Recovery
16 Peace
Notas iniciais
Elena sorriu ao ver seu reflexo no espelho. Os cabelos castanhos agora estavam encaracolados, enquanto uma maquiagem suave fazia-se presente nos olhos dela. Um colar com um pingente em formato de coração contornava o pescoço da morena, e um vestido azul de renda caía em seu corpo, deixando-o ainda mais curvilíneo.
Rebekah sorriu ao ver o quão feliz a amiga estava e respirou fundo. Saber que Damon finalmente havia ido atrás de Elena deixava a loira completamente animada. Sabia o quanto a morena o amava e apenas queria vê-la feliz.
— Aonde ele vai te levar? — A loira perguntou atravessando o quarto da melhor amiga e ficando atrás da mesma. Elena pôde ver o reflexo da amiga enquanto colocava um par de brincos. Ela virou-se e encarou Rebekah:
— Eu ainda não sei, mas provavelmente ele me levará ao Piedmont Park — respondeu com os olhos cintilando. A loira sentou-se na cama e disse, incerta:
— Lena, você sabe que não pode criar muitas esperanças, certo? — Ela perguntou cuidadosamente. Levantar tal assunto com Elena era sempre algo bastante complicado. A morena nunca reagia muito bem à ideia de que Damon poderia realmente deixá-la.
— Rebekah, por favor, agora não — a Gilbert implorou, fechando os olhos. Não queria discutir com ela agora, não quando tudo a sua volta parecia estar tão perfeito.
— Elena, apenas me ouça! Eu não quero que você se magoe depois... Apenas não se iluda, okay?
— Eu sei me cuidar, Bekah... E sei também que Damon não quer me magoar, nem nada do tipo — falou, confiante. — Eu o amo... Não posso mais ficar longe, não dá mais — a morena estremeceu diante da possibilidade. — Mas obrigada por se preocupar comigo — disse sorrindo para a amiga. A morena sentia-se grata por ter uma amiga como Rebekah, que realmente se importava com ela, com seus sentimentos. Aquilo era reconfortante.
Elena assustou-se com o som de seu celular tocando e sorriu ao ver que era ele que estava ligando. Foi então que ela soube que precisava descer, pois ele certamente havia chegado. Atendeu enquanto se despedia de Rebekah, que observou a amiga indo embora.
Ela conversou com Damon rapidamente por celular e atravessou o saguão do prédio. Estava bastante animada com aquilo tudo. Os dois iriam fazer um piquenique e apesar de parecer todo, a morena mal podia conter sua ansiedade. Tudo o que ela mais desejava naquele momento era vê-lo, senti-lo.
Estranhou ao não ver nenhuma moto na rua e franziu o cenho. Sentiu o celular vibrar em sua mão e leu o que estava escrito: "Oi, Lena... Estou em um Ford prata bem na sua frente". Deu de ombros e entrou no carro.
— Oi — a morena disse timidamente, ajeitando uma mecha de seu cabelo. Ele abriu um sorriso carinhoso para ela e disse:
— Oi. Você está linda — ele falou, enquanto um sorriso sapeca brincava em seus lábios. A Gilbert corou diante do que ouvira e ajeitou uma mecha de cabelo que insistia em cair em sua face.
— Por que não veio de moto? — Questionou confusa. Estava tão habituada a vê-lo andando de moto que estranhou vê-lo diante do volante circular de um carro.
— Você achou mesmo que eu deixaria você ficar na moto, tem ideia do quão arriscado é? — Perguntou franzino o cenho. Ela o encarou confusa, em busca da lógica nas palavras dele, mas se sentia lisonjeada demais para aquilo no momento. Saber que ele realmente se preocupava com ela a fez-se sentir-se extremamente bem.
— Então você deveria parar de andar nelas — comentou preocupada. Não gostava nem um pouco da ideia de vê-lo em um hospital. Estremeceu diante da possibilidade e respirou fundo. Okay Elena, não pense em coisas ruins. Repetiu mentalmente algumas vezes, como se fosse seu mantra pessoal.
