Red
1 Prólogo.
Notas iniciais
Ela olhava o ambiente a sua volta com certo desdém, já que o conhecia muito bem. Era uma floresta típica daquela região da Europa. Ah, como eram belas aquelas paisagens! A Floresta de Teutoburgo* com seus declives, já que aquela região era montanhosa, suas árvores aciculifoliadas e aquelas diferentes e interessantes formações rochosas. Ah, como aquela garota gostava daquele ambiente, ainda mais nessa época do ano, outono, sendo claramente identificado com aquelas folhas, amarelas, laranjas e vermelhas. Não havia como aquela paisagem ficar melhor. Resolveu ir andando de volta para casa pelo caminho que chegou à floresta, já que ela tem muitos, ignorando o ambiente a sua volta, o que foi seu primeiro erro naquela tarde.
Quem estivesse perto o suficiente ouviria um cantarolar, já que ela realmente emitia sons baixos com suas cordas vocais. Era uma melodia que adora ouvir, pois é uma coisa que a lembra de sua mãe, que morreu quando ela era apenas uma criança. Ela sempre a cantava pra a pequena dormir, e isso nunca foi esquecido por ela. Resolveu ir pelo caminho mais longo, para pensar mais, aquela briga com o pai realmente foi séria. E foi ai que cometeu seu segundo erro, passar por aquele lado da floresta nunca foi uma opção.
Finalmente resolveu parar de cantarolar e botar um pouco de atenção no ambiente, e sentiu o pesar de algo a observando.
— Droga! – Falou baixinho – Só falta ser um urso!
E seu terceiro e último erro, parou ao invés de correr.
- Seus pais não lhe ensinaram a tomar cuidado quando for à floresta, Olga?
Ela subitamente olhou, reconhecia essa voz, era nada mais, nada menos que seu melhor amigo, Luther. Ele sempre arrumava um jeito ou pretexto para a jovem sorrir e ela adorava o ver sorrir. Ela não admitia, mas bem no fundo estava desenvolvendo amor pelo jovem.
- L-luther? – Gaguejou com o susto e, ao ver, relaxou. Como alguém poderia fazer tão bem a ela? – Ah, só queria dar um passeio e pensar – Disse após se recompor, dando de ombros.
Ele riu, mas não foi àquela risada que ela ama, foi mais... Seca? Sim, seca e mais alguma coisa... Talvez maligna? Ele nunca havia soltado aquela risada antes e ai ela notou, “Olga? Ele nunca me chama de Olga! Chama-me de Olguie!”, e antes que dissesse algo, ele praticamente leu seus pensamentos.
- O que foi Olguie? – Disse dando ênfase ao apelido – Não confia em mim?
Engoliu seco. Aquele tom de voz realmente não era de seu melhor amigo, ele não era Luther! Foi ai que ouviu uma risada ríspida dele. Estava perdendo a paciência, supôs. E quando notou, ele segurou seus pulsos com violência e, calmamente pousou sua cabeça sobre o ombro dela. Ela ficou simplesmente sem reação. Com certeza ele não era seu amigo.
- Ora, ora, ora, Olguie. – Disse sussurrando em seu ouvido – Quero brincar! E quero que você brinque comigo.
Ela tentou se soltar, mas ele era forte e não a deixaria fugir tão facilmente. Ouviu outro riso, dessa vez com certeza maligna e supôs, mais uma vez, agora mais tendo certeza, isso não estava muito para seu lado.
- M-mas o que você q-quer?! – Começou tremer e se amaldiçoou de todas as maneiras possíveis por tremer e gaguejar.
Ele apenas riu, apreciando o momento.
- Ah, só quero brincar com minha presa. – Ele afastou o rosto, dando o sorriso mais maligno que Olga já havia visto na vida. É, realmente a coisa não estava boa para seu lado.
- Como assim?! – Conseguiu manter a compostura da voz, seu corpo tremia de medo ainda e, talvez mais forte ainda.
- Te dou cinco minutos. Encontre uma clareira com uma cabana, onde não posso entrar – Seu sorriso agora tinha um pouco de satisfação. – Ande logo, corra!
Ele a soltou, que ficou um tempo sem reação. O suposto Luther bufou e falou algo como queria a ver correndo e quando notou, suas pernas a levavam para longe. Corria desesperadamente, queria logo encontrar essa maldita clareira para entrar na cabana.
- Faltam quatro minutos... – Disse uma voz distante. Pronto, só o que lhe faltava, ele estava provavelmente em seu encalço.
Ela olhava para um lado e outro, corria em ziguezague, virava bruscamente para direita, esquerda e seguia reto, estava realmente desesperada. Quando notou, ouviu a voz pela sexta ou sétima vez e agora dizia algo como o tempo estava acabando. Ela achou que era o fim, mas viu que de repente as árvores ficaram menos densas.
- Isso! – Sussurrou baixo, por causa do cansaço, mas ainda correndo. Entrou de uma vez na cabana, fechou ela e se se encostou à parede no canto.
Estava ofegante, aquela corrida realmente a cansou, mas soltou um suspiro aliviado quando deu os prováveis cinco minutos, deixando-se deslizar na parede, caindo sentada no chão. Achou que tinha se salvado, mas ai se enganou, e feio.
- Achou mesmo que essa era a cabana certa, querida?
Ela arregalou os olhos ao ouvir aquela frase, que foi seguida de uma porta sendo arrombada e aquela pessoa entrar na cabana. Levantou-se de imediato, pelo olhar que ele fazia enquanto ela estava no chão, sabia que ia ser bem pior. Sentiu lágrimas caindo sobre seu rosto. Seu desespero voltara maior que nunca.
- Haha, está é minha casa – Ele falou de forma zombeteira, rindo baixo de uma forma maliciosa – Ir direto para o ninho do caçador não é uma boa estratégia de fuga.
Ele se aproximou de vagar para Olga, que pensou em tentar fugir, mas antes mesmo até de seu pensamento terminar de ser concluído ele a prendeu a parede, sem forma de fuga, e começou a encarar com um olhar nada amistoso.
- Você deveria prestar mais atenção em seu caminho, Olguie. Havia muitas cabanas por ele. – Disse ainda a encarando.
Ela se estremeceu. Como poderia ser tão avoada para não notar as outras cabanas? Luther aproximou o rosto do dela, fazendo suas respirações se misturassem, ela queria gritar, mas pelo olhar dele, não ia ser tão fácil assim ter alguém ali, suspirou derrotada. E antes de qualquer reação dos dois, se viu levantando e abrindo os olhos de uma vez em sua cama.
O que? Aquilo tudo não passou de um sonho? Ela olhou para o lado, via seu pai preocupado, parece que enquanto dormia fez uma gritaria e tanto. Desculpou-se, dizendo que fora um pesadelo e que não era para ele se preocupar, mas foi ai que olhou a janela e estremeceu. Luther estava nas árvores que ficavam em seu jardim e estava com cara de poucos amigos, até que olhou para a janela, fazendo aquela cara que Olga temeu, e dessa vez notou algo de diferente nele... Seus olhos... Estavam vermelhos.
Notas finais
* Uma floresta que se situa na Alemanha, perto de uma cidade chamada Bramsche. Cidade da maior parte da história.
Fale com o autor