Red
3 Capítulo 2
O dia seguinte foi melhor. Adam Foy não tinha ido para a aula, o que me deixou feliz e ainda mais irritada, afinal, que tipo de pessoa faltava aula assim por estar com raiva? Deixai o pensamento de lado e tentei aproveitar o meu dia.
Falava com Sean e Evan, e no almoço sentei com eles e Laura e Sarah, consegui responder uma pergunta de trigonometria que o professor me chamou, mesmo que eu estivesse com a mão abaixada.
No laboratório sentei sozinha, o que me deixou muito bem, principalmente pela privacidade, assim podia desenhar em paz.
A escola não foi muito mais que isso, e dirigi logo para casa. Mesmo tendo se passado apenas três dias que cheguei na casa de George consegui perceber que ele não fazia nada mais na cozinha que bacon e ovos. Pedi então para cuidar na cozinha, algo que eu até gostava de fazer.
Em casa vi o que tinha na geladeira e fiz uma lista de compras e fui para o mercado como dinheiro que tinha na carteira mesmo, depois George me pagava de volta.
Comprei só o básico mesmo, já que eu também não era nenhuma mestre cuca. Arrumei as compras e resolvi fazer alguma coisa para jantar antes de George chegar. Coloquei uma água para cozinhar macarrão no fogo e fui deixar minhas coisas no meu quarto.
Enquanto esperava o macarrão cozinhar fui ver minhas mensagens e percebi que meu celular estava em modo avião. Tinha quase vinte mensagens da minha mãe, mais da metade era apenas ela chamando o meu nome, o resto ela perguntava se eu estava bem.
Respondi rapidamente e disse que estava tudo ótimo, que estava com saudades e que ela não precisava se preocupar. Preparei o jantar ao som de Dragonforce e fui tomar banho.
Coloquei um pijama e um moletom quente, logo depois George chegou e perguntou que cheiro era aquele. Desci com um sorriso e abri a panela, revelando o jantar.
Ele sorriu e me deu um abraço, servi-nos e comemos. George perguntou se eu tinha feito alguns amigos e eu mencionei Mike, Sarah e os outros.
—Eu também falei com o Adam Foy... O que você sabe sobre os Foy? – Perguntei cautelosamente vendo se eu descobria porque o menino era tão estranho.
—Willam Foy é um médico brilhante, temos muita sorte de ter ele aqui na nossa cidade... Os filhos são normais, nunca causaram problema, são bem comportados. – Respondeu George colocando mais macarrão em sua boca e eu pedi licença.
Subi ao meu quarto e fiquei com a pergunta em minha cabeça. George parecia achar eles tão normais e eu parecia achar eles tão estranhos... Bem, acho que podia ser só eu mesmo. Tentei esquecer esse assunto, afinal, eles não eram nada para mim.
O resto da semana se passou calmamente, me adaptei aos horários, conversei com mais pessoas, não acertei mais ninguém nas aulas de educação física e Adam Foy não apareceu.
Evan organizava um passei para a praia de La Push para dali a duas semanas e eu tinha concordado em ir. O final de semana foi bem normal, fiz alguns doces, o que pareceu agradar George, que gostava de ficar na frente da televisão tomando cerveja. Descobri que ele não percebia o sumiço de algumas latas da bebida e comecei a consumir com vontade, afinal, era uma bebida boa demais.
Segunda feira começou a nevar, e como eu amava neve! Laura fez uma careta do meu lado e uma bola branca bateu na cara dela. Comecei a rir instantaneamente e recebi uma no meu cabelo. Entrei rapidamente na guerra de neve e foi absurdamente divertido. Com certeza foi um dos meus melhores momentos em Calden até aquele ponto.
Só entrei quando a minha roupa estava quase toda encharcada, continuei a rir com Sarah e Sean, mas parei ao perceber uma cabeça a mais na mesa dos Foy. Estava mais que decidida a matar a aula de laboratório quando ele me olhou. Naquele momento eu decidi que iria na aula somente para tirar satisfação com aquele merda.
Sentei na mesa e a primeira coisa que ouvi foi a voz de Laura, quase com inveja, avisando que Adam me olhava. Bufei e pedi que ela parasse de olhar para ele, Laura deu uma risadinha mas virou de volta e começou a conversar com o resto das pessoas da mesa.
Ao ouvir o sinal me dirigi para a sala de aula, ou seja o laboratório, sozinha dessa vez e me surpreendi ao não ver Adam na mesma em que sentava. Sorri e me sentei do lado da janela, abri meu caderno de desenho discretamente enquanto a professora distribuía os microscópios.
Antes de começar o novo desenho ouvi o rangido de uma cadeira ser puxada e olhei para o lado, encontrando os olhos amarelos e Adam, minha expressão se fechou naquele segundo.
—Oi. Não acho que tenha me apresentado, sou Adam Foy. – Disse com a voz rouca e baixa. Bufei para mim mesma e abri um sorriso falso:
—Blake Scott. Agora que nos conhecemos você pode me deixar em paz. – Falei e fechei o caderno de desenhos, enfiando-o em minha mochila encarando a bancada com a expressão fechada.
Sra. Keegan pediu que começássemos a examinar as células da cebola nas lâminas que ela havia nos entregado e ela passaria para ver nosso progresso em alguns minutos.
—Damas primeiro. – Disse empurrando o microscópio para mim e eu analisei sem dizer uma palavra. Prófase. –Se importa se eu checar?
Empurrei o microscópio e escrevi a resposta em meu caderno e ele disse alto, tirando a mesma conclusão que eu. Coloquei a segunda lâmina e repeti o processo e ele resolveu ficar em silêncio também.
Terminamos a tarefa antes de qualquer outra dupla e ficou um clima desconfortável, Adam me encarava com uma expressão estranha e curiosa e eu fingia examinar minhas unhas, pintadas de preto e ajeitar os meus anéis.
—Um saco essa neve né? – Perguntou descaradamente apontando para a janela. Revirei os olhos antes de responder que eu estava amando aquele tempo e que se eu pudesse estaria desenhando e ouvindo música lá fora. Ele pareceu se surpreender com a minha resposta, mas sorriu e voltou a apreciar a neve.
—Pelo estado das suas roupas você não parece achar neve um saco. – Soltei antes mesmo de perceber e fiz uma careta. Ele riu, mas não me contrariou. Pareceu se divertir em ver a minha expressão e perguntou o motivo de eu ter me mudado para Calden. – Minha mãe casou de novo, e ela e o marido tem que viajar muito, é melhor para todo mundo se eu ficar aqui em Calden. E eu gosto muito mais desse tempo que o de Phoenix.
—Nem dá para perceber que você vem de Phoenix... – Comentou ainda me analisando, respondi sarcasticamente querendo mais que aquela conversa acabasse logo. – Eu estou te irritando?
—Sim. – Respondi secamente, eu detestava falar de mim mesma, e eu já tinha falado de tudo que ele havia me perguntado durante a primeira semana de aula – Por que você se importa?
—Boa pergunta. – Respondeu e começou a encarar a bancada. Eu realmente não entendia aquele menino. Resolvi ignorar o risinho que ele deu ao ver a minha expressão irritada e tive que pegar meu caderno de desenho. Rabisquei linhas sem nexo e acabei rasgando uma das páginas, agradeci ao sinal por tocar naquele momento e sai rapidamente da sala.
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