Recovery
5 Promise
Notas iniciais
Você quer ser ajudado?
Damon certamente não sabia como responder aquela pergunta.
Assim que a ouviu, o moreno franziu o cenho, confuso, não entendendo completamente o sobre o que a pergunta se referia. Se ele fosse ajudado esqueceria as memórias dela? Esqueceria toda a falta que aquela incrível mulher fazia dentro de seu coração? Esqueceria seu amor por ela e como doía não a ter ali, com ele? Então não. Ele não queria ser ajudado. Ele não queria jamais esquecer a pessoa que mais amou em sua vida e nada mudaria isso.
— Droga. — murmurou, encostando a cabeça nos azulejos frios do banheiro, que em contraste com seu corpo quente lhe fizeram arrepiar-se. A pergunta permanecia fixa em sua mente, perturbando-o em cada segundo de seu dia.
Ele havia realmente perdido a paz, em cada segundo lembrava-se de como os olhos da morena brilhavam em emoção, esperando a resposta dele com uma demasiada ansiedade. Entretanto, para Damon, responde-la era difícil. Então ele preferiu apenas deixar o silêncio reinar, acabando com todo o brilho nos olhos de sua psicóloga.
— Ah! — ele exclamou, com dor, lembrando-se de como fora difícil deixar que aquele brilho saísse dos olhos da morena.
Ele odiou-se ao comparar os olhos de sua psicóloga com os olhos de April. Eram tão obviamente diferentes! Os de April comparavam-se aos mares mais azuis e magníficos da face da Terra, enquanto os de Elena eram tão doces quanto chocolates. Porém, aquele brilho especial habitava os dois tão diferentes olhos igualmente.
— Damon? Vai demorar? A lasanha está pronta! — o grito vinha de Stefan, do outro lado da porta.
Por um momento o moreno assustou-se ao ser arrancado de seus devaneios, porém ao recuperar-se ele coçou a garganta, fechando o chuveiro a minutos aberto e enrolando-se da cintura para baixo na toalha branca que encontrava-se pendurada em cima do box.
— Já estou saindo. — respondeu simplesmente.
***
— Bom dia Damon. — cumprimentou a psicóloga, seu sorriso doce e alegre capaz de derreter geleiras inteiras. O moreno soltou um pequeno e quase imperceptível sorriso de canto, sentando na cadeira de frente para a mesa dela, cruzando os braços.
— Bom dia senhorita Gilbert. — respondeu ele, ainda que num tom fechado.
— Damon, estaremos juntos durante um bom tempo, então, acho que seria bem mais formidável que me chamasse pelo meu primeiro nome. Eu ficaria imensamente agradecida. — ela sorriu, ignorando os estranhos arrepios em seu corpo e suas mãos trêmulas.
Inexplicavelmente Damon ainda conseguia produzir nela os mesmos efeitos que na adolescência produzira, o que deixava-a extremamente confusa. Como, afinal, ela conseguia sentir exatamente os mesmos efeitos pelo mesmo homem depois de tantos anos? Para Elena não havia explicações possíveis.
Ela tinha certeza absoluta que não o amava. Superou aquele amor platônico no dia em que Damon apareceu com sua bela e falecida namorada e, ao ver como seus olhos brilhavam perto dela e como ele sorria ela automaticamente enterrou dentro de si qualquer tipo de sentimento que poderia possuir pelo moreno.
Por que então, agora, após tantos anos, ele tinha que ainda produzir nela aqueles estranhos efeitos?
— Sim, Elena. Eu também adoraria. — ele puxou-a de seus devaneios, fazendo-a concentrar-se em seu discreto sorriso. A morena assentiu, abrindo novamente o documento com o nome dele e umedecendo os lábios.
— Conte-me então como foram esses dias. Pensou ou se drogou alguma vez nesse tempo em que estivemos separados Damon? — ela perguntou, seus olhos fixos em cada movimento que o moreno fazia.
— Eu penso em me drogar todos os dias Elena. — ele respondeu. Seu tom de voz pesado e sombrio surpreendeu a morena, que desgrudou os dedos do teclado e entregou toda a sua atenção ao moreno. — Eu... Luto contra a minha vontade de... De... Fazer de novo, mas é difícil! Essa é minha válvula de escape, por mais dolorido e prejudicial que ela seja. É a minha única saída. — ele tampou o rosto com as duas mãos, as bochechas corando violentamente.
Falar sobre drogas era algo que Damon jamais fazia, entretanto ele sabia que uma hora ou outra o assunto teria que ser dialogado. Ele compreendia que precisava de ajuda – e que precisava de ajuda urgentemente – porém ainda assim ele sabia que, ao se curar, ele não teria mais aquela saída de emergência e que sofreria ainda mais, afinal ele ficaria sozinho com as lembranças de um passado que não mais voltaria e que o fazia sofrer.
