apaixonada por ele. Ele se fez de desentendido e eu perguntei se ele era cego, Evan ficou meio desconfortável e disse que não podia se atrasar para a aula. Me senti mal, mais uma vez por ter feito isso com ele, mas pelo menos agora, sabia que ele não me perturbaria mais.

Na aula de trigonometria Laura disse que ela e Sarah iriam hoje à Port Angeles e eu fiquei animada, avisei para George e confirmei com as meninas.

Por algum motivo aguardava ansiosamente a aula de laboratório para ver se ele manteria o nosso acordo, mas fiquei desapontada ao não ver ele lá. Sarah, que também fazia parte da minha turma de laboratório, viu que o assento ao lado do meu estava vago e me disse que os Foy nunca vinham quando fazia sol, eles saiam para acampar ou coisa do tipo.

Não achei aquela desculpa boa o suficiente, mas me sentei no meu lugar e assisti a aula.

Laura dirigia como uma louca e eu realmente achei que fosse morrer, ela desviava por pouco dos outros carros. Cinto de segurança era uma necessidade ali.

Em Port Angeles elas se dirigiram para uma loja de vestidos, onde experimentaram mais de dez, e eu dava a minha opinião com o maior prazer e aparentemente os caras que passavam também, o que deixou a toas nós muito desconfortáveis. Só que depois de um tempo o fato de ir na livraria começou a martelar em minha cabeça e eu avisei para as meninas que encontraria elas depois, no restaurante.

A livraria não ficava muito longe da loja dos vestidos, mas a rua era bem escura e quando eu saí da livraria já estava escuro. Respirei fundo e comecei a andar rápido em direção à rua principal, mas vi meu caminho bloqueado por dois homens, virei, porém a situação se repetia do ouro lado.

E nesse momento, me apavorei, tentei passar por eles, que insistiam em me chamar de nomes nojentos e dizer coisas obscenas. Acabei por derrubar um deles, mas não era forte o suficiente para derrubar os outros três.

Um carro apareceu e quase atropelou dois dos brutamontes, ouvi uma voz muito conhecida no meu ouvido me dizendo para entrar no carro. Em menos de segundos ele já estava girando o volante e pisando o acelerador para nos tirar de lá.

Antes mesmo de pedir desculpas, perguntei como ele sabia que eu estava lá. Ele apertou mais os dedos no volante e disse que estava aqui em Port Angeles, tinha visto as meninas na loja e quando eu tinha saído, que queria fala comigo, por isso me seguiu. Agradeci mentalmente por ele não ser um mega stalker que me observava sempre e, finalmente agradeci.

Mas ele não respondeu, continuou agarrado ao volante e eu perguntei o que estava acontecendo.

—Você não sabe o que eles estavam pensando... Se eu pudesse voltar e socar todos eles... – Disse e desviou bruscamente de um carro.

—Nem você. – Respondi. – Já está muito quente aqui.

Fui desligar o aquecedor ao mesmo tempo que ele e senti a frieza da sua mão. Ele se afastou bruscamente e continuou a dirigir. A cada minuto que se passava, mais do que eu havia lido nos sites sobre vampiros aparecia na minha mente e continuava a reprimi-los. Disse onde as meninas estariam e ele me levou lá.

Não estava mais com fome, acenei para ele e as meninas pediram desculpas por não terem me esperado para jantar. Entrei no carro de Laura em silêncio, que foi preenchido com as músicas pop que as meninas colocaram.

Ao chegar em casa George já tinha ido dormir e eu agradeci mentalmente por aquilo. No meu quarto comecei a folhear o livro e simultaneamente sites no computador, e pensando mais claramente, sim, Adam parecia se encaixar perfeitamente na descrição de um vampiro. Pele fria, rapidez e força exageradas, não sai na luz do sol, tem habilidades especiais.

Meu cérebro não queria acreditar, não existia essa possibilidade, eu não estava dentro de “The Vampire Diaries”, mas então, por que tudo indicava para esse caminho?

Coloquei a mão na testa, eu estava delirando, era isso. Eu devia estar desidratada ou coisa do tipo. Deitei na minha cama, de roupa mesmo, e resolvi esquecer tudo isso até a próxima manhã.