— Estou considerando a possibilidade — ele murmurou e logo depois voltou a olhar para frente. Elena iria abrir a boca para perguntar de quem era o carro mas preferiu ficar em silêncio. Enquanto isso, no lado do motorista, Damon voltava a pensar naquelas antigas memórias.
Estava quente, muito quente. Damon tirou a bermuda e se jogou na água fria da piscina de atletismo da escola. Voltou à superfície rapidamente, vasculhando o ambiente com seus belos olhos azuis. E então, ao longe, a viu. Elena estava sentada na arquibancada, lendo um livro.
— Elena você não vai entrar na piscina? — Ele perguntou com a voz alta o bastante para que a morena ouvisse. Pôde vê-la levantar a cabeça e sorrir um pouco, movendo a cabeça em negação. — Qual é, está super quente aqui!
— Eu sei disso... Mas eu realmente não gosto de piscina — a morena disse voltando a ler seu livro. Por mais que quisesse entrar e ficar próxima dele, havia dezenas de meninas com corpos bem mais bonitos do que o dela. E tudo o que ela menos queria era perceber que ela nunca seria uma daquelas meninas.
Respirou fundo e continuou a ler. Estava presa a seu tão amado mundo interior que sequer notou Damon sentando ao lado dela. O rapaz a olhou de soslaio, avaliando cada detalhe no rosto da menina, tentando descobrir o que se passava na mente da mesma.
Sentiu dois olhos presos a ela e fechou o livro, encarando Damon Salvatore por alguns instantes. Ali estava ele, em carne e osso, bem diante dela. Os cabelos negros estavam molhados e o corpo definido estava completamente molhado. Os lábios estavam entreabertos e ele a encarava de forma engraçada. Elena não sabia exatamente o que fazer. Sentia todo seu corpo entrar em combustão, enquanto tentava não olhar para aquele corpo que desejara tocar por tanto tempo...
— O que está lendo? — Ele questionou curioso. A morena pigarreou, tentando manter o foco e disse:
— São alguns poemas de E.E Cummings — mostrou a capa do livro para ele, que sorriu diante daquilo. — Você gosta?
— Sim, ele é um dos meus escritores prediletos — respondeu animado. — Os poemas dele são repletos de emoção... — comentou, aproximando-se um pouco mais da morena, que sorriu. Os olhos castanhos brilharam, fazendo-o encará-la ainda mais. Damon estava tão ocupado encarando a morena que sequer se deu conta de que tremia violentamente, devido ao vento.
— Acho melhor você tomar banho, Damon... Você pode pegar um resfriado — a morena comentou preocupada. O rapaz vacilou por alguns instantes, mas então levantou-se e caminhou em direção ao vestiário.
Damon teve seus pensamentos interrompidos pelo som de uma buzina atrás de seu carro. Dirigiu por mais dez minutos, até que eles finalmente chegaram à seu destino. O rapaz estacionou o veículo em frente ao Piedmont Park e saiu do mesmo, abrindo a porta de Elena, que sorriu diante do ato de cavalheirismo. Ele pegou uma cesta repleta de coisas no banco de trás e uma toalha cinza e os dois caminham lentamente em direção ao parque, que já estava começando a ficar vazio.
Elena estendeu a toalha no chão e sentou na cama, sentindo-a pinicar a pele de sua pele; contudo, não se incomodou muito com aquilo. Ela ajeitou as coisas por sobre a toalha. Ele realmente pensou em tudo. Ela pensou sorrindo. Damon havia trazido um bom vinho, alguns pães e patê. A morena acendeu a vela que ele havia trazido com cuidado e ajeitou-se.