— Isso. É exatamente isso que eu queria que você dissesse. — o silêncio da sala fora rompido pela voz doce e compreensiva de Elena Gilbert, que escreveu rapidamente em seu computador antes de voltar sua atenção a Damon. — Você trabalha Damon? — perguntou, seus olhos castanhos fixos nele.
— Não. — murmurou, envergonhado. — Eu era um pintor fotográfico, mas parei quando... Quando... — sua respiração tornou-se ofegante e ele calou-se, inspirando e expirando lentamente.
— Tudo bem, não precisa contar exatamente tudo o que vêm reprimindo. Vamos com calma, ok? — ele suspirou aliviado, fitando-a com um sorriso agradecido. Ao vê-lo assentindo ela sorriu de volta, voltando a escrever em seu computador tão rápido quanto os olhos de Damon podiam acompanhar. — Damon, você aceitaria participar de uma sessão com um psicólogo meu amigo que trabalha numa clínica de reabilitação? — ela desviou os olhos castanhos do computador a tempo de ver o moreno arregalar seus olhos, surpreso.
Clínica de reabilitação? O moreno franziu o cenho, lembrando-se vagamente do que se tratavam essas tais clínicas e, ao lembrar-se, bufou inconformado.
— Não. — disse, como se fosse óbvio. — Eu não preciso ser tratado como um louco drogado. — ele murmurou, mal humorado, as mãos fechadas em punhos.
— Ninguém lhe tratará como um louco drogado. — ela frisou a palavra, reprimindo sua vontade de revirar os olhos. — É apenas uma sessão e você não será obrigado a tomar remédios nem nada desse tipo, se essa é a questão. — ela largou o teclado completamente, colocando as duas mãos cruzadas em cima da mesa. — Olha, Damon, tudo o que eu quero é te ajudar. Te mostrar caminhos para que saia dessa depressão e se recupere. Você é forte. Você consegue.
Os olhos dela...
Os olhos dela brilhavam como dois diamantes de chocolate e ela o fitava tão intensamente que deixava-o envergonhado, porém ele não conseguia simplesmente desviar os olhos dela. Todas aquelas palavras... Toda a sua boa intenção... Ele faria certo confiando nela? Naquele momento, tudo em sua mente entrou em turbulência. O que era certo afinal?
Ele tinha consciência que precisava de ajuda e, naquele momento, com os olhos fixos na Doutora Elena Gilbert, ele acreditou que sim; ele conseguia.
— Eu... Aceito. — murmurou ele, quase que entre dentes, para a mulher a sua frente.
— Oh! — exclamou Elena, alegre, suas bochechas queimando e os olhos brilhando. — Muito obrigada pela confiança Damon. Juntos iremos conseguir, prometo a você. — ela piscou um dos olhos, voltando a escrever em seu computador.
Uma promessa... Poderia ela cumprir?
Damon conteve sua curiosidade ao vê-la digitando tão rapidamente e esperou pacientemente até que ela finalmente terminasse. Assim que completo, ela virou seu monitor na direção do moreno, sorridente.
— Ele será o psicólogo. — ela apontou com a caneta para o rosto do doutor moreno estampado no monitor. Damon aproximou-se, em dúvida, franzindo o cenho, e analisou o homem sorridente a sua frente. — O nome dele é Alaric Saltzman e ele é um ótimo profissional. — ela soltou um suspiro nostálgico. — Tudo o que sei aprendi com ele.
— Oh... — murmurou o moreno, em resposta.
— E então?
— Eu disse que aceito, não disse? — um sorriso de canto surgiu nos lábios dele.
— Ótimo! Marcarei para a semana que vem. — ela virou o monitor de volta para si, digitando no teclado novamente.
— A senhorita... Irá participar? — perguntou ele, curioso.
— Somente se você quiser. — respondeu ela, a voz sorridente.
Ele suspirou aliviado.
— Sim. Eu quero... — um sorriso pequeno cresceu em seus lábios.
Damon não queria – e nem iria – abrir toda a sua vida para o doutor, embora sua aparente simpatia, o moreno ainda não conseguia confiar totalmente no homem. Com Elena, entretanto, ele se abriria completamente. Não sabia porque, mas simplesmente com a morena as coisas seriam mais fáceis.
— Prontinho. Marcado. — ela sorriu sem mostrar os dentes. — Agora... Há algo que gostaria de me falar? — ela virou para fita-lo, ansiosa.
O moreno lembrou-se então do dia em que ambos caminharam, e em como fora difícil para ele deixar que o brilho nos olhos dela morressem. Revirando sua mente, então, ele resgatou as memórias que possuía de uma Elena Gilbert adolescente, escondida atrás de livros grandes e sempre parecendo não estar verdadeiramente ali, como se vivesse num mundo somente dela.
— Não, não há nada....
Mas aquele ainda não era o momento para dizer a ela que se lembrava.
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