Red
4 Capítulo 3
Ao acordar percebi que a neve havia se solidificado e formava formas incríveis nas árvores, o que me fez levantar rapidamente da cama para observá-las da janela.
Repeti o ritual de toda manhã, catando sem paciência as roupas que eu usaria, e demorei mais que o usual para me arrumar o que me irritou, já que eu odiava me atrasar mais que tudo.
Quando eu desci as escadas fazendo barulho pela correria que eu estava, George já havia saído. Tomei apenas uma xícara de café ainda apreciando as formas de gelo e entrei no meu jipe logo depois, esfregando bem as mãos antes de começar a dirigir.
O caminho foi tranquilo e eu percebi que precisava instalar um rádio com bluetooth no meu carro urgentemente já que era muito perigoso ficar ouvindo música direto do fone de ouvido, mas fora isso estava tudo perfeito. Encontrei a vaga que geralmente parava e tomei cuidado para não derrapar no chão escorregadio, depois saí do carro. A música estava tão boa que eu fiquei mais do que necessário do lado de fora do carro de olhos fechados.
Escutei alguns barulhos desconexos que não pareciam vir da minha música e abri os olhos, tirando rapidamente os fones dos meus ouvidos apenas para ver um carro derrapando e se aproximando muito rápido de mim. Sei que nessas horas eu deveria correr ou pedir ajuda, mas eu ao consegui. O motorista gritou para que eu saísse do caminho, o que tornou a situação ainda pior.
Fiquei paralisada e tentei sair a tempo, quando meu cérebro finalmente deu um sinal que funcionava, mas só que vi foram as faces em choque sem saber o que fazer.
Um vulto se aproximou e me cobriu. Senti braços me envolvendo e um barulho muito alto, fechei os olhos achando que o pior estava por acontecer e esperei alguma dor vir, mas não senti absolutamente nada. Abri os olhos e encarei os de Adam, amarelos incomuns, me encarando com uma expressão de preocupação, e sua respiração ofegante batendo levemente no meu rosto. Porém antes mesmo que eu pudesse agradecer ele saiu, deixando-me com a respiração entrecortada e a porta do outro carro completamente amassada.
Foi então que a gritaria começou, todo mundo veio ver se estava tudo bem e eu respondi que sim, meio no automático, ainda processando o que havia acontecido. Tentei achar o menino que havia me salvado no meio da multidão, mas não consegui; apenas achei sua família que me olhava com ódio.
Fui levada para o hospital, junto com o motorista do carro que quase tinha me atropelado; ele tinha um corte bem grande acima da sobrancelha. Pararam de fazer perguntas ao ver o estado que eu estava, devem ter achado que eu estava chocada, e talvez eu estivesse, mas naquele momento tudo que se passava na minha mente era como ele havia chegado até mim.
Eu tinha absoluta certeza que Adam não estava perto de mim quando o carro se aproximava senão eu saberia, também não conseguia entender como ele tinha conseguido parar o veículo, não era possível um humano ter tamanha força. Se antes eu estava curiosa sobre Adam Foy, eu não sabia como se chamava o que eu estava sentindo agora.
Só saí do meu estado catatônico ao ouvir a voz de George no meu ouvido, perguntando se estava tudo bem, se eu tinha me machucado.
—Pai? – Perguntei olhando para ele e vi que Geroge estava em choque. Nunca chamava ele de pai. Ele sorriu e me abraçou e foi nesse momento que eu senti uma dor latejante no lado esquerdo da minha cabeça. Percebi que um homem loiro muito bonito aparecera pela porta.
—Prazer Blake, sou Willam Foy. – Arregalei os olhos em surpresa e o cumprimentei. Ele fez um rápido exame e constatou que eu só havia batido a cabeça, mas que nada estava errado.
—Tive sorte que Adam estava lá para me ajudar, chegou até mim tão rápido. – Falei e vi seu sorrido fraquejar, disse que era uma sorte mesmo e saiu rapidamente. Definitivamente havia alguma coisa errada. Pedi licença e deixei George falando com uma enfermeira.
Vi Adam conversando com Willam, que movimentava rapidamente seus lábios e Rosalie, que não exibia uma expressão muito amigável, mas aquilo não era novidade para a face da vampira loira. Pigarreei, chamando a atenção deles e chamei Adam.
—Você vai fugir de novo ou vai responder como chegou até mim tão rápido? – Perguntei erguendo uma sobrancelha e ela olhou nervosamente para o lado. Pareceu sussurrar algo e vi Rosalie e Willam andarem para longe.
—Eu estava bem do seu lado. – Disse nervosamente e eu ri secamente. Perguntei até quando ele ia ficar mentindo, e também, como ele havia amassado a porta do outro carro. Observei o seu nervosismo e a sua boca se abrindo e fechando, mas nenhuma palavra saindo.
—Confie em mim. Saber só vai piorar tudo. – Falou rápido e saiu, andando com passos ligeiros; tentei puxá-lo de volta, mas ele se esquivou.
—Você devia falar com a sua mãe... – Ouvi a voz de George antes que eu pudesse ir atrás de Adam. Olhei incrédula para sua cara, ele havia falado com minha mãe, ela devia estar surtando.
Liguei para o celular dela e logo ouvi sua voz gritar várias palavras de preocupação, incluindo "essa merda de Calden", o que me fez rir e a acalmei falando que eu estava bem. Disse que falaria com ela depois e ela repetiu muitas vezes que estava morrendo de saudades e eu disse o mesmo.
Segui George até o seu carro e olhei com muita raiva para Adam que estava apoiado perto do estacionamento do hospital. Xinguei-o baixo e olhei de novo, ele parecia ainda mais irritado que antes, como se tivesse ouvido o xingamento.
Em casa, pedi que George buscasse o jipe na escola e ele o fez, e enquanto isso tomei um banho longo, que foi a única coisa que me fez esquecer momentaneamente o dia horrível que eu tinha tido. Andei lentamente até o meu quarto e coloquei os fones de ouvido, a única solução para ignorar os meus pensamentos confusos seria ouvir música no volume mais alto que tivesse.
Aquele foi o primeiro dia em que sonhei com Adam.
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