A lua cheia brilhava no Céu e a morena encarou o Céu por alguns instantes, lembrando de quando deitou-se ali, naquela relva, com ele. Fora naquele dia que ela se deu conta de que seria incapaz de esquecer Damon Salvatore.
— Eu não sabia se você bebia, mas optei por trazer um vinho — ele disse simplesmente. — Mas não se preocupe, eu não pretendo beber — adicionou rapidamente, fazendo-a sorrir em forma de expressar seu alívio.
Damon observou-a por alguns instantes, encantado. Havia tanta naturalidade em Elena... Nada do que ela fazia era premeditado, não haviam segundas intenções quando se tratava daquela morena... Ela não usava máscaras, ou disfarces. Sua naturalidade e simplicidade o deixavam bestificado. Elena corou violentamente diante do olhar do rapaz e respirou fundo. Okay, calma Elena Gilbert, respire. Pensou, tentando manter o foco.
Damon aproximou-se um pouco e fez um carinho gostoso na mão de Gilbert, que apenas fechou os olhos, aproveitando os toques. Um suspiro escapou por entre seus lábios e ele sorriu. Subiu uma das mãos pela linha do maxilar de Elena, deixando para trás um rastro intenso de calor. A morena sequer conseguia respirar. O ar a sua volta tornou-se rarefeito, e ela sentia algo revirando em seu estômago, como se algo estivesse voando no mesmo.
— Você sempre foi um enigma, senhorita Gilbert — ele disse, mordiscando o lóbulo da orelha de Elena, que ofegou e esqueceu até seu nome. — Sabia disso? — Ele perguntou, fazendo círculos nas costas dela:
— N-não — respondeu incerta.
Damon afastou-se, a contragosto, e falou, molhando os lábios:
— Há algo que você precisa saber, Elena — falou, com a garganta seca. Ele precisava urgentemente de um copo de água. — Quando eu me mudei para o colégio, na época, fui muito bem recebido por todos, principalmente pelas meninas — comentou, rindo, o que a fez revirar os olhos: — Mas você foi a única a não mostrar nenhum interesse. Na época, aquilo feriu bastante meu orgulho, e eu cheguei a ficar com raiva de você... Porém, depois do trabalho que fizemos juntos, eu não conseguia mais te tirar da cabeça, era como se você se infiltrasse em minha mente e simplesmente não me deixasse em paz... Durante muito tempo, eu apenas fiquei te observando de longe, tentando entender o que passava na sua mente; quando eu finalmente tive coragem para me aproximar, você foi esquiva... E eu me dei conta de que você não queria nada comigo. Foi nessa época que eu conheci April. Acontece que o que eu estou tentando dizer é que... Eu cheguei sim, a me interessar em você — soltou de uma vez por todas.
Era aquilo. Aquela era a mais pura verdade. Ele não iria esconder aquilo de Elena, menos ainda de si mesmo. Ele ficou muito interessado na pequena Gilbert — a garota anti-social e incrivelmente bonita -, porém; aquele sentimento jamais evoluiu para uma paixão.
A morena não soube o que dizer. Sentiu a garganta fechar e piscou algumas vezes. O choque e a surpresa a atingiram com uma força assustadora, e a morena sequer conseguia respirar.
— Você ficou interessado em mim? — Perguntou, em dúvida. Talvez aquilo explicasse o por quê de ele sempre ir atrás dela no colégio...
— Sim, só que na época eu achei que você não queria nada comigo — ele murmurou.
— Por que você não me disse isso antes?
— Eu estava esperando a hora certa — Damon respondeu dando de ombros. — Eu ainda não havia entendido muito bem o que sentia por você... Eu sempre tive esse problema. — Mas o que importa é que agora você sabe — ele falou.
— Se você tivesse me dito na época eu... — Damon a beijou delicadamente, silenciando-a. Era tão incrivelmente certo. Com ela por perto, era como se todas as preocupações e medos sumissem, eram apenas eles dois e mais nada... Ao lado dela, ele estava em paz.
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